{"id":129101,"date":"2026-10-15T07:51:00","date_gmt":"2026-10-15T10:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=129101"},"modified":"2026-10-16T12:09:42","modified_gmt":"2026-10-16T15:09:42","slug":"soberania-academica-no-sul-global-exige-cooperacao-regional-e-fomento-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/soberania-academica-no-sul-global-exige-cooperacao-regional-e-fomento-publico\/","title":{"rendered":"Soberania acad\u00eamica no Sul Global exige coopera\u00e7\u00e3o regional e fomento p\u00fablico"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ci\u00eancia | Das reflex\u00f5es sobre a heran\u00e7a colonial aos desafios da governan\u00e7a de dados, o campo cient\u00edfico busca mecanismos para superar assimetrias hist\u00f3ricas e assegurar a gest\u00e3o aut\u00f4noma do conhecimento<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>Estudante de Enfermagem com ingresso pela Pol\u00edtica de A\u00e7\u00f5es Afirmativas, a Kaingang Denize Marcolino foi uma das primeiras ind\u00edgenas a graduar na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2012 (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU 31\/08\/2009<\/em>)<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conhecimento produzido nas universidades n\u00e3o \u00e9 neutro, nem geogr\u00e1fico ou politicamente isento. \u00c9 o que apontou, em 2011, a soci\u00f3loga australiana Raewyn Connell em sua confer\u00eancia <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbcsoc\/a\/ZZZqDf3h5FwNbfCMQ66jPqF\/?format=pdf&amp;lang=pt\">A iminente revolu\u00e7\u00e3o na teoria social<\/a> durante o 35.\u00ba Encontro Anual da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Ci\u00eancias Sociais (Anpocs). Ao apontar a exist\u00eancia de uma &#8220;divis\u00e3o imperial do trabalho intelectual&#8221;, Connell criticou a din\u00e2mica acad\u00eamica em que os pa\u00edses do Norte concentram a formula\u00e7\u00e3o de conceitos, m\u00e9todos e teorias, tratando a pr\u00f3pria realidade como universal, enquanto o Sul Global \u00e9 restrito \u00e0 coleta de dados e \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de modelos externos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de uma d\u00e9cada ap\u00f3s essa cr\u00edtica, a reflex\u00e3o sobre esse desequil\u00edbrio consolidou-se como manifesto para uma nova gera\u00e7\u00e3o de pesquisadores. Superar a posi\u00e7\u00e3o de &#8220;informantes nativos&#8221; e a extrovers\u00e3o acad\u00eamica tornou-se o eixo para a busca de autonomia cient\u00edfica. Como defende Fabiano Couto Corr\u00eaa da Silva, pesquisador da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES), produzir conhecimento a partir do Sul Global n\u00e3o se limita a ampliar a participa\u00e7\u00e3o na ci\u00eancia internacional. Para o autor de <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/298403\">Quem controla seus dados? Ci\u00eancia Aberta, colonialismo de dados e soberania na era da Intelig\u00eancia Artificial e do Big Data<\/a>, o desafio est\u00e1 em discutir quem define as agendas de pesquisa, quem controla as infraestruturas, como os dados circulam e quem efetivamente se beneficia do conhecimento produzido.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O conhecimento situado n\u00e3o \u00e9 menos rigoroso por reconhecer o lugar social, hist\u00f3rico e territorial de onde \u00e9 produzido. Ao contr\u00e1rio, ele torna a ci\u00eancia mais transparente sobre suas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e mais respons\u00e1vel perante aqueles que ser\u00e3o afetados por seus resultados. O problema surge quando uma experi\u00eancia particular do Norte Global \u00e9 apresentada como universal, enquanto conhecimentos produzidos no Sul s\u00e3o classificados como locais, perif\u00e9ricos ou meramente emp\u00edricos&#8221;<\/p>\n<cite>Fabiano Couto Corr\u00eaa da Silva<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Mas, afinal, o que \u00e9 o Sul Global?<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conceito de Sul Global ultrapassa a divis\u00e3o geogr\u00e1fica entre hemisf\u00e9rios. Trata-se de uma categoria anal\u00edtica e pol\u00edtica que re\u00fane pa\u00edses marcados por uma heran\u00e7a colonial comum, caracterizada por processos hist\u00f3ricos de explora\u00e7\u00e3o, pobreza e desigualdade estrutural. A defini\u00e7\u00e3o abrange na\u00e7\u00f5es que buscam romper com a depend\u00eancia econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o aos centros hegem\u00f4nicos do Norte. Para al\u00e9m da dimens\u00e3o material, a soci\u00f3loga e pesquisadora Ma\u00edra Baumgarten explica que o termo carrega um vi\u00e9s epistemol\u00f3gico e um projeto de articula\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 uma perspectiva que traz em si um movimento de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para redefinir a rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia Norte-Sul, buscando coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul, novas parcerias comerciais, altera\u00e7\u00f5es nas regras do com\u00e9rcio internacional e maior autonomia geopol\u00edtica&#8221;<\/p>\n<cite>Ma\u00edra Baumgarten<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas assimetrias refletem-se diretamente na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. A obra <a href=\"http:\/\/hdl.handle.net\/10183\/213312\">Sociedade, conhecimentos e colonialidade: olhares sobre a Am\u00e9rica Latina<\/a>, organizada por Baumgarten, debate os mecanismos que tornam perif\u00e9rica a ci\u00eancia produzida na regi\u00e3o, examinando os constrangimentos materiais e institucionais na produ\u00e7\u00e3o e na divulga\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e tecnologia no Brasil e na Am\u00e9rica Latina, al\u00e9m das possibilidades de amplia\u00e7\u00e3o do conhecimento frente ao cen\u00e1rio p\u00f3s-colonial. A supera\u00e7\u00e3o desse quadro \u00e9 apontada por especialistas como pr\u00e9-requisito para que o pa\u00eds alcance a soberania cient\u00edfica, rompa a depend\u00eancia de modelos externos e supere o papel de mero fornecedor de dados e mat\u00e9rias-primas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A busca por essa autonomia se traduz em pol\u00edticas institucionais de fomento e circula\u00e7\u00e3o de saberes. Em evento na UFRGS alusivo aos 25 anos do Portal de Peri\u00f3dicos da CAPES, a presidenta da institui\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/revolucao-no-acesso-como-o-portal-de-periodicos-da-capes-transformou-a-pesquisa-cientifica-no-brasil\/\">Denise Pires de Carvalho<\/a>, destacou a ferramenta como um marco para democratizar o acesso \u00e0 literatura cient\u00edfica global, permitindo que pesquisadores brasileiros superem barreiras hist\u00f3ricas de isolamento acad\u00eamico. Em outra frente institucional, nas comemora\u00e7\u00f5es dos 75 anos do CNPq, o presidente da ag\u00eancia, <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\/assuntos\/noticias\/cnpq-em-acao\/75-anos-de-cnpq-solenidade-reune-autoridades-colaboradores-e-pesquisadores-para-comemorar-data\">Olival Freire J\u00fanior<\/a>, reiterou que a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o do Conselho, no p\u00f3s-guerra, respondeu \u00e0 necessidade hist\u00f3rica de o pa\u00eds dominar tecnologias estrat\u00e9gicas e construir uma base cient\u00edfica pr\u00f3pria frente \u00e0s pot\u00eancias centrais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa soberania exige debater diretamente a governan\u00e7a da infraestrutura cient\u00edfica. Fabiano Silva pondera que a soberania no setor n\u00e3o significa isolamento, mas a capacidade efetiva de decis\u00e3o sobre as ferramentas de trabalho. O pesquisador observa que, com etapas cr\u00edticas concentradas em empresas privadas, as universidades enfrentam dificuldades para manter o controle sobre a circula\u00e7\u00e3o do conhecimento. Para lidar com esse cen\u00e1rio, ele aponta redes como SciELO, Redalyc, AmeliCA e LA Referencia como alternativas voltadas ao interesse coletivo, capazes de viabilizar circuitos pr\u00f3prios de comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e evitar que a Ci\u00eancia Aberta funcione como fornecedora de dados para plataformas corporativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPor\u00e9m, essas redes precisam ser tratadas como infraestruturas p\u00fablicas essenciais, com financiamento est\u00e1vel, padr\u00f5es abertos, interoperabilidade, portabilidade dos dados, preserva\u00e7\u00e3o de longo prazo e governan\u00e7a transparente para que garantam a soberania\u201d, analisa. O pesquisador observa que, para isso, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio desenvolver m\u00e9tricas e sistemas de informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que reduzam a depend\u00eancia de bases comerciais estrangeiras. Sem esses investimentos, o setor corre o risco de promover uma ci\u00eancia formalmente aberta, mas com uma infraestrutura restrita e controlada por atores privados. \u201cA Ci\u00eancia Aberta pode, assim, tornar-se involuntariamente uma fornecedora de dados, publica\u00e7\u00f5es e intelig\u00eancia para plataformas que n\u00e3o governamos\u201d, destaca Silva.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1004\" data-id=\"131711\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0013.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-131711\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0013.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0013-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0013-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0013-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0013-465x311.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0013-695x465.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"131717\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5762.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-131717\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5762.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5762-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5762-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5762-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5762-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5762-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"131716\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5756.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-131716\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5756.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5756-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5756-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5756-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5756-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-5756-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Imagens acima mostram estudantes em diferentes situa\u00e7\u00f5es nos diversos c\u00e2mpus da UFRGS, onde ser\u00e1 realizada a pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o das Jornadas de Jovens Pesquisadores (JJI) da Associa\u00e7\u00e3o de Universidades do Grupo Montevid\u00e9u (AUGM), entre 20 e 22 de outubro de 2026 (Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Am\u00e9rica Latina como polo de formula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A discuss\u00e3o sobre soberania tamb\u00e9m passa pela justi\u00e7a epist\u00eamica na governan\u00e7a de dados. Fabiano Silva pontua que os princ\u00edpios <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ibict\/pt-br\/central-de-conteudos\/noticias\/2022\/marco-2022\/principios-go-fair\">FAIR<\/a> (<em>findable, accessible, interoperable, reusable<\/em>) e <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/264923\">CARE<\/a> (<em>collective benefit, authority to control, responsibility, ethics<\/em>) n\u00e3o devem ser vistos como concorrentes, mas como dimens\u00f5es complementares. Enquanto o modelo FAIR aborda a acessibilidade t\u00e9cnica, o modelo CARE introduz questionamentos fundamentais sobre quem se beneficia da reutiliza\u00e7\u00e3o e quem det\u00e9m autoridade para decidir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador adverte que um conjunto de dados pode ser tecnicamente impec\u00e1vel e, ao mesmo tempo, eticamente injusto quando disponibilizado sem a participa\u00e7\u00e3o ou o retorno adequado para as comunidades que viabilizaram a pesquisa. Esse cen\u00e1rio pode fomentar uma pr\u00e1tica de &#8220;ci\u00eancia paraquedas&#8221;, na qual os dados permanecem no Sul Global, enquanto a capacidade de interpret\u00e1-los, transform\u00e1-los em patentes ou modelos de intelig\u00eancia artificial concentra-se no Norte e nas grandes corpora\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para reverter essa din\u00e2mica, Silva aponta que repensar os marcos metodol\u00f3gicos exige incluir as comunidades em todo o ciclo da pesquisa, desde a defini\u00e7\u00e3o das perguntas e m\u00e9todos de coleta at\u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados e as regras de acesso. Isso envolve ferramentas como comit\u00eas comunit\u00e1rios de governan\u00e7a, protocolos de consentimento cont\u00ednuo e restri\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas ao treinamento de sistemas de IA. Desse modo, a avalia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica precisa valorizar o retorno social e a reciprocidade, e n\u00e3o apenas m\u00e9tricas tradicionais de cita\u00e7\u00f5es e downloads. Em determinados contextos, concluir que restringir o acesso \u00e9 a decis\u00e3o mais \u00e9tica demonstra que a verdadeira democratiza\u00e7\u00e3o consiste em garantir que as comunidades possam decidir como, quando e por quem seus dados ser\u00e3o utilizados.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O Sul Global deixar\u00e1 de ser mat\u00e9ria-prima barata quando puder controlar n\u00e3o apenas seus dados, mas tamb\u00e9m as perguntas de pesquisa, as categorias de interpreta\u00e7\u00e3o, as infraestruturas de processamento e os benef\u00edcios derivados do conhecimento. Isso implica orientar parte maior da ci\u00eancia para nossas urg\u00eancias \u2013 desigualdade, sa\u00fade p\u00fablica, educa\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, biodiversidade, seguran\u00e7a alimentar e direitos sociais \u2013 e fortalecer redes de coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul&#8221;<\/p>\n<cite>Fabiano Couto Corr\u00eaa da Silva<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Superar a depend\u00eancia epist\u00eamica e tecnol\u00f3gica do Norte Global, contudo, n\u00e3o depende apenas de infraestruturas digitais ou de pol\u00edticas p\u00fablicas de dados. Exige, fundamentalmente, transformar a pr\u00f3pria cultura acad\u00eamica e o repert\u00f3rio bibliogr\u00e1fico da pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de cientistas. Essa mudan\u00e7a de perspectiva ganha corpo quando pesquisadores passam a olhar para os seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios, construindo redes humanas de colabora\u00e7\u00e3o e reconhecendo a Am\u00e9rica Latina como polo leg\u00edtimo de formula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conex\u00e3o regional inicia na gradua\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa busca por autonomia \u00e9tica e benef\u00edcio coletivo na gest\u00e3o do conhecimento ganha dimens\u00e3o pr\u00e1tica na coopera\u00e7\u00e3o regional promovida pelas <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/33jji\/\">33.\u00aa Jornadas de Jovens Pesquisadores (JJI)<\/a> da Associa\u00e7\u00e3o de Universidades do Grupo Montevid\u00e9u (AUGM), da qual a UFRGS faz parte. Agendado para ocorrer entre 20 e 22 de outubro de 2026, o evento ter\u00e1 a Universidade como sede e mobilizar\u00e1 pesquisadores da gradua\u00e7\u00e3o e da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em torno da tem\u00e1tica \u201cProduzir conhecimento desde o Sul global: novas refer\u00eancias para a ci\u00eancia\u201d. Com essa diretriz, o encontro traduz na coopera\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses sul-americanos a necessidade de reposicionar o continente nos fluxos globais de saber, colocando a inova\u00e7\u00e3o e as viv\u00eancias da pr\u00f3pria regi\u00e3o no centro do desenvolvimento cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Criadas em 1993, as Jornadas re\u00fanem anualmente centenas de estudantes e pesquisadores comprometidos com a realidade latino-americana. O evento aproxima cientistas e estimula trabalhos colaborativos, fomentando redes interpessoais e cient\u00edfico-acad\u00eamicas que fundamentam a constitui\u00e7\u00e3o de grupos regionais de pesquisa cient\u00edfica. Para a edi\u00e7\u00e3o deste ano, s\u00e3o esperados at\u00e9 1,2 mil participantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO esp\u00edrito do evento \u00e9 o contato, o di\u00e1logo e a constru\u00e7\u00e3o de pontes entre as universidades, e isso come\u00e7a justamente com os jovens pesquisadores e os estudos que desenvolvem\u201d, explica o t\u00e9cnico em assuntos educacionais da <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/relinter\/\">Secretaria de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais<\/a> (Relinter), Vin\u00edcius de Oliveira Masseroni. Mais do que um espa\u00e7o tradicional de apresenta\u00e7\u00e3o de trabalhos, o foco \u00e9 estimular a coopera\u00e7\u00e3o direta entre os pares. Diferentemente dos encontros acad\u00eamicos convencionais em que cada participante exp\u00f5e sua pesquisa por poucos minutos e retorna para casa, a proposta das Jornadas \u00e9 funcionar como um primeiro passo para a constru\u00e7\u00e3o conjunta do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"131784\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Arquivo-Pessoal-MarissaGodoy-3575.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-131784\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Arquivo-Pessoal-MarissaGodoy-3575.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Arquivo-Pessoal-MarissaGodoy-3575-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Arquivo-Pessoal-MarissaGodoy-3575-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Arquivo-Pessoal-MarissaGodoy-3575-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Arquivo-Pessoal-MarissaGodoy-3575-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Arquivo-Pessoal-MarissaGodoy-3575-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"131712\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0158.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-131712\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0158.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0158-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0158-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0158-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0158-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-0158-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Marissa Godoy apresentou trabalho que desenvolve sobre moda, no doutorado em Administra\u00e7\u00e3o, durante as Jornadas de Jovens Pesquisadores (JJI) da Associa\u00e7\u00e3o de Universidades do Grupo Montevid\u00e9u (AUGM) em Tucum\u00e1n, na Argentina, em 2025; Bianca Jaques tamb\u00e9m esteve na Argentina e participar\u00e1 novamente da edi\u00e7\u00e3o de Porto Alegre (Fotos: Arquivo Pessoal\/Marissa Godoy e Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para quem j\u00e1 integrou a delega\u00e7\u00e3o da UFRGS em edi\u00e7\u00f5es anteriores, essa troca vai muito al\u00e9m dos minutos de exposi\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e deixa marcas profundas na trajet\u00f3ria cient\u00edfica. Estudantes que participaram da <a href=\"https:\/\/32jji.unt.edu.ar\/\">edi\u00e7\u00e3o de 2025<\/a>, realizada na Universidade Nacional de Tucum\u00e1n (UNT), na Argentina, relatam que a viv\u00eancia transforma a forma de fazer ci\u00eancia e de enxergar a Am\u00e9rica Latina. \u201cFoi uma das experi\u00eancias mais enriquecedoras da minha trajet\u00f3ria acad\u00eamica. Al\u00e9m de vivenciar outra cultura, pude apresentar meu trabalho sobre o pensamento vegetal na literatura de l\u00edngua portuguesa e me conectar com pesquisadores que tamb\u00e9m se dedicam \u00e0 ecocr\u00edtica\u201d, relata a graduanda em Letras, Bianca Rodrigues Jaques.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Mantenho contato com colegas que conheci l\u00e1, com quem troco leituras e ideias. \u00c9 maravilhoso dialogar constantemente com quem tem enriquecido a fundamenta\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica da minha pesquisa e expandido meu repert\u00f3rio para al\u00e9m das fronteiras do Brasil&#8221;<\/p>\n<cite>Bianca Rodrigues Jaques<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O interc\u00e2mbio de saberes e a amplia\u00e7\u00e3o de horizontes tamb\u00e9m marcam a avalia\u00e7\u00e3o de Marissa Yanara de Godoy Lima, doutoranda em Administra\u00e7\u00e3o. &#8220;Tive a oportunidade de apresentar um artigo desenvolvido a partir da minha tese e receber contribui\u00e7\u00f5es de pesquisadores de diferentes institui\u00e7\u00f5es, o que trouxe novos olhares e reflex\u00f5es para o trabalho. Acredito que esse interc\u00e2mbio nos permite sair do nosso espa\u00e7o habitual de pesquisa e conhecer outras perspectivas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aproxima\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e trocas diretas entre pares ganham contornos de reconhecimento internacional. \u00c9 o caso de Arthur Henrique Bach, doutorando em Engenharia Civil, que teve sua pesquisa de mestrado sobre prioriza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de risco em Porto Alegre premiada entre os melhores trabalhos do eixo Sustentabilidade da edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Receber esse reconhecimento no Teatro Alberdi foi um marco na minha trajet\u00f3ria cient\u00edfica. A idealiza\u00e7\u00e3o das Jornadas como espa\u00e7o de troca \u00e9 valiosa: ela fortalece a ci\u00eancia regional e impulsiona o desenvolvimento de uma nova gera\u00e7\u00e3o de cientistas&#8221;<\/p>\n<cite>Arthur Henrique Bach<\/cite><\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"999\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_ArquivoPessoal-20251013.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-131708\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_ArquivoPessoal-20251013.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_ArquivoPessoal-20251013-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_ArquivoPessoal-20251013-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_ArquivoPessoal-20251013-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_ArquivoPessoal-20251013-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_ArquivoPessoal-20251013-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arthur Henrique Bach, doutorando em Engenharia Civil que teve seu trabalho premiado nas Jornadas de Jovens Pesquisadores realizada na Universidade Nacional de Tucum\u00e1n em 2025 (Foto: Arquivo Pessoal\/Arthur Henrique Bach)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Desafios da coopera\u00e7\u00e3o e protagonismo da UFRGS<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que a ci\u00eancia produzida no continente avance por meio de parcerias Sul-Sul, \u00e9 preciso enfrentar os entraves materiais que condicionam a coopera\u00e7\u00e3o regional. Ao refletir sobre o lema das Jornadas deste ano, Vin\u00edcius de Oliveira Masseroni aponta que o principal obst\u00e1culo reside no modelo de financiamento e na fragilidade institucional. \u201cTalvez a maior amarra, ainda, seja a quest\u00e3o econ\u00f4mico-or\u00e7ament\u00e1ria\u201d, avalia. Embora o Brasil possua relativa previsibilidade se comparado a vizinhos cuja sustentabilidade depende da volatilidade pol\u00edtica, ele alerta: \u201cTodas as pol\u00edticas da AUGM s\u00e3o custeadas pelas pr\u00f3prias universidades. Ou seja, se h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o de verba, haver\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o dessa colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A essa vulnerabilidade soma-se um entrave cultural: o distanciamento hist\u00f3rico do Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica regional. \u201cA ideia de complementar a forma\u00e7\u00e3o &#8216;fora do pa\u00eds&#8217;, geralmente, significa Europa e Estados Unidos. Nossos\/as discentes ainda pensam primeiro na Europa e s\u00f3 depois em nossos vizinhos latino-americanos\u201d, aponta Masseroni.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que os jovens pesquisadores possam atuar como agentes dessa mudan\u00e7a, contudo, \u00e9 preciso que as redes de coopera\u00e7\u00e3o institucional existam ativamente e garantam a mobilidade. Diante da necessidade de reduzir a depend\u00eancia tecnol\u00f3gica dos pa\u00edses centrais, a AUGM cumpre seu papel estrat\u00e9gico ao consolidar um espa\u00e7o de coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul. Alinhada aos objetivos da UFRGS de estreitar la\u00e7os com os BRICS, a \u00c1frica e a Am\u00e9rica Latina, a rede promove um interc\u00e2mbio horizontal entre institui\u00e7\u00f5es de diferentes portes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O papel dos jovens pesquisadores \u00e9 ser esse elo com as universidades da rede. N\u00e3o \u00e9 raro um aluno voltar de uma Jornada trazendo refer\u00eancias de intelectuais cuja exist\u00eancia desconhecia e que dialogam perfeitamente com seu tema de pesquisa&#8221;<\/p>\n<cite>Vin\u00edcius de Oliveira Masseroni<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A expectativa para este ano reflete esse engajamento. Ap\u00f3s as restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias limitarem a delega\u00e7\u00e3o da UFRGS a cerca de 20 trabalhos no ano passado \u2013 quando o apoio da Pr\u00f3-reitoria de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (PROPG) e de diversos Programas de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o foi essencial para custear o envio da comitiva \u00e0 Argentina \u2013, Masseroni projeta que, em 2026, a institui\u00e7\u00e3o deve ocupar todas as vagas disponibilizadas a ela nesta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio local potencializa essa ades\u00e3o: planejado estrategicamente para o C\u00e2mpus do Vale na mesma semana do <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/site\/salaoufrgs\/\">Sal\u00e3o UFRGS<\/a>, o evento amplia o escopo de participa\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Conforme aponta Masseroni, a articula\u00e7\u00e3o de agendas permite que discentes, mesmo sem integrar a comitiva oficial, acompanhem as apresenta\u00e7\u00f5es, integrem-se \u00e0s visitas laboratoriais e participem das reuni\u00f5es dos comit\u00eas acad\u00eamicos da rede.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"131715\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-4509.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-131715\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-4509.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-4509-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-4509-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-4509-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-4509-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-4509-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"131714\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-2766.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-131714\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-2766.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-2766-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-2766-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-2766-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-2766-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-2766-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"131709\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-1-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-131709\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-1-2.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-1-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-1-2-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-1-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-1-2-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Academia-Sul-Global_Flavio-Dutra-1-2-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Estudantes no c\u00e2mpus da UFRGS, em Porto Alegre. Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>:: Lea la versi\u00f3n en espa\u00f1ol<\/strong><br><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/soberania-academica-en-el-sur-global-exige-cooperacion-regional-y-fomento-publico\/\">Soberan\u00eda acad\u00e9mica en el Sur Global exige cooperaci\u00f3n regional y fomento p\u00fablico<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-fe48e5de wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline animated fadeInDown slow is-style-outline--4\"><a class=\"wp-block-button__link has-text-color has-link-color has-custom-font-size wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/category\/reportagens\/\" style=\"border-radius:16px;color:#135e96;font-size:15px\">Veja mais conte\u00fados da editoria <strong>Reportagem<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ci\u00eancia | Das reflex\u00f5es sobre a heran\u00e7a colonial aos desafios da governan\u00e7a de dados, o campo cient\u00edfico busca mecanismos para superar assimetrias hist\u00f3ricas e assegurar a gest\u00e3o aut\u00f4noma do conhecimento<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/soberania-academica-no-sul-global-exige-cooperacao-regional-e-fomento-publico\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":221,"featured_media":131710,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[605],"tags":[7253,8171,499,8170,7192],"ppma_author":[5696],"class_list":["entry","author-cristianemiglioranza","has-excerpt","post-129101","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-reportagens","tag-augm","tag-redes-de-cooperacao","tag-relinter","tag-soberania-cientifica","tag-sul-global"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - 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