{"id":129276,"date":"2026-09-17T07:45:00","date_gmt":"2026-09-17T10:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=129276"},"modified":"2026-09-15T16:49:46","modified_gmt":"2026-09-15T19:49:46","slug":"pesquisa-mostra-relacao-entre-sedimentacao-no-fundo-do-mar-e-eventos-climaticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/pesquisa-mostra-relacao-entre-sedimentacao-no-fundo-do-mar-e-eventos-climaticos\/","title":{"rendered":"Pesquisa mostra rela\u00e7\u00e3o entre sedimenta\u00e7\u00e3o no fundo do mar e eventos clim\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Geoci\u00eancias | Colabora\u00e7\u00e3o internacional aponta o oceano como uma grande biblioteca que registra fen\u00f4menos clim\u00e1ticos passados e ajuda a compreender cen\u00e1rios futuros<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Conchas da beira da praia, oriundas do fundo do mar, t\u00eam idades muito distintas entre si (Foto: Matias Ritter)<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando queremos comprar uma televis\u00e3o, avaliamos a resolu\u00e7\u00e3o da imagem que cada modelo poder\u00e1 oferecer. Essa l\u00f3gica se repete no estudo do fundo do mar, considerado uma grande biblioteca para a ci\u00eancia. No oceano, organismos que morreram em mil\u00eanios diferentes podem estar depositados lado a lado, o que pode gerar imprecis\u00f5es quando se investiga o passado para tentar entender o futuro. Uma pesquisa publicada na revista <a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.2615368123\">Proceedings of the National Academy of Sciences<\/a> (PNAS) comprovou o que a paleontologia apenas presumia h\u00e1 d\u00e9cadas: Quanto mais r\u00e1pido o sedimento se deposita, menor \u00e9 essa mistura e mais n\u00edtido \u00e9 o retrato preservado nos f\u00f3sseis. Na pr\u00e1tica, a confirma\u00e7\u00e3o dessa equa\u00e7\u00e3o ajuda a prever, antes mesmo de qualquer coleta de material, se um sedimento ter\u00e1 resolu\u00e7\u00e3o suficiente para registrar eventos r\u00e1pidos como o El Ni\u00f1o, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente pode acessar essa biblioteca e tentar entender o que ela nos conta sobre o que aconteceu no passado. Isso \u00e9 importante para a gente ter melhores cen\u00e1rios do que pode acontecer no futuro, porque a hist\u00f3ria se repete\u201d, explica o professor do Centro de Estudos Costeiros, Limnol\u00f3gicos e Marinhos (Ceclimar\/UFRGS), Matias Ritter. Ele foi um dos dois autores brasileiros nessa pesquisa internacional que mobilizou 16 institui\u00e7\u00f5es de oito pa\u00edses com estudos de, pelo menos, duas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o professor, o El Ni\u00f1o, fen\u00f4meno clim\u00e1tico recorrente no Rio Grande do Sul e que gera condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias para a ocorr\u00eancia de enchentes, atua em uma escala de d\u00e9cadas. Ou seja, para estudar esse fen\u00f4meno \u00e9 preciso que o registro f\u00f3ssil seja bem refinado: o que significa ter passado por um processo de sedimenta\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. No entanto, boa parte das bibliotecas marinhas trabalha com escala de mil\u00eanios, uma sedimenta\u00e7\u00e3o lenta. Isso torna a descoberta do padr\u00e3o temporal ainda mais relevante, j\u00e1 que agora \u00e9 poss\u00edvel saber para quais \u00e1reas do oceano os estudos devem ser direcionados para investigar determinados eventos clim\u00e1ticos extremos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Mais de 7,5 mil f\u00f3sseis analisados pela pesquisa internacional&nbsp;<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No total, a pesquisa internacional analisou 7.593 f\u00f3sseis de animais invertebrados marinhos coletados em 118 pontos dos oceanos Pac\u00edfico, Atl\u00e2ntico (que banha o Brasil), \u00cdndico e Mar Mediterr\u00e2neo. O n\u00famero de f\u00f3sseis equivale a 384 amostras, e cada uma contendo, pelo menos, dez conchas. \u201cCada amostra normalmente possui organismos que t\u00eam exoesqueleto e conchas de molusco. Essas conchas, que a gente encontra na praia, tamb\u00e9m est\u00e3o no fundo do mar\u201d, conta Ritter.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para determinar a idade individual de cada f\u00f3ssil, a equipe se valeu das t\u00e9cnicas de carbono-14 e racemiza\u00e7\u00e3o de amino\u00e1cidos (dois m\u00e9todos cient\u00edficos utilizados para determinar a idade de materiais org\u00e2nicos em arqueologia, paleontologia e geologia). O n\u00edvel de carbono-14 decai de forma constante ap\u00f3s a morte dos organismos, permitindo datar f\u00f3sseis de at\u00e9 50 mil anos. A racemiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a estrat\u00e9gia usada quando eles s\u00e3o mais antigos e consiste na transforma\u00e7\u00e3o gradual de um L-amino\u00e1cido (forma ativa encontrada em seres vivos) em uma mistura igual de L- e D-amino\u00e1cidos. O resultado dessas an\u00e1lises mostrou que o tempo de sedimenta\u00e7\u00e3o explica 77% da varia\u00e7\u00e3o no grau de mistura temporal dos f\u00f3sseis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mistura temporal, dois processos atuam em sentidos opostos nesse fen\u00f4meno. Um deles \u00e9 a bioturba\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a movimenta\u00e7\u00e3o do sedimento por organismos escavadores, aumentando a mistura. O outro \u00e9 a dissolu\u00e7\u00e3o e a fragmenta\u00e7\u00e3o de esqueletos calc\u00e1rios, reduzindo a mistura ao eliminar exemplares mais antigos. Combinando essas duas vari\u00e1veis, os cientistas desenvolveram modelos matem\u00e1ticos, chamados  matrizes de transi\u00e7\u00e3o, que, na pr\u00e1tica, funcionam como uma esp\u00e9cie de calculadora de resolu\u00e7\u00e3o temporal. Com ela, \u00e9 poss\u00edvel simular din\u00e2micas e prever se um f\u00f3ssil preserva informa\u00e7\u00f5es detalhadas o suficiente para reconstruir eventos r\u00e1pidos, como o El Ni\u00f1o, ou se capta apenas tend\u00eancias milenares, como os grandes ciclos glaciais.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1459\" height=\"973\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-Credito-Matias-Ritter.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-130165\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-Credito-Matias-Ritter.jpg 1459w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-Credito-Matias-Ritter-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-Credito-Matias-Ritter-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-Credito-Matias-Ritter-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-Credito-Matias-Ritter-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-Credito-Matias-Ritter-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1459px) 100vw, 1459px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Conchas aparentes em diferentes extratos de \u00e1rea sedimentada (Foto: Matias Ritter)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Passado f\u00f3ssil ajuda a planejar respostas mais precisas contra enchentes&nbsp;<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sedimentos marinhos funcionam como arquivos para reconstruir caracter\u00edsticas do clima e dos oceanos e, assim, calibrar modelos de proje\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. A longo prazo, os resultados dessa pesquisa internacional contribuem para compreender melhor a varia\u00e7\u00e3o natural do clima e os efeitos das mudan\u00e7as ambientais recentes, fornecendo informa\u00e7\u00f5es que podem subsidiar a avalia\u00e7\u00e3o de riscos associados a eventos extremos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o pesquisador, o achado ganha relev\u00e2ncia ao rememorar acontecimentos de 2024: as enchentes hist\u00f3ricas no Rio Grande do Sul, as secas severas na Amaz\u00f4nia e as ondas de calor espalhadas pelo planeta. Ou seja, saber de antem\u00e3o a resolu\u00e7\u00e3o que um f\u00f3ssil fornecer\u00e1 traz benef\u00edcio para a sociedade, pois pode contribuir para o planejamento de respostas mais precisas contra enchentes, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Para estudar fen\u00f4menos como o El Ni\u00f1o e sua rela\u00e7\u00e3o com as enchentes, a Lagoa dos Patos \u00e9 uma das \u00e1reas que podem ser investigadas&#8221;<\/p>\n<cite>Matias Ritter<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme Ritter, a sedimenta\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis ocorre de forma lenta no Rio Grande do Sul; uma alternativa ainda mais adequada \u00e9 realizar esse estudo na desembocadura do Rio da Prata entre o Uruguai e a Argentina, local em que a sedimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais r\u00e1pida. Como os fen\u00f4menos clim\u00e1ticos atuam em escala continental, registros obtidos nessa regi\u00e3o podem fornecer informa\u00e7\u00f5es relevantes para compreender as condi\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m afetam o territ\u00f3rio ga\u00facho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Rio Grande do Sul, 146 indiv\u00edduos foram analisados em seis amostras: tr\u00eas rasas e tr\u00eas profundas, provenientes de pontos de coleta entre as praias do Cassino e Hermenegildo, no litoral Sul. Em S\u00e3o Paulo, outro estado integrante da pesquisa, foram analisados mais de 400 indiv\u00edduos de ambientes costeiros e marinhos rasos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marcello Sim\u00f5es, do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explica que o litoral paulista, assim como o ga\u00facho, funciona como uma ponte entre processos modernos e o registro f\u00f3ssil. \u201cEssa pesquisa \u00e9 relevante porque amplia a nossa capacidade de compreender mudan\u00e7as ambientais, estabelecer linhas de base hist\u00f3ricas e avaliar melhor os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e das atividades humanas\u201d, destaca.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o futuro, os pesquisadores visam trabalhar na elabora\u00e7\u00e3o de modelos computacionais e de mapas a partir das informa\u00e7\u00f5es obtidas pela an\u00e1lise dos registros f\u00f3sseis do fundo do mar. No Rio Grande do Sul, a investiga\u00e7\u00e3o segue em an\u00e1lises de como a atividade tect\u00f4nica pode influenciar na resolu\u00e7\u00e3o temporal dos materiais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para isso, Ritter pretende comparar os f\u00f3sseis da costa chilena, onde h\u00e1 intensa atividade tect\u00f4nica, com os da costa ga\u00facha, sem atividade e com taxa de sedimenta\u00e7\u00e3o baixa. O objetivo \u00e9 descobrir se amostras chilenas preservam melhor as informa\u00e7\u00f5es que podem ser utilizadas para estudar os eventos clim\u00e1ticos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O C\u00e2mpus Litoral da UFRGS tem todas as condi\u00e7\u00f5es para se consolidar como um centro de excel\u00eancia em resili\u00eancia clim\u00e1tica&#8221;<\/p>\n<cite>Matias Ritter<\/cite><\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3-Credito-Matias-Ritter.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-130166\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3-Credito-Matias-Ritter.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/3-Credito-Matias-Ritter-300x200.jpg 300w, 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wp-block-paragraph\"><strong>Artigo:<\/strong> <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1073\/pnas.2615368123\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/doi.org\/10.1073\/pnas.2615368123\">Sediment accumulation rate predicts the temporal resolution of marine fossil assemblages<\/a> (A taxa de acumula\u00e7\u00e3o de sedimentos prev\u00ea a resolu\u00e7\u00e3o temporal do conjunto de f\u00f3sseis marinhos, em tradu\u00e7\u00e3o livre)<br><strong>Autores:<\/strong>&nbsp;Micha\u0142&nbsp;Kowalewski, Adam&nbsp;Toma\u0161ov\u00fdch, Rafa\u0142&nbsp;Nawrot, Daniele&nbsp;Scarponi, Martin&nbsp;Zuschin, Paolo G.&nbsp;Albano, Quan&nbsp;Hua, Darrell S.&nbsp;Kaufman, Susan M.&nbsp;Kidwell, <a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/authored-by\/Ritter\/Matias\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.pnas.org\/authored-by\/Ritter\/Matias\">Matias&nbsp;Ritter<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/authored-by\/Sim%C3%B5es\/Marcello+G\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.pnas.org\/authored-by\/Sim%C3%B5es\/Marcello+G\">Marcello G.&nbsp;Sim\u00f5es<\/a>, Luis&nbsp;Torres,&nbsp;Jr., Bettina&nbsp;Bachmann, Michaela&nbsp;Berensmeier, Troy A.&nbsp;Dexter, Alexandra&nbsp;Haselmair, Ivo&nbsp;Gallmetzer, Claudio&nbsp;Pellegrini, Lukas&nbsp;Schweigl, Jan&nbsp;Steger e Matthew A.&nbsp;Kosnik<br><strong>Programa:<\/strong> Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geoci\u00eancias (IGeo\/UFRGS&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons alignwide is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-fe48e5de wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline animated fadeInDown slow is-style-outline--1\"><a class=\"wp-block-button__link has-text-color has-link-color has-text-align-center has-custom-font-size wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/category\/divulgacao-cientifica\/\" style=\"border-radius:16px;color:#135e96;font-size:15px\">Veja mais conte\u00fados da editoria <strong>Divulga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geoci\u00eancias | Colabora\u00e7\u00e3o internacional aponta o oceano como uma grande biblioteca que registra fen\u00f4menos clim\u00e1ticos passados e ajuda a compreender cen\u00e1rios futuros<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/pesquisa-mostra-relacao-entre-sedimentacao-no-fundo-do-mar-e-eventos-climaticos\/\">Leia 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