{"id":14226,"date":"2020-12-03T09:32:00","date_gmt":"2020-12-03T12:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=14226"},"modified":"2020-12-03T10:09:04","modified_gmt":"2020-12-03T13:09:04","slug":"do-embranquecimento-cultural-ao-genocidio-a-proposito-da-morte-de-joao-alberto-freitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/do-embranquecimento-cultural-ao-genocidio-a-proposito-da-morte-de-joao-alberto-freitas\/","title":{"rendered":"Do embranquecimento cultural ao genoc\u00eddio (a prop\u00f3sito da morte de Jo\u00e3o Alberto Freitas)"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | A professora de Teatro Dedy Ricardo, do Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o, discute a import\u00e2ncia da representatividade positiva nas artes e na publicidade<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Por: Dedy Ricardo<br>*Foto de capa: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje eu pretendia pensar na minha pesquisa, pretendia refletir sobre a intersec\u00e7\u00e3o entre a cultura negra e a pedagogia do teatro, sobre as belezas que tenho descoberto ao pesquisar as africanidades e as afro-brasilidades. Mas a barb\u00e1rie distanciou meu curso das belezas de forma que n\u00e3o tenho alternativa sen\u00e3o falar do genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra brasileira. \u00c9 assim: nosso caminho \u00e9 constantemente cortado pela brutalidade e nossos objetivos, desviados pelo horror e pelo medo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vamos falar sobre duas formas de genoc\u00eddio \u00e0s quais homens e mulheres s\u00e3o submetidos. Em justi\u00e7a com o passado e com o presente, Abdias Nascimento &#8211; homem do teatro, das artes, das letras e das lutas &#8211; foi preciso em descrever e denunciar as tantas formas de assassinatos em massa que se efetivam sobre corpos negros. Hoje, no entanto, quero me deter nestas duas: a primeira \u00e9 a aus\u00eancia de representatividade negra positiva na literatura, na dramaturgia, no cinema e na teledramaturgia, a qual Abdias denomina como \u201cembranquecimento cultural\u201d. Ele aponta essa como estrat\u00e9gia do genoc\u00eddio, por massacrar a subjetividade negra. A segunda \u00e9 a morte do corpo f\u00edsico, cuja banaliza\u00e7\u00e3o nos assombra desde os tumbeiros.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Dedy-ricardo-Foto-Thiago-Lazeri.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-14326\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Dedy-ricardo-Foto-Thiago-Lazeri.png 960w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Dedy-ricardo-Foto-Thiago-Lazeri-300x200.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Dedy-ricardo-Foto-Thiago-Lazeri-175x117.png 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Dedy-ricardo-Foto-Thiago-Lazeri-768x512.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Dedy-ricardo-Foto-Thiago-Lazeri-465x310.png 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Dedy-ricardo-Foto-Thiago-Lazeri-695x463.png 695w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption>Dedy Ricardo atuando no espet\u00e1culo &#8220;Eu n\u00e3o sou macaco!&#8221; (Foto: Thiago Lazeri)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lembro-me que, em 2016, o ator afro-americano Chris Rock foi apresentador da cerim\u00f4nia do Oscar. Ao comentar a inexist\u00eancia de artistas negras e negros entre as indica\u00e7\u00f5es \u00e0 cobi\u00e7ad\u00edssima estatueta, Chris ironizou, dizendo algo como: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPor que os negros s\u00f3 est\u00e3o reclamando agora? Por que n\u00e3o reclamavam nas d\u00e9cadas de 1950, 1960? Porque t\u00ednhamos coisas reais sobre as quais protestar na \u00e9poca. Est\u00e1vamos muito ocupados sendo estuprados e linchados para nos preocuparmos com quem ganhou o pr\u00eamio de melhor fotografia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se concordamos que nossa atual realidade n\u00e3o \u00e9 muito diferente daquela \u00e0 qual o ator se refere, como podemos verificar em uma s\u00e9rie de acontecimentos ao longo de 2020, falar sobre a aus\u00eancia de modelos edificantes negros no \u00e2mbito da classe teatral, do cinema e da dramaturgia pode parecer uma queixa f\u00fatil, secund\u00e1ria, que s\u00f3 diz respeito \u00e0s atrizes e aos atores negros, por subtrair-lhes oportunidades dignas de trabalho. Qual a import\u00e2ncia disso diante do sangue negro derramado diariamente, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Acredito, contudo, que haja uma estreita rela\u00e7\u00e3o entre o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra e a falta de nossa representa\u00e7\u00e3o positiva nas artes c\u00eanicas e na publicidade. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para explicar essa rela\u00e7\u00e3o, preciso me valer de Sankofa, o s\u00edmbolo do povo Axante que traz a imagem de um p\u00e1ssaro que caminha para frente, por\u00e9m com a cabe\u00e7a voltada para tr\u00e1s. Essa imagem sintetiza o prov\u00e9rbio \u201cnunca \u00e9 tarde para voltar e pegar o que ficou para tr\u00e1s\u201d. Em minha pesquisa de doutorado, relaciono esse s\u00edmbolo com a retomada da cultura negra, um daqueles encantamentos sobre as quais falei no in\u00edcio. Neste momento, por\u00e9m, invoco Sankofa para falar sobre as dores que fazem parte da nossa hist\u00f3ria. Eu juro que n\u00e3o queria que fosse assim, mas n\u00e3o posso nem quero me calar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, retornamos at\u00e9 a segunda metade do s\u00e9culo XIX, per\u00edodo que antecedeu a aboli\u00e7\u00e3o da escraviza\u00e7\u00e3o no Brasil, no qual come\u00e7aram a ganhar espa\u00e7o as chamadas teorias eug\u00eanicas e racialistas na sociedade brasileira. Tais teorias, constru\u00eddas por intelectuais que transitavam entre as ci\u00eancias biol\u00f3gicas e humanas, criavam &#8220;verdades e provas&#8221; para demonstrar a superioridade branca e o seu pretenso merecimento em ocupar postos de confian\u00e7a na hierarquia social. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com inspira\u00e7\u00e3o nas ideias de Cesare Lombroso, cruzavam-se dados antropom\u00e9tricos com caracter\u00edsticas comportamentais, como uma hipot\u00e9tica rela\u00e7\u00e3o entre o tamanho de cr\u00e2nio e a pr\u00e1tica de a\u00e7\u00f5es criminosas, por exemplo. Dessa forma, justificava-se uma suposta tend\u00eancia de pessoas negras ao crime. Para racialistas e eugenistas, o fen\u00f3tipo associado aos homens negros indicava comportamentos ligados \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 indol\u00eancia e ao v\u00edcio. Para as mulheres negras, por sua vez, sua fisicalidade designava a promiscuidade e a lasc\u00edvia. Para ambos, essas teorias apontavam acentuada for\u00e7a f\u00edsica aliada \u00e0 baixa capacidade intelectual.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Com a aboli\u00e7\u00e3o da escraviza\u00e7\u00e3o no Brasil, as autoridades governamentais da \u00e9poca preocuparam-se em eliminar da nova na\u00e7\u00e3o republicana que nascia os tra\u00e7os negroides da popula\u00e7\u00e3o e, com eles, os comportamentos que consideravam selvagens, incivilizados e indesej\u00e1veis. A\u00ed est\u00e1 mais uma face do genoc\u00eddio apontada por Abdias. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A importa\u00e7\u00e3o de sangue europeu viria a \u201climpar\u201d a sociedade brasileira por meio da miscigena\u00e7\u00e3o, na qual deveriam prevalecer os atributos f\u00edsicos de ascend\u00eancia europeia. Foram feitas estimativas de que, em um s\u00e9culo, as caracter\u00edsticas do povo negro desapareceriam do territ\u00f3rio nacional. Creio que somos, realmente, um povo muito forte pois, apesar de todas as tentativas, esgotou-se o prazo previsto, seguimos aqui e somos a maior parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A divulga\u00e7\u00e3o do discurso e das pr\u00e1ticas eugenistas e racialistas influenciou a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria da \u00e9poca: enquanto personagens negras e negros eram corrompidos pela descri\u00e7\u00e3o feita por seus autores (que se tratavam majoritariamente de homens brancos de classes sociais abastadas), as mulheres brancas eram apresentadas por essas produ\u00e7\u00f5es escritas como s\u00edmbolos de delicadeza e pudor crist\u00e3o. Homens brancos apareciam como bravos, heroicos, destemidos, bondosos e de car\u00e1ter impec\u00e1vel. Mais tarde, esse mesmo discurso foi incorporado pela teledramaturgia. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novelas, que s\u00e3o, indubitavelmente, formadoras de opini\u00e3o e, qui\u00e7\u00e1, orientadoras das subjetividades brasileiras, at\u00e9 o momento, pouco fizeram pela desconstru\u00e7\u00e3o da imagem subalternizada associada ao povo negro no imagin\u00e1rio brasileiro. Ao contr\u00e1rio, ao reproduzi-las reiteradamente, mais contribu\u00edram para a consolida\u00e7\u00e3o de tal preconceito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, a comprova\u00e7\u00e3o pseudocient\u00edfica relacionada \u00e0 inten\u00e7\u00e3o de vincular ra\u00e7a e criminalidade &#8211; pela qual o m\u00e9dico legista, psiquiatra e antrop\u00f3logo Nina Rodrigues \u00e9 um dos respons\u00e1veis, em nosso pa\u00eds &#8211; impacta at\u00e9 hoje os imagin\u00e1rios sociais, inclusive dos agentes p\u00fablicos e privados de seguran\u00e7a. Vale lembrar que Lombroso foi estudado at\u00e9 poucos anos nas academias de pol\u00edcia em todo o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;A\u00ed est\u00e1 a ponte entre as duas reivindica\u00e7\u00f5es negras que apontei no in\u00edcio do texto: primeiro, a aus\u00eancia de representatividade negra positiva, n\u00e3o apenas na literatura, na dramaturgia e na teledramaturgia, mas em todos os \u00e2mbitos da sociedade (inclusive nos livros did\u00e1ticos). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa escassez contribui para a pretens\u00e3o de superioridade hier\u00e1rquica de pessoas brancas sobre pessoas negras e, tamb\u00e9m, para a baixa estima de negros e negras, ao cercear-lhes a perspectiva de verem-se e entenderem-se para al\u00e9m dos estere\u00f3tipos. \u00c9 o que Abdias Nascimento definiria como coloniza\u00e7\u00e3o mental. Em segundo lugar, aliada ao primeiro protesto, segue-se a urgente contesta\u00e7\u00e3o pela manuten\u00e7\u00e3o do nosso direito \u00e0 vida, o apelo traduzido em hashtags como #<em>paremdenosmatar<\/em> e #<em>vidasnegrasimportam<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em s\u00edntese, a reprodu\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de tais estere\u00f3tipos naturaliza a percep\u00e7\u00e3o de mulheres negras como prom\u00edscuas e motiva os cont\u00ednuos ataques sexuais e a viol\u00eancia dom\u00e9stica que reincidem sobre seus corpos desde a desventura colonial. A veicula\u00e7\u00e3o desse clich\u00ea sobre os homens negros enfatiza um car\u00e1ter violento e desonesto, que tem como consequ\u00eancia os \u201cequ\u00edvocos\u201d policiais que confundem furadeiras, guarda-chuvas e celulares com armas letais, tendo como sequela a trucul\u00eancia da abordagem de homens como Jo\u00e3o Alberto, que vimos sucumbir diante de c\u00e2meras de aparelhos celulares, no ch\u00e3o de um supermercado, sem poder respirar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"613\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6694.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14328\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6694.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6694-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6694-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6694-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6694-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6694-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"613\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6693.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14329\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6693.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6693-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6693-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6693-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6693-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-6693-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><figcaption>Nos dias seguintes \u00e0 morte de Jo\u00e3o Alberto Freitas, asfixiado por seguran\u00e7as terceirizados do Carrefour, manifestantes do movimento negro deixaram marcas nas grades que cercam o supermercado. Na imagem acima e na capa, um pequeno altar foi erguido para registrar o luto e a indigna\u00e7\u00e3o com o assassinato (Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU &#8211; 21 nov. 2020) <br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como artista negra, me sinto honrada por descender de mulheres como Josephine Backer, Carolina Maria de Jesus, Ruth de Souza, L\u00e9a Garcia, Zez\u00e9 Motta, Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, Vera Lopes, Celina Alc\u00e2ntara e Cristiane Sobral e de homens como Abdias Nascimento, Aim\u00e9 Cesaire, Grande Otelo, Oliveira Silveira, Sirmar Antunes e Jess\u00e9 Oliveira, para citar apenas alguns nomes. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Assim como essas pessoas, tamb\u00e9m tenho feito do teatro instrumento de den\u00fancia do racismo. Nos palcos e nas ruas, meus espet\u00e1culos abordam as injusti\u00e7as sofridas pelas cidad\u00e3s e pelos cidad\u00e3os negros brasileiros, mas tamb\u00e9m trazem \u00e0 cena suas hist\u00f3rias, sua est\u00e9tica, sua musicalidade, sua corporeidade, sua religiosidade e sua forma de ver, viver e sentir o mundo.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas salas de aula, meu trabalho tem se direcionado \u00e0 cultura negra n\u00e3o apenas como tem\u00e1tica a ser abordada, mas como forma de interpelar a pedagogia e de construir o aprendizado teatral. Al\u00e9m disso, do mesmo modo sistem\u00e1tico e cotidiano como somos atacadas(os), tenho me esfor\u00e7ado em oferecer rotineiramente \u00e0s(aos) estudantes refer\u00eancias de homens e mulheres negras que s\u00e3o produtoras de arte, intelectuais renomadas e que ocupam posi\u00e7\u00f5es de poder e de tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 pouco, eu tenho plena consci\u00eancia disso, mas essa parece ser a contribui\u00e7\u00e3o que posso oferecer \u00e0 luta antirracista. N\u00e3o \u00e9 mais do que uma pequena gota de \u00e1gua no meio de um mar de merda. Mas eu acredito na minha gotinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como encerramento, gostaria de citar aqui uma frase da fil\u00f3sofa militante Angela Davis, que tem inspirado e conduzido minhas a\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas e art\u00edsticas desde a primeira vez que a escutei:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o estou mais aceitando as coisas que n\u00e3o posso mudar. Estou mudando as coisas que n\u00e3o posso aceitar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#ebebeb\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1972500838063451\">Dedy Ricardo<\/a> (Edilaine Ricardo Machado) \u00e9 atriz da Usina do Trabalho do Ator e professora de Teatro do Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o. \u00c9 mestra e doutoranda em Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo | A professora de Teatro Dedy Ricardo, do Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o, discute a import\u00e2ncia da representatividade positiva nas artes e na publicidade *Por: Dedy Ricardo*Foto de capa: Fl\u00e1vio Dutra\/JU Hoje eu pretendia pensar na minha pesquisa, pretendia refletir sobre a intersec\u00e7\u00e3o entre a cultura negra e a pedagogia do<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/do-embranquecimento-cultural-ao-genocidio-a-proposito-da-morte-de-joao-alberto-freitas\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14327,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[53],"tags":[1750,1751,286,698,229],"ppma_author":[2938],"class_list":["entry","author-gerente","post-14226","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-artigo","tag-branquitude","tag-genocidio","tag-racismo","tag-representatividade","tag-teatro"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Do embranquecimento cultural ao genoc\u00eddio (a prop\u00f3sito da morte de Jo\u00e3o Alberto Freitas) - Jornal da Universidade<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Reportagens, artigos e entrevistas sobre temas da atualidade e de interesse da comunidade universit\u00e1ria.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/do-embranquecimento-cultural-ao-genocidio-a-proposito-da-morte-de-joao-alberto-freitas\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Do embranquecimento cultural ao genoc\u00eddio (a prop\u00f3sito da morte de Jo\u00e3o Alberto Freitas) - Jornal da Universidade\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Reportagens, artigos e entrevistas sobre temas da atualidade e de interesse da comunidade universit\u00e1ria.\" \/>\n<meta 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