{"id":14588,"date":"2020-12-10T12:05:00","date_gmt":"2020-12-10T15:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=14588"},"modified":"2022-05-10T13:47:51","modified_gmt":"2022-05-10T16:47:51","slug":"pedindo-licenca-aos-ancestrais-bruno-ferreira-kaingang-e-o-primeiro-indigena-doutor-pela-ufrgs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/pedindo-licenca-aos-ancestrais-bruno-ferreira-kaingang-e-o-primeiro-indigena-doutor-pela-ufrgs\/","title":{"rendered":"Pedindo licen\u00e7a aos ancestrais, Bruno Ferreira Kaingang \u00e9 o primeiro ind\u00edgena doutor pela UFRGS"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Forma\u00e7\u00e3o| Pesquisador defende tese que apresenta particularidades da educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, como a preponder\u00e2ncia do di\u00e1logo e o respeito aos mais velhos<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto de capa: Arquivo Pessoal (2014)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com indica\u00e7\u00e3o de tese destaque para concorrer ao Pr\u00eamio Capes e recomenda\u00e7\u00e3o para publica\u00e7\u00e3o de seu trabalho, Bruno Ferreira Kaingang recebeu conceito A no dia 4 de dezembro da semana passada, quando defendeu sua tese de doutorado no PPG em Educa\u00e7\u00e3o da UFRGS, tornando-se o primeiro ind\u00edgena a receber t\u00edtulo de doutor pela Universidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante as quase quatro horas de exposi\u00e7\u00e3o do trabalho e coment\u00e1rios dos integrantes da banca, permaneceu na tela da atividade online a imagem do pai de Bruno, Albino, falecido recentemente. No final da cerim\u00f4nia, a orientadora Maria Aparecida Bergamaschi convida Pedra para comemorar com o filho. Para os kaingang, o respeito aos mais velhos tem a ver com o conceito de ancestralidade, o conhecimento constru\u00eddo atrav\u00e9s dos tempos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O t\u00edtulo da tese &#8211; <em>\u0168n si ag t\u0169 p\u1ebd ki v\u1ebdnh kajr\u00e3nr\u00e3n f\u00e3 &#8211; o papel da escola nas comunidades kaingang<\/em> -, al\u00e9m de antecipar a presen\u00e7a constante de palavras grafadas no idioma do autor no texto, marca o car\u00e1ter coletivo de todo o percurso acad\u00eamico dos kaingang nas universidades, pois a escolha do t\u00edtulo foi sugest\u00e3o de alunos ind\u00edgenas de Bruno. Ao ingressar no curso de Licenciatura em Hist\u00f3ria pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul em 1999, ele tamb\u00e9m assumia compromisso com o movimento de seu povo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Com a ideia de estudar pela l\u00f3gica de compreens\u00e3o da sociedade n\u00e3o ind\u00edgena pra poder contribuir na constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, e no meu caso a ideia era ajudar a contribuir com a pol\u00edtica p\u00fablica para a educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena.\u201d <\/p><p>Bruno Ferreira Kaingang&nbsp;&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Especialista em Educa\u00e7\u00e3o, Diversidade e Cultura Ind\u00edgena pela Escola Superior de Teologia-EST e pesquisador em pol\u00edticas p\u00fablicas para a educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena e em processos pr\u00f3prios de aprendizagem das crian\u00e7as ind\u00edgenas, Bruno fez seu mestrado tamb\u00e9m na UFRGS, com seu primeiro trabalho orientado por Maria Aparecida. Participaram da sua banca de doutorado dois ind\u00edgenas, Gersen Luciano dos Santos Baniwa (UFAM) e M\u00e1rcia Gojten Nascimento (IES-TI Nonoai), e dois n\u00e3o ind\u00edgenas, Magali Mendes de Menezes (PPGEDU\/UFRGS) e Wagner Roberto do Amaral (UEL).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"534\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-7171.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15262\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-7171.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-7171-300x174.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-7171-175x102.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-7171-768x446.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-7171-465x270.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-7171-695x403.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><figcaption>Durante a defesa de sua tese de doutorado realizada na forma online, Bruno prestou homenagem a seu pai, senhor Albino, falecido recentemente<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Experi\u00eancia na escola n\u00e3o ind\u00edgena<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bruno nasceu nas terras ind\u00edgenas de Tenente Portela em 1966. Os cinco anos iniciais de sua escolaridade ocorreram em sua aldeia, tendo completado sua forma\u00e7\u00e3o at\u00e9 a conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio em escolas n\u00e3o ind\u00edgenas nas cidades de Tenente Portela e Miragua\u00ed. Esse per\u00edodo, somado \u00e0 sua primeira experi\u00eancia como professor, o fez desistir temporariamente da doc\u00eancia. Questionava-se \u00e0 \u00e9poca sobre o fato de estar reproduzindo em sala de aula o que vivenciou em sua trajet\u00f3ria como estudante, que era ensinar alunos ind\u00edgenas a falar portugu\u00eas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o ingressou no movimento ind\u00edgena e seus companheiros lhe pediram que continuasse os estudos, prestando vestibular para um curso superior. Mas isso n\u00e3o era muito simples, porque havia muitas necessidades na \u00e9poca, especialmente porque ainda n\u00e3o existia a pol\u00edtica de cotas, o que levava as lideran\u00e7as a procurarem as universidades para negociar o pagamento das mensalidades, sem contar que precisavam bancar o custo do deslocamento dos estudantes, moradia e material para os estudos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo esse esfor\u00e7o, segundo Bruno, \u00e9 porque, ap\u00f3s a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, uma das lutas passa a ser a demarca\u00e7\u00e3o das terras kaingang, tensionando as mobiliza\u00e7\u00f5es no sentido de se buscar aprender sobre as leis e seus limites. \u201cO estudante vai pra universidade com essa demanda. O movimento buscava forma\u00e7\u00e3o pra construir as propostas\u201d, explica. De acordo com levantamento realizado por Maria Aparecida na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Faced, os quatro mestres e o \u00fanico doutor ind\u00edgenas formados na unidade, tendo ingressado antes da implanta\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es afirmativas, s\u00e3o de origem kaingang, sendo Bruno o \u00faltimo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cAinda n\u00e3o tinha, como tem agora reserva de vaga. Entrei sempre pela sele\u00e7\u00e3o que \u00e9 pra todos.\u201d <\/p><p>Bruno Ferreira Kaingang&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2010 ele retornou para a sala de aula, agora como professor de Hist\u00f3ria em uma escola ind\u00edgena, na Reserva Guarita, que ocupa parte dos munic\u00edpios de Tenente Portela, Redentora e Erval Seco, no noroeste do estado. No mesmo ano, o movimento ind\u00edgena kaingang come\u00e7ou a trabalhar para ver criado o Instituto Estadual de Educa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena \u00c2ngelo Manhk\u00e1 Miguel. Na institui\u00e7\u00e3o, Bruno foi o primeiro professor concursado e l\u00e1 trabalha at\u00e9 hoje.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Instituto fica na Terra Ind\u00edgena de Inhacor\u00e1, no munic\u00edpio de S\u00e3o Val\u00e9rio do Sul, e atende alunos de ensino m\u00e9dio e forma professores kaingang em n\u00edvel de magist\u00e9rio, atuando no regime de altern\u00e2ncia. \u201cTrabalha com a especificidade da educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. A educa\u00e7\u00e3o kaingang tem toda uma caminhada diferente para a forma\u00e7\u00e3o desse professor\u201d, explica. Atualmente s\u00e3o cerca de 140 estudantes que est\u00e3o recebendo as aulas de forma remota.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conceitos e tem\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cFalar em ancestralidade \u00e9 falar dos conhecimentos constru\u00eddos por essas pessoas\u201d, afirma o educador a respeito de um dos temas presentes em sua tese sobre educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. Esses conhecimentos dizem respeito a quest\u00f5es de como lidar com a floresta, com a terra, com a \u00e1gua, com formas de entender e lidar com o mundo. Em seu trabalho, Bruno aponta que essas tem\u00e1ticas est\u00e3o ausentes na escola ind\u00edgena, ou seja, aquela que se pretende especialmente voltada \u00e0s comunidades ind\u00edgenas. Segundo ele, trazer esses conhecimentos para a escola \u00e9 fator qualificador do ensino porque traz outros conceitos de educa\u00e7\u00e3o e de compreens\u00e3o de mundo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTrago na minha tese de que esse mundo que vivemos, capitalista ou n\u00e3o, est\u00e1 em decad\u00eancia; os conceitos que o sustentam se esgotaram\u201d, defende. Nesse contexto, argumenta que \u00e9 necess\u00e1rio resgatar os conhecimentos das ancestralidades para revitalizar o mundo. Embora fale a partir da escola ind\u00edgena, o educador defende que tal resgate contribui tamb\u00e9m para a escola n\u00e3o ind\u00edgena, que em sua avalia\u00e7\u00e3o se encontra igualmente falida e n\u00e3o vem conseguindo encontrar alternativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra quest\u00e3o que o trabalho de Bruno aponta \u00e9 a diferencia\u00e7\u00e3o que o educador percebe entre os conceitos de &#8220;tempo espa\u00e7o&#8221;, que ele defende, e &#8220;tempo &#8216;e&#8217; espa\u00e7o&#8221;, que ele identifica na metodologia usada na escola. Enquanto esta se baseia em uma l\u00f3gica de separa\u00e7\u00e3o das coisas, como a delimita\u00e7\u00e3o de per\u00edodos para cada disciplina, na educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena o aprendizado n\u00e3o se d\u00e1 a partir da separa\u00e7\u00e3o. Para exemplificar seu argumento, Bruno diz que os seres humanos n\u00e3o vivem \u00e0 parte da natureza, eles s\u00e3o a natureza, \u201cs\u00e3o um corpo s\u00f3, s\u00e3o um movimento \u00fanico\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pedagogia da escuta<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhecido por contar hist\u00f3rias em sala de aula durante seu doutoramento, Bruno explica a Pedagogia do Sil\u00eancio a partir da descri\u00e7\u00e3o de uma cena em sala de aula. Em uma escola n\u00e3o ind\u00edgena em que o professor est\u00e1 acostumado a gritar com os alunos e muitas vezes xing\u00e1-los, os alunos sentem-se agredidos com tal comportamento. Isso ocorre, segundo o educador, porque as crian\u00e7as e jovens ind\u00edgenas est\u00e3o habituados a resolver as diverg\u00eancias a partir de aconselhamentos, de narrativas apropriadas para o momento. \u201cCom os meus alunos de ensino m\u00e9dio &#8211; e tem uns que j\u00e1 s\u00e3o casados -, eu n\u00e3o falo pra eles ficarem quietos, \u2018calem a boca!\u2019\u201d, mas ele diz: \u201cAgora voc\u00eas v\u00e3o me escutar porque eu sou mais velho, e na nossa cultura os mais velhos t\u00eam que ser ouvidos. Da\u00ed eles v\u00e3o ficando em sil\u00eancio. \u00c9 outra metodologia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse tema ele aborda no cap\u00edtulo em que trata da pedagogia kaingang. Nessa abordagem, tamb\u00e9m \u00e9 observado o tempo das crian\u00e7as que tendem a aprender mais \u00e0 noite &#8211; caracter\u00edstica que n\u00e3o coincide com o tempo da escola da cultura branca. Bruno explica que \u00e9 no sil\u00eancio da noite que as crian\u00e7as est\u00e3o mais aptas para ouvir, como tamb\u00e9m \u00e9 apropriado para escutarem hist\u00f3rias. Durante o dia, segundo ele, \u00e9 a hora de experimentar aquilo sobre o que aprenderam na noite anterior, porque na Pedagogia do Sil\u00eancio e da escuta \u00e9 necess\u00e1rio estar constantemente experimentando. \u201cQuando a escola n\u00e3o faz isso, quando a escola traz conhecimento que \u00e9 muito distante daquela realidade deles, eles n\u00e3o sabem como experimentar\u201d, refere-se ao aluno ind\u00edgena aprendendo com educadores a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ind\u00edgena.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, Bruno afirma que a escola precisa partir dos conhecimentos ind\u00edgenas para depois poder estabelecer rela\u00e7\u00e3o com os demais conhecimentos. Dessa forma ser\u00e1 mais f\u00e1cil para o estudante ind\u00edgena observar seu entorno e construir seu conhecimento, tendo como ponto inicial de seu processo toda a sua ancestralidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde que se formou em Hist\u00f3ria, em 1999, j\u00e1 s\u00e3o mais de 20 anos buscando cumprir o compromisso assumido com seu povo de qualificar-se na compreens\u00e3o da sociedade branca a fim de poder resguardar os direitos dos kaingang e de pleitear respeito para a sua cultura. Especialmente no caso de Bruno, ele escolheu a Educa\u00e7\u00e3o como \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e de atua\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Faz parte dessa caminhada, conforme sua argumenta\u00e7\u00e3o no dia da defesa de sua tese, reverter o quadro atual das escolas ind\u00edgenas no estado, onde somente 13 das 55 atualmente existentes s\u00e3o administradas por professores ind\u00edgenas. \u201cMesmo com as amarras burocr\u00e1ticas que existem numa gest\u00e3o, sendo um ind\u00edgena, ele vai saber fazer essa ideia do di\u00e1logo, e assim construir uma outra forma de gest\u00e3o\u201d, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Flavio-Dutra-3030.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15260\" 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Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU \u2013 3 de setembro 2012)<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Forma\u00e7\u00e3o| Pesquisador defende tese que apresenta particularidades da educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, como a preponder\u00e2ncia do di\u00e1logo e o respeito aos mais velhos *Foto de capa: Arquivo Pessoal (2014) Com indica\u00e7\u00e3o de tese destaque para concorrer ao Pr\u00eamio Capes e recomenda\u00e7\u00e3o para publica\u00e7\u00e3o de seu trabalho, Bruno Ferreira Kaingang recebeu conceito A<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/pedindo-licenca-aos-ancestrais-bruno-ferreira-kaingang-e-o-primeiro-indigena-doutor-pela-ufrgs\/\">Leia 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ancestrais, Bruno Ferreira Kaingang \u00e9 o primeiro ind\u00edgena doutor pela UFRGS - Jornal da Universidade<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Reportagens, artigos e entrevistas sobre temas da atualidade e de interesse da comunidade universit\u00e1ria.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/pedindo-licenca-aos-ancestrais-bruno-ferreira-kaingang-e-o-primeiro-indigena-doutor-pela-ufrgs\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Pedindo licen\u00e7a aos ancestrais, Bruno Ferreira Kaingang \u00e9 o primeiro ind\u00edgena doutor pela UFRGS - Jornal da Universidade\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Reportagens, artigos e entrevistas sobre temas da atualidade e de interesse da comunidade universit\u00e1ria.\" 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