{"id":28137,"date":"2021-02-11T08:07:00","date_gmt":"2021-02-11T11:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=28137"},"modified":"2021-02-11T15:23:53","modified_gmt":"2021-02-11T18:23:53","slug":"os-carnavalescos-tem-a-tarefa-de-buscar-espaco-diz-mestre-nilton-pereira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/os-carnavalescos-tem-a-tarefa-de-buscar-espaco-diz-mestre-nilton-pereira\/","title":{"rendered":"&#8220;Os carnavalescos t\u00eam a tarefa de buscar espa\u00e7o&#8221;, diz mestre Nilton Pereira"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Entrevista | Presidente do Bambas da Orgia, escola mais antiga de Porto Alegre, conta sobre sua trajet\u00f3ria e fala dos desafios de se fazer Carnaval na cidade<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto de capa: Fl\u00e1vio Dutra<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se pensa sobre a hist\u00f3ria do Carnaval de Porto Alegre, um dos nomes que emerge \u00e9 sempre o de Mestre Nilton, assim, de modo sucinto e com o designativo de algu\u00e9m que possui uma experi\u00eancia \u00edmpar e um arsenal de hist\u00f3rias e saberes que \u00e9 muito \u00fanico. Nilton Deoclides Pereira \u00e9 atualmente presidente da Bambas da Orgia, a escola mais antiga do Carnaval porto-alegrense, criada em 1940, e campe\u00e3 da S\u00e9rie Ouro em 2020, quando apresentou um enredo justamente sobre as oito d\u00e9cadas de sua exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nilton \u00e9, al\u00e9m disso, uma representa\u00e7\u00e3o de um tipo de bamba muito t\u00edpico das escolas de samba da cidade: dedicados ao estremo \u00e0s suas agremia\u00e7\u00f5es, atuam em diferentes segmentos para, assim, conseguir colocar carnavais na avenida. A experi\u00eancia na \u00e1rea musical soma 17 anos como mestre de bateria \u2013 tempo em que ficou fortemente reconhecido pelas inova\u00e7\u00f5es musicais e perform\u00e1ticas que prop\u00f4s \u2013 e mais um tempo como diretor de harmonia musical. Mas n\u00e3o parou: foi, depois, diretor de Carnaval, membro do conselho fiscal e presidente do conselho deliberativo e chegou a presidente da escola \u2013 mandato este que ele encerra neste ano. Em entrevista concedida por telefone, fala sobre sua hist\u00f3ria, conta como \u00e9 ser um dirigente de escola de samba e analisa a situa\u00e7\u00e3o atual do Carnaval em Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como come\u00e7ou sua hist\u00f3ria com o Carnaval e com os Bambas da Orgia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sou oriundo de banda marcial. Nos meus tempos de menino ginasiano, no Col\u00e9gio S\u00e3o Pedro, comecei a tocar na banda. Naquela \u00e9poca, o Carnaval de rua de Porto Alegre usava instrumentos de sopro, que eu tocava, e fui me vinculando. Com esse envolvimento, fui tomando gosto pelo trabalho com bateria. Sou do bairro Auxiliadora, onde ficava a Fidalgos e Aristocratas, e me convidavam pra fazer parte da escola, mas nunca queria. Em determinado momento, propus pra eles, diante de mais um convite, sair tocando sopro desde que me deixassem ajudar na bateria. Demoraram uns dias pra me responder e chamaram pra dizer que n\u00e3o teria problema. Era 1972. Fiz esse trabalho pelos quatro anos seguintes, \u2018assoviava e chupava cana\u2019, como se diz. Em 1973, os Fidalgos foram campe\u00f5es com o enredo <em>Carnaval no Gelo &#8211; Revista no asfalto<\/em>. Em 1975 ganhamos como melhor bateria. Era uma escola simples, com 80 ritmistas. Em 1976, o Jaques Machado me convidou para ensaiar os Gondoleiros, que foi campe\u00e3o. Em 1977, fui pra Sociedade Floresta Autora e, no ano seguinte, pro Imp\u00e9rio da Zona Norte. Em 1979, fui pros Bambas pra fazer esse trabalho. Da\u00ed pra frente, foram anos muito gloriosos. Ganhamos em 1979, em 1980, que era o enredo dos 40 anos da escola. Paralelamente, a bateria conseguia t\u00edtulos de melhor bateria. Tivemos uma participa\u00e7\u00e3o que ficou bem marcada na hist\u00f3ria do Carnaval. Continuei com esse trabalho at\u00e9 1996, quando j\u00e1 est\u00e1vamos na quadra que fica na Avenida Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria. Antes ficava no Bairro Santa Cec\u00edlia, no antigo campo da For\u00e7a e Luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quais as marcas da bateria dos Bambas da Orgia que ficaram desde o seu tempo como mestre?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A principal \u00e9 uma \u2018chamada\u2019 que os Bambas t\u00eam e que a bateria usa at\u00e9 hoje com o verso \u201csou Bamba e ningu\u00e9m vai me derrubar\u201d e a percuss\u00e3o faz uma divis\u00e3o r\u00edtmica a partir dessa frase. E isso tomou o Carnaval de Porto Alegre, as pessoas aderiram muito. Havia escolas muito poderosas na virada dos 1980. Os Acad\u00eamicos da Orgia, por exemplo, tinham um trabalho parecido, com uma identifica\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o eu entendi que os Bambas precisavam ter um grito guerra. Fico muito orgulhoso quando ou\u00e7o esse verso ainda hoje na quadra. Tivemos v\u00e1rias marcas que se perpetuaram. Por exemplo, a bateria sempre foi muito s\u00e9ria, pesada, carrancuda. Isso era a personalidade do grupo, como \u00e9 at\u00e9 hoje. Come\u00e7amos a criar alguns estilos para determinados momentos. Quando havia muambas, um desfile sem fantasias, uma semana antes do oficial, os Bambas se preparavam muito. Num ano, fizemos uma r\u00e9plica da novela <em>Roque Santeiro<\/em> com alguns personagens. Os m\u00fasicos entraram no esp\u00edrito, e a bateria foi pra essa festa representando as personagens da novela. Teve outro ano que foi toda vestida de mulher, foi um choque na avenida. Era para dar uma descontra\u00edda. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Outra marca foi que, naquela \u00e9poca, mais de 20 anos atr\u00e1s, criamos duas baterias e colocamos no meio das duas o carro de som. E as duas baterias n\u00e3o tocavam simultaneamente, se alternavam. E a escola desfilando, cantando o samba! E t\u00eam a marca\u00e7\u00e3o forte e o ritmo pesado, que s\u00e3o o DNA da bateria dos Bambas.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como foi a transi\u00e7\u00e3o para os cargos de dire\u00e7\u00e3o da escola?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Precisamos entender cada momento. Fiz esse trabalho com a bateria por quase 18 anos e entendi que precisava me direcionar para a parte mais administrativa. At\u00e9 ent\u00e3o eu n\u00e3o era s\u00f3cio da escola. Com o afastamento da parte da bateria, comecei a desenvolver outras fun\u00e7\u00f5es na \u00e1rea t\u00e9cnica, como diretor musical, de harmonia, de Carnaval. Depois fiz parte dos conselhos Fiscal, Deliberativo e na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o concorri para presidente e ganhei. Em maio estou passando o bast\u00e3o, n\u00e3o pretendo ir para a reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como \u00e9 fazer a gest\u00e3o de uma escola como os Bambas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada escola de samba tem o seu perfil, sua forma de atuar. Se algu\u00e9m for nos visitar na quadra, sempre vai ter 15 pessoas l\u00e1 para receber. Os Bambas \u00e9 a escola mais antiga daqui do sul, muito visada e serve muito para as outras agremia\u00e7\u00f5es. As coisas s\u00e3o muito democr\u00e1ticas, chega a cansar. \u00c9 tudo pelo estatuto. N\u00e3o pode \u2018atravessar o samba\u2019. Precisa ter muita determina\u00e7\u00e3o e coragem para enfrentar os problemas todos os dias. S\u00e3o muitas situa\u00e7\u00f5es adversas interna e externamente. Tivemos que escolher a prioridade das prioridades, n\u00e3o conseguimos resolver tudo. Mas aprendemos com isso. Precisamos demonstrar um pouco de gratid\u00e3o por toda a hist\u00f3ria e pelos anos que passaram. Foi em nome disso que nos atiramos de cabe\u00e7a. Teve uma coisa muito importante: tive muita sorte de contar com muitas pessoas que quiseram ajudar, que se doaram, cada um com sua capacidade, e entregaram seu tempo. Procurei proporcionar, dar espa\u00e7o pras pessoas se sentirem importantes e prestigiadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como \u00e9 administrar a parte financeira diante de um cen\u00e1rio como o atual, com tantas dificuldades?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso ser muito competente nas coisas para poder conduzir dentro do necess\u00e1rio. Cada um constr\u00f3i o que quer, em termos de Carnaval. Se quiser bancar o sonhador e construir um Carnaval de R$ 300 mil e ser campe\u00e3o, constr\u00f3i e sai atr\u00e1s desse valor. Muito do que fizemos foi evitar os custos, inflacionar a escola. Os ditos \u2018contratados\u2019 de Carnaval, os destaques mais importantes, como o casal de porta-bandeira e mestre-sala, o primeiro casal de passistas, o grupo de harmonia \u2013, negociamos e explicamos a situa\u00e7\u00e3o. Conseguimos contar com a compreens\u00e3o dessas figuras que s\u00e3o decisivas dentro da escola. Tivemos muito pouco de investimento nessas \u00e1reas, o que evitou preocupa\u00e7\u00f5es depois. Esse dinheiro sai do movimento da quadra, da bilheteria nos ensaios, de eventuais shows fora da quadra. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A escola \u00e9 carente, mesmo mantendo os p\u00e9s no ch\u00e3o. A entrada de dinheiro n\u00e3o \u00e9 certa, acontecem imprevistos. Para se ter ideia, cada vez que se movimenta a quadra, tem uma despesa fixa de no m\u00ednimo R$ 2 mil.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que faz as pessoas se envolverem com uma escola de samba?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que conta \u00e9 o lado passional. As pessoas gostam do Carnaval no geral, gostam da sua escola, ent\u00e3o elas se entregam. S\u00e3o muitas as paix\u00f5es que as pessoas t\u00eam. Mas \u00e9 preciso manter a autoestima do pessoal, a motiva\u00e7\u00e3o. Quem torce pra um time de futebol, por exemplo, n\u00e3o quer saber como est\u00e3o os cofres, quer saber que o time est\u00e1 bom e vai ganhar, al\u00e9m de dar show. Querem os melhores jogadores e um time vencedor. Numa escola de samba \u00e9 a mesma coisa. Vai pra avenida bombando se tem uma bateria boa, um grupo musical muito bom, um casal de porta-bandeira e mestre-sala muito bom, mas o pessoal n\u00e3o quer saber qual negocia\u00e7\u00e3o foi feita. As pessoas, vendo que est\u00e1 acontecendo, se animam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como foi o aprendizado como gestor de Carnaval?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso ter muita consci\u00eancia. N\u00e3o se aprende de um ano pra outro. \u00c9 necess\u00e1rio conhecer a escola. E \u00e9 preciso ser reconhecido, ter credibilidade. \u00c9 diferente de quando se trabalha com rejei\u00e7\u00e3o, as pessoas n\u00e3o acreditam em ti.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como anda a rela\u00e7\u00e3o da cidade de Porto Alegre com o Carnaval?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o tem se modificado nos \u00faltimos anos, houve a mesma justificativa por v\u00e1rias vezes: dizem que tudo que n\u00e3o vem pro Carnaval e pra cultura de modo geral \u00e9 porque tem que ir pra seguran\u00e7a, educa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o sei pra onde. O Carnaval, uma festa mundial, tem um espa\u00e7o pra ocupar. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Os carnavalescos t\u00eam a tarefa de buscar espa\u00e7o e que haja reconhecimento das autoridades, do poder p\u00fablico. Entendemos que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel subsidiar como era feito h\u00e1 uns anos, com valores elevados, mas de alguma forma o Carnaval \u00e9 uma festa de toda a cidade. A prefeitura est\u00e1 inclu\u00edda nisso a\u00ed. Carnavalescos t\u00eam que correr atr\u00e1s e buscar esse espa\u00e7o.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que caracteriza o Carnaval das escolas de samba enquanto fen\u00f4meno da cultura popular?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Carnaval \u00e9 uma festa, sem nenhuma d\u00favida. O que diferencia \u00e9 que dentro dela tem uma competi\u00e7\u00e3o. A partir do momento que h\u00e1 uma competi\u00e7\u00e3o tudo muda de figura, todos querem ganhar. Para ganhar \u00e9 preciso investir. Podemos falar de um Carnaval em que n\u00e3o haja competi\u00e7\u00e3o, que vai ter bateria, pessoas cantando e dan\u00e7ando, sem regramento. A competi\u00e7\u00e3o muda o rumo da festa, o sentido. O Carnaval do Rio de Janeiro, por exemplo, \u00e9 uma maravilha e fazem muito para apresentar aquele espet\u00e1culo, com muito trabalho durante boa parte do ano para chegar l\u00e1 e competir. Se n\u00e3o houvesse a competi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o precisava fazer tudo aquilo. E, no fim, todas as escolas apresentam espet\u00e1culos, mesmo as que n\u00e3o vencem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>J\u00e1 ocorreram v\u00e1rias mudan\u00e7as de endere\u00e7o das quadras e mesmo dos desfiles. Como percebes esses deslocamentos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quadras, \u00e9 uma quest\u00e3o de poder localizar cada escola, abrigar. Surgem as oportunidades, e as escolas aceitam ou n\u00e3o. Algumas se identificam com comunidades, bairros. J\u00e1 o Porto Seco tem a ver com o fato de serem quatro dias, e isso \u00e9 t\u00e3o inc\u00f4modo que foi imposs\u00edvel ter o Carnaval no centro da cidade. Muitos foram contra a perman\u00eancia do Carnaval na regi\u00e3o central. Quando se levou para o Porto Seco, era para ser um complexo cultural, mas \u00e9 de um segmento s\u00f3, o Carnaval. Deixou de ser para diversas atividades. Entendemos a parte dos barrac\u00f5es, que \u00e9 muito importante. Nenhum outro lugar do Brasil tem, como temos aqui, a constru\u00e7\u00e3o das alegorias t\u00e3o perto da pista. Os carros saem do barrac\u00e3o, fazem o desfile e voltam. Como imaginar um espa\u00e7o no centro da cidade que comporte tudo isso?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Qual seu sonho para depois que encerrar seu mandato na presid\u00eancia da escola?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quero continuar nos Bambas. Sou idealizador de dois projetos, <em>Velha Guarda da Bateria <\/em>e <em>Velha Guarda Musical<\/em>. Como sou muito envolvido com m\u00fasica, tem uns quantos veteranos que gostam de se juntar para fazer m\u00fasica. Vou estar sempre por perto da escola para ajudar no que puder. Mas quero dar espa\u00e7o para as pessoas trabalharem. O meu momento est\u00e1 encerrado.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista | Presidente do Bambas da Orgia, escola mais antiga de Porto Alegre, conta sobre sua trajet\u00f3ria e fala dos desafios de se fazer Carnaval na cidade *Foto de capa: Fl\u00e1vio Dutra Quando se pensa sobre a hist\u00f3ria do Carnaval de Porto Alegre, um dos nomes que emerge \u00e9 sempre<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/os-carnavalescos-tem-a-tarefa-de-buscar-espaco-diz-mestre-nilton-pereira\/\">Leia 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