{"id":30374,"date":"2021-04-08T09:20:00","date_gmt":"2021-04-08T12:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=30374"},"modified":"2021-04-08T12:02:42","modified_gmt":"2021-04-08T15:02:42","slug":"grupo-da-etnia-indigena-warao-proveniente-da-venezuela-busca-acolhida-em-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/grupo-da-etnia-indigena-warao-proveniente-da-venezuela-busca-acolhida-em-porto-alegre\/","title":{"rendered":"Grupo da etnia ind\u00edgena Warao, proveniente da Venezuela, busca acolhida em Porto Alegre"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Migra\u00e7\u00e3o | Coletivo com 30 pessoas est\u00e1 inserido no contexto da imigra\u00e7\u00e3o venezuelana ao Brasil e precisa receber aten\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico e da sociedade, principalmente em meio \u00e0 pandemia<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto de capa: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Oriundos da Venezuela, ind\u00edgenas da etnia Warao v\u00eam chegando a Porto Alegre desde mar\u00e7o do ano passado. Atualmente, j\u00e1 s\u00e3o 30 pessoas, n\u00famero que deve subir, visto que o fluxo, mesmo em meio \u00e0 pandemia, segue. O grupo mais recente chegou \u00e0 capital h\u00e1 menos de um m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Calcula-se que existam cerca de 50 mil indiv\u00edduos da etnia Warao. Apesar de historicamente circularem, n\u00e3o s\u00e3o n\u00f4mades. Vivem h\u00e1 8 mil anos majoritariamente na mesma localidade, \u00e0s margens do rio Orinoco, no nordeste venezuelano. Ocorre que essa popula\u00e7\u00e3o vem sendo expulsa do seu territ\u00f3rio origin\u00e1rio em raz\u00e3o de desastres ambientais e do avan\u00e7o dos n\u00e3o ind\u00edgenas ao redor, segundo afirma Jesus Lopez, em Porto Alegre h\u00e1 mais de um ano. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA cultura dos Warao hoje \u00e9 bem diferente. Antes nos mant\u00ednhamos isolados. Foram diminuindo nossas terras, acabando com o estilo de vida. N\u00e3o sab\u00edamos o que era a chamada civiliza\u00e7\u00e3o, e foram nos impondo essa civiliza\u00e7\u00e3o e nos empurrando do nosso territ\u00f3rio. Antes os Warao viviam juntos, trabalhando forte, mas com as mudan\u00e7as muitos se deslocaram.\u201d<\/p><cite>Jesus Lopez<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em busca de sobreviv\u00eancia, iniciou-se um fluxo de deslocamento for\u00e7ado dessa popula\u00e7\u00e3o, intensificado com a crise na Venezuela. Os grupos cumprem essa jornada principalmente em busca de alimentos e meios de sustento. Conforme Cl\u00e9mentine Mar\u00e9chal, doutoranda em Antropologia Social e integrante do N\u00facleo de Antropologia das Sociedades Ind\u00edgenas e Tradicionais (NIT) da UFRGS, eles v\u00eam se deslocando porque est\u00e3o tendo seu territ\u00f3rio tomado. &#8220;Assim, acabam de cidade em cidade at\u00e9 conseguirem se estabelecer. Isso n\u00e3o \u00e9 nomadismo. \u00c9 um deslocamento for\u00e7ado e um modo de tentar sobreviver.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A necessidade de sobreviv\u00eancia, relata Isidro Pacheco \u2013 que chegou h\u00e1 pouco menos de um m\u00eas a Porto Alegre \u2013, \u00e9 justamente a raz\u00e3o para vir ao Brasil. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cSa\u00ed da Venezuela buscando alimento e melhores perspectivas de sustento. Estou precisando muito trabalhar. Como n\u00e3o temos trabalho, sa\u00edmos \u00e0s ruas para ver o que conseguimos para nos manter.\u201d <\/p><cite>Isidro Pacheco<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele conta que, na Venezuela, trabalhou como enfermeiro e professor, mas que hoje busca servi\u00e7o em qualquer atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, aproximadamente 5 mil indiv\u00edduos da etnia Warao vivem no Brasil, mesmo que a fronteira diste cerca de 800 quil\u00f4metros da regi\u00e3o onde habitam. Pacaraima, em Roraima, \u00e9 o gargalo de entrada da maioria dos imigrantes venezuelanos, maior fluxo migrat\u00f3rio atual chegando ao Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro do sistema de recep\u00e7\u00e3o desses imigrantes, h\u00e1 um programa de interioriza\u00e7\u00e3o para transferi-los do norte do pa\u00eds para outros estados. Conforme Iurqui Pinheiro, coordenador do escrit\u00f3rio em Porto Alegre da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM), uma ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o Rio Grande do Sul \u00e9 o terceiro estado que mais recebe imigrantes pelo programa, o que explica o crescimento do n\u00famero de venezuelanos em solo ga\u00facho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi por Pacaraima que os dois grupos da etnia Warao que hoje moram em Porto Alegre entraram no pa\u00eds, mas eles n\u00e3o chegaram \u00e0 cidade por meio do programa de interioriza\u00e7\u00e3o. O primeiro grupo, com o qual veio Jesus, conta com 14 pessoas, entre adultos e crian\u00e7as, e j\u00e1 est\u00e1 na cidade h\u00e1 mais de um ano. Eles, na verdade, j\u00e1 estavam no Brasil havia cerca de dois anos e tinham passado por Boa Vista, Manaus, Cuiab\u00e1 e Cascavel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o segundo grupo, com o qual est\u00e1 Isidro, tem 16 pessoas, tamb\u00e9m com adultos e crian\u00e7as, e est\u00e1 na cidade h\u00e1 cerca de um m\u00eas. Antes tamb\u00e9m moraram em Boa Vista e Manaus. No caminho at\u00e9 aqui, passaram por muitas dificuldades comuns: tiveram problemas para se comunicar, dormiram na rua, foram explorados, sofreram com a falta de recursos, a fome e precisaram lidar com doen\u00e7as e mortes de parentes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5144.jpg\" alt=\"\" data-id=\"30420\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5144.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?attachment_id=30420\" class=\"wp-image-30420\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5144.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5144-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5144-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5144-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5144-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5144-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5151.jpg\" alt=\"\" data-id=\"30421\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5151.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?attachment_id=30421\" class=\"wp-image-30421\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5151.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5151-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5151-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5151-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5151-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5151-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\"><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter columns-1 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"633\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5150.jpg\" alt=\"\" data-id=\"30436\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5150.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/grupo-da-etnia-indigena-warao-proveniente-da-venezuela-busca-acolhida-em-porto-alegre\/flavio-dutra-5150-2\/\" class=\"wp-image-30436\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5150.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5150-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5150-170x117.jpg 170w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5150-768x528.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5150-465x320.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Flavio-Dutra-5150-695x478.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Na imagem acima e na capa, Hector, Edi e Jesus Henrique (da esquerda para a direita), ind\u00edgenas venezuelanos da etnia Warao, buscam em Porto Alegre alternativas de sobreviv\u00eancia \u00e0 pandemia e a situa\u00e7\u00e3o de calamidade porque passa seu pa\u00eds de origem (Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Acolhimento<\/strong> <strong>e acesso aos servi\u00e7os<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a chegada, a recep\u00e7\u00e3o de imigrantes acaba sendo feita n\u00e3o somente pelos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, que muitas vezes s\u00e3o incapazes de prestar a assist\u00eancia necess\u00e1ria, mas tamb\u00e9m pela sociedade civil. Quando se trata de ind\u00edgenas, aumenta a necessidade de aten\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o das especificidades de suas culturas. Esse entendimento foi fundamental no aux\u00edlio que os antrop\u00f3logos do NIT prestou aos Warao. Augusto Leal de Britto Velho, graduando em Ci\u00eancias Sociais, foi o primeiro integrante do n\u00facleo a identificar a presen\u00e7a do grupo na capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA primeira vez que encontrei os Warao foi em mar\u00e7o de 2020. Passei por eles ao lado do Col\u00e9gio Ros\u00e1rio, e eles estavam com um cartaz pedindo ajuda. Me apresentei e avisei os outros membros do NIT. O nosso grupo j\u00e1 estudava os Warao mesmo antes de chegarem a Porto Alegre, o que facilitou o reconhecimento\u201d, relata o estudante. O envolvimento dos antrop\u00f3logos do n\u00facleo com os Warao foi profundo. Eles os ajudaram a se hospedar em um hotel, a recolher doa\u00e7\u00f5es, comprar material para artesanatos, ter acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade e muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo que veio mais recentemente tamb\u00e9m est\u00e1 sendo ajudado por moradores do bairro Humait\u00e1, na zona norte da capital, como conta um vizinho que pediu para n\u00e3o ser identificado. \u201cQuando eles chegaram, fizemos uma visita na pens\u00e3o onde ficaram. Mesmo sendo simples, a gente tenta ajudar. Na periferia tem um esquema de apoio m\u00fatuo. A solidariedade tamb\u00e9m move o mundo. \u00c9 um dispositivo social que a gente p\u00f5e em marcha e multiplica\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a intermedia\u00e7\u00e3o de Cl\u00e9mentine, os Warao tamb\u00e9m entraram em contato com grupos ind\u00edgenas de Porto Alegre. Foi assim que conheceram Iracema Nascimento, lideran\u00e7a Kaingang na cidade. Ela ajudou a recolher doa\u00e7\u00f5es de alimentos, roupas e materiais, e levou o grupo para vender seu artesanato no Parque da Reden\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEu gosto muito deles. A viv\u00eancia n\u00e3o \u00e9 igual, mas o meu vizinho n\u00e3o precisa ter a mesma viv\u00eancia que eu, o importante \u00e9 o respeito. \u00c9 isso que tem que fazer com os parentes Warao, que t\u00eam direito como ser humano. Eu chamo de parentes porque, perante a m\u00e3e terra, n\u00f3s somos irm\u00e3os. Estamos no colo da terra, mantendo a nossa cultura, nosso dialeto, nossa medicina. Os parentes Warao tamb\u00e9m fazem isso, e n\u00f3s apreciamos quem leva para frente esse conhecimento milenar\u201d<\/p><cite>Iracema Nascimento<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s o acolhimento, \u00e9 preciso pensar na integra\u00e7\u00e3o desses indiv\u00edduos na sociedade. Mas como essa integra\u00e7\u00e3o deve ser feita? \u00c9 a quest\u00e3o que destaca Augusto: \u201cQuando falamos de integra\u00e7\u00e3o, principalmente de ind\u00edgenas, precisamos refletir sobre o que esse termo significa. Em que medida integrar e em que sentido? \u00c9 importante que se mantenha certa diferencia\u00e7\u00e3o como grupo pelo reconhecimento e pela valoriza\u00e7\u00e3o da cultura\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse tamb\u00e9m \u00e9 o entendimento apontado Iurqui Martins: \u201cA integra\u00e7\u00e3o de estrangeiros deve sempre respeitar as caracter\u00edsticas e especificidades de cada povo e popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma dificuldade que os Warao enfrentam, comum \u00e0 maioria dos estrangeiros, \u00e9 a l\u00edngua. \u00c9 a principal barreira para conseguir empregos, estabelecer la\u00e7os com a comunidade e acessar servi\u00e7os p\u00fablicos. A etnia se comunica na l\u00edngua warao. A maioria dos adultos fala tamb\u00e9m o espanhol, mas todos enfrentam problemas com o portugu\u00eas. Jesus explica que querem mudar esse quadro. \u201cN\u00f3s estamos dispostos a aprender o portugu\u00eas, porque a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante. N\u00e3o sabemos bem a l\u00edngua e temos dificuldade para fazer muitas coisas, ler documentos e conseguir um trabalho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Arranjar sustento \u00e9 um passo essencial de integra\u00e7\u00e3o para estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel com o local em que chegam. Institui\u00e7\u00f5es como a OIM at\u00e9 possuem programas de inser\u00e7\u00e3o laboral para imigrantes, mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel suprir toda a demanda, ainda mais quando se trata de ind\u00edgenas, que requerem mais aten\u00e7\u00e3o. Hoje os Warao se mant\u00eam na cidade principalmente por meio de doa\u00e7\u00f5es, da venda de artesanatos, como colares e pulseiras, ou mesmo pedindo dinheiro nas ruas, h\u00e1bito que adquiriram em raz\u00e3o do deslocamento for\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cl\u00e9mentine destaca que n\u00e3o \u00e9 apenas por meio de doa\u00e7\u00f5es financeiras que a sociedade pode ajudar. \u201cExistem v\u00e1rias formas de apoiar. Tem gente que pode doar comida, contribuir de forma financeira. Mas tamb\u00e9m d\u00e1 para oferecer cuidado, aten\u00e7\u00e3o, ajudar a ir ao supermercado, ao posto de sa\u00fade. Doar coisas ou doar de si tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"909\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.07.jpg\" alt=\"\" data-id=\"30422\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.07.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?attachment_id=30422\" class=\"wp-image-30422\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.07.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.07-300x296.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.07-118x117.jpg 118w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.07-768x759.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.07-465x459.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.07-506x500.jpg 506w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"911\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-2.jpg\" alt=\"\" data-id=\"30423\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-2.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?attachment_id=30423\" class=\"wp-image-30423\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-2.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-2-300x297.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-2-118x117.jpg 118w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-2-768x760.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-2-465x460.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-2-505x500.jpg 505w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"909\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-3.jpg\" alt=\"\" data-id=\"30424\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-3.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?attachment_id=30424\" class=\"wp-image-30424\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-3.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-3-300x296.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-3-118x117.jpg 118w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-3-768x759.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-3-465x459.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/WhatsApp-Image-2021-04-06-at-15.49.08-3-506x500.jpg 506w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Uma das formas tradicionais que os Warao utilizam para bancar sua subsist\u00eancia \u00e9 a confec\u00e7\u00e3o e venda de artesanato. Em Porto Alegre, as mulheres da etnia comercializam sua produ\u00e7\u00e3o em ruas da cidade. (Fotos: Arquivo Pessoal)<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pandemia<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A popula\u00e7\u00e3o Warao h\u00e1 muito vem sendo atingida por doen\u00e7as dos n\u00e3o ind\u00edgenas. A precariedade do seu acesso \u00e0 sa\u00fade j\u00e1 gerava preocupa\u00e7\u00e3o antes da pandemia, com muitos relatos de adoecimentos e mortes durante suas jornadas de imigra\u00e7\u00e3o ao Brasil. Chegando em Porto Alegre, contudo, os grupos encontraram um amparo que n\u00e3o ocorreu em outras cidades, gra\u00e7as ao trabalho da equipe t\u00e9cnica de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade dos povos ind\u00edgenas da Secretaria Municipal de Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coordenadora \u00e9 Rosa Rosado, que trabalha no \u00f3rg\u00e3o desde 2013. \u201cOs ind\u00edgenas t\u00eam direito a uma aten\u00e7\u00e3o diferenciada \u00e0 sa\u00fade, conforme a <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.funasa.gov.br\/site\/wp-content\/files_mf\/Pm_254_2002.pdf\" target=\"_blank\">portaria n.\u00ba 254\/2002<\/a> do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. J\u00e1 atendemos anteriormente ind\u00edgenas residentes em outros pa\u00edses que necessitavam de servi\u00e7o m\u00e9dico mas n\u00e3o tinham um Cart\u00e3o SUS, por exemplo. O SUS \u00e9 universal, \u00e9 para todos, e a pessoa vai ser atendida, independentemente da nacionalidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rosa mant\u00e9m contato com os Warao desde a chegada do primeiro grupo. \u201cComecei a fazer o acompanhamento de sa\u00fade deles quando a Cl\u00e9mentine me contatou. A gente iniciou o atendimento com preocupa\u00e7\u00e3o com a influenza e depois com a pandemia. Quando chegaram, uma das mulheres estava com problema de press\u00e3o alta e tinha uma receita de um medicamento de fora do Brasil, mas n\u00e3o o dinheiro para comprar. Indicamos o polo-base de Porto Alegre da Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena, e eles conseguiram.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em raz\u00e3o da necessidade do sustento, os Warao circulam nas ruas, vendendo produtos ou pedindo doa\u00e7\u00f5es. O grupo j\u00e1 estava na cidade desde o come\u00e7o do registro de casos de coronav\u00edrus. Agora, ap\u00f3s o in\u00edcio da campanha de vacina\u00e7\u00e3o, todos os adultos j\u00e1 receberam a vacina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a possibilidade de chegada de novos indiv\u00edduos nos pr\u00f3ximos meses, a aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 sa\u00fade dos Warao permanecer\u00e1, e ter conhecimento sobre a cultura do grupo, explica Rosa, \u00e9 fundamental. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c\u00c9 uma etnia com a qual n\u00e3o est\u00e1vamos acostumados, ent\u00e3o temos que estudar a sua cultura, suas particularidades, para prestar o melhor atendimento. As concep\u00e7\u00f5es de corpo, de sa\u00fade, tudo que j\u00e1 estudamos para atender os Kaingang, Guarani e Charrua, precisamos tamb\u00e9m estudar para atender os Warao\u201d<\/p><cite>Rosa Rosado<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assist\u00eancia em sa\u00fade \u00e9 fundamental, ainda mais nos tempos atuais, assim como receber doa\u00e7\u00f5es financeiras. Mas acolhimento e integra\u00e7\u00e3o envolvem empatia. \u201cGostar\u00edamos que todas as pessoas se dessem conta de que n\u00f3s tamb\u00e9m somos seres humanos. N\u00f3s tamb\u00e9m necessitamos de ajuda. N\u00e3o nos minta, n\u00e3o diga que vai fazer uma coisa e n\u00e3o fazer. Quando fizer algo, n\u00e3o fa\u00e7a por interesse, e sim de cora\u00e7\u00e3o. Precisamos de solidariedade real\u201d, conclui Jesus.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Migra\u00e7\u00e3o | Coletivo com 30 pessoas est\u00e1 inserido no contexto da imigra\u00e7\u00e3o venezuelana ao Brasil e precisa receber aten\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico e da sociedade, principalmente em meio \u00e0 pandemia *Foto de capa: Fl\u00e1vio Dutra\/JU Oriundos da Venezuela, ind\u00edgenas da etnia Warao v\u00eam chegando a Porto Alegre desde mar\u00e7o do<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/grupo-da-etnia-indigena-warao-proveniente-da-venezuela-busca-acolhida-em-porto-alegre\/\">Leia 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