{"id":3159,"date":"2019-05-17T14:43:57","date_gmt":"2019-05-17T17:43:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=3159"},"modified":"2019-07-02T13:52:47","modified_gmt":"2019-07-02T16:52:47","slug":"politica-cultural-um-debate-necessario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/politica-cultural-um-debate-necessario\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica cultural, um debate necess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"567\" height=\"376\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5-Um-Itiner\u00e1rio-Gr\u00e1fico-Beatriz-Milhazes-no-Centro-Cultural-Rochele-Zandavalli-0879-SITE-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3166\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5-Um-Itiner\u00e1rio-Gr\u00e1fico-Beatriz-Milhazes-no-Centro-Cultural-Rochele-Zandavalli-0879-SITE-1.jpg 567w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5-Um-Itiner\u00e1rio-Gr\u00e1fico-Beatriz-Milhazes-no-Centro-Cultural-Rochele-Zandavalli-0879-SITE-1-150x99.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5-Um-Itiner\u00e1rio-Gr\u00e1fico-Beatriz-Milhazes-no-Centro-Cultural-Rochele-Zandavalli-0879-SITE-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5-Um-Itiner\u00e1rio-Gr\u00e1fico-Beatriz-Milhazes-no-Centro-Cultural-Rochele-Zandavalli-0879-SITE-1-500x332.jpg 500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5-Um-Itiner\u00e1rio-Gr\u00e1fico-Beatriz-Milhazes-no-Centro-Cultural-Rochele-Zandavalli-0879-SITE-1-166x110.jpg 166w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><figcaption>Exposi\u00e7\u00e3o  &#8216;Um Itiner\u00e1rio Gr\u00e1fico&#8217;, que exp\u00f4s parte do acervo da da conceituada artista visual carioca Beatriz Milhazes, em fevereiro de 2019, no Centro Cultural da UFRGS (Foto: Rochele Zandavalli\/ Secom)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap wp-block-paragraph\">O momento tem sido bastante adverso para a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica: esta vem sofrendo ataques tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade expressiva \u2013 s\u00e3o diversos os epis\u00f3dios de censura \u2013 quanto no que tange ao modo de produ\u00e7\u00e3o \u2013 a pecha de \u2018vagabundo\u2019 como express\u00e3o disso. Nesse sentido, ganha relevo a discuss\u00e3o sobre como a UFRGS vai se inserir nos processos de promo\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o da cultura. O debate sobre a tem\u00e1tica foi deflagrado no m\u00eas passado com as Confer\u00eancias UFRGS. O tema \u201cCultura: para uma pol\u00edtica cultural da UFRGS\u201d \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o para que, ao longo dos dez eventos que acontecem at\u00e9 novembro, ocorra a gesta\u00e7\u00e3o de um conjunto de diretrizes para nortear o posicionamento institucional.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a vice-reitora e curadora do ciclo de palestras, Jane Tutikian, estamos diante de um cen\u00e1rio em que as universidades devem adotar posturas de resist\u00eancia. \u201cToda vez que existe uma crise econ\u00f4mica\u201d, explica a docente, \u201ca tend\u00eancia \u00e9 colocar de lado a cultura e a educa\u00e7\u00e3o\u201d. Na atual circunst\u00e2ncia que vivemos no Brasil, segundo ela, isso se torna ainda mais pungente: s\u00e3o atos de resist\u00eancia abrir um centro cultural, como aconteceu na Universidade em setembro do ano passado, e discutir pol\u00edticas culturais, como se faz agora. <br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A profus\u00e3o de nuances encerrada pelo termo cultura exige, portanto, que uma institui\u00e7\u00e3o que pretenda abord\u00e1-la de modo adequado debata, antes de qualquer defini\u00e7\u00e3o, o que se re\u00fane em torno desse voc\u00e1bulo. <br><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p> \u201cEu entendo por cultura um processo; portanto, ele n\u00e3o se esgota em si. \u00c9 um processo de valoriza\u00e7\u00e3o do ser humano. E isso, entendido de uma forma ampla, abrange o nosso dia a dia e as nossas a\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p><cite>Jane Tutikian<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"567\" height=\"376\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/GSD_4923-Gustavo-Diehl-SITE-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3165\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/GSD_4923-Gustavo-Diehl-SITE-1.jpg 567w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/GSD_4923-Gustavo-Diehl-SITE-1-150x99.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/GSD_4923-Gustavo-Diehl-SITE-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/GSD_4923-Gustavo-Diehl-SITE-1-500x332.jpg 500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/GSD_4923-Gustavo-Diehl-SITE-1-166x110.jpg 166w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><figcaption> Performance da arte caligr\u00e1fica japonesa (shodo), com o artista Kazuaki Tanahashi, realizada durante a Expo Jap\u00e3o 110 anos, em junho de 2018 (Foto: Gustavo Diehl\/ Secom)<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora, que tem dedicado sua carreira \u00e0 Literatura, percebe o momento atual como de desvaloriza\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o humana: h\u00e1 uma onda conservadora tomando conta do mundo e impondo uma polariza\u00e7\u00e3o da discuss\u00e3o pol\u00edtica. O grande avan\u00e7o da tecnologia, da ci\u00eancia e da inova\u00e7\u00e3o complementa o cen\u00e1rio: ainda que fundamentais para a exist\u00eancia contempor\u00e2nea, s\u00f3 t\u00eam sentido se reverterem em dire\u00e7\u00e3o ao humano. \u201cEnt\u00e3o, \u00e9 preciso que a Universidade entenda o que \u00e9 cultura e que fa\u00e7a um planejamento daquilo que ela quer em termos de cultura\u201d, sintetiza. <br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inserida no debate sobre o tema est\u00e1 tamb\u00e9m uma perspectiva mais identit\u00e1ria: cultura representa a marca de um povo. \u201cEnt\u00e3o, tudo entra nesse momento. Entra a religi\u00e3o, entram os h\u00e1bitos alimentares, entra o folclore, a tradi\u00e7\u00e3o, tudo entra nessa parte da cultura\u201d. Para analisar essa nuance, a professora prop\u00f5e dividir a identidade de um pa\u00eds em duas grandes comunidades: pol\u00edtica e cultural. \u201cNo momento em que se dissociam, temos o avan\u00e7o da direita, os totalitarismos, etc.\u201d, diz. Nesse sentido, ela percebe como fundamental o papel mediador da Universidade como lugar de aproxima\u00e7\u00e3o dessas duas comunidades de modo a se complementarem. \u201cNo sentido de troca, no sentido de afirma\u00e7\u00e3o cultural, para que haja efetivamente o respeito\u201d, explana.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo em vista a possibilidade de pluralismo que a institui\u00e7\u00e3o de ensino superior p\u00fablica representa, a elabora\u00e7\u00e3o de uma perspectiva abrangente de cultura \u00e9 bastante vi\u00e1vel. Nesse sentido, Jane Tutikian aponta que o debate sobre cultura deve transcender a no\u00e7\u00e3o que se restringe \u00e0 produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. \u201cPretendemos chegar a um conceito de cultura mais amplo, que englobe n\u00e3o s\u00f3 o espet\u00e1culo, porque cultura \u00e9 mais do que isso. Vamos trabalhar a ci\u00eancia e a tecnologia ao lado da humaniza\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o vejo, particularmente, outra possibilidade para a universidade fora disso\u201d, explica a tamb\u00e9m Pr\u00f3-reitora de Coordena\u00e7\u00e3o Acad\u00eamica.<br><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" width=\"567\" height=\"376\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Esposi\u00e7\u00e3o-ind\u00edgena-faced-Rochele-Zandavalli-BX-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3187\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Esposi\u00e7\u00e3o-ind\u00edgena-faced-Rochele-Zandavalli-BX-1.jpg 567w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Esposi\u00e7\u00e3o-ind\u00edgena-faced-Rochele-Zandavalli-BX-1-150x99.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Esposi\u00e7\u00e3o-ind\u00edgena-faced-Rochele-Zandavalli-BX-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Esposi\u00e7\u00e3o-ind\u00edgena-faced-Rochele-Zandavalli-BX-1-500x332.jpg 500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Esposi\u00e7\u00e3o-ind\u00edgena-faced-Rochele-Zandavalli-BX-1-166x110.jpg 166w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\">\n\nExposi\u00e7\u00e3o Saberes Ind\u00edgenas, na Faced, em 2017 (Foto: Rochele Zandavalli)\n\n<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"567\" height=\"376\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sal\u00e3o-UFRGS-2016-15-09-Rochele-Zandavalli-118-BX-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3188\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sal\u00e3o-UFRGS-2016-15-09-Rochele-Zandavalli-118-BX-1.jpg 567w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sal\u00e3o-UFRGS-2016-15-09-Rochele-Zandavalli-118-BX-1-150x99.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sal\u00e3o-UFRGS-2016-15-09-Rochele-Zandavalli-118-BX-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sal\u00e3o-UFRGS-2016-15-09-Rochele-Zandavalli-118-BX-1-500x332.jpg 500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Sal\u00e3o-UFRGS-2016-15-09-Rochele-Zandavalli-118-BX-1-166x110.jpg 166w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\">\n\nSal\u00e3o UFRGS 2016 (Foto: Rochele Zandavalli\/ Secom)\n\n<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/As-cantantes-roda-de-mulheres-Rochele-Zandavalli-23-2-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3189\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/As-cantantes-roda-de-mulheres-Rochele-Zandavalli-23-2-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/As-cantantes-roda-de-mulheres-Rochele-Zandavalli-23-2-150x99.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/As-cantantes-roda-de-mulheres-Rochele-Zandavalli-23-2-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/As-cantantes-roda-de-mulheres-Rochele-Zandavalli-23-2-768x509.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/As-cantantes-roda-de-mulheres-Rochele-Zandavalli-23-2-500x331.jpg 500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/As-cantantes-roda-de-mulheres-Rochele-Zandavalli-23-2-800x530.jpg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/As-cantantes-roda-de-mulheres-Rochele-Zandavalli-23-2-1280x848.jpg 1280w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/As-cantantes-roda-de-mulheres-Rochele-Zandavalli-23-2-166x110.jpg 166w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/As-cantantes-roda-de-mulheres-Rochele-Zandavalli-23-2-740x490.jpg 740w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/As-cantantes-roda-de-mulheres-Rochele-Zandavalli-23-2-876x580.jpg 876w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/As-cantantes-roda-de-mulheres-Rochele-Zandavalli-23-2.jpg 1510w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\">Coletivo &#8220;As Cantantes&#8221; em a\u00e7\u00e3o durante o Novembro Negro de 2018 (Foto: Rochele Zandavalli) \n\n<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3190\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601-150x99.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601-768x509.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601-500x331.jpg 500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601-800x530.jpg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601-1280x848.jpg 1280w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601-1920x1272.jpg 1920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601-166x110.jpg 166w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601-740x490.jpg 740w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601-875x580.jpg 875w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/UFRGS-Crian\u00e7a-Rochele-Zandavalli-5601.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\">UFRGS Crian\u00e7a, em 2018 (Foto: Rochele Zandavalli) <\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Inserido nesse debate, o JU apresenta, a partir desta edi\u00e7\u00e3o, uma s\u00e9rie de mat\u00e9rias sobre pol\u00edticas culturais que pretendem abordar o assunto sob v\u00e1rias perspectivas e a partir de suas diversas dimens\u00f5es. Nesta edi\u00e7\u00e3o, a busca foi por refer\u00eancias que pudessem oferecer elementos mais conceituais: Ant\u00f4nio Albino Canellas Rubim e Teixeira Coelho, em entrevistas, apresentam suas ideias sobre cultura, pol\u00edtica cultural e o posicionamento das universidades com rela\u00e7\u00e3o a esses temas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Albino Rubim<\/strong><br>\u201cTem que ter um investimento enorme na \u00e1rea da cultura\u201d<\/h4>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Albino-Rubim-CR\u00c9DITO-Ronaldo-Silva-AGECOM-CC-BY-2-SITE.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3178\" width=\"254\" height=\"295\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Albino-Rubim-CR\u00c9DITO-Ronaldo-Silva-AGECOM-CC-BY-2-SITE.jpg 567w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Albino-Rubim-CR\u00c9DITO-Ronaldo-Silva-AGECOM-CC-BY-2-SITE-129x150.jpg 129w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Albino-Rubim-CR\u00c9DITO-Ronaldo-Silva-AGECOM-CC-BY-2-SITE-258x300.jpg 258w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Albino-Rubim-CR\u00c9DITO-Ronaldo-Silva-AGECOM-CC-BY-2-SITE-500x581.jpg 500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Albino-Rubim-CR\u00c9DITO-Ronaldo-Silva-AGECOM-CC-BY-2-SITE-95x110.jpg 95w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Albino-Rubim-CR\u00c9DITO-Ronaldo-Silva-AGECOM-CC-BY-2-SITE-430x500.jpg 430w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Albino-Rubim-CR\u00c9DITO-Ronaldo-Silva-AGECOM-CC-BY-2-SITE-499x580.jpg 499w\" sizes=\"(max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><figcaption>Foto: Ronaldo Silva\/Agecom<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">P\u00f3s-doutor em Pol\u00edticas Culturais pela Universidade de Buenos Aires e pela Universidade San Martin, Ant\u00f4nio Albino Canelas Rubim \u00e9 professor do Programa Multidisciplinar de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Como secret\u00e1rio de Cultura da Bahia de 2011 at\u00e9 2014, articulou a aprova\u00e7\u00e3o da Lei Org\u00e2nica da Cultura (2011), do Plano Estadual de Cultura (2014) e da cria\u00e7\u00e3o do Centro de Culturas Populares e Identit\u00e1rias (2011).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Qual \u00e9 o lugar da produ\u00e7\u00e3o cultural na sociedade? Que papel ela pode desempenhar?<\/strong><\/em><br>Havia uma concep\u00e7\u00e3o de cultura entendida como arte e patrim\u00f4nio. Muita gente ainda pensa que cultura \u00e9 somente isso. A arte e o patrim\u00f4nio t\u00eam pap\u00e9is fundamentais dentro do campo cultural, mas ele \u00e9 muito mais amplo. \u00c9 preciso que a sociedade e a universidade entendam isso. Muitas vezes, a universidade, quando fala em pol\u00edtica cultural, est\u00e1 falando em pol\u00edtica das artes e do patrim\u00f4nio, n\u00e3o no sentido largo da palavra. Ent\u00e3o, se h\u00e1 essa mudan\u00e7a hist\u00f3rica importante da concep\u00e7\u00e3o de cultura, \u00e9 preciso que as universidades discutam (pol\u00edticas culturais) no sentido amplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>E o que seria discutir isso num sentido amplo?<\/em><\/strong><br>N\u00e3o tem sentido imaginar que pol\u00edtica cultural dentro da universidade vai ser voltada para atividades art\u00edsticas e de patrim\u00f4nio. As universidades precisam ter pol\u00edticas culturais amplas, o que significa dizer que todos os alunos devem passar por uma forma\u00e7\u00e3o cultural. N\u00e3o se pode discutir s\u00f3 uma orquestra sinf\u00f4nica. Tem que se discutir qual \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o que os estudantes est\u00e3o tendo em termo de cultura, vis\u00e3o de sociedade e valores sociais. Outra coisa: as universidades t\u00eam de dar conta do que se faz de pesquisa sobre cultura, no sentido mais estrito. E por sentido mais estrito n\u00e3o estou dizendo que \u00e9 arte e patrim\u00f4nio, mas, por exemplo, um campo como a sociologia. Dentro da sociologia, existe uma \u00e1rea chamada de sociologia da cultura. Dentro da geografia, existe uma \u00e1rea chamada geografia da cultura. O que se faz na universidade em termos de pesquisa nessas \u00e1reas? Uma pol\u00edtica cultural tem de dar conta de tudo isso. Em geral, as universidades n\u00e3o t\u00eam pol\u00edtica cultural nenhuma. E, quando t\u00eam, \u00e9 uma pol\u00edtica muito restrita, porque pensa s\u00f3 a cultura como arte e patrim\u00f4nio. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>A cultura, no Brasil, muitas vezes \u00e9 vista como algo \u201cornamental\u201d para a vida da elite. Deve-se um pouco a isso o posicionamento com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura no pa\u00eds?<\/em><\/strong> <br>Essa ideia de uma cultura ornamental \u00e9 muito forte no Brasil. N\u00f3s temos uma elite que tem uma rela\u00e7\u00e3o com a cultura que \u00e9 muito complicada, muito ruim. Ela copia a cultura dos pa\u00edses que admira, que foi passando de Portugal para a Inglaterra e, depois, para os Estados Unidos. No Uruguai, eles universalizaram a escola no s\u00e9culo XIX. N\u00f3s universalizamos no fim do s\u00e9culo XX. Esta \u00e9 a elite que n\u00f3s temos, que pensa a cultura muito como ornamento mesmo. \u00c9 incivilizada, tacanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Como a universidade pode trabalhar para mudar esse cen\u00e1rio?<\/strong><\/em><br>Acho que a universidade tem um papel vital. Primeiro, porque n\u00e3o pode encarar as pessoas que est\u00e3o entrando e transitando por ela como estudantes com forma\u00e7\u00e3o puramente t\u00e9cnica, profissional. Claro que tem que ter uma forma\u00e7\u00e3o profissional de alt\u00edssima qualidade, mas tamb\u00e9m uma transforma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os, de pessoas que t\u00eam valores. Acho inconceb\u00edvel a universidade n\u00e3o ter um trabalho com essas pessoas de forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, que evite serem preconceituosas, violentas, arbitr\u00e1rias, machistas e homof\u00f3bicas. Isso \u00e9 fundamental, a universidade n\u00e3o pode se omitir. Al\u00e9m disso, para essa forma\u00e7\u00e3o geral, a universidade tem que ter um investimento enorme na \u00e1rea de cultura. E quando falo em cultura, n\u00e3o falo s\u00f3 em arte, mas em uma forma\u00e7\u00e3o geral que deveria ser muito mais cultural. Posso, em um curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, ter toda uma discuss\u00e3o sobre a cena cultural, por exemplo. E isso a universidade tem, mas n\u00e3o sabe que tem, n\u00e3o sabe o que faz em termos de cultura. Faz muito, mas n\u00e3o sabe. Por qu\u00ea? Porque n\u00e3o tem uma pol\u00edtica de n\u00edvel universit\u00e1rio que cuide dessa dimens\u00e3o cultural, \u00f3rg\u00e3os espec\u00edficos. E quando tem algum \u00f3rg\u00e3o desse tipo, ele s\u00f3 trata muito setorialmente a cultura enquanto a orquestra, o grupo de dan\u00e7a ou o grupo de m\u00fasica. Agora, qual \u00e9 a articula\u00e7\u00e3o que tem tudo isso? Nada, n\u00e3o tem uma articula\u00e7\u00e3o e uma pol\u00edtica, isso est\u00e1 faltando muito. O dia em que a universidade tiver essa pol\u00edtica, ter\u00e1 uma pot\u00eancia enorme de interfer\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 na comunidade interna, mas na sociedade. Em um contexto de ataque \u00e0s universidades, \u00e9 fundamental que elas criem uma conex\u00e3o maior com a sociedade, e a cultura \u00e9 um dos tend\u00f5es dessa conex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de arte, a universidade cumpre um papel importante em termos de inova\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Como ela pode trabalhar com o novo e dialogar com a sociedade, que muitas vezes tem uma vis\u00e3o de cultura voltada para o consumo?<\/em><\/strong><br> N\u00e3o sei se a universidade s\u00f3 trabalha com arte nessa perspectiva experimental, de vanguarda. Acho que isso \u00e9 um dado importante, mas varia de aluno para aluno. Uns t\u00eam mais essa pegada de vanguarda, outros n\u00e3o. N\u00f3s passamos por uma etapa de uma cultura oral para uma cultura audiovisual, muito calcada na presen\u00e7a enorme que a televis\u00e3o tem no pa\u00eds. N\u00e3o tivemos a passagem para a cultura escrita, como aconteceu na maioria dos pa\u00edses na Europa. Nesse sentido, quando a universidade acolhe a cultura, ela se relaciona com a ind\u00fastria da cultura, que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 necessariamente de vanguarda.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Teixeira Coelho<\/strong><br> \u201cA universidade \u00e9 uma esp\u00e9cie de o\u00e1sis onde a arte procura abrigo\u201d<\/h4>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Teixeira-Coleho-CR\u00c9DITO-Midiateca-Instituto-de-Estudos-Avan\u00e7ados-da-USP-1-SITE.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3179\" width=\"215\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Teixeira-Coleho-CR\u00c9DITO-Midiateca-Instituto-de-Estudos-Avan\u00e7ados-da-USP-1-SITE.jpg 329w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Teixeira-Coleho-CR\u00c9DITO-Midiateca-Instituto-de-Estudos-Avan\u00e7ados-da-USP-1-SITE-131x150.jpg 131w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Teixeira-Coleho-CR\u00c9DITO-Midiateca-Instituto-de-Estudos-Avan\u00e7ados-da-USP-1-SITE-261x300.jpg 261w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-Teixeira-Coleho-CR\u00c9DITO-Midiateca-Instituto-de-Estudos-Avan\u00e7ados-da-USP-1-SITE-96x110.jpg 96w\" sizes=\"(max-width: 215px) 100vw, 215px\" \/><figcaption>Foto: Midiateca Instituto <br>de Estudos Avan\u00e7ados <br>da USP\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Professor da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes (ECA) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Jos\u00e9 Teixeira Coelho Netto \u00e9 um principais pesquisadores de pol\u00edticas culturais do pa\u00eds. Foi diretor do Museu de Arte Contempor\u00e2nea (MAC) da USP e curador-coordenador do Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (MASP). Tamb\u00e9m atua como colaborador da C\u00e1tedra Unesco de Pol\u00edtica Cultural da Universidad de Girona, Espanha.<br><br><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>De que forma as ideias de cultura e arte se diferenciam?<\/strong><\/em><br>Cultura \u00e9 a regra geral, uma vez que as pessoas sabem como devem se manifestar culturalmente. A cultura existe para aproximar e proteger as pessoas e s\u00f3 se justifica por repetir as coisas. A cada ano, vamos repetir o Carnaval. A arte, dentro da modernidade ocidental, existe exatamente para questionar, criticar e combater a sociedade. A arte vem para destruir a cultura, colocar tudo em xeque.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste momento, vivenciamos justamente o embate entre uma cultura para tr\u00e1s e uma arte que est\u00e1 sob forte ataque. Que sa\u00eddas podemos ter?<br> N\u00e3o ando muito otimista em rela\u00e7\u00e3o ao futuro no Brasil. Voc\u00ea v\u00ea not\u00edcias de que o governo federal ir\u00e1 restringir drasticamente os recursos destinados ao apoio \u00e0 arte. Em \u00e2mbitos estaduais, e eu falo aqui de S\u00e3o Paulo, o governo tamb\u00e9m promete fazer a mesma coisa. Vemos essa restri\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 arte no Brasil e no mundo. De uma maneira tola, completamente est\u00fapida mesmo, o mundo inteirinho resolveu acreditar que cultura e arte n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia. \u00c9 uma loucura, \u00e9 um suic\u00eddio. E isso s\u00f3 faz com que surja ainda com maior for\u00e7a o papel da universidade. Ela sempre \u00e9 uma esp\u00e9cie de o\u00e1sis onde a ci\u00eancia, a filosofia e a arte procuram abrigo. E a universidade tem de responder a esse abrigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Como est\u00e3o as pol\u00edticas culturais nas universidades?<\/em><\/strong><br>Um aspecto que me chama a aten\u00e7\u00e3o no caso da USP \u00e9 que, h\u00e1 alguns anos, fiz uma pesquisa de h\u00e1bitos culturais dos estudantes que confirmou que eles n\u00e3o frequentavam muito os espa\u00e7os culturais da pr\u00f3pria universidade ou da cidade. O que foi particularmente chocante para os dirigentes da universidade foi que o perfil cultural do estudante n\u00e3o se alterava entre os momentos em que ele entrava e sa\u00eda da USP. Os pr\u00f3prios professores n\u00e3o frequentavam os espa\u00e7os culturais da USP, como o Museu de Arte Contempor\u00e2nea (MAC), que \u00e9 excelente e de n\u00edvel mundial pela cole\u00e7\u00e3o que tem. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Como a universidade pode trabalhar para incluir a cultura e a arte dentro da rotina de estudantes e professores?<\/em><\/strong><br>A universidade pode atuar de duas maneiras distintas, mas que devem convergir. Uma \u00e9 oferecer pr\u00e1ticas culturais dentro do c\u00e2mpus. Do outro lado, seria preparar os estudantes, abrir um espa\u00e7o na grade curricular para um ensino com cultura. N\u00e3o tanto um ensino da cultura, que n\u00e3o faz parte do objetivo de um estudante de Engenharia, por exemplo, mas que a universidade criasse as condi\u00e7\u00f5es para que, dentro da grade curricular, houvesse espa\u00e7os de sensibiliza\u00e7\u00e3o para a cultura. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Qual o efeito do conv\u00edvio com produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas na vis\u00e3o de mundo do cidad\u00e3o?<\/em><\/strong><br>Servem para ampliar a esfera de presen\u00e7a do ser. Se eu ficar isolado, sem abrir a cabe\u00e7a para o mundo, eu me fecho cada vez mais em um ambiente restrito e sufocante no qual a maior possibilidade \u00e9 que eu perca as minhas caracter\u00edsticas humanas. Com a arte, a cultura vai ampliar a expectativa, os horizontes e a aproxima\u00e7\u00e3o com o outro. Vai tentar entender o ser humano. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>A universidade, em geral, \u00e9 um lugar onde a arte tem \u00e1reas de inova\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Ent\u00e3o, de alguma maneira, ela se distancia do consumo de grande parte da popula\u00e7\u00e3o. Como resolver esse dilema?<\/em><\/strong><br>A fun\u00e7\u00e3o da universidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 arte, assim como em medicina, \u00e9 buscar a tecnologia de ponta. Se essa inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o vier da universidade, que \u00e9 o espa\u00e7o onde o estudante, o pesquisador e o professor t\u00eam tempo para pensar nessas quest\u00f5es espec\u00edficas, isso n\u00e3o acontece. Do mesmo e do velho, a sociedade cuida, tranquilamente. O que importa \u00e9 abrir espa\u00e7o para o novo. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para a humanidade a n\u00e3o ser buscar o novo.<br> A universidade vai propor o novo, mas como faz para que a sociedade aceite?<br> A universidade pode criar uma \u00e1rea complementar de a\u00e7\u00e3o ou media\u00e7\u00e3o cultural. Isso \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o de profissionais que v\u00e3o fazer a ponte entre os produtos art\u00edsticos de ponta e o resto da sociedade. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Nos campos da cultura e da arte, como a universidade se conecta com outras esferas da sociedade? E qual a import\u00e2ncia dessa conex\u00e3o?<\/em><\/strong><br>A import\u00e2ncia \u00e9 total. A universidade precisa ter um gesto de ir buscar apoio na sociedade civil e na iniciativa privada, mas h\u00e1 um problema extra a\u00ed. Muito frequentemente, os professores e os estudantes rejeitam essa participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Haveria risco de esse apoiador querer intervir nas formas e nos conte\u00fados da arte, colocar limites ou censurar?<\/em><\/strong><br>Eu nunca vi isso. O que h\u00e1, no Brasil, \u00e9 uma preven\u00e7\u00e3o absolutamente injustificada contra a sociedade civil e a iniciativa privada. N\u00e3o h\u00e1 arte sem dinheiro, nunca houve. A universidade n\u00e3o vai poder esperar uma a\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O momento tem sido bastante adverso para a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica: esta vem sofrendo ataques tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade expressiva \u2013 s\u00e3o diversos os epis\u00f3dios de censura \u2013 quanto no que tange ao modo de produ\u00e7\u00e3o \u2013 a pecha de \u2018vagabundo\u2019 como express\u00e3o disso. 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