{"id":32019,"date":"2021-06-02T09:15:00","date_gmt":"2021-06-02T12:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=32019"},"modified":"2021-06-02T13:59:04","modified_gmt":"2021-06-02T16:59:04","slug":"milena-serafim-e-teresa-atvars-com-a-pandemia-formamos-um-novo-capital-academico-o-da-pesquisa-integrada-e-interdisciplinar-essa-e-a-pesquisa-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/milena-serafim-e-teresa-atvars-com-a-pandemia-formamos-um-novo-capital-academico-o-da-pesquisa-integrada-e-interdisciplinar-essa-e-a-pesquisa-do-futuro\/","title":{"rendered":"Milena Serafim e Teresa Atvars: \u201cCom a pandemia, formamos um novo capital acad\u00eamico: o da pesquisa integrada e interdisciplinar. Essa \u00e9 a pesquisa do futuro\u201d"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Entrevista | Organizadoras de livro sobre gest\u00e3o e planejamento no servi\u00e7o p\u00fablico, docentes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) falam sobre os impactos da pandemia nas universidades, na gest\u00e3o e na autonomia universit\u00e1rias<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto de capa: Antoninho Perri\/SEC-Unicamp_Milena Serafim,  Antonio Scarpinetti\/SEC-Unicamp_Teresa Atvats<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cUma universidade p\u00fablica somente ser\u00e1 de excel\u00eancia se o conceito de excel\u00eancia permear todas as suas atividades, n\u00e3o apenas a acad\u00eamica (ensino, pesquisa e extens\u00e3o)\u201d. Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es que Teresa Atvars e Milena Serafim, docentes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apresentam no livro <a href=\"https:\/\/editoraunicamp.com.br\/produto\/555\/planejamento-e-gestao-estrategica-no-setor-publico-aplicacoes-e-reflexoes-a-partir-da-unicamp\">\u201cPlanejamento e gest\u00e3o estrat\u00e9gica no setor p\u00fablico: aplica\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es\u201d<\/a> para ressaltar a import\u00e2ncia do debate sobre gest\u00e3o no servi\u00e7o p\u00fablico \u2013 especificamente nas universidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Organizadoras da obra lan\u00e7ada recentemente pela editora da Unicamp, Teresa e Milena s\u00e3o origin\u00e1rias de \u00e1reas de pesquisa diferentes: a primeira \u00e9 professora do Instituto de Qu\u00edmica, enquanto a segunda atua na Faculdade de Ci\u00eancias Aplicadas. At\u00e9 meados de abril, quando houve troca de reitoria na Unicamp, trabalhavam juntas na Coordenadoria-geral da Universidade, que acompanha as a\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e administrativas com relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O JU conversou, por meio de videochamada, com as pesquisadoras sobre planejamento e gest\u00e3o universit\u00e1ria, os impactos da pandemia nesses aspectos e os desafios para conciliar as trocas de gest\u00e3o com o planejamento institucional a longo prazo. A autonomia universit\u00e1ria, a paridade nas consultas para as reitorias e as particularidades que conferem mais autonomia \u00e0s universidades estaduais paulistas tamb\u00e9m foram temas abordados pelas docentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como voc\u00eas avaliam o cen\u00e1rio atual das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino superior em rela\u00e7\u00e3o ao planejamento e \u00e0 gest\u00e3o? Quais os principais desafios que temos hoje?<\/strong><br><strong>Teresa &#8211;<\/strong> Vou falar um pouco do que vejo no estado de S\u00e3o Paulo, porque a gente sempre conhece mais o lugar onde est\u00e1. As institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas normalmente t\u00eam um plano de gest\u00e3o, que \u00e9 o plano que o reitor apresenta para a comunidade. Dificilmente elas t\u00eam um planejamento de longo prazo, isto \u00e9, qual \u00e9 a universidade que n\u00f3s queremos ser daqui dez ou quinze anos. A minha cr\u00edtica \u00e0s gest\u00f5es universit\u00e1rias de modo geral \u00e9 que elas t\u00eam um plano de governo e n\u00e3o de plano de longo prazo, com metas avan\u00e7adas para o desenvolvimento universit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um bom planejamento permite essa transi\u00e7\u00e3o entre v\u00e1rias gest\u00f5es, porque n\u00e3o se extingue com os mandatos. Acho que o recado do livro \u00e9 este: os projetos n\u00e3o podem ser interrompidos porque acabou o mandato e a prioridade do reitor \u00e9 outra. Esta \u00e9 a minha segunda cr\u00edtica: a descontinuidade leva a essa interrup\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o alcancemos os resultados que poder\u00edamos alcan\u00e7ar. \u00c9 o caso do Estado brasileiro: muda o presidente, o pa\u00eds vira do avesso \u2013 e aqui n\u00e3o falo se muda para pior ou melhor, \u00e9 assim. E acho que a universidade brasileira sofre desse mesmo mal: a descontinuidade das administra\u00e7\u00f5es levando \u00e0 descontinuidade dos projetos que s\u00e3o essenciais para a sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Milena &#8211;<\/strong> Por exemplo, olhando as universidades federais: todas s\u00e3o obrigadas a elaborar o PDI, o Plano de Desenvolvimento Institucional. Todas elaboram, em maior ou menor profundidade, com mais ou menos reflex\u00e3o, mas todas elaboram. Eles s\u00e3o denominados &#8216;planos&#8217;, e isso \u00e9 um pouco esquisito, porque pode haver uma estrutura\u00e7\u00e3o de um planejamento mais estrat\u00e9gico, integrado, de longo prazo, como diz a Teresa, ou se tratar apenas de uma revis\u00e3o da identidade organizacional, sem caminhar muito para boas defini\u00e7\u00f5es ou defini\u00e7\u00f5es de metas que, de fato, busquem alavancar aquela institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gente observa que tem universidades que t\u00eam bons planos \u2013 como a UFSC, que me parece estar mais avan\u00e7ada nesse sentido de reflex\u00e3o. Mas o que eu observo em grande medida nesses planejamentos \u2013 e tentamos mostrar no livro o qu\u00e3o importante \u00e9 esse exerc\u00edcio de planejamento \u2013 \u00e9 um planejamento de m\u00e9dio e longo prazos, mas a gente constr\u00f3i caminhos. Porque s\u00f3 tra\u00e7ar um plano e n\u00e3o implementar n\u00e3o leva a nada, \u00e9 s\u00f3 uma pe\u00e7a que vai pro arm\u00e1rio. Geralmente esses planos n\u00e3o possuem um bom diagn\u00f3stico. Eles teriam, em tese, uma parte que \u00e9 um &#8220;autoconhecimento&#8221;, mas esse diagn\u00f3stico da realidade da universidade carece n\u00e3o s\u00f3 de mais informa\u00e7\u00f5es (porque essas informa\u00e7\u00f5es existem), mas de reflex\u00e3o, de compreens\u00e3o num hist\u00f3rico (n\u00e3o precisa ser muito longo, de 5 ou 10 anos) que possibilite a visualiza\u00e7\u00e3o de onde estamos indo, para depois corrigir a rota ou refor\u00e7ar a rota que a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 percorrendo. Isso serve bastante para delimitar e definir as metas e os objetivos, porque, caso contr\u00e1rio, voc\u00ea n\u00e3o sabe nem onde est\u00e1 quanto mais para onde voc\u00ea vai. Eu acho que esse \u00e9 um elemento muito interessante, e o livro contribui pra isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acho que vale falar sobre essa conex\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o institucional com o planejamento, que, de fato, ocorre na gest\u00e3o da Teresa <em>[Teresa foi coordenadora-geral da Unicamp at\u00e9 abril de 2021]<\/em>. N\u00e3o que antes n\u00e3o ocorresse, mas agora se conseguiu de fato organizar esses dois processos para que eles dialogassem de fato. As pessoas que est\u00e3o participando da avalia\u00e7\u00e3o institucional s\u00e3o as mesmas que participam da elabora\u00e7\u00e3o do planejamento estrat\u00e9gico: somos n\u00f3s, docentes, e a comunidade acad\u00eamica. S\u00f3 que a sistematiza\u00e7\u00e3o e a coer\u00eancia desse di\u00e1logo precisam estar muito expl\u00edcitas. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Em cada etapa do planejamento estrat\u00e9gico, espera-se que essa articula\u00e7\u00e3o seja ainda melhorada na etapa seguinte, porque de fato o ponto de partida \u00e9 um bom diagn\u00f3stico. \u00c9 saber onde voc\u00ea melhorou, onde n\u00e3o melhorou, o que precisa avan\u00e7ar, o que n\u00e3o precisa avan\u00e7ar. E \u00e9 isso uma avalia\u00e7\u00e3o institucional que d\u00e1 suporte<\/p><cite>Milena Serafim<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como funciona essa articula\u00e7\u00e3o entre o planejamento e a avalia\u00e7\u00e3o institucional? Como fazer essa conversa?<\/strong><br><strong>Teresa &#8211;<\/strong> Esse \u00e9 um ponto cr\u00edtico. Como a Milena falou, as universidades t\u00eam o PDI e fazem avalia\u00e7\u00e3o institucional. S\u00f3 que esses dois processos correm em paralelo, s\u00e3o independentes e, o pior, a lei que define que voc\u00ea tem que ter PDI n\u00e3o fala de avalia\u00e7\u00e3o, de diagn\u00f3stico. Ela diz: voc\u00ea tem que ter uma comiss\u00e3o permanente de avalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o uma comiss\u00e3o permanente de avalia\u00e7\u00e3o e planejamento. Essa \u00e9 uma resist\u00eancia que estamos enfrentando na Universidade, porque tem um grupo que diz que precisamos ter uma comiss\u00e3o permanente de avalia\u00e7\u00e3o. Eu digo &#8220;n\u00e3o, n\u00f3s j\u00e1 temos a de planejamento, e isso inclui a avalia\u00e7\u00e3o&#8221;. Tem a\u00ed duas vis\u00f5es colocadas muito fortemente, oriundas dos Conselhos Estaduais ou do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o. Como se avalia\u00e7\u00e3o fosse um assunto de pedagogia, tal qual a avalia\u00e7\u00e3o escolar, e planejamento fosse assunto de economista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s procuramos romper com isso: na Unicamp n\u00f3s temos uma comiss\u00e3o de planejamento estrat\u00e9gico, que \u00e9 respons\u00e1vel pela avalia\u00e7\u00e3o institucional e pelo planejamento estrat\u00e9gico. \u00c9 a mesma comiss\u00e3o, assessorada por um grupo t\u00e9cnico, coordenada pela vice-reitoria, que cuida das duas coisas. Nessa gest\u00e3o conseguimos integrar as duas esferas: a avalia\u00e7\u00e3o institucional \u00e9 o elemento de diagn\u00f3stico, e esse diagn\u00f3stico migra para a constitui\u00e7\u00e3o ou redefini\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o, da identidade organizacional, do macroestrat\u00e9gico, dos objetivos estrat\u00e9gicos e dos indicadores estrat\u00e9gicos. Acho que aqui conseguimos fazer uma coisa diferente, apesar da dicotomia que existe na legisla\u00e7\u00e3o vigente e \u2013 o que pra mim \u00e9 mais grave \u2013 na cultura organizacional: o planejamento est\u00e1 de um lado e resumido a um conjunto de n\u00fameros, sem olhar o que se passa na gest\u00e3o e na sala de aula, e a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelas CPAs, absolutamente divorciada dos objetivos, das metas, daquilo que se pretende ser. Aqui conseguimos romper com essa dicotomia, fazendo o processo de avalia\u00e7\u00e3o e, na sequ\u00eancia, usando os insumos da avalia\u00e7\u00e3o para o planejamento e para a constru\u00e7\u00e3o dos objetivos estrat\u00e9gicos e dos indicadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas quero ressaltar que \u00e9 um problema cultural e da cultura interna de cada universidade. Ele se expressa na legisla\u00e7\u00e3o vigente, mas \u00e9 cultural, e n\u00f3s estamos tentando n\u00e3o aderir \u00e0 letra r\u00edgida da norma, cumprindo todos os requisitos da norma. Isto \u00e9: temos avalia\u00e7\u00e3o institucional e planejamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quais s\u00e3o os impactos da pandemia no planejamento e na gest\u00e3o das universidades, tanto na Unicamp quanto no cen\u00e1rio mais macro?<\/strong><br><strong>Teresa<\/strong> &#8211; N\u00f3s conclu\u00edmos nossa avalia\u00e7\u00e3o institucional no meio da pandemia, portanto, ela est\u00e1 influenciada pela pandemia. Todas as entrevistas com a comiss\u00e3o internacional de avalia\u00e7\u00e3o que n\u00f3s constitu\u00edmos foram feitas de modo remoto, e foi muito interessante a experi\u00eancia, porque foi nova para a gente organizar e para eles fazerem. Os resultados foram muito positivos, as cr\u00edticas e os elogios foram muito pertinentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O planejamento tamb\u00e9m foi feito de forma remota e, portanto, altamente contaminado pela situa\u00e7\u00e3o da pandemia. Mas eu acho que essa situa\u00e7\u00e3o vai trazer para as universidades, principalmente as p\u00fablicas, algumas consequ\u00eancias importantes que as universidades que tiverem bons indicadores v\u00e3o conseguir perceber. Por exemplo: a nossa taxa de evas\u00e3o ser\u00e1 maior ou menor do que a anterior \u00e0 pandemia? Vamos ter que cuidar desse assunto, n\u00e3o podemos simplesmente perder os alunos e deix\u00e1-los sem forma\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 um grande desafio, e as universidades est\u00e3o discutindo pouco isso, na minha vis\u00e3o. Um outro reflexo: se formaram, por autoagrega\u00e7\u00e3o, v\u00e1rios grupos novos de pesquisas interdisciplinares. N\u00e3o podemos perder esse capital, porque essa \u00e9 a pesquisa do futuro. N\u00f3s temos estat\u00edstico trabalhando com m\u00e9dico, bi\u00f3logo, epidemiologista; o matem\u00e1tico faz a modelagem, o desenvolvimento de novos equipamentos; novos processos de tratamento de pacientes que juntam fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, m\u00e9dicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s formamos um capital acad\u00eamico novo da pesquisa mais integrada, da pesquisa com resultado l\u00e1 na ponta. Isso n\u00e3o significa uma pesquisa aplicada, pura e simplesmente, uma pesquisa operacional, mas a gera\u00e7\u00e3o de um monte de conhecimentos nesse caminho percorrido.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Acho que, ap\u00f3s a pandemia, se n\u00f3s soubermos aproveitar esse capital \u2013 que j\u00e1 existia, mas foi organizado de forma diferente \u2013, o Brasil dar\u00e1 um salto de qualidade na pesquisa e na inova\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 relevante se os governos n\u00e3o atrapalharem em termos de financiamento \u2013 e esse &#8220;se&#8221; \u00e9 bom grifar. A minha vis\u00e3o \u00e9 que o futuro acad\u00eamico encontrou um bom rumo e n\u00f3s n\u00e3o podemos perder esse capital organizado e gerado durante a pandemia&#8221;<\/p><cite>Teresa Atvars<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gest\u00e3o tamb\u00e9m foi impactada: de uma hora para outra, a caravela foi jogada para o Cabo Horn e a universidade teve que operar de modo remoto, sem saber fazer, sem tecnologia, sem comunica\u00e7\u00e3o, sem receita, sem nada. E est\u00e1 fazendo. Do ponto de vista da gest\u00e3o, se a gente n\u00e3o perder esse capital, n\u00f3s vamos melhorar muito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Milena &#8211;<\/strong> Os aspectos positivos a Teresa comentou, e eu concordo integralmente com a pesquisa integrada, interdisciplinar, orientada por problemas. Chegamos a\u00ed no que Gibbons chama de modo dois de produ\u00e7\u00e3o do conhecimento. For\u00e7ado, mas chegamos. Mas eu adicionaria o trabalho remoto: houve uma ressignifica\u00e7\u00e3o do trabalho administrativo que ainda a gente n\u00e3o consegue mensurar do ponto de vista de sa\u00fade do trabalhador. A Unicamp fez um levantamento recente sobre ensino e trabalho remoto com cerca de 20 mil respondentes, e conseguimos visualizar que em alguns casos \u00e9 poss\u00edvel realizar trabalho administrativo a dist\u00e2ncia. Claro que existe a quest\u00e3o do cen\u00e1rio: para algumas pessoas, como as que t\u00eam crian\u00e7as, \u00e9 muito dif\u00edcil, mas outras pessoas conseguem lidar com a vida dom\u00e9stica e a vida profissional de forma muito positiva, apesar das estat\u00edsticas da covid-19. Mais do que valorar se o trabalho remoto \u00e9 positivo ou negativo, eu queria destacar essa ressignifica\u00e7\u00e3o dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o aspecto negativo que eu queria ressaltar \u00e9 a quest\u00e3o do financiamento. Ainda que a Unicamp tenha conseguido subsistir muito bem, n\u00e3o estamos numa situa\u00e7\u00e3o ruim, mas, no caso das paulistas, o impacto da pandemia na economia gera diretamente uma diminui\u00e7\u00e3o na receita. Isso afeta a capacidade de financiamento das universidades. Esse ponto traz uma dificuldade: no momento em que temos uma queda de or\u00e7amento, o planejamento fica como uma pe\u00e7a simb\u00f3lica, porque todos os projetos que eu tinha pensado, aqueles que dependem de grandes recursos, n\u00e3o s\u00e3o mais fact\u00edveis. Um outro ponto que tamb\u00e9m est\u00e1 nesse levantamento \u00e9 relativo a uma quest\u00e3o geracional: uns est\u00e3o trabalhando demais e outros n\u00e3o conseguem lidar com as ferramentas remotas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Voc\u00eas mencionaram a quest\u00e3o da autonomia financeira das universidades estaduais paulistas. Quais s\u00e3o as particularidades que permitem essa maior autonomia?<\/strong><br><strong>Teresa &#8211; <\/strong>A administra\u00e7\u00e3o das universidades estaduais no passado dependia fundamentalmente do estado de S\u00e3o Paulo, e isso criava um v\u00ednculo pol\u00edtico-partid\u00e1rio muito forte e inconveniente para as universidades. Havia uma depend\u00eancia pol\u00edtica muito grande. Aqui tem um ponto interessante: devido \u00e0s liga\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, a Unicamp liderou um processo que a gente chamou de &#8220;autonomia de gest\u00e3o financeira e or\u00e7ament\u00e1ria&#8221;. Havia uma forte rela\u00e7\u00e3o entre o reitor da Unicamp e secret\u00e1rios de Estado, e o Instituto de Economia da Unicamp era muito forte politicamente. Resolveu-se, ent\u00e3o, fixar o or\u00e7amento das universidades com base num percentual de arrecada\u00e7\u00e3o do ICMS, de modo que se tornava absolutamente independente da vontade do governador. Celebramos, em 2019, 30 anos dessa experi\u00eancia, e isso d\u00e1 \u00e0 universidade a capacidade de prever e de tomar decis\u00f5es sobre onde aplicar os recursos. Isso tem muitas vantagens, porque realmente permite planejar, permite uma razo\u00e1vel independ\u00eancia pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao governador &#8211; e a inger\u00eancia pol\u00edtica pode ser muito reduzida. Com isso, acho que viemos fazendo uma trajet\u00f3ria de crescimento e desenvolvimento qualificados. Se compararmos as estaduais brasileiras com as tr\u00eas universidades estaduais paulistas, o desenvolvimento, a independ\u00eancia e a autonomia que n\u00f3s temos \u00e9 muito maior, justamente porque temos autonomia de gest\u00e3o financeira e or\u00e7ament\u00e1ria. Se olharmos as universidades estaduais brasileiras \u2013 e s\u00e3o muitas, acho que chegam perto de 50 \u2013, as que t\u00eam o maior desenvolvimento e a grande lideran\u00e7a s\u00e3o as tr\u00eas estaduais paulistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, quando temos um reitor com pouco compromisso com a sustentabilidade financeira, a gente sofre bastante. E quando a gente tem crise financeira, como estamos vivendo desde 2013, tamb\u00e9m sofre bastante, porque cai a arrecada\u00e7\u00e3o e cai o nosso or\u00e7amento. A gente tem um conjunto de despesas fixas, ent\u00e3o a gest\u00e3o se torna mais cr\u00edtica nos momentos de crise do que nos momentos de bonan\u00e7a. Ou seja, essa autonomia de gest\u00e3o financeira e or\u00e7ament\u00e1ria tem um b\u00f4nus, que refor\u00e7a a autonomia, e um \u00f4nus, que \u00e9 a maior responsabilidade com a gest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No geral, eu diria que \u00e9 muito positivo e que temos tido 30 anos de sucesso. Olhando para o per\u00edodo todo, tivemos um crescimento exponencial de todas as atividades acad\u00eamicas, e acho que isso \u00e9 um valor de que n\u00f3s n\u00e3o abriremos m\u00e3o. Todos os governos (ou a maioria deles) tentam sempre dar um cutuc\u00e3o na nossa autonomia de gest\u00e3o financeira e or\u00e7ament\u00e1ria, e o sistema resiste. Ent\u00e3o temos um bom trajeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nas universidades federais, algo que tem sido bastante debatido \u00e9 a forma de escolha dos dirigentes, tanto pela quest\u00e3o da paridade nas consultas internas quanto pelas nomea\u00e7\u00f5es feitas pela atual presid\u00eancia. Como \u00e9 poss\u00edvel conciliar esse planejamento de longo prazo com as disputas internas e os ciclos de gestores? Como n\u00e3o deixar o planejamento t\u00e3o suscet\u00edvel a esses fatores?<\/strong><br><strong>Teresa &#8211;<\/strong> Eu acho que esse \u00e9 o grande desafio, porque sempre ocorre a descontinuidade quando as equipes mudam. Voc\u00ea sai de uma equipe que tem quatro anos de experi\u00eancia para uma equipe que tem zero anos de experi\u00eancia, ent\u00e3o a descontinuidade \u00e9 natural. O que n\u00e3o pode ter descontinuidade s\u00e3o as coisas substantivas. Por exemplo, se eu tenho um plano de expans\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o e tenho isso planejado, eu devo manter. Para isso, n\u00f3s temos na Unicamp uma comiss\u00e3o de planejamento estrat\u00e9gico, um subconjunto do Conselho Universit\u00e1rio que aprova os projetos. Se o projeto est\u00e1 aprovado e um novo reitor n\u00e3o quiser aquele projeto, ele, portanto, tem o \u00f4nus pol\u00edtico de propor a revoga\u00e7\u00e3o dessa atividade. No caso particular da Unicamp, \u00e9 isso que garante essa continuidade nos projetos substantivos. A forma de gest\u00e3o &#8211; quem vai assessorar, como que \u00e9 a personalidade, etc. -, isso \u00e9 uma caracter\u00edstica de cada gest\u00e3o, de cada ser humano que vai ocupar certa fun\u00e7\u00e3o. Mas o que a gente fez na Unicamp \u00e9 ter essa comiss\u00e3o que valida e aprova os projetos \u2013 e os recursos, quando necess\u00e1rio. Essa \u00e9 a garantia que a gente conseguiu estruturar dentro da universidade. Os planejamentos s\u00e3o quinquenais, da mesma forma a avalia\u00e7\u00e3o institucional e, com isso, a gente garante que as coisas continuem ocorrendo. Acho que outra garantia de que alguns projetos continuar\u00e3o s\u00e3o os resultados, que \u00e9 o que os legitima. Um projeto sem resultado n\u00e3o tem legitimidade pra continuar. Os nossos projetos t\u00eam continuidade tamb\u00e9m porque t\u00eam resultado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No livro a gente fez uma trajet\u00f3ria assim: &#8220;Olha, est\u00e1 aqui a parte conceitual, o que a gente pensa em termos de fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, e est\u00e1 aqui um m\u00e9todo de fazer projetos, sempre com aprova\u00e7\u00e3o de um conselho superior e sempre com um conjunto de entregas peri\u00f3dicas, acompanhadas, que mostram os resultados&#8221;. Foi um pouco isso que a gente tentou fazer: desenvolvemos toda uma metodologia, todo um trabalho de base muito qualificado. \u00c9 uma metodologia que serve para a Unicamp e pode ser que n\u00e3o sirva para outra universidade. Eu vejo dessa forma: as mudan\u00e7as de gest\u00e3o v\u00e3o colocar a sua filosofia de trabalho mas n\u00e3o v\u00e3o descontinuar os projetos com resultado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre essa inger\u00eancia nas designa\u00e7\u00f5es da alta c\u00fapula universit\u00e1ria&#8230; Na minha \u00e1rea, a F\u00edsico-Qu\u00edmica, temos uma coisa assim: voc\u00ea tem uma fun\u00e7\u00e3o e voc\u00ea pode gerar duas coisas, calor ou trabalho. Quando voc\u00ea gera muito calor, voc\u00ea gera pouco trabalho. A gente t\u00e1 gerando calor, calor, calor&#8230; por conta dessas picuinhas pol\u00edticas, consumindo a energia da universidade sem produ\u00e7\u00e3o de valores agregados fundamentais: ci\u00eancia, tecnologia, inova\u00e7\u00e3o, cultura, aluno, etc. Isso consome a energia da institui\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o aquele produto que n\u00f3s gostar\u00edamos de entregar \u00e0 sociedade, que \u00e9 o resultado do trabalho, passa a ser muito menos do que o potencial que n\u00f3s temos de produ\u00e7\u00e3o. Isso incomoda muito a academia; a academia se desmotiva, as pessoas deixam de apresentar projetos porque n\u00e3o vai ter dinheiro mesmo &#8211; e deixam de orientar um aluno porque n\u00e3o tem bolsa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o vai sofrer uma nova intercorr\u00eancia, porque o presidente da Capes foi demitido ad hoc \u2013 bom, foi nomeado ad hoc tamb\u00e9m. Mas s\u00e3o descontinuidades desnecess\u00e1rias para um sistema que precisa funcionar e precisa ter perspectiva de longo prazo: um projeto de doutorado n\u00e3o dura menos que quatro anos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Ent\u00e3o, se de um lado eu vejo uma efervesc\u00eancia enorme nas boas universidades p\u00fablicas brasileiras, que est\u00e3o se reorganizando, se reinventando, se rearticulando na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento, mantendo o ensino remoto a duras penas, por outro lado eu vejo uma desarticula\u00e7\u00e3o completa do ponto de vista do seu financiamento e da sua inser\u00e7\u00e3o no projeto de desenvolvimento nacional \u2013 que eu n\u00e3o vejo qual \u00e9&#8221;<\/p><cite>Teresa Atvars<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nosso livro surge num momento muito importante, \u00fanico, porque diz: &#8220;Olha, se a gente planejar, a gente melhora&#8221;. E vejo o Brasil trabalhando de modo inverso, isto \u00e9, &#8220;n\u00e3o vamos planejar para piorar&#8221;. A minha percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o livro pode ser at\u00e9 um livro de provoca\u00e7\u00e3o mesmo, se a gente olhar o cen\u00e1rio que estamos vivendo. Ele fala de autonomia, planejamento, Estado, necessidade da gest\u00e3o qualificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Milena &#8211;<\/strong> Primeiro, a inger\u00eancia nas nomea\u00e7\u00f5es \u00e9 parte de um projeto, o projeto de desmonte, e come\u00e7a por a\u00ed. Esse exemplo da Teresa, calor versus trabalho, \u00e9 muito claro: s\u00f3 gera um descontentamento t\u00e3o grande que ningu\u00e9m consegue fazer nada, porque isso consome em todos os sentidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lembrei agora do presidente da Capes saindo justamente na entrega do Sucupira <em>[sistema da Capes usado para classificar a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o]<\/em>. Os programas elaboram relat\u00f3rio, t\u00eam um trabalho descomunal, e todo o primeiro e segundo escal\u00e3o da Capes sai antes de come\u00e7ar a processar os relat\u00f3rios. O n\u00edvel de inseguran\u00e7a sobre se as m\u00e9tricas vai continuar: o que isso gera, se vai ou n\u00e3o ter renova\u00e7\u00e3o da nota do programa&#8230; Voc\u00ea desestrutura o sistema, gera inseguran\u00e7a e incerteza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu segundo coment\u00e1rio \u00e9 sobre a quest\u00e3o da paridade. Esse n\u00e3o \u00e9 um ponto pacificado. No caso da Unicamp, n\u00f3s temos os 70-30 <em>[o voto dos docentes t\u00eam peso de 70%, enquanto funcion\u00e1rios e alunos 15% cada]<\/em>. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que temos um complexo grande da \u00e1rea da sa\u00fade dentro da Unicamp \u2013 ali\u00e1s, a Unicamp \u00e9 a \u00fanica das tr\u00eas paulistas que ainda tem toda a \u00e1rea assistencial, o que representa 1\/3 dos funcion\u00e1rios. Quando eu penso na paridade, eu penso assim: n\u00f3s vamos orientar um projeto que visa ao ensino, \u00e0 pesquisa e \u00e0 extens\u00e3o, ou vamos impulsionar um outro projeto que visa \u00e0 assist\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por um lado, eu concordo que os funcion\u00e1rios poderiam ter uma propor\u00e7\u00e3o um pouco maior; por outro, temos que ver qual \u00e9 esse funcion\u00e1rio. N\u00f3s vamos pensar em eleger projetos de ensino, pesquisa e extens\u00e3o, ou de assist\u00eancia? A assist\u00eancia, \u00e9 claro, tem legitimidade e tem toda a rela\u00e7\u00e3o com o ensino, a pesquisa e a extens\u00e3o. Mas isso me preocupa porque n\u00e3o somos uma federal, em que o sal\u00e1rio de qualquer servidor est\u00e1 garantido. O nosso sal\u00e1rio est\u00e1 garantido desde que a gente tenha or\u00e7amento, ent\u00e3o qualquer desbalan\u00e7o pode ter impacto direto na contrata\u00e7\u00e3o de docentes, que \u00e9 a nossa atividade. N\u00f3s n\u00e3o somos SUS, ainda que cumpramos um papel na assist\u00eancia de alta complexidade, somos uma &#8220;perna&#8221; do SUS. N\u00f3s n\u00e3o somos um hospital com uma universidade, somos uma universidade com um hospital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A paridade ainda n\u00e3o \u00e9 um ponto pacificado e n\u00e3o sei se ser\u00e1 em curto prazo. Acho que tem que ser discutido, sim, mas temos que pensar primeiro em como n\u00f3s estamos \u2013 e estou falando da Unicamp, n\u00e3o das federais, porque \u00e9 outra l\u00f3gica. E \u00e9 um ponto de vista pessoal meu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Teresa &#8211;<\/strong> Eu sou completamente contra a paridade. A universidade \u00e9 um lugar onde as pessoas t\u00eam diferentes experi\u00eancias em fun\u00e7\u00e3o da sua fun\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o um professor circula e dialoga com funcion\u00e1rios, estudantes, comunidade externa, ag\u00eancias de fomento, empresas, conv\u00eanios, contratos, intera\u00e7\u00f5es com os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos externos e assim por diante. Ele carrega, portanto, uma experi\u00eancia, uma viv\u00eancia e objetivos que s\u00e3o completamente distintos daqueles dos estudantes e daqueles dos funcion\u00e1rios. Logo esse n\u00edvel de representatividade que os docentes t\u00eam que ter nos conselhos e nos processos de consulta para dirigente tem necessariamente que ser absolutamente distintos. Eu vejo como preocupante essa vis\u00e3o da paridade. Falo isso desde sempre, e a minha convic\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 que a paridade n\u00e3o \u00e9 boa para a universidade: ela torna a universidade mais sindical e mais corporativa. Acho que isso \u00e9 um grande erro que nos levar\u00e1 no futuro \u00e0 perda da autonomia. Esse \u00e9 um primeiro aspecto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo aspecto \u00e9 que os estudantes s\u00e3o transit\u00f3rios. Eles entram e daqui a um tempo saem. O que significa que a viv\u00eancia deles na universidade \u00e9 uma viv\u00eancia tamb\u00e9m transit\u00f3ria, e as experi\u00eancias que os estudantes t\u00eam se limitam \u00e0s viv\u00eancias entre estudantes e as viv\u00eancias dentro do curso. H\u00e1 muito pouco uma viv\u00eancia integral em rela\u00e7\u00e3o ao conjunto de outras a\u00e7\u00f5es, da porta para fora, a menos que haja, eventualmente, um projeto de pesquisa ou de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa n\u00e3o criar canais para ouvir os estudantes, mas significa, sim, dizer que cada um na universidade tem um papel, e esses pap\u00e9is s\u00e3o distintos em termos de amplitude e em termos de responsabilidade. Novamente \u00e9 uma discuss\u00e3o que vai produzir muito calor e pouco resultado.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista | Organizadoras de livro sobre gest\u00e3o e planejamento no servi\u00e7o p\u00fablico, docentes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) falam sobre os impactos da pandemia nas universidades, na gest\u00e3o e na autonomia universit\u00e1rias<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/milena-serafim-e-teresa-atvars-com-a-pandemia-formamos-um-novo-capital-academico-o-da-pesquisa-integrada-e-interdisciplinar-essa-e-a-pesquisa-do-futuro\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":185,"featured_media":32863,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[604],"tags":[152,2165,1119,185],"ppma_author":[2944],"class_list":["entry","author-mirianbarradas","has-excerpt","post-32019","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entrevistas","tag-autonomia-universitaria","tag-gestao-universitaria","tag-planejamento","tag-servico-publico"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Milena Serafim e Teresa Atvars: \u201cCom a pandemia, formamos um novo capital acad\u00eamico: o da pesquisa integrada e interdisciplinar. 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