{"id":32232,"date":"2021-05-20T09:25:00","date_gmt":"2021-05-20T12:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=32232"},"modified":"2023-11-07T16:08:40","modified_gmt":"2023-11-07T19:08:40","slug":"epistemicidio-e-o-apagamento-estrutural-do-conhecimento-africano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/epistemicidio-e-o-apagamento-estrutural-do-conhecimento-africano\/","title":{"rendered":"Epistemic\u00eddio e o apagamento estrutural do conhecimento africano"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Filosofia | Pesquisadores defendem que o processo de morte simb\u00f3lica dos corpos de pensamento originados na \u00c1frica \u00e9 resultado de uma sociedade que supervaloriza os ideais ocidentais<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>Foto de capa: Leonardo Savaris\/Arquivo pessoal 03 dez. 2015<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Epistemic\u00eddio \u00e9 um termo criado pelo soci\u00f3logo e estudioso das epistemologias do Sul Global, Boaventura de Sousa Santos, para explicar o processo de invisibiliza\u00e7\u00e3o e oculta\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es culturais e sociais n\u00e3o assimiladas pelo \u2018saber\u2019 ocidental. Esse processo \u00e9 fruto de uma estrutura social fundada no colonialismo europeu e no contexto de domina\u00e7\u00e3o imperialista da Europa sobre esses povos. Para Alan Alves Brito, professor no Instituto de F\u00edsica e pesquisador do N\u00facleo de Estudos Afro-brasileiros, Ind\u00edgenas e Africanos, as estruturas opressoras formadas pela coloniza\u00e7\u00e3o do pensamento exterminam os corpos de pensamento africanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Raquel da Silva Silveira, coordenadora-geral do N\u00facleo de Extens\u00e3o e Pesquisas Antirracistas da Psicologia (Neparpsi), pontua que as rela\u00e7\u00f5es raciais tamb\u00e9m produzem a inferioriza\u00e7\u00e3o do conhecimento africano, constituindo-se, a partir da\u00ed, uma viol\u00eancia intelectual. &#8220;No genoc\u00eddio, efetivamente, na morte f\u00edsica, mas tamb\u00e9m na morte simb\u00f3lica&#8221;, completa. Sendo assim, deve-se enxergar o racismo n\u00e3o somente no campo individual, mas como uma estrutura organizacional da sociedade. A estudante de Fonoaudiologia e volunt\u00e1ria do Neparpsi, Let\u00edcia Ludovico, observa: \u201cTodos esses campos estruturais, que fazem que a gente exista enquanto sociedade, est\u00e3o intrinsecamente ligados ao racismo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que utilizarmos produtos do conhecimento ocidental, somos, portanto, continuamente condicionados a ele a partir de potentes \u00f3rg\u00e3os institucionais, como a escola e a igreja, que formam uma montagem estrutural dif\u00edcil de ser desfeita. Jos\u00e9 Rivair Macedo, docente do Departamento de Hist\u00f3ria do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, diz que a resolu\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o \u00e9 o estudo das formas de pensar sob uma \u00f3tica diferente, reconhecendo a falsa universalidade do conhecimento ocidental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;S\u00e3o diferentes formas de humanidade, s\u00f3 que uma forma de pensar a humanidade pretende a universalidade e, ao pretender essa universalidade, ela acaba impondo par\u00e2metros a partir de seus referenciais, como se seus referenciais pudessem ser v\u00e1lidos para outros. Esse \u00e9 o problema&#8221;<\/p>\n<cite>Jos\u00e9 Rivair Macedo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que se possa avan\u00e7ar no sentido de decolonizar nosso pensamento, Alan prop\u00f5e que repensemos a hist\u00f3ria sob novos referenciais ontol\u00f3gicos e epistemol\u00f3gicos e levemos em conta as humanidades que o projeto de modernidade desumanizou. Raquel concorda ao citar o fil\u00f3sofo africano Kabenguele Munanga, que falava em favor do reconhecimento de diferentes pensamentos: \u201cPara que a vida prospere, ela precisa ser m\u00faltipla, precisa ter muita diversidade. Se vier um v\u00edrus, mata tudo se for todo mundo igual, ent\u00e3o tu precisa de \u00e1rvores diferentes, flores diferentes, pessoas diferentes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Novas perspectivas na Hist\u00f3ria e Filosofia<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a constru\u00e7\u00e3o da sociedade sendo fundada em conceitos ocidentais, at\u00e9 as mais espec\u00edficas \u00e1reas do conhecimento se tornam unilaterais e obedecem \u00e0 ordem da ideia europeia hegem\u00f4nica. Mateus Vict\u00f3ria da Silva, estudante de Psicologia e bolsista do Neparpsi, destaca a escritora nigeriana&nbsp;Chimamanda Ngozi Adichie, que fala sobre a perspectiva da Hist\u00f3ria \u00fanica. Mateus completa: &#8220;Quando&nbsp;a gente s\u00f3 tem uma perspectiva, um lado da Hist\u00f3ria, a gente acaba conhecendo o mundo de maneira estereotipada, muito preconceituosa e, no nosso caso, que vivemos em uma sociedade de supremacia branca, isso quer dizer conhecer o mundo a partir da Europa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Hist\u00f3ria, para acessar novas perspectivas, temos de reconhecer a constru\u00e7\u00e3o das narrativas e de onde elas prov\u00eam. Por isso, Jos\u00e9 Rivair frisa que a quest\u00e3o colocada pela educa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais em ensino de Hist\u00f3ria Africana e Afro-Brasileira \u00e9 uma quest\u00e3o epistemol\u00f3gica, na medida em que se est\u00e1 procurando incentivar outras formas de acesso ao mundo africano presente entre n\u00f3s. \u201cOs africanos n\u00e3o ficaram isentos da domina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do per\u00edodo colonial. Ent\u00e3o, muitas vezes, inclusive no Brasil, a nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma aproxima\u00e7\u00e3o com sociedades africanas tradicionais anteriores ao per\u00edodo colonial na \u00c1frica. E essas perspectivas tradicionais podem ser o referencial que estamos pensando aqui. E se assim o \u00e9. O problema n\u00e3o diz respeito a conte\u00fado, mas ao modo de estudar, e o que considerar como saber, valor civilizat\u00f3rio e conhecimento\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O docente ainda observa que, no processo hist\u00f3rico, os africanos foram tomados como objetos de estudo e interpreta\u00e7\u00e3o, e que, agora, passaram a lutar por sua autodetermina\u00e7\u00e3o, reivindicando o dom\u00ednio sobre a express\u00e3o de sua subjetividade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Filosofia, entretanto, ainda n\u00e3o h\u00e1 um consenso. O historiador frisa que a pr\u00f3pria palavra \u2018filosofia\u2019 e seu significado j\u00e1 est\u00e3o ligados a uma perspectiva europeia. Sendo assim, h\u00e1 grupos de pesquisa que preconizam um afroperspectivismo \u2013 assim chamado pelo fil\u00f3sofo brasileiro Renato Nogueira \u2013 e buscam o estudo de pensadores africanos anteriores \u00e0 Gr\u00e9cia Antiga. \u201cS\u00e1bios eg\u00edpcios, embora n\u00e3o recebam o nome de fil\u00f3sofos, no sentido de que a palavra filosofia \u00e9 posterior, desempenhavam esse papel e influenciaram, inclusive, o pensamento grego.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, para Jos\u00e9 Rivair, temos diferentes formas de pensar em uma \u2018Filosofia Africana\u2019 a partir do momento em que textos s\u00e3o produzidos no continente, mas alguns utilizando o estudo da Filosofia Ocidental como base. O fil\u00f3sofo costa-marfinense Paulin J. Hountondji prop\u00f5e que a Filosofia Africana \u00e9 um conjunto de textos e, por extens\u00e3o, os autores desses textos, ou seja, que os estudiosos n\u00e3o precisam estar lidando com tem\u00e1ticas do continente para serem fil\u00f3sofos. A\u00ed nasce o debate sobre a pr\u00f3pria natureza da Filosofia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os autores africanos percebem que o conceito de \u2018filosofia\u2019 ou de \u2018pensamento ocidental\u2019, baseado na raz\u00e3o instrumental e no individualismo, n\u00e3o \u00e9 suficiente para dar conta de quest\u00f5es que s\u00e3o estruturalmente diferentes no continente africano. Ent\u00e3o quando eles contestam \u00e9 porque a pr\u00f3pria palavra \u2018filosofia\u2019 e a pr\u00f3pria ideia de filosofia \u00e9 limitada para expressar quest\u00f5es que est\u00e3o colocadas em uma forma de pensamento que n\u00e3o d\u00e1 conta de indiv\u00edduos, mas de coletivos&#8221;<\/p>\n<cite>Jos\u00e9 Rivair Macedo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da\u00ed, muitos negam a exist\u00eancia da Filosofia Africana, inclusive autores e fil\u00f3sofos africanos, dizendo que, no m\u00e1ximo, poderia se caracterizar como uma etno-filosofia. Alan discorda disso ao sinalizar a assimila\u00e7\u00e3o da narrativa de domina\u00e7\u00e3o ocidental e de como isso leva at\u00e9 mesmo os pensadores africanos a negarem a pot\u00eancia do continente. &#8220;O projeto ocidental de modernidade, o tempo inteiro, tenta colocar o continente africano, as pessoas africanas e negras, como inferiores intelectualmente, como incapazes de autorreflex\u00e3o, de autocr\u00edtica, de criar um sistema robusto de pensamento, como \u00e9 uma filosofia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A gente precisa viver a vida com pensamento; ent\u00e3o, voc\u00ea vive a vida com pensamento a partir de uma \u00fanica perspectiva, que \u00e9 essa perspectiva eurocentrada do \u2019penso, logo existo\u2019. Quando englobo a cultura africana, eu rompo com isso, porque toda essa filosofia, esse pensamento, o modo de vida do continente africano nas v\u00e1rias etnias, l\u00ednguas, nessa diversidade que t\u00e1 ali, vai muito al\u00e9m do pensar para existir. \u00c9 um outro projeto civilizat\u00f3rio, \u00e9 um outro marco, ubuntu, eu sou porque n\u00f3s somos.&#8221;<\/p>\n<cite>Alan Alves Brito<\/cite><\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Leonardo-Savaris-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32412\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Leonardo-Savaris-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Leonardo-Savaris-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Leonardo-Savaris-1-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Leonardo-Savaris-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Leonardo-Savaris-1-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Leonardo-Savaris-1-695x463.jpg 695w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Leonardo-Savaris-1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Leonardo Savaris\/Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">A liberta\u00e7\u00e3o da Psicologia e os impactos na subjetividade do negro<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Martinbar\u00f3 \u00e9 um pensador e precursor da Psicologia de Liberta\u00e7\u00e3o, que diz que temos urg\u00eancia de libertar a Psicologia de suas amarras imperiais e, assim, abrir caminho para que outras psicologias sejam produzidas, como as culturas locais origin\u00e1rias milenares, abrir para o di\u00e1logo entre diferentes vis\u00f5es de mundo. Simone Gibran Nogueira, doutora no Programa de Estudos P\u00f3s-graduados em Psicologia Social pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP) e pesquisadora sobre Psicologia Africana, ressalta a import\u00e2ncia de uma descoloniza\u00e7\u00e3o da Psicologia, deixando de v\u00ea-la como uma ci\u00eancia euro-americana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Simone explica que h\u00e1 tr\u00eas vertentes de uma Psicologia Negra, com a primeira tratando do indiv\u00edduo negro a partir de perspectivas euro-americanas. A segunda passa a olhar para o grupo social das pessoas negras e para a opress\u00e3o social e racial hist\u00f3rica que sofrem, o impacto do racismo na subjetividade desse grupo social, mas ainda usando as mesmas refer\u00eancias. Na terceira, encontramos novamente a ideia de grupo social, contudo, dessa vez, com bases te\u00f3ricas e epistemol\u00f3gicas fundadas em culturas tradicionais milenares africanas. Simone, entretanto, admite, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s outras bases te\u00f3ricas, que o estudo sobre Psicologia Africana ainda \u00e9 muito parco, sobretudo no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse processo, o estudo da psique tamb\u00e9m se torna unilateral, n\u00e3o atendendo \u00e0s especificidades \u00e9tnico-raciais impostas na sociedade. Mateus revela que nunca havia considerado o estudo da Psicologia a partir de vertentes africanas, enquanto Raquel conta que ainda n\u00e3o h\u00e1 muitas pesquisas em rela\u00e7\u00e3o a isso na UFRGS, mas que, com a implanta\u00e7\u00e3o da Lei de Cotas, aconteceram mudan\u00e7as: &#8220;A entrada dos estudantes negros vai tensionar isso completamente dentro da sala de aula, porque eles v\u00e3o dizer: &#8216;Opa, o que voc\u00eas est\u00e3o falando a\u00ed? Que psiquismo \u00e9 esse? Cad\u00ea o sofrimento do racismo?'&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pensando em quest\u00f5es como essa, o Neparpsi foi criado, promovendo mais debates com essa quest\u00e3o. Um dos principais projetos \u00e9 o Afroconto e outros contos, em que h\u00e1 a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias com personagens negros e narrativas da \u00c1frica, al\u00e9m da tem\u00e1tica do capacitismo que tamb\u00e9m \u00e9 abordado. Para Let\u00edcia, projetos como esse trabalham diretamente na constru\u00e7\u00e3o social da crian\u00e7a: \u201cA gente pode lembrar de Chimamanda, que ela, l\u00e1 na Nig\u00e9ria, na sua cidade, onde nunca viu neve, o sonho era ver neve, o sonho era ser uma princesa branca, ter o cabelo liso. Olha o impacto na subjetividade dessa crian\u00e7a.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Simone frisa que, nesse processo e na hierarquia racial de desumaniza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 o desenvolvimento de um complexo de inferioridade, quadro em que o negro cresce rejeitando a si mesmo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNo \u00edmpeto de tentar se tornar humano, \u00e9 imposto esse ideal de branquitude. Ent\u00e3o, a pessoa acaba n\u00e3o se aceitando como negra e tem o \u00edmpeto de buscar o desejo da branquitude. Com certeza, se a gente retomar as bases humanas da Psicologia pelo reconhecimento da perspectiva africana e de todos os outros povos milenares, a gente pode contribuir para a corre\u00e7\u00e3o desses erros, que est\u00e3o regendo a nossa vida cotidiana hoje, nossas rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais\u201d<\/p>\n<cite>Simone Gibran Nogueira<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao compartilhar seu processo pessoal, Alan conta que, na primeira vez em que entrou em contato com a cultura Iorub\u00e1, se viu representado. \u201cEu me vejo ali, eu vejo a maneira como fui criado, a rela\u00e7\u00e3o com &#8216;mainha&#8217;, com os vizinhos, as coisas que a gente dizia, que os mais velhos me falavam\u201d, relata, ao assumir que se sente roubado de sua pr\u00f3pria cultura e ao pensar o quanto ter acesso a ela poderia mudar a realidade de diversos jovens pretos e pretas brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os efeitos de uma sociedade baseada em s\u00edmbolos ocidentais e com uma estrutura racista v\u00e3o muito al\u00e9m do que se possa imaginar, com marcas deixadas na individualidade de cada pessoa, mas tamb\u00e9m dentro de um coletivo. Por isso, n\u00e3o podemos continuar com o processo de supervaloriza\u00e7\u00e3o do que vem da Europa e dos Estados Unidos como \u00fanico conhecimento v\u00e1lido. Simone reafirma a import\u00e2ncia de compreender que a \u00c1frica produz Hist\u00f3ria, cultura e conhecimento. \u201cReconhecer isso e lidar com essa diversidade, em di\u00e1logo, no encontro e no conflito tamb\u00e9m.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<section id=\"section-f73c935c-53b0-4dec-bdc9-c7b9c54138f9\" class=\"wp-block-gutentor-author-profile gutentor-section  gutentor-author author-profile-template1 has-gutentor-block-shape-top\"><div class=\"gutentor-block-shape-top\"><span><svg viewBox=\"0 0 1280 140\" preserveAspectRatio=\"none\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><g><path d=\"M0 51.76c36.21-2.25 77.57-3.58 126.42-3.58 320 0 320 57 640 57 271.15 0 312.58-40.91 513.58-53.4V0H0z\" fill-opacity=\".3\" style=\"fill-rule:evenodd;\"\/><path d=\"M0 24.31c43.46-5.69 94.56-9.25 158.42-9.25 320 0 320 89.24 640 89.24 256.13 0 307.28-57.16 481.58-80V0H0z\" fill-opacity=\".5\" style=\"fill-rule:evenodd; \"\/><path d=\"M0 0v3.4C28.2 1.6 59.4.59 94.42.59c320 0 320 84.3 640 84.3 285 0 316.17-66.85 545.58-81.49V0z\" style=\"fill-rule:evenodd; \"\/><\/g><\/svg><\/span><\/div><div class=\"grid-container\"><div class=\"gutentor-block-header\"><div class=\"gutentor-section-title text-center\"><h2 class=\"gutentor-title\">Especial \u00c1frica<\/h2><\/div><\/div><div class=\"gutentor-grid-item-wrap\"><div class=\"gutentor-single-item\"><div class=\"gutentor-single-item-content\"><div class=\"gutentor-single-item-image-box\"><div class=\"gutentor-image-thumb\"><img decoding=\"async\" class=\"normal-image\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mg_9098-1500x1000-1-e1621428597737.jpg\" alt=\"\" height=\"167\" width=\"250\"\/><\/div><\/div><div class=\"gutentor-author-content\"><div class=\"gutentor-author-detail\"><\/div><div class=\"gutentor-single-item-desc\"><p class=\"gutentor-single-item-desc\">As imagens desta edi\u00e7\u00e3o foram feitas por Leonardo Savaris entre 2015 e 2019, mostrando aspectos da experi\u00eancia e da vida de senegaleses em Porto Alegre. S\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es culturais, festas religiosas e celebra\u00e7\u00f5es registradas pelo fot\u00f3grafo, documentando parte da cultura trazida por esses novos imigrantes do s\u00e9culo XXI.<br><br><strong>Leonardo Savaris <\/strong>\u00e9 formado em Fotografia pela Unisinos. Trabalha principalmente com quest\u00f5es sociais e documenta\u00e7\u00e3o da vida cotidiana. Seus trabalhos podem ser vistos em <a href=\"https:\/\/leonardosavaris.com.br\/documental-1\/imigrantes-senegaleses\/\">leonardosavaris.com.br.<\/a><\/p><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/section>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity is-style-default\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filosofia | Pesquisadores defendem que o processo de morte simb\u00f3lica dos corpos de pensamento originados na \u00c1frica \u00e9 resultado de uma sociedade que supervaloriza os ideais ocidentais<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/epistemicidio-e-o-apagamento-estrutural-do-conhecimento-africano\/\">Leia 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