{"id":33143,"date":"2021-06-24T09:15:00","date_gmt":"2021-06-24T12:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=33143"},"modified":"2021-06-28T15:13:41","modified_gmt":"2021-06-28T18:13:41","slug":"somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/","title":{"rendered":"\u201cSomos muito ing\u00eanuos em rela\u00e7\u00e3o ao poder da imagem\u201d, afirma Rosana Paulino"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Entrevista | Com quase 30 anos de trajet\u00f3ria, a artista reflete sobre a hist\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil a partir das feridas traum\u00e1ticas da escravid\u00e3o e do afeto e da resist\u00eancia que sempre estiveram presentes <\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cImagens curam imagens\u201d, acredita Rosana Paulino. A artista, nascida e criada em S\u00e3o Paulo, come\u00e7ou a fazer arte porque muitas inquieta\u00e7\u00f5es estavam presas em sua garganta. Desde o primeiro trabalho de maior repercuss\u00e3o, Parede da Mem\u00f3ria (1994-2015), em que 1500 \u201cpatu\u00e1s\u201c \u2013 pequenos amuletos de prote\u00e7\u00e3o utilizados por religi\u00f5es de matriz africana \u2013 trazem onze retratos de sua fam\u00edlia exibidos repetidamente em uma \u00fanica parede, Rosana convoca o espectador a olhar sem desviar. As imagens que produz, nem sempre de f\u00e1cil digest\u00e3o, te encaram: \u00e9 a mem\u00f3ria viva do povo negro, a ancestralidade, a dor e o afeto latentes que atravessaram os tempos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Doutora em Artes Visuais pela Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo (ECA\/USP) e especialista em gravura pelo London Print Studio, de Londres, Rosana trabalha com diversos suportes \u2013 fotografia, v\u00eddeo, colagem, escultura, cer\u00e2mica, costura, gravura, instala\u00e7\u00e3o. Em todos eles, desenha narrativas ligadas a quest\u00f5es sociais, \u00e9tnicas e de g\u00eanero, principalmente a partir da posi\u00e7\u00e3o da mulher negra na sociedade brasileira, e \u00e0s viol\u00eancias sofridas por essa popula\u00e7\u00e3o em decorr\u00eancia das estruturas racistas e coloniais do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rosana \u201csutura\u201d os ferimentos causados pela escravid\u00e3o. Interv\u00e9m nos arquivos cient\u00edficos que serviam como base para o racismo cient\u00edfico instaurado no Brasil no s\u00e9culo XIX. Utiliza as mesmas imagens, a partir, segundo ela, \u201cde chaves diferentes\u201d. Em sua po\u00e9tica, subverte a l\u00f3gica colonial, indagando as narrativas oficiais. Vai em busca das mem\u00f3rias sequestradas pela escravid\u00e3o, dos la\u00e7os perdidos, das hist\u00f3rias usurpadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Demorou 21 anos para ter sua obra exposta em uma institui\u00e7\u00e3o como a <a href=\"https:\/\/pinacoteca.org.br\/programacao\/rosana-paulino\/\">Pinacoteca de S\u00e3o Paulo<\/a>. Diferentemente do que se v\u00ea no cen\u00e1rio das artes contempor\u00e2neas hoje, em que a multiplica\u00e7\u00e3o de artistas e narrativas negras \u00e9 cada vez mais presente, quando Rosana come\u00e7ou, o \u201ccubo branco\u201d (as institui\u00e7\u00f5es de arte) era ainda muito branco. Foi praticamente voz \u00fanica na sua gera\u00e7\u00e3o, enquanto artista visual mulher e negra. Atualmente Rosana possui obras em importantes museus, como o MAM &#8211; Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo, o University of New Mexico Art Museum, nos Estados Unidos, e o Museu Afro-Brasil, em S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista ao JU por chamada de v\u00eddeo, a artista explica como a produ\u00e7\u00e3o de imagens sempre foi uma ferramenta de poder e como imagens cient\u00edficas produziram danos, desumanizando o corpo negro, ou, ent\u00e3o, produzindo aus\u00eancias de representa\u00e7\u00f5es. Rosana tece, a partir do pr\u00f3prio trabalho, um novo imagin\u00e1rio \u2013 cr\u00edtico, afetivo e humano \u2013 acerca da hist\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Vi\u0301deo-madeira-paper-clay-impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-lino\u0301leo-e-costura.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel-2013.09.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33662\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Vi\u0301deo-madeira-paper-clay-impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-lino\u0301leo-e-costura.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel-2013.09.jpeg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Vi\u0301deo-madeira-paper-clay-impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-lino\u0301leo-e-costura.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel-2013.09-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Vi\u0301deo-madeira-paper-clay-impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-lino\u0301leo-e-costura.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel-2013.09-156x117.jpeg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Vi\u0301deo-madeira-paper-clay-impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-lino\u0301leo-e-costura.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel-2013.09-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Vi\u0301deo-madeira-paper-clay-impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-lino\u0301leo-e-costura.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel-2013.09-465x349.jpeg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Vi\u0301deo-madeira-paper-clay-impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-lino\u0301leo-e-costura.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel-2013.09-667x500.jpeg 667w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>&#8220;Assentamento&#8221;. V\u00eddeo-madeira-paper-clay-impress\u00e3o-digital-sobre-tecido-lin\u00f3leo-e-costura.-Dimens\u00e3o-vari\u00e1vel-2013<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Paper-clay-madeira-palha-e-corda\u0303o.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel.-Vi\u0301deo-Mar-Distante.-Durac\u0327a\u0303o-do-vi\u0301deo-22-minutos-2013.10.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33660\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Paper-clay-madeira-palha-e-corda\u0303o.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel.-Vi\u0301deo-Mar-Distante.-Durac\u0327a\u0303o-do-vi\u0301deo-22-minutos-2013.10.jpeg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Paper-clay-madeira-palha-e-corda\u0303o.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel.-Vi\u0301deo-Mar-Distante.-Durac\u0327a\u0303o-do-vi\u0301deo-22-minutos-2013.10-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Paper-clay-madeira-palha-e-corda\u0303o.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel.-Vi\u0301deo-Mar-Distante.-Durac\u0327a\u0303o-do-vi\u0301deo-22-minutos-2013.10-156x117.jpeg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Paper-clay-madeira-palha-e-corda\u0303o.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel.-Vi\u0301deo-Mar-Distante.-Durac\u0327a\u0303o-do-vi\u0301deo-22-minutos-2013.10-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Paper-clay-madeira-palha-e-corda\u0303o.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel.-Vi\u0301deo-Mar-Distante.-Durac\u0327a\u0303o-do-vi\u0301deo-22-minutos-2013.10-465x349.jpeg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Paper-clay-madeira-palha-e-corda\u0303o.-Dimensa\u0303o-varia\u0301vel.-Vi\u0301deo-Mar-Distante.-Durac\u0327a\u0303o-do-vi\u0301deo-22-minutos-2013.10-667x500.jpeg 667w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>&#8220;Fardos de M\u00e3os&#8221;. Paper-clay-madeira-palha-e-cord\u00e3o.-Dimens\u00e3o-vari\u00e1vel.-V\u00eddeo-Mar-Distante.-Dura\u00e7\u00e3o-do-v\u00eddeo-22-minutos-2013<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rosana, tu trabalhas quest\u00f5es sociais, \u00e9tnicas e de g\u00eanero a partir da mulher negra na sociedade brasileira. Poderias ter escolhido abordar essas tem\u00e1ticas a partir da antropologia, da hist\u00f3ria, da literatura, por exemplo. Mas escolheste fazer atrav\u00e9s da arte. Por qu\u00ea?&nbsp;<\/strong><br>Na realidade, n\u00e3o \u00e9 a gente que escolhe a arte. \u00c9 sempre o contr\u00e1rio, porque \u00e9 ela que escolhe a gente. \u00c9 uma carreira muito dif\u00edcil, principalmente no Brasil. Ent\u00e3o voc\u00ea acaba indo para ela porque n\u00e3o consegue fazer outra coisa. Sem d\u00favida, eu poderia ter ido pra hist\u00f3ria, pra psicologia, por exemplo. Cheguei a prestar biologia \u2013 que \u00e9 outra \u00e1rea que eu adoro \u2013, mas chega um momento que percebo que eu n\u00e3o consigo ficar sem fazer artes. Isso acaba, inclusive, me afetando fisicamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Percebi que eu estava ficando doente. Comecei a ficar depressiva no per\u00edodo em que, por precisar trabalhar muito cedo, tentei outra \u00e1rea. Trabalhei em um banco e entendi que n\u00e3o dava, que n\u00e3o era para mim. Eu pensei: \u201cDeixa eu sair daqui enquanto ainda posso e vamos para arte, porque eu nasci para fazer isso&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu saio do banco, presto USP e acabo entrando para fazer Artes Visuais na Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes (ECA). Ao mesmo tempo, entrei em biologia na Unicamp, mas acabei priorizando a USP. A arte escolhe a gente de uma tal maneira que, se voc\u00ea n\u00e3o segue \u2013 como foi o meu caso, voc\u00ea come\u00e7a a apresentar sintomas f\u00edsicos mesmo: depress\u00e3o, problemas estomacais, dor de cabe\u00e7a, tendinite. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma quest\u00e3o que aparece j\u00e1 no in\u00edcio da tua trajet\u00f3ria \u00e9 o interesse por outras \u00e1reas, como a biologia.&nbsp;<\/strong><br>Eu gosto muito da ideia do conhecimento e de pensar o ser humano. Eu n\u00e3o consigo pensar em \u201czonas de conhecimento\u201d, em caixinhas de disciplinas, porque, para mim \u00e9 tudo muito integrado. Ent\u00e3o, quando eu penso a quest\u00e3o humana, tanto pode ser atrav\u00e9s da biologia, do conhecimento do corpo, quanto atrav\u00e9s das artes. Eu tinha um interesse muito grande em gen\u00e9tica \u2013 e por isso presto a Unicamp, que bem na \u00e9poca liderava o grande projeto Genoma. Sempre quis entender como a gente se forma.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Nunca deixei de me interessar por pensar o humano, inquirir o que \u00e9 o ser humano, as quest\u00f5es ligadas \u00e0 sociedade. Tanto eu posso ir pela ci\u00eancia \u2013 como \u00e9 algo que tenho estudado bastante nos \u00faltimos anos \u2013 quanto eu posso pensar, por exemplo, nas quest\u00f5es das representa\u00e7\u00f5es dos arqu\u00e9tipos femininos, que \u00e9 o que aparece na \u00faltima s\u00e9rie de desenhos, as B\u00fafalas e as Jatob\u00e1s, as senhoras das plantas. Para mim, isso tudo \u00e9 pensar o que \u00e9 ser humano. E dentro desse recorte, pela minha condi\u00e7\u00e3o de mulher e negra, eu vou focar mais ainda nessas quest\u00f5es<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nos teus trabalhos tu fazes muitas interroga\u00e7\u00f5es. No livro de 2016, o t\u00edtulo \u00e9 Hist\u00f3ria Natural?. Na obra de 2017, tu perguntas Para\u00edso Tropical?. Em Assentamento (2013), tu discutes a quest\u00e3o da ci\u00eancia, mas questionando como ela embasou o racismo cient\u00edfico da \u00e9poca. Como eram essas inquieta\u00e7\u00f5es para ti at\u00e9 esses trabalhos serem criados?&nbsp;<\/strong><br>Eu vou pensar as ci\u00eancias, especificamente no Brasil, dentro da sociedade em que est\u00e3o inseridas. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que teve como pol\u00edtica de Estado a quest\u00e3o das pseudoci\u00eancias, do racismo cient\u00edfico. Isso foi financiado pelo Estado. Essa pol\u00edtica vai levar \u00e0 escolha de se trazerem imigrantes europeus dentro de uma pol\u00edtica de branqueamento da popula\u00e7\u00e3o. A primeira quest\u00e3o \u00e9: como sociedade, n\u00f3s n\u00e3o discutimos isso? N\u00f3s jamais dever\u00edamos ter varrido essa quest\u00e3o para debaixo do tapete. \u00c9 uma quest\u00e3o que agora tem aparecido com mais frequ\u00eancia nas artes, mas que, durante muito tempo, rar\u00edssimas vezes aparecia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Como que a intelectualidade simplesmente varreu isso para debaixo do tapete se \u00e9 fundamental \u00e0 hist\u00f3ria do pa\u00eds?&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o s\u00e3o as artes isoladamente. S\u00e3o as artes interligadas \u00e0 hist\u00f3ria, interligadas \u00e0 sociologia, para a gente tentar entender o que \u00e9 esse pa\u00eds. Sen\u00e3o a gente n\u00e3o consegue entender a quest\u00e3o negra, a quest\u00e3o ind\u00edgena. A gente n\u00e3o consegue entender por que uma pessoa sai para um batizado de manh\u00e3, toma 80 tiros, e o pa\u00eds n\u00e3o para. O que acontece que esse corpo negro \u00e9 t\u00e3o subvalorizado? Se a gente n\u00e3o passar tamb\u00e9m pelas ci\u00eancias, a gente n\u00e3o vai entender.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As ci\u00eancias sempre foram tidas como \u201cneutras\u201d, o que \u00e9 uma grande mentira. A ci\u00eancia nunca foi neutra.&nbsp;E isso ainda \u00e9 uma quest\u00e3o dentro das universidades, principalmente no Brasil. Em um mestrado, um doutorado, dentro das artes, voc\u00ea geralmente tem mais flexibilidade, mas, em muitas \u00e1reas, esse paradigma s\u00f3 est\u00e1 sendo desafiado agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pontos de interroga\u00e7\u00e3o entram, justamente, para sublinhar isso. No caso do livro, o \u00bfHist\u00f3ria Natural?, \u00e9 t\u00e3o forte que eu acabo utilizando o modo como os espanh\u00f3is usam, com os dois sinais de interroga\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio e no fim. Porque essa hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 natural. A hist\u00f3ria das ci\u00eancias n\u00e3o \u00e9 e nunca foi natural. \u00c9 uma hist\u00f3ria cheia de op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Isso n\u00e3o \u00e9 negacionismo. A gente sabe que o negacionismo est\u00e1 aqui, sem d\u00favida nenhuma, e eu, obviamente, n\u00e3o sou negacionista. Mas, por outro lado, a ci\u00eancia tem uma responsabilidade muito grande em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es negras e ind\u00edgenas. N\u00e3o d\u00e1 tamb\u00e9m para a gente passar pano para ela, no sentido de estar fingindo que n\u00e3o existe essa responsabilidade. A ci\u00eancia vai ter que fazer uma revis\u00e3o de seus dogmas em rela\u00e7\u00e3o a essas popula\u00e7\u00f5es e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura das pessoas tamb\u00e9m<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo, a ci\u00eancia era dura, fechada em si. Ela se distanciou da popula\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que se afasta, enquanto as pessoas t\u00eam determinados anseios, a gente entra em um movimento de p\u00eandulo. N\u00e3o \u00e9 que a ci\u00eancia tenha que explicar, por exemplo, o que \u00e9 a morte, se existe vida ap\u00f3s a morte. Nem a religi\u00e3o sabe. Mas que possa dizer: \u201cEu n\u00e3o sei\u201d. Eu sou uma pessoa que gosta muito de ci\u00eancia e, at\u00e9 por gostar tanto, percebo que a ci\u00eancia precisa se reaproximar das pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Precisamos muito pensar qual a responsabilidade da ci\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de uma sociedade como a brasileira<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 uma participa\u00e7\u00e3o pequena. A gente tem que ter um esfor\u00e7o \u2013 e eu me incluo como professora \u2013 para visualizar todo trabalho a ser feito para que a gente traga a ci\u00eancia de volta para a popula\u00e7\u00e3o. Porque seu d\u00e9bito \u00e9 muito grande com a popula\u00e7\u00e3o negra, com as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e com o momento atual do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-tinta-e-costura.-960-x-1100-cm.-2017.07.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33659\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-tinta-e-costura.-960-x-1100-cm.-2017.07.jpeg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-tinta-e-costura.-960-x-1100-cm.-2017.07-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-tinta-e-costura.-960-x-1100-cm.-2017.07-156x117.jpeg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-tinta-e-costura.-960-x-1100-cm.-2017.07-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-tinta-e-costura.-960-x-1100-cm.-2017.07-465x349.jpeg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-tinta-e-costura.-960-x-1100-cm.-2017.07-667x500.jpeg 667w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>&#8220;Para\u00edso Tropical?&#8221;. Impress\u00e3o-digital-sobre-tecido-recorte-tinta-e-costura.-960-x-1100-cm.-2017<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-e-costura.-1270-x-1100-cm.-2017.08.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33658\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-e-costura.-1270-x-1100-cm.-2017.08.jpeg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-e-costura.-1270-x-1100-cm.-2017.08-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-e-costura.-1270-x-1100-cm.-2017.08-156x117.jpeg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-e-costura.-1270-x-1100-cm.-2017.08-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-e-costura.-1270-x-1100-cm.-2017.08-465x349.jpeg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-recorte-e-costura.-1270-x-1100-cm.-2017.08-667x500.jpeg 667w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>&#8220;Atl\u00e2ntico Vermelho&#8221;.Impress\u00e3o-digital-sobre-tecido-recorte-e-costura.-1270-x-1100-cm.-2017<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Parte desse d\u00e9bito da ci\u00eancia com essas popula\u00e7\u00f5es \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s imagens produzidas. Muitas vezes tu fazes uso dessas mesmas imagens de arquivo, das tipologias fision\u00f4micas que eram utilizadas para&nbsp; violentar os corpos de pessoas negras, e tu interv\u00e9m nessas imagens. Tu colocas cora\u00e7\u00f5es, \u00fatero, ra\u00edzes nesses corpos. Poderias comentar um pouco sobre essas \u201ccirurgias\u201d feitas nas imagens?&nbsp;<\/strong><br>Eu acho importante que quando a gente fala do estudo da escravid\u00e3o no Brasil a gente perceba que ele sempre esteve muito atrelado a n\u00fameros. Se sabe mais ou menos quantos milh\u00f5es de escravizados chegaram ao Brasil, mas eu n\u00e3o estou interessada nessas quantidades. Estou interessada no drama humano. Em como isso ainda se reflete nessa popula\u00e7\u00e3o, nesses descendentes. Eu quero entender o que \u00e9 voc\u00ea, em um dia, estar no seu grupo social, entre os seus, e, no outro dia, ser sequestrado, ser colocado no fundo de um navio, ser transportado, e, ainda assim, chegar em um outro pa\u00eds e se refazer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>E al\u00e9m de se refazer, construir, botar um pa\u00eds de p\u00e9. Porque foi isso que os africanos e africanas fizeram&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s estamos falando de traumas, de perdas, de dor. Eu n\u00e3o estava interessada nos n\u00fameros, porque eu queria essa hist\u00f3ria individual. Foi a partir da\u00ed que eu penso: essa mulher, por exemplo, que estou operando com essa imagem, ela teve afetos, ela tem uma cultura, uma l\u00edngua. Por isso, eu trago o cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma maneira \u2013 uma cirurgia, como voc\u00ea falou \u2013 de devolver essa humanidade que as imagens de ci\u00eancia, ou melhor, de pseudoci\u00eancia retiraram desses indiv\u00edduos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso das imagens que eu trabalho, os corpos aparecem de frente, costas, perfil \u2013 que j\u00e1 \u00e9 uma pose forense. Ela \u00e9 criada, inclusive, no Rio de Janeiro, em torno de 1865. A partir do momento em que essas pessoas j\u00e1 s\u00e3o retratadas dessa forma, que vai depois ser utilizada pela pol\u00edcia, j\u00e1 se estigmatiza o sujeito. Essas poses tamb\u00e9m est\u00e3o atreladas a todo um ide\u00e1rio de animaliza\u00e7\u00e3o do outro por motivos de controle e poder. \u00c9 a retirada de subjetividade de pessoas negras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Quando eu entro com o feto, com o cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma maneira de tentar trazer de novo essa subjetividade, essa humanidade para esses&nbsp;homens e mulheres que chegaram aqui<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-ponta-seca-e-costura.-580-x-895-cm-2016.01.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33655\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-ponta-seca-e-costura.-580-x-895-cm-2016.01.jpeg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-ponta-seca-e-costura.-580-x-895-cm-2016.01-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-ponta-seca-e-costura.-580-x-895-cm-2016.01-156x117.jpeg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-ponta-seca-e-costura.-580-x-895-cm-2016.01-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-ponta-seca-e-costura.-580-x-895-cm-2016.01-465x349.jpeg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-ponta-seca-e-costura.-580-x-895-cm-2016.01-667x500.jpeg 667w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Sem t\u00edtulo.Impress\u00e3o-digital-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm.-2017<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nesses trabalhos com a linha, tu j\u00e1 te mostraste algumas vezes reticente \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o deles como \u201cbordados\u201d. Tu falas que s\u00e3o \u201ccosturas\u201d e \u201csuturas\u201d. Por que essa diferen\u00e7a?&nbsp;<\/strong><br>Essas pessoas que chegaram aqui n\u00e3o tinham op\u00e7\u00e3o. Ou se refaziam ou morriam. S\u00f3 que esse \u201crefazimento\u201d n\u00e3o \u00e9 feito sem dor. Esse \u00e9 um trauma brasileiro. Foi dif\u00edcil entender como falar sobre essa reconstru\u00e7\u00e3o.&nbsp; Eu primeiro amplio a imagem, recorto ela, e, literalmente, refa\u00e7o a imagem. S\u00f3 que quando a gente v\u00ea, percebe que ela n\u00e3o se encaixa como deveria. E a maneira como eu fa\u00e7o a costura \u00e9 uma sutura, como se fosse cir\u00fargica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que \u00e9 uma sutura? \u00c9 tu ter duas partes do corpo, coloc\u00e1-las \u00e0 for\u00e7a, e costurar. \u00c9 uma a\u00e7\u00e3o extremamente violenta, embora ela seja muitas vezes necess\u00e1ria para a sobreviv\u00eancia. Deixa marcas, principalmente nas pessoas negras, porque a pele negra \u00e9 propensa a formar queloide \u2013 aquela marca, em relevo, que fica na pele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um bordado. A ideia da sutura \u00e9 importante porque ela conta uma hist\u00f3ria. Eu fico mesmo incomodada quando as pessoas falam que eu bordo, porque n\u00e3o \u00e9. Nos Bastidores (1997), que s\u00e3o costuras muito malfeitas, e no Assentamento (2013), eu trago processos muito violentos. Quando uso bordado, uso com um tom de ironia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015.08.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33661\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015.08.jpeg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015.08-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015.08-156x117.jpeg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015.08-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015.08-465x349.jpeg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015.08-667x500.jpeg 667w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>&#8220;Parede da Mem\u00f3ria&#8221;. Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algod\u00e3o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algod\u00e3o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-1994-2015<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_07Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015..jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33651\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_07Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015..jpeg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_07Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015.-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_07Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015.-156x117.jpeg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_07Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015.-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_07Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015.-465x349.jpeg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_07Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algoda\u0303o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-19942015.-667x500.jpeg 667w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>&#8220;Parede da Mem\u00f3ria&#8221;. Tecido-microfibra-xerox-linha-de-algod\u00e3o-e-aquarelaTecido-microfibra-xerox-linha-de-algod\u00e3o-e-aquarela.-80-x-80-x-30-cm-cada-elemento-1994-2015<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Em um trabalho mais recente, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9-V3n1cPnlI\">das Av\u00f3s (2019)<\/a>, tem costura, mas tamb\u00e9m tem um gesto muito amoroso de reconhecimento, de carinho. Qual o papel do afeto nas tuas obras?&nbsp;<\/strong><br>Assim como n\u00f3s tivemos que nos reconstruir, nos refazer, acredito que o que tamb\u00e9m nos manteve vivos e juntos foi o afeto. Principalmente o afeto das mulheres, das m\u00e3es de santo, das tias baianas, das mulheres do samba. O v\u00eddeo das Av\u00f3s \u00e9 todo sobre reconhecer, com afeto, uma ancestralidade. Quando eu orientei a Charlene [Bicalho], a performer que protagoniza o v\u00eddeo, eu disse para ela interagir com as imagens como se estivesse vendo uma tia, uma bisav\u00f3 perdida. Porque \u00e9 muito dif\u00edcil no caso das fam\u00edlias negras \u2013 as mais antigas \u2013 chegar em uma bisav\u00f3, por exemplo, porque isso se perdeu. E a gente v\u00ea que a Charlene pega as imagens e \u00e9 como se ela reconhecesse aquela mulher. Ela olha, alisa, nina aquela imagem.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A gente tem que falar da dor, mas a gente tem que falar tamb\u00e9m do afeto. Do afeto como for\u00e7a, como possibilidade de mudan\u00e7a, como aquela energia que mant\u00e9m determinados grupos de p\u00e9<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Imagem-transferida-sobre-tecido-bastidor-e-linha-de-costura.-300-cm-dia\u0302metro-1997.31.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33652\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Imagem-transferida-sobre-tecido-bastidor-e-linha-de-costura.-300-cm-dia\u0302metro-1997.31.jpeg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Imagem-transferida-sobre-tecido-bastidor-e-linha-de-costura.-300-cm-dia\u0302metro-1997.31-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Imagem-transferida-sobre-tecido-bastidor-e-linha-de-costura.-300-cm-dia\u0302metro-1997.31-156x117.jpeg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Imagem-transferida-sobre-tecido-bastidor-e-linha-de-costura.-300-cm-dia\u0302metro-1997.31-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Imagem-transferida-sobre-tecido-bastidor-e-linha-de-costura.-300-cm-dia\u0302metro-1997.31-465x349.jpeg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Imagem-transferida-sobre-tecido-bastidor-e-linha-de-costura.-300-cm-dia\u0302metro-1997.31-667x500.jpeg 667w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>&#8220;Bastidores&#8221;. Impress\u00e3o-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm-2016 <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Durante uma <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dsWjxX_o4y8\">conversa com a fil\u00f3sofa Denise Ferreira da Silva<\/a>, transmitida pela Revista Zum no YouTube, tu falas que imagens podem curar imagens. Poderias comentar um pouco sobre a cura de traumas por meio da produ\u00e7\u00e3o de novas imagens?&nbsp;<\/strong><br>Eu tenho certeza de que imagens curam imagens. A gente \u00e9 muito ing\u00eanua, no Brasil, em rela\u00e7\u00e3o ao poder da imagem. Talvez a maioria do que \u00e9 colocado como preconceito, principalmente racial, n\u00e3o \u00e9 colocado em palavras. \u00c9 colocado em imagens \u2013 ou na aus\u00eancia delas. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ter uma imagem negativa, \u00e9 n\u00e3o ter as imagens e refer\u00eancias positivas. Isso vai formando um imagin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gente s\u00f3 consegue pensar nos malef\u00edcios que a imagem trouxe para a popula\u00e7\u00e3o negra a partir de outras imagens que virem a chave do negativo para o positivo. Por isso, em trabalhos como Assentamento, eu fiz quest\u00e3o de usar a mesma imagem. Aquela que foi utilizada para animalizar, para colocar a popula\u00e7\u00e3o negra como inferior, \u00e9 a mesma que eu uso para mostrar a for\u00e7a dessa popula\u00e7\u00e3o. Para mim, \u00e9 impressionante como passaram por tudo o que passaram e ainda colocaram um pa\u00eds de p\u00e9. \u00c9 uma resili\u00eancia que deveria ser muito mais respeitada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A mesma imagem que foi colocada no sentido pejorativo agora vem como ra\u00edzes de uma civiliza\u00e7\u00e3o plantando as ra\u00edzes. A ideia \u00e9 virar a chave. Fogo contra fogo <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como pa\u00eds, s\u00f3 agora as pessoas est\u00e3o acordando para o poder da imagem. N\u00f3s levamos muito tempo para entender uma coisa t\u00e3o simples. N\u00e3o \u00e0 toa, quando existiam as guerras por sucess\u00e3o de tronos de dinastias diferentes, uma ia l\u00e1 e apagava a imagem da outra. A dinastia que assumia, apagava os registros da anterior, se n\u00e3o fosse aliada. A imagem conta hist\u00f3rias e forma narrativas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo, pensou-se que as imagens desempenhavam um papel menor. Quando n\u00e3o, porque ela entra direto, sem filtro. Um texto voc\u00ea l\u00ea, d\u00e1 uma parada, rel\u00ea. A imagem, muitas vezes, voc\u00ea d\u00e1 de cara com ela e nem percebe. Tem imagem que voc\u00ea leva anos para digerir, mas ela j\u00e1 est\u00e1 dentro de voc\u00ea. Ela \u00e9 direta, muito parecida com o olfato. Em termos de sentidos, o cheiro \u00e9 o que entra mais r\u00e1pido, ele invade. E as imagens funcionam de maneira muito semelhante. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Essa presen\u00e7a ou aus\u00eancia de imagens tamb\u00e9m fala muito sobre quem pode produzir imagens no Brasil \u2013 quem fotografa, quem cria, quem est\u00e1 dentro dos sistemas das artes e das narrativas. Durante muito tempo, tu foste praticamente a \u00fanica artista visual mulher negra atuando no pa\u00eds. Agora, felizmente, a gente v\u00ea uma gera\u00e7\u00e3o enorme de mulheres negras artistas produzindo e criando espa\u00e7os, como <a href=\"http:\/\/www.alinemotta.com\/\">Aline Motta<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/anaretratografia\/\">Ana Lira<\/a>, <a href=\"https:\/\/renatafelinto.com\/\">Renata Felinto<\/a>. Como tu percebes esse movimento?<\/strong><br>Para falar a verdade, eu achava que n\u00e3o veria esse panorama, n\u00e3o. Quando eu come\u00e7o a trabalhar, quem estava na ativa de artista negro e que tinha conseguido furar a bolha era o Emanuel Ara\u00fajo, uns 20 anos mais velho que eu. A gente ficou um bom tempo sem que artista negra ou negro conseguisse furar a bolha de maneira significativa. N\u00e3o que n\u00e3o tivesse gente produzindo, mas n\u00e3o conseguia espa\u00e7o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Demorou muito, por exemplo, entre o aparecimento do meu trabalho e o do Sidnei Amaral, foram 10 anos praticamente. Eu fiquei quase dez anos trabalhando sozinha. E agora, em praticamente mais dez, a gente tem uma explos\u00e3o. Eu acho que \u00e9 totalmente positiva. Eu n\u00e3o imaginava ver isso em vida. Obviamente, como qualquer panorama de arte, tem coisas melhores, outras mais complicadas. Mas, no geral, \u00e9 muito salutar. Especialmente para os jovens, para as crian\u00e7as, que come\u00e7am a ter outras refer\u00eancias. Essa quantidade de novas imagens produzidas por artistas negras e negros faz toda diferen\u00e7a para quem est\u00e1 vindo. Acho que a gente s\u00f3 vai conseguir entender este momento daqui a algumas d\u00e9cadas. Quem estiver na ativa vai poder olhar para tr\u00e1s e dizer que esse per\u00edodo foi realmente transformador e que as artes visuais contribu\u00edram para isso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_06Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm.-2017.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33656\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_06Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm.-2017.jpeg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_06Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm.-2017-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_06Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm.-2017-156x117.jpeg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_06Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm.-2017-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_06Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm.-2017-465x349.jpeg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_06Impressa\u0303o-digital-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm.-2017-667x500.jpeg 667w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>&#8220;A salva\u00e7\u00e3o das Almas?&#8221;. Impress\u00e3o-digital-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm -2017<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm-2016.02.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33654\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm-2016.02.jpeg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm-2016.02-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm-2016.02-156x117.jpeg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm-2016.02-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm-2016.02-465x349.jpeg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_Impressa\u0303o-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm-2016.02-667x500.jpeg 667w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>&#8220;O Amor pela Ci\u00eancia&#8221;. Impress\u00e3o-sobre-tecido-e-costura.-290-x-580-cm-2016 <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nos teus trabalhos mais recentes, Mulheres Plantas, tu tens trabalhado a partir do desenho das mulheres-b\u00fafala e das mulheres-jatob\u00e1. Em uma entrevista, tu disseste estar te percebendo cada vez mais como uma mulher-jatob\u00e1, uma mulher-\u00e1rvore. Como \u00e9 essa Rosana? O que ela ainda deseja criar?&nbsp;<\/strong><br>Semana passada conversei com uma amiga sobre isso. N\u00f3s falamos sobre esses desenhos, porque percebo que n\u00e3o tenho mais a energia da B\u00fafala, daquela jovem com muita energia. Eu estou nesse momento realmente das Jatob\u00e1s, das grandes Iab\u00e1s, das m\u00e3es de santo, daquelas que aconselham. Eu come\u00e7o a ocupar um espa\u00e7o muito parecido com aquele que foi ocupado pelas m\u00e3es de santo, refazendo fam\u00edlias, trazendo narrativas novamente, mantendo comunidades unidades a partir das hist\u00f3rias contadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para mim, \u00e9 um momento muito gostoso, porque eu j\u00e1 consigo olhar para tr\u00e1s e ver o que fiz. Consigo ver um trabalho reunido, principalmente depois da exposi\u00e7\u00e3o na Pinacoteca [realizada em 2019 com 140 obras], que conseguiu colocar muita coisa junta. Voc\u00ea olha para tr\u00e1s e leva um susto: \u201cNossa, j\u00e1 fiz tudo isso?\u201d (risos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o acho que a Rosana desse momento, que vai se transformando lentamente num Jatob\u00e1, \u00e9 uma mulher que est\u00e1 adolescendo, que j\u00e1 pode olhar e ver alguns frutos. O que \u00e9 muito bom, porque, como eu disse, n\u00e3o pensava que veria esse quadro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acho que eu estou assentando, ficando mais parecida com uma daquelas grandes \u00e1rvores do que com aquela b\u00fafala que entrava e metia o p\u00e9 na porta \u2013 que foi uma energia absolutamente necess\u00e1ria. Agora \u00e9 diferente, mas, se provocar muito, ela volta (risos).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-papel-linoleogravura-ponta-seca-e-colagem.-480-x-330-cm.-2017.05.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33657\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-papel-linoleogravura-ponta-seca-e-colagem.-480-x-330-cm.-2017.05.jpeg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-papel-linoleogravura-ponta-seca-e-colagem.-480-x-330-cm.-2017.05-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-papel-linoleogravura-ponta-seca-e-colagem.-480-x-330-cm.-2017.05-156x117.jpeg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-papel-linoleogravura-ponta-seca-e-colagem.-480-x-330-cm.-2017.05-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-papel-linoleogravura-ponta-seca-e-colagem.-480-x-330-cm.-2017.05-465x349.jpeg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/galeria_news_Impressa\u0303o-digital-sobre-papel-linoleogravura-ponta-seca-e-colagem.-480-x-330-cm.-2017.05-667x500.jpeg 667w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>&#8220;Para\u00edso Tropical&#8221;. Impress\u00e3o-digital-sobre-papel-linoleogravura-ponta-seca-e-colagem.-480-x-330-cm.-2017 <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista | Com quase 30 anos de trajet\u00f3ria, a artista reflete sobre a hist\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil a partir das feridas traum\u00e1ticas da escravid\u00e3o e do afeto e da resist\u00eancia que sempre estiveram presentes <span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":33663,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[604],"tags":[2267,562,2268,2269,2266],"ppma_author":[2988],"class_list":["entry","author-anna-ortega","has-excerpt","post-33143","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entrevistas","tag-arte-decolonial","tag-artes-visuais","tag-artistas-negras","tag-narrativas-negras","tag-rosana-paulino"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>\u201cSomos muito ing\u00eanuos em rela\u00e7\u00e3o ao poder da imagem\u201d, afirma Rosana Paulino - Jornal da Universidade<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Reportagens, artigos e entrevistas sobre temas da atualidade e de interesse da comunidade universit\u00e1ria.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cSomos muito ing\u00eanuos em rela\u00e7\u00e3o ao poder da imagem\u201d, afirma Rosana Paulino - Jornal da Universidade\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Reportagens, artigos e entrevistas sobre temas da atualidade e de interesse da comunidade universit\u00e1ria.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Jornal da Universidade\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/jornaldauniversidadeufrgs\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-06-24T12:15:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2021-06-28T18:13:41+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Rosana-Paulino.jpeg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1280\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"853\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Anna Ortega\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@jornaldaufrgs\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@jornaldaufrgs\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"NewsArticle\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Anna Ortega\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/e882d231222fd05e338be6fe2c120373\"},\"headline\":\"\u201cSomos muito ing\u00eanuos em rela\u00e7\u00e3o ao poder da imagem\u201d, afirma Rosana Paulino\",\"datePublished\":\"2021-06-24T12:15:00+00:00\",\"dateModified\":\"2021-06-28T18:13:41+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\\\/\"},\"wordCount\":3604,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/06\\\/Rosana-Paulino.jpeg\",\"keywords\":[\"Arte decolonial\",\"Artes Visuais\",\"Artistas negras\",\"Narrativas negras\",\"Rosana Paulino\"],\"articleSection\":[\"Entrevistas\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\\\/\",\"name\":\"\u201cSomos muito ing\u00eanuos em rela\u00e7\u00e3o ao poder da imagem\u201d, afirma Rosana Paulino - Jornal da Universidade\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/06\\\/Rosana-Paulino.jpeg\",\"datePublished\":\"2021-06-24T12:15:00+00:00\",\"dateModified\":\"2021-06-28T18:13:41+00:00\",\"description\":\"Reportagens, artigos e entrevistas sobre temas da atualidade e de interesse da comunidade universit\u00e1ria.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/06\\\/Rosana-Paulino.jpeg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/06\\\/Rosana-Paulino.jpeg\",\"width\":1280,\"height\":853},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"\u201cSomos muito ing\u00eanuos em rela\u00e7\u00e3o ao poder da imagem\u201d, afirma Rosana Paulino\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/\",\"name\":\"Jornal da Universidade | UFRGS\",\"description\":\"\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/#organization\"},\"alternateName\":\"JU | UFRGS\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/#organization\",\"name\":\"Universidade Federal do Rio Grande do Sul\",\"alternateName\":\"UFRGS\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/07\\\/LOGOS-UFRGS-PRETO_VERMELHO-e1586884311936.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/07\\\/LOGOS-UFRGS-PRETO_VERMELHO-e1586884311936.jpg\",\"width\":83,\"height\":64,\"caption\":\"Universidade Federal do Rio Grande do Sul\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/jornaldauniversidadeufrgs\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/jornaldaufrgs\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/ufrgs.jornal\\\/\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/jornal\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/e882d231222fd05e338be6fe2c120373\",\"name\":\"Anna Ortega\",\"description\":\"Estudante de Jornalismo da UFRGS\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"\u201cSomos muito ing\u00eanuos em rela\u00e7\u00e3o ao poder da imagem\u201d, afirma Rosana Paulino - Jornal da Universidade","description":"Reportagens, artigos e entrevistas sobre temas da atualidade e de interesse da comunidade universit\u00e1ria.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"\u201cSomos muito ing\u00eanuos em rela\u00e7\u00e3o ao poder da imagem\u201d, afirma Rosana Paulino - Jornal da Universidade","og_description":"Reportagens, artigos e entrevistas sobre temas da atualidade e de interesse da comunidade universit\u00e1ria.","og_url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/","og_site_name":"Jornal da Universidade","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/jornaldauniversidadeufrgs","article_published_time":"2021-06-24T12:15:00+00:00","article_modified_time":"2021-06-28T18:13:41+00:00","og_image":[{"width":1280,"height":853,"url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Rosana-Paulino.jpeg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Anna Ortega","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@jornaldaufrgs","twitter_site":"@jornaldaufrgs","schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"NewsArticle","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/"},"author":{"name":"Anna Ortega","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/#\/schema\/person\/e882d231222fd05e338be6fe2c120373"},"headline":"\u201cSomos muito ing\u00eanuos em rela\u00e7\u00e3o ao poder da imagem\u201d, afirma Rosana Paulino","datePublished":"2021-06-24T12:15:00+00:00","dateModified":"2021-06-28T18:13:41+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/"},"wordCount":3604,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Rosana-Paulino.jpeg","keywords":["Arte decolonial","Artes Visuais","Artistas negras","Narrativas negras","Rosana Paulino"],"articleSection":["Entrevistas"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/","name":"\u201cSomos muito ing\u00eanuos em rela\u00e7\u00e3o ao poder da imagem\u201d, afirma Rosana Paulino - Jornal da Universidade","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Rosana-Paulino.jpeg","datePublished":"2021-06-24T12:15:00+00:00","dateModified":"2021-06-28T18:13:41+00:00","description":"Reportagens, artigos e entrevistas sobre temas da atualidade e de interesse da comunidade universit\u00e1ria.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Rosana-Paulino.jpeg","contentUrl":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Rosana-Paulino.jpeg","width":1280,"height":853},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/somos-muito-ingenuos-em-relacao-ao-poder-da-imagem-afirma-rosana-paulino\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"\u201cSomos muito ing\u00eanuos em rela\u00e7\u00e3o ao poder da imagem\u201d, afirma Rosana Paulino"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/#website","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/","name":"Jornal da Universidade | UFRGS","description":"","publisher":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/#organization"},"alternateName":"JU | UFRGS","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/#organization","name":"Universidade Federal do Rio Grande do Sul","alternateName":"UFRGS","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/LOGOS-UFRGS-PRETO_VERMELHO-e1586884311936.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/LOGOS-UFRGS-PRETO_VERMELHO-e1586884311936.jpg","width":83,"height":64,"caption":"Universidade Federal do Rio Grande do Sul"},"image":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/jornaldauniversidadeufrgs","https:\/\/x.com\/jornaldaufrgs","https:\/\/www.instagram.com\/ufrgs.jornal\/"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/#\/schema\/person\/e882d231222fd05e338be6fe2c120373","name":"Anna Ortega","description":"Estudante de Jornalismo da UFRGS"}]}},"authors":[{"term_id":2988,"user_id":131,"is_guest":0,"slug":"anna-ortega","display_name":"Anna Ortega","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/8fdc54db42890d4eb229506ee453b7d708c065368b3bf847f21bd629bbc74539?s=96&d=mm&r=g","author_category":"","user_url":"","last_name":"","first_name":"Anna Ortega","job_title":"","description":"Estudante de Jornalismo da UFRGS"}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33143\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33663"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33143"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=33143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}