{"id":33931,"date":"2021-07-01T09:10:00","date_gmt":"2021-07-01T12:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=33931"},"modified":"2022-05-10T13:43:00","modified_gmt":"2022-05-10T16:43:00","slug":"a-vida-a-beira-das-aguas-em-belem-e-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/a-vida-a-beira-das-aguas-em-belem-e-porto-alegre\/","title":{"rendered":"A vida \u00e0 beira das \u00e1guas em Bel\u00e9m e Porto Alegre"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Parceria | As popula\u00e7\u00f5es das capitais do Par\u00e1 e do Rio Grande do Sul interagem de modos diferentes com rio e lago que delineiam seus espa\u00e7os urbanos<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Por: Matheus Luz e Leonardo dos Santos Machado<br>*Foto de capa: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primeira reportagem produzida em parceria pelo JU e pelo <a href=\"https:\/\/beiradorio.ufpa.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jornal Beira do Rio<\/a>, da Universidade Federal do Par\u00e1, volta o olhar para a rela\u00e7\u00e3o que os habitantes de Bel\u00e9m e Porto Alegre mant\u00eam com as \u00e1guas que comp\u00f5em sua orla. Buscamos na identidade geogr\u00e1fica um caminho para iniciar o esfor\u00e7o de construir uma rede dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Come\u00e7amos por Bel\u00e9m, cuja hist\u00f3ria sempre remeteu ao rio. O ber\u00e7o do processo de urbaniza\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m esteve cercado pela rela\u00e7\u00e3o e pelo conv\u00edvio com as \u00e1guas. No primeiro bairro da capital paraense, conhecido hoje como Cidade Velha, a vida urbana se desenvolveu \u00e0s margens do rio Guam\u00e1 e da Ba\u00eda do Guajar\u00e1, onde moradores, pescadores, barqueiros, carregadores e v\u00e1rias outras pessoas constru\u00edram suas vidas pr\u00f3ximas da \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para compreender as formas de organiza\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o e sociabilidade na antiga zona portu\u00e1ria da Cidade Velha em Bel\u00e9m, a antrop\u00f3loga Sabrina Campos Costa se dedicou a pesquisar as formas como a vida ocorre na \u00e1rea e as intera\u00e7\u00f5es com a paisagem do lugar. A pesquisadora imergiu na vida do local, conversando e entrevistando as pessoas que vivem e movimentam a \u00e1rea, al\u00e9m de observar fontes documentais e audiovisuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas observa\u00e7\u00f5es foram compartilhadas na disserta\u00e7\u00e3o &#8220;<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1EILNaygAzumFfz7EfYlCIQCTCn-pe80x\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Porto, \u00c1gua e Vida: paisagem, sensorialidades e transforma\u00e7\u00f5es de uma zona portu\u00e1ria amaz\u00f4nica (Cidade Velha, Bel\u00e9m, Par\u00e1)<\/a>&#8220;, orientada pela professora Renata de Godoy e defendida no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia (PPGA) da UFPA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A antiga zona portu\u00e1ria estudada pela autora contempla as comunidades do Beco do Carmo, Beirad\u00e3o, Menino Jesus, Porto do Sal e Palmeira, situadas no entorno do Mercado do Porto do Sal e da Igreja do Carmo. \u201cNa Cidade Velha da beira, ainda vemos percep\u00e7\u00f5es de mundo, usos, sensorialidades, afetos e tens\u00f5es produzidas pela din\u00e2mica com o rio, que conduzem a modos de ordenamento, constru\u00e7\u00e3o e (res)significa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os \u2018da casa\u2019, \u2018da rua\u2019 e \u2018da \u00e1gua\u2019. O medo da expuls\u00e3o e estigmatiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m faz parte da vida dos moradores\u201d, comenta a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabrina Costa criou o conceito de \u201cbeirabilidade\u201d para descrever e explicar os processos de ocupa\u00e7\u00e3o da \u201cbeira\u201d, ou seja, as estrat\u00e9gias de habita\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o, os c\u00f3digos sociais e morais, e as sensibilidades e rela\u00e7\u00f5es desenvolvidas pelas pessoas que vivem \u00e0s margens do rio, compartilhando os saberes e as identidades do lugar onde habitam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cH\u00e1 rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de fam\u00edlia, vizinhan\u00e7a e amizades que fluem entre o mercado do Porto do Sal, a frente das casas, a pra\u00e7a do Carmo, o Palmeira\u00e7o, os portos, os balne\u00e1rios e as ilhas. Nesses locais ocorrem conversas, pesca, banho, contempla\u00e7\u00e3o, brincadeira, festa. Al\u00e9m disso, projetos art\u00edsticos e socioculturais nas comunidades t\u00eam contribu\u00eddo para seu lazer e sua estima\u201d, explica a antrop\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Na beira do Sul<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na regi\u00e3o central de Porto Alegre (RS), toda essa sociabilidade da beira d\u2019\u00e1gua j\u00e1 se esvaziou. Em 1974, a cidade se separou das \u00e1guas do Gua\u00edba com a constru\u00e7\u00e3o do muro da Mau\u00e1, uma estrutura de concreto de 6 metros de altura, sendo tr\u00eas acima do solo e tr\u00eas abaixo, e 2.647 metros de comprimento. A barreira, constru\u00edda pelo extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), tem a finalidade de evitar desastres semelhantes \u00e0 enchente de 1941, a maior da hist\u00f3ria da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde que foi erguido, suas comportas j\u00e1 tiveram que ser fechadas em v\u00e1rios momentos, sendo o mais recente em 2015, quando o n\u00edvel do Gua\u00edba registrou sua segunda maior cheia da hist\u00f3ria. Nessa ocasi\u00e3o, tiveram que ser usadas retroescavadeiras para que os port\u00f5es do cais fossem fechados. Ainda assim, s\u00e3o recorrentes as discuss\u00f5es que prop\u00f5em sua redu\u00e7\u00e3o e remo\u00e7\u00e3o completa de forma a integrar o cais \u00e0 cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Joel Goldenfum, professor do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas da UFRGS, alerta, no entanto, que a \u00e1rea \u00e9 inund\u00e1vel e vai ser alagada quando houver cheias. Ele pontua que, historicamente, o cais de porto n\u00e3o \u00e9 local de integra\u00e7\u00e3o. Como n\u00e3o tem mais fun\u00e7\u00e3o de cais de porto, poderia ser uma \u00e1rea de eventos culturais. \u201cS\u00f3 cuidado: quando acontecerem cheias, essa \u00e1rea n\u00e3o est\u00e1 protegida, com ou sem o muro\u201d, ressalva.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra-3356-2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra-3356-2-1024x681.jpg\" alt=\"\" data-id=\"34128\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra-3356-2.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/flavio-dutra-3356-2\/\" class=\"wp-image-34128\" 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urbano e ambiental e doutorando em Planejamento Urbano e Regional na UFRGS, Dem\u00e9trius Gonzalez pontua que simplesmente derrubar o muro n\u00e3o vai resolver todos os problemas de integra\u00e7\u00e3o. Uma primeira quest\u00e3o que surgiria \u00e9 a macrodrenagem urbana e prote\u00e7\u00e3o contra cheias. A segunda se d\u00e1 em termos urban\u00edsticos. \u201cSomente tirar o muro n\u00e3o vai permitir essa integra\u00e7\u00e3o entre o centro de Porto Alegre e o Cais do Porto, porque n\u00f3s vamos continuar tendo uma via r\u00e1pida como a Avenida Mau\u00e1, que tem 5 pistas, \u00f4nibus, caminh\u00e3o e tudo mais acontecendo; n\u00e3o \u00e9 uma travessia segura\u201d, acrescenta. Nesse sentido, o Trensurb \u00e9 outro obst\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar das dificuldades, ele acredita que retirar o muro poderia promover a integra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o com o Cais. Mas, para isso, a Mau\u00e1 precisaria ser qualificada urbanisticamente para atrair as pessoas. \u201cH\u00e1 necessidade de, ao pensar a demoli\u00e7\u00e3o do Muro da Mau\u00e1, se isso for uma alternativa, pensar um projeto urbano integral de toda essa regi\u00e3o entre a rodovi\u00e1ria e a Usina do Gas\u00f4metro\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deslocando-se da regi\u00e3o central de Porto Alegre em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 zona Sul, passamos a observar maior intera\u00e7\u00e3o dos habitantes com o Gua\u00edba. Al\u00e9m da Praia de Ipanema, existem diversos clubes, marinas de barco, entre outras atividades naquela regi\u00e3o. E mais para o extremo sul da cidade, explica Clarissa Maroneze, doutoranda em Planejamento Urbano e Regional na UFRGS, ainda h\u00e1 uma apropria\u00e7\u00e3o por parte da comunidade, como no Lami, que tem praia balne\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA polui\u00e7\u00e3o do Gua\u00edba, que limita poss\u00edveis atividades no rio, ainda \u00e9 um problema a ser resolvido al\u00e9m das quest\u00f5es ambientais. O Parque Marinha, criado na d\u00e9cada de 1970, nasceu do desejo dos porto-alegrenses de integra\u00e7\u00e3o com o rio, sendo um exemplo do quanto a popula\u00e7\u00e3o tem rela\u00e7\u00f5es de afeto com o Gua\u00edba, pois ainda hoje \u00e9 muito utilizado\u201d, enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da Praia do Lami at\u00e9 a Usina do Gas\u00f4metro, a orla do Gua\u00edba \u00e9 o ber\u00e7o de Porto Alegre. A cidade tem sua ocupa\u00e7\u00e3o colonial, seu crescimento e desenvolvimento urbano em raz\u00e3o do rio. Desde o princ\u00edpio, o Gua\u00edba possibilitou n\u00e3o s\u00f3 as atividades econ\u00f4micas (por meio do porto) e o transporte de passageiros (em uma \u00e9poca de poucas estradas), mas tamb\u00e9m proporcionou atividades de lazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA orla do Gua\u00edba esteve por muitos anos em descaso do poder p\u00fablico ou recebeu projetos que n\u00e3o foram considerados vi\u00e1veis e nunca sa\u00edram do papel. Mesmo assim, nunca deixou de ser um local de atra\u00e7\u00e3o para seus habitantes, que a utilizavam mesmo sem qualquer infraestrutura e que a defendem como um local de uso p\u00fablico e de acesso para todos\u201d, pontua Clarissa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recente revitaliza\u00e7\u00e3o da orla a partir da Usina do Gas\u00f4metro em dire\u00e7\u00e3o ao Museu Iber\u00ea Camargo permitiu, segundo Dem\u00e9trius, que a popula\u00e7\u00e3o encare urbanisticamente que Porto Alegre \u00e9 uma cidade que tem orla.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda em processo de consolida\u00e7\u00e3o, a revitaliza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o momento, recebeu um tratamento mais paisag\u00edstico do que propriamente urbano. Para Dem\u00e9trius, existe uma s\u00e9ria quest\u00e3o de adequar a mobilidade urbana (estacionamentos, transportes coletivos, bicicletas, etc.) naquela regi\u00e3o, al\u00e9m da seguran\u00e7a. Mas, no geral, opina, foi boa para a popula\u00e7\u00e3o e a cidade. Um dos pontos que o doutorando acredita que poderia ser melhorado \u00e9 a gentrifica\u00e7\u00e3o: &#8220;A orla do Gua\u00edba precisa ser p\u00fablica. Ser p\u00fablica significa que eu preciso atender \u00e0s classes alta, m\u00e9dia, baixa\u201d. Portanto, as estruturas e os equipamentos n\u00e3o podem favorecer a ocupa\u00e7\u00e3o apenas de um estrato social. Outro ponto \u00e9 aumentar as atividades culturais nesse espa\u00e7o, que ainda est\u00e1 muito ligado ao lazer e \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra-5b.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"613\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra-5b.jpg\" alt=\"\" data-id=\"34131\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra-5b.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/flavio-dutra-5b\/\" class=\"wp-image-34131\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra-5b.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra-5b-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra-5b-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra-5b-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra-5b-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra-5b-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/a><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0049.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"690\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0049.jpg\" alt=\"\" data-id=\"34130\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0049.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/flavio-dutra_0049\/\" class=\"wp-image-34130\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0049.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0049-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0049-156x117.jpg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0049-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0049-465x349.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0049-667x500.jpg 667w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/a><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0021.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"690\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0021.jpg\" alt=\"\" data-id=\"34129\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0021.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/flavio-dutra_0021\/\" class=\"wp-image-34129\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0021.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0021-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0021-156x117.jpg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0021-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0021-465x349.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Fla\u0301vio-Dutra_0021-667x500.jpg 667w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/a><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Atr\u00e1s do Muro da Mau\u00e1, elemento de suposta prote\u00e7\u00e3o da cidade contra enchentes, o Cais do Porto aguarda projetos que possibilitem sua utiliza\u00e7\u00e3o pela popula\u00e7\u00e3o. Na foto acima, um primeiro movimento realizado por iniciativa privada de uso da \u00e1rea como polo gastron\u00f4mico, conhecido como Embarcadero (Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">De volta aos beiradeiros do Norte<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O investimento p\u00fablico na manuten\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os junto ao rio n\u00e3o costuma chegar a toda a cidade. \u00c9 comum deixar de fora dessas iniciativas regi\u00f5es ocupadas por popula\u00e7\u00f5es que mant\u00eam la\u00e7os com modos de vida tradicionais, que t\u00eam no porto um lugar de vida<strong>. <\/strong>O  pesquisador Antonio\u200c \u200cRodrigo\u200c \u200cdas\u200c \u200cMerc\u00eas\u200c \u200cPaiva\u200c foi ao encontro de uma dessas \u00e1reas portu\u00e1rias de Bel\u00e9m&nbsp;em sua disserta\u00e7\u00e3o \u201cLugares de vida: olhares sobre o Porto da Palha, Bel\u00e9m-PA\u201d, defendida no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia (PPGEO) da UFPA sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor&nbsp;Sergio Cardoso Moraes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ge\u00f3grafo analisou o modo de vida ribeirinho no Porto da Palha no bairro da Condor. O estudo parte das experi\u00eancias dos sujeitos que vivenciam o local, percebendo as rela\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas entre as pessoas e suas pr\u00e1ticas sociais. O pesquisador discute sobre a vis\u00e3o que comumente se tem de um porto ser um local de passagem, para o embarque e desembarque de pessoas e mercadorias, mas argumenta que o Porto da Palha, assim como outros de Bel\u00e9m, \u00e9 um \u201clugar de vida\u201d, formado por pessoas que t\u00eam o local como parte do cotidiano e de sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antonio descreve as pessoas que constituem a vida no porto: \u201cribeirinhos d\u00e3o o colorido com suas embarca\u00e7\u00f5es e mercadorias, os carregadores carregam as suas hist\u00f3rias e as mercadorias, os Barqueiros que v\u00e3o e v\u00eam pelas turvas \u00e1guas do Guam\u00e1, trazem mercadorias e pessoas (fazem at\u00e9 recarga de celular). Os atravessadores de a\u00e7a\u00ed, no per\u00edodo da safra, enchem o Trapiche com o a\u00e7a\u00ed do \u2018outro lado\u2019, um colorido que tem hora para come\u00e7ar e terminar. Os Barqueiros (existem dois tipos, os que fazem a \u201cLinha\u201d para as ilhas e os que v\u00eam de outros munic\u00edpios de maneira mais sazonal) vindos de diversos lugares trazem, a qualquer hora do dia, farinha, madeiras e carv\u00e3o. Tamb\u00e9m temos os comerciantes e os moradores do Porto da Palha, que d\u00e3o uma din\u00e2mica \u00fanica ao lugar, que n\u00e3o \u00e9 apenas um atracadouro de barcos, mas um \u2018porto seguro\u2019 para diversos sujeitos\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"616\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"34136\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-1.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/vista-da-cidade-de-belem-foto-alexandre-moraes-1\/\" class=\"wp-image-34136\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-1.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-1-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-1-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-1-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-1-465x311.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-1-695x465.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/a><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"616\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-2.jpg\" alt=\"\" data-id=\"34137\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-2.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/vista-da-cidade-de-belem-foto-alexandre-moraes-2\/\" class=\"wp-image-34137\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-2.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-2-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-2-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-2-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-2-465x311.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Vista-da-cidade-de-Bele\u0301m-Foto-Alexandre-Moraes-2-695x465.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/a><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Vista da cidade de Bel\u00e9m (Fotos: Alexandre Moraes)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do modo de vida e intera\u00e7\u00e3o entre as pessoas que vivem nessas comunidades \u00e0s margens do rio, as \u00e1reas ainda s\u00e3o vistas como periferia de Bel\u00e9m, em contraste com \u00e1reas mais afastadas do rio. A pesquisadora Sabrina Costa explica que essas zonas perif\u00e9ricas recebem menos investimentos p\u00fablicos e s\u00e3o consideradas prec\u00e1rias e perigosas, a exemplo do Porto do Sal, na Cidade Velha, um dos mais antigos de Bel\u00e9m, que quase foi o principal porto da cidade, por\u00e9m continua sendo invisibilizado e associado aos estigmas que cercam a \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA composi\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m por mais de 80 canais e 14 bacias hidrogr\u00e1ficas \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o para a \u00e1gua, por\u00e9m comunidades da beira s\u00e3o vistas como \u2018empecilho\u2019, \u2018perigosas\u2019, \u2018desordenadas\u2019 e \u2018prec\u00e1rias\u2019, e que precisam ser modificadas para o avan\u00e7o de \u2018janelas para o rio\u2019. Na Cidade Velha da beira, cerca de mil fam\u00edlias sintetizam nosso anseio por qualidade de vida, gest\u00e3o democr\u00e1tica e participativa da cidade\u201d, ressalta a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A antrop\u00f3loga ressalta ainda a perspectiva dos pr\u00f3prios moradores sobre a falta de investimentos na \u00e1rea dos portos, a exemplo do depoimento de Seu Alberto: &#8220;A prefeitura tem tudo na m\u00e3o. E eles que v\u00e3o decidir o que v\u00e3o fazer. Porque a Cidade Velha, como eu falei pra voc\u00ea, \u00e9 um bairro bonito. A ponte t\u00e1 h\u00e1 40 anos estourada. Era pra t\u00e1 levantada&#8230;se tivesse, voc\u00ea ia ver gente chegando na ponte, ia muito turista (Seu Adalberto em entrevista para Sabrina Costa, 2018). Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel perceber como a vida constru\u00edda nesse espa\u00e7o \u00e0s margens do rio passa por um processo de interven\u00e7\u00f5es urban\u00edsticas que n\u00e3o contemplam o modo de vida dos moradores do local, visando a apropria\u00e7\u00e3o das margens somente com prop\u00f3sitos de lazer e desenvolvimento tur\u00edstico, as chamadas \u201cjanelas para o rio\u201d, orlas e espa\u00e7os p\u00fablicos para a contempla\u00e7\u00e3o da paisagem das \u00e1guas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Igreja-do-Carmo_Cidade-Velha-Foto-Alexandre-Moraes-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"613\" 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direita, Igreja do Carmo e Pra\u00e7a do Carmo, na Cidade Velha, Bel\u00e9m (Fotos: Alexandre Moraes)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#ebebeb\"><strong>Matheus Luz<\/strong> \u00e9 estudante de Jornalismo da UFPA.<br><strong>Leonardo dos Santos Machado<\/strong> \u00e9 estudante de Jornalismo da UFRGS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parceria | As popula\u00e7\u00f5es das capitais do Par\u00e1 e do Rio Grande do Sul interagem de modos diferentes com rio e lago que delineiam seus espa\u00e7os urbanos<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/a-vida-a-beira-das-aguas-em-belem-e-porto-alegre\/\">Leia 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