{"id":36428,"date":"2021-08-26T09:20:00","date_gmt":"2021-08-26T12:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=36428"},"modified":"2021-08-26T09:57:29","modified_gmt":"2021-08-26T12:57:29","slug":"crise-climatica-avanca-mais-rapido-do-que-se-imaginava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/crise-climatica-avanca-mais-rapido-do-que-se-imaginava\/","title":{"rendered":"Crise clim\u00e1tica avan\u00e7a mais r\u00e1pido do que se imaginava"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Meio ambiente | Enquanto as na\u00e7\u00f5es n\u00e3o atingem uma coopera\u00e7\u00e3o mais efetiva, relat\u00f3rio do IPCC alerta para a necessidade de se reduzir drasticamente as emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa, o que pode ocorrer com mudan\u00e7as no padr\u00e3o de consumo e na matriz energ\u00e9tica <\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\">*<em>Foto de capa: Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU 16 jul. 2015<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A crise clim\u00e1tica pode ser apontada hoje como a maior amea\u00e7a existencial \u00e0 humanidade. Como destacou o \u00faltimo <a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/ar6\/wg1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/a>, o IPCC, divulgado no \u00faltimo dia 9, as mudan\u00e7as em curso est\u00e3o ocorrendo em uma velocidade maior do que se imaginava e s\u00e3o causadas pela pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o humana. O Secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ant\u00f3nio Guterres, classificou o documento como&nbsp;<strong>\u201c<\/strong>um c\u00f3digo vermelho para a humanidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O IPCC, integrado ao Sistema ONU, \u00e9 o principal \u00f3rg\u00e3o global respons\u00e1vel por divulgar conhecimento cient\u00edfico sobre a crise clim\u00e1tica. Em 2007, em fun\u00e7\u00e3o de sua contribui\u00e7\u00e3o ao debate sobre as mudan\u00e7as do clima, o \u00f3rg\u00e3o foi agraciado com o Pr\u00eamio Nobel da Paz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lincoln Muniz Alves, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), foi um dos sete brasileiros que participou do documento divulgado pelo IPCC. \u201cO relat\u00f3rio \u00e9 feito por 234 pesquisadores de 66 pa\u00edses. Eu atuei num cap\u00edtulo chamado Atlas, sendo respons\u00e1vel pela an\u00e1lise da Am\u00e9rica do Sul. Foram analisados mais de 14 mil artigos cient\u00edficos, sendo extra\u00eddas as informa\u00e7\u00f5es mais importantes para elaborar as afirma\u00e7\u00f5es que direcionam o texto\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio do IPCC destaca ser \u201cinequ\u00edvoco\u201d que a a\u00e7\u00e3o humana tenha \u201c<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2021-08-01\/clima-extremo-desafia-o-mundo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aquecido a atmosfera, o oceano e a terra<\/a>\u201d, gerando \u201cmudan\u00e7as generalizadas e r\u00e1pidas\u201d no planeta. Afirma ainda que as atuais mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o \u201csem precedentes\u201d e, em alguns casos, \u201cirrevers\u00edveis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO relat\u00f3rio usou uma linguagem mais enf\u00e1tica, pois ficou bem evidente a atribui\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o humana nas mudan\u00e7as; concluiu-se que a a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica tem uma contribui\u00e7\u00e3o significativa para as mudan\u00e7as e a velocidade, inesperada, com que v\u00eam ocorrendo\u201d<\/p><cite>Lincoln Muniz Alves<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A temperatura do planeta j\u00e1 aqueceu cerca de 1,1\u00ba Celsius desde meados do s\u00e9culo XIX. De acordo com o relat\u00f3rio, parece inevit\u00e1vel chegar ao aquecimento de 1,5\u00baC nos pr\u00f3ximos anos, podendo inclusive igualar ou superar a marca de 2\u00baC, caso n\u00e3o haja grandes altera\u00e7\u00f5es, principalmente nas emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa na atmosfera. Esses gases, com destaque para o di\u00f3xido de carbono, o metano e o \u00f3xido nitroso, s\u00e3o lan\u00e7ados \u00e0 atmosfera sobretudo por meio da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, sendo os principais respons\u00e1veis pelo superaquecimento do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA paleoclimatologia comprovou o excepcional aumento dos tr\u00eas principais gases de efeito estufa desde o s\u00e9culo XIX, provendo o registro desses gases nos \u00faltimos 800 mil anos. Assim, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que nunca, nesse per\u00edodo, a concentra\u00e7\u00e3o desses gases esteve t\u00e3o alta\u201d, afirma Jefferson Sim\u00f5es, professor do Centro Polar e Clim\u00e1tico da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto cr\u00edtico \u00e9 o \u00c1rtico, que aquece mais r\u00e1pido do que a m\u00e9dia do planeta. \u201cNos pr\u00f3ximos 30 anos, h\u00e1 a chance do derretimento de todo o gelo marinho do \u00c1rtico, que \u00e9 a regi\u00e3o da Terra com o aquecimento mais acelerado. Enquanto o mundo aqueceu aproximadamente 1,1\u00baC desde 1860, o \u00c1rtico aqueceu 3\u00baC\u201d, afirma Jefferson.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as consequ\u00eancias diretas do aumento da temperatura est\u00e3o os chamados eventos clim\u00e1ticos extremos, como inc\u00eandios florestais, ondas de calor, furac\u00f5es, chuvas torrenciais e enchentes, que aumentar\u00e3o em intensidade e frequ\u00eancia. Al\u00e9m do grande estrago ambiental e estrutural que esses eventos j\u00e1 v\u00eam provocando, outra consequ\u00eancia \u00e9 o deslocamento for\u00e7ado de pessoas, como lembra a professora Ver\u00f4nica Gon\u00e7alves, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Meio Ambiente da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEsses fluxos j\u00e1 est\u00e3o ocorrendo, e essas pessoas precisam ser recebidas em algum lugar. Dentro das negocia\u00e7\u00f5es internacionais, ainda h\u00e1 muita resist\u00eancia para debater esse tema. Quando se fala nas migra\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, n\u00e3o se fala da responsabilidade em raz\u00e3o das emiss\u00f5es que geraram essas mudan\u00e7as. A realidade se imp\u00f5e, e com o aumento desses fluxos, essa pauta precisa ser mais debatida\u201d<\/p><cite>Ver\u00f4nica Gon\u00e7alves<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Coopera\u00e7\u00e3o internacional<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A crise clim\u00e1tica \u00e9 motivo de debates internacionais aprofundados pelo menos desde a Confer\u00eancia de Estocolmo, em 1972. Na d\u00e9cada de 1990, o tema ganhou mais import\u00e2ncia, com a Confer\u00eancia do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, em 1992, e a assinatura do Protocolo de Kyoto, em 1997. Em 2015, ano que marcou 70 anos da ONU, foi celebrado o Acordo de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHavia uma disputa entre pa\u00edses \u2018desenvolvidos\u2019 e \u2018em desenvolvimento\u2019, e em 1992 o termo \u2018desenvolvimento sustent\u00e1vel\u2019 aparece pela primeira vez em uma declara\u00e7\u00e3o internacional. Em 1997, o Protocolo de Kyoto tamb\u00e9m foi um marco, mesmo com os Estados Unidos saindo. E em 2015 tenta-se chegar em uma meta comum, principalmente para que o aumento da temperatura n\u00e3o supere o 1,5\u00baC\u201d, explica a professora Ver\u00f4nica.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os Estados Unidos, um dos principais respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa, acabou saindo tamb\u00e9m do Acordo de Paris com a postura antimultilateralismo de Donald Trump, eleito presidente em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o faz sentido ter um acordo do clima sem a participa\u00e7\u00e3o dos maiores emissores, ent\u00e3o a postura de Donald Trump atrapalhou muito as negocia\u00e7\u00f5es do clima. N\u00e3o adianta a gente fazer um acordo hoje com 190 pa\u00edses se n\u00e3o tiver China e Estados Unidos. E o Brasil tamb\u00e9m, que adotou uma postura alinhada aos Estados Unidos ap\u00f3s 2018, o que tamb\u00e9m dificultou as negocia\u00e7\u00f5es do clima, como na <a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2019\/12\/1698001\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COP25<\/a>\u201d, complementa Ver\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meio \u00e0 crise clim\u00e1tica, o planeta vive outra crise de alcance global, a pandemia. O termo \u201cnegacionista\u201d, popularizado nos \u00faltimos meses em raz\u00e3o das pessoas que desacreditam a ci\u00eancia frente ao avan\u00e7o do coronav\u00edrus, j\u00e1 era bastante difundido para caracterizar os que se negam a acreditar nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA crise clim\u00e1tica atinge a todos, assim como o coronav\u00edrus. A pandemia nos trouxe esse exemplo, de que n\u00e3o adianta um pa\u00eds tentar resolver sozinho. Temos que pensar de forma coletiva, assim como na crise do clima\u201d<\/p><cite>Lincoln Muniz Alves<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ver\u00f4nica comenta que a pandemia poderia nos fazer repensar nossos meios de rela\u00e7\u00e3o social, principalmente o consumo. \u201cMas podemos dizer que n\u00e3o conseguimos, pelo contr\u00e1rio. N\u00f3s temos o recrudescimento em determinadas \u00e1reas, com pa\u00edses ricos com a grande maioria das vacinas, inclusive descartando doses, enquanto os pa\u00edses mais pobres mal t\u00eam acesso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Se a medida para solucionar a crise clim\u00e1tica for a pandemia, n\u00e3o \u00e9 um bom sinal\u201d<\/p><cite>Ver\u00f4nica Gon\u00e7alves<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Risco Amaz\u00f4nia<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro destaque importante do relat\u00f3rio do IPCC foi a \u00eanfase nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas regionais. Mostrando o impacto que a crise do clima ter\u00e1 em cada local do planeta, o instrumento contribui para negocia\u00e7\u00f5es regionais e para o planejamento de pol\u00edticas dom\u00e9sticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNa Am\u00e9rica do Sul, entre outros processos, podemos destacar a Amaz\u00f4nia, com o desmatamento, o regime hidrol\u00f3gico que tem mudado, o impacto socioecon\u00f4mico significativo, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas tamb\u00e9m em pa\u00edses como Peru, Col\u00f4mbia e Bol\u00edvia\u201d, ressalta Lincoln.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em julho, a revista Nature publicou um <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-021-03629-6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo<\/a> liderado por Luciana Gatti, pesquisadora do INPE. A pesquisa, realizada por onze anos, mostra que a Amaz\u00f4nia, degradada por desmatamento e queimadas, hoje \u00e9 uma fonte de carbono, e n\u00e3o mais um sumidouro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSumidouro \u00e9 quando absorve mais CO2 do que emite \u00e0 atmosfera, e fonte \u00e9 quando emite mais que absorve. Desde 2016 eu j\u00e1 tenho certeza de que a Amaz\u00f4nia \u00e9 uma fonte de carbono. \u00c9 uma not\u00edcia estarrecedora\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As florestas, atuando como sumidouros, possuem papel muito importante no combate \u00e0 crise clim\u00e1tica, retirando CO2 da atmosfera e ajudando a resfriar o planeta. As atividades realizadas na Amaz\u00f4nia nas \u00faltimas d\u00e9cadas, contudo, transformaram essa caracter\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA maior correla\u00e7\u00e3o que encontramos foi no que se refere \u00e0s emiss\u00f5es de queimadas. Quando h\u00e1 uma queimada, o mon\u00f3xido de carbono no m\u00ednimo dobra, e as \u00e1reas mais desmatadas s\u00e3o as que mais apresentam emiss\u00f5es de carbono\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Quanto mais desmatada a \u00e1rea, maior tamb\u00e9m a mudan\u00e7a nas chuvas e o aumento de temperatura na \u00e1rea. Desmatar \u00e9 plantar seca\u201d<\/p><cite>Luciana Gatti<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse processo de queimadas e desmatamento, realizado principalmente por produtores agropecu\u00e1rios, tamb\u00e9m gera outras consequ\u00eancias graves, como a perda do corpo h\u00eddrico da regi\u00e3o. Um <a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2073-4441\/11\/3\/566\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">levantamento<\/a> de 2019 revelou que, desde a d\u00e9cada de 1980, foram perdidos, em m\u00e9dia, 350 km<sup>2&nbsp;<\/sup>de \u00e1rea coberta por ambientes aqu\u00e1ticos a cada ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA natureza est\u00e1 toda interligada, \u00e9 como uma fila de domin\u00f3s. Se voc\u00ea derrubar o primeiro, gera uma rea\u00e7\u00e3o que vai derrubando aos poucos um a um. Quando algu\u00e9m diz: \u2018Vou desmatar um pouco\u2019, cria consequ\u00eancias, diminui a chuva, aumenta a temperatura, e ainda diminui sua pr\u00f3pria produtividade. Existe at\u00e9 um termo usado hoje, o \u2018agrossuic\u00eddio\u2019. &nbsp;A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 acabar imediatamente com o desmatamento e as queimadas, principalmente na esta\u00e7\u00e3o seca, e investir pesado em reflorestamento\u201d, conclui Luciana.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Proje\u00e7\u00f5es de futuro<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio adverte que o aumento da temperatura continuar\u00e1 pelo menos at\u00e9 a metade deste s\u00e9culo, haja o que houver. No pior cen\u00e1rio, se as emiss\u00f5es continuarem crescendo, estima-se que at\u00e9 2100 se chegaria a um aumento de 4,4\u00baC, o que seria catastr\u00f3fico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse cen\u00e1rio, a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel oce\u00e2nico, em raz\u00e3o do derretimento das geleiras, seria de 40 cent\u00edmetros na previs\u00e3o mais otimista, mas poderia at\u00e9 triplicar, com graves consequ\u00eancias \u00e0s regi\u00f5es costeiras. Para limitar o aquecimento, \u00e9 preciso reduzir drasticamente as emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa, como apontado no pr\u00f3prio relat\u00f3rio. Para isso, \u00e9 importante diminuir o padr\u00e3o de consumo atual e modificar a matriz energ\u00e9tica dos pa\u00edses, abandonando a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cJ\u00e1 sabemos da finitude dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Ent\u00e3o vamos fazer uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica antes, ou vamos queimar at\u00e9 a \u00faltima gota? Se formos queimar at\u00e9 a \u00faltima gota, os piores cen\u00e1rios do relat\u00f3rio do IPCC podem se confirmar\u201d, afirma Ver\u00f4nica. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPrecisamos, sim, diminuir o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, mas tamb\u00e9m diminuir o consumo. Essa energia s\u00f3 \u00e9 produzida e gasta em raz\u00e3o da demanda. N\u00f3s temos um planeta limitado, com recursos finitos, e precisamos agir de acordo\u201d, refor\u00e7a o professor Jefferson Sim\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos principais objetivos da divulga\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio do IPCC, destaca Lincoln, \u00e9 que os tomadores de decis\u00e3o do mundo usem as informa\u00e7\u00f5es para basear suas pol\u00edticas p\u00fablicas em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente j\u00e1 no presente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cHoje os cientistas n\u00e3o t\u00eam um canal de comunica\u00e7\u00e3o com quem est\u00e1 tomando as decis\u00f5es no Brasil. Temos que usar a ci\u00eancia para construir um futuro menos tr\u00e1gico para o pa\u00eds. \u00c9 desesperador voc\u00ea saber tudo o que n\u00f3s sabemos, assistir \u00e0s decis\u00f5es que est\u00e3o sendo tomadas e saber que isso vai ser uma cat\u00e1strofe. \u00c0s vezes eu me vejo vivendo dentro de um hosp\u00edcio\u201d<\/p><cite>Luciana Gatti<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPrecisamos falar muito mais em adapta\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o s\u00f3 em mitiga\u00e7\u00e3o. Por exemplo, aqui no Rio Grande do Sul, como o estado est\u00e1 se adaptando? Quais s\u00e3o os impactos tanto f\u00edsicos e biol\u00f3gicos quanto socioecon\u00f4micos da mudan\u00e7a do clima? Quanto subir\u00e1 o mar na costa ga\u00facha? Qual ser\u00e1 o custo em defesa costeira, urbanismo, deslocamento de pessoas? Precisamos de planejamento estrat\u00e9gico, no pr\u00f3prio Brasil como um todo, sendo um dos pa\u00edses com a maior extens\u00e3o costeira do mundo. A \u00fanica coisa que n\u00e3o d\u00e1 para fazer \u00e9 ficar em estado de nega\u00e7\u00e3o, achando que nada vai acontecer\u201d, finaliza Jefferson.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Fla\u0301vio-Dutra-1814.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Fla\u0301vio-Dutra-1814.jpg\" alt=\"\" data-id=\"36408\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Fla\u0301vio-Dutra-1814.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/flavio-dutra-1814-4\/\" class=\"wp-image-36408\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Fla\u0301vio-Dutra-1814.jpg 920w, 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Nas imagens, a enchente que ocorreu na regi\u00e3o Sul, principalmente em Porto Alegre e arredores, em 2015, afetando as popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas e provocando o fechamento das 14 comportas que protegem a cidade junto ao muro da Mau\u00e1. O Gua\u00edba e seus afluentes n\u00e3o subiam tanto desde a grande enchente de 1941, 71 anos antes (Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/ Arquivo JU 16 jul. 2015)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meio ambiente | Enquanto as na\u00e7\u00f5es n\u00e3o atingem uma coopera\u00e7\u00e3o mais efetiva, relat\u00f3rio do IPCC alerta para a necessidade de se reduzir drasticamente as emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa, o que pode ocorrer com mudan\u00e7as no padr\u00e3o de consumo e na matriz energ\u00e9tica <span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/crise-climatica-avanca-mais-rapido-do-que-se-imaginava\/\">Leia 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