{"id":39280,"date":"2021-11-11T09:20:00","date_gmt":"2021-11-11T12:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=39280"},"modified":"2022-05-10T13:47:27","modified_gmt":"2022-05-10T16:47:27","slug":"em-meio-a-pandemia-preprints-ganham-espaco-e-otimizam-comunicacao-da-ciencia-mas-controversias-ainda-cercam-modelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/em-meio-a-pandemia-preprints-ganham-espaco-e-otimizam-comunicacao-da-ciencia-mas-controversias-ainda-cercam-modelo\/","title":{"rendered":"Em meio \u00e0 pandemia, preprints ganham espa\u00e7o e otimizam comunica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, mas controv\u00e9rsias ainda cercam modelo"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Comunidade cient\u00edfica | Crise sanit\u00e1ria tornou mais vis\u00edvel a press\u00e3o por maior rapidez e transpar\u00eancia na publiciza\u00e7\u00e3o tanto dos resultados e produtos da ci\u00eancia quanto dos dados e pareceres emitidos por especialistas. No entanto, nova modalidade de comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica enfrenta desafios para se consolidar<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em> <em>*Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU 24 abr. 2020<\/em> <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Planejar e executar uma pesquisa cient\u00edfica passa por uma s\u00e9rie de protocolos sistematizados: a constru\u00e7\u00e3o de um projeto aplic\u00e1vel e metodologicamente adequado, a submiss\u00e3o ao conselho de \u00e9tica, a aprova\u00e7\u00e3o por outros \u00f3rg\u00e3os regulat\u00f3rios internos e externos \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, a execu\u00e7\u00e3o de um plano de trabalho, a coleta de dados e o desenvolvimento de testes e pilotos, a avalia\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o e conclus\u00e3o dos resultados preliminares alcan\u00e7ados. A reda\u00e7\u00e3o seria uma das \u00faltimas etapas para finalizar um estudo. Cada uma dessas partes demanda um consider\u00e1vel per\u00edodo de tempo que varia de meses at\u00e9 anos, dependendo do tipo da proposta \u2013 trabalhos que envolvem seres humanos s\u00e3o ainda mais criteriosos na libera\u00e7\u00e3o \u2013 e da \u00e1rea do conhecimento. Esses processos s\u00e3o indispens\u00e1veis para garantir a seguran\u00e7a e a integridade dos participantes, assim como a qualidade de um estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o texto finalizado, o passo seguinte \u00e9 envi\u00e1-lo a um peri\u00f3dico cient\u00edfico para ser validado pela comunidade acad\u00eamica. Nessa etapa o trabalho passar\u00e1 por uma revis\u00e3o por pares feita por pesquisadores especializados no assunto, aos quais cabe aprovar, solicitar altera\u00e7\u00f5es, novas informa\u00e7\u00f5es e dados, corre\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 mesmo recusar a publica\u00e7\u00e3o do manuscrito. A avalia\u00e7\u00e3o por pares \u00e9 um dos crit\u00e9rios e um dos par\u00e2metros que assegura a confiabilidade na ci\u00eancia, argumenta o jornalista cient\u00edfico e estudante do mestrado em Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia na Universidade de Harvard, Thiago Medaglia. &#8220;A revis\u00e3o pelos pares n\u00e3o \u00e9 infal\u00edvel, mas \u00e9 um mecanismo de seguran\u00e7a&#8221;, enfatiza. Na mesma dire\u00e7\u00e3o, a bibliotec\u00e1ria e diretora da <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Biblioteca Central da UFRGS,<\/a> Let\u00edcia Strehl, refor\u00e7a que a sobreviv\u00eancia de uma pesquisa a esse procedimento de controle n\u00e3o certifica que possua alta qualidade. &#8220;\u00c0s vezes, e n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o raro assim, n\u00f3s temos pesquisas que s\u00e3o revisadas por pares e que s\u00e3o publicadas com erro&#8221;, destaca. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p> <span style=\"font-size: revert; color: initial;\">&#8220;Quando n\u00f3s falamos de um resultado cient\u00edfico, n\u00e3o estamos dizendo que aquela \u00e9 a \u00faltima palavra sobre determinado assunto, mas que \u00e9 um dos elementos do debate&#8221;<\/span><\/p><cite>  Let\u00edcia Strehl <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse processo todo \u2013 de an\u00e1lise por especialistas e publica\u00e7\u00e3o em uma revista acad\u00eamica \u2013 pode durar semanas ou anos. No contexto de uma pandemia global, onde cada minuto conta, a urg\u00eancia \u00e9 incompat\u00edvel com o tempo gasto para que os resultados de uma pesquisa sejam comunicados e socializados. Essa discuss\u00e3o garantiu ao modelo de publica\u00e7\u00e3o <em>preprint<\/em> (ou pr\u00e9-impress\u00e3o), como pr\u00e1tica de ci\u00eancia aberta, um espa\u00e7o privilegiado no debate sobre comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e editora\u00e7\u00e3o acerca dos benef\u00edcios e contradi\u00e7\u00f5es que cercam esta modalidade. Ao mesmo tempo, esse contexto tamb\u00e9m reacendeu a discuss\u00e3o sobre a ci\u00eancia aberta e os limites do sistema de publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em acesso fechado. Quest\u00f5es essas j\u00e1 presentes na comunidade acad\u00eamica, em maior ou menor grau em diferentes campos do conhecimento e regi\u00f5es do globo, elas refor\u00e7am a import\u00e2ncia da r\u00e1pida circula\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o das pesquisas cient\u00edficas e suas repercuss\u00f5es para al\u00e9m dos ambientes de conv\u00edvio acad\u00eamicos.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><em>Preprints <\/em>e o movimento da ci\u00eancia aberta<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De maneira geral, <em>preprint <\/em>\u00e9 uma vers\u00e3o inicial de um trabalho cient\u00edfico dispon\u00edvel em acesso aberto na <em>web<\/em> antes mesmo de ser avaliado e publicado em um peri\u00f3dico acad\u00eamico. &#8220;<span style=\"font-size: revert; color: initial;\">\u00c9 um artigo ainda n\u00e3o finalizado [&#8230;], em que voc\u00ea deposita num reposit\u00f3rio especializado nesse tipo de material para poder, primeiro, clamar pela inova\u00e7\u00e3o daquele artigo, ou seja, ele antecipa algumas etapas e, segundo, para poder agilizar esse processo de publica\u00e7\u00e3o e receber <\/span><em style=\"font-size: revert; color: initial;\">feedback <\/em><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">da comunidade antes mesmo de passar pela revis\u00e3o por pares<\/span>&#8220;, ressalta a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenadora do F\u00f3rum de Peri\u00f3dicos e Comunica\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da UFF, Thaiane Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa vers\u00e3o antes da publica\u00e7\u00e3o pode ser em diferentes fases, complementa Strehl: a vers\u00e3o inicial dos autores (ainda n\u00e3o revisada) ou a vers\u00e3o submetida e j\u00e1 com revis\u00f5es, seja dos editores e revisores de uma revista ou a partir de coment\u00e1rios dentro do pr\u00f3prio reposit\u00f3rio de <em>preprints<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>&#8220;A publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sempre foi muito conservadora, muito tradicional. Ela se manteve assim por s\u00e9culos, com o mesmo formato, e agora n\u00f3s estamos num momento de plena revolu\u00e7\u00e3o, de abertura da ci\u00eancia, com uma premissa fundamental de que o conhecimento \u00e9 um bem p\u00fablico. Isso faz com que as institui\u00e7\u00f5es precisem criar mecanismos de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p><cite>Let\u00edcia Strehl<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a diretora da Biblioteca Central da UFRGS, os <em>preprints<\/em> s\u00e3o identificados como uma a\u00e7\u00e3o que contribui para o avan\u00e7o e o fortalecimento da ci\u00eancia aberta, assim como para o alinhamento das revistas cient\u00edficas com essas pr\u00e1ticas. O movimento da ci\u00eancia aberta tem sido reconhecido pela forma inovadora de se fazer e comunicar ci\u00eancia, redefinindo os processos editoriais dos peri\u00f3dicos cient\u00edficos, aponta Maria da Gra\u00e7a O. Crossetti, professora titular do <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/eenf\/estrutura\/departamentos\/demc-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Departamento de <\/a><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/eenf\/estrutura\/departamentos\/demc-1\">Enfermagem <\/a><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/eenf\/estrutura\/departamentos\/demc-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">M\u00e9dico-Cir\u00fargica<\/a> e editora-chefe da <a href=\"https:\/\/seer.ufrgs.br\/rgenf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Revista Ga\u00facha de Enfermagem (RGE)<\/a>, ambos vinculados \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/eenf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Escola de Enfermagem (EEnf) da UFRGS<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A ci\u00eancia aberta tem como princ\u00edpio essencial que o conhecimento cient\u00edfico deve ser livre para que outros possam colaborar e contribuir, em que dados de pesquisa, notas de laborat\u00f3rio e outros processos de pesquisa estejam dispon\u00edveis gratuitamente antes ou paralelamente \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do artigo pelo peri\u00f3dico, podendo ser reutilizados e replicados&#8221;<\/p><cite>Maria da Gra\u00e7a O. Crossetti<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ci\u00eancia aberta \u00e9 marcada pela transforma\u00e7\u00e3o, disponibiliza\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o e transpar\u00eancia em todas as etapas de produ\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edficas, o que inclui o acesso gratuito de todas as formas de registro produzidas por uma pesquisa. Esses registros variam desde dados brutos em reposit\u00f3rios na <em>web <\/em>at\u00e9 artigos completos em peri\u00f3dicos, acompanhados pela abertura do procedimento de revis\u00e3o de artigos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A ci\u00eancia aberta \u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o para um modo mais aberto, mais amplo, mais acess\u00edvel da forma como pensamos o processo de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de conhecimentos [&#8230;]. E os <em>preprints<\/em> foram incorporados a esse guarda-chuva&#8221;<\/p><cite> Thaiane Oliveira <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O movimento ganhou ainda mais f\u00f4lego com a publica\u00e7\u00e3o, em maio de 2021, de um <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000376893_spa.locale=en\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">documento de recomenda\u00e7\u00e3o<\/a> sobre a ci\u00eancia aberta assinado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (UNESCO). Nele a ag\u00eancia refor\u00e7ou a necessidade do acesso amplo e ilimitado a toda a diversidade do conhecimento cient\u00edfico, a implementa\u00e7\u00e3o de infraestruturas de acesso aberto, a participa\u00e7\u00e3o ampla dos agentes sociais, o di\u00e1logo aberto com outros sistemas de conhecimento e a comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica acess\u00edvel com o objetivo de aumentar e fortalecer a fun\u00e7\u00e3o social da pesquisa e do conhecimento cient\u00edfico, facilitando, assim, a inclus\u00e3o e replicabilidade de pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seguindo a mesma tend\u00eancia, a rede <a href=\"https:\/\/www.scielo.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SciELO<\/a>, um programa de coopera\u00e7\u00e3o internacional de livre acesso que armazena, publica e avalia a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em formato eletr\u00f4nico, atualizou em 2020 seus crit\u00e9rios de indexa\u00e7\u00e3o para serem compat\u00edveis com os princ\u00edpios da ci\u00eancia aberta. Na pr\u00e1tica, o <a href=\"https:\/\/wp.scielo.org\/wp-content\/uploads\/20200500-Criterios-SciELO-Brasil.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">documento<\/a>  estabelece a modalidade de <em>preprint <\/em>como in\u00edcio do fluxo de comunica\u00e7\u00e3o das pesquisas. O texto prev\u00ea que at\u00e9 o final de 2022 todos os peri\u00f3dicos da Cole\u00e7\u00e3o SciELO Brasil alinhem suas pol\u00edticas editoriais a esses par\u00e2metros, acompanhando as orienta\u00e7\u00f5es internacionais da publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre esses peri\u00f3dicos est\u00e1 a RGE, editada e publicada pela EEnf\/UFRGS desde 1976. Considerada a terceira revista de enfermagem mais antiga do Brasil, a RGE desde 2010 \u00e9 parte da cole\u00e7\u00e3o SciELO, contextualiza Crossetti. Comprometida com o programa, a revista criou em 2021 o grupo de trabalho Ci\u00eancia Aberta, formado por cinco editores associados, para desenvolver o planejamento estrat\u00e9gico para o per\u00edodo de 2022 a 2023. O objetivo, segundo a editora-chefe do peri\u00f3dico, seria adotar tr\u00eas princ\u00edpios b\u00e1sicos da ci\u00eancia aberta: os <em>preprints<\/em>, a avalia\u00e7\u00e3o por pares aberta e a abertura de dados de pesquisa ou dados abertos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2021, ano em que completa 45 anos de circula\u00e7\u00e3o, a RGE <a href=\"https:\/\/seer.ufrgs.br\/rgenf\/issue\/view\/4083\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicou<\/a> dois editoriais em que discute a ci\u00eancia aberta e os <em>preprints<\/em>. Al\u00e9m de indicar a ades\u00e3o da revista aos novos princ\u00edpios, o intuito da a\u00e7\u00e3o foi cooperar &#8220;com a compreens\u00e3o desses atores sobre a inova\u00e7\u00e3o em fazer e consumir pesquisa, que \u00e9 a ci\u00eancia aberta&#8221;, comenta Crossetti.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Benef\u00edcios e controv\u00e9rsias cercam modelo<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os benef\u00edcios do modelo <em>preprint<\/em> de publica\u00e7\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rios, defende a professora da UFF. &#8220;O primeiro deles \u00e9 a quest\u00e3o do pr\u00f3prio tempo. A partir do momento em que voc\u00ea deposita um manuscrito em <em>preprint<\/em> em um reposit\u00f3rio, voc\u00ea antecipa algumas etapas do processo de revis\u00e3o por pares, o que \u00e9 muito natural e necess\u00e1rio para a valida\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, no sentido de que voc\u00ea pode clamar pela inova\u00e7\u00e3o, pela originalidade, por ser o primeiro a debater determinados temas&#8221;, embora n\u00e3o signifique que esse estudo preliminar esteja validado pelos pares, adverte Oliveira. &#8220;O segundo \u00e9 que possibilita, em teoria, receber um <em>feedback <\/em>da comunidade cient\u00edfica antes do pr\u00f3prio processo de revis\u00e3o por pares. Voc\u00ea tamb\u00e9m consegue um di\u00e1logo um pouco maior ao permitir que a comunidade cient\u00edfica possa trazer contribui\u00e7\u00f5es, opini\u00f5es, avalia\u00e7\u00f5es sobre o seu manuscrito em andamento&#8221;, completa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a pandemia de covid-19, a pesquisa se tornou um importante condutor da tomada de decis\u00f5es de pol\u00edticas p\u00fablicas para a sa\u00fade em diversos governos pelo mundo. Ela tem nos ajudado a compreender o funcionamento do novo coronav\u00edrus, a construir m\u00e9todos para diminuir seu impacto a partir de vacinas, a mudar comportamentos e formas de tratamento, al\u00e9m de guiar a popula\u00e7\u00e3o ao longo desse per\u00edodo. Strehl ressalta a import\u00e2ncia da rapidez com que circularam resultados de pesquisas, a partir dos reposit\u00f3rios de <em>preprints<\/em>, para o enfrentamento da pandemia vigente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Os <em>preprints <\/em>trouxeram agilidade para a comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, e isso foi fundamental na pandemia, nas pesquisas sobre covid-19. N\u00f3s est\u00e1vamos numa luta em que cada dia de inexist\u00eancia de recursos para lidar com o coronav\u00edrus significava mortes, o fechamento de com\u00e9rcios e, para al\u00e9m da sa\u00fade p\u00fablica, um impacto econ\u00f4mico e de mis\u00e9ria para o mundo todo&#8221;<\/p><cite>Let\u00edcia Strehl<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Strehl e Oliveira tamb\u00e9m defendem que os benef\u00edcios da populariza\u00e7\u00e3o dos <em>preprints<\/em> s\u00e3o vis\u00edveis at\u00e9 mesmo no processo de revis\u00e3o por pares, que antes seria limitado a dois ou tr\u00eas especialistas e agora estaria dispon\u00edvel para um p\u00fablico mais amplo de pesquisadores tanto da tem\u00e1tica espec\u00edfica quanto de outras \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o uso de <em>preprints<\/em> na pesquisa sobre covid-19 tamb\u00e9m gerou in\u00fameras controv\u00e9rsias tanto na sociedade quanto no meio cient\u00edfico. Embates pol\u00edticos desinformaram a popula\u00e7\u00e3o quanto ao uso de certos medicamentos no tratamento do v\u00edrus e geraram autotratamento e medica\u00e7\u00e3o com base em resultados de <em>preprints<\/em>. Um dos casos mais famosos de desinforma\u00e7\u00e3o inclui, por exemplo, um <em><a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.1101\/2020.01.30.927871v1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">preprint <\/a><\/em>que vinculava HIV e covid-19 e que foi retirado do ar poucos dias ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o. A falta de um mecanismo de controle de qualidade dos estudos publicados nos servidores \u00e9 um dos principais alvos da cr\u00edtica daqueles que s\u00e3o contr\u00e1rios ao uso desse modelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, pesquisadores e pesquisadoras das ci\u00eancias da sa\u00fade geralmente se envolvem em estudos cujo produto pode resultar em algum tipo de propriedade intelectual objeto de patente. Isso tem gerado debates nos \u00e2mbitos jur\u00eddico, econ\u00f4mico e \u00e9tico no que diz respeito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o dos dados e ao compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es e produ\u00e7\u00f5es de conhecimento, esclarece a editora-chefe da RGE.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fla\u0301vio-Dutra-3621.jpg\" alt=\"\" data-id=\"40144\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fla\u0301vio-Dutra-3621.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/flavio-dutra-3621\/\" class=\"wp-image-40144\" 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No Brasil, a popula\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser imunizada a partir de fevereiro de 2021 (Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"> Reposit\u00f3rios de <em>preprints<\/em> oferecem infraestrutura, mas a participa\u00e7\u00e3o est\u00e1 abaixo do esperado<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de ser um termo popularizado durante a pandemia vigente, <em>preprints <\/em>n\u00e3o s\u00e3o recentes. A maioria dos servidores online onde<em> <\/em>esses textos est\u00e3o publicados s\u00e3o anteriores \u00e0 crise sanit\u00e1ria global, salienta o jornalista cient\u00edfico Thiago Medaglia. H\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, em 1991, surgia o primeiro reposit\u00f3rio de <em>preprints<\/em>, o <em><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">arXiv<\/a><\/em>, desenvolvido originalmente por Paul Ginsparg para armazenar trabalhos preliminares da f\u00edsica de altas energias e, em seguida, expandido para agregar oito \u00e1reas tem\u00e1ticas. O <em>arXiv<\/em>, atualmente hospedado pela Universidade Cornell, nos Estados Unidos, inseriu uma nova inst\u00e2ncia de avalia\u00e7\u00e3o p\u00fablica aos trabalhos acad\u00eamicos e por d\u00e9cadas foi a \u00fanica iniciativa bem-sucedida de <em>preprints<\/em> no mundo. Com um volume acumulado de quase 1,8 milh\u00e3o de artigos at\u00e9 o final de 2020, segundo <a href=\"https:\/\/blog.arxiv.org\/2020\/10\/22\/open-access-in-the-covid-19-era-oaweek-panel-discussion\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dados<\/a> de seus organizadores, o <em>arXiv <\/em>\u00e9 tido como o maior e mais antigo reposit\u00f3rio de <em>preprints<\/em>. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, a diretora da Biblioteca Central da UFRGS acrescenta que a hist\u00f3ria dos <em>preprints <\/em>remonta a um passado ainda mais antigo. &#8220;Mesmo antes da internet, eles j\u00e1 existiam em formato impresso. Era um modo que os pesquisadores tinham de fazer circular os seus resultados de pesquisa de uma maneira informal, n\u00e3o dependendo dos canais alcan\u00e7ados pelos pr\u00f3prios peri\u00f3dicos&#8221;, comenta. Uma dessas experi\u00eancias inaugurais \u00e9 resgatada por Matthew Cobb, professor de zoologia na Universidade de Manchester, no Reino Unido, em um <a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosbiology\/article?id=10.1371\/journal.pbio.2003995\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo<\/a> publicado na revista PLoS Biology, em 2017. Em seu trabalho, Cobb descreve a cria\u00e7\u00e3o, em 1961, dos <em>Information Exchange Groups<\/em>&nbsp;(IEG) do <em>National Institutes of Health<\/em> (NIH). Operando com 2.500 textos sobre temas variados e 3.600 pesquisadores ao redor do mundo, os <em>preprints <\/em>impressos do NIH promoveram uma das primeiras experi\u00eancias de circula\u00e7\u00e3o desse modelo de publica\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a internet, esse mecanismo de comunica\u00e7\u00e3o se ampliou e se estruturou em algo que passou a ser, praticamente, um est\u00e1gio inicial da publica\u00e7\u00e3o e da divulga\u00e7\u00e3o de pesquisas, como procuram refor\u00e7ar os novos crit\u00e9rios de indexa\u00e7\u00e3o da SciELO no contexto brasileiro. A cria\u00e7\u00e3o de outros reposit\u00f3rios voltados para o vasto campo das Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, M\u00e9dicas e Biom\u00e9dicas, como o <a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>bioRxiv<\/em><\/a> em 2013, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/asapbio.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ASAPbio<\/a> em 2016 e o <a href=\"https:\/\/www.medrxiv.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>medRxiv<\/em><\/a> em 2019, fortaleceram progressivamente a ado\u00e7\u00e3o dos&nbsp;<em>preprints<\/em>&nbsp;no ecossistema da comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos anos, com um forte apelo do movimento da ci\u00eancia aberta, in\u00fameros servidores de <em>preprint <\/em>surgiram pelo mundo. No Brasil, dois novos reposit\u00f3rios foram criados: o <a href=\"https:\/\/preprints.scielo.org\/index.php\/scielo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SciELO <em>Preprints<\/em><\/a> e o <a href=\"https:\/\/preprints.ibict.br\/\">Emerging Researcher Information (EmeRI)<\/a>. Essas duas iniciativas se somam no intuito de acelerar a difus\u00e3o de resultados de estudos emergentes, a partir da ado\u00e7\u00e3o desse novo formato de comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na opini\u00e3o da diretora da Biblioteca Central da UFRGS, ter uma infraestrutura nacional \u00e9 importante, mas a cria\u00e7\u00e3o de um grande n\u00famero de reposit\u00f3rios provoca a dispers\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, o que se reflete em um preju\u00edzo na comunica\u00e7\u00e3o e no di\u00e1logo poss\u00edvel nesses ambientes. Investir em infraestruturas comuns e atuar em colabora\u00e7\u00e3o, preceitos da ci\u00eancia aberta, seria a solu\u00e7\u00e3o ideal, defende.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar disso, os servidores de <em>preprints<\/em> cumprem o papel de fornecer uma infraestrutura de acesso aberto seja para a disponibiliza\u00e7\u00e3o dos <em>preprints<\/em>, seja para promover um espa\u00e7o de di\u00e1logo p\u00fablico. Essa interface dos reposit\u00f3rios online permite que os leitores comentem e compartilhem os <em>preprints<\/em> no site ou por meio de servi\u00e7os de redes sociais, como Twitter e Facebook. O <em>arXiv<\/em> \u2013 o mais importante e reconhecido reposit\u00f3rio de <em>preprints<\/em> \u2013, contudo, n\u00e3o possui modera\u00e7\u00e3o nos coment\u00e1rios, enquanto o <em>bioRxiv<\/em> e <em>medRxiv<\/em>&nbsp;atuam para filtrar coment\u00e1rios de teor ofensivo ou irrelevante.  <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/print_reportagem_preprints-e1636583658920.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"924\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/print_reportagem_preprints-1024x924.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"40150\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/print_reportagem_preprints-e1636583658920.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/print_reportagem_preprints\/\" class=\"wp-image-40150\"\/><\/a><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Reposit\u00f3rios de preprints, como o bioRxiv, oferecem espa\u00e7o para coment\u00e1rios. A maioria, por\u00e9m, \u00e9 feita por servi\u00e7os de redes sociais, especialmente pelo Twitter. Servidores tamb\u00e9m alertam leitores e profissionais da comunica\u00e7\u00e3o sobre as limita\u00e7\u00f5es dos preprints<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Oliveira pontua que a idealiza\u00e7\u00e3o do que seriam as din\u00e2micas de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, a partir dos <em>preprints<\/em>, n\u00e3o acontece na pr\u00e1tica. Somente aproximadamente 10% dos <em>preprints <\/em>depositados no <em>bioRxiv<\/em>, por exemplo, possuem algum coment\u00e1rio, informa Jeffrey Brainard, editor associado da revista Science, em <a href=\"https:\/\/www.science.org\/content\/article\/bid-boost-transparency-biorxiv-begins-posting-peer-reviews-next-preprints\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo<\/a> de 2019. Muitos desses coment\u00e1rios v\u00eam das redes sociais, principalmente nos trabalhos relacionados \u00e0 covid-19. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;S\u00e3o pouqu\u00edssimos os <em>preprints <\/em>que recebem um <em>feedback<\/em> da comunidade [&#8230;]. O retorno que se tem da comunidade cient\u00edfica \u00e9 reduzido, \u00e9 muito pequeno e limitado&#8221; <\/p><cite> Thaiane Oliveira<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Reflexos da circula\u00e7\u00e3o e cobertura de <em>preprints<\/em><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o acesso aos <em>preprints <\/em>ofere\u00e7a in\u00fameros benef\u00edcios aos pesquisadores e seja uma pr\u00e1tica que favore\u00e7a o desejo por uma ci\u00eancia aberta, a comunidade cient\u00edfica tem manifestado certa preocupa\u00e7\u00e3o com a forma como essa modalidade se espalha para al\u00e9m do campo cient\u00edfico. &#8220;A ci\u00eancia n\u00e3o circula s\u00f3 entre os cientistas, s\u00f3 no campo cient\u00edfico. O que produzimos dentro das institui\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o servem \u00e0 sociedade; elas interessam a diferentes esferas da sociedade&#8221;, contextualiza Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos setores que se apropriam dos <em>preprints<\/em> \u00e9 a m\u00eddia. Com isso, um dos problemas e desafios \u00e9 uma poss\u00edvel interpreta\u00e7\u00e3o equivocada dada por profissionais da comunica\u00e7\u00e3o \u2013 sobretudo jornalistas \u2013 a descobertas preliminares, ou mesmo desconsiderar ou excluir o contexto cr\u00edtico no entendimento dos resultados iniciais de uma pesquisa. A mesma preocupa\u00e7\u00e3o aparece quanto a uma poss\u00edvel apropria\u00e7\u00e3o distorcida de estudos de <em>preprint <\/em>e de coberturas noticiosas da imprensa por pessoas comuns, de modo a favorecer seus posicionamentos pol\u00edticos e circular esses trabalhos em servi\u00e7os de redes sociais e aplicativos de mensagens instant\u00e2neas, gerando desinforma\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a pandemia em curso, observamos v\u00e1rios <em>preprints<\/em> conquistarem grande e acelerada repercuss\u00e3o na m\u00eddia. Em um estudo <a href=\"https:\/\/revistas.ufpi.br\/index.php\/rbhm\/article\/view\/11810\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicado<\/a> recentemente no \u00faltimo volume da Revista Brasileira de Hist\u00f3ria da M\u00eddia, Thaiane Oliveira e pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e Fiocruz identificaram que a maioria dos jornalistas, principalmente de outras editorias e que n\u00e3o possuem um conhecimento especializado em ci\u00eancia, n\u00e3o sabe o que \u00e9 um <em>preprint<\/em>. Com isso, enquadram a not\u00edcia como se aquele resultado fosse avaliado e reconhecido pelos pares. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Muitos deles colocam que <em>preprints <\/em>s\u00e3o resultados de pesquisa, s\u00e3o publicados em revistas \u2013 quando na verdade est\u00e3o em reposit\u00f3rios de <em>preprints<\/em> \u2013, ou n\u00e3o informam \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que se trata de artigos que ainda est\u00e3o em avalia\u00e7\u00e3o, ou seja, que n\u00e3o s\u00e3o resultados finais, que s\u00e3o resultados em processo de avalia\u00e7\u00e3o e, portanto, n\u00e3o podem ser entendidos como resultados garantidos&#8221;, refor\u00e7a Oliveira. Ao n\u00e3o informar a popula\u00e7\u00e3o corretamente, uma s\u00e9rie de m\u00e1s interpreta\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos <em>preprints<\/em> e aos resultados de um estudo podem aparecer, adverte a professora.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Jornalistas de outras editorias acabam incorporando a pauta cient\u00edfica, sobretudo nesse momento de pandemia, que precisou reconfigurar editorias dos jornais para poder dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es relacionadas \u00e0 ci\u00eancia e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 covid-19&#8221;<\/p><cite>Thaiane Oliveira<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro achado da pesquisa \u00e9 que o pr\u00f3prio jornalismo tamb\u00e9m enquadra e instrumentaliza muito mais as controv\u00e9rsias pol\u00edticas do que as cient\u00edficas. &#8220;A \u00eanfase maior era na pr\u00f3pria quest\u00e3o pol\u00edtica, muito em fun\u00e7\u00e3o de uma conjuntura atual de uma instrumentaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-partid\u00e1ria da ci\u00eancia em outras esferas, sobretudo as esferas pol\u00edticas, administrativas e de governan\u00e7a do nosso pa\u00eds&#8221;, ressalta a professora da UFF. Esse destaque \u00e0s controv\u00e9rsias pol\u00edticas voltadas para t\u00f3picos de ci\u00eancia gera um problema na comunica\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e sociedade mediada por jornalistas n\u00e3o especializados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No estudo, os autores tamb\u00e9m observaram como as mat\u00e9rias foram percebidas pelos usu\u00e1rios do Facebook, que contestavam as pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Segundo Oliveira, &#8220;muitos usu\u00e1rios, sobretudo das plataformas de m\u00eddias sociais, quando viam esse enquadramento do jornalismo [&#8230;], tendiam a trazer uma s\u00e9rie de quest\u00f5es inclusive envolvendo a contesta\u00e7\u00e3o epist\u00eamica das pesquisas, tamb\u00e9m carregando um tanto de politiza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia&#8221;. O diagn\u00f3stico do estudo ressalta que a falta de capacita\u00e7\u00e3o de jornalistas em lidar com temas cient\u00edficos, aliada a abordagens que privilegiam pol\u00eamicas pol\u00edticas, afetam o entendimento e a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica da ci\u00eancia pela sociedade. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">&gt; <span class=\"has-inline-color has-accent-color\"><strong>Leia mais: <\/strong><\/span><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/jornalistas-precisam-ter-cuidado-para-nao-tomar-preprints-como-resultados-definitivos\/\">Jornalistas precisam ter cuidado para n\u00e3o tomar preprints como resultados definitivos<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunidade cient\u00edfica | Crise sanit\u00e1ria tornou mais vis\u00edvel a press\u00e3o por maior rapidez e transpar\u00eancia na publiciza\u00e7\u00e3o tanto dos resultados e produtos da ci\u00eancia quanto dos dados e pareceres emitidos por especialistas. 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