{"id":41667,"date":"2021-12-16T09:30:00","date_gmt":"2021-12-16T12:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=41667"},"modified":"2021-12-20T10:02:11","modified_gmt":"2021-12-20T13:02:11","slug":"fenomeno-crescente-no-mundo-da-publicacao-academica-revistas-predatorias-comercializam-espacos-de-divulgacao-e-colocam-em-risco-a-ciencia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/fenomeno-crescente-no-mundo-da-publicacao-academica-revistas-predatorias-comercializam-espacos-de-divulgacao-e-colocam-em-risco-a-ciencia-brasileira\/","title":{"rendered":"Fen\u00f4meno crescente no mundo da publica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, revistas predat\u00f3rias comercializam espa\u00e7os de divulga\u00e7\u00e3o e colocam em risco a ci\u00eancia brasileira"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica | N\u00famero de publica\u00e7\u00f5es que divulgam artigos em curt\u00edssimo tempo, sem submet\u00ea-los a uma avalia\u00e7\u00e3o por pares de qualidade, cresce no Brasil e impacta no processo de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia nacional<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\">*<em>Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 h\u00e1 algum tempo se tornou comum receber e-mails convidando pesquisadores a publicarem artigos cient\u00edficos em determinados peri\u00f3dicos acad\u00eamicos. A mensagem \u00e9 assinada pelo editor de uma revista, geralmente identificada por um nome gen\u00e9rico em ingl\u00eas, que mostra interesse em um trabalho previamente disponibilizado em diferentes formatos de publica\u00e7\u00e3o &#8211; anais de eventos, peri\u00f3dicos, colet\u00e2neas ou livros. O convite, que \u00e0 primeira vista parece promissor, na realidade \u00e9 uma pr\u00e1tica frequente usada por revistas predat\u00f3rias para contatar potenciais autores e oferecer seus servi\u00e7os. Esse \u00e9 o nome pelo qual ficaram conhecidas as revistas acad\u00eamicas que encorajam a publica\u00e7\u00e3o de pesquisadores, ao explorar e facilitar os procedimentos que envolvem o modelo editorial de publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 divulgado sob o formato de artigos veiculados em revistas especializadas. Cada peri\u00f3dico disp\u00f5e de liberdade para estabelecer os procedimentos editoriais que considere mais adequados. Em geral, um artigo submetido a uma revista cient\u00edfica costuma obedecer a um fluxograma dividido em duas partes. Na primeira, o trabalho \u00e9 objeto de uma an\u00e1lise pr\u00e9via por parte do comit\u00ea editorial. Nessa etapa s\u00e3o selecionados os manuscritos possivelmente aptos \u00e0 publica\u00e7\u00e3o, com base em crit\u00e9rios como a pertin\u00eancia da submiss\u00e3o, a adequa\u00e7\u00e3o ao escopo e aos objetivos da revista, o cumprimento integral das normas e diretrizes<em> <\/em>e a apresenta\u00e7\u00e3o de estrutura e conte\u00fados pr\u00f3prios dos formatos de publica\u00e7\u00e3o aceitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os trabalhos aprovados s\u00e3o encaminhados, ent\u00e3o, para uma segunda etapa: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/em-meio-a-pandemia-preprints-ganham-espaco-e-otimizam-comunicacao-da-ciencia-mas-controversias-ainda-cercam-modelo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a avalia\u00e7\u00e3o por pares<\/a>. Considerado um crit\u00e9rio tradicional de filtragem dentro do campo acad\u00eamico, esse \u00e9 o momento em que outros pesquisadores da comunidade analisam e criticam o problema, as hip\u00f3teses (quando existem), os m\u00e9todos, a interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados, as conclus\u00f5es e a qualidade geral de um estudo, por exemplo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em troca de uma r\u00e1pida divulga\u00e7\u00e3o de artigos, alguns desses mecanismos, como a an\u00e1lise preliminar e a avalia\u00e7\u00e3o por pares, par\u00e2metros que garantem a confiabilidade e seguran\u00e7a cient\u00edfica, s\u00e3o negligenciados. A publica\u00e7\u00e3o nessas revistas \u00e9 condicionada apenas ao pagamento de uma taxa pelos autores. O conjunto de pr\u00e1ticas predat\u00f3rias n\u00e3o se limita, por\u00e9m, aos peri\u00f3dicos, \u00e9 o que adverte o presidente da <a href=\"https:\/\/www.abecbrasil.org.br\/novo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Editores Cient\u00edficos<\/a> (ABEC Brasil) e professor titular da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho (UNESP), Sigmar Rode.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Hoje n\u00f3s temos os peri\u00f3dicos predat\u00f3rios, as editoras predat\u00f3rias, os eventos predat\u00f3rios, bases de dados predat\u00f3rias e os indexadores predat\u00f3rios. O fator de impacto de uma revista \u00e9 uma marca que somente a Clarivate pode usar, do Web of Science. Mas tem um site que, se voc\u00ea pagar, consegue colocar sua revista e ele lhe d\u00e1 o que chama como &#8216;fator de impacto&#8217;, obviamente falso. Este \u00e9 um outro problema que est\u00e1 crescendo na hist\u00f3ria das revistas predat\u00f3rias.<\/p><cite>Sigmar Rode<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prolifera\u00e7\u00e3o global dessas pr\u00e1ticas coloca em xeque a integridade, a credibilidade e a \u00e9tica na produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, al\u00e9m de acender um debate sobre a explora\u00e7\u00e3o financeira do modelo editorial acad\u00eamico e as fragilidades do sistema de avalia\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es e da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Revistas predat\u00f3rias, mercadores da ci\u00eancia<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma revista \u00e9 classificada como predat\u00f3ria quando suas diretrizes e normas editoriais s\u00e3o pouco criteriosas na sele\u00e7\u00e3o das pesquisas que ser\u00e3o veiculadas. &#8220;<span style=\"font-size: revert; color: initial;\">\u00c9 aquela que simplifica e minimiza o processo de revis\u00e3o por pares em troca de algum tipo de benef\u00edcio financeiro&#8221;<\/span>, pontua o professor da <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/escoladeadministracao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Escola de Administra\u00e7\u00e3o da UFRGS<\/a> Marcelo Perlin.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Em outras palavras, \u00e9 o famoso <em>pay-to-publish<\/em> [pagar para publicar]. Voc\u00ea manda o artigo e em duas semanas ele est\u00e1 publicado. Em troca, voc\u00ea paga um valor financeiro [&#8230;]. Esse \u00e9 um conceito bem cl\u00e1ssico de revistas predat\u00f3rias.<\/p><cite>Marcelo Perlin<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> &#8220;\u00c9 qualquer convite que se fa\u00e7a \u00e0 publica\u00e7\u00e3o em que se pressup\u00f5e a cobran\u00e7a. Al\u00e9m dessa cobran\u00e7a, n\u00e3o existe uma avalia\u00e7\u00e3o por pares. Essa \u00e9 a grande diferen\u00e7a de uma revista predat\u00f3ria em rela\u00e7\u00e3o a uma revista cient\u00edfica que cobra uma taxa de publica\u00e7\u00e3o&#8221;, refor\u00e7a a professora da <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/fabico\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS<\/a> e editora da <a href=\"https:\/\/seer.ufrgs.br\/EmQuestao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">revista Em Quest\u00e3o<\/a>, Samile Vanz. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de um meio de veicula\u00e7\u00e3o que explora financeiramente a demanda acad\u00eamica por publica\u00e7\u00f5es e as limita\u00e7\u00f5es do modelo editorial cient\u00edfico. O objetivo principal n\u00e3o \u00e9 a divulga\u00e7\u00e3o e a qualidade da ci\u00eancia, mas a obten\u00e7\u00e3o de lucro a um baixo custo. &#8220;H\u00e1, por\u00e9m, uma sofistica\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias de legitima\u00e7\u00e3o das revistas predat\u00f3rias ao longo dos anos&#8221;, destaca Rode. &#8220;No in\u00edcio, se observava que elas n\u00e3o tinham um processo de avalia\u00e7\u00e3o por pares. Hoje j\u00e1 t\u00eam. Eu recebo constantemente, no meu e-mail, convites para avaliar artigos de revistas predat\u00f3rias, s\u00f3 que eles n\u00e3o consideram a avalia\u00e7\u00e3o. Eles mandam para avaliar somente para dizer que houve um processo de revis\u00e3o por pares que, na verdade, n\u00e3o consideram&#8221;, comenta o presidente da ABEC Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com essas a\u00e7\u00f5es, as publica\u00e7\u00f5es procuram driblar alguns dos crit\u00e9rios usados para orientar as pessoas a evitar esses ve\u00edculos de divulga\u00e7\u00e3o &#8211; como verificar se o peri\u00f3dico est\u00e1 em uma base de dados confi\u00e1vel. Sigmar Rode elenca algumas das estrat\u00e9gias desenvolvidas pelas revistas, tais como a cria\u00e7\u00e3o de bases de dados e editoras predat\u00f3rias (para n\u00e3o manter as publica\u00e7\u00f5es isoladas) e o uso de endere\u00e7os de pa\u00edses como Estados Unidos para dificultar a identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vanz completa dizendo que algumas revistas predat\u00f3rias tamb\u00e9m utilizam o Sistema Eletr\u00f4nico de Editora\u00e7\u00e3o de Revistas (SEER), um software traduzido pelo\u00a0Instituto Brasileiro de Informa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia e Tecnologia (IBICT)\u00a0para o desenvolvimento e gest\u00e3o de uma publica\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica digital. Al\u00e9m disso, essas revistas afirmam ter um conselho editorial, muitas das vezes sem que os nomes tenham consentido com isso ou sejam de pessoas reais. Os trabalhos possuem tamb\u00e9m um identificador digital, chamado de DOI (<em>Digital Object Identifier<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u00c9 muito dif\u00edcil n\u00f3s descobrirmos o que \u00e9 predat\u00f3rio, \u00e0s vezes nos enganamos. Mesmo pessoas experientes que entendem e conhecem sobre esse assunto acabam se confundindo, porque as revistas v\u00e3o se munindo de todos esses requisitos, de uma falsa oficialidade.<\/p><cite>Samile Vanz<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os danos dos artigos publicados nessas revistas, por imitarem a linguagem e a estrutura dos meios de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, s\u00e3o grandes. Esses trabalhos podem oferecer esperan\u00e7as de tratamento, incentivar a automedica\u00e7\u00e3o e colocar em risco a sa\u00fade das pessoas. Al\u00e9m disso, &#8220;um jornalista que desconhece a pr\u00e1tica pode se confundir, pegar uma publica\u00e7\u00e3o dessas e pautar uma mat\u00e9ria como se ela fosse uma publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica&#8221;, refor\u00e7a Vanz. &#8220;Se voc\u00ea est\u00e1 divulgando pesquisa sem valida\u00e7\u00e3o num peri\u00f3dico dito cient\u00edfico e se ela cai na m\u00e3o de uma pessoa despreparada, isso leva a essas fake news que estamos cansados de ver. N\u00f3s j\u00e1 temos um governo negacionista que nega a ci\u00eancia, ent\u00e3o tudo isso \u00e9 um prato cheio para falar contra a ci\u00eancia&#8221;, complementa Rode.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Perlin e Rode, as revistas predat\u00f3rias ganharam espa\u00e7o com a expans\u00e3o da ci\u00eancia aberta, movimento baseado no princ\u00edpio de que o acesso ao conhecimento \u00e9 um bem p\u00fablico e um direito humano. A ci\u00eancia aberta surge como uma alternativa ao sistema de publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em acesso fechado, como um modelo para repensar a circula\u00e7\u00e3o p\u00fablica do conhecimento. Essas editoras se aproveitaram desse movimento para criar novos peri\u00f3dicos guiados por um modelo de neg\u00f3cio que se apropriou de um dos preceitos b\u00e1sicos da ci\u00eancia aberta: a ideia de que os autores podem pagar um valor \u00fanico para custear a publica\u00e7\u00e3o e mant\u00ea-la dispon\u00edvel, sugere o professor da Escola de Administra\u00e7\u00e3o da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fen\u00f4meno foi descrito pela primeira vez em 2008 por Jeffrey Beall, um bibliotec\u00e1rio americano e pesquisador da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, que cunhou o termo &#8220;revistas predat\u00f3rias de acesso aberto&#8221; para se referir \u00e0quelas publica\u00e7\u00f5es que est\u00e3o prontas para publicar qualquer artigo mediante pagamento. O bibliotec\u00e1rio ganhou fama ao criar um blog com uma <a href=\"https:\/\/beallslist.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">lista<\/a> de prov\u00e1veis \u200b\u200bperi\u00f3dicos acad\u00eamicos predat\u00f3rios de acesso aberto de 2010 a janeiro de 2017. Em um texto assinado no volume 489 da revista <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/489179a\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Nature<\/em><\/a>, uma das mais importantes do mundo, Beall chama a aten\u00e7\u00e3o que essa pr\u00e1tica estaria corrompendo o acesso aberto. O bibliotec\u00e1rio, por\u00e9m, tem um posicionamento <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1087\/20130203\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">contr\u00e1rio<\/a> \u00e0 difus\u00e3o desse modelo voltado ao acesso ao conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00e1tica tem se difundido em grande escala no Brasil nos \u00faltimos anos, a ponto de gerar manifesta\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es nacionais. Em 2019, a Revista Baiana de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (UFBA) publicou o editorial &#8220;<a href=\"https:\/\/periodicos.ufba.br\/index.php\/enfermagem\/article\/view\/34649\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Publicar ou perecer: amea\u00e7a das revistas predat\u00f3rias \u00e0 integridade cient\u00edfica<\/a>&#8221; em seu volume 33. Em maio de 2020, o Col\u00e9gio Brasileiro de Ci\u00eancias do Esporte (CBCE), entidade cient\u00edfica das \u00e1reas da Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e das Ci\u00eancias do Esporte com sede nacional na <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/esefid\/site\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Escola de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Fisioterapia e Dan\u00e7a da UFRGS<\/a>, emitiu uma <a href=\"http:\/\/public.cbce.org.br\/arquivos\/repositorio\/Nota%20Revista%20Predat%C3%B3ria.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nota de rep\u00fadio<\/a> ao que classificou como um ass\u00e9dio praticado por editoras e peri\u00f3dicos predat\u00f3rios aos associados e congressistas da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em junho de 2021, foi a vez da diretoria da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Pesquisa e P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras e Lingu\u00edstica, a ANPOLL, e a coordena\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum de Editores da entidade emitirem uma <a href=\"https:\/\/anpoll.org.br\/anpoll2019\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Nota-da-ANPOLL-e-do-Fo%CC%81rum-de-Editores-da-ANPOLL.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nota<\/a> criticando essa mesma estrat\u00e9gia. Em raz\u00e3o dos disparos autom\u00e1ticos das revistas e editoras predat\u00f3rias, as entidades manifestaram ao p\u00fablico que n\u00e3o compartilham o banco de dados pessoais dos seus membros e congressistas com nenhuma institui\u00e7\u00e3o privada ou p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um processo de publica\u00e7\u00e3o envolve v\u00e1rias etapas desde a an\u00e1lise preliminar pelo corpo editorial, avalia\u00e7\u00e3o por pares, revis\u00e3o do editor, resposta aos autores, poss\u00edveis modifica\u00e7\u00f5es no manuscrito, devolutiva \u00e0 revista, editora\u00e7\u00e3o, indexa\u00e7\u00e3o e, por fim, publica\u00e7\u00e3o. Cada uma dessas etapas consome um tempo consider\u00e1vel de, no m\u00ednimo, alguns meses. O volume de trabalhos de revistas predat\u00f3rias, que ultrapassam os dois d\u00edgitos, revela um fluxo de procedimentos incompat\u00edvel com a l\u00f3gica editorial cient\u00edfica. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por exemplo, a <em>Brazilian Journal of Development, <\/em>revista citada na nota da CBCE, n\u00e3o cobra uma taxa de submiss\u00e3o, mas cada autor que quiser publicar um artigo no espa\u00e7o precisa pagar um valor de 490 reais. Embora n\u00e3o seja listada na \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel do sistema Qualis-Peri\u00f3dicos (quadri\u00eanio 2013-2016), a revista entrou na lista preliminar que prop\u00f5e a unifica\u00e7\u00e3o do Qualis-Peri\u00f3dico, que circula informalmente pela internet. A nota alcan\u00e7ada (B2) \u00e9 informada na p\u00e1gina do peri\u00f3dico, mas a tentativa de indexa\u00e7\u00e3o na Scopus, a base de dados da maior editora de literatura cient\u00edfica do mundo, a Elsevier, foi <a href=\"https:\/\/suggestor.step.scopus.com\/progressTracker\/index.cfm?trackingID=66756B32719C497E\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">rejeitada<\/a> em setembro deste ano.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Revistas predat\u00f3rias exp\u00f5em as fragilidades do sistema Qualis e um perigo potencial \u00e0 ci\u00eancia no Brasil<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Qualis \u00e9 um sistema de avalia\u00e7\u00e3o da Capes criado para atender \u00e0s necessidades do sistema de avalia\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o. Ele ranqueia a produ\u00e7\u00e3o intelectual dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o brasileiros <em>stricto sensu<\/em> (mestrado e doutorado) de todas as \u00e1reas do conhecimento em formatos que variam entre livros e revistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro desse sistema existe o Qualis-Peri\u00f3dicos, respons\u00e1vel por listar e classificar a qualidade dos ve\u00edculos de divulga\u00e7\u00e3o com base em estratos indicativos que v\u00e3o do A1 (mais elevado) at\u00e9 o C (sem pontua\u00e7\u00e3o). A produ\u00e7\u00e3o de cada pesquisador que publica em determinada revista gera pontos com base na classifica\u00e7\u00e3o da revista, aferindo indiretamente sobre a qualidade da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sistema vigente reflete os ve\u00edculos nos quais os pesquisadores t\u00eam publicado os resultados de seus trabalhos. O processo \u00e9 repetido anualmente com base nas informa\u00e7\u00f5es oferecidas pelos programas a cada ano, que cadastram as novas revistas com produ\u00e7\u00e3o de docentes ou discentes. Esse trabalho \u00e9 feito por comit\u00eas de especialistas de 49 \u00e1reas. Uma vez finalizado o per\u00edodo de avalia\u00e7\u00e3o quadrienal, o Qualis completo \u00e9 atualizado e s\u00e3o gerados indicadores de produtividade intelectual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A classifica\u00e7\u00e3o de forma segura desses peri\u00f3dicos predat\u00f3rios parece um desafio diante da comunidade acad\u00eamica. Em um estudo publicado em 2018 na revista <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs11192-018-2750-6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Scientometrics<\/a>, Perlin e outros dois professores da Escola de Administra\u00e7\u00e3o da UFRGS problematizaram o impacto e a penetra\u00e7\u00e3o das publica\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias no sistema acad\u00eamico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Analisando um conjunto de 2,3 milh\u00f5es de publica\u00e7\u00f5es de 102.969 pesquisadores doutores entre os anos 2000 a 2015, coletados a partir de dados disponibilizados na plataforma <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lattes<\/a>, o trabalho revela que o sistema de avalia\u00e7\u00e3o da Capes \u00e9 vulner\u00e1vel \u00e0 invas\u00e3o desse tipo de ve\u00edculo de divulga\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias_2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42229\" width=\"678\" height=\"690\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias_2.jpg 904w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias_2-295x300.jpg 295w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias_2-115x117.jpg 115w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias_2-768x782.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias_2-465x473.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias_2-491x500.jpg 491w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><figcaption>Gr\u00e1fico publicado em <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s11192-018-2750-6\">artigo<\/a> desenvolvido por professores da Escola de Administra\u00e7\u00e3o da UFRGS mostra o percentual de publica\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias no Qualis ao longo dos anos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio do cruzamento de dados de diferentes plataformas para mapear as revistas predat\u00f3rias, os autores descobriram que apenas 0,26% das produ\u00e7\u00f5es estariam dentro desse escopo. Embora esse percentual pare\u00e7a pequeno em rela\u00e7\u00e3o ao universo analisado, os pesquisadores alertam para um crescimento exponencial da propor\u00e7\u00e3o de revistas predat\u00f3rias indexadas e avaliadas em todos os estratos do sistema Qualis-Peri\u00f3dicos, em diferentes \u00e1reas do conhecimento, especialmente entre 2010 e 2015. O cen\u00e1rio previsto seria, assim, de uma piora do quadro nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42230\" width=\"690\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias-300x146.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias-175x85.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias-768x374.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias-465x226.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/grafico_revistas_predatorias-695x338.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><figcaption>Gr\u00e1fico publicado em <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs11192-018-2750-6\">artigo<\/a> de professores da UFRGS revela crescimento de publica\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias por pesquisadores brasileiros entre 2000 e 2015<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro achado da pesquisa diz respeito aos perfis dos pesquisadores que publicaram nessas revistas. A pesquisa partia da hip\u00f3tese de que os pesquisadores j\u00faniores, aqueles em in\u00edcio de carreira, seriam os principais respons\u00e1veis por esse volume de trabalhos. Mas os dados indicaram exatamente o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Usando um modelo estat\u00edstico, n\u00f3s chegamos ao resultado de que aqueles que t\u00eam mais publica\u00e7\u00f5es em revistas predat\u00f3rias s\u00e3o pesquisadores experientes.<\/p><cite>Marcelo Perlin<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda sobre o perfil desses pesquisadores, quem mais publica nesse tipo de ve\u00edculo s\u00e3o aqueles com maior n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es n\u00e3o indexadas, isto \u00e9, que n\u00e3o est\u00e3o no <a href=\"https:\/\/www.scimagojr.com\/journalrank.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Scientific Journal Rankings<\/a>\/<a href=\"https:\/\/www.scimagojr.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Scimago<\/a> ou no <a href=\"http:\/\/login.webofknowledge.com\/error\/Error?Error=IPError&amp;PathInfo=%2FJCR&amp;RouterURL=http%3A%2F%2Fadmin-router.webofknowledge.com%2F&amp;Domain=.webofknowledge.com&amp;Src=IP&amp;Alias=CAP\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Journal Citation Reports\/Web of Science<\/a>, alguns dos principais avaliadores do fator de impacto de um peri\u00f3dico a partir de indicadores de cita\u00e7\u00f5es de cada trabalho. Al\u00e9m disso, aqueles que possuem um doutorado obtido em alguma das universidades brasileiras det\u00eam maior probabilidade de publicar nesses peri\u00f3dicos do que aqueles que fizeram o doutoramento no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na opini\u00e3o de Perlin, o problema n\u00e3o seria m\u00e1-f\u00e9, mas falta de governan\u00e7a e informa\u00e7\u00f5es sobre essas publica\u00e7\u00f5es. &#8220;O grupo acad\u00eamico tamb\u00e9m n\u00e3o vai muito a fundo nas revistas e acaba enviando para uma revista que, por ser, por exemplo, B1, acha que \u00e9 uma revista boa. Como o Qualis est\u00e1, vamos chamar assim, &#8216;licenciando&#8217; ou dando um &#8216;selo&#8217; para aquela revista, os pesquisadores mandam o artigo para l\u00e1&#8221;, enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo liderado por Perlin tamb\u00e9m observa o impacto causado pela entrada de uma revista predat\u00f3ria no sistema Qualis-Peri\u00f3dico. O resultado mostrou que, ao ser ranqueada no sistema, ela recebe muito mais publica\u00e7\u00e3o do que uma revista n\u00e3o predat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na opini\u00e3o pessoal de Perlin, o grande volume de peri\u00f3dicos a serem classificados anualmente pelas comiss\u00f5es, juntamente com a restri\u00e7\u00e3o temporal para concluir esse trabalho, acaba fazendo com que algumas revistas passem pelo crivo dos avaliadores. Segundo Vanz, apenas na \u00e1rea da Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o, por exemplo, a primeira lista de 2019 continha mais de 800 revistas, j\u00e1 em 2020 esse n\u00famero subiu para quase 4 mil. &#8220;As comiss\u00f5es trabalham com listas imensas de revistas, ent\u00e3o a chance de passar \u00e9 grande&#8221;, refor\u00e7a. Nesse sentido, a comunidade acad\u00eamica tamb\u00e9m desenvolve um trabalho importante de vigil\u00e2ncia dessas revistas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>As comiss\u00f5es do Qualis est\u00e3o muito atentas \u00e0s revistas predat\u00f3rias e, na medida do poss\u00edvel, tentando pegar esses casos para avaliar de uma forma mais criteriosa. <\/p><cite>Samile Vanz<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os relat\u00f3rios produzidos pelas equipes de cada \u00e1rea para o Qualis-Peri\u00f3dicos revelam que h\u00e1 um esfor\u00e7o constante para reconhecer publica\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias e elimin\u00e1-las a cada nova avalia\u00e7\u00e3o, como demonstram os \u00faltimos documentos disponibilizados pelos comit\u00eas das \u00e1reas de <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/relatorio-qualis-med1-pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Medicina<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/relatorio-qualis-comunicacao-informacao-pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o<\/a>. O fluxo cont\u00ednuo de ingresso de novas revistas pode, entretanto, incorrer em algum equ\u00edvoco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Qualis-Peri\u00f3dicos ainda \u00e9 alvo de intensa controv\u00e9rsia diante do <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/confira-os-desdobramentos-e-a-manifestacao-da-capes-com-relacao-a-avaliacao-quadrienal-da-pos-graduacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">futuro incerto<\/a> da avalia\u00e7\u00e3o da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o brasileira e foi um dos estopins para a <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/maior-crise-da-historia-da-capes-e-agravada-com-renuncia-coletiva-de-coordenadores-de-area-e-consultores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">maior crise da hist\u00f3ria da Capes<\/a>. O motivo seria um descontentamento de coordenadores e consultores com as mudan\u00e7as repentinas nas regras e no funcionamento do sistema de avalia\u00e7\u00e3o. &#8220;Desde 2019, o percentual de altera\u00e7\u00f5es [das revistas] para cima e para baixo era um. Em 2020 se manteve o mesmo percentual, mas neste ano, depois que a comiss\u00e3o j\u00e1 estava trabalhando e algumas comiss\u00f5es j\u00e1 tinham, inclusive, finalizado o Qualis, a nova presidente da Capes emitiu uma portaria alterando todas as regras novamente&#8221;, comenta Vanz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse foi o caso da comiss\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de Matem\u00e1tica\/Probabilidade e Estat\u00edstica (MAPE). Na <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Renuncia-matematica-CAPES-29-11-20211.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">carta de ren\u00fancia<\/a> dos pesquisadores da \u00e1rea, divulgada em 29 de novembro deste ano, um dos itens que levou ao desligamento coletivo dos pesquisadores est\u00e1 relacionado \u00e0s mudan\u00e7as nas regras do Qualis-Peri\u00f3dicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O documento, assinado por 3 coordenadores e 28 consultores da MAPE, informa que o trabalho do comit\u00ea foi &#8220;severamente comprometido&#8221; pela <a href=\"https:\/\/in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/portaria-n-145-de-10-de-setembro-de-2021-344468240\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">portaria n.\u00ba 145<\/a> da Capes, publicada em 10 de setembro de 2021. A portaria foi respons\u00e1vel por fixar as disposi\u00e7\u00f5es sobre o Qualis-Peri\u00f3dicos e modificar os percentuais de ajustes dos estratos. A altera\u00e7\u00e3o veio ap\u00f3s o encerramento dos trabalhos da comiss\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o da MAPE, conclu\u00eddo em agosto de 2021, e antes que o relat\u00f3rio apresentado pudesse ser discutido pelo Col\u00e9gio de Exatas, Tecnol\u00f3gicas e Multidisciplinar. A realidade atual \u00e9 que &#8220;ningu\u00e9m sabe em que p\u00e9 a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1, n\u00e3o sabemos como vai ficar&#8221;, lamenta Vanz <em>[atualiza\u00e7\u00e3o de 17\/12: a portaria 145 foi <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/SEI_CAPES-1605132-Portaria-GAB-revogacao-qualis.pdf\">revogada nesta quinta<\/a>, 16]<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-9045.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42088\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-9045.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-9045-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-9045-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-9045-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-9045-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-9045-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><figcaption>Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Pol\u00edtica governamental de ci\u00eancia e o risco \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o intelectual<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, pesquisadores disp\u00f5em de uma variedade de alternativas para visibilizar suas produ\u00e7\u00f5es. O formato tradicional mais usado, contudo, \u00e9 baseado em artigos cient\u00edficos publicados em peri\u00f3dicos acad\u00eamicos. Na opini\u00e3o do presidente da ABEC Brasil, um cientista pode publicar onde quiser. Se for do seu interesse divulgar em uma revista predat\u00f3ria, ele tem todo direito de faz\u00ea-lo, comenta. &#8220;O que n\u00e3o pode s\u00e3o as ag\u00eancias p\u00fablicas de fomento, como a Capes, CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico], Funda\u00e7\u00f5es de Amparo \u00e0 Pesquisa, institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa e universidades aceitarem isso como produ\u00e7\u00e3o do docente. Essas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam um filtro adequado para avaliar a sua produ\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, eles aceitam pela quantidade, n\u00e3o v\u00e3o ver se aquela revista est\u00e1 ou n\u00e3o na base&#8221;, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na mesma dire\u00e7\u00e3o, Perlin refor\u00e7a que o problema \u00e9 quando se usa essa publica\u00e7\u00e3o como uma m\u00e9trica de produtividade cient\u00edfica. &#8220;Qual \u00e9 o problema? [&#8230;] Voc\u00ea paga para publicar e recebe os pontos que deveriam, num processo mais justo, ser atingidos com base no m\u00e9rito.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O efeito pr\u00e1tico \u00e9 que a revista predat\u00f3ria abre um caminho alternativo e um caminho n\u00e3o meritocr\u00e1tico para qualquer pessoa mandar um artigo, pagar a taxa de publica\u00e7\u00e3o que eles cobram, e \u00e9 um valor relativamente alto [&#8230;], e, com base nisso, ela recebe a pontua\u00e7\u00e3o do Qualis &#8211; e pode at\u00e9 obter uma pontua\u00e7\u00e3o bem alta.<\/p><cite>Marcelo Perlin<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Rode, \u00e9 preciso entender o processo. &#8220;Tudo isso \u00e9 parte de uma pol\u00edtica governamental. Houve uma \u00e9poca em que a produ\u00e7\u00e3o brasileira era muito baixa e muito nacional [&#8230;]. N\u00f3s precis\u00e1vamos dar visibilidade \u00e0 produ\u00e7\u00e3o brasileira&#8221;, relembra. A solu\u00e7\u00e3o encontrada \u00e0 \u00e9poca pela Capes foi estimular a produ\u00e7\u00e3o a partir do sistema de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A funda\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, decidiu avaliar a produ\u00e7\u00e3o pelo n\u00famero de artigos publicados em revistas, especialmente aquelas fora do Brasil. Deu resultado. Pesquisadores come\u00e7aram a publicar mais, inclusive em revistas internacionais relevantes, afirma Rode. \u00c9 o que atesta, por exemplo, o <a href=\"https:\/\/cgee.org.br\/documents\/10195\/734063\/CGEE_Pan_Cie_Bra_2015-20.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">relat\u00f3rio<\/a> produzido em 2020 pelo Observat\u00f3rio de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (OCTI) do Centro de Gest\u00e3o e Estudos Estrat\u00e9gicos (CGEE), organiza\u00e7\u00e3o social vinculada ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es (MCTI).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O documento, apresentado na 73.\u00aa reuni\u00e3o anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), analisou o panorama da ci\u00eancia brasileira entre os anos 2015 e 2020. O resultado aponta que a produ\u00e7\u00e3o nacional de artigos em 2020 aumentou 32,2% em compara\u00e7\u00e3o ao ano de 2015 &#8211; 5,1% a mais do que a produ\u00e7\u00e3o global no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Hoje, se voc\u00ea pegar revistas importantes no mundo inteiro, dificilmente voc\u00ea vai achar um fasc\u00edculo, um n\u00famero que n\u00e3o tenha artigos de brasileiros. Isso porque n\u00f3s tivemos uma pol\u00edtica de internacionaliza\u00e7\u00e3o da nossa produ\u00e7\u00e3o que deu certo.<\/p><cite>Sigmar Rode<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a estrat\u00e9gia n\u00e3o saiu t\u00e3o bem quanto o esperado. Como o ranqueamento de um pesquisador ou de um programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em \u00f3rg\u00e3os de fomentos como a Capes e o CNPq define o quanto cada um pode receber de recursos para pesquisas, cresceu a ideia de que a quantidade seria prioridade em detrimento da qualidade. Sob press\u00e3o constante, alcan\u00e7ar metas se tornou mais relevante do que produzir ci\u00eancia de alto impacto para muitos que pesquisam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nota assinada pela CBCE, por exemplo, coloca a publica\u00e7\u00e3o em peri\u00f3dicos predat\u00f3rios como um exemplo dos efeitos alcan\u00e7ados pela atual pol\u00edtica de produtivismo cient\u00edfico estimulado pelas institui\u00e7\u00f5es de fomento \u00e0 ci\u00eancia no pa\u00eds, via avalia\u00e7\u00e3o e quantifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento para libera\u00e7\u00e3o de recursos. A pol\u00edtica de avalia\u00e7\u00e3o da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds demanda uma quantidade significativa de trabalhos publicados em peri\u00f3dicos anualmente por estudantes, pesquisadores e professores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Vanz, essa alta demanda por publica\u00e7\u00f5es seria um dos fatores que alimenta o modelo de neg\u00f3cio baseado na venda de espa\u00e7os para divulga\u00e7\u00e3o de artigos, estimulando comportamentos anti\u00e9ticos de cientistas e com potencial de prejudicar as avalia\u00e7\u00f5es. Essas revistas impactam ainda n\u00e3o apenas no processo de circula\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, mas tamb\u00e9m em sua produ\u00e7\u00e3o. Na opini\u00e3o de Perlin, &#8220;o grande risco que temos como um sistema acad\u00eamico \u00e9 estarmos premiando pesquisadores ruins com recursos que deveriam ser encaminhados, de uma forma mais produtiva, para aquele pesquisador que realmente merece &#8211; que fez o trabalho e que publicou da maneira correta nas revistas n\u00e3o predat\u00f3rias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A exist\u00eancia desses peri\u00f3dicos predat\u00f3rios permite que um pesquisador ganhe esses recursos sem o processo devido.<\/p><cite>Marcelo Perlin<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vanz, Perlin e Rode concordam que essas publica\u00e7\u00f5es apresentam riscos \u00e0 integridade e credibilidade cient\u00edfica brasileira. &#8220;N\u00f3s somos avaliados pela quantidade, n\u00e3o pela qualidade&#8221;, destaca o presidente da ABEC. Tanto estudantes que pretendem se candidatar a uma vaga ou bolsa em um programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o quanto doutores em busca de financiamento para suas pesquisas est\u00e3o sob essa press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Se eu preciso fazer meu relat\u00f3rio anual e preciso colocar que eu publiquei pelo menos um artigo cient\u00edfico, eu posso ficar tentado a mandar para uma revista predat\u00f3ria que, em 30 dias, o artigo estar\u00e1 publicado. Assim eu fa\u00e7o a minha cota para continuar com meu contrato na universidade ou na institui\u00e7\u00e3o.<\/p><cite>Sigmar Rode<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rode acredita que a <span style=\"font-size: revert; color: initial;\">Capes atingiu seu objetivo com a pol\u00edtica anterior, mas precisaria mudar agora para corrigir os problemas que a postura causou \u00e0 ci\u00eancia brasileira, &#8220;o que est\u00e1 demorando a fazer&#8221;<\/span>, sinaliza. Ele defende que a Capes precisa de um outro sistema de avalia\u00e7\u00e3o que seja compat\u00edvel com os princ\u00edpios guiados pela ci\u00eancia aberta, para que a comunidade acad\u00eamica possa participar, opinar e ser ouvida de forma mais ativa e efetiva.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O enfoque tem que ser outro, a pol\u00edtica tem que ser outra. \u00c9 preciso ver outros aspectos, oxigenar o sistema de avalia\u00e7\u00e3o e ouvir a comunidade, como que ela acha que essa avalia\u00e7\u00e3o pode ser feita, e n\u00e3o fazer um <em>interna corporis<\/em>, como \u00e9 feito hoje, em que os coordenadores de \u00e1rea se fecham com a equipe de avalia\u00e7\u00e3o e decidem. Alguns coordenadores realmente ouvem a comunidade e levam os seus anseios, mas isso n\u00e3o \u00e9 regra geral na Capes.<\/p><cite>Sigmar Rode<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Pesquisadores d\u00e3o dicas para identificar revistas predat\u00f3rias<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora pare\u00e7a f\u00e1cil identificar uma revista predat\u00f3ria, essa classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante pol\u00eamica, j\u00e1 que essas publica\u00e7\u00f5es se revestem de v\u00e1rios elementos presentes nas revistas cient\u00edficas, como um DOI, ISSN (identifica\u00e7\u00e3o internacional para peri\u00f3dicos), conselho editorial, indexadores e outros crit\u00e9rios. Essas publica\u00e7\u00f5es, portanto, n\u00e3o se referem a uma categoria homog\u00eanea de pr\u00e1ticas. \u00c9 preciso cuidado para diferenciar revistas propositalmente predat\u00f3rias daquelas que podem cometer equ\u00edvocos em decorr\u00eancia de uma m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o, inexperi\u00eancia ou neglig\u00eancia. Apesar de os m\u00e9todos e as motiva\u00e7\u00f5es variarem de um caso para outro, as revistas predat\u00f3rias apresentam algumas caracter\u00edsticas e estrat\u00e9gias de atua\u00e7\u00e3o em comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em abril de 2019, um total de 43 pesquisadores e editores de dez pa\u00edses se reuniram em Ottawa, no Canad\u00e1, para construir uma defini\u00e7\u00e3o sobre peri\u00f3dicos predat\u00f3rios. No conceito, relatado no volume&nbsp;<a href=\"http:\/\/xn--uma%20barreira%20para%20o%20combate%20%20publicao%20predatria%20%2C%20em%20nossa%20opinio%2C%20a%20falta%20de%20uma%20definio%20consensual-m6k87akbyb56bqc4lw7c.\/\">576<\/a>&nbsp;da revista&nbsp;<em>Nature<\/em>, o coletivo de pesquisadores chegou ao consenso de que tais publica\u00e7\u00f5es se caracterizam por n\u00e3o seguir os padr\u00f5es aceitos e as melhores pr\u00e1ticas editorias e de publica\u00e7\u00f5es, n\u00e3o praticam transpar\u00eancia, se utilizam de solicita\u00e7\u00f5es agressivas e\/ou indiscriminadas e informa\u00e7\u00f5es falsas ou enganosas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Abaixo destacamos um conjunto de 10 elementos importantes e estrat\u00e9gias que pesquisadores, sobretudo jovens em in\u00edcio de carreira, devem saber para identificar um peri\u00f3dico predat\u00f3rio e evitar cair em suas armadilhas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#ebebeb\"><strong>1. Desconfie de convites para publica\u00e7\u00e3o<\/strong><br>Tudo come\u00e7a com um e-mail autom\u00e1tico enviado pelo editor-chefe de uma revista, aparentemente cient\u00edfica, citando nominalmente um participante de congresso. No corpo da mensagem, a men\u00e7\u00e3o ao t\u00edtulo de algum trabalho aparece seguida de felicita\u00e7\u00f5es pela qualidade do estudo, alegando a relev\u00e2ncia do artigo para a \u00e1rea do conhecimento. Logo ap\u00f3s \u00e9 feito o convite ao autor ou autora para public\u00e1-lo naquele espa\u00e7o.<br><br>No mundo acad\u00eamico, convites para publica\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma pr\u00e1tica um pouco menos frequente no processo editorial. Quando ocorrem, geralmente s\u00e3o direcionados a pesquisadores s\u00eaniores reconhecidos em uma comunidade acad\u00eamica pelo seu trabalho em torno de alguma tem\u00e1tica. Esses convites s\u00e3o feitos por peri\u00f3dicos de modo bastante seletivo, e a publica\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 garantida.<br><br>Vanz ressalta a aten\u00e7\u00e3o para o cuidado com o marketing agressivo das revistas aos pesquisadores e acad\u00eamicos, convidando-os para publicarem ou emitirem pareceres que n\u00e3o ser\u00e3o considerados. Em alguns casos, podem ocorrer convites para participar do corpo editorial tamb\u00e9m: &#8220;A forma de n\u00f3s percebermos o intuito ou a natureza da revista \u00e9 essa oferta, esse convite, porque revistas tradicionais n\u00e3o costumam enviar convites. Eles fazem uma divulga\u00e7\u00e3o mais gen\u00e9rica do seu trabalho&#8221;, completa. <br><br><strong>2. Duvide de prazos milagrosos<\/strong><br>\u201c\u00c0 exce\u00e7\u00e3o dos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/em-meio-a-pandemia-preprints-ganham-espaco-e-otimizam-comunicacao-da-ciencia-mas-controversias-ainda-cercam-modelo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">preprints<\/a>, que devem ser publicados em 24-48 horas, uma revista leva um tempo de processamento\u201d, salienta Rode. Um processo de publica\u00e7\u00e3o possui diferentes etapas. Primeiro, um artigo submetido passa por uma an\u00e1lise preliminar feita pelo corpo editorial. Em seguida, os trabalhos aprovados seguem para uma rodada de revis\u00e3o por pares \u2013 momento em que dois ou tr\u00eas pareceristas especializados no tema avaliam anonimamente o trabalho.<br><br>De posse dos pareceres, o editor os avalia e devolve ao autor, que recebe um prazo para cumprir poss\u00edveis modifica\u00e7\u00f5es solicitadas ao manuscrito. Ele, ent\u00e3o, retorna o trabalho \u00e0 revista, que d\u00e1 uma decis\u00e3o final. Aprovado para publica\u00e7\u00e3o, inicia-se o processo de editora\u00e7\u00e3o. O trabalho \u00e9 submetido a uma revis\u00e3o de idioma e normas de publica\u00e7\u00e3o. O autor recebe o texto, ent\u00e3o, para o que se chama de \u201cleitura de prova\u201d. Nesse momento n\u00e3o s\u00e3o mais aceitas solicita\u00e7\u00f5es de modifica\u00e7\u00e3o do texto, apenas de estilo e ortografia\/gram\u00e1tica. Feito isso, o pesquisador devolve o texto revisado \u00e0 revista, que encaminha para a diagrama\u00e7\u00e3o, indexa\u00e7\u00e3o e, por fim, publica\u00e7\u00e3o.<br><br>Cada uma dessas etapas varia de acordo com a&nbsp;editora, o peri\u00f3dico e a disciplina e consome um tempo consider\u00e1vel de alguns meses, no m\u00ednimo, quando n\u00e3o de mais de um ano. \u201cQuando voc\u00ea recebe de uma revista que ela vai publicar seu trabalho em 30 ou 40 dias, voc\u00ea j\u00e1 tem que ficar alerta. N\u00e3o que isso n\u00e3o possa ocorrer, mas \u00e9 muito dif\u00edcil que voc\u00ea tenha um processo editorial de um artigo que leve esse tempo t\u00e3o curto\u201d, refor\u00e7a o presidente da ABEC Brasil.<br><br>Revistas predat\u00f3rias prometem r\u00e1pida revis\u00e3o por pares e uma resposta entre cinco e sete dias. O volume de trabalhos publicados nelas, chegando em mais de tr\u00eas centenas em uma \u00fanica edi\u00e7\u00e3o, revela uma din\u00e2mica de procedimentos incompat\u00edvel com os padr\u00f5es tradicionais exigidos pelas revistas mais relevantes.<br><br><strong>3. Pagamentos de taxas para publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o informados desde o in\u00edcio<\/strong><br>Publicar implica custos com o trabalho editorial, infraestrutura t\u00e9cnica e inova\u00e7\u00e3o, marketing da revista e do conte\u00fado, produ\u00e7\u00e3o de artigos e atendimento ao cliente, por exemplo. Dentro desse contexto, \u00e9 comum que algumas revistas cobrem uma taxa de processamento de artigos, conhecida pela sigla em ingl\u00eas para&nbsp;<em>Article Processing Charges&nbsp;<\/em>(APC), para que um trabalho completo seja publicado em acesso aberto permanentemente. \u201cA revista&nbsp;<em>Nature<\/em>, que \u00e9 tradicional, cobra uma taxa muito cara para publica\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 predat\u00f3ria, porque ela faz a avalia\u00e7\u00e3o por pares\u201d, relembra Vanz.<br><br>O problema, portanto, n\u00e3o est\u00e1 no pagamento das APCs, uma vez que, em alguns casos, s\u00e3o a \u00fanica forma de sustentabilidade de publica\u00e7\u00f5es em determinadas \u00e1reas do conhecimento. As revistas predat\u00f3rias t\u00eam como objetivo principal lucrar com a publica\u00e7\u00e3o, logo, haver\u00e1 taxa. Nas mensagens enviadas aos autores, contudo, nenhuma men\u00e7\u00e3o \u00e9 feita ao pagamento de honor\u00e1rios. Em muitos casos, essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 omitida at\u00e9 as v\u00e9speras da publica\u00e7\u00e3o do trabalho, refor\u00e7am os professores. Caso o autor deseje retirar ou retratar seu artigo futuramente, essas revistas cobram ainda uma taxa.<br><br><strong>4. Revistas predat\u00f3rias n\u00e3o oferecem servi\u00e7os editoriais b\u00e1sicos<\/strong><br>Revistas predat\u00f3rias n\u00e3o se preocupam com a qualidade do trabalho e n\u00e3o seguem crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o. Tais publica\u00e7\u00f5es n\u00e3o verificam a legitimidade dos artigos e pouco ou nenhum servi\u00e7o editorial de publica\u00e7\u00e3o \u00e9 fornecido.<br><br>A revis\u00e3o por pares, por exemplo, \u00e9 negligenciada ou simplesmente ignorada por esse tipo de publica\u00e7\u00e3o. Embora algumas revistas prometam faz\u00ea-lo, trata-se apenas de uma pr\u00e1tica protocolar, defende Rode. Outras quest\u00f5es, como a verifica\u00e7\u00e3o de pl\u00e1gio ou a aprova\u00e7\u00e3o \u00e9tica, tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o asseguradas por esses espa\u00e7os de divulga\u00e7\u00e3o, assim como a revis\u00e3o textual do trabalho, que fica sob a responsabilidade do autor.<br><br><strong>5. T\u00edtulos gen\u00e9ricos e abrang\u00eancia tem\u00e1tica<\/strong><br>As revistas predat\u00f3rias possuem t\u00edtulos absolutamente gen\u00e9ricos escritos em ingl\u00eas.&nbsp;<em>International Journal<\/em>,&nbsp;<em>American Academy<\/em>,&nbsp;<em>International Association<\/em>,&nbsp;<em>Global Research<\/em>,&nbsp;<em>Scientific Journal<\/em>&nbsp;e, no contexto nacional,&nbsp;<em>Brazilian Journal<\/em>&nbsp;s\u00e3o express\u00f5es bastante comuns que imitam t\u00edtulos de maior prest\u00edgio. O presidente da ABEC Brasil refor\u00e7a que existem revistas importantes com esses nomes, mas ressalta que os autores procurem investigar qual sociedade ou editora est\u00e1 por tr\u00e1s de publica\u00e7\u00f5es com esses t\u00edtulos, j\u00e1 que s\u00e3o muito semelhantes aos de peri\u00f3dicos qualificados.<br><br>Al\u00e9m do t\u00edtulo, o escopo dessas publica\u00e7\u00f5es n\u00e3o delimita uma \u00e1rea espec\u00edfica de interesse, geralmente recebendo contribui\u00e7\u00f5es de praticamente todas as \u00e1reas do conhecimento &#8211; pol\u00edtica que \u00e9 improv\u00e1vel com a tend\u00eancia a revistas cada vez mais especializadas. O nome do peri\u00f3dico tamb\u00e9m n\u00e3o reflete sua origem \u2013 mesmo os nacionais possuem o nome e o site em l\u00edngua estrangeira, sobretudo ingl\u00eas.<br><br><strong>6. Falta de transpar\u00eancia e alega\u00e7\u00f5es ou promessas falsas s\u00e3o frequentes<\/strong><br>Revistas predat\u00f3rias destacam, em seus sites, que est\u00e3o indexadas em uma grande quantidade de bases de dados cient\u00edficas, apesar de a maioria delas serem falsas ou terem pouco ou nenhum crit\u00e9rio para sele\u00e7\u00e3o de revistas. Esses peri\u00f3dicos tamb\u00e9m calculam seus pr\u00f3prios indicadores de fator de impacto, argumenta Rode, pagando a um site que gera certificados sem qualquer validade.<br><br>Tamb\u00e9m \u00e9 frequente que pesquisadores reconhecidos apare\u00e7am como membros editoriais sem o consentimento pr\u00e9vio de cada um, ou mesmo que sejam nomes fict\u00edcios, destaca Perlin. Quando h\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o do corpo editorial, ele \u00e9 muito restrito, de diferentes pa\u00edses e de \u00e1reas completamente distintas. O editor tem um curr\u00edculo incompat\u00edvel com o escopo da revista ou sua fun\u00e7\u00e3o (alguns n\u00e3o possuem doutorado). Essas revistas tamb\u00e9m fraudam o endere\u00e7o da sede, em geral alegando estar nos Estados Unidos, mas a maioria \u00e9 publicada em pa\u00edses da periferia cient\u00edfica, como Egito, Nig\u00e9ria e \u00cdndia.<br><br>As revistas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o transparentes com informa\u00e7\u00f5es como a lista de pareceristas, o n\u00famero de submiss\u00f5es ou taxas de aceites e recusas, e algumas n\u00e3o usam um sistema de editora\u00e7\u00e3o de revistas cient\u00edficas, como o&nbsp;<em>seer<\/em>&nbsp;(embora algumas passaram a utilizar esse sistema).<br><br><strong>7. Publica\u00e7\u00f5es recentes e tend\u00eancia a mudan\u00e7as repentinas<\/strong><br>Revistas predat\u00f3rias surgiram gra\u00e7as \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o dos custos com a migra\u00e7\u00e3o de peri\u00f3dicos ao formato digital. Em espec\u00edfico, s\u00e3o peri\u00f3dicos nativos digitais que n\u00e3o disp\u00f5em das d\u00e9cadas ou at\u00e9 s\u00e9culos de hist\u00f3ria que alguns dos mais importantes det\u00eam, como&nbsp;<em>The Lancet<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>Nature<\/em>.<br><br>Apesar dos poucos anos de cria\u00e7\u00e3o, publicam volumes mensais com uma grande quantidade de artigos. Outra caracter\u00edstica marcante dessas revistas, segundo Perlin, \u00e9 a tend\u00eancia a mudan\u00e7as repentinas em seu nome, por exemplo, preservando o mesmo ISSN. Isso faz com que um trabalho possa desaparecer repentinamente, j\u00e1 que elas n\u00e3o possuem uma pol\u00edtica de preserva\u00e7\u00e3o digital.<br><br><strong>8. Avalie o site da revista<\/strong><br>Vanz recomenda que os pesquisadores avaliem os sites das publica\u00e7\u00f5es. Revistas predat\u00f3rias geralmente possuem uma interface amadora, um design simples e polui\u00e7\u00e3o visual (imagens distorcidas) com informa\u00e7\u00f5es para chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, especialmente para as bases indexadas e a avalia\u00e7\u00e3o no Qualis-Peri\u00f3dicos.<br><br>\u00c9 importante tamb\u00e9m atentar para algumas outras quest\u00f5es no site:<br>&#8211; erros de ortografia ou gram\u00e1tica s\u00e3o frequentes;<br>&#8211; uso de m\u00e9tricas alternativas (certifica\u00e7\u00e3o de fator de impacto, por exemplo);<br>&#8211; dados do editor incoerentes;<br>&#8211; o servidor que hospeda a revista n\u00e3o est\u00e1 vinculado a nenhuma institui\u00e7\u00e3o de ensino e pesquisa;<br>&#8211; n\u00e3o s\u00e3o descritos claramente o procedimento editorial, a pol\u00edtica de \u00e9tica, o plagiarismo e a retrata\u00e7\u00e3o, o processo de avalia\u00e7\u00e3o pelos pares e as declara\u00e7\u00f5es de direito autoral e privacidade \u2013 em geral, as revistas ret\u00eam os direitos autorais das pesquisas publicadas;<br>&#8211; a submiss\u00e3o \u00e9 feita por e-mail, na maioria dos casos, e o endere\u00e7o de contato n\u00e3o \u00e9 profissional nem afiliado ao peri\u00f3dico; e<br>&#8211; a revista n\u00e3o \u00e9 signat\u00e1ria da&nbsp;<a href=\"https:\/\/sfdora.org\/\"><em>San Francisco<\/em>&nbsp;<em>Declaration on Research Assessment<\/em>&nbsp;(DORA)<\/a>&nbsp;ou da&nbsp;<a href=\"https:\/\/publicationethics.org\/\">Comittee on Publication Ethics (COPE)<\/a>&nbsp;e n\u00e3o \u00e9 membro de associa\u00e7\u00f5es de revistas e editores cient\u00edficos nacionais ou internacionais.<br><br><strong>9. Consulte listas p\u00fablicas, indexadores relevantes e ferramentas<\/strong><br>Com o intuito de ajudar os pesquisadores, existem algumas listas p\u00fablicas que elencam v\u00e1rias revistas potencialmente predat\u00f3rias. A mais famosa delas \u00e9 a&nbsp;<a href=\"https:\/\/beallslist.net\/\">Beall\u2019s List<\/a>, editada entre 2008 e 2017. Esse site tamb\u00e9m inclui uma variedade de outras listas de&nbsp;<a href=\"https:\/\/beallslist.net\/hijacked-journals\/\">revistas sequestradas<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/beallslist.net\/misleading-metrics\/\">m\u00e9tricas enganosas<\/a>, etc.<br><br>Essa lista, contudo, n\u00e3o est\u00e1 longe de controv\u00e9rsias, como argumenta Perlin: \u201cExistem cr\u00edticas muito fortes a respeito do uso de crit\u00e9rios, aparentemente, nem sempre t\u00e3o objetivos\u201d.<br><br>Al\u00e9m da lista de Beall, existem a&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/predatoryjournals.com\/\">Stop Predatory Journals<\/a><\/em>&nbsp;e a&nbsp;<a href=\"https:\/\/predaqualis.netlify.app\/\">Preda Qualis<\/a> &#8211; esta \u00faltima um levantamento desenvolvido por pesquisadores brasileiros em 2017 para rastrear peri\u00f3dicos potencialmente fraudulentos listados pelo sistema Qualis-Peri\u00f3dicos. Um dos produtos do trabalho \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/predaqualis.netlify.app\/lista\/\">lista interativa<\/a>&nbsp;de revistas predat\u00f3rias.<br><br>Para o presidente da ABEC Brasil, verificar em que base de dados a revista est\u00e1 indexada \u00e9 o caminho para diferenciar peri\u00f3dicos s\u00e9rios de predat\u00f3rios. Algumas bases confi\u00e1veis citadas pelo professor s\u00e3o <a href=\"https:\/\/clarivate.com\/webofsciencegroup\/solutions\/web-of-science\/\">Web of Science<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.elsevier.com\/pt-br\/solutions\/scopus\">Scopus<\/a>,&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/jcr.clarivate.com\/jcr\/home\">Journal Citation Reports<\/a><\/em>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/\">PubMed<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/doaj.org\/\">DOAJ<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.scielo.org\/\">SciELO<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.redalyc.org\/\">Redalyc&nbsp;<\/a>e&nbsp;<a href=\"https:\/\/lilacs.bvsalud.org\/\">LILACS&nbsp;<\/a>\u2013 as tr\u00eas \u00faltimas da Am\u00e9rica Latina.<br><br>A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que os autores desconfiem das alega\u00e7\u00f5es de indexa\u00e7\u00e3o das revistas e chequem as informa\u00e7\u00f5es, buscando nessas bases de dados. Em 2014, por exemplo, a DOAJ, um indexador de peri\u00f3dicos de acesso aberto,&nbsp;<a href=\"https:\/\/blog.doaj.org\/2014\/08\/28\/some-journals-say-they-are-in-doaj-when-they-are-not\/\">publicou<\/a>&nbsp;que muitas revistas afirmavam ser indexadas pela base quando, na realidade, n\u00e3o eram. &#8220;Verificar nas bases de dados \u00e9 a melhor maneira de voc\u00ea saber se a revista \u00e9 ou n\u00e3o predat\u00f3ria, porque muitas das listas de revistas predat\u00f3rias est\u00e3o desatualizadas. Voc\u00ea n\u00e3o consegue atualiz\u00e1-las com a mesma rapidez com a qual eles criam esse tipo de revista&#8221;, refor\u00e7a Sigmar Rode. <br><br>Al\u00e9m dessas op\u00e7\u00f5es de checagem, existem hoje algumas ferramentas para ajudar os pesquisadores a escolherem a revista adequada para publicar seus trabalhos. A&nbsp;<a href=\"https:\/\/digitalcommons.lmu.edu\/librarian_pubs\/40\/\"><em>Journal Evaluation Tool<\/em><\/a>, por exemplo, \u00e9 uma ferramenta gratuita de pontua\u00e7\u00e3o que pode ser usada por qualquer pessoa para ajud\u00e1-la a determinar a credibilidade de um peri\u00f3dico. O mecanismo foi criado pela Biblioteca William H. Hannon, da Universidade Loyola Marymount, nos Estados Unidos.<br><br>Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 o site&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/thinkchecksubmit.org\/\">Think. Check. Submit<\/a><\/em>, que oferece alguns conselhos sobre como publicar em uma revista relevante, al\u00e9m de conte\u00fados em v\u00eddeo, uma lista de verifica\u00e7\u00e3o similar \u00e0 ferramenta anterior e algumas dicas para checagem da credibilidade de uma revista. Essas s\u00e3o apenas duas op\u00e7\u00f5es dentre tantas ferramentas dispon\u00edveis na internet.<br><br><strong>10. Na d\u00favida, busque orienta\u00e7\u00e3o<\/strong><br>Se ainda assim persistirem d\u00favidas, o caminho \u00e9 buscar orienta\u00e7\u00e3o nas bibliotecas das universidades, recomenda a professora Samile Vanz. Para ela, o papel dos bibliotec\u00e1rios \u00e9 justamente ensinar e mostrar os caminhos ao p\u00fablico da biblioteca. Faz parte das compet\u00eancias e habilidades desse profissional comentar sobre os requisitos de um peri\u00f3dico s\u00e9rio, elementos de credibilidade, as caracter\u00edsticas de um peri\u00f3dico predat\u00f3rio e proporcionar uma esp\u00e9cie de ensino e de educa\u00e7\u00e3o que precisa se fazer com os alunos e usu\u00e1rios da biblioteca. &#8220;Um bibliotec\u00e1rio que atue numa biblioteca universit\u00e1ria, ou mesmo escolar, precisa dar um direcionamento sobre as fontes de informa\u00e7\u00e3o que o usu\u00e1rio vai consultar&#8221;, complementa.<br><br>Na opini\u00e3o de Perlin e Vanz, a rela\u00e7\u00e3o com o orientador, por ser mais experiente, tamb\u00e9m \u00e9 importante para direcionar os alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o a publicar em revistas conceituadas e participar de eventos s\u00e9rios desde o in\u00edcio da carreira. \u201cEsse \u00e9 um processo de construir conjuntamente, conversando e orientando os alunos e os acad\u00eamicos mais jovens\u201d, pontua Perlin. \u201c\u00c9 junto com o orientador que se trilha um caminho de maior seguran\u00e7a\u201d, argumenta Vanz.<br><br>As revistas, editoras, eventos, indexadores e bases predat\u00f3rias s\u00e3o um fen\u00f4meno global complexo que s\u00f3 pode ser combatido com o ensino e a educa\u00e7\u00e3o para a conscientiza\u00e7\u00e3o, defendem em unanimidade os pesquisadores. \u201c[\u00c9 preciso] ensinar para as pessoas o que \u00e9 uma revista predat\u00f3ria [\u2026], porque o conhecimento \u00e9 a base fundamental para evitarmos a publica\u00e7\u00e3o nelas. Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 falar sobre o assunto, expor e orientar para que as pessoas evitem\u201d, refor\u00e7a o presidente da ABEC Brasil.<br><br>\u201cN\u00f3s precisamos conversar sobre isso, dizer e mostrar que essas revistas existem, que elas tiram vantagem e, mais importante, que elas v\u00e3o mais prejudicar do que ajudar o pesquisador\u201d, adverte Perlin. O professor tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para os pesquisadores n\u00e3o confiarem cegamente no Qualis-Peri\u00f3dicos: &#8220;Eu acho o Qualis mais, assim, como uma orienta\u00e7\u00e3o do que como algo para voc\u00ea seguir cegamente, porque o Qualis tem falhas&#8221;.<br><br>Os pesquisadores refor\u00e7am que o papel do jornalismo cient\u00edfico \u00e9 fundamental para visibilizar as a\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas predat\u00f3rias na ci\u00eancia e informar o p\u00fablico sobre o tema. \u201cQuanto mais falarmos de revistas predat\u00f3rias, quanto mais as pessoas entenderem o que \u00e9 uma publica\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, menos pessoas entrar\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o. E quanto menos entrarem, menos as revistas predat\u00f3rias ir\u00e3o se proliferar, porque elas s\u00f3 crescem porque tem quem publique l\u00e1\u201d, sinaliza Rode.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Integridade cient\u00edfica<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No intuito de oferecer caminhos para auxiliar sua comunidade acad\u00eamica diante de uma abund\u00e2ncia de pr\u00e1ticas question\u00e1veis, a <a href=\"https:\/\/www.ufr]gs.br\/propesq1\/propesq\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pr\u00f3-reitoria de Pesquisa da UFRGS<\/a> lan\u00e7ou, em 2020, o seu <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/propesq1\/propesq\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Guia-para-Integridade-em-Pesquisa-2020-UFRGS.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">manual para integridade em pesquisa cient\u00edfica<\/a>. A proposta acompanha uma tend\u00eancia internacional voltada para a necessidade de impulsionar a melhoria da pesquisa, como mostram os <a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosbiology\/article?id=10.1371\/journal.pbio.3000737\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Princ\u00edpios de Hong Kong<\/a>, um conjunto de cinco fundamentos lan\u00e7ados em 2020 como parte da 6.\u00aa Confer\u00eancia Mundial sobre Integridade da Pesquisa, a maior e mais importante confer\u00eancia internacional sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O guia da UFRGS fornece, com o objetivo de promover a integridade da ci\u00eancia, um conjunto de recomenda\u00e7\u00f5es de conduta a serem seguidas pelos membros da comunidade universit\u00e1ria envolvidos com a pesquisa cient\u00edfica. O documento finaliza listando algumas pr\u00e1ticas question\u00e1veis em pesquisa, entre as quais figura a edi\u00e7\u00e3o ou o financiamento a revistas que s\u00e3o classificadas como potencialmente predat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar dos desafios, Vanz v\u00ea avan\u00e7os diante dos enfrentamentos e do cen\u00e1rio particular em que a sociedade foi exposta com a pandemia de covid-19. &#8220;N\u00f3s, enquanto pesquisadores, estamos mais atentos \u00e0 quest\u00e3o da integridade e da \u00e9tica em pesquisa. A sociedade, em geral, est\u00e1 um pouco mais alfabetizada, um pouco mais atenta tamb\u00e9m a tudo isso. Apesar de as revistas nos colocarem em risco, sem d\u00favida, creio que n\u00f3s estamos desenvolvendo instrumentos e compet\u00eancias para perceber que as revistas predat\u00f3rias s\u00e3o predat\u00f3rias&#8221;, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-9036.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42086\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-9036.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-9036-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-9036-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-9036-768x511.jpg 768w, 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