{"id":42380,"date":"2022-01-17T08:01:00","date_gmt":"2022-01-17T11:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=42380"},"modified":"2022-01-17T08:44:32","modified_gmt":"2022-01-17T11:44:32","slug":"praticas-da-museologia-e-o-movimento-lgbt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/praticas-da-museologia-e-o-movimento-lgbt\/","title":{"rendered":"Pr\u00e1ticas da Museologia e o movimento LGBT"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Elis\u00e2ngela Silveira de Assump\u00e7\u00e3o, estudante de Museologia, argumenta que a experi\u00eancia de curadoria compartilhada com o grupo nuances proporcionou um canal de representatividade e legitimidade nas institui\u00e7\u00f5es museol\u00f3gicas<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Por: Elis\u00e2ngela Silveira de Assump\u00e7\u00e3o <br>*Fl\u00e1vio: Fl\u00e1vio Dutra\/ Arq. JU 08 dez. 2019<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No atual cen\u00e1rio, diante das tentativas de sufocar a diversidade em meio a um universo ficticiamente heteronormativo, parece que apenas eventos que conquistam repercuss\u00e3o midi\u00e1tica e de abrang\u00eancia nacional ou internacional, como o fechamento da Exposi\u00e7\u00e3o Queermuseu, \u00e9 que sofrem certos tipos de rep\u00fadios. Em contrapartida, eventos de pouca visibilidade nem entram para a hist\u00f3ria; geram, contudo, igual descontentamento e traumas aos indiv\u00edduos que buscam constituir um legado positivo para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gerar legitimidade e credibilidade por meio do discurso engajado em uma comunidade \u00e9 propiciar intera\u00e7\u00e3o local; a hora \u00e9 de engajamento social, n\u00e3o se tem tempo a perder, pois atualmente vidas s\u00e3o arrancadas do conv\u00edvio social pela viol\u00eancia &#8211; combater esse comportamento \u00e9 uma das prioridades no movimento LGBT. Realizar atividades que d\u00e3o <a href=\"http:\/\/bell.unochapeco.edu.br\/revistas\/index.php\/rcc\/article\/view\/2602\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">protagonismo \u00e0s pessoas LGBT<\/a> e sensibilizam coletivamente para uma mudan\u00e7a social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica propicia a conscientiza\u00e7\u00e3o vinculada \u00e0 lembran\u00e7a no reconhecimento de tens\u00f5es vivenciadas pelos portadores dessa mesma mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o <a href=\"https:\/\/r.search.yahoo.com\/_ylt=AwrJ6y7NOa5hvUUAuhTz6Qt.;_ylu=Y29sbwNiZjEEcG9zAzEEdnRpZAMEc2VjA3Ny\/RV=2\/RE=1638836814\/RO=10\/RU=https%3a%2f%2fwww.facebook.com%2fnuanceslgbts\/RK=2\/RS=PRn5foDSrbPASgaBFB8JD46USIc-\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nuances &#8211; Grupo Pela Livre Express\u00e3o Sexual<\/a>, representante da comunidade LGBT, experienciou a\u00e7\u00f5es expogr\u00e1ficas no decorrer dos seus 30 anos e aponta que preservar a mem\u00f3ria tem o sentido de relembrar para n\u00e3o repetir os erros nem sucumbir ao retrocesso, tanto nas causas voltadas \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o LGBT quanto ao compreender as faces da cultura da diversidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo optou por se utilizar de express\u00f5es ousadas e er\u00f3ticas em seu roteiro para chamar aten\u00e7\u00e3o para suas milit\u00e2ncias, ressignificando, assim, express\u00f5es pejorativas de maneira bem-humorada, propiciando maior visibilidade \u00e0s lutas e positivando suas a\u00e7\u00f5es; solidificando a sua relev\u00e2ncia para os p\u00fablicos de refer\u00eancia e para todos os que desejem assimilar com mais intensidade a import\u00e2ncia que cada indiv\u00edduo possui na constitui\u00e7\u00e3o da sociedade. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O nuances buscou expressar as falas oprimidas e ostentar a sua mem\u00f3ria em a\u00e7\u00f5es que come\u00e7aram t\u00edmidas, mas que sempre foram relevantes num caminhar que se mant\u00e9m atual, por\u00e9m com uma crescente maturidade e com profundo embasamento.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Museologia vem atravessando d\u00e9cadas de aut\u00eantico empenho em vias de qualificar cada vez mais suas atividades e se opondo aos gabinetes de curiosidades que resistem ao tempo. Assim, com intuito de realizar exposi\u00e7\u00f5es que propiciam lembran\u00e7as, bem como ressignifica\u00e7\u00f5es de antigas lembran\u00e7as, aproxima o passado do presente e legitima coletivos e ativistas em suas causas genu\u00ednas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <a href=\"http:\/\/memoriamslufrgs.online\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">curso de Museologia da UFRGS<\/a> e o nuances uniram-se a partir de pr\u00e1ticas como curadorias compartilhadas, montagens de exposi\u00e7\u00f5es, pesquisas, sele\u00e7\u00e3o de acervo entre outros desafios no \u00e2mbito da expografia, abrangendo aspectos de planejamento, metodologia, pol\u00edtica e t\u00e9cnica. Assim ocorreu a realiza\u00e7\u00e3o de tr\u00eas trabalhos de \u00eaxito comprovado pelo p\u00fablico visitante, que foi crescente no decorrer dos eventos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Enquanto edificadores da pr\u00f3pria mem\u00f3ria, curadores e curadoras trouxeram para o contexto expositivo as dores, os marcadores sociais, bem como as atua\u00e7\u00f5es coletivas, para a preserva\u00e7\u00e3o dos direitos ligados \u00e0s quest\u00f5es LGBT.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Construir o percurso da mem\u00f3ria LGBT \u00e9, em grande parte, uma trama que \u00e9 tecida por hist\u00f3rias orais, sem muitos elementos tridimensionais que a pontue, ou seja, sem objetos que sirvam de registros dessas hist\u00f3rias. Isso acontece pelo fato de que, at\u00e9 o dia de hoje, n\u00e3o se teve a a\u00e7\u00e3o de nenhuma institui\u00e7\u00e3o museol\u00f3gica ga\u00facha que se detivesse a preservar as indument\u00e1rias de personagens constituintes dessa jornada nas esferas sociais, pol\u00edticas e culturais. Sendo assim, se faz necess\u00e1ria a constitui\u00e7\u00e3o de uma cole\u00e7\u00e3o LGBT, pois, al\u00e9m de os artefatos pertencerem ao universo perform\u00e1tico dessa comunidade, constr\u00f3i-se dessa forma a sua hist\u00f3ria, sendo <a href=\"https:\/\/dobras.emnuvens.com.br\/dobras\/article\/view\/121\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">poss\u00edvel revelar caracter\u00edsticas e idiossincrasias<\/a> como vest\u00edgios de quem somos, de nossos h\u00e1bitos; s\u00e3o os registros de nossa trajet\u00f3ria e de nossos costumes em determinada \u00e9poca e local.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse \u00ednterim, a territorialidade se demonstrou tema de grande import\u00e2ncia nesse meio e p\u00f4de se constituir atrav\u00e9s da <a href=\"https:\/\/revistas2.uepg.br\/index.php\/rlagg\/article\/view\/10367\/pdf16\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">indica\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de sociabilidade LGBT na cidade de Porto Alegre<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trazer aos holofotes falas consideradas das minorias tende a enriquecer os processos expositivos, bem como diversificar os tipos de express\u00e3o. Nesse sentido, criar novas configura\u00e7\u00f5es expositivas traz dinamismo e atualidade \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, pois a articula\u00e7\u00e3o entre <a href=\"https:\/\/mariochagas.com\/producoes-bibliograficas\/artigosecapitulos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">museu, mem\u00f3ria e criatividade<\/a> contribui para a transforma\u00e7\u00e3o social. \u00c9 preciso construir uma <a href=\"https:\/\/pt.calameo.com\/read\/001105595d1ca29bcb058\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Museologia LGBT<\/a> efetivamente, a fim demonstrar que a Museologia n\u00e3o pode mais silenciar sobre a tem\u00e1tica LGBT nem sobre as in\u00fameras lutas que os brasileiros travam: as lutas dos povos origin\u00e1rios, das comunidades negras, das pessoas com defici\u00eancias, etc.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Intencionalmente, as institui\u00e7\u00f5es museol\u00f3gicas devem estar preparadas para despertar emo\u00e7\u00f5es em seus p\u00fablicos, como interesse, curiosidade, surpresa, entre outras viv\u00eancias que s\u00e3o consequ\u00eancias de um processo de pesquisa curatorial que gera fluidez no projeto expogr\u00e1fico e proporciona ao visitante uma breve apropria\u00e7\u00e3o de sentido. Faz-se essencial apropriar-se da diversidade pulsante e refutar o preconceito e outras barreiras atitudinais que n\u00e3o permitem transmitir as possibilidades que uma exposi\u00e7\u00e3o com tem\u00e1tica LGBT proporciona. Assim, a <a href=\"https:\/\/www.repositorio.museologialab.org\/expologia-2\/conceitos-chave-de-museologia-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">expologia<\/a> responde ao processo de absor\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a de cultura, conferindo um aprendizado \u00fanico como resultado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os di\u00e1logos promovidos pela curadoria compartilhada elencaram pessoas e propostas que juntas fortalecem tanto a causa LGBT quanto a comunidade ga\u00facha. Para a Museologia, associar patrim\u00f4nio e movimentos sociais LGBT \u00e9 um exerc\u00edcio de criar ressignifica\u00e7\u00f5es e de contribuir para gerar empoderamento \u00e0s minorias, al\u00e9m de proporcionar debates, exposi\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es educativas sobre temas considerados tabus sociais, abrindo para essas vozes um canal de representatividade e legitimidade nas institui\u00e7\u00f5es museol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-7055.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42478\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-7055.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-7055-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-7055-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-7055-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-7055-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-7055-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"613\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-5710.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42476\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-5710.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-5710-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-5710-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-5710-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-5710-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Fla\u0301vio-Dutra-5710-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><figcaption>Manifestantes participam da Parada Livre, organizada pelo Nuances em conjunto com outras entidades em Porto Alegre. Na imagem de capa, bandeira sa\u00fada o grupo (Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/ Arq. JU 08 dez.2019)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-color has-text-color has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#ebebeb\"><a href=\"https:\/\/wwws.cnpq.br\/cvlattesweb\/PKG_MENU.menu?f_cod=E0893BEA667B2135C1849509EE3970B9\"><strong>Elis\u00e2ngela Silveira de Assump\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a> \u00e9 estudante do 7.\u00ba semestre do Bacharelado em Museologia da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\"><em>&#8220;As manifesta\u00e7\u00f5es expressas neste ve\u00edculo n\u00e3o representam obrigatoriamente o posicionamento da UFRGS como um todo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo | Elis\u00e2ngela Silveira de Assump\u00e7\u00e3o, estudante de Museologia, argumenta que a experi\u00eancia de curadoria compartilhada com o grupo nuances proporcionou um canal de representatividade e legitimidade nas institui\u00e7\u00f5es museol\u00f3gicas<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/praticas-da-museologia-e-o-movimento-lgbt\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":42477,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[53],"tags":[2800,1246,2801,2799,2288,2802],"ppma_author":[2938],"class_list":["entry","author-gerente","has-excerpt","post-42380","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-artigo","tag-exposicao-lgbt","tag-memoria","tag-movimento-social-lgbt","tag-museologia-lgbt","tag-nuances","tag-praticas-museologicas"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - 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