{"id":43567,"date":"2022-02-17T08:16:00","date_gmt":"2022-02-17T11:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=43567"},"modified":"2022-02-17T11:18:29","modified_gmt":"2022-02-17T14:18:29","slug":"mulheres-pioneiras-na-tecnologia-e-ciencia-da-ufrgs-contam-sua-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/mulheres-pioneiras-na-tecnologia-e-ciencia-da-ufrgs-contam-sua-historia\/","title":{"rendered":"Mulheres pioneiras na tecnologia e ci\u00eancia da UFRGS contam sua hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"diversidade-professoras-pesquisadoras-e-especialistas-em-suas-areas-mulheres-das-areas-de-ciencias-tecnologias-e-engenharias-da-ufrgs-discorrem-sobre-suas-carreiras-e-a-disparidade-de-genero-no-campo-das-ciencias-duras\">Diversidade | Professoras, pesquisadoras e especialistas em suas \u00e1reas, mulheres&nbsp;das \u00e1reas de ci\u00eancias, tecnologias e engenharias da UFRGS discorrem sobre suas carreiras e a disparidade de g\u00eanero no campo das \u201cci\u00eancias duras\u201d<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\">*<em>Foto: Rochele-Zandavalli<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A&nbsp;Universidade Federal do Rio Grande do Sul \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria, com reconhecimento nacional e internacional.&nbsp;Apenas essa breve apresenta\u00e7\u00e3o retirada da p\u00e1gina virtual da institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz jus \u00e0 import\u00e2ncia&nbsp;da Universidade que, por 8 anos seguidos, foi considerada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o a melhor do pa\u00eds.&nbsp;Segunda casa de mais de 40 mil pessoas, a UFRGS \u00e9 destaque&nbsp;de qualifica\u00e7\u00e3o&nbsp;em diversas \u00e1reas do conhecimento.&nbsp;&nbsp;Dentre as tantas&nbsp;atividades&nbsp;promovidas&nbsp;pela Universidade&nbsp;que&nbsp;s\u00e3o de vital&nbsp;import\u00e2ncia&nbsp;social e acad\u00eamica,&nbsp;h\u00e1, entretanto, um&nbsp;ramo que na modernidade ganha um destaque jamais visto: a&nbsp;inova\u00e7\u00e3o&nbsp;tecnol\u00f3gica.&nbsp;E se formos&nbsp;falar&nbsp;sobre o&nbsp;primeiro computador da UFRGS ou&nbsp;sobre a primeira secretaria de transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica, ou at\u00e9 mesmo&nbsp;citar&nbsp;nomes de destaque no pedido de patentes com aplica\u00e7\u00f5es no mercado,&nbsp;estaremos falando sobre&nbsp;o trabalho de professoras e pesquisadoras.&nbsp;Afinal, o&nbsp;percal\u00e7o&nbsp;do desenvolvimento tecnol\u00f3gico na&nbsp;nossa universidade&nbsp;\u00e9&nbsp;marcado pelo&nbsp;pioneirismo&nbsp;feminino&nbsp;de mulheres&nbsp;que n\u00e3o s\u00f3 demonstraram ser destaque&nbsp;em suas \u00e1reas, mas que est\u00e3o presentes&nbsp;em todas as etapas, desde&nbsp;a forma\u00e7\u00e3o&nbsp;de pesquisadores envolvidos com essa tem\u00e1tica at\u00e9 a consagra\u00e7\u00e3o&nbsp;da&nbsp;inova\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Secretaria de Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico (Sedetec) da UFRGS, existente h\u00e1 mais de vinte anos, \u00e9&nbsp;respons\u00e1vel pelo fomento da inova\u00e7\u00e3o e do empreendedorismo dentro da Universidade. Um de seus setores de mais destaque \u00e9, justamente, a \u00e1rea de propriedade intelectual. Tr\u00eas crit\u00e9rios s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o para decidir se um conhecimento se enquadra para o dep\u00f3sito de pedido de patente: ser uma atividade inventiva, ser novidade e ter aplica\u00e7\u00e3o industrial. Por\u00e9m, atingir esses tr\u00eas requisitos, de forma alguma, \u00e9 uma tarefa simples, e o caminho at\u00e9&nbsp;sua concretiza\u00e7\u00e3o \u00e9 complexo. De acordo o chefe do Setor de Propriedade Intelectual da Sedetec, Felipe Brand\u00e3o, \u201ca patente se&nbsp;d\u00e1 do&nbsp;confronto da pesquisa com tudo aquilo que existe no mundo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Felipe \u00e9 um dos autores do artigo \u201cMulheres na Produ\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica da UFRGS: Abordagem Patentom\u00e9trica\u201d, escrito em parceria com o N\u00facleo de Estudos em Ci\u00eancia, Inova\u00e7\u00e3o e Tecnologia (NECIT) da Fabico&nbsp;e que faz uma an\u00e1lise da atua\u00e7\u00e3o feminina&nbsp;nos dep\u00f3sitos&nbsp;de pedidos de patentes da Universidade.&nbsp;Nessa an\u00e1lise da produ\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica feita por mulheres, duas pesquisadoras da UFRGS ocupam um lugar de destaque: S\u00edlvia Guterres e Adriana Pohlmann, ambas vinculadas \u00e0 Faculdade de Farm\u00e1cia. Elas se destacam &#8220;tanto em quest\u00e3o num\u00e9rica \u2013 ou seja, no maior n\u00famero de pedidos de patentes \u2013 como tamb\u00e9m numa posi\u00e7\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o. S\u00e3o duas mulheres que est\u00e3o no centro e o trabalho delas interage&nbsp;e influencia&nbsp;os demais&#8221;, afirma Felipe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00edlvia e Adriana acumulam, respectivamente,&nbsp;12 e 13 dep\u00f3sitos de pedido de patente cada, sendo que&nbsp;grande parte de suas inven\u00e7\u00f5es se deram pelo trabalho&nbsp;em dupla.&nbsp;A uni\u00e3o de seus conhecimentos e olhares culminou numa parceria frut\u00edfera&nbsp;de mais de 25 anos:&nbsp;doutora em Qu\u00edmica Terap\u00eautica, Adriana lida&nbsp;com o&nbsp;que chama&nbsp;de \u201cqu\u00edmica&nbsp;dura\u201d; por sua vez, S\u00edlvia, que \u00e9 doutora em Farm\u00e1cia, volta-se \u00e0s aplica\u00e7\u00f5es&nbsp;e tecnologias&nbsp;farmac\u00eauticas. Juntas&nbsp;s\u00e3o respons\u00e1veis&nbsp;pela orienta\u00e7\u00e3o de diversas teses de mestrado e doutorado na P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas, mas, especialmente,&nbsp;pelo&nbsp;avan\u00e7o exemplar&nbsp;no estudo&nbsp;e&nbsp;na&nbsp;aplica\u00e7\u00e3o&nbsp;da nanotecnologia&nbsp;na \u00e1rea terap\u00eautica e de compostos medicinais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pesquisadoras contam que o trabalho que&nbsp;as uniu&nbsp;\u00e9 o mesmo que consolidou o sucesso acad\u00eamico delas:&nbsp;S\u00edlvia estava encantada com o trabalho&nbsp;da pesquisadora Cl\u00e1udia Regina M\u00fcller, que, contra as opini\u00f5es de todos os seus pares&nbsp;da \u00e9poca,&nbsp;teve \u00eaxito em seu&nbsp;objetivo de&nbsp;secar nanoc\u00e1psulas&nbsp;que antigamente se encontravam em estado l\u00edquido.&nbsp;Observando&nbsp;os resultados do experimento de Cl\u00e1udia, S\u00edlvia pediu a ajuda de Adriana para analisar as imagens da pesquisa. A partir da\u00ed, passaram a trabalhar juntas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de&nbsp;terem trabalhos publicados&nbsp;a respeito da utilidade de sua inven\u00e7\u00e3o em medica\u00e7\u00f5es antitumorais e de sa\u00fade bucal, as nanoc\u00e1psulas polim\u00e9ricas desenvolvidas pelas pesquisadoras j\u00e1 foram aplicadas em produtos que chegaram ao mercado, como em&nbsp;filtros solares de alta prote\u00e7\u00e3o e&nbsp;tratamentos&nbsp;contra a&nbsp;calv\u00edcie.&nbsp;O&nbsp;dinheiro resultante das&nbsp;inven\u00e7\u00f5es volta em partes iguais para a universidade, para o departamento e para os inventores.&nbsp;De acordo com S\u00edlvia, os dep\u00f3sitos de pedido de patente s\u00e3o o resultado de um trabalho muito mais longo, e \u00e9 justamente isso que ambas tentam relembrar para os alunos&nbsp;que orientam.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cUma patente, uma ideia, v\u00e1rias vezes vai surgir da ci\u00eancia. Quando&nbsp;o resultado n\u00e3o \u00e9 exatamente o que foi imaginado, poderia servir&nbsp;pra outra coisa. \u00c9 necess\u00e1rio um olhar atento.&nbsp;N\u00e3o existe resultado ruim,&nbsp;existe resultado\u201d&nbsp;<\/p><cite>S\u00edlvia Guterres<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambas dizem ter no\u00e7\u00e3o de que sua experi\u00eancia no desenvolvimento de tecnologia e na pesquisa pode n\u00e3o ter sido t\u00e3o cheia de&nbsp;percal\u00e7os&nbsp;quanto a de mulheres em outras \u00e1reas, mas reconhecem que mesmo assim a disparidade existe. \u201cMesmo que na \u00e1rea farmac\u00eautica a gente tenha um n\u00famero de cientistas&nbsp;femininas expressivo, quando a gente vai ver a distribui\u00e7\u00e3o em cargos dirigentes, tem uma discrep\u00e2ncia muito grande&#8221;, afirma Adriana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA gente precisa caminhar&nbsp;mais na quest\u00e3o da igualdade de g\u00eanero. Tanto na ci\u00eancia quanto em outros setores da universidade\u201d&nbsp;<\/p><cite>Adriana Pohlmann<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um nome que surge em nossa conversa \u00e9 o de Elizabeth Ritter. S\u00edlvia e Adriana fazem quest\u00e3o de exaltar o trabalho&nbsp;exemplar&nbsp;da administradora, que estruturou&nbsp;o&nbsp;escrit\u00f3rio que veio a&nbsp;se tornar&nbsp;a Sedetec, considerado n\u00facleo pioneiro no pa\u00eds. Tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela estrutura\u00e7\u00e3o de um setor similar na PUCRS, Elizabeth ressalta que a \u00e1rea de transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica \u00e9 um campo com grande representatividade feminina, e que \u00e9 necess\u00e1rio apontar&nbsp;essa&nbsp;presen\u00e7a:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEssa coisa da negocia\u00e7\u00e3o,&nbsp;a&nbsp;interdisciplinaridade de tu&nbsp;teres o conhecimento das humanas e misturar com a \u00e1rea dura, as exatas.&nbsp;Eu acho que precisa, realmente, de uma pessoa que tenha um pouco da sensibilidade para lidar com setores t\u00e3o&nbsp;distintos, como com o ensino e a extens\u00e3o, que \u00e9 a extrapola\u00e7\u00e3o desse conhecimento. Esse elemento de car\u00e1ter social acho que \u00e9 uma quest\u00e3o pra quem trabalha nessa \u00e1rea de&nbsp;transfer\u00eancia de tecnologia.&nbsp;Por isso \u00e9 um terreno t\u00e3o f\u00e9rtil para as mulheres&#8221;<\/p><cite>Elizabeth Ritter<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outras \u00e1reas,&nbsp;as mulheres lutam ainda mais para conquistar seu espa\u00e7o.&nbsp;M\u00e3e de duas adolescentes e&nbsp;a segunda&nbsp;diretora da Escola de Engenharia da UFRGS, Carla Ten Caten segue o legado de Denise&nbsp;Dal Molin, a primeira mulher a chegar ao posto ap\u00f3s 116 anos de hegemonia masculina.&nbsp;Carla apresentou, recentemente,&nbsp;um painel sobre a falta de participa\u00e7\u00e3o feminina no campo das engenharias, no qual apresentou n\u00fameros alarmantes:&nbsp;no semestre 2020\/1,&nbsp;enquanto&nbsp;as mulheres representavam 49,7% da composi\u00e7\u00e3o docente da universidade, na Escola de Engenharia elas s\u00e3o apenas 26,3%.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carla conta que sua primeira gradua\u00e7\u00e3o foi Engenharia Qu\u00edmica, e a escolha foi guiada principalmente pelo&nbsp;fato de ser uma das engenharias com&nbsp;mais mulheres.&nbsp;Ela, entretanto, n\u00e3o concluiu o curso e acabou por graduar-se em Engenharia Civil.&nbsp;A diferen\u00e7a da presen\u00e7a feminina em ambas as \u00e1reas \u00e9 latente: em 2020\/1, os cursos contavam com 44,9% e 29,3% de docentes mulheres, respectivamente.&nbsp;Enquanto atual diretora da escola, a professora trabalha com essas quest\u00f5es&nbsp;diariamente: &#8220;A&nbsp;Universidade lan\u00e7ou um edital&nbsp;de incentivo&nbsp;a mulheres na ci\u00eancia, em que o crit\u00e9rio&nbsp;era haver at\u00e9 20% de mulheres&nbsp;nos cursos.&nbsp;V\u00e1rios cursos de engenharia se enquadram nesse edital. Mesmo no curso com&nbsp;mais mulheres, existe preconceito e a reclama\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o temos o&nbsp;mesmo protagonismo que os homens\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diretora&nbsp;aponta que a aus\u00eancia de mulheres nas chamadas \u201cci\u00eancia&nbsp;duras\u201d,&nbsp;nomenclatura&nbsp;da \u00e1rea para \u201cCi\u00eancia, Tecnologia, Engenharia e Matem\u00e1tica\u201d, \u00e9 um problema generalizado ao redor do mundo e que universidades estadunidenses chegam a exibir sua porcentagem de estudantes mulheres como ins\u00edgnia de orgulho.&nbsp;Uma das&nbsp;solu\u00e7\u00f5es, para ela, \u00e9 o aumento do incentivo desde&nbsp;a forma\u00e7\u00e3o inicial das jovens.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;[A sa\u00edda] est\u00e1 na inspira\u00e7\u00e3o, nos exemplos. \u00c9 muito importante divulgarmos os exemplos de sucesso,&nbsp;pra&nbsp;menina desde sempre achar que \u00e9 um lugar poss\u00edvel e mais do que poss\u00edvel,&nbsp;almejado. Precisamos mudar a cultura com exemplos de realiza\u00e7\u00e3o&#8221;&nbsp;<\/p><cite>Carla Ten Caten<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carla menciona sentir que sempre conseguiu equilibrar sua vida pessoal com o trabalho \u2013 uma quest\u00e3o muito discutida quando se fala sobre mulheres que&nbsp;se destacam&nbsp;em sua \u00e1rea profissional. Ela real\u00e7a, por\u00e9m, que para muitas mulheres essa realidade simplesmente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, e que o assunto precisa ser discutido.&nbsp;Baseada em seu trabalho enquanto diretora de uma incubadora de base tecnol\u00f3gica, Carla afirma que, embora mulheres busquem empreender tanto quantos&nbsp;homens, apenas 10% delas t\u00eam neg\u00f3cios de base tecnol\u00f3gica. A presen\u00e7a feminina predomina em \u00e1reas como beleza, cuidado e gastronomia. Uma das explica\u00e7\u00f5es para isso, segundo ela, \u00e9 a&nbsp;falta de oportunidades que m\u00e3es enfrentam ap\u00f3s terem filhos.&nbsp; \u201cAs mulheres empreendem muito ap\u00f3s a maternidade. Sem o emprego formal em fun\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as pequenas, elas acabam&nbsp;empreendendo em casa. Logo ap\u00f3s a maternidade, elas n\u00e3o conseguem voltar ao&nbsp;emprego formal.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As dificuldades de conciliar maternidade com carreira acad\u00eamica tamb\u00e9m s\u00e3o apontadas por Liane Tarouco, pesquisadora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o da UFRGS. Liane foi a primeira mulher&nbsp;brasileira&nbsp;a ingressar o&nbsp;\u201cHall da Fama da Internet\u201d, homenagem dedicada a pesquisadores e pesquisadoras considerados pioneiros no desenvolvimento da&nbsp;<em>internet<\/em>.&nbsp;Seu&nbsp;trabalho&nbsp;na \u00e1rea da computa\u00e7\u00e3o,&nbsp;al\u00e9m de formar&nbsp;uma gera\u00e7\u00e3o de engenheiros e especialistas em redes no Brasil e no cen\u00e1rio internacional, foi fundamental para&nbsp;o estabelecimento&nbsp;da Rede Nacional de Pesquisa, o primeiro&nbsp;<em>backbone&nbsp;<\/em>(rede principal por onde passam os dados dos usu\u00e1rios)<em>&nbsp;<\/em>da internet do Brasil.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Tarouco,&nbsp;a \u00e1rea da computa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das que mais consomem tempo, especialmente em virtude de estudos e viagens necess\u00e1rias \u00e0 especializa\u00e7\u00e3o, o que pode ser um empecilho para mulheres que tem de dividir seu tempo com o trabalho dom\u00e9stico. Ela mesma j\u00e1 abriu m\u00e3o de um doutorado na Calif\u00f3rnia em virtude de ter duas crian\u00e7as pequenas em casa, e fala sobre como para mulheres no campo as&nbsp;escolhas entre a vida pessoal e profissional s\u00e3o mais acentuadas:&nbsp;&#8220;Sempre procurei incentivar minhas colegas a tamb\u00e9m sa\u00edrem, irem a congressos,&nbsp;escreverem, publicarem, mas a gente tem que fazer alguns sacrif\u00edcios. Eu tomei uma decis\u00e3o l\u00e1 no in\u00edcio da minha carreira de que&nbsp;eu n\u00e3o queria ser uma daquelas pessoas obcecadas pelo trabalho, eu queria ter&nbsp;os dois lados. Eu usei, no caso da UFRGS, a creche, quando tive meu primeiro filho&#8221;, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Movida pela sua \u201ccuriosidade incessante\u201d, ingressou na UFRGS no curso de F\u00edsica, por\u00e9m, durante uma bolsa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, apaixonou-se pelos computadores.&nbsp;Assim, foi uma das&nbsp;pessoas treinadas para mexerem no primeiro&nbsp;computador&nbsp;da Universidade, que na \u00e9poca era utilizado, principalmente, para quest\u00f5es organizativas e cont\u00e1beis.&nbsp;Foi no mestrado que ela se voltou ao trabalho que lhe garantiu a honra de ser uma das \u201cm\u00e3es da&nbsp;<em>internet<\/em>\u201d: &#8220;Quando eu fiz meu mestrado, na \u00e9poca que eu estava escolhendo o que ia pesquisar pra disserta\u00e7\u00e3o, eu fiz um curso no Rio de Janeiro com um professor da Calif\u00f3rnia, que era um \u2018guru\u2019. Ele foi o homem que instalou o primeiro n\u00f3 da&nbsp;ARPAnet, que depois veio a se tornar a internet. Eu fiquei fascinada. Pensei: \u2018Meu deus do c\u00e9u, isso a\u00ed \u00e9 lindo demais\u2019. Voltei pro coordenador e falei: &#8216;Quero fazer pesquisa em redes&#8217;. Ele falou \u2018N\u00e3o tem problema, mas n\u00e3o tem&nbsp;ningu\u00e9m&nbsp;aqui&nbsp;para&nbsp;te orientar\u2019. Eu respondi: \u2018N\u00e3o seja por isso, eu me viro\u2019\u201d.&nbsp;A pesquisa resultante desse mestrado deu origem ao livro &#8220;Redes de Comunica\u00e7\u00e3o em Dados&#8221;, lan\u00e7ado em 1977: n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 o primeiro do g\u00eanero no pa\u00eds, mas tamb\u00e9m refer\u00eancia nos cursos de computa\u00e7\u00e3o das mais diversas universidades. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tarouco relembra sua postura frente&nbsp;ao machismo enfrentado&nbsp;em ambientes acad\u00eamicos de \u00e1reas majoritariamente masculinas com uma frase que&nbsp;resume sua&nbsp;jornada&nbsp;hist\u00f3rica e prev\u00ea a de muitas outras mulheres:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cMesmo na minha pr\u00f3pria carreira,&nbsp;houve momentos em que eu fui preterida por um colega. Mas o que eu ia fazer? Tem coisas que a gente pode fazer e coisas que a gente n\u00e3o pode fazer. A gente&nbsp;n\u00e3o pode ficar revoltada e largar tudo. Mas tem um ditado a\u00ed, meio famoso, meio piegas: &#8216;Que eu tenha for\u00e7as para vencer o que puder ser vencido, pra me conformar&nbsp;com o que n\u00e3o puder ser vencido e sabedoria para poder diferenciar os dois&#8217;\u201d&nbsp;<\/p><cite>Liane Tarouco<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diversidade | Professoras, pesquisadoras e especialistas em suas \u00e1reas, mulheres\u00a0das \u00e1reas de ci\u00eancias, tecnologias e engenharias da UFRGS discorrem sobre suas carreiras e a disparidade de g\u00eanero no campo das \u201cci\u00eancias duras\u201d<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/mulheres-pioneiras-na-tecnologia-e-ciencia-da-ufrgs-contam-sua-historia\/\">Leia 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