{"id":44308,"date":"2022-02-24T08:01:00","date_gmt":"2022-02-24T11:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=44308"},"modified":"2023-09-25T14:35:53","modified_gmt":"2023-09-25T17:35:53","slug":"louvado-seja-o-negro-o-bastiao-da-cultura-popular-rei-do-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/louvado-seja-o-negro-o-bastiao-da-cultura-popular-rei-do-carnaval\/","title":{"rendered":"Louvado seja o negro, o basti\u00e3o da cultura popular, rei do Carnaval!"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"artigo-estudante-de-artes-visuais-luiz-augusto-lacerda-reflete-sobre-as-escolas-de-samba-como-expoentes-da-cultura-popular-e-espacos-do-sagrado\">Artigo | Estudante de Artes Visuais, Luiz Augusto Lacerda reflete sobre as escolas de samba como expoentes da cultura popular e espa\u00e7os do sagrado<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Por: Luiz Augusto Lacerda<br>*Foto: Fl\u00e1vio Dutra<\/em>\/Arquivo JU 09 fev. 2021<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cultura \u00e9 tudo aquilo que a humanidade pode conceber, sendo um processo social que une todos os seres. Sendo assim, todo e qualquer indiv\u00edduo \u00e9 ligado a uma cultura e por essa raz\u00e3o \u00e9 incoerente aquele que discursa apontando para o pr\u00f3ximo alegando que ele n\u00e3o a possui. Alguns estudos filos\u00f3ficos afirmam que cultura n\u00e3o \u00e9 algo objetivo, outros asseguram que ela se coisifica nos elementos que constituem as Belas Artes (pintura, escultura, m\u00fasica, literatura e artes c\u00eanicas) e em institui\u00e7\u00f5es tais como teatros, museus, galerias e escolas. Para alguns, cultura \u00e9 frequentar teatros elitizados com a inten\u00e7\u00e3o de assistir a apresenta\u00e7\u00f5es de bal\u00e9 cl\u00e1ssico, concertos de m\u00fasica erudita ou ainda viajar a Paris a fim de contemplar obras de arte expostas em museus como o Louvre ou o D\u2019Orsay. J\u00e1 para outros a cultura \u00e9 ampla e abrange todos os segmentos, principalmente o popular. Para estes, cultura \u00e9 a pe\u00e7a teatral que faz das ruas o seu palco, \u00e9 a riqueza do cancioneiro popular, seja o sertanejo ou o sambista, \u00e9 ainda aplaudir os cortejos das quadrilhas juninas ou dos desfiles carnavalescos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cultura popular no Brasil \u00e9 plural e, ao a compararmos com uma \u00e1rvore frondosa, podemos afirmar que possui muitas ramifica\u00e7\u00f5es, tal qual o folclore brasileiro. Muitas dessas manifesta\u00e7\u00f5es recebem a rica contribui\u00e7\u00e3o de elementos de origem africana na forma\u00e7\u00e3o da sua identidade, construindo di\u00e1logos repletos de simbolismos e significados. Vale a pena ressaltar o relevante fato de que o negro mesmo na condi\u00e7\u00e3o de escravizado foi um civilizador que, acometido pela barb\u00e1rie promovida na escravid\u00e3o, foi \u201cdesafricanizado\u201d e, por n\u00e3o ser \u00edndio nativo nem branco colonizador procurou encontrar sua identidade como brasileiro, construindo um grandioso legado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa constitui\u00e7\u00e3o, as artes, a ci\u00eancia e a religiosidade transformaram-se em vigas para que a nova identidade sociocultural afro-brasileira fosse disseminada, tornando-se, assim, tradi\u00e7\u00e3o nas manifesta\u00e7\u00f5es populares neste pa\u00eds. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Formados por grandes grupos, os cortejos que ganham as ruas fazem parte da tradi\u00e7\u00e3o afro-brasileira e, para driblar a opress\u00e3o, incorporam tamb\u00e9m elementos da cultura europeia, como podemos ver no maracatu, nas congadas de Ma\u00e7ambique e nos desfiles das escolas de samba. Essa mistura \u00e9 n\u00edtida quando os personagens da realeza africana, que ganham vida nas figuras imponentes de reis, rainhas, pr\u00edncipes, princesas, porta-estandartes, mestres-sala e porta-bandeiras, fazem uso de trajes t\u00edpicos da nobreza europeia, tamb\u00e9m fundindo as dan\u00e7as ancestrais aos passos do minueto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos que os desfiles carnavalescos no Brasil s\u00e3o originados dos corsos promovidos pelas grandes sociedades elitistas, mas foi o negro, exclu\u00eddo nas periferias, em conjunto com o seu samba, o respons\u00e1vel por transformar a festa com a sua alegria. Baseando-se na estrutura social oferecida pelas religi\u00f5es de matriz africana em seus ambientes de culto e buscando pavimentar caminhos de aceita\u00e7\u00e3o coletiva, no Rio de Janeiro, o negro cria uma nova institui\u00e7\u00e3o na inten\u00e7\u00e3o de reunir os membros de sua comunidade para que juntos pudessem expressar a sua cultura de forma ampla. Essa agremia\u00e7\u00e3o foi batizada de grupo carnavalesco e posteriormente rebatizada como escola de samba, sendo um costume propagado em v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds, tornando-se uma das refer\u00eancias da cultura nacional. Surge ent\u00e3o mais uma expoente da cultura popular que por seu grande poder de aglutina\u00e7\u00e3o \u00e9 comparada ao futebol, uma vez que ambos s\u00e3o igualmente valiosos segmentos culturais formadores da identidade brasileira e por excel\u00eancia s\u00e3o considerados dogmas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escola de samba possui a importante miss\u00e3o de cultivar a sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento em todos os seus adeptos, promovendo a inclus\u00e3o social ao estimular a cria\u00e7\u00e3o de muitos artistas, pois tornou-se o templo popular de todas as artes, onde seus adeptos exercem os of\u00edcios que comp\u00f5em a energia vital que impulsiona o coletivo a desfilar. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma escola de samba n\u00e3o se aprende a sambar; seus alunos recebem li\u00e7\u00f5es sobre dignidade, amor e respeito sem fazer uso de cartilhas, obtendo altos \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o. Quem bebe desse saber possui um curr\u00edculo de grande gabarito, o qual lhe permite abrir muitas portas para que passe a transitar livremente em mundos que muitos pensavam nunca conhecer e habitar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quadra de ensaios de uma escola de samba \u00e9 um local sagrado e exige ser respeitado como tal. Assim como todos os locais de culto ao divino, ela tamb\u00e9m possui seus elementos ritual\u00edsticos que s\u00e3o reverenciados por todos os seus devotos, do port\u00e3o de entrada at\u00e9 o altar, o verdadeiro altar do samba. Como nos grandes templos, a escola de samba tamb\u00e9m semeia em cada um dos seus adeptos a devo\u00e7\u00e3o, esta que, acendendo uma grande corrente energ\u00e9tica e agregadora, provoca prociss\u00f5es anuais fervorosas. Existem nesse lugar fundamentos respons\u00e1veis por manter em p\u00e9 os alicerces erguidos por longos e velhos anos em nome da cultura popular, os quais nenhum te\u00f3logo um dia poder\u00e1 conceituar. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Fla\u0301vio-Dutra-3912.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44667\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Fla\u0301vio-Dutra-3912.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Fla\u0301vio-Dutra-3912-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Fla\u0301vio-Dutra-3912-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Fla\u0301vio-Dutra-3912-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Fla\u0301vio-Dutra-3912-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Fla\u0301vio-Dutra-3912-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Na sede da escola de samba Bambas da Orgia, em Porto Alegre, vela para S\u00e3o Jorge foi mantida acesa mesmo durante o per\u00edodo em que a agremia\u00e7\u00e3o esteve fechada devido \u00e0 pandemia e \u00e0s restri\u00e7\u00f5es \u00e0s festas de rua. Na capa, painel celebra o carnaval na sede do bloco Areal do Futuro, no quilombo Areal da Baronesa, em Porto Alegre (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU 10 fev. 2021)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando chega o dia em que o ensaio acontece, os fi\u00e9is se dirigem \u00e0 egr\u00e9gora para juntos promoverem o culto. No rufar dos tambores, o primeiro acorde do louvor ecoa, fazendo o manto e o l\u00e1baro adorados serem desfraldados e, quando apresentados, elevam seus seguidores ao \u00eaxtase. Nesse &#8220;xir\u00ea&#8221;, o esp\u00edrito da alegria se manifesta tocando a alma de todos os presentes. Para a escola de samba, todo o cidad\u00e3o que ajuda a formar o seu universo possui uma import\u00e2ncia \u00edmpar; em seu templo n\u00e3o existe, portanto, discrimina\u00e7\u00e3o, pois todos os credos, todas as etnias e todos os g\u00eaneros s\u00e3o recebidos de bra\u00e7os abertos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando no calend\u00e1rio o tempo aponta o m\u00eas de fevereiro, o brasileiro que espera ansiosamente pela chegada do Carnaval para tomar as ruas conta os dias para o in\u00edcio da festa na qual poder\u00e1 encarnar o personagem que quiser. Ent\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds em festa arde em chamas e o caldeir\u00e3o cultural transborda, atingindo todos os limites territoriais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tomados pela euforia, os cortejos negros ganham as grandes vias: o maracatu em suas na\u00e7\u00f5es, os afox\u00e9s, os blocos, as bandas e as escolas de samba que apresentam um grandioso espet\u00e1culo a c\u00e9u aberto na avenida que se ilumina com o brilho dos astros que descem \u00e0 Terra, pois o asfalto \u00e9 tomado por uma constela\u00e7\u00e3o. Ali todo o sofrimento causado pela cruel realidade cotidiana d\u00e1 lugar \u00e0s ilus\u00f5es de um mundo fant\u00e1stico onde o mais humilde se torna a grande majestade. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Longe dos holofotes, as cabrochas se enfeitam, as m\u00e3es baianas se armam em meio a suas rendas e patu\u00e1s, e os sambistas se vestem de nobres. Surgem palha\u00e7os, pierr\u00f4s, arlequins, colombinas, \u00edndios, e todos os personagens que ilustram os livros de hist\u00f3ria ganham vida. As alegorias decoradas com as cores do prazer formam cen\u00e1rios inebriantes para contar o enredo e exibir esplendorosos destaques. Trajando riqueza, baila a garbosa porta-bandeira, sendo cortejada pelo elegante mestre-sala, que risca o ch\u00e3o de poesia, gira a porta-estandarte faceira, defendendo o s\u00edmbolo de uma tradi\u00e7\u00e3o. A sirene ecoa para anunciar o in\u00edcio do deslumbramento, a inflamada bateria contagia a todos com a forte marca\u00e7\u00e3o dos tambores que pulsam feito um cora\u00e7\u00e3o. O canto se espalha no ar, e a magia do Carnaval se deleita. Conforme a escola se apodera do seu palco a c\u00e9u aberto, a emo\u00e7\u00e3o se agiganta, arrancando aplausos fervorosos do p\u00fablico que assiste encantado a digna manifesta\u00e7\u00e3o da cultura popular e que, aos gritos fren\u00e9ticos, eleva o negro ao t\u00edtulo de Rei do Carnaval.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao dissertar sobre o importante papel do negro na constru\u00e7\u00e3o da identidade cultural brasileira, homenageio as escolas de samba, as tribos, as bandas e os blocos carnavalescos pela maci\u00e7a contribui\u00e7\u00e3o para o fortalecimento da cultura popular em um pa\u00eds que deveria entoar seu hino nacional sob a cad\u00eancia do mais primoroso samba, em que o maestro dita o ritmo na palma da m\u00e3o, regendo os arranjos luxuosos de tamborins, cavaquinhos e viol\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#ededed\"><strong>Luiz Augusto Lacerda<\/strong> \u00e9 graduando do Bacharelado em Artes Visuais, carnavalesco e figurinista.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\"><em>&#8220;As manifesta\u00e7\u00f5es expressas neste ve\u00edculo n\u00e3o representam obrigatoriamente o posicionamento da UFRGS como um todo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"300\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Rodape-Posts.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68386\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Rodape-Posts.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Rodape-Posts-300x60.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Rodape-Posts-175x35.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Rodape-Posts-768x154.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Rodape-Posts-465x93.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Rodape-Posts-695x139.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo | Estudante de Artes Visuais, Luiz Augusto Lacerda reflete sobre as escolas de samba como expoentes da cultura popular e espa\u00e7os do sagrado<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/louvado-seja-o-negro-o-bastiao-da-cultura-popular-rei-do-carnaval\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":44665,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[53,4750],"tags":[268,283,1710,1912,1240,4896],"ppma_author":[2938],"class_list":["entry","author-gerente","has-excerpt","post-44308","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-artigo","category-especial-carnaval","tag-carnaval","tag-cultura","tag-cultura-negra","tag-escola-de-samba","tag-negro","tag-unimusica-2023"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Louvado seja o negro, o basti\u00e3o da cultura popular, rei do Carnaval! 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