{"id":45625,"date":"2022-03-24T08:31:00","date_gmt":"2022-03-24T11:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=45625"},"modified":"2022-03-24T09:28:27","modified_gmt":"2022-03-24T12:28:27","slug":"250-anos-depois-a-habitacao-adequada-ainda-nao-chegou-a-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/250-anos-depois-a-habitacao-adequada-ainda-nao-chegou-a-todos\/","title":{"rendered":"250 anos depois, a habita\u00e7\u00e3o adequada ainda n\u00e3o chegou a todos"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Mario Leal Lahorgue, professor do departamento de Geografia, avalia os n\u00fameros da moradia na capital e ressalta que o estado e a iniciativa privada t\u00eam falhado em resolver a quest\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Por: Mario Leal Lahorgue<br>*Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU 06 mai. 2017<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em primeiro lugar, n\u00e3o h\u00e1 nada de errado em comemorar os 250 anos de Porto Alegre. \u00c9 o tipo de festejo que pode refor\u00e7ar la\u00e7os de pertencimento, um dos passos mais importantes na conex\u00e3o das pessoas com o lugar em que vivem. Mas uma das maneiras pela qual os la\u00e7os s\u00e3o refor\u00e7ados s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es das pessoas que habitam o lugar. Por isso a pergunta que deve ser feita \u00e9: todos os habitantes da cidade possuem condi\u00e7\u00f5es adequadas de moradia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como uma das maiores metr\u00f3poles brasileiras, muita gente mora em Porto Alegre. Pela \u00faltima contagem (Censo 2010), a cidade tinha uma popula\u00e7\u00e3o de 1.409.351 pessoas. A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) para o ano de 2021 \u00e9 que a Capital tenha atingido uma popula\u00e7\u00e3o de 1.492.530 pessoas. Caso esse dado se confirme no pr\u00f3ximo censo, v\u00ea-se um acr\u00e9scimo de 83.179 pessoas nesse intervalo de onze anos. A correla\u00e7\u00e3o mais \u00f3bvia \u00e9: mais moradores, mais necessidade de moradias. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Qualquer pessoa que preste aten\u00e7\u00e3o em an\u00fancios publicit\u00e1rios sabe que n\u00e3o faltam propagandas de lan\u00e7amentos imobili\u00e1rios. Isso pode ser comprovado com os n\u00fameros oficiais do Sindicato da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o Civil (Sinduscon): em 2021, o estoque de im\u00f3veis novos \u00e0 venda foi de 6.686 unidades, sendo a grande maioria de im\u00f3veis residenciais (6.013 unidades). Sem apelar para c\u00e1lculos matem\u00e1ticos, \u00e9 poss\u00edvel pensar: se o volume de lan\u00e7amentos de im\u00f3veis novos, anualmente, \u00e9 t\u00e3o grande, como ainda falta moradia? <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um pouquinho mais de n\u00fameros: no Censo de 2010, foram contabilizados 56.024 domic\u00edlios em aglomerados subnormais, que \u00e9 o nome t\u00e9cnico que o IBGE d\u00e1 para favelas ou moradias em condi\u00e7\u00f5es que apresentam algum grau de precariedade ou irregularidade. Por conta das prepara\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo Censo, o Instituto tem uma estimativa mais atualizada para esses aglomerados: 61.729 domic\u00edlios (estimativa para 2019). Para finalizar os n\u00fameros: o Programa Minha Casa Minha Vida entregou, entre 2009 e 2020, 25.588 novos domic\u00edlios na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira constata\u00e7\u00e3o, depois das informa\u00e7\u00f5es acima, \u00e9 que, se o n\u00famero de moradores em favelas aumentou, ent\u00e3o h\u00e1 uma s\u00e9ria falha nas pol\u00edticas habitacionais implementadas no munic\u00edpio. Logo precisamos, neste anivers\u00e1rio da cidade, avaliar por que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 essa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda constata\u00e7\u00e3o \u00e9 que, ao contr\u00e1rio do que muitas vezes parece, o fato de apontar a falha da pol\u00edtica habitacional n\u00e3o significa que a solu\u00e7\u00e3o esteja na iniciativa privada. Por uma raz\u00e3o simples e emp\u00edrica: a iniciativa privada, via mercado imobili\u00e1rio, vem sistematicamente ofertando mais de 5.000 novos im\u00f3veis por ano desde 2010 \u2013 e com pico de 8.243 ofertas em 2012. Apesar do alto volume de unidades residenciais novas colocadas no mercado, o d\u00e9ficit habitacional n\u00e3o diminuiu! Antes que algum leitor atento comente: sim, avaliar as unidades existentes em aglomerados subnormais \u00e9 apenas uma das formas de contabilizar d\u00e9ficit habitacional, mas, para nossos prop\u00f3sitos aqui, n\u00e3o precisamos detalhar c\u00e1lculos e componentes do d\u00e9ficit.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na verdade, a din\u00e2mica mercantil produz paradoxos, e um deles tamb\u00e9m pode ser constatado por dados censit\u00e1rios: a quantidade de domic\u00edlios particulares n\u00e3o ocupados (vagos) nos \u00faltimos tr\u00eas censos tem sido sempre acima de 40.000 unidades (foi de 48.934 em 2010). Considerando os 574.831 domic\u00edlios contabilizados naquela ocasi\u00e3o, isso representa 8,51% do estoque de moradias da cidade. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Contradi\u00e7\u00e3o em n\u00edvel m\u00e1ximo: \u00e9 poss\u00edvel pensarmos numa cidade sustent\u00e1vel e eficiente \u2013 qualquer cidade \u2013 em que falte moradia adequada para uns enquanto sobram im\u00f3veis vazios?<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Curioso, n\u00e3o? A iniciativa privada n\u00e3o resolveu o problema da habita\u00e7\u00e3o e o Estado tamb\u00e9m n\u00e3o. \u00c9 importante chamar aten\u00e7\u00e3o para isso porque o debate tem sido extremamente empobrecido desde a ascens\u00e3o da ideologia neoliberal. O debate tem-se reduzido \u00e0 quest\u00e3o Estado <em>versus<\/em> Mercado, como se fossem formas sociais antag\u00f4nicas. Evidentemente, neste pequeno texto \u00e9 imposs\u00edvel aprofundar a quest\u00e3o. Mas volto a dizer: precisamos olhar os dados. E os dados nos revelam que, 250 anos depois, a habita\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o n\u00e3o resolvida na cidade &#8211; nem pela iniciativa privada, nem pelas pol\u00edticas p\u00fablicas implementadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 claro que n\u00e3o existem solu\u00e7\u00f5es simplistas, como \u201ctransplantar\u201d os sem-teto para esses im\u00f3veis vazios. Cidades s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es sociais extremamente complexas, e \u00e9 essa complexidade que torna dif\u00edcil resolver os problemas derivados dessa forma de ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. No entanto, as formas pelas quais ocupamos a cidade, constru\u00edmos abrigo (moradia), locais de lazer e trabalho, entre outros, refletem a maneira como nos relacionamos socialmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir disso, vamos pegar um exemplo para entender por que Porto Alegre tem falhado para resolver a quest\u00e3o da moradia: uma das \u201cobras da Copa\u201d era a duplica\u00e7\u00e3o da Avenida Tronco. Como todos sabem, n\u00e3o ficou pronta para a Copa em 2014, e a promessa mais recente \u00e9 ser entregue no fim de 2022. Para a obra ser realizada, foram necess\u00e1rias 1.470 remo\u00e7\u00f5es. Somente agora, em 26 de fevereiro de 2022, a \u00faltima fam\u00edlia foi transferida para outro lugar. No in\u00edcio, houve promessas de reassentar a popula\u00e7\u00e3o que quisesse permanecer no bairro em empreendimentos do Minha Casa Minha Vida, que seriam constru\u00eddos em \u00e1reas demarcadas como \u00c1reas Especiais de Interesse Social. A prefeitura abre licita\u00e7\u00f5es para empresas constru\u00edrem os empreendimentos e&#8230; n\u00e3o aparecem interessados. A \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d encontrada foi oferecer aluguel social e b\u00f4nus moradia aos habitantes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ora, \u00e9 a t\u00edpica solu\u00e7\u00e3o neoliberal: resolver problemas de forma individual e n\u00e3o coletiva. O resultado foi um atraso nas obras de praticamente uma d\u00e9cada, pois resolver o problema individual de moradia de quase 1.500 fam\u00edlias n\u00e3o \u00e9 simples. Onde est\u00e1 a efici\u00eancia desse tipo de solu\u00e7\u00e3o? O pr\u00f3prio par\u00e2metro de economia, pretensamente \u201cneutro\u201d, j\u00e1 mostra a falta de efici\u00eancia da solu\u00e7\u00e3o: al\u00e9m de se arrastar por muito mais tempo, os custos totais se multiplicaram. Isso mostra tamb\u00e9m que, como dito no in\u00edcio deste texto, a cidade sequer aproveitou quando havia recursos federais abundantes e dispon\u00edveis para a constru\u00e7\u00e3o de moradias. Perto do d\u00e9ficit habitacional, poucas unidades foram contratadas e efetivamente entregues.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u00c9 importante comentar que apenas construir unidades habitacionais n\u00e3o resolve a quest\u00e3o como um todo. Isso porque habitar \u00e9 mais que possuir um teto. \u00c9 ter acesso a equipamentos de lazer, transporte, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Por isso a localiza\u00e7\u00e3o dos novos empreendimentos \u00e9 t\u00e3o importante e o entorno das moradias tamb\u00e9m.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maneira como voc\u00ea vive influencia o sentimento de pertencimento. Quando voc\u00ea se sente pertencendo a algum lugar, voc\u00ea cuida desse lugar, porque voc\u00ea sente que tamb\u00e9m \u00e9 seu. Ent\u00e3o oferecer condi\u00e7\u00f5es adequadas de moradia a todos produz consequ\u00eancias que as pessoas nem sempre percebem, mas que s\u00e3o verdadeiras: respeito de uns com os outros, menos lixo nas ruas, menos vandalismo, menos viol\u00eancia. Tudo isso tamb\u00e9m \u00e9 influenciado por como os grupos sociais se sentem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade. Ent\u00e3o, queremos uma cidade que seja melhor para todos n\u00f3s? Isso \u00e9 retomar a cidade para os cidad\u00e3os. Esse \u00e9 o \u00fanico futuro poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1064.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"810\" data-id=\"45698\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1064.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-45698\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1064.jpg 1080w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1064-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1064-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1064-156x117.jpg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1064-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1064-465x349.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1064-667x500.jpg 667w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1073.jpg\"><img decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"810\" data-id=\"45700\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1073.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-45700\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1073.jpg 1080w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1073-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1073-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1073-156x117.jpg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1073-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1073-465x349.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Fla\u0301vio-Dutra-1073-667x500.jpg 667w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Casas na Vila K\u00e9di, na regi\u00e3o dos bairros Tr\u00eas Figueiras e MontSerrat, em Porto Alegre. Ocupando o leito do que seria uma rua que desembocaria na Av. Nilo Pe\u00e7anha, a comunidade \u00e9 vizinha ao Country Club e tem esse nome porque alguns de seus moradores trabalham como auxiliares (\u201ccaddies\u201d) dos jogadores de golfe (Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU 06 mai. 2017)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#ebebeb\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2189821668150865\">Mario Leal Lahorgue<\/a> \u00e9 professor do Departamento de Geografia e pesquisador do Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles \u2013 n\u00facleo Porto Alegre.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\"><em>&#8220;As manifesta\u00e7\u00f5es expressas neste ve\u00edculo n\u00e3o representam obrigatoriamente o posicionamento da UFRGS como um todo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo | Mario Leal Lahorgue, professor do departamento de Geografia, avalia os n\u00fameros da moradia na capital e ressalta que o estado e a iniciativa privada t\u00eam falhado em resolver a quest\u00e3o<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/250-anos-depois-a-habitacao-adequada-ainda-nao-chegou-a-todos\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":45699,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[53],"tags":[907,1227,842,3053,3052,3054,324,69],"ppma_author":[2938],"class_list":["entry","author-gerente","has-excerpt","post-45625","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-artigo","tag-cidadania","tag-cidade","tag-geografia","tag-habitacao","tag-metropole","tag-moradia","tag-politicas-publicas","tag-porto-alegre"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - 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