{"id":45833,"date":"2022-04-07T09:30:00","date_gmt":"2022-04-07T12:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=45833"},"modified":"2022-05-06T11:19:26","modified_gmt":"2022-05-06T14:19:26","slug":"ciencia-aberta-avanca-na-ufrgs-mas-universidade-ainda-carece-de-uma-politica-institucional-mais-ampla-e-efetiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/ciencia-aberta-avanca-na-ufrgs-mas-universidade-ainda-carece-de-uma-politica-institucional-mais-ampla-e-efetiva\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia aberta avan\u00e7a na UFRGS, mas a Universidade tem o desafio de elaborar uma pol\u00edtica institucional mais ampla e efetiva"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica | Universidade investe em pol\u00edtica de acesso aberto ao conhecimento com a\u00e7\u00f5es setorizadas para repensar a circula\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos resultados cient\u00edficos. Pesquisadores, por\u00e9m, argumentam que a pr\u00e1tica deve ir muito al\u00e9m da disponibiliza\u00e7\u00e3o de artigos em revistas e do dep\u00f3sito de trabalhos cient\u00edficos em reposit\u00f3rios<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos anos, os membros da comunidade cient\u00edfica t\u00eam constru\u00eddo um consenso progressivo a respeito da urg\u00eancia de se discutirem formas de impulsionar a ci\u00eancia aberta, movimento baseado no princ\u00edpio de que o acesso ao conhecimento \u00e9 um bem p\u00fablico e um direito humano. Esfor\u00e7os nesse sentido levaram a um entendimento de que as institui\u00e7\u00f5es precisam desenvolver pol\u00edticas institucionais de ci\u00eancia aberta que permitam um compromisso formal para a propaga\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o com base nesse paradigma. Esses marcos regulat\u00f3rios s\u00e3o essenciais para uma mudan\u00e7a cultural e governamental em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 efetiva\u00e7\u00e3o dos preceitos que regem a ci\u00eancia aberta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <a href=\"https:\/\/www.budapestopenaccessinitiative.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Iniciativa de Acesso Livre de Budapeste<\/a> e a <a href=\"https:\/\/openaccess.mpg.de\/Berlin-Declaration\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Declara\u00e7\u00e3o de Berlin sobre Acesso Livre ao Conhecimento nas Ci\u00eancias e nas Humanidades<\/a> foram dois marcos que impulsionaram o movimento, respectivamente, em fevereiro de 2002 e outubro de 2003. As primeiras pol\u00edticas que se seguiram se voltavam para uma divulga\u00e7\u00e3o aberta dos resultados alcan\u00e7ados em uma investiga\u00e7\u00e3o, a partir do princ\u00edpio de que as conclus\u00f5es obtidas em uma pesquisa financiada com verbas p\u00fablicas deveriam estar acess\u00edveis ao p\u00fablico sem qualquer tipo de restri\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, o escopo das pol\u00edticas expandiu ao redor do mundo a ponto de viabilizar pr\u00e1ticas de ci\u00eancia aberta em qualquer etapa do processo de um estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora 74% da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira esteja hoje em acesso aberto \u2013 a maior porcentagem observada entre as na\u00e7\u00f5es examinadas no <a href=\"https:\/\/www.science-metrix.com\/sites\/default\/files\/science-metrix\/publications\/science-metrix_open_access_availability_scientific_publications_report.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">relat\u00f3rio<\/a> sobre a disponibilidade de acesso aberto de publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas da <em>Science Metrix<\/em>, divulgado em janeiro de 2018 \u2013, um n\u00famero reduzido de institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa no Brasil possuem efetivamente uma pol\u00edtica institucional de ci\u00eancia aberta. O cen\u00e1rio mostra que o pa\u00eds ainda precisa avan\u00e7ar na consolida\u00e7\u00e3o de outras dimens\u00f5es que formam o leque de possibilidades que constituem o paradigma.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">O lucrativo oligop\u00f3lio do mercado editorial acad\u00eamico<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora alguns peri\u00f3dicos, colet\u00e2neas e livros sejam editados por universidades, institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e sociedades cient\u00edficas, existem tamb\u00e9m aqueles mantidos por editoras comerciais que buscam o lucro a partir da divulga\u00e7\u00e3o de trabalhos cient\u00edficos. Elas utilizam o sistema de publica\u00e7\u00e3o em acesso fechado, baseado em um modelo de mercantiliza\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico. O formato surgiu antes da internet, quando a comunidade acad\u00eamica transferiu a tarefa de gerenciar o processo editorial, imprimir e distribuir artigos, livros e colet\u00e2neas em papel a organiza\u00e7\u00f5es privadas. Enquanto isso, cientistas desenvolvem pesquisas e atuam como revisores de seus pares gratuitamente. Essas empresas, que historicamente desempenharam um papel vital para a propaga\u00e7\u00e3o das descobertas cient\u00edficas na era impressa, cobravam pelo acesso ao trabalho para manter os custos de opera\u00e7\u00e3o e a viabilidade do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos conquistando espa\u00e7o na virada do s\u00e9culo 21, os discursos apocal\u00edpticos mais assustados com a chegada da internet se proliferaram. A revista estadunidense Forbes, especializada em neg\u00f3cios e economia, chegou a prever em 1995 que a maior editora de literatura cient\u00edfica do mundo, a Elsevier, seria <a href=\"https:\/\/pt.scribd.com\/document\/292346391\/Forbes-Elsevier-1995\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;a primeira v\u00edtima&#8221;<\/a> da rede mundial de computadores. A r\u00e1pida migra\u00e7\u00e3o das revistas cient\u00edficas para o ambiente online<em> <\/em>no novo s\u00e9culo mostrou a resili\u00eancia do mercado editorial acad\u00eamico, que se revelou uma ind\u00fastria extremamente rent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de 30 anos depois, o oligop\u00f3lio das editoras acad\u00eamicas na era digital \u00e9 uma realidade incontest\u00e1vel. \u00c9 o que aponta um estudo liderado por Vincent Larivi\u00e8re, professor de Ci\u00eancias da Informa\u00e7\u00e3o na Universidade de Montreal, no Canad\u00e1, e publicado na <a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0127502\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">revista PLoS One<\/a>, em 2015. Em seu trabalho, Larivi\u00e8re descobriu que a participa\u00e7\u00e3o de mercado das maiores editoras de pesquisa do planeta \u2013 Reed-Elsevier, Taylor &amp; Francis, Wiley-Blackwell, Springer e Sage \u2013 disparou desde a d\u00e9cada de 1970, especialmente ap\u00f3s o advento da era digital, em meados de 1990.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Analisando mais de 45 milh\u00f5es de artigos cient\u00edficos indexados no banco de dados da Web of Science entre 1973 a 2013, a equipe concluiu que as cinco corpora\u00e7\u00f5es juntas respondem por um controle de mais de 50% de todo o mercado da publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em peri\u00f3dicos desde 2006. Quase 30 anos ap\u00f3s a previs\u00e3o equivocada da revista Forbes, o galho t\u00e9cnico-cient\u00edfico do grupo ingl\u00eas RELX, conglomerado multinacional no qual a editora Elsevier se tornou, por exemplo, registra desde 2019 uma receita anual de mais de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.relx.com\/investors\/key-financial-data\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2,6 bilh\u00f5es de libras<\/a>, com margens de lucro que variam entre 30% e 40%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um <a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2015\/06\/150610143624.htm\">comunicado \u00e0 imprensa<\/a>, Larivi\u00e8re reconhece que as editoras comerciais cumpriam uma fun\u00e7\u00e3o importante no passado, mas questiona se elas e seu modelo de neg\u00f3cio ainda s\u00e3o necess\u00e1rios na era digital de hoje. Considerado um sistema injusto, na publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em acesso fechado as universidades financiam as pesquisas e pagam para consultar os artigos produzidos pelos seus pr\u00f3prios pesquisadores. Bibliotecas universit\u00e1rias e ag\u00eancias p\u00fablicas em todo o mundo destinam volumosas quantias em dinheiro para garantir o acesso a suas pr\u00f3prias pesquisas. Somente no Brasil, por exemplo, isso corresponde aos contribuintes um montante da ordem de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\/acesso-a-informacao\/institucional\/orcamento-evolucao-em-reais#P\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">386 milh\u00f5es de reais<\/a>&nbsp;financiados pela CAPES nas assinaturas do Portal Peri\u00f3dicos em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, esse subs\u00eddio favorece apenas os pesquisadores com v\u00ednculos com universidades ou centros de pesquisa e exclui os cientistas independentes. Embora ofere\u00e7a acesso importante a uma literatura global em diferentes disciplinas e \u00e1reas do conhecimento, essa rela\u00e7\u00e3o cria um ciclo que mant\u00e9m as grandes editoras no mercado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos anos, t\u00eam sido crescentes a manifesta\u00e7\u00e3o e o protesto de pesquisadores, universidades e organiza\u00e7\u00f5es civis e n\u00e3o governamentais em todo o mundo contra o que classificam como &#8220;o monop\u00f3lio da publica\u00e7\u00e3o&#8221;. O ambientalista brit\u00e2nico George Monbiot, em um texto assinado em 2011 para sua <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/2011\/aug\/29\/academic-publishers-murdoch-socialist\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">coluna no jornal&nbsp;<em>The Guardian<\/em><\/a>, definiu o monop\u00f3lio das editoras como um &#8220;parasitismo econ\u00f4mico&#8221;. A campanha &#8220;<a href=\"http:\/\/thecostofknowledge.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Custo do Conhecimento<\/a>&#8220;, lan\u00e7ada em fevereiro de 2012 por um grupo de 34 matem\u00e1ticos de diferentes pa\u00edses, protesta contra as pr\u00e1ticas de neg\u00f3cios da Elsevier e pede aos signat\u00e1rios o boicote aos peri\u00f3dicos da editora. At\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem, o documento recebeu quase 20 mil assinaturas.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">O movimento da Ci\u00eancia Aberta e a constru\u00e7\u00e3o de alternativas para a democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cr\u00edtica ao sistema que bloqueia o acesso aos estudos desenvolvidos com verbas p\u00fablicas tem aumentado o apoio a alternativas de modelos editoriais de publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que se fundamentem no acesso aberto. A professora da <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/fabico\">Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o (Fabico) da UFRGS<\/a> e colaboradora do <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cpd\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro de Processamento de Dados (CPD)<\/a> da Universidade, Caterina Pav\u00e3o, comenta que o movimento da ci\u00eancia aberta n\u00e3o come\u00e7ou hoje. &#8220;\u00c9 algo que vem ocorrendo h\u00e1 algumas d\u00e9cadas. Come\u00e7ou a ganhar mais f\u00f4lego com o movimento de acesso aberto, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000, quando n\u00f3s come\u00e7amos a pensar as bibliotecas digitais e a abrir a produ\u00e7\u00e3o da Universidade no sentido de a disponibilizar para todo o Brasil e para o mundo. Assim, esse cen\u00e1rio fez com que as quest\u00f5es da ci\u00eancia aberta surgissem&#8221;, informa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/joc\/article-abstract\/71\/5\/785\/6359522\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">trabalho<\/a> liderado pela professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenadora do F\u00f3rum de Peri\u00f3dicos e Comunica\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da UFF, Thaiane Oliveira, destaca que a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia aberta esbarra em controv\u00e9rsias que incluem significados e valores distintos. Dois modelos diferentes, por\u00e9m, se sobressa\u00edram com objetivos espec\u00edficos: a primeira perspectiva ressalta fundamentos como acelera\u00e7\u00e3o, efici\u00eancia e reprodutibilidade, enquanto a segunda \u00e9 baseada nos par\u00e2metros de participa\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a social e democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A bibliotec\u00e1ria da <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/faced\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o (Faced) da UFRGS<\/a> e coordenadora da Comiss\u00e3o Assessora de Edi\u00e7\u00e3o de Peri\u00f3dicos da Universidade, Ana Gabriela Clipes, refor\u00e7a que ci\u00eancia aberta \u00e9 um termo guarda-chuva que abrange muito mais do que o acesso aberto. Pav\u00e3o complementa: &#8220;Ela envolve reposit\u00f3rios abertos, cadernos de pesquisas abertos, dados abertos, a ci\u00eancia cidad\u00e3 e outros diversos aspectos, mas o principal, at\u00e9 por conta dos peri\u00f3dicos, foi o acesso aberto&#8221;. Os peri\u00f3dicos cient\u00edficos, portanto, foram respons\u00e1veis por iniciar um movimento caracterizado hoje pela transforma\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o, disponibiliza\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia em diferentes etapas de produ\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edficas, o que inclui o acesso gratuito a todas as formas de registro produzidas por uma pesquisa e a pr\u00f3pria redefini\u00e7\u00e3o dos processos editoriais de publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Isso iniciou v\u00e1rias discuss\u00f5es sobre os peri\u00f3dicos abertos, os artigos disponibilizados, os peri\u00f3dicos com acesso aberto e as editoras que n\u00e3o permitiam que esses artigos fossem disponibilizados. Os principais benef\u00edcios da ci\u00eancia aberta, que a pr\u00f3pria literatura coloca, s\u00e3o claros. Termos acesso a artigos, a trabalhos de eventos e tudo o que \u00e9 publicado \u2013 \u00e9 algo que agiliza muito o nosso trabalho. Em rela\u00e7\u00e3o aos dados, \u00e9 a economia de recursos, porque o maior benef\u00edcio \u00e9 a sua reutiliza\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p><cite>Caterina Pav\u00e3o<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">A pol\u00edtica institucional de ci\u00eancia aberta<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pol\u00edticas institucionais funcionam como um conjunto de orienta\u00e7\u00f5es gerais que informam os princ\u00edpios a partir dos quais as a\u00e7\u00f5es de uma institui\u00e7\u00e3o e de seus membros devem ser constru\u00eddas, obedecendo a uma certa miss\u00e3o para o alcance de uma vis\u00e3o. &#8220;Tudo depende de pol\u00edtica. Se n\u00e3o houver uma pol\u00edtica institucional e uma vontade institucional de que aconte\u00e7a, n\u00f3s sabemos que as pessoas sozinhas n\u00e3o conseguem fazer&#8221;, aponta Caterina Pav\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fala da professora da Fabico destaca a import\u00e2ncia de um arranjo institucional respons\u00e1vel por contribuir para o avan\u00e7o, a consolida\u00e7\u00e3o e o fortalecimento de diversas iniciativas de ci\u00eancia aberta na Universidade. Nesses termos, uma pol\u00edtica de ci\u00eancia aberta \u00e9 entendida como um marco regulat\u00f3rio mais amplo que parte da premissa de que o conhecimento \u00e9 um bem p\u00fablico e, portanto, deve guiar a atua\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa que precisem construir e integrar mecanismos de acesso a essa informa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <a href=\"https:\/\/foster.gitbook.io\/manual-de-formacao-em-ciencia-aberta\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Manual de Forma\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Aberta<\/a>, um recurso educativo aberto criado pelo projeto FOSTER Plus (<em>Fostering the practical implementation of Open Science in Horizon 2020 and beyond<\/em>) e financiado pelo programa de investiga\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o Horizonte 2020 da Uni\u00e3o Europeia, define as pol\u00edticas de ci\u00eancia aberta &#8220;como aquelas estrat\u00e9gias e a\u00e7\u00f5es que visam promover os princ\u00edpios de ci\u00eancia aberta e reconhecer as pr\u00e1ticas de ci\u00eancia aberta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa pol\u00edtica ajusta uma s\u00e9rie de par\u00e2metros do processo de produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e do conhecimento cient\u00edfico para serem compat\u00edveis com os preceitos da pr\u00e1tica. Isso se d\u00e1 a partir de um guarda-chuva de a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que incluem, por exemplo, o acesso aberto, dados e materiais abertos, ci\u00eancia cidad\u00e3, revis\u00e3o por pares aberta, c\u00f3digo aberto, caderno aberto de laborat\u00f3rio, plataformas colaborativas, licenciamentos abertos, recursos educativos abertos e redes sociais cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Trata-se de uma pol\u00edtica bem geral, a partir da qual se agregam as pol\u00edticas dos documentos abertos, dos peri\u00f3dicos em acesso aberto, dos dados abertos, da ci\u00eancia cidad\u00e3 e outras. A partir dela v\u00e3o se agregando outras quest\u00f5es&#8221;<\/p><cite>Caterina Pav\u00e3o<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pol\u00edtica institucional de ci\u00eancia aberta est\u00e1 associada \u00e0s diretrizes e aos princ\u00edpios que guiam o compromisso da gest\u00e3o com o tema e estabelecem a base para se instituir um sistema de governan\u00e7a da ci\u00eancia aberta numa institui\u00e7\u00e3o. O documento, que prioriza esse paradigma, cont\u00e9m o regimento que serve de suporte para o alinhamento das atividades de gest\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e do conhecimento produzido na Universidade com essas pr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo de Laura Rezende e Ernest Abadal, publicado em 2020 na <a href=\"https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/eb\/article\/view\/1518-2924.2020.e71370\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">revista Encontros Bibli<\/a>, oferece um panorama dos marcos regulat\u00f3rios brasileiros voltados para a ci\u00eancia aberta. Os autores ajudam a entender o n\u00edvel de implementa\u00e7\u00e3o da agenda de ci\u00eancia aberta no contexto nacional ao analisarem 26 pol\u00edticas institucionais oriundas de 25 universidades e duas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados do trabalho apontam que a maioria desses marcos regulat\u00f3rios se referem especificamente a a\u00e7\u00f5es setorizadas, voltadas para os reposit\u00f3rios institucionais ou bibliotecas digitais \u2013 termo que varia entre as institui\u00e7\u00f5es. Apenas duas s\u00e3o pol\u00edticas institucionais de informa\u00e7\u00e3o e\/ou de acesso aberto \u00e0 informa\u00e7\u00e3o mais amplas, respectivamente da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz e Universidade Aberta do Sistema \u00danico de Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"555\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Una-SUS.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-46348\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Una-SUS.jpg 1080w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Una-SUS-300x154.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Una-SUS-175x90.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Una-SUS-768x395.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Una-SUS-465x239.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Una-SUS-695x357.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><figcaption>A Universidade Aberta do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (UNA-SUS) \u00e9 uma das institui\u00e7\u00f5es brasileiras que possui pol\u00edticas institucionais de acesso aberto \u00e0 informa\u00e7\u00e3o (Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Em suma, as pol\u00edticas institucionais investigadas sinalizam um cen\u00e1rio brasileiro ainda muito caracterizado pelos desdobramentos da chamada &#8220;via verde&#8221; da iniciativa de 2002 do Movimento de Acesso Aberto, que se caracteriza pelo autodep\u00f3sito realizado por pesquisadores em reposit\u00f3rios digitais abertos [&#8230;]&#8221;<\/p><cite>Laura Rezende e Ernest Abadal<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Percursos da pol\u00edtica de acesso aberto ao conhecimento na UFRGS<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ano de 2005 marcou os primeiros passos da UFRGS rumo \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o formal de uma pol\u00edtica institucional de acesso aberto a toda obra intelectual produzida na Universidade, tanto nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o quanto de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. A <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/arquivos_download\/Portaria1774_UFRGS.pdf\">Portaria n.\u00ba 1.774\/2005<\/a> criou a Biblioteca Digital (BD) da Universidade, e o of\u00edcio circular <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/arquivos_download\/OfCircular07_PROPG.pdf\">n.\u00ba 07\/2007<\/a> oferecia instru\u00e7\u00f5es para a submiss\u00e3o de teses, disserta\u00e7\u00f5es, trabalhos de conclus\u00e3o de mestrado e de especializa\u00e7\u00e3o para disponibiliza\u00e7\u00e3o na BD. O intuito era garantir \u00e0 sociedade o acesso gratuito, p\u00fablico e aberto ao conte\u00fado integral de todo conhecimento desenvolvido pela Universidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2006, a UFRGS lan\u00e7ava o seu <a href=\"https:\/\/seer.ufrgs.br\/wp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Portal de Peri\u00f3dicos Cient\u00edficos<\/a>. Para Ana Gabriela Clipes, embora as revistas publicadas pela Universidade j\u00e1 operassem anos antes, o portal foi um dos pioneiros no Brasil a reunir e divulgar informa\u00e7\u00f5es sobre a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica publicada nas revistas correntes editadas na Universidade ou em parceria com ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de ser um canal de divulga\u00e7\u00e3o dos peri\u00f3dicos, o objetivo do portal \u00e9 oferecer aos editores e \u00e0s equipes editoriais vinculadas \u00e0 UFRGS informa\u00e7\u00f5es para qualificar a produ\u00e7\u00e3o editorial das revistas, visibilizar as atividades promovidas pela <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/propesq1\/propesq\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pr\u00f3-reitoria de Pesquisa<\/a> relacionadas ao tema e disponibilizar dados atualizados sobre os peri\u00f3dicos da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2008, a institui\u00e7\u00e3o fortalecia o acesso aberto com a implementa\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio reposit\u00f3rio digital, o <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lume<\/a>, um portal de acesso ao conjunto das cole\u00e7\u00f5es digitais elaboradas no \u00e2mbito da UFRGS e a outros documentos de interesse da Universidade. Em 2009, a <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/arquivos_download\/Portaria3805_UFRGS.pdf\">Portaria n.\u00ba 3.805\/2009<\/a> designava a primeira composi\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Gestor do Lume, sua inst\u00e2ncia e seu mecanismo de governan\u00e7a, e no ano seguinte a <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/arquivos_download\/Portaria5068_UFRGS.pdf\">Portaria n.\u00ba 5.068\/2010<\/a> estabelecia a Pol\u00edtica Institucional de Informa\u00e7\u00e3o para o reposit\u00f3rio digital e suas diretrizes de opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s 14 anos de opera\u00e7\u00e3o, o Lume se consolida por v\u00e1rios anos consecutivos como um dos reposit\u00f3rios institucionais de maior relev\u00e2ncia dentre as institui\u00e7\u00f5es federais de ensino superior no Brasil, com destaque considerado no mundo. Em 2022, o <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/ufrgs\/noticias\/lume-conquista-segundo-lugar-mundial-em-ranking-de-repositorios-institucionais\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lume conquistou o segundo lugar mundial<\/a> na 13.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do <em><a href=\"https:\/\/repositories.webometrics.info\/en\/node\/32\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transparent Ranking: All Repositories by Google Scholar<\/a><\/em>, na categoria Reposit\u00f3rios Institucionais, atr\u00e1s apenas do <em>Smithsonian\/NASA Astrophysics Data System<\/em>. No ranking global, a plataforma da UFRGS ocupa a oitava posi\u00e7\u00e3o. Caterina Pav\u00e3o avalia que esse reconhecimento coloca a Universidade em um lugar privilegiado de visibilidade na comunidade acad\u00eamica. Essas a\u00e7\u00f5es mostram que a pol\u00edtica de acesso aberto de publica\u00e7\u00f5es da UFRGS j\u00e1 est\u00e1 amplamente amparada e consolidada.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Lume.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-46346\" width=\"810\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Lume.jpg 1080w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Lume-300x156.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Lume-175x91.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Lume-768x400.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Lume-465x242.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Lume-695x362.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><figcaption>O Lume, reposit\u00f3rio digital da UFRGS, est\u00e1 entre os principais reposit\u00f3rios institucionais do mundo (Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Clipes e Pav\u00e3o ressaltam, por\u00e9m, que a Universidade ainda n\u00e3o det\u00e9m uma pol\u00edtica sobre reposit\u00f3rio de dados abertos. No momento, a UFRGS come\u00e7a a se planejar para constru\u00ed-la, a partir da implanta\u00e7\u00e3o de estudos e de um projeto-piloto para atender \u00e0 demanda de editores e pesquisadores da institui\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00f3s come\u00e7amos com o acesso aberto, que \u00e9 uma componente da ci\u00eancia aberta, e agora estamos trabalhando para disponibilizar os dados&#8221;, aponta Pav\u00e3o, que tamb\u00e9m colabora com o CPD e participou da primeira fase de um estudo que desenvolveu um piloto para implementa\u00e7\u00e3o futura do reposit\u00f3rio de dados abertos da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pav\u00e3o explica que esses dados de pesquisa correspondem a um conjunto de elementos produzidos durante uma pesquisa, desde o in\u00edcio at\u00e9 a disponibiliza\u00e7\u00e3o dos resultados em formatos de comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica como artigos, teses, disserta\u00e7\u00f5es, cap\u00edtulos de livros e outros. O objetivo da primeira fase do projeto, de acordo com a professora da Fabico, era estudar uma ferramenta e suas possibilidades, entrar em contato com pesquisadores com interesse em publicar dados de pesquisa e colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o um piloto do reposit\u00f3rio de dados. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda fase do projeto consistiria em divulgar o piloto e atuar na formula\u00e7\u00e3o de um plano de gest\u00e3o de dados, consolidar uma pol\u00edtica de dados abertos, testar outras \u00e1reas e metadados, e agregar outros pesquisadores para, assim, lan\u00e7ar o reposit\u00f3rio de dados abertos da Institui\u00e7\u00e3o. Em raz\u00e3o de problemas infraestruturais e de pessoal, a segunda etapa do estudo n\u00e3o foi desenvolvida.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;N\u00f3s temos v\u00e1rios problemas para resolver antes. O primeiro deles \u00e9 a infraestrutura para o dep\u00f3sito desses dados. Os dados s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es que requerem muito espa\u00e7o em m\u00e1quinas, mas o pior problema que n\u00f3s temos \u00e9 de pessoal. N\u00e3o temos pessoas em n\u00famero suficiente para trabalhar no CPD e dar conta do sistema de bibliotecas, do Lume \u2013 um servi\u00e7o que j\u00e1 est\u00e1 institucionalizado \u2013, e agregar as informa\u00e7\u00f5es dos reposit\u00f3rios de dados de pesquisa&#8221;<\/p><cite>Caterina Pav\u00e3o<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Clipes, a ado\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de dados abertos ser\u00e1 o passo seguinte na pol\u00edtica de acesso aberto da Universidade. &#8220;Algumas revistas da UFRGS, que s\u00e3o parte da Cole\u00e7\u00e3o da SciELO, j\u00e1 est\u00e3o sentindo essa necessidade e perguntam quando n\u00f3s adotaremos essa pol\u00edtica&#8221;, comenta. Pav\u00e3o enfatiza que a UFRGS j\u00e1 assumiu o compromisso com a abertura da produ\u00e7\u00e3o intelectual e agora precisa manifestar igual comprometimento com a abertura de dados de pesquisa. &#8220;No momento em que a Universidade assume uma pol\u00edtica de dados abertos, acredito que tudo come\u00e7a a deslanchar, porque ela se aproxima de mais um eixo do guarda-chuva da ci\u00eancia aberta e abre caminho para o desenvolvimento de uma pol\u00edtica institucional mais ampla&#8221;, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acompanhando as orienta\u00e7\u00f5es e tend\u00eancias internacionais da publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia aberta, a rede&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.scielo.org\/\">SciELO<\/a>, um programa de coopera\u00e7\u00e3o internacional de livre acesso que armazena, publica e avalia a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em formato eletr\u00f4nico, atualizou em 2020 seus crit\u00e9rios de indexa\u00e7\u00e3o para serem compat\u00edveis com as pr\u00e1ticas de comunica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia aberta nas pol\u00edticas, na gest\u00e3o e na opera\u00e7\u00e3o editorial das revistas cient\u00edficas. Na pr\u00e1tica, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/wp.scielo.org\/wp-content\/uploads\/20200500-Criterios-SciELO-Brasil.pdf\">documento<\/a>&nbsp;sugere que os peri\u00f3dicos podem futuramente exigir o compartilhamento em acesso aberto de dados, c\u00f3digos, m\u00e9todos e outros materiais usados e resultantes das pesquisas, obedecendo \u00e0s pol\u00edticas de dados abertos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O texto prev\u00ea que at\u00e9 o final de 2022 todos os peri\u00f3dicos da Cole\u00e7\u00e3o SciELO Brasil alinhem suas pol\u00edticas editoriais a esses par\u00e2metros. &#8220;Ent\u00e3o, \u00e9 algo urgente. Alguns editores est\u00e3o cobrando essa infraestrutura da Universidade para deixar p\u00fablicos esses dados e para que se possa ter acesso a todos os dados de pesquisa. Eu acredito que \u00e9 algo positivo e o vislumbro num futuro pr\u00f3ximo na UFRGS&#8221;, destaca a bibliotec\u00e1ria da Faced e coordenadora do Setor de Peri\u00f3dicos Cient\u00edficos da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Scielo-Brasil.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-46347\" width=\"810\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Scielo-Brasil.jpg 1080w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Scielo-Brasil-300x149.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Scielo-Brasil-175x87.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Scielo-Brasil-768x382.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Scielo-Brasil-465x231.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Reproduc\u0327a\u0303o-Scielo-Brasil-695x346.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><figcaption>A rede&nbsp;SciELO pretende exigir que todos os peri\u00f3dicos de sua cole\u00e7\u00e3o tornem acess\u00edveis os dados das pesquisas que publicam (Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Perspectivas e desafios \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica institucional de ci\u00eancia aberta<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de atuar com pol\u00edticas espec\u00edficas voltadas para alguns eixos e possibilidades que pertencem ao rol de iniciativas do movimento da ci\u00eancia aberta, a UFRGS ainda n\u00e3o possui uma pol\u00edtica efetiva e ampla voltada para o tema, avalia a professora da Fabico e colaboradora do CPD.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A UFRGS ainda n\u00e3o disp\u00f5e de uma pol\u00edtica institucional de ci\u00eancia aberta em vig\u00eancia. Existe uma pol\u00edtica de acesso aberto da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que est\u00e1 institucionalizada a partir do reposit\u00f3rio da Universidade, o Lume, e por meio de diversos peri\u00f3dicos. Todas as revistas cient\u00edficas da Universidade s\u00e3o de acesso aberto&#8221;<\/p><cite>Caterina Pav\u00e3o<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito do que \u00e9 feito hoje \u00e9 setorizado: &#8220;N\u00f3s vamos fazendo a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. O setor de peri\u00f3dicos com as revistas cient\u00edficas, o CPD com os documentos, a produ\u00e7\u00e3o intelectual, o reposit\u00f3rio com os dados, o que infelizmente n\u00e3o saiu do piloto. T\u00eam professores que trabalham isoladamente com a ci\u00eancia cidad\u00e3&#8230; mas a Universidade precisa assumir uma pol\u00edtica institucional de ci\u00eancia aberta. Tendo a pol\u00edtica, fica mais f\u00e1cil as pessoas e os projetos se engajarem nela. As pessoas v\u00e3o se sentir acolhidas por esse guarda-chuva&#8221;, considera Pav\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A implanta\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica institucional mais ampla sobre ci\u00eancia aberta, no entanto, extrapola a capacidade de a\u00e7\u00e3o dos gestores das institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa, porque demanda um investimento em infraestrutura e pessoal que esbarra em um cen\u00e1rio nacional marcado pelo <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/cortes-na-ciencia-brasileira-atingem-o-meio-cientifico-como-fechamento-de-torneira-em-seca-de-sete-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">corte de or\u00e7amento<\/a> para as institui\u00e7\u00f5es federais de ensino e pesquisa. &#8220;Est\u00e1 um pouco dif\u00edcil sustentar esse acesso aberto dentro das universidades justamente pelo corte de or\u00e7amento, por cada vez haver menos editais e pela diminui\u00e7\u00e3o do valor e das a\u00e7\u00f5es daqueles j\u00e1 existentes&#8221;, salienta Ana Gabriela Clipes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;\u00c9 um movimento que acaba dificultando a promo\u00e7\u00e3o do acesso aberto, porque no acesso aberto algu\u00e9m paga. Ele \u00e9 aberto ao final, ent\u00e3o, h\u00e1 custos, desde o trabalho e a dedica\u00e7\u00e3o do editor e do corpo editorial, dos autores que escrevem, dos avaliadores que n\u00e3o cobram, mas trabalham, e h\u00e1 quest\u00f5es operacionais, como os servidores, os custos com diagrama\u00e7\u00e3o e recursos digitais, no caso dos peri\u00f3dicos&#8221;<\/p><cite>Ana Gabriela Clipes<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a professora da Fabico, &#8220;o ideal n\u00e3o \u00e9 ter uma pol\u00edtica para os peri\u00f3dicos em acesso aberto, uma pol\u00edtica para os reposit\u00f3rios em acesso aberto, uma pol\u00edtica para os dados&#8221;. Ela sugere que a melhor solu\u00e7\u00e3o seria a Universidade montar uma equipe ou um grupo multidisciplinar para trabalhar na cria\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica integrada de ci\u00eancia aberta para a Universidade. Essa equipe, enfatiza a professora, precisa ser multidisciplinar, porque cada \u00e1rea do conhecimento det\u00e9m especificidades que devem ser tratadas em particularidade pela ci\u00eancia aberta. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Projetar essa pol\u00edtica institucional geral e instituir um sistema de governan\u00e7a da ci\u00eancia aberta na institui\u00e7\u00e3o \u00e9 complexo e demanda trabalho em equipe, aponta Caterina Pav\u00e3o, al\u00e9m da defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias e diretrizes de a\u00e7\u00e3o. &#8220;Mas j\u00e1 temos v\u00e1rios modelos dessas pol\u00edticas, tanto no exterior quanto no Brasil, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil para n\u00f3s criarmos uma pol\u00edtica de acesso aberto&#8221;, defende. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os benef\u00edcios em curto prazo s\u00e3o imediatos, com diferentes tipos de produtos da ci\u00eancia disponibilizados \u00e0 sociedade, mas principalmente com a possibilidade de uma mudan\u00e7a cultural e governamental em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 efetiva\u00e7\u00e3o dos preceitos que regem um paradigma que transforma a forma de se produzir, de se gerenciar e de circular o conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ci\u00eancia aberta | Universidade investe em pol\u00edtica de acesso aberto ao conhecimento com a\u00e7\u00f5es setorizadas para repensar a circula\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos resultados cient\u00edficos. Pesquisadores, por\u00e9m, argumentam que a pr\u00e1tica deve ir muito al\u00e9m da disponibiliza\u00e7\u00e3o de artigos em revistas e do dep\u00f3sito de trabalhos cient\u00edficos em reposit\u00f3rios<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/ciencia-aberta-avanca-na-ufrgs-mas-universidade-ainda-carece-de-uma-politica-institucional-mais-ampla-e-efetiva\/\">Leia 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