{"id":46851,"date":"2022-04-20T09:00:00","date_gmt":"2022-04-20T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=46851"},"modified":"2022-04-20T09:04:26","modified_gmt":"2022-04-20T12:04:26","slug":"alternativas-a-importacao-do-fosfato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/alternativas-a-importacao-do-fosfato\/","title":{"rendered":"Alternativas \u00e0 importa\u00e7\u00e3o do fosfato"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Jos\u00e9 Carlos Frantz, Guilherme Annes Martinez e Fernando Henrique Bucco Tallarico defendem a produ\u00e7\u00e3o local de fosfato para reduzir a necessidade de importa\u00e7\u00e3o de insumos para agricultura<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\">*Po<em>r: Jos\u00e9 Carlos Frantz, Guilherme Annes Martinez e Fernando Henrique Bucco Tallarico<br>*Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU 07 jun. 2006 \u2013 A baixa oferta nacional de fertilizantes mant\u00e9m o estado dependente da importa\u00e7\u00e3o de insumos, <\/em><br><em>ainda que a\u00e7\u00f5es em desenvolvimento no estado projetem incremento na produ\u00e7\u00e3o. Na imagem, \u00e1rea de lavoura em prepara\u00e7\u00e3o para plantio<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil \u00e9 um dos maiores produtores de commodities agr\u00edcolas do mundo. A produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola nacional cresce ano a ano, e estima-se que o pa\u00eds responder\u00e1 por metade da produ\u00e7\u00e3o mundial de commodities agr\u00edcolas num futuro pr\u00f3ximo. A base da ind\u00fastria agr\u00edcola atual s\u00e3o os fertilizantes, ingredientes necess\u00e1rios para o aumento da produtividade por hectare. A produ\u00e7\u00e3o nacional desses produtos tem se mantido baixa, tanto \u00e9 que as importa\u00e7\u00f5es aumentaram em 445% em pouco mais de duas d\u00e9cadas (confira o gr\u00e1fico abaixo). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil \u00e9 hoje o maior importador de fertilizantes do mundo com a ind\u00fastria agr\u00edcola mais dependente de insumos externos. Os lament\u00e1veis acontecimentos recentes no leste da Europa t\u00eam impactado o mercado de fertilizantes e seu fornecimento, uma vez que a guerra envolve algumas das principais na\u00e7\u00f5es exportadoras desses produtos. A consequ\u00eancia \u00e9 uma severa alta nos pre\u00e7os e uma redu\u00e7\u00e3o na oferta, o que pode significar que a demanda j\u00e1 na pr\u00f3xima safra n\u00e3o ser\u00e1 atendida. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/5nsmPIBdUjwsbglrf7s-KZdaIF96wXpeuacprx5NHeRE7lInN5DF3morHN4geqYzkh_CM642slK5UQ2CX2RbzPibAVf0v8qVhs1DwAeVuaRGh8aGTxrptnX84AxZdWSHLiF15gD1\" alt=\"Gr\u00e1fico, Gr\u00e1fico de linhas\n\nDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\" width=\"1073\" height=\"626\"\/><figcaption>Evolu\u00e7\u00e3o do mercado de fertilizantes no Brasil, segundo dados elaborados pela Secretaria Especial de Assuntos Estrat\u00e9gicos e pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional para Difus\u00e3o de Adubos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Estado do Rio Grande do Sul tem no setor agr\u00edcola cerca de 40% do seu PIB e produziu 34 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os em 2020, situando-se em segundo lugar no ranking agr\u00edcola nacional. Naquele mesmo ano exportou 58,2% da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para 176 pa\u00edses, incluindo China, Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia. Apesar disso, como primeiro item da pauta, o Estado importou mais de US$ 1,5 bilh\u00f5es em insumos para sustentar essa produ\u00e7\u00e3o (veja a tabela abaixo). A raz\u00e3o disso \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o local de mat\u00e9ria-prima, com 100% de depend\u00eancia externa. No porto de Rio Grande h\u00e1 uma ind\u00fastria de fertilizantes com a produ\u00e7\u00e3o destinada ao Estado, mas a mat\u00e9ria-prima \u00e9 100% importada.&nbsp; Esse fertilizante com processamento qu\u00edmico no porto \u00e9 distribu\u00eddo no Estado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-stripes\" style=\"font-size:12px\"><table><tbody><tr><td><strong>Posi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td><td><strong>Produtos<\/strong><\/td><td><strong>Valor (US$ Mi)<\/strong><\/td><td><strong>%<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1<\/td><td>Adubos e fertilizantes<\/td><td>1.566,25<\/td><td>65,63<\/td><\/tr><tr><td>2<\/td><td>Cereais, farinhas e prepara\u00e7\u00f5es<\/td><td>216,72<\/td><td>9,08<\/td><\/tr><tr><td>3<\/td><td>M\u00e1quinas e implementos agr\u00edcolas<\/td><td>78,10<\/td><td>3,27<\/td><\/tr><tr><td>4<\/td><td>Produtos florestais<\/td><td>73,83<\/td><td>3,09<\/td><\/tr><tr><td>5<\/td><td>Frutas, nozes e castanhas<\/td><td>70,97<\/td><td>2,97<\/td><\/tr><tr><td>&#8211;<\/td><td>Outros<\/td><td>30,68<\/td><td>15,95<\/td><\/tr><tr><td>Total<\/td><td>2.386,54<\/td><td>100,00<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption>Dados da Secretaria da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Desenvolvimento Rural, publicados na Radiografia da Agropecu\u00e1ria Ga\u00facha 2020, apontam que o RS importou mais de US$ 1,5 milh\u00f5es em adubos e fertilizantes em 2020<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante dessa situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade, al\u00e9m da depend\u00eancia das importa\u00e7\u00f5es em um contexto global bastante complexo, tem-se o impacto imediato nos custos da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, afetados, em sua maior parte, pelo pre\u00e7o dos fertilizantes importados. Como resultado, o produto agr\u00edcola nacional fica menos competitivo no cen\u00e1rio mundial e mais inacess\u00edvel \u00e0 mesa dos brasileiros. Al\u00e9m disso, como depende totalmente das importa\u00e7\u00f5es de fertilizantes, a produ\u00e7\u00e3o local ficar\u00e1 menos competitiva frente a outros estados produtores. Como uma consequ\u00eancia imediata pode ser esperada a queda de competitividade dos produtos agr\u00edcolas produzidos no Estado, com implica\u00e7\u00f5es na balan\u00e7a comercial brasileira e diminui\u00e7\u00e3o do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Rio Grande do Sul, na sua constitui\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica, em especial na por\u00e7\u00e3o central do Estado, tem um bom potencial para a prospec\u00e7\u00e3o, identifica\u00e7\u00e3o de reservas e produ\u00e7\u00e3o de insumos para a agricultura. Rochas ricas em minerais que cont\u00eam f\u00f3sforo e com potencial para a produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes est\u00e3o identificadas por uma empresa que atua desde 2011 na regi\u00e3o da Campanha, no munic\u00edpio de Lavras do Sul, a Aguia Fertilizantes, e que tem mantido parcerias com a Universidade, apoiando trabalhos de mestrado e TCCs nessas \u00e1reas.&nbsp; Dentre os v\u00e1rios corpos rochosos potenciais, um est\u00e1 em adiantado est\u00e1gio de conhecimento, resultando no Projeto Fosfato Tr\u00eas Estradas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s intensa pesquisa e testes de produtividade, a op\u00e7\u00e3o foi produzir fosfato natural, num processo em que a rocha \u00e9 apenas britada e mo\u00edda com aplica\u00e7\u00e3o direta no solo. A vantagem principal, al\u00e9m da log\u00edstica, \u00e9 o car\u00e1ter amig\u00e1vel ao meio ambiente. O produto n\u00e3o passa por tratamento qu\u00edmico e n\u00e3o demanda \u00e1cido, sendo apenas mo\u00eddo, e representa um produto natural. Al\u00e9m disso, a produ\u00e7\u00e3o para esse tipo de processo \u00e9 projetada para operar como Zero Carbono, Zero \u00c1gua e Zero Energia, credenciais que n\u00e3o s\u00e3o comuns em processos industriais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto j\u00e1 foi submetido \u00e0 audi\u00eancia p\u00fablica com Licen\u00e7a Pr\u00e9via emitida pela Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam) em novembro de 2019. Os planos e detalhamentos necess\u00e1rios \u00e0 obten\u00e7\u00e3o da Licen\u00e7a de Instala\u00e7\u00e3o junto \u00e0 autoridade ambiental estadual j\u00e1 est\u00e3o submetidos e, agora, o projeto aguarda a emiss\u00e3o de licen\u00e7a para a constru\u00e7\u00e3o da unidade de produ\u00e7\u00e3o. Com isso, o Estado poder\u00e1 contar com insumo fosfatado natural em um prazo muito curto. O projeto prev\u00ea a produ\u00e7\u00e3o de 300 mil toneladas ano de fosfato natural de aplica\u00e7\u00e3o direta, que representa cerca de 10% da demanda local. A produ\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, poder\u00e1 ser aumentada se e quando demandada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O investimento para a produ\u00e7\u00e3o desse fosfato natural at\u00e9 o momento foi de R$ 85 milh\u00f5es em pesquisa e desenvolvimento, sendo R$ 13 milh\u00f5es exclusivos para estudos ambientais. Na fase de constru\u00e7\u00e3o da planta, ser\u00e3o gerados cerca de 130 empregos diretos; na opera\u00e7\u00e3o, 80. Os fertilizantes importados t\u00eam isen\u00e7\u00e3o total de impostos e n\u00e3o contribuem com a arrecada\u00e7\u00e3o de munic\u00edpios e do Estado. Um projeto com produ\u00e7\u00e3o local previsto para operar no m\u00ednimo por 18 anos dever\u00e1 gerar, em valores atuais, cerca de R$ 210 milh\u00f5es apenas em impostos, al\u00e9m de movimentar a economia local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Projeto Fosfato Tr\u00eas Estradas teve sua relev\u00e2ncia reconhecida pelo Poder P\u00fablico Federal ao ser inclu\u00eddo pelo Comit\u00ea Interministerial de An\u00e1lise de Projetos Minerais Estrat\u00e9gicos, cujo objetivo principal \u00e9 selecionar projetos para ampliar a produ\u00e7\u00e3o nacional em bases ambientalmente sustent\u00e1veis. Esse projeto tamb\u00e9m foi inclu\u00eddo nas a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas do Plano Nacional de Fertilizantes.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#ebebeb\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8653007809195403\">Jose Carlos Frantz<\/a> \u00e9 professor titular do Departamento de Geologia do Instituto de Geoci\u00eancias da UFRGS e orientador no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geoci\u00eancias. Foi diretor do Instituto de Geoci\u00eancias da UFRGS (2005-2012) e Pr\u00f3-reitor de Pesquisa da UFRGS (2012-2016).<br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1946889549202324\">Guilherme Annes Martinez<\/a> \u00e9 ge\u00f3logo e mestrando no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geoci\u00eancias da UFRGS.<br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4619397380707835\">Fernando Henrique Bucco Tallarico<\/a> \u00e9 doutor em Geoci\u00eancias pela Unicamp e CEO da Aguia Resources (ASX:AGR). <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\"><em>&#8220;As manifesta\u00e7\u00f5es expressas neste ve\u00edculo n\u00e3o representam obrigatoriamente o posicionamento da UFRGS como um todo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo | Jos\u00e9 Carlos Frantz, Guilherme Annes Martinez e Fernando Henrique Bucco Tallarico defendem a produ\u00e7\u00e3o local de fosfato para reduzir a necessidade de importa\u00e7\u00e3o de insumos para agricultura<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/alternativas-a-importacao-do-fosfato\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":46919,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[53],"tags":[3129,3132,3133,3130,3131],"ppma_author":[2938],"class_list":["entry","author-gerente","has-excerpt","post-46851","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-artigo","tag-fertilizantes","tag-fosfato","tag-fosfato-natural","tag-producao-agricola","tag-projeto-fosfato-tres-estradas"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - 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