{"id":47757,"date":"2022-05-19T08:40:00","date_gmt":"2022-05-19T11:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=47757"},"modified":"2022-05-19T17:27:00","modified_gmt":"2022-05-19T20:27:00","slug":"investimento-em-campanhas-deve-ser-constante-para-elevar-indices-de-vacinacao-apontam-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/investimento-em-campanhas-deve-ser-constante-para-elevar-indices-de-vacinacao-apontam-especialistas\/","title":{"rendered":"Investimento em campanhas deve ser constante para elevar \u00edndices de vacina\u00e7\u00e3o, apontam especialistas\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sa\u00fade p\u00fablica | Doen\u00e7as como o sarampo, considerado erradicado nas Am\u00e9ricas desde 2016, voltaram a se espalhar pelo Brasil sobretudo devido \u00e0 queda na cobertura vacinal<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU 16 mai. 2022<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil \u00e9 reconhecido internacionalmente pela qualidade das pol\u00edticas de sa\u00fade p\u00fablica de imuniza\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 resultado de um investimento hist\u00f3rico na constru\u00e7\u00e3o de um sistema no qual convergiram interesses pol\u00edticos, econ\u00f4micos, cient\u00edficos e culturais. No entanto, nos \u00faltimos anos, a cobertura vacinal contra muitas doen\u00e7as caiu drasticamente, principalmente nas crian\u00e7as. E o investimento em grandes campanhas de comunica\u00e7\u00e3o \u2013 tradicionalmente marcadas por s\u00edmbolos como o Z\u00e9 Gotinha \u2013 encolheram na mesma propor\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA qualidade desse sistema enfrenta o paradoxo da naturaliza\u00e7\u00e3o da realidade, como se a imuniza\u00e7\u00e3o fosse algo bem resolvido no pa\u00eds e, portanto, n\u00e3o exigisse esfor\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es\u201d, salienta a professora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS Elisa Reinhardt Piedras. Ela constata que a comunica\u00e7\u00e3o que promove a imuniza\u00e7\u00e3o recebe cada vez menos investimentos e, consequentemente, tem menor visibilidade e presen\u00e7a social. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cComplementarmente, a cultura antivacina, presente em v\u00e1rios pa\u00edses, tamb\u00e9m ganha for\u00e7a no Brasil, nos \u00faltimos anos, trazendo mais obst\u00e1culos \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de uma imuniza\u00e7\u00e3o de alcance, como t\u00ednhamos antes\u201d<\/p><cite>Elisa Piedras<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es (PNI) representa uma das pol\u00edticas p\u00fablicas do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) de maior sucesso no Brasil e \u00e9 exemplo seguido por muitos pa\u00edses. Ele \u00e9 fruto de um longo e hist\u00f3rico processo que se inicia com as campanhas massivas e obrigat\u00f3rias de vacina\u00e7\u00e3o no come\u00e7o do s\u00e9culo XX, com Oswaldo Cruz. Mesmo com a atual falta de recursos financeiros e humanos, al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o discursiva negacionista e das fake news contra as vacinas na pandemia, a imuniza\u00e7\u00e3o contra a covid-19 \u00e9 avaliada como satisfat\u00f3ria, gra\u00e7as \u00e0 pol\u00edtica do PNI e \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade. \u201cDeve-se registrar que o Brasil \u2013 e, no caso, o povo brasileiro \u2013 aderiu massivamente \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19. Temos um dos maiores \u00edndices de vacina\u00e7\u00e3o do mundo, j\u00e1 que cerca de 80% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 com as duas doses necess\u00e1rias, em um r\u00e1pido per\u00edodo de tempo\u201d, contextualiza a professora da Escola de Enfermagem da UFRGS e consultora da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (OPAS\/OMS) Cristianne Maria Famer Rocha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A imuniza\u00e7\u00e3o contra a covid-19, contudo, \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o em termos de sucesso em cobertura vacinal. Entre 2020 e 2021, os discursos antici\u00eancia e antivacinas, assim como a falta de campanhas de incentivo \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, t\u00eam produzido a pior taxa de cobertura dos \u00faltimos 10 anos para vacinas como a BCG, meningococo C, poliomielite e tetraviral. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cobertura da vacina tetraviral \u2013 que protege contra sarampo, caxumba, rub\u00e9ola e varicela \u2013 teve queda de 79% em 2016 para 5,71% em 2021. Na pr\u00e1tica, isso significa o retorno do sarampo \u2013 que havia sido erradicado em 2016 \u2013, uma doen\u00e7a altamente contagiosa, transmitida por got\u00edculas respirat\u00f3rias e que provoca sintomas como tosse, coriza, olhos inflamados, dor de garganta, febre e irrita\u00e7\u00e3o na pele, com manchas vermelhas. Em casos mais graves, pode causar pneumonia e inflama\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro, levando \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aplica\u00e7\u00e3o da vacina da poliomielite \u00e9 outro caso que teve redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica de cobertura. Em 2021, o \u00edndice de vacina\u00e7\u00e3o atingiu 69%; em 2012, era de 96%. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es (SBIm), Juarez Cunha, \u00e9 necess\u00e1rio resgatar o valor e a cultura da vacina. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cTrabalho como m\u00e9dico intensivista e toda hora lido com pessoas que desconhecem os benef\u00edcios da vacina e n\u00e3o sabem a gravidade das doen\u00e7as que ela pode prevenir. A paralisia infantil \u00e9 um exemplo. Os pais mais novos nunca viram um caso. Por isso h\u00e1 uma falsa seguran\u00e7a e complac\u00eancia. A febre amarela \u00e9 outro caso \u2013 n\u00e3o basta s\u00f3 se vacinar ao viajar \u2013, assim como a coqueluche\u201d<\/p><cite>Juarez Cunha<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"810\" data-id=\"48684\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-6063.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-48684\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-6063.jpg 1080w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-6063-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-6063-156x117.jpg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-6063-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-6063-465x349.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-6063-667x500.jpg 667w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-6063-150x113.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Na Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade Santa Cec\u00edlia, em Porto Alegre, inv\u00f3lucro com doses de vacina contra Influenza. Na imagem de capa, cartaz incentiva a ades\u00e3o em fila de vacina\u00e7\u00e3o na mesma Unidade\u00a0 (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU 16 mai. 2022)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Falta consci\u00eancia e investimento<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presidente da SBIm lembra que a baixa cobertura vacinal e a falta de consci\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da imuniza\u00e7\u00e3o fazem com que doen\u00e7as erradicadas, como var\u00edola, p\u00f3lio, sarampo, rub\u00e9ola cong\u00eanita e t\u00e9tano neonatal, voltem. E que casos de doen\u00e7as controladas, como coqueluche, meningite e tuberculose, aumentem, saiam do controle e pressionem ainda mais o sistema de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Vacinas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 pra crian\u00e7as, mas para todas faixas et\u00e1rias \u2013 como a contra o sarampo, dispon\u00edvel nos postos de sa\u00fade para pessoas com at\u00e9 59 anos. Precisamos estimular essa busca, porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o individual, mas de prote\u00e7\u00e3o da coletividade&#8221;<\/p><cite>Juarez Cunha<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consultora da OPAS\/OMS refor\u00e7a a relev\u00e2ncia dos imunizantes para a sa\u00fade. \u201cA vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para a preven\u00e7\u00e3o e erradica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, evitando poss\u00edveis danos ou mortes decorrentes de infec\u00e7\u00f5es evit\u00e1veis. \u00c9 comprovado cientificamente que tivemos, ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo, no mundo, uma queda dr\u00e1stica na incid\u00eancia de doen\u00e7as que matavam milhares de pessoas. Basta ver o que aconteceu no Brasil ap\u00f3s a vacina\u00e7\u00e3o da covid-19\u201d, afirma Cristianne Famer Rocha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo que as vacinas recomendadas pelo PNI sejam obrigat\u00f3rias para as crian\u00e7as, houve o retrocesso nas taxas de imuniza\u00e7\u00e3o, muito afetadas pela discuss\u00e3o pol\u00edtico-ideol\u00f3gica. Outro fator \u00e9 a oscila\u00e7\u00e3o nos valores investidos em campanhas de comunica\u00e7\u00e3o: em 2011, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade gastou R$ 73 milh\u00f5es em a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o sobre vacinas; em 2020, o valor foi de apenas R$ 45 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Grafico-valores-investidos-Ministerio-Saude.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-48644\" width=\"759\" height=\"692\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Grafico-valores-investidos-Ministerio-Saude.png 759w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Grafico-valores-investidos-Ministerio-Saude-300x274.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Grafico-valores-investidos-Ministerio-Saude-128x117.png 128w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Grafico-valores-investidos-Ministerio-Saude-465x424.png 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Grafico-valores-investidos-Ministerio-Saude-548x500.png 548w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Grafico-valores-investidos-Ministerio-Saude-150x137.png 150w\" sizes=\"(max-width: 759px) 100vw, 759px\" \/><figcaption>Fonte: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade\/SVS &#8211; Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO nosso SUS nos garante uma ampla cobertura vacinal, sendo exemplo internacional de disponibilidade gratuita; h\u00e1 uma amplitude de imunizantes e, em momentos como este, precisamos do apoio dos meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e9rios para ajudar a ampliar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da imuniza\u00e7\u00e3o como um ato de amor pr\u00f3prio e de amor ao pr\u00f3ximo\u201d, enfatiza a conselheira do Conselho Nacional de Sa\u00fade (CNS) Ana L\u00facia Paduello. Segundo ela, o CNS j\u00e1 usou v\u00e1rios instrumentos, recomendando medidas e a\u00e7\u00f5es por meio de suas comiss\u00f5es e pelo Relat\u00f3rio de Gest\u00e3o e alertando o MS sobre a baixa execu\u00e7\u00e3o e o cumprimento das metas de vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-Brasil-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-48664\" width=\"870\" height=\"663\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-Brasil-1.png 870w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-Brasil-1-300x229.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-Brasil-1-154x117.png 154w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-Brasil-1-768x585.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-Brasil-1-465x354.png 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-Brasil-1-656x500.png 656w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-Brasil-1-150x114.png 150w\" sizes=\"(max-width: 870px) 100vw, 870px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-RS.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-48655\" width=\"869\" height=\"659\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-RS.png 869w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-RS-300x228.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-RS-154x117.png 154w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-RS-768x582.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-RS-465x353.png 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-RS-659x500.png 659w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/grafico-cobertura-vacinal-RS-150x114.png 150w\" sizes=\"(max-width: 869px) 100vw, 869px\" \/><figcaption>Evolu\u00e7\u00e3o de imuniza\u00e7\u00e3o das quatro principais vacinas dispon\u00edveis no SUS nos \u00faltimos 10 anos, no Brasil. Fonte: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade\/SVS &#8211; Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os cinco Cs na influ\u00eancia da vacina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presidente da SBIm explica que, de modo resumido e did\u00e1tico, pode-se classificar a popula\u00e7\u00e3o em tr\u00eas perfis quanto \u00e0 postura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vacinas: a grande maioria que tem convic\u00e7\u00e3o da necessidade e dos benef\u00edcios dos imunizantes, os poucos que se negam a acreditar nos benef\u00edcios e espalham a desinforma\u00e7\u00e3o e a parte hesitante, que tem d\u00favidas quanto \u00e0 efic\u00e1cia e \u00e0 seguran\u00e7a de algumas vacinas. Juarez lembra que a vacina\u00e7\u00e3o em geral j\u00e1 vinha ruim na pr\u00e9-pandemia e piorou muito nos \u00faltimos dois anos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O m\u00e9dico explica que esse caso de pessoa que ficava em cima do muro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina era chamado de hesita\u00e7\u00e3o vacinal, com base em tr\u00eas Cs: <\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Complac\u00eancia, isto \u00e9, falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a: como a pessoa nunca viu um caso da doen\u00e7a, desconhece a enfermidade e acha que, por isso, a vacina n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria;<\/li><li>Confian\u00e7a na seguran\u00e7a e efic\u00e1cia da vacina. (Se n\u00e3o h\u00e1 campanhas junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, as pessoas hesitantes aumentam sua desconfian\u00e7a, explica Juarez.); e<\/li><li>Conveni\u00eancia: aspecto relacionado \u00e0 estrutura f\u00edsica e de recursos humanos, como a disponibilidade de hor\u00e1rios de atendimento flex\u00edveis para os pais que trabalham e a qualifica\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade da ponta.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a pandemia, outros dois Cs se mostram fatores mais decisivos para o \u00eaxito da cobertura vacinal, avalia o presidente da SBIm. S\u00e3o eles: <\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Comunica\u00e7\u00e3o: para ele, um ponto fundamental (\u201cAs campanhas de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam acontecido, se v\u00ea apenas divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre calend\u00e1rios de vacina\u00e7\u00e3o para os profissionais que trabalham na \u00e1rea, mas a popula\u00e7\u00e3o, em geral, n\u00e3o tem sido estimulada nem fica sabendo das campanhas\u201d); e<\/li><li>Contexto: com o coronav\u00edrus, \u201ca popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel foi a mais afetada e nela tamb\u00e9m houve a maior queda na cobertura vacinal tanto na vacina contra a covid como nas outras, expondo-a a um risco muito grande\u201d, analisa o presidente da SBIm.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5532.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"810\" data-id=\"48682\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5532.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-48682\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5532.jpg 1080w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5532-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5532-156x117.jpg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5532-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5532-465x349.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5532-667x500.jpg 667w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5532-150x113.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5529.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"810\" data-id=\"48681\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5529.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-48681\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5529.jpg 1080w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5529-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5529-156x117.jpg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5529-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5529-465x349.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5529-667x500.jpg 667w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Fla\u0301vio-Dutra-5529-150x113.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Vacina\u00e7\u00e3o de refor\u00e7o contra covid-19 para maiores de 85 anos no Centro de Sa\u00fade IAPI, na capital\u00a0 (Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU 30 mar. 2022)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Fatores complexos<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso tamb\u00e9m considerar, na an\u00e1lise, a utiliza\u00e7\u00e3o das redes sociais digitais, que aumentou durante a pandemia, potencializando a produ\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o de discursos denuncistas, em resist\u00eancia \u00e0 hegemonia cient\u00edfica e como recusa \u00e0quilo que pode representar uma novidade, ou seja, o conhecimento objetivo, a cr\u00edtica, as evid\u00eancias cient\u00edficas, o argumento l\u00f3gico. \u201cEm s\u00edntese, tudo o que poder\u00e1 representar o viver em sociedade e o debate p\u00fablico racional\u201d, resume Cristianne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, \u00e9 preciso, ainda, compreender e avaliar o setor de sa\u00fade no \u00e2mbito das quest\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p> \u201cViver em uma sociedade pautada pelos princ\u00edpios econ\u00f4micos neoliberais implica fortalecer as liberdades individuais. Como consequ\u00eancia, temos uma derrocada dos valores coletivos ou comuns \u00e0 sociedade\u201d<\/p><cite>Cristiane Fammer Rocha<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de tudo isso, \u00e9 necess\u00e1rio se considerarem os resultados de estudos espec\u00edficos relacionados \u00e0 baixa cobertura vacinal. \u201cApenas para ilustrar, alguns mostram que a baixa cobertura tem a ver com a baixa escolaridade dos pais. Ent\u00e3o investir em educa\u00e7\u00e3o de qualidade poder\u00e1 nos permitir ter melhores indicadores de sa\u00fade, inclusive aqueles relacionados \u00e0 cobertura vacinal. Como sou da \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade, tamb\u00e9m acredito que os meios de comunica\u00e7\u00e3o e as redes sociais t\u00eam um importante papel a contribuir com o campo da sa\u00fade\u201d, analisa Cristianne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela completa que h\u00e1 mecanismos regulat\u00f3rios de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de discursos nas m\u00eddias (sejam elas as consideradas tradicionais, como r\u00e1dios, televis\u00f5es, jornais, revistas; ou inovadoras, como Instagram, Facebook, YouTube, Twitter, WhatsApp). \u201cIsso \u00e9 fundamental para discutirmos os valores que permeiam nossas sociedades. Isto \u00e9, quais valores interessam para a produ\u00e7\u00e3o de sociabilidades e quais destroem nossa possibilidade de conviv\u00eancia pac\u00edfica e suport\u00e1vel\u201d, questiona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora e professora Cristianne Fammer Rocha observa que as causas e os fatores s\u00e3o complexos e t\u00eam a necessidade de uma an\u00e1lise cuidadosa da situa\u00e7\u00e3o. \u201cObviamente que a pr\u00f3pria pandemia impactou nessa diminui\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as aqui e no mundo, pois fez com que as pessoas sa\u00edssem menos de casa e, portanto, se sentissem menos seguras de fazer aquilo que normalmente faziam ou deveriam fazer.\u201d Tamb\u00e9m contribuiu para a diminui\u00e7\u00e3o nos indicadores de imuniza\u00e7\u00e3o a desconfian\u00e7a nas vacinas, fortalecida por movimentos antivacina. \u201cTal movimento \u00e9 amparado por vis\u00f5es negacionistas e conservadoras de mundo\u201d, completa a consultora da OPAS\/OMS.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Avan\u00e7os e retrocessos<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em decorr\u00eancia da falta de pol\u00edticas p\u00fablicas nos governos da ditadura militar, deterioraram-se as condi\u00e7\u00f5es de vida no pa\u00eds. Diante disso, a press\u00e3o de movimentos sociais resultou na Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3. No campo da sa\u00fade, n\u00e3o foi diferente. \u201cTivemos in\u00fameras experi\u00eancias de tensionamentos, manifesta\u00e7\u00f5es, discuss\u00f5es p\u00fablicas amplas, com a participa\u00e7\u00e3o massiva da popula\u00e7\u00e3o \u2013 como foi a realiza\u00e7\u00e3o da VIII Confer\u00eancia Nacional de Sa\u00fade, em 1986. Dela, redundou o cap\u00edtulo da sa\u00fade da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e a constru\u00e7\u00e3o do SUS que congrega todos os servi\u00e7os p\u00fablicos e privados no pa\u00eds\u201d, lembra Cristianne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No \u00e2mbito do SUS, desde 1988 ocorreram avan\u00e7os e retrocessos. \u201cFortalecemos e ampliamos algumas pol\u00edticas p\u00fablicas \u2013 como o PNI, uma refer\u00eancia internacional que favorece o acesso gratuito da popula\u00e7\u00e3o a todas as vacinas recomendadas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). Outras sofreram retrocessos, sobretudo em fun\u00e7\u00e3o do escasso financiamento recebido ao longo dos anos e, para piorar, com a <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/emendas\/emc\/emc95.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Emenda Constitucional 95 de 2016<\/a> ap\u00f3s o impeachment e o golpe, o congelamento dos investimentos p\u00fablicos em \u00e1reas priorit\u00e1rias como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o\u201d, avalia a consultora da OPAS\/OMS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNosso PNI \u00e9 um sucesso mundial, mas estamos vendo um desmonte do sistema. S\u00f3 n\u00e3o foi pior porque houve uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o da vacina contra a covid. \u00c9 um retrocesso com certeza, devemos trabalhar muito para recuperar esse preju\u00edzo\u201d, pondera o presidente da SBIm. Segundo o dirigente, o programa era robusto, existindo h\u00e1 50 anos. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c[O PNI] Tinha or\u00e7amento maior que muitos minist\u00e9rios. O que se construiu e estimulou durante muitos anos acabou n\u00e3o acontecendo neste governo, tanto \u00e9 que ficamos cinco meses sem coordenador no PNI. Precisamos ter esse programa como uma pol\u00edtica de Estado, n\u00e3o de governo&#8221;<\/p><cite>Juarez Cunha<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a conselheira do CNS, os \u00faltimos dois anos potencializaram os problemas enfrentados no SUS \u2013 tornando p\u00fablico, em grandes propor\u00e7\u00f5es, aquilo que profissionais da \u00e1rea j\u00e1 conheciam. \u201cA diminui\u00e7\u00e3o da ades\u00e3o \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o, a fragilidade da infraestrutura dos servi\u00e7os de sa\u00fade nos munic\u00edpios, em especial naqueles distantes das capitais, potencializam os problemas de pol\u00edticas p\u00fablicas em sa\u00fade. Por isso \u00e9 fundamental que o controle social esteja atento, militando por melhorias a todos os cidad\u00e3os brasileiros. Agora, precisamos considerar as propostas para a sa\u00fade dos candidatos aos governos dos estados e do nosso pa\u00eds\u201d, observa Ana L\u00facia Paduello.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O movimento antivacina encontra nas redes sociais, em especial nas comunidades com perfil de pessoas como os negacionistas e as em hesita\u00e7\u00e3o vacinal, uma grande oportunidade para conquistar adeptos. Conforme a conselheira do CNS, a \u00fanica forma de combater essa desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 gerando informa\u00e7\u00f5es de qualidade, referenciadas por especialistas e ativistas s\u00e9rios, comprometidos com a sa\u00fade p\u00fablica e a valoriza\u00e7\u00e3o do SUS. \u201cA educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade faz parte das nossas vidas desde nossos primeiros passos: quando ensinamos uma crian\u00e7a a n\u00e3o tocar no ch\u00e3o e colocar as m\u00e3os na boca, estamos prevenindo infec\u00e7\u00f5es oportunistas\u201d, exemplifica Ana L\u00facia. Lavar as m\u00e3os e os utens\u00edlios, ter boa higiene pessoal, alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, dormir oito horas por dia e praticar atividade f\u00edsica, por exemplo, s\u00e3o os princ\u00edpios b\u00e1sicos de educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade e bastante propagados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para promover de forma eficaz uma pol\u00edtica de sa\u00fade, os processos de comunica\u00e7\u00e3o devem ter foco bem definido e clareza sobre o perfil de p\u00fablico com o qual pretende dialogar. Os objetivos podem ser variados, como tornar a exist\u00eancia de um imunizante conhecida, conscientizar sobre a import\u00e2ncia da vacina como preven\u00e7\u00e3o, fornecer conhecimento pr\u00e1tico sobre onde e como acessar a vacina\u00e7\u00e3o, gerar convic\u00e7\u00e3o sobre o papel crucial da imuniza\u00e7\u00e3o e, por fim, levar os sujeitos \u00e0 a\u00e7\u00e3o de se vacinar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cCada objetivo exige uma forma diferente de comunica\u00e7\u00e3o e diferentes meios, formatos, locais e agentes podem ser reunidos para gerar campanhas de promo\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de sa\u00fade\u201d, explica a professora de comunica\u00e7\u00e3o Elisa Piedras. Ainda segundo ela, a decis\u00e3o sobre esses pontos deve levar em conta a realidade do p\u00fablico visado, seu contexto (econ\u00f4mico,&nbsp;sociocultural, pol\u00edtico), bem como escolaridade e compet\u00eancias de leitura da m\u00eddia. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cCabe destacar tamb\u00e9m que esses processos de comunica\u00e7\u00e3o e sujeitos envolvidos tanto na produ\u00e7\u00e3o quanto na recep\u00e7\u00e3o das mensagens sobre sa\u00fade s\u00e3o situados historicamente, convivendo com matrizes e refer\u00eancias&nbsp;que formaram a vis\u00e3o hegem\u00f4nica&nbsp;sobre o tema e, simultaneamente, expostos \u00e0 emerg\u00eancia de pr\u00e1ticas e discursos contra-hegem\u00f4nicos que geram tensionamentos nesse fluxo de comunica\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p><cite>Elisa Piedras<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-background\" style=\"background-color:#ebebeb\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ENTREVISTA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vacina, comunica\u00e7\u00e3o e sa\u00fade: \u201c<\/strong><strong>Informa\u00e7\u00f5es mentirosas, distorcidas ou incompletas n\u00e3o s\u00e3o eventos novos no campo da sa\u00fade\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A jornalista, mestra em Ci\u00eancias, doutoranda em Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade e pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) Tatiana Cl\u00e9bicar analisa o contexto da desinforma\u00e7\u00e3o e as pol\u00edticas de comunica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS) no impacto da vacina\u00e7\u00e3o e na sa\u00fade. Tatiana integra a pesquisa <em>\u201cCovid-19 nas m\u00eddias: em quem confiar? Narrativas, atores e pol\u00eamicas sobre a pandemia\u201d, <\/em>iniciada em abril de 2020 com o objetivo de compreender como a pandemia tem sido discursivamente constru\u00edda nas representa\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas sobre o evento sanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta entrevista ao JU, a pesquisadora destaca fatores para a queda da cobertura vacinal no pa\u00eds, como a redu\u00e7\u00e3o de investimento em campanhas de comunica\u00e7\u00e3o, a influ\u00eancia da tecnologia e dos afetos na dissemina\u00e7\u00e3o de fake news e a varia\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o do MS de acordo com os titulares da pasta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Nos \u00faltimos anos, a cobertura vacinal e a imuniza\u00e7\u00e3o ca\u00edram muito no pa\u00eds, especialmente em crian\u00e7as. E as grandes campanhas de comunica\u00e7\u00e3o parecem ter ca\u00eddo na mesma propor\u00e7\u00e3o. Como se pode avaliar o cen\u00e1rio sob o olhar da comunica\u00e7\u00e3o?<\/strong><br><\/em>Desde 2014, o Plano Nacional de Imuniza\u00e7\u00e3o vem registrando quedas significativas na cobertura vacinal, como mostra o livro <a href=\"https:\/\/www.arca.fiocruz.br\/bitstream\/icict\/45003\/2\/Livro%20Vacinas%20no%20Brasil-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Vacinas e vacina\u00e7\u00e3o no Brasil<\/em><\/a>. O desinvestimento em campanhas de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento envolvido nesse processo. Embora n\u00e3o seja o \u00fanico, \u00e9 um fator importante. Na p\u00e1gina de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o do Governo Federal, \u00e9 poss\u00edvel encontrar os valores investidos nas campanhas de comunica\u00e7\u00e3o sobre vacina\u00e7\u00e3o entre 2010 e 2020. Observamos uma tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o entre 2018 e 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>As fake news, a desinforma\u00e7\u00e3o e o negacionismo est\u00e3o entre os principais problemas da sa\u00fade atualmente. Como enfrentar isso?<\/em><\/strong><br>Informa\u00e7\u00f5es mentirosas, distorcidas ou incompletas n\u00e3o s\u00e3o eventos novos no campo da sa\u00fade. No entanto, com os recursos tecnol\u00f3gicos atuais, s\u00e3o produzidas e circulam em quantidade e velocidade incompar\u00e1veis. N\u00e3o h\u00e1 uma f\u00f3rmula para minimizar seus efeitos. S\u00e3o muitas as estrat\u00e9gias poss\u00edveis para lidar com elas. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u00c9 preciso levar em conta os contextos em que est\u00e3o inseridas. Como acionam afetos intensos, como medo e indigna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se trata de uma quest\u00e3o de argumenta\u00e7\u00e3o formal apenas. Significa que n\u00e3o basta oferecer uma contraposi\u00e7\u00e3o l\u00f3gica. \u00c9 preciso entender o sistema de cren\u00e7as e valores com que elas dialogam e os atores sociais envolvidos. Ao mesmo tempo, \u00e9 necess\u00e1rio discutir pol\u00edticas p\u00fablicas capazes de conter a dissemina\u00e7\u00e3o massiva pelas redes sociais digitais.&nbsp;&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Como se insere a infodemia nesse contexto?<\/em><\/strong><br>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) definem a infodemia como a excessiva prolifera\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que dificultam a identifica\u00e7\u00e3o de fontes e orienta\u00e7\u00f5es fidedignas. A desinforma\u00e7\u00e3o, caracterizada pela manipula\u00e7\u00e3o deliberada por falseamento ou distor\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, \u00e9 um dos elementos da infodemia. A quest\u00e3o-chave \u00e9 a confian\u00e7a, e a comunica\u00e7\u00e3o ocupa um papel central nesse cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Arquivo-Pessoal-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-48680\" width=\"810\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Arquivo-Pessoal-2.jpg 1080w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Arquivo-Pessoal-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Arquivo-Pessoal-2-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Arquivo-Pessoal-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Arquivo-Pessoal-2-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Arquivo-Pessoal-2-695x463.jpg 695w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Arquivo-Pessoal-2-150x100.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><figcaption>Foto: Tatiana Cl\u00e9bicar\/Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Como a comunica\u00e7\u00e3o pode contribuir para conciliar sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o para uma medicina preventiva?<\/strong><br><\/em>Em muitas situa\u00e7\u00f5es, entendemos a comunica\u00e7\u00e3o por seu papel instrumental. Quero dizer com isso que, frequentemente, pensamos a comunica\u00e7\u00e3o como uma ferramenta apenas. Se isso fosse verdade, os boatos seriam facilmente descontru\u00eddos, e n\u00e3o \u00e9 o que temos testemunhado, sobretudo nesses \u00faltimos anos de pandemia. Por\u00e9m, se entendemos a comunica\u00e7\u00e3o como processo din\u00e2mico de concorr\u00eancia discursiva, podemos buscar compreender os elementos simb\u00f3licos capazes de construir confian\u00e7a nas vacinas, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>A comunica\u00e7\u00e3o pode ser reativa \u2013 combater as fake news \u2013 e proativa \u2013 ocupar o espa\u00e7o p\u00fablico com informa\u00e7\u00f5es de orienta\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. Como devem ser as estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o neste cen\u00e1rio?<\/strong><br><\/em>Se entendi bem, a pergunta op\u00f5e uma comunica\u00e7\u00e3o reativa a outra propositiva, certo? Uma n\u00e3o pode prescindir da outra. \u00c9 preciso reagir \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, refutando o falseamento ou contextualizando as imprecis\u00f5es, conforme o caso. Os servi\u00e7os de checagem t\u00eam um papel importante nisso, inclusive em parcerias firmadas com grandes redes sociais. Ao mesmo tempo, \u00e9 fundamental que as institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mantenham em circula\u00e7\u00e3o informa\u00e7\u00f5es precisas e acuradas. Durante a pandemia, vimos pesquisadores e trabalhadores da sa\u00fade da Fiocruz, por exemplo, desempenhando essa fun\u00e7\u00e3o e reiterando a confiabilidade das vacinas aprovadas pelas autoridades sanit\u00e1rias. \u00c9 preciso atuar nas duas frentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Como voc\u00ea avalia a comunica\u00e7\u00e3o do MS nos \u00faltimos dois anos?<\/em><\/strong><br>Em primeiro lugar, \u00e9 preciso registrar que a comunica\u00e7\u00e3o do MS variou de acordo com os titulares da pasta. Foram quatro desde o in\u00edcio da pandemia&#8230; Numa situa\u00e7\u00e3o global de graves incertezas geradas pela covid-19, esse fator por si s\u00f3 foi suficiente para gerar desconfian\u00e7a. Al\u00e9m disso, certas condutas, como a decis\u00e3o de suspender a divulga\u00e7\u00e3o dos dados relativos \u00e0 pandemia, favoreceram que outros atores institucionais \u2013 como ve\u00edculos de imprensa e certas entidades de ensino e pesquisa \u2013 ocupassem o lugar de autoridade na constru\u00e7\u00e3o dos sentidos sobre sa\u00fade desde 2020.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>No contexto da pol\u00edtica de vacina\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, h\u00e1 outros fatores que podem contribuir para a compreens\u00e3o do tema?&nbsp;<\/em><\/strong><br>Numa das an\u00e1lises produzidas no \u00e2mbito da pesquisa <em>\u201cCovid-19 nas m\u00eddias: em quem confiar? Narrativas, atores e pol\u00eamicas sobre a pandemia\u201d,<\/em> observamos que uma das bases argumentativas contra as vacinas da covid-19 especificamente era o questionamento da confiabilidade das autoridades que as produziram, defenderam ou divulgaram, como cientistas, pol\u00edticos e jornalistas. A desconfian\u00e7a dirigida a esses atores apareceu de forma transversal e articulada no material analisado.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sa\u00fade p\u00fablica | Doen\u00e7as como o sarampo, considerado erradicado nas Am\u00e9ricas desde 2016, voltaram a se espalhar pelo Brasil sobretudo devido \u00e0 queda na cobertura vacinal<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/investimento-em-campanhas-deve-ser-constante-para-elevar-indices-de-vacinacao-apontam-especialistas\/\">Leia 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