{"id":4883,"date":"2019-10-07T09:39:53","date_gmt":"2019-10-07T12:39:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=4883"},"modified":"2019-11-12T16:15:05","modified_gmt":"2019-11-12T19:15:05","slug":"a-presenca-da-universidade-no-cenario-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/a-presenca-da-universidade-no-cenario-cultural\/","title":{"rendered":"A presen\u00e7a da Universidade no cen\u00e1rio cultural"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o<\/strong> | Relatos de profissionais egressos de diferentes cursos da UFRGS reafirmam a import\u00e2ncia da universidade como lugar de ensino e pesquisa das express\u00f5es art\u00edsticas<\/h5>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"665\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2919-bx-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4888\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2919-bx-1.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2919-bx-1-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2919-bx-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2919-bx-1-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2919-bx-1-500x333.jpg 500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2919-bx-1-800x532.jpg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2919-bx-1-165x110.jpg 165w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2919-bx-1-740x492.jpg 740w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2919-bx-1-872x580.jpg 872w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Diretor do MARGS e doutor pela UFRGS, Francisco Dalcol posa junto a obras do espa\u00e7o expositivo do museu (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a literatura se propusesse a \u201cpintar um quadro\u201d da atualidade, poderia usar o trabalho da escritora Yoko Tawada, aposta o professor Gerson Roberto Neumann, do Instituto de Letras da UFRGS. Japonesa radicada na Alemanha, Tawada simboliza um momento hist\u00f3rico de profus\u00e3o de movimentos migrat\u00f3rios, com obras como <em><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/musica-e-memoria-nos-ursos-narradores-de-yoko-tawada\/\">Mem\u00f3rias de um Urso Polar<\/a><\/strong><\/em><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/musica-e-memoria-nos-ursos-narradores-de-yoko-tawada\/\">.<\/a> O livro foi traduzido para o portugu\u00eas no mestrado da ent\u00e3o orientanda do docente, L\u00facia Collischonn de Abreu. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Gerson, a literatura e as outras artes tentam levar o indiv\u00edduo a se compreender e a buscar ser compreendido, assim como quem tenta nova vida em outro pa\u00eds. O docente considera a obra de Tawada como sem moradia fixa, uma literatura que n\u00e3o \u00e9 tipicamente alem\u00e3 nem japonesa, porque n\u00e3o \u00e9 importante saber onde foi escrita. Uma li\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel para um mundo que come\u00e7a a dar espa\u00e7o a movimentos que repudiam o encontro com o diferente e se apegam a valores nacionalistas excludentes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa e a tradu\u00e7\u00e3o da obra reafirmam o papel da Universidade como promotora de cultura. Neste texto, o JU traz o relato de profissionais que t\u00eam trajet\u00f3rias atravessadas pela UFRGS na sua forma\u00e7\u00e3o como agentes do campo art\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia mais: <\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/musica-e-memoria-nos-ursos-narradores-de-yoko-tawada\/\">M\u00fasica e mem\u00f3ria nos ursos narradores de Yoko Tawada<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferen\u00e7a que atrai<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rafael Marques come\u00e7ou sua trajet\u00f3ria musical aos 13 anos no<strong> <\/strong><a href=\"http:\/\/www.ipdae.com.br\/index.php\/home\"><strong>IPDAE &#8211; Instituto Popular de Arte e Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>, na Lomba do Pinheiro. Hoje \u00e9 m\u00fasico de orquestra, diretor art\u00edstico, professor e pesquisador. Entrou na UFRGS em 2013 pelo bacharelado de m\u00fasica com \u00eanfase em flauta transversal e atualmente \u00e9 aluno do mestrado em pr\u00e1ticas interpretativas. Na Universidade, aprendeu e experienciou v\u00e1rios pilares da carreira musical \u2013 pesquisa, performance e doc\u00eancia \u2013, al\u00e9m do importante contato com os professores. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante sua viv\u00eancia universit\u00e1ria, Rafael participou de diversos festivais e conquistou pr\u00eamios como o Jovens Solistas, ocasi\u00e3o em que se apresentou \u00e0 frente da Orquestra de C\u00e2mara Fundarte. Em 2016, foi considerado o Melhor Jovem Flautista do estado durante o VII Encontro Internacional de Flautistas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma de suas caracter\u00edsticas marcantes \u00e9 o empenho permanente de aperfei\u00e7oamento. Dessa forma, ele busca estar preparado para trilhar todos os caminhos poss\u00edveis na carreira musical \u2013 de professor universit\u00e1rio a instrumentista de orquestra. O mestrado na UFRGS, segundo ele, \u00e9 o \u00e1pice de sua carreira em termos t\u00e9cnicos, instrumentais e art\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rafael considera que, para viver de m\u00fasica, hoje, o m\u00fasico precisa expandir seus conhecimentos e saber exercer todos os pap\u00e9is, desde a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 a performance. Apesar das constantes crises que a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e cultural sofre, para ele, cabe ao artista se reinventar e encontrar outras formas de fazer m\u00fasica. Rafael enxerga cada dificuldade como um desafio: \u201cPra mim, nunca foi f\u00e1cil e nunca vai ser f\u00e1cil, ent\u00e3o acho que o desafio \u00e9 sempre o que vem me movendo at\u00e9 agora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align:left\">O m\u00fasico reclama da diminui\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, mas acredita que essa tend\u00eancia \u00e9 revers\u00edvel. Segundo ele, o artista \u00e9 sempre capaz de criar m\u00fasica que v\u00e1 ao encontro de outras pessoas. Diretor art\u00edstico do <strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/oluxsonora\/\">Lux Sonora<\/a><\/strong>, orquestra de c\u00e2mara dedicada \u00e0 m\u00fasica barroca, Rafael acha importante, a fim de conquistar novos p\u00fablicos, investir na diferen\u00e7a a cada performance, al\u00e9m de criar intera\u00e7\u00f5es com a audi\u00eancia e rela\u00e7\u00f5es com outras formas  de arte. Algumas das associa\u00e7\u00f5es trabalhadas pelo grupo s\u00e3o criar concertos tem\u00e1ticos e vincular poesia e hist\u00f3ria  aos espet\u00e1culos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Concerto Grosso C moll Op 6, N\u00ba III Allegro - A. Corelli - Lux Sonora\" width=\"1440\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-7nBR5ls7ZM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEstamos em uma crise, mas a arte ainda prevalece\u201d, cr\u00ea Rafael. Cauteloso ao definir o conceito de arte, especula que seja \u201ctudo o que vem ao encontro do \u00e2mago do ser\u201d. Na sua opini\u00e3o, a arte \u00e9 ampla e pode ser qualquer coisa que produza sensa\u00e7\u00f5es no outro. \u201cEu defino m\u00fasica como todo e qualquer som que mexe contigo\u201d, reflete, de um ru\u00eddo ambiente a uma sinfonia. Para ele, a arte leva o indiv\u00edduo ao encontro de si.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Tr\u00e2nsito livre entre as artes<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Martina Frohlich foi estudante do Instituto de Artes (IA) da UFRGS em um per\u00edodo marcante: era aluna e integrante do Diret\u00f3rio Acad\u00eamico quando da implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas afirmativas, em 2008, ano que marcava tamb\u00e9m o centen\u00e1rio do Instituto e o cinquenten\u00e1rio do Departamento de Artes Dram\u00e1ticas (DAD).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um per\u00edodo que representou n\u00e3o s\u00f3 a mudan\u00e7a importante no perfil dos ingressantes, mas tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de um legado das comemora\u00e7\u00f5es das datas hist\u00f3ricas: o <a href=\"https:\/\/grupocerco.wordpress.com\/\"><strong>Grupo Cerco<\/strong><\/a>, que tem em Martina uma de suas fundadoras,  nasceu do resgate de uma tradi\u00e7\u00e3o interrompida. Nos anos 1980, costumava-se apresentar um espet\u00e1culo teatral aberto a toda comunidade. A dire\u00e7\u00e3o decidiu retomar essa iniciativa para comemorar o centen\u00e1rio, e a apresenta\u00e7\u00e3o teve \u00f3tima recep\u00e7\u00e3o. O grupo montado para a ocasi\u00e3o seguiu trabalhando nela e acabou se estabelecendo como mais do que um grupo reunido pontualmente para um espet\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"INCIDENTE EM ANTARES - Grupo Cerco\" width=\"1333\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HtHx_0o1MMc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2016, o Cerco foi escolhido para representar a Universidade em Portugal. \u00c0 \u00e9poca, os integrantes j\u00e1 n\u00e3o faziam parte da UFRGS, mas ainda ensaiavam no DAD. \u201cFizemos uma mostra comemorativa dos 10 anos no Teatro S\u00e3o Pedro e agradecemos \u00e0 \u2018nossa m\u00e3e UFRGS\u2019. Mas sentimos a necessidade de ter um espa\u00e7o pr\u00f3prio para podermos viver de arte e sermos cada vez mais profissionais, at\u00e9 porque as instala\u00e7\u00f5es do DAD recebiam novos alunos, tinham uma demanda grande\u201d, conta Martina. Depois de muita pesquisa, o grupo c\u00eanico conseguiu a concess\u00e3o do espa\u00e7o que lhe serve de sede atualmente, no centro de Porto Alegre. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de apresenta\u00e7\u00f5es do grupo, a sede recebe tamb\u00e9m oficinas e eventos que auxiliam no seu sustento. As atividades muitas vezes transitam entre diferentes express\u00f5es art\u00edsticas, com uso frequente de linguagens da m\u00fasica e da dan\u00e7a. Uma mistura que n\u00e3o \u00e9 novidade alguma para Martina: al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o em pe\u00e7as teatrais, filmes e s\u00e9ries, tamb\u00e9m j\u00e1 participou de conjuntos musicais e \u00e9 uma das fundadoras do <strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blocodalaje\/\">Bloco da Laje<\/a><\/strong>, um dos mais conhecidos do carnaval de rua de Porto Alegre, que integra m\u00fasica, atua\u00e7\u00e3o e folia. \u201cA arte, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 universal, interdisciplinar. Acho que n\u00e3o existe fronteira entre as formas de manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica\u201d, enfatiza. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O interc\u00e2mbio e o livre tr\u00e2nsito entre as artes fazem parte da receita de Martina para quem quer viver de arte em 2019.  \u201c\u00c9 preciso criatividade. At\u00e9 porque moramos em um pa\u00eds que se bipolarizou sobre o projeto de sociedade que queremos e que parece achar que a arte n\u00e3o \u00e9 importante. O sufocamento moral da cultura \u00e9 uma forma de sufocar a identidade do Brasil; costumo dizer at\u00e9 que valorizar nossa cultura \u00e9 quest\u00e3o de soberania nacional. E, pra conseguir desmontar as narrativas mentirosas sobre a nossa arte, \u00e9 preciso di\u00e1logo, paci\u00eancia e muita criatividade\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-facebook wp-block-embed is-type-video is-provider-facebook\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.facebook.com\/blocodalaje\/videos\/325500641407975\/\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Quando a arte acontece<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vencedor de uma das maiores premia\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias do pa\u00eds, o Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo de Literatura, com o livro <em>A parede no escuro<\/em>, Altair Martins escreve romances, contos e pe\u00e7as de teatro, al\u00e9m de ser ator e professor. Teve toda a sua forma\u00e7\u00e3o na rede p\u00fablica de ensino. \u00c9 bacharel em Letras com \u00eanfase em tradu\u00e7\u00e3o (Franc\u00eas) pela UFRGS, onde cursou tamb\u00e9m o mestrado e o doutorado, e hoje \u00e9 aluno do curso de Hist\u00f3ria da Arte. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de sempre ter desejado ser escritor, considera fundamental sua passagem pelo bacharelado. Por meio da Universidade, teve aprendizados para al\u00e9m do universo das letras e das artes. Para ele, a viv\u00eancia na UFRGS ensina a compartilhar espa\u00e7os, proporciona intera\u00e7\u00e3o com os professores e oportuniza novas experi\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escrita, segundo ele, \u00e9 um of\u00edcio com menos glamour do que se imagina. Ao contr\u00e1rio de outras artes, como a m\u00fasica e o teatro, a escrita n\u00e3o costuma ser praticada em conjunto, e por isso Altair a considera um trabalho solit\u00e1rio \u2013 por outro lado, o autor afirma que \u201co livro s\u00f3 acontece se encontra eco no outro\u201d. Para ele, a literatura \u00e9 um di\u00e1logo entre quem escreve e quem l\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez nunca se tenha lido tanto no Brasil, especula Atair; em contrapartida, em uma sociedade em que tudo \u00e9 ef\u00eamero e tudo \u00e9 produto, a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u00e9 cada vez mais negligenciada. Embora seja dif\u00edcil competir com m\u00eddias audiovisuais, o autor aponta que a literatura \u00e9 essencial para contestar a ilus\u00e3o de que existe um mundo neutro e para pautar discuss\u00f5es na sociedade \u2013 por menor que seja o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Altair \u00e9 pessimista com rela\u00e7\u00e3o ao ritmo fren\u00e9tico e consumista da sociedade: acredita que n\u00e3o h\u00e1 como reverter esse processo, mas ainda assim considera essencial continuar produzindo. \u201cA derrota \u00e9 bem clara, o que existe \u00e9 a resist\u00eancia\u201d, resume. Nesse contexto, considera que ler literatura \u00e9 um ato antissist\u00eamico. Logo, se a literatura e a arte n\u00e3o forem subversivas, na vis\u00e3o do autor, elas perdem o sentido. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A literatura nos reconecta com o que h\u00e1 de essencial em ser humano. O ato de ler exige condi\u00e7\u00f5es de espa\u00e7o, tempo e luz; por isso, literatura \u00e9 <br> pausa e tamb\u00e9m \u00e9 arte. \u201cA arte verdadeira, pra mim, \u00e9 a que nos leva a sair da pretensa normalidade.\u201d Cada vez mais as barreiras est\u00e3o sendo rompidas: m\u00fasica, dan\u00e7a, teatro e literatura s\u00e3o algumas das express\u00f5es art\u00edsticas que se cruzam no trabalho de Altair. Para ele, n\u00e3o cabe discutir \u201co que\u201d \u00e9 arte, mas, sim, \u201cquando\u201d, porque qualquer situa\u00e7\u00e3o do cotidiano, realocada para um contexto art\u00edstico, torna-se arte. \u201cA arte \u00e9 exatamente esse roubo; \u00e9 o que eu consigo arrancar do pragmatismo da vida comum\u201d, complementa. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns has-2-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/capa-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5144\" width=\"192\" height=\"289\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/capa-1.jpg 399w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/capa-1-78x117.jpg 78w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/capa-1-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/capa-1-73x110.jpg 73w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/capa-1-333x500.jpg 333w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/capa-1-386x580.jpg 386w\" sizes=\"(max-width: 192px) 100vw, 192px\" \/><\/figure><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Adorno n\u00e3o gritaria, exatamente como, quando sentiu a dor no peito ao acordar-se, n\u00e3o p\u00f4de falar. Um autom\u00f3vel, e Adorno mal p\u00f4de perceber a luz dos far\u00f3is nas costas antes de senti-lo. E ele n\u00e3o p\u00f4de nem ao menos saber que era branco, que seria r\u00e1pido. <br>O branco cresceu, vindo da chuva, um facho de luz. Depois um frio. O dedo do Cristo. E do branco, Adorno fez uma nova mistura em que, gelado pela chuva, um homem desaparecia.&#8221;   <\/p><cite>Altair Martins.&nbsp;<em>A parede no escuro<\/em>&nbsp;(Record, 2008)  <\/cite><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Contempla\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia<\/h6>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"667\" height=\"444\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2923-bx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4887\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2923-bx.jpg 667w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2923-bx-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2923-bx-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2923-bx-500x333.jpg 500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Fl\u00e1vio-Dutra-2923-bx-165x110.jpg 165w\" sizes=\"(max-width: 667px) 100vw, 667px\" \/><figcaption>Atual exposi\u00e7\u00e3o do MARGS re\u00fane obras de Xico Stockinger (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de um espa\u00e7o de exposi\u00e7\u00e3o de objetos, Francisco Dalcol v\u00ea o museu como um lugar de saberes e experi\u00eancias e de mostrar rela\u00e7\u00f5es entre diferentes campos da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u2013 bem como um espa\u00e7o de resist\u00eancia. \u201cSobretudo no Brasil, onde parece que trabalhar com a cultura e com a arte \u00e9 algo desfavor\u00e1vel, na contracorrente\u201d, destaca. Professor convidado da UFRGS e diretor do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), ele considera que a arte, hoje, \u00e9 uma experi\u00eancia cr\u00edtica e entende a curadoria como lugar de cr\u00edtica de arte, porque \u00e9 um trabalho que demanda reflex\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Francisco salienta que o sistema de ensino no Brasil n\u00e3o oferece condi\u00e7\u00f5es para uma forma\u00e7\u00e3o em arte a grande parte da popula\u00e7\u00e3o, o que \u201creverte em uma situa\u00e7\u00e3o de elitiza\u00e7\u00e3o\u201d. A arte participa da constru\u00e7\u00e3o de cada pessoa, problematiza quest\u00f5es da sociedade e \u00e9 uma forma de o indiv\u00edduo se relacionar consigo e com o mundo. Em sua origem, a arte faz parte dos processos coletivos. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p> \u201cEla [a obra] se torna arte na medida em que ela encontra essa dimens\u00e3o coletiva.\u201d <\/p><cite>Francisco Dalcol<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ele, os professores, que trabalham com a forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de artistas, mas de cidad\u00e3os, \u201ct\u00eam o compromisso de tentar diminuir essas dist\u00e2ncias\u201d. <br> A Universidade \u00e9 uma ponte para difundir, entre v\u00e1rios setores da sociedade, a produ\u00e7\u00e3o cultural. Esta, por\u00e9m, precisa estar na base da educa\u00e7\u00e3o e ser acess\u00edvel por outras inst\u00e2ncias, como escolas e museus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Arte \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, uma forma de conhecimento e de experi\u00eancia. Nas palavras do curador, \u201ca arte \u00e9 o que a gente quiser que seja\u201d, e quem determina essa defini\u00e7\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria sociedade e seus movimentos hist\u00f3ricos. Ele cita a defini\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio Pedrosa de que \u201ca arte \u00e9 o exerc\u00edcio experimental da liberdade\u201d. Nesse sentido, Francisco explica que tudo o que vai contra a liberdade criativa \u00e9 censura.  Em v\u00e1rios momentos hist\u00f3ricos, a arte foi instrumentalizada para inten\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias ao seu objetivo. Isso ocorre quando pessoas ou grupos, amparados pelo afastamento das popula\u00e7\u00f5es do conhecimento art\u00edstico, a utilizam para outros fins, e o sentido original da obra \u00e9 deslocado. De acordo com Dalcol, <br> tais comportamentos revelam como esses grupos se relacionam com o conte\u00fado que a arte censurada representa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A falta de compreens\u00e3o dos sentidos da arte \u00e9 agravada pelo ritmo lento, o que contraria a l\u00f3gica atual da sociedade \u2013 um contexto de profus\u00e3o de imagens, textos e telas. A arte convida \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, que, segundo ele, &#8220;\u00e9 um ato necess\u00e1rio, porque quando voc\u00ea faz isso, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 seguindo os est\u00edmulos externos que lhe s\u00e3o dirigidos\u201d . Ela \u00e9, portanto, uma afirma\u00e7\u00e3o da singularidade de cada indiv\u00edduo e da autonomia sobre o tempo e os est\u00edmulos recebidos por cada pessoa. Al\u00e9m disso, \u00e9 essencialmente pol\u00edtica: \u201c\u00c9 uma forma de dizer n\u00e3o e interromper a l\u00f3gica dos processos de constante produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Forma\u00e7\u00e3o | Relatos de profissionais egressos de diferentes cursos da UFRGS reafirmam a import\u00e2ncia da universidade como lugar de ensino e pesquisa das express\u00f5es art\u00edsticas Se a literatura se propusesse a \u201cpintar um quadro\u201d da atualidade, poderia usar o trabalho da escritora Yoko Tawada, aposta o professor Gerson Roberto Neumann,<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/a-presenca-da-universidade-no-cenario-cultural\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":49,"featured_media":4886,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[342],"tags":[271,521,468,522,505,104,229,58,94],"ppma_author":[2971],"class_list":["entry","author-emerson-trindade-acosta-e-julia-provenzi","post-4883","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-cultura","tag-arte","tag-curadoria","tag-ensino","tag-literatura","tag-musica","tag-pesquisa","tag-teatro","tag-ufrgs","tag-universidade"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - 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