{"id":50417,"date":"2022-06-23T08:40:00","date_gmt":"2022-06-23T11:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=50417"},"modified":"2022-06-23T11:51:13","modified_gmt":"2022-06-23T14:51:13","slug":"alice-rangel-de-paiva-abreu-nao-sao-so-as-mulheres-que-tem-que-mudar-os-homens-tambem-tem-que-mudar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/alice-rangel-de-paiva-abreu-nao-sao-so-as-mulheres-que-tem-que-mudar-os-homens-tambem-tem-que-mudar\/","title":{"rendered":"Alice Rangel de Paiva Abreu: &#8220;N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as mulheres que t\u00eam que mudar, os homens tamb\u00e9m t\u00eam que mudar&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Entrevista | Professora em\u00e9rita da UFRJ destaca que \u00e9 preciso unificar iniciativas de promo\u00e7\u00e3o \u00e0 diversidade de g\u00eanero na ci\u00eancia e reafirma o papel das institui\u00e7\u00f5es nesse processo<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ministrante da aula magna do primeiro semestre letivo de 2022, Alice Rangel de Paiva Abreu tem uma longa trajet\u00f3ria em sociedades cient\u00edficas e organiza\u00e7\u00f5es governamentais, nas quais acompanhou e fomentou o crescimento dos debates sobre g\u00eanero e ci\u00eancia. Na confer\u00eancia, a soci\u00f3loga e professora em\u00e9rita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/ufrgs\/noticias\/aula-magna-aborda-a-equidade-de-genero-na-ciencia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">saudou iniciativas que promovem a diversidade de g\u00eanero<\/a> na ci\u00eancia, mas destacou que essas mudan\u00e7as precisam sair do \u00e2mbito individual e ser uma preocupa\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista por videoconfer\u00eancia ao JU no dia seguinte \u00e0 aula magna, a pesquisadora fala um pouco mais sobre sua trajet\u00f3ria na pesquisa e apresenta exemplos de iniciativas internacionais que tiveram \u00eaxito em aumentar a participa\u00e7\u00e3o feminina na ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como foi a tua trajet\u00f3ria na ci\u00eancia e quais os desafios que tu encontraste como mulher pesquisadora?<\/strong><br>Olhar pra tr\u00e1s \u00e9 um pouco complicado. Minha carreira foi um pouco engra\u00e7ada, porque teve toda uma primeira parte at\u00e9 in\u00edcio dos anos 2000 que foi uma carreira normal, no sentido de que eu fazia tudo o que uma soci\u00f3loga que investe em constru\u00e7\u00e3o institucional fazia. Ensinava, fazia pesquisa, tinha projetos internacionais, tive uma participa\u00e7\u00e3o muito importante na UFRJ, fui de v\u00e1rios comit\u00eas, de v\u00e1rios conselhos, fui coordenadora de p\u00f3s, chefe de departamento, todas essas coisas. E era uma carreira bastante bem-sucedida, eu tinha sido secret\u00e1ria-executiva da Anpocs [Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Ci\u00eancias Sociais] por quatro anos, depois fui presidente de \u00e1rea de sociologia da Capes por mais quatro anos, fiz p\u00f3s-doc em Paris. A\u00ed em 1999 me chamaram pra me juntar \u00e0 equipe que tava montando uma nova diretoria do CNPq. Fiquei tr\u00eas anos no CNPq como vice-presidente e olhando muito pra \u00e1rea de coopera\u00e7\u00e3o internacional. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano que o Fernando Henrique passou o governo pro Lula, foi uma transi\u00e7\u00e3o ultraconsciente, a gente tinha que fazer relat\u00f3rios infind\u00e1veis sobre projetos em andamento, o que est\u00e1vamos fazendo. Quando acabou o governo FHC eu fui para a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA), havia naquela \u00e9poca um escrit\u00f3rio de ci\u00eancia e tecnologia na OEA que estava sem diretor e me nomearam diretora desse escrit\u00f3rio, que, al\u00e9m de ci\u00eancia e tecnologia, abarcava educa\u00e7\u00e3o. A\u00ed eu fui pra Washington e fiquei l\u00e1 tr\u00eas anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a\u00ed aconteceu a coisa da fam\u00edlia e do trabalho, porque meu marido tinha ido tamb\u00e9m fazer um ano sab\u00e1tico, mas ele n\u00e3o gostou muito. Ele \u00e9 um <em>scholar<\/em>, n\u00e3o gostou muito dessa vida de organiza\u00e7\u00f5es internacionais e voltou no final do segundo ano pra retomar o trabalho dele na PUC-RJ. E eu ainda fiquei um ano sozinha em Washington, mas a\u00ed era demais, era muito longe. Meus filhos eram j\u00e1 mais velhos, mas tamb\u00e9m voc\u00ea fica sozinha, a fam\u00edlia come\u00e7a a sentir falta. Acho que fui a \u00fanica pessoa que pediu demiss\u00e3o da OEA na vida [risos]. Mas foi engra\u00e7ado porque, quando eu voltei pro Rio, a Academia Brasileira de Ci\u00eancias tinha proposto sediar um escrit\u00f3rio latino-americano do ICSU [International Council for Science]; me pediram para eu me candidatar \u00e0 diretora do escrit\u00f3rio, e fui eleita, a\u00ed fiquei quase quatro anos dirigindo esse escrit\u00f3rio no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Na tua fala na aula magna, tu destacas a import\u00e2ncia das pol\u00edticas institucionais para a diversidade. Que exemplos de pol\u00edticas institucionais aqui no Brasil tu destacas como bem-sucedidas?<\/strong><br>Olha, na verdade, \u00e9 uma \u00e1rea no Brasil que ainda est\u00e1 engatinhando. Voc\u00ea tem algumas propostas, mas n\u00e3o tem ainda uma coisa bem estruturada. A gente conversa sobre isso h\u00e1 muito tempo. Eu me lembro de uma reuni\u00e3o aqui no CNPq com uma pessoa que coordenou uma atividade que foi absolutamente central na Europa pra trazer esse tema pro fulcro das pol\u00edticas: foi um comit\u00ea fundado pela Comiss\u00e3o Europeia que tinha o objetivo de levantar a quest\u00e3o de ci\u00eancia e tecnologia em todos os 27 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, o Helsinki Group. Eles ficaram mais vinte anos fazendo isso, criaram o relat\u00f3rio do <a href=\"https:\/\/op.europa.eu\/en\/web\/eu-law-and-publications\/publication-detail\/-\/publication\/67d5a207-4da1-11ec-91ac-01aa75ed71a1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">She Figures<\/a> e basearam toda a pol\u00edtica de apoios e projetos da Uni\u00e3o Europeia, que hoje tem uma forte vis\u00e3o de diversidade e de inclus\u00e3o de g\u00eanero que at\u00e9 influencia os parceiros brasileiros nisso. Hoje, a Uni\u00e3o Europeia, com o programa <a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/info\/research-and-innovation\/funding\/funding-opportunities\/funding-programmes-and-open-calls\/horizon-europe_en\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Horizon 2030<\/a>, n\u00e3o financia ningu\u00e9m que n\u00e3o tenha a quest\u00e3o da inclus\u00e3o e diversidade muito claramente definida nos seus projetos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Aqui n\u00e3o acontece nada disso. Dos nossos planos de ci\u00eancia \u2013 que eu acho que j\u00e1 vai pro quarto \u2013, nenhum deles tem a palavra mulher ou g\u00eanero. At\u00e9 no que eu participei tamb\u00e9m n\u00e3o tem. N\u00e3o era um tema, e continua n\u00e3o sendo. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu espero que este ano a coisa mude, porque eu acho que a quest\u00e3o do g\u00eanero est\u00e1 na mesa de uma forma muito forte em todos os n\u00edveis. Hoje em dia SBPC [Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia], SBS [Sociedade Brasileira de Sociologia], Academia Brasileira de Ci\u00eancias, todo mundo tem a no\u00e7\u00e3o de que a quest\u00e3o do g\u00eanero e da diversidade tem que ser enfrentada. A SPBC, por exemplo, est\u00e1 fazendo algumas discuss\u00f5es para apresentar um plano de ci\u00eancia e tecnologia para os presidenci\u00e1veis. E eu acho que a\u00ed o g\u00eanero vai entrar pela primeira vez. A ABC, pela primeira vez em mais de 100 anos, tem uma presidente mulher e que muito claramente tem isso como uma das preocupa\u00e7\u00f5es. E eu acho&nbsp;tamb\u00e9m que, se a Academia contribuir pra apresentar planos de ci\u00eancia e tecnologia [aos presidenci\u00e1veis], esse ser\u00e1 um dos temas a serem discutidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas mesmo se voc\u00ea olhar as experi\u00eancias que foram tentadas no Brasil, nenhuma delas tem sustentabilidade. Na \u00e9poca dos governos do PT, primeiro que eles tinham um minist\u00e9rio da mulher, que, hoje, o que existe \u00e9 um arremedo do tema. Tinha um programa com alunos de ensino m\u00e9dio sobre a quest\u00e3o, tudo isso desapareceu. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora h\u00e1 algumas iniciativas que est\u00e3o ainda no come\u00e7o, mas que podem ser bem interessantes. Tanto a USP como a Unicamp est\u00e3o pensando em discutir um plano de equidade de g\u00eanero pra universidade. Isso vai ser uma mudan\u00e7a de n\u00edvel. Porque o que a gente v\u00ea no Brasil \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 no Brasil \u2013 \u00e9 que voc\u00ea tem tido nos \u00faltimos dez anos uma quantidade enorme de atividades, de a\u00e7\u00f5es, iniciativas, mas elas s\u00e3o dispersas, muitas vezes de vida curta, muitas vezes voltadas pra temas e grupos espec\u00edficos. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Voc\u00ea tem que ter alguma coisa que pegue toda essa atividade que existe e que aglutine isso tudo. E aglutine isso de forma a dar uma vis\u00e3o mais institucional e sist\u00eamica.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Outro dado que tu apontaste na aula magna \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o da representatividade \u00e0 medida que se sobe na hierarquia. Por que a participa\u00e7\u00e3o de mulheres cresce nos n\u00edveis hier\u00e1rquicos mais baixos, como nas bolsas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas n\u00e3o na hierarquia mais alta, como nas bolsas de produtividade do CNPq?<\/strong><br>Eu tenho essa teoria, a gente nunca fez realmente uma pesquisa pra ver se efetivamente \u00e9 isso. Mas a forma de distribui\u00e7\u00e3o dos tipos de bolsas \u00e9 muito diferente. Qual \u00e9 a diferen\u00e7a central? \u00c9 que, pra todas as bolsas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mestrado, doutorado e at\u00e9 de doutorado no exterior, a iniciativa de concess\u00e3o de bolsa \u00e9 dos cursos, n\u00e3o \u00e9 de um comit\u00ea centralizado do CNPq e da Capes. O CNPq e a Capes distribuem as bolsas de acordo com o n\u00edvel dos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. E a\u00ed s\u00e3o os cursos que distribuem as bolsas atrav\u00e9s de processos seletivos, que s\u00e3o muito adequados e bem feitos. O que significa isso? Que voc\u00ea n\u00e3o tem concentrados todos esses preconceitos e as formas complicadas de atua\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea centralizado. As bolsas de produtividade em pesquisa, como s\u00e3o? S\u00e3o centralizadas no CNPq, atrav\u00e9s dos comit\u00eas. E a escolha dos comit\u00eas, como \u00e9? Quando eu estudei isso em 2010, me dei o trabalho de olhar os comit\u00eas um por um, e \u00e9 uma coisa impressionante: voc\u00ea n\u00e3o tem um comit\u00ea onde voc\u00ea tenha uma equidade de g\u00eanero nas \u00e1reas de ci\u00eancias. Pelo menos em 2010 n\u00e3o tinha, n\u00e3o sei se isso agora \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o acredito muito nisso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil, porque em um comit\u00ea onde voc\u00ea tem dez homens e duas mulheres, por mais que voc\u00ea diga &#8220;vamos ser equ\u00e2nimes e objetivos&#8221;, \u00e9 muito dif\u00edcil voc\u00ea ter uma vis\u00e3o que realmente permita um julgamento mais isento. A gente tinha que descobrir uma forma de ter os curr\u00edculos sem o sexo das pessoas. Eu adoro uma hist\u00f3ria que conta que as orquestras do mundo todo s\u00f3 passaram a ter m\u00fasicas mulheres quando os concursos de entrada foram feitos atr\u00e1s de uma cortina. Se voc\u00ea olhar as orquestras de hoje em dia e comparar com as orquestras de 50 anos atr\u00e1s, \u00e9 uma coisa inacredit\u00e1vel. Hoje voc\u00ea tem mulheres em tudo que \u00e9 espa\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Essas experi\u00eancias da USP e da Unicamp v\u00e3o ser um divisor de \u00e1guas. Porque quando voc\u00ea faz um plano de equidade, que \u00e9 um plano institucional, voc\u00ea consegue amarrar n\u00e3o s\u00f3 os n\u00edveis, ou seja, voc\u00ea tem que envolver a alta hierarquia da universidade, todos os n\u00edveis de estrutura, tem que envolver os professores homens e mulheres. Deixa de ser uma atividade de um gueto de tr\u00eas ou quatro mulheres que est\u00e3o ali trabalhando e se torna, de fato, uma coisa institucional. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E mais do que isso: pra ser um plano institucional, ele tem que abarcar todas as facetas da quest\u00e3o da diversidade e inclus\u00e3o, o que \u00e9 muito complexo. Voc\u00ea em geral trabalha um aspecto s\u00f3, por exemplo, v\u00e1rias iniciativas que j\u00e1 est\u00e3o fazendo pesquisas e estabelecendo formas de lidar com ass\u00e9dio sexual nas universidades. Muitas universidades t\u00eam isso. A pr\u00f3pria UFRGS fez uma pesquisa que&nbsp;mostrou como \u00e9 importante voc\u00ea ter estruturas, como ter uma porta de entrada pra onde essas queixas s\u00e3o encaminhadas. Mas a\u00ed acaba nisso, voc\u00ea trata s\u00f3 dessa quest\u00e3o. No plano de equidade, voc\u00ea tem que abarcar todas as quest\u00f5es: tem isso, tem a quest\u00e3o da carreira das mulheres, tem a quest\u00e3o desse equil\u00edbrio maternidade\/trabalho \u2013 que tamb\u00e9m tem iniciativas na pr\u00f3pria UFRGS muito boas que olham essa quest\u00e3o. Quando voc\u00ea insere isso num plano, ele se relaciona com os outros aspectos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E tem um aspecto \u2013 que eu acho que talvez seja o mais complexo, mas tamb\u00e9m, talvez, o mais interessante \u2013&nbsp;que \u00e9 a quest\u00e3o do ensino dos curr\u00edculos e da atividade de pesquisa. Tem uma iniciativa da Comiss\u00e3o Europeia \u2013 hoje em dia \u00e9 um programa internacional que fica em Stanford e se chama <a href=\"https:\/\/genderedinnovations.stanford.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gendered Innovations<\/a> \u2013 que mostra como voc\u00ea insere a quest\u00e3o do sexo e do g\u00eanero no conte\u00fado, no planejamento das pesquisas. E os exemplos s\u00e3o absolutamente fascinantes, desde ligados a ci\u00eancias da vida, onde \u00e9 muito importante, se voc\u00ea quiser estudar, digamos, o desenvolvimento de um peixe, voc\u00ea entender como \u00e9 que \u00e9 a quest\u00e3o da reprodu\u00e7\u00e3o sexual daquele peixe, etc. Ou seja, se voc\u00ea n\u00e3o incluir a quest\u00e3o das diferen\u00e7as e da diversidade, a sua pesquisa se torna muito mais fraca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma coisa que acho muito interessante, e para a qual a discuss\u00e3o internacional chama muito a aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 que voc\u00ea tem um n\u00famero enorme de pesquisas cient\u00edficas em que isso n\u00e3o \u00e9 nem informado, ent\u00e3o voc\u00ea nem sabe em que se baseou a an\u00e1lise. Eles acham isso mais perigoso do que uma pesquisa que tenha sido feita somente com homens mas que informou isso, ent\u00e3o voc\u00ea sabe, voc\u00ea tem essa informa\u00e7\u00e3o e pode lidar com isso. Mas o que se diz em muitos trabalhos que a gente v\u00ea \u00e9 que isso muitas vezes nem \u00e9 informado. No Brasil, isso n\u00e3o est\u00e1 sendo nem discutido, ainda n\u00e3o est\u00e1 na mesa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s estamos ainda naquelas quest\u00f5es que s\u00e3o muito centrais mas que afetam as identidades muito fortemente. Eu gosto dessa express\u00e3o &#8220;rush hour&#8221; \u2013 quer dizer, as jovens pesquisadoras, quando j\u00e1 terminaram o doutorado e est\u00e3o no in\u00edcio de uma carreira profissional, t\u00eam que fazer tudo: t\u00eam que ter filho, t\u00eam que cuidar da m\u00e3e, t\u00eam que fazer todas as coisas cient\u00edficas estruturais tradicionais de forma muito bem feita, t\u00eam que pedir financiamento, t\u00eam que coordenar projeto. \u00c9 um momento na vida em que realmente a quest\u00e3o de ser mulher ou n\u00e3o, e a sua rela\u00e7\u00e3o com o seu parceiro, \u00e9 fundamental. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o da diversidade e da inclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma coisa s\u00f3 de mulheres. Tem que ser de mulheres e homens. N\u00e3o s\u00e3o somente as mulheres que t\u00eam que mudar, os homens tamb\u00e9m t\u00eam que mudar. Voc\u00ea tem que ter uma cultura cient\u00edfica onde a quest\u00e3o de ser mulher n\u00e3o precisar\u00e1 mais ser uma quest\u00e3o. Que seja um ambiente onde ela pode atuar de uma forma sim\u00e9trica aos homens sem que isso seja um item de luta o tempo todo. E o segundo \u00e9 que, quando isso acontece, quem ganha n\u00e3o s\u00e3o as mulheres, \u00e9 a ci\u00eancia. Isso \u00e9 um ponto fundamental.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Confira a aula magna na \u00edntegra:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Aula Magna: \u201cTrazendo a interseccionalidade para a ci\u00eancia\u201d - Alice Rangel de Paiva Abreu\" width=\"1440\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rIX-5CHx7UY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista | Professora em\u00e9rita da UFRJ destaca que \u00e9 preciso unificar iniciativas de promo\u00e7\u00e3o \u00e0 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