{"id":50534,"date":"2022-07-21T08:33:00","date_gmt":"2022-07-21T11:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=50534"},"modified":"2022-07-23T19:49:33","modified_gmt":"2022-07-23T22:49:33","slug":"pesquisa-inedita-mapeia-a-presenca-lgbtqia-na-ciencia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/pesquisa-inedita-mapeia-a-presenca-lgbtqia-na-ciencia-brasileira\/","title":{"rendered":"Pesquisa in\u00e9dita mapeia a presen\u00e7a LGBTQIA+ na ci\u00eancia brasileira"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Representatividade | Apesar dos avan\u00e7os na pauta do movimento, cientistas ainda relatam ass\u00e9dio, exclus\u00e3o e LGBTQIfobia na academia, e pessoas transg\u00eanero s\u00e3o as mais afetadas<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da comunidade de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transg\u00eanero, queer, intersexuais, assexuais ou outra minoria sexual ou de g\u00eanero (LGBTQIA+) ter conquistado espa\u00e7o em diferentes ambientes sociais ao longo dos anos, a presen\u00e7a de pessoas LGBTQIA+ em ambientes de trabalho, como as universidades, ainda \u00e9 desconhecida. E h\u00e1 motivos para isso. Um em cada cinco cientistas da \u00e1rea da F\u00edsica pertencentes a minorias sexuais e de g\u00eanero nos Estados Unidos foram exclu\u00eddos, intimidados ou assediados no trabalho por conta de seu g\u00eanero, identidade ou orienta\u00e7\u00e3o sexual, informa o relat\u00f3rio <em><a href=\"https:\/\/www.aps.org\/programs\/lgbt\/upload\/LGBTClimateinPhysicsReport.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LGBT Climate in Physics: Building an Inclusive Community<\/a><\/em>, publicado em 2015 pela American Physical Society. A pesquisa sugere ainda que as pessoas transg\u00eanero s\u00e3o as mais afetadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No outro lado do Atl\u00e2ntico, o relat\u00f3rio brit\u00e2nico <a href=\"https:\/\/www.rsc.org\/new-perspectives\/talent\/lgbt-report\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Exploring the Workplace for LGBT+ Physical Scientists<\/em><\/a>, publicado em 2019 e produzido pelo Institute of Physics, pela Royal Astronomical Society e pela Royal Society of Chemistry, destacou que as ci\u00eancias f\u00edsicas s\u00e3o um ambiente de trabalho pouco confort\u00e1vel para muitas pessoas LGBTQIA+. Os dados da pesquisa apontam que quase um ter\u00e7o das cientistas e dos cientistas f\u00edsicos que pertencem a minorias sexuais e de g\u00eanero no Reino Unido j\u00e1 considerou abandonar a carreira por conta de discrimina\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio ou exclus\u00e3o no local de trabalho. O relat\u00f3rio ainda refor\u00e7a que as pessoas trans ou que n\u00e3o se identificam como mulher ou homem (n\u00e3o bin\u00e1rias) s\u00e3o as que mais relataram ter experimentado <em>bullying<\/em>, ass\u00e9dio ou comportamentos excludentes em seus ambientes de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse contexto est\u00e1 longe de ser uma particularidade da Am\u00e9rica do Norte ou da Europa. No Brasil, o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 muito diferente: apenas 10% dos cientistas, estudantes e pesquisadores brasileiros LGBTQIA+ s\u00e3o pessoas trans. O resultado vem de dados preliminares de uma pesquisa in\u00e9dita que perguntou a 1.449 acad\u00eamicos que se identificam como LGBTQIA+ sobre suas experi\u00eancias, anseios e dificuldades enfrentadas no ambiente cient\u00edfico. Coordenado pela professora da <a href=\"https:\/\/www.eel.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/a> Gabrielle Weber e pela professora do <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/biociencias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto de Bioci\u00eancias da UFRGS<\/a> Fernanda Stanis\u00e7uaski, o Levantamento da Ci\u00eancia LGBTQIA+ Brasileira buscou mapear a demografia, o clima no ambiente de trabalho e as percep\u00e7\u00f5es em torno da exist\u00eancia e perman\u00eancia nos espa\u00e7os de conv\u00edvio acad\u00eamicos pela popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Representatividade importa<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na m\u00eddia, nas artes e no cotidiano, o imagin\u00e1rio predominante do cientista que persiste at\u00e9 hoje \u00e9 ocupado pela imagem de um homem branco, com idade avan\u00e7ada e cabelos grisalhos. Profissionais da ci\u00eancia negros, ind\u00edgenas e LGBTQIA+ s\u00e3o praticamente inexistentes nas representa\u00e7\u00f5es do cientista, embora esse cen\u00e1rio ainda reflita a baixa diversidade e inclus\u00e3o presentes na realidade da ci\u00eancia brasileira. Fora de polos como os EUA e o Reino Unido, h\u00e1 uma dificuldade de acesso a informa\u00e7\u00f5es, comenta a coordenadora do projeto na USP. &#8220;Apesar de sabermos bem sobre as dificuldades que enfrentamos, \u00e9 muito importante, para se poder nortear pol\u00edticas p\u00fablicas, ter dados e n\u00fameros&#8221;, completa, afirmando que a principal proposta da pesquisa era provar cientificamente que o problema existe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o intuito de mapear o cen\u00e1rio brasileiro, a pesquisa coordenada por Weber e Stanis\u00e7uaski procurou preencher a lacuna de dados demogr\u00e1ficos sobre o tema no pa\u00eds. &#8220;N\u00e3o fazemos ideia de quem \u00e9 LGBTQIA+ na academia, n\u00f3s n\u00e3o sabemos a propor\u00e7\u00e3o de gays, l\u00e9sbicas, pessoas trans, bissexuais. Essa era nossa primeira pergunta: quem n\u00f3s somos e onde n\u00f3s estamos&#8221;, relembra. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos dados mais relevantes dos relat\u00f3rios dos EUA e do Reino Unido aponta que pessoas LGBTQIA+, notadamente as pessoas trans, possuem uma sensa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o muito mais intensa, que desencadeia um desejo de abandonar a academia com maior frequ\u00eancia. Segundo Weber, os dados preliminares da pesquisa brasileira apontam uma realidade diferente,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A nossa hip\u00f3tese, por enquanto, \u00e9 que a estabilidade da academia aqui \u00e9 um atrativo. \u00c9 um processo complicado voc\u00ea entrar, mas, uma vez que esteja l\u00e1, voc\u00ea possui uma certa estabilidade, voc\u00ea n\u00e3o pode ser demitide e muitas universidades j\u00e1 t\u00eam algumas legisla\u00e7\u00f5es contra a LGBTQIfobia. N\u00f3s vimos tamb\u00e9m que, quando essas medidas s\u00e3o efetivas, se aumenta muito a qualidade de trabalho das pessoas LGBTQIA+&#8221;.<\/p><cite>Gabrielle Weber<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, o levantamento brasileiro mostra que o ambiente acad\u00eamico \u00e9 mais nocivo \u00e0s pessoas trans. &#8220;Ficou bem claro que a popula\u00e7\u00e3o trans tem um acesso muito menor a esses ambientes, da ordem de aproximadamente 10% de respostas&#8221;, pontua Weber.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa estat\u00edstica \u00e9 entendida quando consideramos as particularidades do contexto brasileiro que colaboram para a produ\u00e7\u00e3o desse cen\u00e1rio. H\u00e1 13 anos consecutivos, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata por transfobia no mundo, conforme relat\u00f3rio de 2021 da <a href=\"https:\/\/transrespect.org\/en\/tmm-update-tdor-2021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transgender Europe (TGEU)<\/a>. A professora da <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/fabico\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o (Fabico) da UFRGS<\/a> Al\u00ea Primo chama aten\u00e7\u00e3o para a vulnerabilidade social dessa popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Pessoas trans muitas vezes s\u00e3o expulsas de casa desde cedo, sofrem viol\u00eancia na escola, no seu dom\u00ednio e nas ruas, muitas vezes recorrendo \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o para poder sobreviver&#8221;, comenta. O doutorando em Educa\u00e7\u00e3o pela UFRGS Antonio Jeferson Xavier complementa: &#8220;Quantas pessoas trans ou travestis n\u00f3s deixamos de ter fazendo ci\u00eancia porque n\u00e3o tivemos essas pessoas na escola?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estimativa \u00e9 que os resultados consolidados do Levantamento da Ci\u00eancia LGBTQIA+ Brasileira sejam publicados ainda este ano. Segundo Weber, a previs\u00e3o \u00e9 que o relat\u00f3rio do estudo seja divulgado no final de 2022 nos perfis do projeto no <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ciencialgbt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a> e no <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ciencialgbt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Bruna-Marchioro-11.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-51634\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Bruna-Marchioro-11.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Bruna-Marchioro-11-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Bruna-Marchioro-11-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Bruna-Marchioro-11-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Bruna-Marchioro-11-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Bruna-Marchioro-11-695x464.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>A professora Al\u00ea Primo, do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da Fabico\/UFRGS (Foto: Bruna Marchioro\/Arquivo Pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Muito a ser feito para al\u00e9m do m\u00eas da visibilidade<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a comunidade tenha visto uma melhora no cen\u00e1rio, ainda se est\u00e1 longe do cen\u00e1rio ideal. Dados do estudo brasileiro apontam que certa de 30 a 40% das pessoas respondentes relataram ter sofrido LGBTQIfobia, um n\u00famero elevado e maior do que os resultados relatados nas duas pesquisas dos EUA e do Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gabrielle Weber refor\u00e7a a necessidade de cria\u00e7\u00e3o de um processo de educa\u00e7\u00e3o, a partir de semin\u00e1rios e rodas de conversas. Da mesma forma, Antonio Jeferson Xavier acredita que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho para a mudan\u00e7a, desde a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e infantil. &#8220;A escola e nenhuma institui\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia devem ser instrumentos de refor\u00e7o de preconceitos. Os professores e as professoras precisam saber e ter consci\u00eancia de que a ci\u00eancia \u00e9 feita n\u00e3o s\u00f3 por homens brancos, cis, h\u00e9teros e crist\u00e3os. Isso deve ser visibilizado e mostrado \u00e0s crian\u00e7as&#8221;, defende. Para ele, a educa\u00e7\u00e3o deve ser continuada: &#8220;Considerar, sim, as datas comemorativas, o m\u00eas da visibilidade \u00e9 muito importante, mas \u00e9 preciso ir para al\u00e9m dessas datas para que n\u00e3o fique uma ideia de folcloriza\u00e7\u00e3o dessas identidades&#8221;, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na UFRGS, desde 2016 programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (PPGs) adotam a pol\u00edtica de reserva de vagas para candidatas e candidatos travestis e trans, entre eles o pioneiro <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgedu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o (PPGEDU)<\/a>, em que Antonio Jeferson cursa o doutorado, e o <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgcom\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o (PPGCom<\/a>), ao qual Al\u00ea Primo \u00e9 vinculada.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;N\u00f3s queremos, deliberadamente, permitir que pessoas que tenham menos privil\u00e9gios e maiores dificuldades de ascender, neste caso nas carreiras educacionais, possam ter o seu mestrado, o seu doutorado e potencialmente transformar sua vida. No caso das pessoas trans, nem aparecem candidatos, porque muitos, inclusive, t\u00eam dificuldade de ter gradua\u00e7\u00e3o ou mesmo ensino m\u00e9dio. Ent\u00e3o, para as pessoas trans e travestis, as a\u00e7\u00f5es afirmativas s\u00e3o no sentido de poder oferecer outras possibilidades de trabalho que n\u00e3o sejam a prostitui\u00e7\u00e3o, o sal\u00e3o de beleza ou o <em>show business<\/em>.&#8221;<\/p><cite>Al\u00ea Primo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esfor\u00e7os atuais da Universidade caminham para atender as demandas de grupos sociais historicamente exclu\u00eddos e vulnerabilizados. Desde 2020, a UFRGS trabalha para oferecer cotas em todos os PPGs, mas menos de 20% deles adotam a reserva de vagas, segundo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/ufrgs-trabalha-para-oferecer-cotas-em-todos-os-ppgs-no-primeiro-semestre-de-2021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">reportagem<\/a> publicada pelo JU em 2020. Ao longo do m\u00eas de maio deste ano, um semin\u00e1rio debateu com a comunidade acad\u00eamica a inclus\u00e3o do programa de a\u00e7\u00f5es afirmativas na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o, incluindo vagas para pessoas trans, como j\u00e1 fazem ao menos <a href=\"https:\/\/www.lume.ufrgs.br\/bitstream\/handle\/10183\/207204\/2018-217.pdf?sequence=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">seis PPGs<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Antonio Jeferson, que participou da elabora\u00e7\u00e3o do primeiro edital que inclu\u00eda reserva de vagas para pessoas trans no PPGEDU, a pol\u00edtica de cotas \u00e9 necess\u00e1ria, mas precisa estar alinhada \u00e0 pol\u00edtica de perman\u00eancia e de v\u00e1rios outros fatores para que se permita que as pessoas acessem esse programa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A inclus\u00e3o n\u00e3o pode ser uma via para a exclus\u00e3o. \u00c9 preciso pensar sempre numa perspectiva de uma inclus\u00e3o que n\u00e3o seja dada como uma benevol\u00eancia da norma, dos superiores \u00e0queles que est\u00e3o \u00e0 margem, mas por um direito b\u00e1sico dessas pessoas. N\u00e3o basta ter o t\u00edtulo de doutor ou doutora, \u00e9 preciso um mercado de trabalho e acompanhamento da inser\u00e7\u00e3o dessas pessoas&#8221;.<\/p><cite>Antonio Jeferson Xavier<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"665\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Fla\u0301vio-Dutra-0729.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-51632\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Fla\u0301vio-Dutra-0729.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Fla\u0301vio-Dutra-0729-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Fla\u0301vio-Dutra-0729-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Fla\u0301vio-Dutra-0729-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Fla\u0301vio-Dutra-0729-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Fla\u0301vio-Dutra-0729-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption> Ant\u00f4nio Jeferson, doutorando em Educa\u00e7\u00e3o no PPGEDU\/UFRGS (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Representatividade | Apesar dos avan\u00e7os na pauta do movimento, cientistas ainda relatam ass\u00e9dio, exclus\u00e3o e LGBTQIfobia na academia, e pessoas transg\u00eaneros s\u00e3o as mais afetadas<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/pesquisa-inedita-mapeia-a-presenca-lgbtqia-na-ciencia-brasileira\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":172,"featured_media":51633,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[605],"tags":[63,102,60,278,92,2341,1437,104,698,1434,1436,58],"ppma_author":[2949],"class_list":["entry","author-tarciziomacedo","has-excerpt","post-50534","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-reportagens","tag-acoes-afirmativas","tag-ciencia","tag-cotas","tag-educacao","tag-inclusao","tag-inclusao-social","tag-lgbtqia-2","tag-pesquisa","tag-representatividade","tag-transgenero","tag-travestis","tag-ufrgs"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.8 - 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