{"id":51376,"date":"2022-08-04T08:00:00","date_gmt":"2022-08-04T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=51376"},"modified":"2022-08-25T15:31:06","modified_gmt":"2022-08-25T18:31:06","slug":"pode-a-arquitetura-ser-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/pode-a-arquitetura-ser-poesia\/","title":{"rendered":"Pode a arquitetura ser poesia?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Cristina Mioranza reflete sobre as rela\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre arquitetura e poesia a partir de uma confer\u00eancia realizada em Viena (\u00c1ustria) em 1976, na qual o renomado arquiteto italiano Carlo Scarpa discute sua forma\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Por: Cristina Mioranza <br>*Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o YouTube_ArcDog-1<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Formado em 1926 pela Real Academia de Belas Artes de Veneza, Carlo Scarpa (1906-1978) tenta seu registro em dezembro do mesmo ano, por\u00e9m se nega a fazer a prova de ordem, imposta pelo governo fascista de Mussolini. N\u00e3o estava, portanto, habilitado ao exerc\u00edcio da profiss\u00e3o de arquiteto, e seu parceiro de obras foi o arquiteto e engenheiro Carlo Arrigo Rudi Maschietto (Castelvecchio e Banca Popolare di Verona). Scarpa d\u00e1 aulas no Instituto Universit\u00e1rio de Arquitetura de Veneza (IUAV), em colabora\u00e7\u00e3o com o catedr\u00e1tico professor Guido Cirilli, sobre composi\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica at\u00e9 1929. Com isso, fica conhecido como Professor Scarpa. Com Cirilli, herda a aten\u00e7\u00e3o pelos detalhes e a qualidade da materialidade em seus projetos e constru\u00e7\u00f5es. Sobre a sua rela\u00e7\u00e3o com o mestre e sua escola, Scarpa relata que descende, por tradi\u00e7\u00e3o cultural, do monumento a Vittorio Emanuele II em Roma. Foi o melhor aluno do seu professor da Academia, que, por sua vez, tinha sido o melhor aluno do autor daquele emblem\u00e1tico monumento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi no in\u00edcio dos anos 30 que escreveu, em conjunto com os venezianos Aldo Foili, Guido Pelizzari, Renato Renosto e Angelo Scatollin, um artigo de ades\u00e3o ao Movimento Racionalista. Nessa \u00e9poca, foi professor assistente de Auguste Sezanne, que possu\u00eda um curso na IUAV sobre desenhos ornamentais e estudos<em> \u2018da vero&#8217;<\/em>. No ano seguinte, assume como titular da cadeira. Em 1934, recebe men\u00e7\u00e3o honrosa pelos trabalhos realizados junto \u00e0 empresa Venini de Murano e conhece o arquiteto vienense Josef Hoffmann, autor de obras como o pal\u00e1cio Stoclet, em Bruxelas, o Sanat\u00f3rio Purkesrdorf e, na \u00e1rea de design de m\u00f3veis, a cadeira <em>M\u00e1quina de Sentar, <\/em>de 1905. Scarpa conhecia suas obras como um todo e as apreciava em demasia, chegando ao ponto de influenciar alguns de seus trabalhos, segundo Rainald Franz, curador da mostra \u201c<em>Josef Hoffmann | Carlo Scapa, on the sublime in architecture\u201d <\/em>na Rep\u00fablica Tcheca. Scarpa refere-se a Hoffmann como um oriental, sendo ele um bizantino, em clara observa\u00e7\u00e3o aos estilos de arquitetura de cada um e admirando a modernidade vinda de Viena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No seu discurso, ele debate sobre a sua base na arquitetura, e percebemos a influ\u00eancia do livro<em> \u201cAs pedras de Veneza<\/em>&#8220;, de John Ruskin, no qual os pensamentos derivavam do \u201cecletismo do considerado p\u00f3s-moderno\u201c ao &#8220;preciosismo em contraste com o brutalismo\u201d, observando que \u201ctodo material \u00e9 vivo e utiliz\u00e1vel, desde que trabalhado de acordo com a sua natureza, utilizada no seu devido lugar, na medida certa, justaposta a outra para que, por simpatia ou contraste, viva em uma rela\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica com ele\u201d,\u00a0assim, comunga a \u201cnatureza org\u00e2nica de seu racionalismo, dentro de sua participa\u00e7\u00e3o original no movimento moderno\u201d, segundo Marisa Emiliani, em seu texto para o livro &#8220;Os desenhos de CS para Castelvecchio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-9.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"625\" data-id=\"52061\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-9.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52061\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-9.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-9-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-9-175x109.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-9-768x480.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-9-465x291.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-9-695x434.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-8.jpg\"><img decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"625\" data-id=\"52060\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-8.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52060\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-8.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-8-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-8-175x109.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-8-768x480.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-8-465x291.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-8-695x434.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\"><span style=\"font-size: 13px; text-align: left; white-space: normal; background-color: rgb(255, 255, 255);\">Nas imagens acima, ambientes da Tomba Brion, projeto do arquiteto Carlo Scarpa, na regi\u00e3o de Treviso, na It\u00e1lia, em frames retirados de v\u00eddeo da rede de arquitetos ArcDog<\/span><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para John Ruskin, \u201cdiante da grande lei da natureza que formou essa paisagem selvagem e triste, \u00e9 preciso lembrar a estranha prepara\u00e7\u00e3o a que s\u00e3o submetidas as coisas que nenhuma imagina\u00e7\u00e3o poderia prever e repetir que a exist\u00eancia e fortuna da na\u00e7\u00e3o veneziana se deveram aos obst\u00e1culos naturais opostos aos rios e ao mar\u201d. Ele tamb\u00e9m diz que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 grande pintor, um grande oper\u00e1rio de qualquer arte que n\u00e3o descubra, a um simples olhar, mais do que lhe teriam ensinado longas horas de trabalho.&nbsp;Cada homem \u00e9 dotado para sua obra. \u00c0quele que deve ser um homem de estudo, Deus d\u00e1 as faculdades de reflex\u00e3o, de l\u00f3gica, de dedu\u00e7\u00e3o; ao artista, Ele d\u00e1 as faculdades de percep\u00e7\u00e3o que experimentam e conservam as sensa\u00e7\u00f5es.&nbsp; E um desses homens seria incapaz de realizar a obra do outro, at\u00e9 mesmo de compreend\u00ea-la\u201d.<em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carlo Scarpa era um profissional que estava sempre nas suas obras: o requinte de detalhamento e excel\u00eancia de execu\u00e7\u00e3o denotam importante participa\u00e7\u00e3o do arquiteto junto a fornecedores e empreiteiros, com discuss\u00f5es do interesse de todos para que a qualidade da obra seja percebida e privilegiada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O questionamento que Scarpa faz em seu discurso \u201c<em>Quando \u00e9 poesia uma arquitetura e quando n\u00e3o \u00e9<\/em>?\u201d e os referenciais acima \u2013 principalmente de Ruskin, delimitando o tema &#8211; nos ajudam a separar arquitetura e poesia. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Tornar arquitetura poesia se faz pelo processo de projetar, buscar harmonia entre formas e suas fun\u00e7\u00f5es \u2013 onde o apelo pelo projeto se torna encantador. Isso se perde quando come\u00e7am os trabalhos burocr\u00e1ticos \u2013 escolha de materiais, or\u00e7amentos e execu\u00e7\u00e3o \u2013, tornando-se novamente poesia \u00e0 medida que o objeto ganha a forma projetada em tamanho real.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Scarpa cita Le Corbusier em seu discurso no qual descobre a liberdade de todos os antigos conceitos estudados em sua gradua\u00e7\u00e3o. O livro <em>Por uma Arquitetura <\/em>oportuniza a Scarpa novas teorias e referenciais importantes da arquitetura moderna, saindo do ecletismo que tinha aprendido. Quando Le Corbusier fala sobre a ilus\u00e3o das plantas e coloca que o exterior \u00e9 o resultado do interior, que os elementos da arquitetura s\u00e3o luz e sombra, parede e espa\u00e7o, fica clara a refer\u00eancia a Carlo Scarpa.&nbsp; Suas obras s\u00e3o o reflexo desse conceito: a <em>ilus\u00e3o das plantas<\/em> \u00e9 empregada em diversas obras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-1 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-7.jpg\"><img decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"625\" data-id=\"52059\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52059\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-7.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-7-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-7-175x109.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-7-768x480.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-7-465x291.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-7-695x434.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"625\" data-id=\"52058\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52058\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-6.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-6-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-6-175x109.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-6-768x480.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-6-465x291.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-6-695x434.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\"><span style=\"font-size: 13px; text-align: left; white-space: normal; background-color: rgb(255, 255, 255);\">Nas imagens acima, ambientes da Tomba Brion, projeto do arquiteto Carlo Scarpa, na regi\u00e3o de Treviso, na It\u00e1lia, em frames retirados de v\u00eddeo da rede de arquitetos ArcDog<\/span><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Corbusier, \u201co arquiteto, ordenando formas, realiza uma ordem que \u00e9 pura cria\u00e7\u00e3o de seu esp\u00edrito; pelas formas, afeta intensamente nossos sentidos, provocando emo\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas; pelas rela\u00e7\u00f5es que cria, desperta em n\u00f3s resson\u00e2ncias profundas. Nos d\u00e1 a medida de uma ordem que sentimos acordar com a ordem do mundo, determina movimentos diversos de nosso esp\u00edrito e de nossos sentimentos; sentimos, ent\u00e3o, a beleza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seguindo essa narrativa po\u00e9tica, Scarpa se define, logo ap\u00f3s a sua formatura, como um arquiteto \u00e0 frente de seu tempo e na observa\u00e7\u00e3o dos detalhes arquitet\u00f4nicos. Com sua imers\u00e3o no mundo do design e em interiores, as possibilidades de cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o as mais \u201cfelizes&#8221; \u2013 como diria Le Corbusier \u2013, pois temos arquitetura tanto<em> <\/em>&#8220;no aparelho telef\u00f4nico quanto no Parthenon\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A palavra &#8220;harmonia&#8221; \u00e9 citada no discurso de Scarpa, por\u00e9m Le Corbusier nos diz que a engenharia gera harmonia e que arquitetura \u00e9 \u201ccoisa de emo\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica\u201d e dita: deve-se \u201ccome\u00e7ar pelo come\u00e7o tamb\u00e9m e empregar os elementos suscet\u00edveis de atingir os sentidos de satisfazer nossos desejos visuais e disp\u00f4-los de tal maneira que sua vis\u00e3o nos afete claramente&#8221;. &#8220;A constru\u00e7\u00e3o \u00e9 para sustentar; a arquitetura \u00e9 para emocionar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, conferirmos a base e a refer\u00eancia de Scarpa em seu discurso. A poesia est\u00e1 na arquitetura. As rela\u00e7\u00f5es trazidas s\u00e3o \u201cpura cria\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito\u201d; s\u00e3o, por\u00e9m, conceitos dif\u00edceis de entender. O indiv\u00edduo (contratante) n\u00e3o tem acesso a esses conceitos e precisa confiar no arquiteto para que seu projeto vislumbre a sua poesia. Poesia e arte s\u00e3o abstra\u00e7\u00f5es, a m\u00fasica \u00e9 mais literal, facilmente compreendida e exclamada. Devemos pensar a respeito e trazer a discuss\u00e3o para os dias de hoje. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Como fazer poesia em arquitetura com tantas normas e preceitos que temos de entender e refor\u00e7ar em nossos projetos? <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Falando sobre duas regras importantes de Le Corbusier, trago para relacionar duas significativas obras de Scarpa para a explana\u00e7\u00e3o e o embasamento do discurso citado e talvez elucidar o meu questionamento acima. Um dos recursos de Le Corbusier que Scarpa se apropria \u00e9 o uso correto da luz: \u201cA arquitetura \u00e9 o jogo s\u00e1bio, correto e magn\u00edfico dos volumes reunidos sob a luz. Nossos olhos s\u00e3o feitos para ver formas sob a luz\u2026\u201d. Le Corbusier dita uma regra importante que interage beneficamente nas obras de Scarpa. O Museu C\u00edvico di Castelvecchio, em Verona, ao norte da It\u00e1lia, \u00e9 uma grande interven\u00e7\u00e3o moderna em que o recurso da ilumina\u00e7\u00e3o natural \u00e9 usado \u00e0 exaust\u00e3o, proporcionando sensa\u00e7\u00f5es das fases do dia e seus efeitos nas obras de arte do museu. O resultado surpreende pela qualidade das sombras e pelos efeitos no seu interior. Tudo minimamente pensado e projetado, conforme os in\u00fameros desenhos que seu acervo possui. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-1 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"625\" data-id=\"52057\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52057\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-5.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-5-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-5-175x109.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-5-768x480.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-5-465x291.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-5-695x434.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"625\" data-id=\"52056\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52056\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-4.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-4-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-4-175x109.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-4-768x480.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-4-465x291.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-4-695x434.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\"><span style=\"font-size: 13px; text-align: left; white-space: normal; background-color: rgb(255, 255, 255);\">Nas imagens acima, ambientes da Tomba Brion, projeto do arquiteto Carlo Scarpa, na regi\u00e3o de Treviso, na It\u00e1lia, em frames retirados de v\u00eddeo da rede de arquitetos ArcDog<\/span><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A interven\u00e7\u00e3o moderna percebeu a ilumina\u00e7\u00e3o natural de uma forma intensa dentro dos ambientes e valorizou cada pe\u00e7a do seu interior. A ilumina\u00e7\u00e3o artificial proposta por Scarpa mostra sutileza e refer\u00eancia em elementos do pr\u00f3prio castelo, iluminando de forma simples, pontual e em constante movimento quando a ilumina\u00e7\u00e3o natural sai de cena. O estudo da localiza\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as de arte dentro do museu s\u00e3o partes fundamentais do &#8220;relacionamento e dinamismo entre edif\u00edcio, objeto e luz\u201d, que Richard Murphy observa em seu livro &#8220;<em>Carlo Scarpa and Castelvecchio Revisited<\/em>\u201d, de 2017 \u2013 al\u00e9m da sensa\u00e7\u00e3o do visitante diante do envolvimento arquitet\u00f4nico desse conjunto. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Scarpa controlava a luz natural de uma forma surpreendente. O uso desse recurso fez seus projetos aproveitarem o movimento das cores e sombras de cada per\u00edodo. O ritmo que a luz natural entrega \u00e0 obra favorece todo o acervo do museu at\u00e9 os dias de hoje.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se pode esquecer, tamb\u00e9m, que os tra\u00e7ados reguladores de Le Corbusier determinaram e ajudaram Scarpa em muitas de suas obras. \u201cO tra\u00e7ado regulador \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o de ordem espiritual que conduz \u00e0 busca de rela\u00e7\u00f5es engenhosas e de rela\u00e7\u00f5es harmoniosas. Ele confere \u00e0 obra a euritmia.\u201d<em> <\/em>Ao falar sobre isso, temos a Tomba Brion, de 1969, localizada na Comune di Altivole, distrito de Treviso, na regi\u00e3o do V\u00eaneto, ao norte da It\u00e1lia. Lugar calmo, plano e cercado pelas montanhas da Cortina D\u2019Ampezzo. Tem 2.400 m\u00b2 em um terreno rural em forma de L, divisa com o cemit\u00e9rio de San Vito di Altivole. Temos cinco edifica\u00e7\u00f5es dentro do terreno:<em>&nbsp;<\/em>o P\u00f3rtico, o Pavilh\u00e3o, a Catacumba, o Anexo e a Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Tomba Brion tem uma entrada principal pelo cemit\u00e9rio da comunidade, o P\u00f3rtico<em>,<\/em> seguindo a hierarquia para o acesso, onde dois an\u00e9is em perfeita geometria representam a alian\u00e7a do casal Brion. Aqui temos um apelo matem\u00e1tico, geom\u00e9trico e simb\u00f3lico, rico em detalhes, referenciando Palladio [arquiteto italiano Renascentista], nas suas formas, mas enxergando Le Corbusier na busca pelas linhas e eixos que essa obra possui. O projeto \u00e9 todo regrado, com&nbsp; amarra\u00e7\u00f5es entre eixos dos cinco objetos fundamentais. A entrada secund\u00e1ria, mas n\u00e3o menos importante pela capela, de onde vemos a Igreja<em> <\/em>rodeada por \u00e1gua, em uma refer\u00eancia aos canais de Veneza (Palladio fez poucas igrejas, mas a veneziana Il Redentore&nbsp;est\u00e1 localizada numa das ilhas da cidade). No seu interior, uma <em>Villa Rotonda<\/em> contempor\u00e2nea, com uma c\u00fapula piramidal, um requinte de detalhes ao estilo de Scarpa que percorre todo o ambiente, fazendo estereotomias dentro e fora do complexo \u2013 o que n\u00e3o era novidade \u00e0 Le Corbusier, j\u00e1 conhecido como um grande admirador de Palladio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O observador tem \u00e2ngulos do complexo sem perder a perspectiva, \u00e9 conduzido no percurso pelos eixos pensados de forma matem\u00e1tica e geom\u00e9trica, passeia pelo espelho d&#8217;\u00e1gua e seu Pavilh\u00e3o que a recolhe e a leva at\u00e9 o arco. Quando se chega \u00e0 Catacumba, se percebe o c\u00edrculo perfeito, o desn\u00edvel, a perspectiva e o ponto de fuga nos dois sarc\u00f3fagos do casal Brion. Ap\u00f3s, seguindo pelo Anexo, temos os restos mortais dos familiares, rodeados por um jardim. O percurso finaliza pela Igreja<em> <\/em>ou pela entrada principal. Independentemente do trajeto feito, nada se perde e tudo \u00e9 arquitetura e poesia. A refer\u00eancia aos tra\u00e7ados reguladores \u00e9 not\u00f3ria na planta abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"930\" height=\"491\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-51942\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image.png 930w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image-300x158.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image-175x92.png 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image-768x405.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image-465x246.png 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image-695x367.png 695w\" sizes=\"(max-width: 930px) 100vw, 930px\" \/><figcaption>Constru\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica e eixos (Fonte:  <a href=\"https:\/\/visicert.tumblr.com\/post\/82031394646\/plansofarchitecture-carlo-scarpa-brion\">https:\/\/visicert.tumblr.com\/post\/82031394646\/plansofarchitecture-carlo-scarpa-brion<\/a>)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Harmonia \u00e9 inspira\u00e7\u00e3o. Poesia \u00e9 arte, arte tamb\u00e9m \u00e9 arquitetura. Regras podem ser transformadas em arte, em arquitetura e poesia. Independentemente da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, a busca por conhecimento e inova\u00e7\u00e3o s\u00e3o premissas para que aconte\u00e7a a diferencia\u00e7\u00e3o entre profissionais. Logicamente, uma boa forma\u00e7\u00e3o, com acesso \u00e0s mais diferentes culturas e pessoas de n\u00edveis de conhecimento superiores, oportuniza uma importante ret\u00f3rica em torno do assunto estudado. Scarpa, contudo, em seu discurso, nos diz que &#8220;mestre \u00e9 aquele que expressa coisas novas para os outros aprenderem&#8221; e desmistifica essa figura, colocando que &#8220;os mestres modernos est\u00e3o todos mortos&#8221;, ou seja, n\u00e3o s\u00e3o imortais, mas seus conceitos e teorias permanecem at\u00e9 os dias de hoje, pois ele mesmo sofreu a influ\u00eancia de Le Corbusier. Quando ele cita Frank Lloyd Wright sobre o tema \u201cArquitetura pode ser poesia?\u201d, vemos o que nos acontece atualmente: &#8220;nem sempre a sociedade pede poesia&#8221; e n\u00e3o podemos fazer sempre da arquitetura uma poesia. Se pensarmos no tema propriamente, n\u00e3o a teremos. &#8220;Ela vem das coisas em si\u201d, como disse o professor Scarpa, quase aleatoriamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nosso dever como arquitetos \u00e9 trabalhar sempre em prol da excel\u00eancia, do compromisso assumido quando da nossa forma\u00e7\u00e3o, mas, se quisermos destaque, o pensamento precisa fluir e ir al\u00e9m dos nossos conhecimentos b\u00e1sicos. A busca incessante por inova\u00e7\u00e3o e cultura muitas vezes nos direciona aos conceitos mais antigos da arquitetura, trazendo os referenciais mais importantes para a atualidade. Como disse Scarpa, os mestres est\u00e3o mortos<em>,<\/em> mas toda a experi\u00eancia est\u00e1 ao alcance das nossas m\u00e3os, bem como a busca pelo entendimento da aplica\u00e7\u00e3o em nossos projetos e posterior objeto, aproveitando o momento para se fazer poesia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-1 is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"625\" data-id=\"52055\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52055\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Reproduc\u0327a\u0303o-YouTube_ArcDog-3.jpg 1000w, 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style=\"font-size: 13px; text-align: left; white-space: normal; background-color: rgb(255, 255, 255);\">Nas imagens acima, ambientes da Tomba Brion, projeto do arquiteto Carlo Scarpa, na regi\u00e3o de Treviso, na It\u00e1lia, em frames retirados de v\u00eddeo da rede de arquitetos ArcDog<\/span><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-cyan-bluish-gray-background-color has-background wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9755831600614276\">Cristina Mioranza<\/a> \u00e9 graduada em Arquitetura pela Uniritter e mestranda em Arquitetura pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Arquitetura (Propar) da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\"><em>&#8220;As manifesta\u00e7\u00f5es expressas neste ve\u00edculo n\u00e3o representam obrigatoriamente o posicionamento da UFRGS como um todo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo | Cristina Mioranza reflete sobre as rela\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre arquitetura e poesia a partir de uma confer\u00eancia realizada em Viena (\u00c1ustria) em 1976, na qual o renomado arquiteto italiano Carlo Scarpa discute sua forma\u00e7\u00e3o<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/pode-a-arquitetura-ser-poesia\/\">Leia 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