{"id":55485,"date":"2022-11-24T07:45:00","date_gmt":"2022-11-24T10:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=55485"},"modified":"2022-11-24T10:09:06","modified_gmt":"2022-11-24T13:09:06","slug":"em-que-prateleira-estao-as-plantas-nativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/em-que-prateleira-estao-as-plantas-nativas\/","title":{"rendered":"Em que prateleira est\u00e3o as plantas nativas?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Bot\u00e2nica | Especialistas destacam que \u00e9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a cultural para que a flora nativa do Rio Grande do Sul tenha mais protagonismo no mercado e esteja mais presente nas floriculturas e resid\u00eancias<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto: Ana Terra Firmino\/Ju &#8211; Brinco-de-princesa (Fucshia regia), considerada <\/em><br><em>por um decreto estadual de 1998 a flor s\u00edmbolo do do Rio Grande do Sul<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ditado popular \u201cA beleza est\u00e1 nos olhos de quem v\u00ea\u201d pode ajudar a explicar o que \u00e9 uma planta ornamental. Desde que possa ser cultivada em ambiente interno, qualquer planta tem potencial para ser ornamental; basta possuir alguma caracter\u00edstica de destaque, que chame a aten\u00e7\u00e3o do cliente na floricultura ou na feira. A subjetividade da beleza \u00e9 o que impulsiona a diversidade; enquanto alguns preferem as esp\u00e9cies com flores coloridas, como as minirrosas (<em>Rosa chinesis)<\/em>, outros optam pelas \u201cplantas verdes\u201d, tal como a espada-de-s\u00e3o-jorge (<em>Dracaena trifasciata)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 v\u00e1rios fatores que moldam o gosto dos clientes e guiam suas compras. Muitas vezes \u00e9 apenas a apar\u00eancia, mas existem aqueles que chegam na floricultura com esp\u00e9cies espec\u00edficas em mente, pois viram na casa de um amigo e gostaram, ou possuem uma mem\u00f3ria afetiva da inf\u00e2ncia ligada a determinada planta. Tamb\u00e9m existem os colecionadores, que se apaixonam por certo grupo, como as orqu\u00eddeas, e est\u00e3o sempre procurando varia\u00e7\u00f5es para ampliar sua cole\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devido a esses fatores, algumas esp\u00e9cies j\u00e1 se estabeleceram no mercado e podem ser encontradas na grande maioria das casas daqueles que t\u00eam o cultivo como hobby. As tend\u00eancias tamb\u00e9m s\u00e3o um fator importante \u2013 sim, tamb\u00e9m h\u00e1 plantas que est\u00e3o \u201cna moda\u201d \u2013, mas o fato \u00e9 que dificilmente se encontram plantas nativas do Rio Grande do Sul \u00e0 venda nas floriculturas. Apesar da grande biodiversidade brasileira, muitas flores e plantas que vemos no nosso dia a dia v\u00eam de outros lugares, como a pe\u00f4nia (<em>Paeonia)<\/em>, que, mesmo sendo t\u00edpica de zonas frias, \u00e9 amplamente vendida no pa\u00eds. <\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Interesses dos consumidores e as plantas nativas<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada planta tem sua individualidade e deve ser cuidada de uma forma espec\u00edfica, por\u00e9m algumas regras gerais facilitam o cuidado e s\u00e3o disseminadas at\u00e9 por aqueles que n\u00e3o s\u00e3o especialistas no assunto. Quando o cultivo \u00e9 feito dentro de casa, s\u00e3o mais indicadas as plantas de sombra, que, como requerem apenas luz indireta e n\u00e3o precisam estar expostas ao sol, podem ficar em quartos, cozinhas e salas de estar que tenham janelas e certa luminosidade. Dentre as mais comuns, podemos citar o ciclame (<em>Cyclamen persicum) <\/em>e a samambaia (<em>Polypodium persicifolium<\/em>), que podem ser encontradas na maioria das floriculturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fato de uma esp\u00e9cie ser ou n\u00e3o nativa n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o comum da maioria dos clientes das floriculturas, que costumam atentar mais para as quest\u00f5es relacionadas ao cultivo da planta. \u201cAs pessoas querem saber como elas v\u00e3o fazer para que a planta n\u00e3o morra, como regar e cuidar&#8221;, diz Taiane Rodrigues, bi\u00f3loga e dona da floricultura Ave do Para\u00edso h\u00e1 18 anos. A bi\u00f3loga acredita que isso se d\u00e1 devido \u00e0 falta de educa\u00e7\u00e3o ambiental \u2013 principalmente na escola, que, segundo ela, tem pouco foco na bot\u00e2nica, apesar da natureza de nosso pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trazendo esse t\u00f3pico \u00e0 \u00f3tica do Rio Grande do Sul, podemos observar que poucas das plantas comercializadas para cultivo dentro de casa s\u00e3o origin\u00e1rias do nosso estado. Isso se d\u00e1, principalmente, pela natureza dos nossos biomas. O Pampa, bioma exclusivo do territ\u00f3rio ga\u00facho quando se trata do \u00e2mbito nacional, ocupa 63% do estado e \u00e9 caracterizado por plantas herb\u00e1ceas, arbustos e \u00e1rvores de pequeno porte, que necessitam de mais sol e n\u00e3o s\u00e3o prop\u00edcias para cultivo dentro de casa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das possibilidades nativas para cultivo dentro de casa \u00e9 o brinco-de-princesa (<em>Fucshia regia)<\/em> \u2013 que, inclusive, \u00e9 <a href=\"http:\/\/www.al.rs.gov.br\/legis\/M010\/M0100099.ASP?Hid_Tipo=TEXTO&amp;Hid_TodasNormas=6844&amp;hTexto=&amp;Hid_IDNorma=6844#:~:text=DECRETO%20N%C2%B0%2038.400%2C%20DE,do%20Rio%20Grande%20do%20Sul.\">a flor s\u00edmbolo do Rio Grande do Sul<\/a>. A esp\u00e9cie nativa da mata atl\u00e2ntica recebe esse nome devido a sua semelhan\u00e7a com brincos e se caracteriza pela beleza e adaptabilidade, resistindo at\u00e9 ao frio e a geada do inverno ga\u00facho. Apesar de florescer ao longo de todo o ano, o brinco-de-princesa costuma estar mais cheio na primavera e no ver\u00e3o, e \u00e9 muito visitada por beija-flores no seu per\u00edodo de flora\u00e7\u00e3o. A planta pode ser cultivada dentro de casa, desde que fique perto de uma janela e fique no sol por algumas horas ao dia. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2928.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" data-id=\"57521\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2928.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-57521\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2928.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2928-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2928-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2928-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2928-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2928-695x464.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2893.jpg\"><img decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" data-id=\"57520\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2893.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-57520\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2893.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2893-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2893-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2893-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2893-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ana-Terra-Firmino-2893-695x464.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Espada de S\u00e3o Jorge (Dracaena trifasciata), de origem africana e a samambaia (Polypodium persicifolium), de origem tropical (Fotos: Ana Terra Firmino\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Quest\u00e3o cultural e as plantas regionais<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante compreender tamb\u00e9m o processo necess\u00e1rio para que uma planta saia de seu habitat na natureza e seja difundida comercialmente. Dentre esses fatores, \u00e9 preciso entender como a planta se comporta em cultivo, se produz sementes para se propagar e quanta luminosidade deve receber. Al\u00e9m disso, \u00e9 ilegal coletar plantas da natureza para explora\u00e7\u00e3o comercial, portanto h\u00e1 procedimentos legais que precedem a inser\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie no mercado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSempre voc\u00ea deve levar em considera\u00e7\u00e3o onde a planta surgiu e para o que ela est\u00e1 apta\u201d, explica Gilmar Schafer, professor da Faculdade de Agronomia na UFRGS e pesquisador da \u00e1rea de Floricultura. Segundo ele, tamb\u00e9m \u00e9 importante que as plantas apresentem um valor econ\u00f4mico, atraindo de alguma forma o mercado, para que se inicie o processo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa mudan\u00e7a cultural \u00e9 um processo lento, que dificilmente partir\u00e1 do consumidor. \u201cO profissional da \u00e1rea do paisagismo tem uma responsabilidade muito grande nesse sentido&#8221;, enfatiza S\u00e9rgio Tomasini, professor da Faculdade de Agronomia da UFRGS. Caso os paisagistas ampliem o uso de plantas nativas do Rio Grande do Sul em seus projetos, o que resulta em compras em grandes quantidades de determinadas esp\u00e9cies, isso chama a aten\u00e7\u00e3o do mercado e auxilia na mudan\u00e7a cultural da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe h\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o para as plantas nativas, e uma demanda, o mercado ter\u00e1 que se adaptar e aumentar sua oferta&#8221;, complementa Gilmar. Um exemplo \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.jaimelerner.com\/portfolio\/orla-do-gua%C3%ADba\">Parque Urbano da Orla do Gua\u00edba<\/a>, projeto que tem como um dos eixos a reintrodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O uso de esp\u00e9cies locais \u00e9 importante n\u00e3o apenas pela valoriza\u00e7\u00e3o da flora regional, mas tamb\u00e9m para a preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies. O bioma Pampa vem sofrendo com o <a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/meio-ambiente\/2021\/09\/fim-do-pampa-estamos-perdendo-biodiversidade-antes-mesmo-de-conhece-la\/\">aumento do desmatamento e o crescimento das lavouras de soja<\/a>, o que \u00e9 prejudicial para a vegeta\u00e7\u00e3o nativa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuer conservar uma esp\u00e9cie, d\u00ea valor econ\u00f4mico a ela\u201d<\/p>\n<cite>Gilmar Schafer<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transforma\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 um movimento constante, e \u00e9 vital que o conhecimento sobre as plantas regionais seja disseminado entre a popula\u00e7\u00e3o para que o mercado seja compelido a aderir aos produtos locais. Afinal, como dizia o paisagista Roberto Burle Marx, &#8220;um jardim \u00e9 uma natureza organizada pelo homem e para o homem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bot\u00e2nica | Especialistas destacam que \u00e9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a cultural para que a flora nativa do Rio Grande do Sul tenha mais protagonismo no mercado e esteja mais presente nas floriculturas e resid\u00eancias<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/em-que-prateleira-estao-as-plantas-nativas\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":197,"featured_media":57519,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[605],"tags":[826,3893,3780,3781,283,3894,3892,3891,3782,2145,3783,2234],"ppma_author":[3573],"class_list":["entry","author-samuelanklam","has-excerpt","post-55485","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-reportagens","tag-biodiversidade","tag-bioma","tag-botanica","tag-cultivo","tag-cultura","tag-cultura-local","tag-feira","tag-flora","tag-floricultura","tag-pampa","tag-plantas-nativas","tag-rio-grande-do-sul"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Em que prateleira est\u00e3o as plantas nativas? 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