{"id":64020,"date":"2023-05-25T07:25:00","date_gmt":"2023-05-25T10:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=64020"},"modified":"2023-05-25T11:35:57","modified_gmt":"2023-05-25T14:35:57","slug":"desafios-de-fazer-pesquisa-de-campo-nas-instituicoes-publicas-em-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/desafios-de-fazer-pesquisa-de-campo-nas-instituicoes-publicas-em-africa\/","title":{"rendered":"Desafios de fazer pesquisa de campo nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em \u00c1frica"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Felizberto Alberto Mango, doutorando em Pol\u00edticas P\u00fablicas, relata as dificuldades que pesquisadores enfrentam para obter documentos que deveriam ser de livre acesso<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Por Felizberto Alberto Mango<br>*Ilustra\u00e7\u00e3o: Mitti Mendon\u00e7a<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como parte do cumprimento dos projetos de pesquisa de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, alguns estudantes africanos matriculados nos diferentes programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (mestrado e doutorado) nas universidades federais brasileiras viajam para seus pa\u00edses de origem a fim de realizar a pesquisa de campo como parte importante para a conclus\u00e3o das suas disserta\u00e7\u00f5es de mestrado e teses de doutorado. Em vista disso, esses estudantes enfrentam v\u00e1rios problemas de diferentes naturezas, entre os quais mencionamos: as dificuldades de compra de passagem a\u00e9rea do Brasil para seus pa\u00edses de origem e a dificuldade de inser\u00e7\u00e3o no campo, considerando que em algumas ocasi\u00f5es esses estudantes t\u00eam a entrada no campo negada simplesmente porque os respons\u00e1veis das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas n\u00e3o d\u00e3o acesso ao campo. As raz\u00f5es vamos desenvolver \u00e0 frente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, neste artigo em particular, objetiva-se abordar as experi\u00eancias&nbsp;do seu autor durante o desenvolvimento de pesquisa de campo. A partir de uma perspectiva indutiva, espera-se analisar essas experi\u00eancias em contraste com as experi\u00eancias de outros colegas que tamb\u00e9m fizeram esse percurso de pesquisa de campo no pa\u00eds de origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso espec\u00edfico deste trabalho, o autor viajou para a Guin\u00e9-Bissau no in\u00edcio de janeiro de 2023, tendo feito a qualifica\u00e7\u00e3o do projeto de doutorado em novembro de 2022.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, a realiza\u00e7\u00e3o da viagem ao pa\u00eds de origem n\u00e3o garante automaticamente que o estudante ir\u00e1 desenvolver a sua pesquisa de campo, pois j\u00e1 houve relatos de acad\u00eamicos que n\u00e3o conseguiram faz\u00ea-la simplesmente porque os titulares dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos n\u00e3o concederam o acesso \u00e0s institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De modo mais espec\u00edfico, tive que utilizar algumas estrat\u00e9gias que me permitisse a entrada no campo. Em especial, identificar a pessoa que trabalha na Assembleia, conversar com ela, ent\u00e3o essa pessoa se disp\u00f4s a fazer a ponte para que eu pudesse ter os primeiros contatos com deputados e funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o; s\u00f3 depois tive acesso \u00e0s instala\u00e7\u00f5es da Assembleia Nacional Popular. De outra forma, a minha entrada no campo poderia ser mais dif\u00edcil pelas raz\u00f5es que mencionei anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que se pode perceber at\u00e9 aqui \u00e9 que as pessoas s\u00e3o mais fortes que a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, o acesso \u00e0s institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para fins de pesquisa na Guin\u00e9-Bissau deveria ser livre, pois \u00e9 um direito garantido na Constitui\u00e7\u00e3o de Rep\u00fablica, mas o que se v\u00ea na pr\u00e1tica \u00e9 que alguns estudantes t\u00eam muitas dificuldades em ter acesso ao campo e, principalmente, aos documentos das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos problemas encontrados no campo na Assembleia e tamb\u00e9m em outras institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da Guin\u00e9-Bissau \u00e9 a aus\u00eancia dos chefes de servi\u00e7os, diretores de servi\u00e7os, entre outras fun\u00e7\u00f5es no local de servi\u00e7o. Me parece que \u00e9 norma os respons\u00e1veis das institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o estarem nos seus locais de servi\u00e7o, pois em muitas ocasi\u00f5es fui a diferentes gabinetes das comiss\u00f5es especializadas, mas n\u00e3o encontrei os seus respons\u00e1veis. Esse fato \u00e9 geral tamb\u00e9m em outras institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas no pa\u00eds em que os \u201cchefes\u201d, para al\u00e9m de chegarem muito tarde ao servi\u00e7o, costumam se ausentar dos seus postos de servi\u00e7o, o que acaba dificultando o processo de coleta dos dados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o problema maior seria encontrar os documentos oficiais das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas na Guin\u00e9-Bissau, pois parece tabu que \u201cpessoas de fora\u201d, os <em>outsiders<\/em>, n\u00e3o devem ter esse acesso. Para conseguir acesso, o pesquisador \u00e9 orientado a escrever cartas em que solicite os documentos, que deveriam ser p\u00fablicos por lei. Em outros casos, alguns documentos s\u00e3o simplesmente boicotados pelos funcion\u00e1rios por considerarem-nos documentos \u201cconfidenciais\u201d. Isso \u00e9 o caso de alguns pareceres das comiss\u00f5es especializadas da Assembleia, que s\u00e3o respons\u00e1veis pela fiscaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que o Congresso realiza sobre o governo na Guin\u00e9-Bissau. No entanto, alguns desses documentos n\u00e3o s\u00e3o liberados e, para serem, o Presidente da Assembleia precisa ser informado e ter conhecimento. Se concordar, o pesquisador poder\u00e1 acessar esse documento, que, repito, deveria ser p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes relatos demonstram como \u00e9 dif\u00edcil realizar a pesquisa de campo em \u00c1frica de forma geral e na Guin\u00e9-Bissau de forma mais particular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta reflex\u00e3o nos possibilita, enfim, pensar um pouco sobre a possibilidade de fazer ci\u00eancia em \u00c1frica e vai justamente em conson\u00e2ncia com algumas constata\u00e7\u00f5es feitas por alguns intelectuais africanos que apontam as dificuldades de v\u00e1rias naturezas para a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisa em \u00c1frica. Entre essas, podemos citar a falta de abertura por parte dos titulares dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, que v\u00eam os pesquisadores como potenciais \u201camea\u00e7as\u201d, porque podem trazer a p\u00fablico o que \u00e9 \u201cconfidencial\u201d e deveria ficar em sigilo profissional. Tamb\u00e9m a falta de um apoio financeiro que possibilite aos estudantes condi\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisa de campo da melhor forma poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-background-color has-background wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3955142562713355\">Felizberto Alberto Mango<\/a> \u00e9 doutorando no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Pol\u00edticas P\u00fablicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\"><em>&#8220;As manifesta\u00e7\u00f5es expressas neste ve\u00edculo n\u00e3o representam obrigatoriamente o posicionamento da UFRGS como um todo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<section id=\"section-a38d1366-c0e6-484c-90dc-5f808f83b7aa\" class=\"wp-block-gutentor-author-profile gutentor-section  gutentor-author author-profile-template1 has-color-bg has-custom-bg has-gutentor-block-shape-top\"><div class=\"gutentor-block-shape-top\"><span><svg viewBox=\"0 0 1280 140\" preserveAspectRatio=\"none\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><g><path d=\"M0 51.76c36.21-2.25 77.57-3.58 126.42-3.58 320 0 320 57 640 57 271.15 0 312.58-40.91 513.58-53.4V0H0z\" fill-opacity=\".3\" style=\"fill-rule:evenodd;\"\/><path d=\"M0 24.31c43.46-5.69 94.56-9.25 158.42-9.25 320 0 320 89.24 640 89.24 256.13 0 307.28-57.16 481.58-80V0H0z\" fill-opacity=\".5\" style=\"fill-rule:evenodd; \"\/><path d=\"M0 0v3.4C28.2 1.6 59.4.59 94.42.59c320 0 320 84.3 640 84.3 285 0 316.17-66.85 545.58-81.49V0z\" style=\"fill-rule:evenodd; \"\/><\/g><\/svg><\/span><\/div><div class=\"grid-container\"><div class=\"gutentor-block-header\"><div class=\"gutentor-section-title text-center\"><h2 class=\"gutentor-title\">Especial \u00c1frica<\/h2><\/div><\/div><div class=\"gutentor-grid-item-wrap\"><div class=\"gutentor-single-item\"><div class=\"gutentor-single-item-content\"><div class=\"gutentor-single-item-image-box\"><div class=\"gutentor-image-thumb\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"normal-image\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Mitti-Mendonca__3729.jpg\" alt=\"\" height=\"750\" width=\"1500\"\/><\/div><\/div><div class=\"gutentor-author-content\"><div class=\"gutentor-author-detail\"><\/div><div class=\"gutentor-single-item-desc\"><p class=\"gutentor-single-item-desc\">Em alus\u00e3o \u00e0 11.\u00aa Semana da \u00c1frica da UFRGS, o JU apresenta reportagens e artigos sobre diferentes aspectos relacionados ao continente africano, acompanhados de ilustra\u00e7\u00f5es da artista visual Mitti Mendon\u00e7a.\u00a0 Confira a <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/tag\/especial-africa-2023\/\">edi\u00e7\u00e3o especial completa<\/a> do JU sobre a Semana da \u00c1frica e o <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/mitti-mendonca-ancestralidade-e-protagonismo-feminino\/\">ensaio<\/a> com todas as imagens produzidas pela artista.<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/section>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Felizberto Alberto Mango, doutorando em Pol\u00edticas P\u00fablicas, relata as dificuldades que pesquisadores enfrentam para obter documentos que deveriam ser de livre acesso<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/desafios-de-fazer-pesquisa-de-campo-nas-instituicoes-publicas-em-africa\/\">Leia 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