{"id":67261,"date":"2023-07-27T07:32:00","date_gmt":"2023-07-27T10:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=67261"},"modified":"2023-07-27T08:01:29","modified_gmt":"2023-07-27T11:01:29","slug":"o-rs-e-os-primeiros-resultados-do-censo-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/o-rs-e-os-primeiros-resultados-do-censo-2022\/","title":{"rendered":"O RS e os primeiros resultados do Censo 2022"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Professor do PPG Geografia, Paulo Roberto Rodrigues Soares aponta que os dados do Censo demarcam as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas na sociedade e apresentam desafios para as pol\u00edticas p\u00fablicas<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Por Paulo Roberto Rodrigues Soares<br>*Ilustra\u00e7\u00e3o:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/kyarthoo\/\">Ke\u0301zia Mausolf<\/a>\/IA-UFRGS<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em maio de 2021, publicamos aqui no JU um artigo em que solicit\u00e1vamos \u201c<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/ter-bom-senso-com-o-censo\/\">ter bom senso com o Censo<\/a>\u201d. Naquele momento, pairavam d\u00favidas sobre a pr\u00f3pria realiza\u00e7\u00e3o do levantamento nacional por parte do IBGE. Passados dois anos, temos a divulga\u00e7\u00e3o dos primeiros resultados do \u201ccontroverso\u201d <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/37237-de-2010-a-2022-populacao-brasileira-cresce-6-5-e-chega-a-203-1-milhoes\">Censo de 2022<\/a> e, face \u00e0s discuss\u00f5es que estes t\u00eam gerado, agora \u00e9 hora de pedir \u201cbom senso com os resultados do Censo\u201d, deixar de lado controv\u00e9rsias e partir para an\u00e1lises sobre o que o Censo nos diz sobre n\u00f3s mesmos e sobre o nosso pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primeiramente, \u00e9 necess\u00e1rio esclarecer que no momento temos apenas resultados preliminares, dados gerais sobre a popula\u00e7\u00e3o dos estados, DF e munic\u00edpios. Conte\u00fados mais refinados ser\u00e3o divulgados ao longo do ano. Assim, as maiores pol\u00eamicas ficam por conta dos munic\u00edpios que verificaram perda demogr\u00e1fica, pois na percep\u00e7\u00e3o de agentes pol\u00edticos e da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 quase imposs\u00edvel essa redu\u00e7\u00e3o. Os dados atuais n\u00e3o nos permitem analisar tend\u00eancias como fluxos migrat\u00f3rios entre estados, popula\u00e7\u00e3o urbana e rural, composi\u00e7\u00e3o et\u00e1ria, \u00e9tnica e de renda da popula\u00e7\u00e3o, assim como a distribui\u00e7\u00e3o dos grupos sociais no territ\u00f3rio. Na escala intraurbana ainda n\u00e3o foram divulgados que setores das cidades tiveram maior crescimento ou diminui\u00e7\u00e3o de pessoas, bem como onde est\u00e3o concentrados os estratos de alta, m\u00e9dia e baixa renda, entre outras caracter\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros do Censo devem ser lidos em diferentes escalas de an\u00e1lise: da nacional \u00e0 intraurbana, passando pelas escalas estadual, regional, das concentra\u00e7\u00f5es urbanas (conjuntos de cidades pr\u00f3ximas) e intramunicipal. Tamb\u00e9m \u00e9 importante relembrar que o censo atual confirmou tend\u00eancias que haviam se manifestado nos anteriores e em estudos realizados ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, como as taxas de natalidade da popula\u00e7\u00e3o, os vetores de crescimento e as regi\u00f5es com tend\u00eancia ao esvaziamento demogr\u00e1fico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na escala nacional foi confirmada a diminui\u00e7\u00e3o do ritmo geral de crescimento da popula\u00e7\u00e3o, com importantes diferen\u00e7as entre os estados. Entre as regi\u00f5es, o Nordeste aparece com crescimento mais lento, enquanto o Centro-oeste e o Norte t\u00eam incremento mais \u00e1gil. H\u00e1 estados com um ritmo acelerado (RR, MT, SC, GO, MS, AC) e outros com ritmo mais lento (RS, RO, BA, RJ, AL). Na Regi\u00e3o Sul, duas din\u00e2micas: crescimento lento no RS e mais acelerado em SC e PR. Mesmo no interior dos estados, o crescimento n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo: existem regi\u00f5es que atraem popula\u00e7\u00e3o e outras de \u00eaxodo populacional. No pa\u00eds, <a href=\"https:\/\/www.observatoriodasmetropoles.net.br\/distribuicao-da-populacao-brasileira-segundo-o-censo-2022-desmistificando-o-esvaziamento-das-metropoles\/\">regi\u00f5es litor\u00e2neas e metropolitanas<\/a> crescem acima da m\u00e9dia, assim como as principais cidades interm\u00e9dias, os polos regionais. Atividades econ\u00f4micas como agroneg\u00f3cio (monocultivos e agroind\u00fastria), minera\u00e7\u00e3o, turismo e constru\u00e7\u00e3o civil atraem popula\u00e7\u00e3o e novos servi\u00e7os.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crescimento do n\u00famero de domic\u00edlios tamb\u00e9m foi uma grande tend\u00eancia nacional, diretamente relacionado \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da m\u00e9dia de moradores em cada habita\u00e7\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria a partir de 2010 e os novos arranjos familiares (fam\u00edlias menores, com menos filhos, novos tipos de coabita\u00e7\u00e3o e pessoas residindo s\u00f3s) contribu\u00edram para esse n\u00famero. De 2010 pra c\u00e1, a quantidade de domic\u00edlios cresceu 34%, totalizando 90,7 milh\u00f5es, e a popula\u00e7\u00e3o cresceu 6,5%. Consequentemente a m\u00e9dia de moradores por domic\u00edlio caiu de 3,31 (2010) para 2,79 (2022). <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 os domic\u00edlios vagos aumentaram 87%, enquanto os de uso ocasional cresceram 70%. Somando esses dois \u00faltimos tipos, temos mais de 18 milh\u00f5es de domic\u00edlios n\u00e3o utilizados ou utilizados parcialmente, o que nos chama aten\u00e7\u00e3o para a inefic\u00e1cia das tradicionais solu\u00e7\u00f5es para o \u201cd\u00e9ficit habitacional\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O RS foi um dos estados de menor crescimento (1,73%), e apenas quatro estados cresceram menos do que n\u00f3s. Na Regi\u00e3o Sul, Santa Catarina (21,76%) e Paran\u00e1 (9,61%) cresceram muito mais. O estado tem a menor m\u00e9dia de moradores por domic\u00edlio (2,54), n\u00famero puxado pelo grande n\u00famero de domic\u00edlios vagos e de uso ocasional. Dos 5,3 milh\u00f5es de domic\u00edlios do estado, mais de 1 milh\u00e3o (19,98%) n\u00e3o est\u00e1 ocupado, sendo 11,36% vagos e 8,62% de uso ocasional, com destaque para o nosso Litoral Norte, com cidades \u201ccampe\u00e3s\u201d de im\u00f3veis de uso tempor\u00e1rio.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No territ\u00f3rio ga\u00facho, grandes diferen\u00e7as. Entre as regi\u00f5es, os maiores crescimentos foram observados no Litoral Norte (seguindo tend\u00eancias, mas tamb\u00e9m repercutindo a migra\u00e7\u00e3o na pandemia), na Serra Ga\u00facha, nos Vales (Taquari e Rio Pardo) e num \u201carco\u201d entre Caxias do Sul e Passo Fundo, a cidade m\u00e9dia de maior crescimento relativo. Por outro lado, segue a tend\u00eancia de esvaziamento da Metade Sul e da Fronteira Oeste, com poucas exce\u00e7\u00f5es (alguns centros regionais). Tamb\u00e9m \u00e9 relevante a perda ou a estagna\u00e7\u00e3o populacional dos pequenos munic\u00edpios: 48% com menos de 5.000 habitantes. No total, mais de 58% dos munic\u00edpios perderam popula\u00e7\u00e3o (dois ter\u00e7os dos com menos de 10 mil habitantes), com o \u00eaxodo da popula\u00e7\u00e3o jovem e o consequente envelhecimento relativo da popula\u00e7\u00e3o. Isso traz novos desafios para as pol\u00edticas p\u00fablicas e para os servi\u00e7os p\u00fablicos desses munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) continua atraindo popula\u00e7\u00e3o, embora a capital tenha registrado perda populacional. Na RMPA, 24 cidades cresceram, enquanto dez registraram perda da popula\u00e7\u00e3o (incluindo Porto Alegre). Os maiores crescimentos absolutos foram de cidades pr\u00f3ximas \u00e0 capital (Canoas, Cachoeirinha e Gravata\u00ed). No Vale do Sinos, a maioria das cidades apresentou crescimento. Dos munic\u00edpios que perderam popula\u00e7\u00e3o, chamam aten\u00e7\u00e3o Viam\u00e3o e Alvorada, fortemente ligados \u00e0 din\u00e2mica da capital, e Novo Hamburgo, uma das poucas cidades m\u00e9dias que apresentou recuo demogr\u00e1fico.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Porto Alegre, a diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o merecer\u00e1 uma an\u00e1lise mais aprofundada quando tivermos dados mais detalhados. \u00c9 importante recordar que essa tend\u00eancia de encolhimento da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 vinha sendo observada desde o Censo de 2010, inclusive em uma an\u00e1lise que realizamos (<a href=\"https:\/\/reformaurbanars.blogspot.com\/2014\/09\/porto-alegre-cresce-pouco.html\">Porto Alegre cresce pouco?<\/a>). Igualmente relevante \u00e9 a expans\u00e3o do n\u00famero de domic\u00edlios na capital (quase 20%), muito acima do crescimento populacional, al\u00e9m da quantidade de domic\u00edlios vagos e de uso ocasional (18,69% na soma das duas categorias).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfim, os primeiros resultados do Censo 2022, que ora analisamos, demarcam as transforma\u00e7\u00f5es da sociedade brasileira e ga\u00facha nos \u00faltimos 12 anos. Eles nos d\u00e3o pistas importantes para onde vamos e para planejarmos o futuro de nossas cidades, do estado e do pa\u00eds. Por isso, mais uma vez, \u00e9 preciso ter aten\u00e7\u00e3o e bom senso com os resultados do Censo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-background-color has-background wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0660263492919489\">Paulo Roberto Rodrigues Soares<\/a> \u00e9 professor titular do Departamento de Geografia e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da UFRGS e pesquisador do Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\"><em>&#8220;As manifesta\u00e7\u00f5es expressas neste ve\u00edculo n\u00e3o representam obrigatoriamente o posicionamento da UFRGS como um todo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo | Professor do PPG Geografia, Paulo Roberto Rodrigues Soares aponta que os dados do Censo demarcam as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas na sociedade e apresentam desafios para as pol\u00edticas p\u00fablicas<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/o-rs-e-os-primeiros-resultados-do-censo-2022\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":67862,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[53],"tags":[2137,841,2716,1541,843,69,754],"ppma_author":[2938],"class_list":["entry","author-gerente","has-excerpt","post-67261","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-artigo","tag-censo-demografico","tag-cidades","tag-demografia","tag-municipios","tag-populacao","tag-porto-alegre","tag-regiao-metropolitana"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - 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