{"id":67565,"date":"2023-08-03T07:50:00","date_gmt":"2023-08-03T10:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=67565"},"modified":"2023-08-02T15:49:33","modified_gmt":"2023-08-02T18:49:33","slug":"uso-de-animais-em-pesquisas-obedece-a-diretrizes-rigidas-e-segue-necessario-quando-os-modelos-alternativos-nao-dao-conta-da-complexidade-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/uso-de-animais-em-pesquisas-obedece-a-diretrizes-rigidas-e-segue-necessario-quando-os-modelos-alternativos-nao-dao-conta-da-complexidade-da-vida\/","title":{"rendered":"Uso de animais em pesquisas obedece a diretrizes r\u00edgidas e segue necess\u00e1rio quando os modelos alternativos n\u00e3o d\u00e3o conta da complexidade da vida"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Bio\u00e9tica | Diante do avan\u00e7o t\u00e9cnico, o aperfei\u00e7oamento de pr\u00e1ticas envolvendo t\u00e9cnicas in vitro e simula\u00e7\u00f5es computacionais tendem a reduzir a necessidade de experimenta\u00e7\u00e3o com seres vivos. At\u00e9 l\u00e1, uma legisla\u00e7\u00e3o robusta e a atua\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es e comit\u00eas buscam garantir cuidados adequados e a minimiza\u00e7\u00e3o do sofrimento<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Foto: Fernanda Bastos de Mello, veterin\u00e1ria e respons\u00e1vel t\u00e9cnica pelo CREAL |(Centro de Reprodu\u00e7\u00e3o e Experimenta\u00e7\u00e3o de Animais de Laborat\u00f3rio), <\/em><br><em>na UFRGS, observa camundongos utilizados em trabalhos de pesquisa. O acesso a essa \u00e1rea exige o uso de EPIs (Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual) <\/em><br><em>e procedimentos de controle de qualidade do ambiente (Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O uso de animais para fins de pesquisa e testes diminuiu substancialmente nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, principalmente devido ao aumento do uso de modelos alternativos. Mas as controv\u00e9rsias \u00e9ticas ainda envolvem complexas quest\u00f5es cient\u00edficas, filos\u00f3ficas, morais e legais. O JU ouviu cientistas e \u00f3rg\u00e3os da UFRGS respons\u00e1veis por estas pr\u00e1ticas, trazendo um panorama atual e tamb\u00e9m os avan\u00e7os que podem mudar esse cen\u00e1rio no futuro.<br><br>Estima-se hoje que mais de 115 milh\u00f5es de animais em todo o mundo morram em experimentos de laborat\u00f3rio todos os anos, segundo<strong> <\/strong>a <a href=\"https:\/\/www.peta.org.uk\/\">People for the Ethical Treatment of Animals (PETA)<\/a> e a <a href=\"https:\/\/www.hsi.org\/\">Humane Society International (HSI)<\/a>. Mas, como apenas uma pequena propor\u00e7\u00e3o de pa\u00edses coleta e publica dados sobre o uso de animais para testes e pesquisas, o n\u00famero exato \u00e9 desconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por exemplo, nos Estados Unidos, at\u00e9 90% dos animais utilizados em laborat\u00f3rios (ratos, camundongos, aves, peixes, anf\u00edbios, r\u00e9pteis e invertebrados) s\u00e3o exclu\u00eddos das estat\u00edsticas oficiais, o que significa que os n\u00fameros publicados pelo Departamento de Agricultura dos EUA s\u00e3o subestimados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, as diretrizes para o uso de animais em pesquisas cient\u00edficas s\u00e3o estabelecidas pela Lei Arouca (Lei n\u00ba 11.794\/2008). Inspirada em princ\u00edpios internacionais de bem-estar animal e \u00e9tica na experimenta\u00e7\u00e3o, esta legisla\u00e7\u00e3o estabelece que o uso de animais em pesquisas deve ser justificado por sua relev\u00e2ncia cient\u00edfica e s\u00f3 pode ser realizado quando n\u00e3o h\u00e1 alternativas vi\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a lei brasileira imp\u00f5e requisitos adicionais, como a obten\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de autoriza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os competentes, a cria\u00e7\u00e3o de comit\u00eas de \u00e9tica em pesquisa respons\u00e1veis pela avalia\u00e7\u00e3o dos protocolos experimentais e a obriga\u00e7\u00e3o de adotar medidas para minimizar a dor, o estresse e o desconforto dos animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00f3rg\u00e3o encarregado de estabelecer as normas e diretrizes para o uso \u00e9tico de animais em pesquisas cient\u00edficas no Brasil \u00e9 o Conselho Nacional de Controle de Experimenta\u00e7\u00e3o Animal (CONCEA), vinculado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es. Atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o Normativa n.\u00ba 1\/2013, o CONCEA delineia as regras e procedimentos a serem seguidos, incluindo eutan\u00e1sia, assim como uma s\u00e9rie de diretrizes de condu\u00e7\u00e3o de pesquisas envolvendo animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas diretrizes, regulamenta\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es detalham todo o funcionamento de comit\u00eas de \u00e9tica de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa no pa\u00eds e prev\u00ea puni\u00e7\u00f5es severas ao seu descumprimento, com multas e at\u00e9 mesmo a interdi\u00e7\u00e3o definitiva. Ao mesmo tempo, incentivam o uso de m\u00e9todos alternativos sempre que poss\u00edvel, promovendo a busca por solu\u00e7\u00f5es mais \u00e9ticas e eficientes para o avan\u00e7o cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas afinal, diante do progresso tecnol\u00f3gico, at\u00e9 que ponto a experimenta\u00e7\u00e3o em animais ainda \u00e9 necess\u00e1ria? \u00c9 poss\u00edvel desenvolver m\u00e9todos que dispensem o uso de seres vivos para benef\u00edcio humano?<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Por que ainda usamos animais em pesquisas?<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, a pesquisa biom\u00e9dica b\u00e1sica \u00e9 desenvolvida especialmente com a utiliza\u00e7\u00e3o de pequenos mam\u00edferos (roedores, c\u00e3es, gatos e su\u00ednos). Isso porque os sistemas fisiol\u00f3gicos nestas esp\u00e9cies s\u00e3o bastante semelhantes aos dos seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHoje, apesar dos enormes avan\u00e7os do conhecimento, a experimenta\u00e7\u00e3o animal ainda \u00e9 indispens\u00e1vel em muitas \u00e1reas, como nas fases pr\u00e9-cl\u00ednicas do desenvolvimento de medicamentos e de vacinas. Isso porque os estudos de seguran\u00e7a, toxicologia, carcinog\u00eanese e preven\u00e7\u00e3o de efeitos adversos dependem da intera\u00e7\u00e3o de diversos sistemas fisiol\u00f3gicos, o que s\u00f3 existe em animais vivos (condi\u00e7\u00e3o <em>in vivo<\/em>)\u201d, explica o professor do departamento de Bioqu\u00edmica da UFRGS Carlos Alexandre Netto, neurocientista e membro da Academia Brasileira de Ci\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Netto destaca que o bem-estar animal \u00e9 absolutamente fundamental para o sucesso da pesquisa cient\u00edfica, pois o estresse e a dor causam respostas fisiol\u00f3gicas que comprometem a confiabilidade e a reprodutibilidade dos resultados. \u00c9 o caso das \u00e1reas de pesquisa em neuroci\u00eancia, que n\u00e3o podem prescindir da experimenta\u00e7\u00e3o animal. \u201cTodas as fun\u00e7\u00f5es cerebrais dependem da complexa intera\u00e7\u00e3o das diversas vias neurais que s\u00f3 est\u00e3o presentes na condi\u00e7\u00e3o <em>in vivo<\/em>\u201d, detalha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, as \u00e1reas de interesse mais recentes s\u00e3o pesquisas sobre efeitos transgeracionais (tais como condi\u00e7\u00f5es presentes na gesta\u00e7\u00e3o que podem influenciar no desenvolvimento do indiv\u00edduo a longo prazo), programa\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica (como condi\u00e7\u00f5es durante a gesta\u00e7\u00e3o e a lacta\u00e7\u00e3o que influenciam o metabolismo adulto da prole) e epigen\u00e9tica \u2013 todas elas t\u00eam na experimenta\u00e7\u00e3o animal uma condi\u00e7\u00e3o fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta tamb\u00e9m \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o do professor de Bio\u00e9tica do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Medicina da UFRGS e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Bio\u00e9tica, Jos\u00e9 Roberto Goldim. \u201cAs pesquisas com animais ainda s\u00e3o fundamentais para os avan\u00e7os cient\u00edficos porque, do contr\u00e1rio, restam apenas as pr\u00e1ticas <em>in vitro<\/em> ou uso de modelos matem\u00e1ticos. \u00c0s vezes, devido \u00e0 complexidade, a pesquisa n\u00e3o cabe nestes modelos, e precisamos utilizar um modelo animal para chegar o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel dos efeitos em humanos, sobretudo em neuroci\u00eancia e cogni\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Jos\u00e9 Antonio Poli de Figueiredo, pr\u00f3-reitor de Pesquisa da UFRGS \u2013 que fez parte do comit\u00ea que formulou uma das principais diretrizes internacionais para o uso de animais em pesquisas na \u00e1rea de endodontia (<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/33450080\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PRIASE 2021<\/a>) \u2013, afirma que o uso de animais em pesquisas evita que produtos e medicamentos causem danos a pessoas, animais e ao meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 importante salientar que essa modalidade de pesquisa deve ser feita somente quando n\u00e3o h\u00e1 outra maneira de investigar perguntas cient\u00edficas de relev\u00e2ncia\u201d<\/p>\n<cite>Jos\u00e9 Antonio Poli de Figueiredo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exemplo de outras institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, na UFRGS os animais, sobretudo roedores e outros mam\u00edferos, s\u00e3o sacrificados no fim do experimento. Eles recebem uma dose letal de anest\u00e9sico, seguindo os princ\u00edpios exigidos pelo CONCEA. Netto reconhece que pode haver cr\u00edticas, mas ressalta que o comit\u00ea de \u00e9tica imp\u00f5e pr\u00e1ticas robustas e que a institui\u00e7\u00e3o zela pelas leis em vigor.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Crit\u00e9rios de escolha dos tipos de animais utilizados em pesquisas<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na ci\u00eancia b\u00e1sica, os laborat\u00f3rios oferecem a oportunidade de criar situa\u00e7\u00f5es controladas que permitem o estudo de fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Por exemplo, em neuroci\u00eancia, se um cientista busca conhecer certas fun\u00e7\u00f5es de mem\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel realizar pesquisas utilizando modelos <em>in vivo<\/em> mais simples, como moluscos ou peixes-zebra, que possuem um n\u00famero reduzido de neur\u00f4nios e sinapses. Para investiga\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas, podem ser utilizados ratos e camundongos, cujo sistema nervoso \u00e9 bastante complexo e amplamente conhecido. Por fim, o pesquisador pode analisar sistemas de animais ainda mais complexos, como os macacos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha da esp\u00e9cie animal depende das vari\u00e1veis que o cientista busca compreender e da infraestrutura dispon\u00edvel na institui\u00e7\u00e3o de pesquisa. Para os estudos <em>in vitro<\/em>, ou seja, aqueles desenvolvidos em tecidos biol\u00f3gicos ou em c\u00e9lulas isoladas, submetidos a manipula\u00e7\u00f5es em laborat\u00f3rio, geralmente s\u00e3o empregados camundongos ou ratos. Mas a gama de modelos dispon\u00edveis \u00e9 bastante ampla, j\u00e1 que a natureza preserva mol\u00e9culas e mecanismos biol\u00f3gicos que evolu\u00edram ao longo do tempo. \u00c9 o caso da plasticidade neuronal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA forma como os neur\u00f4nios se comunicam entre si \u00e9 a mesma em insetos e seres humanos, o que explica por que um inseticida \u00e9 t\u00f3xico para animais e pessoas. A plasticidade neuronal, ou seja, a capacidade dos neur\u00f4nios de se modificar com a experi\u00eancia (um dos fundamentos do aprendizado e da mem\u00f3ria), tamb\u00e9m \u00e9 preservada. Esse fen\u00f4meno foi reconhecido com a concess\u00e3o do Pr\u00eamio Nobel de 2000 a Eric Kandel, que elucidou as bases da plasticidade utilizando um molusco marinho\u201d, descreve Netto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-accent-background-color has-text-color has-background wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:var(--wp--preset--spacing--70);padding-right:var(--wp--preset--spacing--70);padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--70);padding-left:var(--wp--preset--spacing--70)\"><strong>Como \u00e9 a pesquisa com animais na UFRGS<\/strong><br><br>Na Universidade, h\u00e1 uma s\u00e9rie de procedimentos rigorosos sob responsabilidade de \u00f3rg\u00e3os internos de \u00e9tica que regem os procedimentos para o uso de animais em pesquisa. S\u00e3o eles:<br><br><strong>Comiss\u00e3o de \u00c9tica no Uso de Animais (CEUA):<\/strong> respons\u00e1vel por autorizar e fiscalizar a experimenta\u00e7\u00e3o animal em pesquisas. Esta \u00e9 uma exig\u00eancia do arcabou\u00e7o legal estabelecido pela Lei Arouca (2008), que estabeleceu a cria\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mcti\/pt-br\/composicao\/conselhos\/concea\">Conselho Nacional de Controle e Experimenta\u00e7\u00e3o Animal <\/a>&#8211; CONCEA) e pelas resolu\u00e7\u00f5es do CONCEA\/MCTI. O princ\u00edpio b\u00e1sico observado \u00e9 o de que os animais n\u00e3o podem ser submetidos a situa\u00e7\u00f5es de dor, sofrimento ou estresse em qualquer etapa da pesquisa. Cabe ao CEUA equacionar o benef\u00edcio e a relev\u00e2ncia da pesquisa com a manipula\u00e7\u00e3o \u00e0 qual o animal ser\u00e1 submetido. Este princ\u00edpio est\u00e1 alicer\u00e7ado no Conceito dos 3Rs, definido por cientistas em meados do s\u00e9culo XX: Replacement (substitui\u00e7\u00e3o do uso de animais por m\u00e9todos alternativos sempre que poss\u00edvel); Reduction (reduzir ao m\u00e1ximo o n\u00famero de animais utilizados); Refinement (minimizar a dor e o estresse em todas as fases experimentais)<br><br><strong>Centro de Reprodu\u00e7\u00e3o e Experimenta\u00e7\u00e3o de Animais de Laborat\u00f3rio (CREAL): <\/strong>Respons\u00e1vel pelo cuidado no manejo e na qualidade de estrutura para o menor dano poss\u00edvel aos animais, contribuindo para os melhores resultados nas pesquisas. \u00c9 um \u00f3rg\u00e3o auxiliar do Instituto de Ci\u00eancias B\u00e1sicas da Sa\u00fade (ICBS) e tem como fun\u00e7\u00f5es a cria\u00e7\u00e3o e o fornecimento de animais para experimenta\u00e7\u00e3o biom\u00e9dica, manuten\u00e7\u00e3o de animais em experimenta\u00e7\u00e3o e assessoramento t\u00e9cnico aos pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4754.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"798\" data-id=\"68131\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4754.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68131\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4754.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4754-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4754-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4754-768x511.jpg 768w, 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href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4701.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"798\" data-id=\"68126\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4701.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68126\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4701.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4701-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4701-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4701-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4701-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4701-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4701-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Pesquisadora observa camundongos utilizados em pesquisa; abaixo, ratos e suas caixas em Sala de Alojamento no CREAL (Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"798\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4767.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68133\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4767.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4767-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4767-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4767-768x511.jpg 768w, 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Todo o material de vestimenta utilizado no interior do Centro \u00e9 lavado, seco e esterilizado para nova utiliza\u00e7\u00e3o (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><br>O que \u00e9 o CEUA?<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Comit\u00ea de \u00c9tica no Uso de Animais (CEUA) da UFRGS desempenha um papel fundamental na avalia\u00e7\u00e3o \u00e9tica das pesquisas cient\u00edficas que envolvem animais. Composto por 18 membros titulares e seus suplentes, incluindo bi\u00f3logos, m\u00e9dicos veterin\u00e1rios, docentes e pesquisadores de \u00e1reas espec\u00edficas, al\u00e9m de um consultor <em>ad hoc<\/em> representante da Sociedade Protetora dos Animais, o CEUA adota procedimentos rigorosos para garantir a \u00e9tica no uso de animais em pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu principal objetivo \u00e9 assegurar que os projetos de pesquisa estejam em conformidade com as diretrizes \u00e9ticas e regulamenta\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais. Para alcan\u00e7ar esse objetivo, o comit\u00ea adota uma abordagem baseada na legisla\u00e7\u00e3o vigente e na discuss\u00e3o entre seus membros durante as reuni\u00f5es quinzenais. Os procedimentos adotados envolvem o acompanhamento constante da atualiza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o e a an\u00e1lise dos pareceres em reuni\u00f5es ordin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o CEUA incorpora os princ\u00edpios dos 3Rs na pesquisa com animais. Assim, sempre avalia a necessidade real de experimenta\u00e7\u00e3o, a possibilidade de revis\u00e3o do c\u00e1lculo amostral e a pertin\u00eancia de todos os procedimentos adotados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao cuidado com o bem-estar dos animais, as condi\u00e7\u00f5es de alojamento s\u00e3o definidas de acordo com a esp\u00e9cie animal utilizada como modelo na pesquisa. As condi\u00e7\u00f5es devem seguir as cinco liberdades estabelecidas para garantir o bem-estar animal: liberdade de fome e sede, de desconforto, de dor, ferimentos e doen\u00e7as, de medo e ang\u00fastia, e liberdade para expressar seu comportamento natural, incluindo o enriquecimento ambiental adequado \u00e0s necessidades da esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que diz respeito \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o dos pesquisadores, a regulamenta\u00e7\u00e3o estabelece requisitos espec\u00edficos. O formul\u00e1rio unificado para solicita\u00e7\u00e3o de autoriza\u00e7\u00e3o de uso de animais em experimenta\u00e7\u00e3o prev\u00ea a declara\u00e7\u00e3o de experi\u00eancia profissional na esp\u00e9cie solicitada. A partir de 31 de maio de 2023, a Resolu\u00e7\u00e3o Normativa n.\u00ba 49 tornou obrigat\u00f3ria a comprova\u00e7\u00e3o de treinamento em \u00e9tica e pr\u00e1tica para todas as pessoas envolvidas na manipula\u00e7\u00e3o de animais. Essa comprova\u00e7\u00e3o de treinamento deve ser apresentada \u00e0 CEUA como parte do processo de aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Como funciona o Comit\u00ea de \u00c9tica para o Uso de Animais<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tramita\u00e7\u00e3o das propostas segue o seguinte fluxo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1. Os projetos s\u00e3o enviados pelo pesquisador via sistema para a respectiva Comiss\u00e3o de Pesquisa (COMPESQ), juntamente com o formul\u00e1rio de solicita\u00e7\u00e3o de uso de animais em pesquisa e demais documentos pertinentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2. Ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da COMPESQ, os projetos de pesquisa s\u00e3o encaminhados pela COMPESQ para o CEUA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3. A secretaria da CEUA tabula os projetos recebidos com os respectivos t\u00edtulos e pesquisadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4. A coordena\u00e7\u00e3o do CEUA designa relatores para cada projeto. O relator avalia o projeto e escreve um parecer consubstanciado considerando a legisla\u00e7\u00e3o pertinente \u00e0 esp\u00e9cie solicitada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">5. O parecer \u00e9 apresentado pelo relator na reuni\u00e3o quinzenal do CEUA com toda a avalia\u00e7\u00e3o realizada e a conclus\u00e3o: dilig\u00eancia, aprova\u00e7\u00e3o, indeferimento ou arquivamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">6. A comiss\u00e3o avalia o parecer apresentado e decide em conjunto pelo encaminhamento do projeto. Ao final da reuni\u00e3o, os pareceres s\u00e3o finalizados no sistema pelos relatores e encaminhados aos pesquisadores.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/infografico-reportagem-testes-animais-v3-aZUL.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-68187\" width=\"768\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/infografico-reportagem-testes-animais-v3-aZUL.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/infografico-reportagem-testes-animais-v3-aZUL-300x225.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/infografico-reportagem-testes-animais-v3-aZUL-156x117.png 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/infografico-reportagem-testes-animais-v3-aZUL-768x576.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/infografico-reportagem-testes-animais-v3-aZUL-465x349.png 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/infografico-reportagem-testes-animais-v3-aZUL-667x500.png 667w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: Mait\u00ea de Moraes Vieira, coordenadora do CEUA\/UFRGS e professora do Departamento de Zootecnia da Faculdade de Agronomia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Testes com cosm\u00e9ticos \u2013 o pol\u00eamico caso da Revlon<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisas tanto em animais quanto em seres humanos tiveram pr\u00e1ticas bastante question\u00e1veis no passado. Em caso emblem\u00e1tico ocorrido em 1980, Henry Spira \u2013 um dos mais importantes defensores dos direitos dos animais no s\u00e9culo XX \u2013 denunciou a Revlon pelo uso de coelhos para fins de testes de toxicidade. Ap\u00f3s tentar convencer a empresa a contribuir para a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas sobre m\u00e9todos alternativos de investiga\u00e7\u00e3o de toxicidade, mandou publicar um an\u00fancio de p\u00e1gina inteira no <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/1998\/09\/15\/business\/henry-spira-71-animal-rights-crusader.html\"><em>The New York Times<\/em><\/a> com a seguinte frase: &#8220;Quantos coelhos a Revlon deixa cegos em nome da beleza?<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/NMAH-AHB2018q009291-Revlon-testes-animais.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68090\" width=\"750\" height=\"595\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/NMAH-AHB2018q009291-Revlon-testes-animais.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/NMAH-AHB2018q009291-Revlon-testes-animais-300x238.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/NMAH-AHB2018q009291-Revlon-testes-animais-148x117.jpg 148w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/NMAH-AHB2018q009291-Revlon-testes-animais-768x609.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/NMAH-AHB2018q009291-Revlon-testes-animais-465x369.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/NMAH-AHB2018q009291-Revlon-testes-animais-631x500.jpg 631w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: Ross Baughman\/National Museum of American History<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de 1986, as ind\u00fastrias cosm\u00e9ticas passaram a abandonar os testes utilizando animais vivos. Em 1989, tanto a Avon quanto a Revlon deixaram de usar animais para fins de pesquisas de seus produtos. Hoje, v\u00e1rias empresas de cosm\u00e9ticos utilizam um selo para identificar que seus produtos n\u00e3o utilizam animais na sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em todo o mundo, 42 pa\u00edses j\u00e1 pro\u00edbem testes em animais para fins cosm\u00e9ticos, dentre eles \u00cdndia, Noruega, Su\u00ed\u00e7a, Coreia do Sul, Austr\u00e1lia, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico e os pertencentes \u00e0 Uni\u00e3o Europeia. No Brasil, o Distrito Federal e 12 estados j\u00e1 t\u00eam leis que pro\u00edbem esses testes: S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Amazonas, Par\u00e1, Santa Catarina, Paran\u00e1, Pernambuco, Esp\u00edrito Santo, Acre e Para\u00edba. O Projeto de Lei 70\/2014 busca proibir os testes em animais para cosm\u00e9ticos no \u00e2mbito federal, abrangendo todos os estados do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Goldim reconhece que as pesquisas com cosm\u00e9ticos foram realmente cru\u00e9is e s\u00e3o inaceit\u00e1veis. \u201cEra uma exig\u00eancia regulat\u00f3ria a execu\u00e7\u00e3o destes testes para permitir a libera\u00e7\u00e3o de produtos para uso em pessoas. A partir dos questionamentos \u00e9ticos, a pr\u00f3pria ind\u00fastria desenvolveu modelos, como a c\u00f3rnea sint\u00e9tica, que permitem chegar \u00e0s mesmas conclus\u00f5es de seguran\u00e7a sem o uso de animais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, com a implementa\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o dos 3Rs, tudo mudou.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEsse conceito foi um marco na adequa\u00e7\u00e3o das pesquisas com animais. A partir dele, muitos avan\u00e7os foram realizados no sentido de reavaliar pr\u00e1ticas de pesquisa e no desenvolvimento de uma nova cultura de respeito aos animais\u201d<\/p>\n<cite>Jos\u00e9 Roberto Goldim<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Eutan\u00e1sia: diretrizes, dilemas e controv\u00e9rsias<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas pesquisas com animais, h\u00e1 debates \u00e9ticos, morais e tamb\u00e9m humanos, pois quem realiza a pr\u00e1tica pode desenvolver a chamada \u201cFadiga por Compaix\u00e3o\u201d, especialmente por conta do procedimento de eutan\u00e1sia ao final do experimento \u2013 o que gera muitas controv\u00e9rsias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a <a href=\"https:\/\/www.avma.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">American Veterinary Medical Association<\/a>, \u00e9 \u201cuma s\u00edndrome de exaust\u00e3o biol\u00f3gica, psicol\u00f3gica e social que pode acometer indiv\u00edduos que desenvolvem um relacionamento como cuidador m\u00e9dico e seu paciente (humano ou animal)\u201d, mas a condi\u00e7\u00e3o atinge mais a comunidade de trabalhadores de animais de laborat\u00f3rio, que inclui desde limpadores de gaiolas at\u00e9 veterin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com uma pesquisa publicada no <a href=\"https:\/\/www.aalas.org\/publications\/jaalas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Journal of the American Association for Laboratory Animal Science<\/a>, e divulgada na revista <a href=\"https:\/\/www.science.org\/content\/podcast\/compassion-fatigue-those-who-care-lab-animals-and-straightening-out-ocean-conveyor\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Science<\/em><\/a>, nove entre 10 profissionais que cuidam de animais em laborat\u00f3rio podem sofrer de Fadiga por Compaix\u00e3o, pois os cuidadores se sentem profundamente ligados a essas criaturas, como coelhos, c\u00e3es, gatos e macacos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, a pr\u00e1tica da eutan\u00e1sia \u2013 ou seja, uma morte mais piedosa, sem sofrimento \u2013 em animais utilizados em pesquisa \u00e9 legal e tem seus procedimentos especificados pelo CONCEA, por meio da <a href=\"http:\/\/ctnbio.mctic.gov.br\/resolucoes-normativas\/-\/asset_publisher\/OgW431Rs9dQ6\/content\/resolucao-normativa-n%C2%BA-37-de-18-de-novembro-de-2022;jsessionid=9ECFD08685C0BE73465395C20A615341.columba#:~:text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20instala%C3%A7%C3%A3o%20e,Qualidade%20em%20Biosseguran%C3%A7a%20(CQB).\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Resolu\u00e7\u00e3o Normativa n.\u00ba 37\/2022<\/a> do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC), normatizada pelo Conselho Federal de Medicina Veterin\u00e1ria (CFMV).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As diretrizes esclarecem uma s\u00e9rie de quest\u00f5es, incluindo os elementos essenciais de um protocolo adequado, como a considera\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas comportamentais de cada esp\u00e9cie e a participa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos veterin\u00e1rios com forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, \u00e9tica e humanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O CONCEA tamb\u00e9m estabelece a necessidade de se definir um \u201cponto final humanit\u00e1rio\u201d nas atividades cient\u00edficas ou educacionais da institui\u00e7\u00e3o, descrito como \u201co momento em que o encerramento \u00e9 antecipado para evitar, aliviar ou eliminar a dor, o desconforto ou o sofrimento do animal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O texto detalha as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a realiza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia, tanto do ponto de vista do animal quanto do executor, al\u00e9m de fornecer uma lista abrangente de m\u00e9todos recomendados de acordo com cada grupo animal. Tamb\u00e9m s\u00e3o apresentados cuidados essenciais para a aplica\u00e7\u00e3o adequada dos procedimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E quanto ao futuro? Os professores Poli, Netto e Goldim s\u00e3o un\u00e2nimes: o cen\u00e1rio aponta para a diminui\u00e7\u00e3o dos experimentos em animais pelo progresso na descoberta de m\u00e9todos alternativos que devem, aos poucos, substituir os testes <em>in vivo.<\/em> Na opini\u00e3o de Poli, a tend\u00eancia \u00e9 utilizar modelos de 3D que mimetizam tecidos vivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cModelos de citotoxicidade podem substituir grande parte dos testes envolvendo animais de laborat\u00f3rio. No entanto, isso s\u00f3 poder\u00e1 acontecer quando os modelos provarem que servem para analisar todas as nuances existentes nos eventos biol\u00f3gicos. Quando isso acontecer, serei o primeiro a comemorar. Apesar de d\u00e9cadas de pesquisas, me parte o cora\u00e7\u00e3o causar sofrimento ou morte de qualquer ser\u201d<\/p>\n<cite>Jos\u00e9 Antonio Poli de Figueiredo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tend\u00eancias, Goldim aponta que o grande desafio atual da bio\u00e9tica e da \u00e9tica na pesquisa e na ci\u00eancia \u00e9 ter um pensamento integrado ao ecossistema como um todo: \u201cN\u00e3o podemos mais pensar em seres humanos isolados do seu ambiente, dos animais, dos vegetais, dos demais elementos que nos cercam. \u00c9 fundamental ter esta perspectiva integradora e compreensiva. As utopias existem como um est\u00edmulo para refletir sobre outras realidades poss\u00edveis de perceber e agir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-accent-background-color has-text-color has-background wp-block-paragraph\" style=\"padding-top:var(--wp--preset--spacing--70);padding-right:var(--wp--preset--spacing--70);padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--70);padding-left:var(--wp--preset--spacing--70)\"><strong>Pr\u00f3s e contras do uso de animais em pesquisas<\/strong><br><br><strong>PR\u00d3S<\/strong><br><strong>Avan\u00e7o cient\u00edfico e m\u00e9dico:<\/strong> contribui para o desenvolvimento de novos tratamentos e medicamentos que beneficiam tanto seres humanos quanto animais <br><strong>Legisla\u00e7\u00e3o rigorosa: <\/strong>A Lei Arouca (Lei 11.794\/2008) estabelece diretrizes claras sobre o uso de animais em pesquisas, exigindo cuidados \u00e9ticos, minimiza\u00e7\u00e3o do sofrimento e a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos alternativos sempre que poss\u00edvel<br><strong>Benef\u00edcios aos animais:<\/strong> Estudos veterin\u00e1rios e pesquisas em animais dom\u00e9sticos podem ajudar a desenvolver tratamentos mais eficazes para a sua qualidade de vida<br><br><strong>CONTRAS<\/strong><br><strong>Quest\u00f5es \u00e9ticas<\/strong>: Preocupa\u00e7\u00f5es relacionadas ao sofrimento e bem-estar dos animais entendem que eles n\u00e3o devem ser explorados para benef\u00edcio humano e entendem a pr\u00e1tica como intrinsecamente imoral<br><strong>Resultados limitados: <\/strong>Alguns cr\u00edticos afirmam que nem sempre os resultados s\u00e3o diretamente transfer\u00edveis para humanos devido a diferen\u00e7as fisiol\u00f3gicas e biol\u00f3gicas, limitando a relev\u00e2ncia desses estudos<br><strong>Alternativas tecnol\u00f3gicas: <\/strong>Pesquisas<em> in vitro<\/em>, uso de modelos em culturas de c\u00e9lulas e tecidos humanos, simula\u00e7\u00f5es computacionais, chips de \u00f3rg\u00e3os s\u00e3o considerados por defensores dos direitos dos animais como m\u00e9todos mais \u00e9ticos<br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bio\u00e9tica | Diante do avan\u00e7o t\u00e9cnico, o aperfei\u00e7oamento de pr\u00e1ticas envolvendo t\u00e9cnicas in vitro e simula\u00e7\u00f5es computacionais tendem a reduzir a necessidade de experimenta\u00e7\u00e3o com seres vivos. 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