{"id":69333,"date":"2023-09-06T07:50:00","date_gmt":"2023-09-06T10:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=69333"},"modified":"2023-09-05T15:50:41","modified_gmt":"2023-09-05T18:50:41","slug":"a-presenca-de-saberes-e-conhecimentos-populares-e-tradicionais-tem-potencial-para-transformar-a-universidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/a-presenca-de-saberes-e-conhecimentos-populares-e-tradicionais-tem-potencial-para-transformar-a-universidade\/","title":{"rendered":"A presen\u00e7a de saberes e conhecimentos populares e tradicionais tem potencial para transformar a universidade"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Diversidade |&nbsp;Iniciativas de cursos e disciplinas promovem a presen\u00e7a de sujeitos de territ\u00f3rios e pertencimentos \u00e9tnico-raciais diversos e tensionam o ambiente acad\u00eamico<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Por Felipe Ewald, Carolina Melo e Carolina Pires<br>*Apoio: Edm\u00ea Gomes<br>*Foto: Mar\u00edlia Stein (Arquivo pessoal)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 transformar a universidade em lugar de m\u00faltiplos conhecimentos e saberes, um lugar de partilha: voc\u00ea n\u00e3o s\u00f3 ensina, mas tamb\u00e9m aprende. A experi\u00eancia do curso aqui tem sido essa. N\u00f3s temos aprendido bastante a cada turma que entra.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem nos aponta essa perspectiva \u00e9 Uwira Domingues, ind\u00edgena Xacriab\u00e1 e professor na Faculdade de Etnodiversidade da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA). Antes de conhecer melhor a sua viv\u00eancia na academia como docente de um curso voltado a povos e comunidades tradicionais, vamos trilhar outras experi\u00eancias no sul, sudeste e centro-oeste do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia \u00e9 discutir e apresentar diferentes formas sobre como saberes e conhecimentos populares e tradicionais circulam pelo ambiente universit\u00e1rio. Resultado do esfor\u00e7o de jornalistas ligados a institui\u00e7\u00f5es federais de ensino superior, esta reportagem \u00e9 uma parceria entre o JU, o <a href=\"https:\/\/beiradorio.ufpa.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jornal Beira do Rio<\/a> (UFPA), o <a href=\"https:\/\/jornal.ufg.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jornal UFG<\/a> e o <a href=\"https:\/\/www2.ufjf.br\/noticias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">UFJF Not\u00edcias<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Saberes que se encontram<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando sujeitos de diferentes territ\u00f3rios e pertencimentos \u00e9tnico-raciais se inserem no ambiente universit\u00e1rio n\u00e3o como objetos de pesquisa, mas ocupando a posi\u00e7\u00e3o de docentes, surgem oportunidades para que a academia se repense e se transforme. Essa aposta est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o de um projeto nomeado Encontro de Saberes. O modelo original dessa proposta foi iniciativa do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia de Inclus\u00e3o no Ensino Superior e na Pesquisa (<a href=\"https:\/\/inctinclusao.com.br\/encontro-de-saberes\/encontro-de-saberes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">INCTI<\/a>), sediado na Universidade de Bras\u00edlia, em 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde ent\u00e3o, tem-se espalhado por diferentes institui\u00e7\u00f5es. Em 2014, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) passou a ofertar em seu curr\u00edculo a disciplina \u201cArtes e of\u00edcios dos saberes tradicionais\u201d, que recebe o apoio da Pr\u00f3-reitoria de Extens\u00e3o. Para o professor do Departamento de Bot\u00e2nica Daniel Pimenta, que integrava a iniciativa em sua concep\u00e7\u00e3o, trata-se de uma \u201cpot\u00eancia pedag\u00f3gica incomensur\u00e1vel\u201d, \u00e0 medida que permite repensar o modelo de sociedade atual ao valorizar a sabedoria dos povos ancestrais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www2.ufjf.br\/noticias\/2023\/08\/15\/saberes-ancestral-e-cientifico-unidos-ufjf-oferta-350-vagas-em-curso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Neste ano<\/a>, a disciplina ser\u00e1 tamb\u00e9m ofertada no c\u00e2mpus avan\u00e7ado de Governador Valadares, da UFJF, a partir do processo de curriculariza\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o. A iniciativa se estruturou por meio da aprova\u00e7\u00e3o em edital da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). O financiamento ser\u00e1 utilizado para garantir a participa\u00e7\u00e3o dos mestres e mestras, bem como a realiza\u00e7\u00e3o de viagens de mapeamento, oficinas e interc\u00e2mbios. Em Governador Valadares est\u00e3o dispon\u00edveis 40 vagas para estudantes de gradua\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na sede s\u00e3o 350 vagas, sendo 250 para graduandos, 50 para p\u00f3s-graduandos e outras 50 para a comunidade externa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No c\u00e2mpus avan\u00e7ado, j\u00e1 existem a\u00e7\u00f5es em parceria com as comunidades do entorno do Vale do Rio Doce, sobretudo por meio do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nago_ufjf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">N\u00facleo de Agroecologia (Nag\u00f4)<\/a>, que contempla o projeto Pluriversidade do Watu, nome que honra a entidade sagrada que representa o Rio Doce para o povo Krenak. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o trabalho de assessoria a organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, quilombolas e camponesas no territ\u00f3rio do m\u00e9dio Rio Doce.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Reinaldo_Duque_GV_credito_Sebastiao_Junior_bx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-70244\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Reinaldo_Duque_GV_credito_Sebastiao_Junior_bx.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Reinaldo_Duque_GV_credito_Sebastiao_Junior_bx-300x205.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Reinaldo_Duque_GV_credito_Sebastiao_Junior_bx-172x117.jpg 172w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Reinaldo_Duque_GV_credito_Sebastiao_Junior_bx-768x524.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Reinaldo_Duque_GV_credito_Sebastiao_Junior_bx-474x324.jpg 474w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Reinaldo_Duque_GV_credito_Sebastiao_Junior_bx-465x317.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Reinaldo_Duque_GV_credito_Sebastiao_Junior_bx-695x474.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reinaldo Duque acredita que a descoloniza\u00e7\u00e3o do pensamento acad\u00eamico s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por meio do di\u00e1logo com os saberes tradicionais e outras formas de conhecimento (Foto: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coordenador dos projetos extensionistas, o professor da UFJF Reinaldo Duque acredita que a descoloniza\u00e7\u00e3o do pensamento acad\u00eamico s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por meio do di\u00e1logo com os saberes tradicionais e com outras formas de conhecimento. Dessa maneira, promover esse espa\u00e7o de educa\u00e7\u00e3o intercultural ajuda a corrigir as distor\u00e7\u00f5es do processo educacional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTemos uma forma\u00e7\u00e3o muito limitada, com v\u00e1rias lacunas de conhecimento e aprendizado sobre hist\u00f3ria e cultura ind\u00edgena, que a gente carrega desde a escola, passando pelo n\u00edvel superior, com profissionais formados sem ter esses conhecimentos, muitas vezes ainda ref\u00e9ns de uma vis\u00e3o distorcida, preconceituosa e pejorativa dos povos tradicionais\u201d<\/p>\n<cite>Reinaldo Duque<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Not\u00f3rio Saber<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na UFRGS, a disciplina <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/encontrodesaberes\/?page_id=389\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Encontro de Saberes<\/a> tem oferta para todos os cursos de gradua\u00e7\u00e3o desde <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/248859\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2016<\/a>. Por ela j\u00e1 passaram cerca de 40 mestras e mestres. Embora seu protagonismo esteja garantido no espa\u00e7o da sala de aula, fora dela o reconhecimento de sua participa\u00e7\u00e3o ainda encontra obst\u00e1culos na estrutura administrativa da Universidade, como quest\u00f5es ligadas a registro, pagamentos e valida\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es desses atores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O coletivo de docentes que construiu e executa a disciplina lembra que a iniciativa foi \u201ccriada com inten\u00e7\u00f5es de convidar a Universidade p\u00fablica, e tamb\u00e9m a sociedade, a efetivamente promover a inclus\u00e3o de subjetividades, epistemes e valores plurais, e com isso repensar suas pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de conhecimento, ampliando seu impacto social\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, prop\u00f4s a inclus\u00e3o do reconhecimento de Not\u00f3rio Saber a mestres de saberes de povos e comunidades tradicionais e populares. A <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/235420\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">resolu\u00e7\u00e3o<\/a> que regula o procedimento foi aprovada no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o no ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, segundo o coletivo, amplia-se a &#8220;\u2019legitimidade\u2019, na perspectiva institucional, da presen\u00e7a de mestres de saberes tradicionais e populares e pertencentes a matrizes n\u00e3o euroc\u00eantricas, na medida em que eles se tornam titulados &#8216;doutores&#8217;, passando a ser reconhecidos em suas especificidades de forma\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o e na mesma situa\u00e7\u00e3o de hierarquia que pessoas de trajet\u00f3rias tamb\u00e9m reconhecidas como doutoras \u2013 formados\/as e\/ou atuantes, por exemplo, nos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Encontro-de-Saberes_Mestre-Geronimo_Credito_Marilia-Stein.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-70236\" style=\"width:1000px\" width=\"1000\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Encontro-de-Saberes_Mestre-Geronimo_Credito_Marilia-Stein.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Encontro-de-Saberes_Mestre-Geronimo_Credito_Marilia-Stein-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Encontro-de-Saberes_Mestre-Geronimo_Credito_Marilia-Stein-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Encontro-de-Saberes_Mestre-Geronimo_Credito_Marilia-Stein-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Encontro-de-Saberes_Mestre-Geronimo_Credito_Marilia-Stein-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Encontro-de-Saberes_Mestre-Geronimo_Credito_Marilia-Stein-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Encontro-de-Saberes_Mestre-Geronimo_Credito_Marilia-Stein-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mestre Ger\u00f4nimo Franco (Ver\u00e1 Tup\u00e3), ind\u00edgena Mbya Guarani, durante a visita da turma da disciplina Encontro de Saberes a sua aldeia em Barra do Ribeiro &#8211; RS (Foto: Mar\u00edlia Stein\/Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, esse reconhecimento assegura aos mestres o fortalecimento de seus direitos enquanto participantes das atividades de ensino, extens\u00e3o e pesquisa ao prever uma equipara\u00e7\u00e3o intelectual e garantir remunera\u00e7\u00e3o de modo rotinizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os docentes apontam que a concess\u00e3o de t\u00edtulos como o Not\u00f3rio Saber remete a uma dimens\u00e3o tanto pol\u00edtica como simb\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPol\u00edtica porque requer rever privil\u00e9gios estruturais e regimes de discurso e pensamento que n\u00e3o d\u00e3o conta do mundo real em sua diversidade e complexidade, e tamb\u00e9m simb\u00f3lica porque pode significar uma efetiva inclus\u00e3o, em que sejam ouvidas e possam atuar na transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de imagin\u00e1rios, valores, percep\u00e7\u00f5es\u201d<\/p>\n<cite>Coletivo de docentes<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A formaliza\u00e7\u00e3o do reconhecimento de Not\u00f3rio Saber de mestres de saberes tradicionais e populares teve o pioneirismo da Universidade Federal de Minas Gerais, que desde 2020 j\u00e1 titulou mais de 20 doutores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os docentes ressaltam que quem tem a oportunidade de conviver com os mestres \u201creconhece a riqueza, relev\u00e2ncia e complexidade de saberes, ci\u00eancias, artes, formas de vida que podem ensinar a uma sociedade que se ergueu \u00e0s custas de seus corpos e conhecimentos, mas que se recusa a reconhecer sua validade e se abrir a um di\u00e1logo que some, aproxime e amplifique mundos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carolina Urz\u00faa Talikis, estudante de Museologia que cursou a Encontro de Saberes no \u00faltimo semestre, relata que a disciplina ao mesmo tempo que confirmou a invisibilidade que h\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a grupos ind\u00edgenas, por exemplo, tamb\u00e9m deu oportunidade de entrar em contato de maneira mais profunda com esses coletivos e suas lutas. \u201cEu sa\u00ed impactada e agradecida pela oportunidade de vivenciar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Licenciatura intercultural<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gilson Ipaxi\u2019awyga Tapirap\u00e9, do povo Apy\u00e3wa (Tapirap\u00e9 &#8211; MT), tornou-se o <a href=\"https:\/\/ufg.br\/n\/165042-empossado-1-docente-efetivo-indigena-da-universidade\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">primeiro professor ind\u00edgena a tomar posse<\/a> na Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG) no dia 13 de fevereiro de 2023. O fato hist\u00f3rico n\u00e3o fora imaginado ou mesmo sonhado por Gilson quando em 2007 ingressou na primeira turma do curso de Educa\u00e7\u00e3o Intercultural da UFG. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nas articula\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7as e professores ind\u00edgenas, a licenciatura em Educa\u00e7\u00e3o Intercultural da UFG come\u00e7ou a dar os seus primeiros passos, de fato, em 2005. Naquele ano, o cacique Raul Hawakati, da Aldeia Buridina, dos Karaj\u00e1, em Aruan\u00e3 (GO); Aruani Karaj\u00e1, tamb\u00e9m de Buridina; a professora Creusa Krah\u00f4, da Aldeia Nova, em Goiatins (TO); e Cassiano Sopero Apinaj\u00e9, da aldeia S\u00e3o Jos\u00e9 (MT), entre outros, procuraram a professora da Faculdade de Letras <a href=\"https:\/\/pos.letras.ufg.br\/n\/141437-docente-do-ppgll-e-mais-uma-vitima-fatal-da-covid-19\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Maria do Socorro Pimentel da Silva<\/a> e apresentaram a demanda de um curso superior para a forma\u00e7\u00e3o de professores ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ent\u00e3o curso de Licenciatura Intercultural, hoje curso de Licenciatura em Educa\u00e7\u00e3o Intercultural, se inspirou no pioneiro N\u00facleo Insikiran de Forma\u00e7\u00e3o Superior Ind\u00edgena, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), criado em 2001, com o qual a professora Maria do Socorro havia colaborado. Entre os parceiros, estavam as Universidades Federais do Maranh\u00e3o (UFMA) e de Tocantins (UFT), a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) e o Centro de Trabalhos Indigenistas (CTI).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante cinco anos, Gilson cursou a gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de Ci\u00eancias da Linguagem, depois participou da primeira edi\u00e7\u00e3o da especializa\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Intercultural e Transdisciplinar: Gest\u00e3o Pedag\u00f3gica, seguiu para o mestrado em Letras e Lingu\u00edstica na Faculdade de Letras da UFG e atualmente cursa o doutorado na mesma unidade. Ap\u00f3s 16 anos de estudos acad\u00eamicos, o professor da UFG n\u00e3o acredita na uni\u00e3o entre os conhecimentos ind\u00edgenas e acad\u00eamicos, e, sim, no seu encontro, na sua coexist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA uni\u00e3o \u00e9 quase imposs\u00edvel, pois s\u00e3o vis\u00f5es e mundos diferentes. Mas \u00e9 poss\u00edvel coexistir, discutir as ci\u00eancias de como a universidade entende determinado fen\u00f4meno e de como os ind\u00edgenas entendem\u201d<\/p>\n<cite>Gilson Ipaxi\u2019awyga Tapirap\u00e9<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o acesso de estudantes ind\u00edgenas \u00e0s universidades, as quais mant\u00eam uma produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica e epist\u00eamica historicamente afastada da realidade dos povos origin\u00e1rios, espera-se uma mudan\u00e7a tamb\u00e9m no ambiente acad\u00eamico e na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico. \u201cSer o primeiro professor ind\u00edgena da UFG\u201d, afirma Gilson, \u201c\u00e9 resultado de uma grande luta coletiva. Entendemos que a partir de ent\u00e3o a universidade cumpre o dever de criar, de fato, a interculturalidade. Esperamos que se garanta o espa\u00e7o para os conhecimentos ind\u00edgenas.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/UFG-IMG_7392-bx-Visita-de-turma-da-Licenciatura-em-Educacao-Intercultural-a-aldeia-do-povo-Boe-Bororo-Foto-Ana-Paula-Purcina-Bauman-1365x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-70243\" style=\"width:1000px\" width=\"1000\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/UFG-IMG_7392-bx-Visita-de-turma-da-Licenciatura-em-Educacao-Intercultural-a-aldeia-do-povo-Boe-Bororo-Foto-Ana-Paula-Purcina-Bauman-1365x1024.jpg 1365w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/UFG-IMG_7392-bx-Visita-de-turma-da-Licenciatura-em-Educacao-Intercultural-a-aldeia-do-povo-Boe-Bororo-Foto-Ana-Paula-Purcina-Bauman-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/UFG-IMG_7392-bx-Visita-de-turma-da-Licenciatura-em-Educacao-Intercultural-a-aldeia-do-povo-Boe-Bororo-Foto-Ana-Paula-Purcina-Bauman-156x117.jpg 156w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/UFG-IMG_7392-bx-Visita-de-turma-da-Licenciatura-em-Educacao-Intercultural-a-aldeia-do-povo-Boe-Bororo-Foto-Ana-Paula-Purcina-Bauman-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/UFG-IMG_7392-bx-Visita-de-turma-da-Licenciatura-em-Educacao-Intercultural-a-aldeia-do-povo-Boe-Bororo-Foto-Ana-Paula-Purcina-Bauman-465x349.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/UFG-IMG_7392-bx-Visita-de-turma-da-Licenciatura-em-Educacao-Intercultural-a-aldeia-do-povo-Boe-Bororo-Foto-Ana-Paula-Purcina-Bauman-667x500.jpg 667w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/UFG-IMG_7392-bx-Visita-de-turma-da-Licenciatura-em-Educacao-Intercultural-a-aldeia-do-povo-Boe-Bororo-Foto-Ana-Paula-Purcina-Bauman.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1365px) 100vw, 1365px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Visita de turma da Licenciatura em Educa\u00e7\u00e3o Intercultural \u00e0 aldeia do povo Boe Bororo (Foto: Ana Paula Purcina Baumann\/Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O curso de Licenciatura em Educa\u00e7\u00e3o Intercultural da UFG tem dura\u00e7\u00e3o de cinco anos e \u00e9 dividido em tr\u00eas matrizes espec\u00edficas: Ci\u00eancias da Cultura, Ci\u00eancias da Linguagem e Ci\u00eancias da Natureza. Nos dois primeiros anos, o acad\u00eamico estuda a matriz b\u00e1sica para s\u00f3 depois fazer a escolha de a qual matriz espec\u00edfica ir\u00e1 se dedicar nos tr\u00eas anos seguintes. A estrutura do curso n\u00e3o conta com disciplinas, mas se organiza por temas contextuais. \u201cAs disciplinas s\u00e3o essa caixinha formatada, fechada. Os temas contextuais permitem a abordagem de um conhecimento ampliado, alargado, sem fronteira, compartilhado entre saberes e culturas. Possibilita uma abordagem mais dial\u00f3gica na sala de aula. Nessa perspectiva tudo \u00e9 assunto da aula. Se aquela tem\u00e1tica surgiu no debate, \u00e9 porque ela faz parte do conte\u00fado da aula\u201d, afirma a professora do Curso de Educa\u00e7\u00e3o Intercultural M\u00f4nica Veloso Borges.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo do ano, os acad\u00eamicos ind\u00edgenas e os docentes da UFG se dividem entre a universidade e a aldeia. O curso \u00e9 estruturado em quatro etapas anuais: duas na Universidade, normalmente de janeiro a fevereiro, e de julho a agosto; e duas nas aldeias, nos meses de abril ou maio, e outra em setembro ou outubro. Contando com a presen\u00e7a de 30 povos ind\u00edgenas em seu quadro de acad\u00eamicos, o curso se organiza por meio de Comit\u00eas, que re\u00fanem os docentes de acordo com a sua afinidade e conhecimento adquirido a respeito dos povos.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Renovar as defini\u00e7\u00f5es de etnodesenvolvimento<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa mesma l\u00f3gica de tempo-aldeia e tempo-universidade tem o curso de <a href=\"https:\/\/facetnoaltamira.ufpa.br\/index.php\/hist-etno\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Etnodesenvolvimento<\/a>, da UFPA, no qual Uwira Domingues \u00e9 professor. Pertencente \u00e0 etnia <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Xakriab%C3%A1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Xacriab\u00e1<\/a>, grupo do tronco lingu\u00edstico J\u00ea que vive entre Minas e a Bahia, mora h\u00e1 quase 30 anos com os <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Asurini_do_Xingu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Asurini do Xingu<\/a>, que \u00e9 um povo tupi. Atuava voluntariamente na aldeia como t\u00e9cnico em enfermagem e professor quando, em 2003, fez vestibular para um curso intervalar (com aulas condensadas) de Pedagogia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao final da gradua\u00e7\u00e3o, ele e alguns parentes (termo utilizado para se referir a outros sujeitos ind\u00edgenas, mesmo que sejam de outras etnias e n\u00e3o haja la\u00e7o consangu\u00edneo direto) fizeram uma proposta para a cria\u00e7\u00e3o de um curso espec\u00edfico para a forma\u00e7\u00e3o de povos ind\u00edgenas na UFPA. Nos tr\u00e2mites dentro da universidade, estabeleceu-se que o curso s\u00f3 seria aprovado se abarcasse outros grupos de pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu era representante aqui da regi\u00e3o e era contr\u00e1rio a estudar com esse povo com quem muitas vezes a gente tava em lit\u00edgio por conta da terra. Os parentes me convenceram do contr\u00e1rio. Disseram que a gente tinha muitas coisas em comum, \u00e0s quais a gente devia se prender \u2013 a principal delas era a forma como a gente se relacionava com a terra. No entendimento dos parentes, esses povos eram nossos irm\u00e3os de terra\u201d<\/p>\n<cite>Uwira Domingues<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O docente revela que a iniciativa utiliza a no\u00e7\u00e3o de grupos de pertencimento. \u201cO que os une \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com a terra, o entendimento da terra como m\u00e3e ou como sujeito de direito, como uma pessoa com a qual n\u00f3s partilhamos vida\u201d, reflete.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/IMG_1962-FOTO-ALEXANDRDRE-DE-MORAES.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-70274\" style=\"width:1000px;height:667px\" width=\"1000\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/IMG_1962-FOTO-ALEXANDRDRE-DE-MORAES.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/IMG_1962-FOTO-ALEXANDRDRE-DE-MORAES-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/IMG_1962-FOTO-ALEXANDRDRE-DE-MORAES-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/IMG_1962-FOTO-ALEXANDRDRE-DE-MORAES-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/IMG_1962-FOTO-ALEXANDRDRE-DE-MORAES-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/IMG_1962-FOTO-ALEXANDRDRE-DE-MORAES-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/IMG_1962-FOTO-ALEXANDRDRE-DE-MORAES-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pertencente \u00e0 etnia Xacriab\u00e1, Uwira Domingues \u00e9 professor do curso de Etnodesenvolvimento, sediado na Faculdade de Etnodiversidade, no c\u00e2mpus Altamira da UFPA (Foto: Alexandre de Moraes\/Arquivo Ascom UFPA)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses grupos de pertencimento comp\u00f5em um perfil bastante variado: ind\u00edgenas, de diferentes territ\u00f3rios e etnias, quilombolas, ribeirinhos, pescadores tradicionais, assentados, camponeses e sujeitos provenientes de reservas extrativistas. Esses estudantes acessam o curso por meio de processo seletivo espec\u00edfico a cada dois anos. Neste ano, foram ofertadas duas turmas, uma no c\u00e2mpus de Altamira e outra flexibilizada, ou seja, fora da sede, no munic\u00edpio de S\u00e3o Caetano de Odivelas, na regi\u00e3o nordeste do Par\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diretor da <a href=\"https:\/\/facetnoaltamira.ufpa.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Faculdade de Etnodiversidade<\/a>, que abriga o curso, Marcos Formigosa observa que s\u00e3o sujeitos diferentes, com outra perspectiva de mundo, que est\u00e3o ocupando a universidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA forma como esses sujeitos lidam com o mundo, a rela\u00e7\u00e3o que eles t\u00eam com a rua, que \u00e9 como eles denominam aqui, a cidade, \u00e9 muito diferente. A l\u00f3gica de funcionamento do seu tempo \u00e9 diferente da l\u00f3gica de funcionamento que a universidade exige. Ent\u00e3o eles se adaptam, por vezes, mas tamb\u00e9m a gente tem tensionado a institui\u00e7\u00e3o para fazer adequa\u00e7\u00f5es para que esses alunos tenham garantida a perman\u00eancia para conclus\u00e3o com \u00eaxito desse curso\u201d<\/p>\n<cite>Marcos Formigosa<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns ajustes dizem respeito ao calend\u00e1rio dos editais para acessar benef\u00edcios, que costumam ocorrer fora do per\u00edodo em que os estudantes est\u00e3o no c\u00e2mpus, explica Marcos, que \u00e9 ribeirinho da Ilha do Maraj\u00f3 e, desde 2016, \u00e9 professor do curso de Educa\u00e7\u00e3o no Campo, tamb\u00e9m ligado \u00e0 faculdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele destaca que, ainda que o curso de Etnodesenvolvimento seja uma licenciatura e forme majoritariamente professores, os egressos atuam em diversas frentes: na qualifica\u00e7\u00e3o de suas associa\u00e7\u00f5es e comunidades, na constru\u00e7\u00e3o de projetos de etnodesenvolvimento \u2013 numa perspectiva de etnoeducadores, \u201cque t\u00eam a possibilidade de pensar numa l\u00f3gica de ensinar e aprender diferente do modelo cartesiano que a gente encontra na escola b\u00e1sica, mas uma l\u00f3gica de ensinar em que a cultura, os modos de vida desses sujeitos sejam inseridos no contexto da sala de aula\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uwira relata que h\u00e1 entre os egressos mestres, doutores, vereadores, secret\u00e1rios municipais de educa\u00e7\u00e3o e de sa\u00fade. \u201cIsso mostra que o curso tem conseguido alcan\u00e7ar aquilo a que ele se propunha desde o in\u00edcio, que era ser uma ferramenta de emancipa\u00e7\u00e3o social desses coletivos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a ideia de etnodesenvolvimento, o docente ressalta que n\u00e3o se trata de um conceito can\u00f4nico. \u201cEle vai sendo desconstru\u00eddo e reconstru\u00eddo a cada turma nova que entra, de acordo com as caracter\u00edsticas dessa turma, porque todo o processo precisa ser refeito\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA universidade\u201d, defende Uwira, \u201cprecisa se aparelhar melhor para dialogar com esses etnoconhecimentos, porque infelizmente n\u00f3s ainda vivemos um processo colonizat\u00f3rio. O nativo da terra brasileira assumiu um papel de colonizador do seu pr\u00f3prio povo. Mas \u00e0 medida que a universidade consiga estar com o ouvido preparado para n\u00e3o s\u00f3 ouvir mas escutar, ela tem muito a aprender com isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-background-color has-background wp-block-paragraph\"><strong>Felipe Ewald<\/strong> \u00e9 jornalista da UFRGS.<br><strong>Carolina Melo<\/strong> \u00e9 jornalista da UFG.<br><strong>Carolina Pires<\/strong> \u00e9 jornalista da UFJF.<br><strong>Edm\u00ea Gomes<\/strong> \u00e9 jornalista da UFPA.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diversidade |\u00a0Iniciativas de cursos e disciplinas promovem a presen\u00e7a de sujeitos de territ\u00f3rios e pertencimentos \u00e9tnico-raciais diversos e tensionam o ambiente acad\u00eamico<span class=\"more-link\"><a 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