{"id":74875,"date":"2024-07-11T07:50:00","date_gmt":"2024-07-11T10:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=74875"},"modified":"2024-07-11T08:59:55","modified_gmt":"2024-07-11T11:59:55","slug":"corredores-ecologicos-entre-areas-preservadas-sao-essenciais-para-a-manutencao-da-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/corredores-ecologicos-entre-areas-preservadas-sao-essenciais-para-a-manutencao-da-biodiversidade\/","title":{"rendered":"Corredores ecol\u00f3gicos entre \u00e1reas preservadas s\u00e3o essenciais para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Meio Ambiente | O isolamento das \u00faltimas \u00e1reas com remanescentes vegetais conservados dificulta a troca gen\u00e9tica necess\u00e1ria para manter vigorosa a presen\u00e7a da fauna e da flora. A alternativa \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de pequenas passagens que garantam a interconex\u00e3o entre esses espa\u00e7os<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Foto: Ponte instalada em via do bairro Lami para que os bugios possam passar em locais em que n\u00e3o h\u00e1 \u00e1rvores sem precisarem descer e correr riscos (Marcelo Pires\/JU)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea j\u00e1 se viu parado de um lado de uma avenida movimentada, precisando passar para o outro sentido, sem nenhuma faixa de pedestres ou passarela para atravessar? Diversas esp\u00e9cies da fauna e da flora passam por uma situa\u00e7\u00e3o um pouco semelhante. Com o passar dos s\u00e9culos e a influ\u00eancia da a\u00e7\u00e3o humana, diversas \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o natural foram reduzidas a espa\u00e7os menores e isolados. As esp\u00e9cies que permanecem nessas \u00e1reas existentes enfrentam a dificuldade de chegar em outro espa\u00e7o. O efeito \u00e9 a perda da troca gen\u00e9tica. Os animais passam a cruzar com seus &#8220;parentes&#8221;, podendo resultar em doen\u00e7as e pouca diversidade. As sementes que seriam carregadas permanecem no mesmo espa\u00e7o. As esp\u00e9cies daquele ambiente se reduzem e, consequentemente, a ocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea diminui. Uma das possibilidades para evitar essa perda s\u00e3o os corredores ecol\u00f3gicos: espa\u00e7os por onde a fauna e a flora podem atravessar de uma \u00e1rea para a outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor de Ecologia da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul e ex-pesquisador da Se\u00e7\u00e3o de Conserva\u00e7\u00e3o e Manejo do Museu de Ci\u00eancias Naturais da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica do Rio Grande do Sul, Marcelo Maisonette, explica que, &#8220;para cada animal, o corredor pode ter um sentido&#8221;. Isso significa que para um le\u00e3o-baio se sentir confort\u00e1vel em passar \u00e9 necess\u00e1ria uma \u00e1rea mais ampla, enquanto um roedor pode utilizar uma cerca com vegeta\u00e7\u00e3o alta como corredor. Ele refor\u00e7a que &#8220;ningu\u00e9m pode ficar isolado, nem mesmo uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ONG Instituto Curicaca trabalha com corredores ecol\u00f3gicos desde 1999. Atualmente, no Rio Grande do Sul, atuam como coimplementadores nos corredores de Itapeva \u2013 em Torres \u2013, do Cervo \u2013 abrangendo a \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Ambiental e Ref\u00fagio da Vida Silvestre Banhado dos Pachecos \u2013, do Yucum\u00e3 \u2013 envolvendo o Parque Estadual do Turvo, o Parque Prov\u00edncia Mocon\u00e1 na Argentina, e mais cinco territ\u00f3rios ind\u00edgenas que chegam at\u00e9 parte de Santa Catarina \u2013 e do Trinacional. Cada corredor foi pensado e constru\u00eddo de acordo com as necessidades do local. No Parque de Itapeva foram constru\u00eddos microcorredores com cerca de 300 metros de largura. De acordo com o Coordenador T\u00e9cnico da ONG, Alexandre Krob, \u00e9 mais f\u00e1cil monitorar e manter esses corredores do que grandes espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os corredores ecol\u00f3gicos podem assumir formas diferentes. Em casos em que o objetivo \u00e9 criar um caminho entre duas ou mais unidades de conserva\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso mapear trajetos e negociar com poss\u00edveis propriet\u00e1rios de terra para que esses espa\u00e7os fa\u00e7am parte do corredor. Quando h\u00e1 uma estrada &#8220;cortando&#8221; duas faixas de vegeta\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel construir estruturas por cima ou por baixo da rodovia que permitam que os animais trafeguem de um lado para outro. Em casos de maior isolamento das regi\u00f5es preservadas, onde \u00e9 quase invi\u00e1vel criar caminhos para outras unidades, \u00e9 poss\u00edvel implantar corredores internos para manter a conectividade dentro da pr\u00f3pria unidade de conserva\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso de Itapeva. Trechos de \u00e1gua, como rios, tamb\u00e9m podem ser corredores, seja na vegeta\u00e7\u00e3o das margens ou na travessia pela \u00e1gua. Em todos os casos, a proposta \u00e9 criar formas de travessia, em sua maioria contendo vegeta\u00e7\u00e3o nativa do local para que os animais possam transitar, ocasionando a troca gen\u00e9tica da fauna \u2013 e da flora, pelo carregamento de sementes.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6ae695d2172b7&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6ae695d2172b7\" class=\"aligncenter size-large is-resized wp-lightbox-container\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"827\" height=\"1024\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on--pointerdown=\"actions.preloadImage\" data-wp-on--pointerenter=\"actions.preloadImageWithDelay\" data-wp-on--pointerleave=\"actions.cancelPreload\" data-wp-on-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/livro_microcorredores-27_pages-to-jpg-0001-827x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-79529\" style=\"width:342px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/livro_microcorredores-27_pages-to-jpg-0001-827x1024.jpg 827w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/livro_microcorredores-27_pages-to-jpg-0001-242x300.jpg 242w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/livro_microcorredores-27_pages-to-jpg-0001-95x117.jpg 95w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/livro_microcorredores-27_pages-to-jpg-0001-768x951.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/livro_microcorredores-27_pages-to-jpg-0001-1241x1536.jpg 1241w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/livro_microcorredores-27_pages-to-jpg-0001-1655x2048.jpg 1655w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/livro_microcorredores-27_pages-to-jpg-0001-444x550.jpg 444w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/livro_microcorredores-27_pages-to-jpg-0001-404x500.jpg 404w\" sizes=\"(max-width: 827px) 100vw, 827px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\tdata-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Microcorredores de Itapeva<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alexandre explica que, em longo prazo, a expectativa \u00e9 de que os corredores alterem as paisagens para melhor, ou que ao menos impe\u00e7am a redu\u00e7\u00e3o das \u00e1reas preservadas existentes. Observa, entretanto, mudan\u00e7as relacionadas \u00e0 maneira de uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo e at\u00e9 mesmo de pol\u00edticas p\u00fablicas. Ele exemplifica com a implanta\u00e7\u00e3o de estruturas para controle de atropelamento na Rota do Sol, onde ela atravessa um dos corredores de Itapeva. Nessa regi\u00e3o tamb\u00e9m h\u00e1 o incentivo de uma economia sustent\u00e1vel e a preserva\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do uso dos <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/mais-que-um-dito-popular-iniciativas-buscam-resgatar-o-papel-do-butia-fruta-nativa-do-rs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">butiazais, para que seja feito artesanato<\/a>, promovendo a valoriza\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. J\u00e1 nos corredores de Yucum\u00e3, na regi\u00e3o norte do estado, h\u00e1 \u00e1reas sendo restauradas para aumentar a conectividade dos corredores e a articula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas ambientais contra a ca\u00e7a de esp\u00e9cies como o cervo-do-pantanal, a on\u00e7a-pintada e a anta. Embora o Corredor Ecol\u00f3gico do Yucum\u00e3 tenha um nome no singular, o plano apresenta mais de um caminho para ligar as unidades alvo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6ae695d217e18&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6ae695d217e18\" class=\"aligncenter size-large is-resized wp-lightbox-container\"><img decoding=\"async\" width=\"1448\" height=\"1024\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on--pointerdown=\"actions.preloadImage\" data-wp-on--pointerenter=\"actions.preloadImageWithDelay\" data-wp-on--pointerleave=\"actions.cancelPreload\" data-wp-on-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Corredor-do-Yucuma-8_page-0001-1448x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-79571\" style=\"width:622px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Corredor-do-Yucuma-8_page-0001-1448x1024.jpg 1448w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Corredor-do-Yucuma-8_page-0001-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Corredor-do-Yucuma-8_page-0001-165x117.jpg 165w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Corredor-do-Yucuma-8_page-0001-768x543.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Corredor-do-Yucuma-8_page-0001-1536x1086.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Corredor-do-Yucuma-8_page-0001-2048x1448.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Corredor-do-Yucuma-8_page-0001-465x329.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Corredor-do-Yucuma-8_page-0001-695x492.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1448px) 100vw, 1448px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\tdata-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mapa do Corredor do Yucum\u00e3<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O coordenador explica que os corredores est\u00e3o sempre em implanta\u00e7\u00e3o, pois se trata de um processo longo. Ele tamb\u00e9m afirma que os resultados que a ONG tem observado mostram que os corredores s\u00e3o uma boa forma de apoio \u00e0 gest\u00e3o de territ\u00f3rios e \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da natureza &#8220;em uma estrat\u00e9gia n\u00e3o fincada na proibi\u00e7\u00e3o, mas em oportunidades e proatividade&#8221;, j\u00e1 que as estrat\u00e9gias para preserva\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os podem envolver a valoriza\u00e7\u00e3o do que \u00e9 produzido no local, o trabalho com a comunidade e a preserva\u00e7\u00e3o da paisagem natural, que podem atrair o turismo.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Os macacos bugios ruivos de Porto Alegre e as pontes de travessia<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Porto Alegre, grupos da UFRGS trabalham para a seguran\u00e7a e preserva\u00e7\u00e3o dos bugios ruivos. A estudante de Biologia Camila Flores \u00e9 moradora da Zona Sul de Porto Alegre e costumava observar os bugios na regi\u00e3o. Atualmente \u00e9 bolsista de um projeto que envolve os grupos <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/marina-fulber-e-o-viveiro-bruno-irgang\/\">Viveiros Comunit\u00e1rios<\/a>, coordenado pelo professor Paulo Brack, e <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/o-sumico-dos-macacos-no-campus-do-vale-tem-um-motivo\/\">Macacos Urbanos<\/a>, sob orienta\u00e7\u00e3o de M\u00e1rcia Jardim, servidora da Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Em seu per\u00edodo na bolsa, a estudante p\u00f4de participar da soltura de uma bugio: &#8220;Foi aqui no meu bairro, ent\u00e3o tamb\u00e9m teve essa integra\u00e7\u00e3o. Pra mim foi bem simb\u00f3lico&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Corredor-bugios-Lami_bolsista-Camila-Flores_Marcelo-Pires_JU_IMG_8478.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-89861\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Corredor-bugios-Lami_bolsista-Camila-Flores_Marcelo-Pires_JU_IMG_8478.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Corredor-bugios-Lami_bolsista-Camila-Flores_Marcelo-Pires_JU_IMG_8478-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Corredor-bugios-Lami_bolsista-Camila-Flores_Marcelo-Pires_JU_IMG_8478-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Corredor-bugios-Lami_bolsista-Camila-Flores_Marcelo-Pires_JU_IMG_8478-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Corredor-bugios-Lami_bolsista-Camila-Flores_Marcelo-Pires_JU_IMG_8478-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Corredor-bugios-Lami_bolsista-Camila-Flores_Marcelo-Pires_JU_IMG_8478-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Corredor-bugios-Lami_bolsista-Camila-Flores_Marcelo-Pires_JU_IMG_8478-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Corredor-bugios-Lami_bolsista-Camila-Flores_Marcelo-Pires_JU_IMG_8478-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A estudante de Biologia Camila Flores \u00e9 moradora da Zona Sul de Porto Alegre e bolsista do projeto Macacos Urbanos (Marcelo Pires\/JU)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo Macacos Urbanos realiza a constru\u00e7\u00e3o de &#8220;pontes de travessia de fauna&#8221; para que os bugios possam passar em locais em que n\u00e3o h\u00e1 \u00e1rvores sem precisarem descer e correr riscos \u2013 evitando tamb\u00e9m que sejam eletrocutados ao utilizarem a fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica para cruzar a rua. Paulo Brack exemplifica que, em geral, as reformas nas estradas ocasionam a poda de \u00e1rvores que possibilitariam a travessia da esp\u00e9cie para vegeta\u00e7\u00f5es do outro lado da via. O grupo mapeou os locais de passagem dos bugios, construiu e mant\u00e9m as pontes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de cren\u00e7a que circula entre a popula\u00e7\u00e3o de que os bugios ruivos seriam transmissores da febre amarela, os pesquisadores esclarecem que eles s\u00e3o, na verdade, indicadores de que a doen\u00e7a est\u00e1 se espalhando, pois costumam estar entre os primeiros afetados. O grupo realiza atividades de conscientiza\u00e7\u00e3o a respeito do assunto, a fim de evitar que as pessoas matem os macacos para &#8220;erradicar&#8221; a doen\u00e7a. Camila percebe que parte da popula\u00e7\u00e3o da Zona Sul est\u00e1 ciente sobre os animais e convive de forma pac\u00edfica. Ela explica que o bugio constitui uma esp\u00e9cie guarda-chuva. &#8220;Ent\u00e3o se a gente conseguir fazer com que as pessoas entendam a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o dele, a gente j\u00e1 t\u00e1, consequentemente, preservando tamb\u00e9m outras esp\u00e9cies.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"89872\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_8498.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-89872\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_8498.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_8498-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_8498-175x117.jpg 175w, 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Pires\/JU)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Paulo Brack, na beira do Gua\u00edba, no extremo sul de Porto Alegre, h\u00e1 uma vegeta\u00e7\u00e3o com restingas, natural da Mata Atl\u00e2ntica, que serve como corredor entre o bairro Lami (com \u00eanfase na Reserva Biol\u00f3gica do Lami), o Morro do Coco (limite norte de Viam\u00e3o) e o Parque Estadual de Itapu\u00e3. Junto desta vegeta\u00e7\u00e3o h\u00e1 outras esp\u00e9cies de fauna e flora amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como a <em>Ephedra tweediana<\/em>, as \u00e1rvores gr\u00e1pia (<em>Apuleia leiocarpa<\/em>), uma esp\u00e9cie de tuco-tuco (<em>Ctenomys lami<\/em>) e os macacos bugios-ruivo. As restingas e dunas da regi\u00e3o s\u00e3o protegidas pela Lei da Mata Atl\u00e2ntica e como \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente pela Lei Org\u00e2nica de Porto Alegre, j\u00e1 que abrigam esp\u00e9cies amea\u00e7adas. N\u00e3o h\u00e1, entretanto, o reconhecimento ou tratamento desse espa\u00e7o como corredor ecol\u00f3gico.<mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-light-green-cyan-color\"> <\/mark><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo Viveiros Comunit\u00e1rios realiza a cria\u00e7\u00e3o de mudas de diversas esp\u00e9cies e fomenta atividades de educa\u00e7\u00e3o ambiental. Entre estas est\u00e1 o ensino de como fazer mudas de plantas da regi\u00e3o, com o objetivo de que a popula\u00e7\u00e3o entenda a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e de aumentar a vegeta\u00e7\u00e3o, permitindo que esses corredores n\u00e3o reconhecidos sigam existindo \u2013 e que outros se criem com o aumento de vegeta\u00e7\u00e3o para a circula\u00e7\u00e3o de animais.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Possibilidades para os corredores<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O doutor em Geografia Jean Caneppele analisou em seu TCC, ainda na gradua\u00e7\u00e3o, o surgimento de corredores ecol\u00f3gicos em espa\u00e7os agr\u00edcolas de Esperan\u00e7a do Sul. Antes de se mudar para fazer faculdade, ele trabalhou em propriedades agr\u00edcolas da regi\u00e3o. Anos depois, percebeu que diversas propriedades em que havia trabalhado estavam ociosas, sem nenhum cultivo. Foi quando avistou uma fam\u00edlia de quatis: &#8220;Morei quase 20 anos l\u00e1 e nunca tinha visto quatis&#8221;. Sua percep\u00e7\u00e3o foi de que as regi\u00f5es que n\u00e3o estavam mais sendo cultivadas estavam formando corredores ecol\u00f3gicos. A fauna e a flora daqueles espa\u00e7os estavam voltando naturalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o envelhecimento e aposentaria dos propriet\u00e1rios, o \u00eaxodo da popula\u00e7\u00e3o jovem e consequente perda da m\u00e3o de obra e dificuldade de automa\u00e7\u00e3o pela localiza\u00e7\u00e3o das terras, deixou-se de produzir nessas \u00e1reas. Jean analisou onde estariam os corredores e prop\u00f4s a realiza\u00e7\u00e3o de Pagamento de Servi\u00e7os Ambientais (PSA). Os <a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28158-o-que-sao-servicos-ambientais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Servi\u00e7os Ambientais<\/a> s\u00e3o os &#8220;servi\u00e7os&#8221; que os ecossistemas oferecem e que os humanos aproveitam, como, por exemplo, a purifica\u00e7\u00e3o do ar feito por plantas ou a fertiliza\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o de sementes feitas por animais. Na proposta que elaborou, os propriet\u00e1rios receberiam um valor de algum \u00f3rg\u00e3o governamental para manter as \u00e1reas que estavam se reestabelecendo, aumentando a biodiversidade, e, portanto, prestando um servi\u00e7o ambiental. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse tipo de pagamento, de acordo com Jean, \u00e9 mais comum para preserva\u00e7\u00e3o de nascentes de \u00e1gua. Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do TCC, foi promulgada a <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/721368-sancionada-lei-de-pagamento-por-servicos-ambientais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pol\u00edtica nacional de pagamentos por servi\u00e7os ambientais<\/a>. No caso dos corredores ecol\u00f3gicos h\u00e1 uma dificuldade em quantificar o valor da biodiversidade. A proposta n\u00e3o foi adiante, pois Jean trocou o foco de pesquisa na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Ele, todavia, entende que essa \u00e9 uma possibilidade para a manuten\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia dos corredores. Em sua percep\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito dif\u00edcil modificar a vis\u00e3o das pessoas sem um incentivo financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Raquel Pretto, coordenadora da Equipe Executiva Transit\u00f3ria do Corredor Ecol\u00f3gico da Quarta Col\u00f4nia, na regi\u00e3o central do estado, explica que na \u00e1rea tamb\u00e9m h\u00e1 espa\u00e7os agr\u00edcolas sendo abandonados que colaboram para a conectividade, mas j\u00e1 existiam propriedades com grandes \u00e1reas florestadas preservadas em que n\u00e3o h\u00e1 uso \u00fatil do solo. Para essas propriedades, o PSA \u00e9 uma alternativa que vem sendo debatida. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) desenvolveu um <a href=\"https:\/\/sema.rs.gov.br\/banco-area-rfo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Banco de \u00c1reas<\/a> que podem se beneficiar com o pagamento \u2013 recebem a nomenclatura de &#8216;\u00e1reas de servid\u00e3o ambiental&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo \u00e9 que empresas que precisem cumprir a <a href=\"https:\/\/www.sema.rs.gov.br\/reposicao-florestal-obrigatoria\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Reposi\u00e7\u00e3o Florestal Obrigat\u00f3ria<\/a> \u2013 medidas que devem ser tomadas quando h\u00e1 dano na vegeta\u00e7\u00e3o nativa \u2013 selecionem um local do Banco de \u00c1reas para realizar o Pagamento por Servi\u00e7o Ambiental. Ou seja, uma empresa realiza o pagamento ao propriet\u00e1rio de terra para que o espa\u00e7o mapeado siga preservado. De acordo com Raquel, ainda n\u00e3o h\u00e1 nenhuma \u00e1rea recebendo pagamento, pois o mapeamento realizado pela Sema foi recente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra novidade \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.proclima2050.rs.gov.br\/pagamento-por-servicos-ambientais\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Estadual de Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais<\/a>, que deve lan\u00e7ar editais focados para o PSA atrav\u00e9s de outros procedimentos que ainda devem ser definidos. Raquel salienta que a maior dificuldade \u00e9 garantir a continuidade dos pagamentos em longo prazo, j\u00e1 que os editais costumam ter um tempo limitado, mas as propostas seguem em debate e em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meio Ambiente | O isolamento das \u00faltimas \u00e1reas com remanescentes vegetais conservados dificulta a troca gen\u00e9tica necess\u00e1ria para manter vigorosa a presen\u00e7a da fauna e da flora. 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