{"id":7852,"date":"2020-05-14T09:03:00","date_gmt":"2020-05-14T12:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=7852"},"modified":"2020-05-13T12:07:26","modified_gmt":"2020-05-13T15:07:26","slug":"uma-geografia-da-pandemia-do-coronavirus-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/uma-geografia-da-pandemia-do-coronavirus-no-rs\/","title":{"rendered":"Uma geografia da pandemia do coronav\u00edrus no RS"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto de capa: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fen\u00f4meno global multifacetado, a pandemia do covid-19 afeta a humanidade em variadas dimens\u00f5es da vida contempor\u00e2nea: desde a sa\u00fade e a economia at\u00e9 quest\u00f5es sociais, pol\u00edticas, culturais, psicol\u00f3gicas e, tamb\u00e9m, ambientais, territoriais e socioespaciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De imensa amplitude espa\u00e7o-temporal, \u00e9 um fen\u00f4meno que deve ser abordado de modo multi e transdisciplinar. A urg\u00eancia de respostas al\u00e7ou as ci\u00eancias m\u00e9dicas, os matem\u00e1ticos e estat\u00edsticos e os economistas (diante do [falso] dilema de \u201cpreservar vidas ou a economia\u201d) a uma posi\u00e7\u00e3o privilegiada entre os \u201ccientistas\u201d. Estes n\u00e3o possuem, no entanto, todas as respostas, como a cada dia torna-se evidente nos informes de evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a em diferentes realidades. H\u00e1 um refor\u00e7o da necessidade de entender as sociologias e as geografias do coronav\u00edrus. A Geografia da Sa\u00fade, por exemplo, utiliza-se de metodologias quanti e qualitativas para o estudo da difus\u00e3o e transmiss\u00e3o de doen\u00e7as, suas causas socioambientais e de condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o, aproximando-se da medicina social e da epidemiologia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A pandemia se manifesta em diferentes escalas, constituindo-se como fen\u00f4meno multi e transescalar, abrangendo desde o global at\u00e9 as \u201cmicrogeografias\u201d das complexas inter-rela\u00e7\u00f5es pessoais e familiares que se estabelecem no espa\u00e7o do confinamento e do isolamento.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Junte-se a escala \u201cvirtual\u201d das redes sociais, na qual os recantos da intimidade, pressionados pelo <em>home<\/em> <em>office<\/em> e pela necessidade de contatos e afetos, abrem-se \u00e0 visibilidade consentida nas telas de telefones celulares e computadores pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Globalmente, a pandemia expandiu-se pelas redes que envolvem as cadeias globais de produ\u00e7\u00e3o e do turismo internacional, as quais permitiram a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, pois vivemos em um mundo cada vez mais urbano e unificado nos modos de vida, especialmente de consumo, processo no qual a China, como \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d, \u00e9 uma engrenagem central da nova geografia econ\u00f4mica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O combate ao v\u00edrus tem envolvido principalmente governos nacionais, que concentram recursos humanos e financeiros para implementar as pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o, conten\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o dos efeitos da doen\u00e7a entre a popula\u00e7\u00e3o. Em pa\u00edses como o nosso, o poder central confronta-se pol\u00edtica e ideologicamente com diferentes poderes e esferas (escalas) governamentais, estaduais e municipais, as quais tamb\u00e9m s\u00e3o cobradas por resultados por serem \u201cconhecedoras da realidade\u201d e estarem \u201cpr\u00f3ximas aos cidad\u00e3os\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, os impactos sociais do v\u00edrus refletem as \u201cvulnerabilidades preexistentes no modelo econ\u00f4mico hegem\u00f4nico\u201d, em nosso caso, o ultraliberal.&nbsp;Nesse sentido, a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, da sa\u00fade p\u00fablica, o \u201cteto de gastos\u201d e o desmonte de pol\u00edticas e redes p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o promovidos pelo neoliberalismo constituem fardos a mais sobre os mais pobres na luta contra a letalidade do v\u00edrus, assim como as redes urbanas e a fragilidade socioespacial de nossas periferias tornam-se um \u201cmeio de cultura\u201d favor\u00e1vel \u00e0 sua transmiss\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rede urbana e seus fluxos, que integram desde as \u201ccidades globais\u201d at\u00e9 os rinc\u00f5es do planeta, t\u00eam sido o vetor da dissemina\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus, pois, como escreveu Milton Santos, agora \u201c<em>todos os lugares s\u00e3o mundiais<\/em>\u201d. Em 1990, <a href=\"http:\/\/www.ub.edu\/geocrit\/geo89.htm\">Peter Gould e Joseph Kabel<\/a> afirmaram sobre a epidemia de AIDS na Pensilv\u00e2nia: \u201c<em>Em certo sentido, o mapa<\/em> [atual] <em>se revela como uma placa fotogr\u00e1fica na c\u00e2mara escura: a imagem futura est\u00e1 de algum modo latente na hist\u00f3ria espa\u00e7o-temporal do processo de difus\u00e3o em desenvolvimento<\/em>\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Assim, desvendaram \u201cdois tipos de difus\u00e3o hier\u00e1rquica\u201d do HIV: primeiro pela hierarquia urbana, fortemente controlada pelas rela\u00e7\u00f5es entre os grandes centros urbanos, e, segundo, pelo \u201ccont\u00e1gio espacial\u201d, com a enfermidade se estendendo como uma mancha de \u00f3leo a partir dos epicentros regionais e \u201crecheando o mapa\u201d \u00e0 medida que se infiltrava pelas \u00e1reas rurais.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso do Rio Grande do Sul, a difus\u00e3o do coronav\u00edrus seguiu essa l\u00f3gica, com um \u201cgatilho\u201d metropolitano na capital, Porto Alegre, e posteriormente disseminando-se pelas principais concentra\u00e7\u00f5es urbanas do estado. As aglomera\u00e7\u00f5es urbano-industriais da Serra e do Vale do Taquari, a aglomera\u00e7\u00e3o urbana do Litoral Norte e as principais cidades m\u00e9dias do interior foram pontos iniciais de difus\u00e3o do v\u00edrus no RS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 2 de abril, a capital concentrava 60% e a Regi\u00e3o Metropolitana (RMPA) 73% dos casos de covid-19 no estado. No dia 15 de abril, esses n\u00fameros representavam 40% para Porto Alegre e 60% para a RMPA, respectivamente. Em 30 de abril (dia de refer\u00eancia deste artigo), o estado contava com 1420 casos, sendo 447 em Porto Alegre (31,5%) e outros 234 (16,5%) em 26 munic\u00edpios da RMPA, totalizando 681 casos (48%), sendo que a regi\u00e3o concentra 38% da popula\u00e7\u00e3o estadual. Evidentemente, \u00e0 medida que a pandemia se difunde por mais munic\u00edpios, a propor\u00e7\u00e3o de casos tende a se aproximar da participa\u00e7\u00e3o de cada um na popula\u00e7\u00e3o total. Dada a pol\u00edtica de testagem da popula\u00e7\u00e3o adotada, cabe ainda mencionar a quest\u00e3o da subnotifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No interior, destacam-se as maiores concentra\u00e7\u00f5es urbanas, aglomera\u00e7\u00f5es urbanas e outras concentra\u00e7\u00f5es importantes no entorno de cidades m\u00e9dias. Sobressaem-se Lajeado e Passo Fundo e seus respectivos entornos, com munic\u00edpios de elevada concentra\u00e7\u00e3o dos ramos da agroind\u00fastria (frigor\u00edficos) intensiva em for\u00e7a de trabalho. Esta se destaca tamb\u00e9m pela mobilidade pendular di\u00e1ria de parte dos trabalhadores, mais um fator de difus\u00e3o do coronav\u00edrus por pequenos munic\u00edpios adjacentes.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>RS: distribui\u00e7\u00e3o dos casos de COVID-19 nas regi\u00f5es metropolitanas e aglomera\u00e7\u00f5es urbanas&nbsp;<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Regi\u00e3o<\/td><td>Munic\u00edpios<\/td><td>N\u00bade casos<\/td><td>%do estado<\/td><td>% popula\u00e7\u00e3o do estado<\/td><\/tr><tr><td><strong>Porto Alegre<\/strong><\/td><td>1<\/td><td>447<\/td><td>31,5<\/td><td>13,04<\/td><\/tr><tr><td><strong>RMPA (- POA)<\/strong><\/td><td>26<\/td><td>234<\/td><td>16,5<\/td><td>25,11<\/td><\/tr><tr><td><strong>RMSG<\/strong><\/td><td>6<\/td><td>110<\/td><td>7,7<\/td><td>7,47<\/td><\/tr><tr><td><strong>AUSul<\/strong><\/td><td>3<\/td><td>25<\/td><td>1,8<\/td><td>5,35<\/td><\/tr><tr><td><strong>AULN<\/strong><\/td><td>9<\/td><td>31<\/td><td>2,2<\/td><td>2,95<\/td><\/tr><tr><td><strong>Lajeado-Estrela<\/strong><\/td><td>5<\/td><td>108<\/td><td>7,6<\/td><td>1,39<\/td><\/tr><tr><td><strong>SCS-VA<\/strong><\/td><td>2<\/td><td>16<\/td><td>1,1<\/td><td>2,01<\/td><\/tr><tr><td><strong>PF-Marau<\/strong><\/td><td>2<\/td><td>200<\/td><td>14,1<\/td><td>2,17<\/td><\/tr><tr><td><strong>Total nas regi\u00f5es<\/strong><\/td><td><strong>53<\/strong><\/td><td><strong>1171<\/strong><\/td><td><strong>82,5<\/strong><\/td><td><strong>59,49<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>RS<\/td><td><strong>497<\/strong><\/td><td><strong>1420<\/strong><\/td><td><strong>100<\/strong><\/td><td><strong>100<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:11px\" class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Fonte: SES-RS\/CEVS\/DGTI. Consulta: 30\/04\/2020.&nbsp;<br>Popula\u00e7\u00e3o baseada na estimativa do IBGE para 2019<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pela tabela acima, percebe-se que as regi\u00f5es metropolitanas e aglomera\u00e7\u00f5es urbanas concentram 82,5% dos casos e 59,5% da popula\u00e7\u00e3o estadual, destacando-se as aglomera\u00e7\u00f5es de Lajeado-Estrela e Passo Fundo-Marau, que apresentam uma concentra\u00e7\u00e3o muito acima da sua participa\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o. Por outro lado, em munic\u00edpios da RMPA (excetuando-se a capital) e na AUSul, o n\u00famero de casos est\u00e1 aqu\u00e9m da sua participa\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o estadual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os mapas a seguir representam os casos de covid-19 no estado em 30 de abril passado. Por eles podemos perceber a sua presen\u00e7a nas maiores aglomera\u00e7\u00f5es e difus\u00e3o pelos munic\u00edpios adjacentes via rede urbana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel, ainda, apontar um \u201cpadr\u00e3o\u201d de difus\u00e3o do coronav\u00edrus no territ\u00f3rio ga\u00facho: primeiros nas regi\u00f5es metropolitanas, aglomera\u00e7\u00f5es urbanas e cidades m\u00e9dias; depois pelos munic\u00edpios menores, mas adjacentes a essas, com importantes rela\u00e7\u00f5es e movimentos pendulares para a provis\u00e3o de servi\u00e7os. O mapa 1, abaixo, indica a poss\u00edvel presen\u00e7a do efeito \u201cmancha de \u00f3leo\u201d na difus\u00e3o, especialmente no sentido de Porto Alegre em dire\u00e7\u00e3o ao noroeste do estado, em um grande vetor que une a RMPA, Lajeado-Estrela, Passo Fundo em dire\u00e7\u00e3o a Santa Rosa, passando ainda pela grande concentra\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Metropolitana da Serra Ga\u00facha. O mapa 2 representa a concentra\u00e7\u00e3o dos casos nas concentra\u00e7\u00f5es urbanas no nordeste do estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mapa 1 \u2013 RS: Distribui\u00e7\u00e3o dos casos de Covid-19 em 30 de abril de 2020<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/3IacM8XvQ7SooOS4acd95_IQMvIOPidgaR5IZzfebJRRCtPXCET6P76T5IzAqPGBRYgObKm01Ixq2zJBG5zL8xHJzh0IKgD_clry97-QgF6n8G5BnG_Kj1JPFBbRmi72K3V3oac\" alt=\"\"\/><figcaption>&nbsp;Fonte: SES-RS\/CEVS\/DGTI. Consulta: 30\/04\/2020<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"has-text-align-left wp-block-heading\"><strong>Mapa 2 \u2013 RS: Casos de Covid-19 nas regi\u00f5es metropolitanas e aglomera\u00e7\u00f5es urbanas<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/TWWwh5Py2vw9y2evOS4qDErplHQjGDgyHrDiUFJ8Me05dzRMvN0SOvSBjD_xUkik7Mm7iCBFxcbJgxlBl_WJQQzYYVm-2kvbmVFv7MZ0K6b9jgmkfvVNNAhJgPJ2X1Mf2MUIefU\" alt=\"\"\/><figcaption>Fonte: SES-RS\/CEVS\/DGTI. Consulta: 30\/04\/2020.&nbsp;<br>Elaborado por Pedro Ugalde (maio\/2020)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cabe ainda considerar outra escala da \u201cgeografia do coronav\u00edrus\u201d no RS: a escala intraurbana, nas nossas cidades, que est\u00e1 demarcando de modo claro, quase escandaloso, a segrega\u00e7\u00e3o socioespacial existente entre bairros centrais e periferia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>As desigualdades em termos de acesso aos empregos e aos servi\u00e7os, as dificuldades de mobilidade e as condi\u00e7\u00f5es de moradia est\u00e3o tornando latentes faces ocultas da crise, principalmente o colapso econ\u00f4mico que obriga setores da popula\u00e7\u00e3o a \u201cestar na rua\u201d para garantir sua sobreviv\u00eancia: entregadores, servi\u00e7ais, catadores.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desvelou-se o \u201cdistanciamento com relacionamento\u201d entre classes sociais e o quanto as popula\u00e7\u00f5es precarizadas e classes m\u00e9dias e altas necessitam-se mutuamente para sua sobreviv\u00eancia. As condi\u00e7\u00f5es de moradia na periferia e as fam\u00edlias extensas dificultam o respeito \u00e0s restri\u00e7\u00f5es do distanciamento social. A difus\u00e3o dos cont\u00e1gios, iniciada nos setores mais abastados, agora transita por outros territ\u00f3rios, atingindo as periferias. Felizmente, encontramos redes de solidariedade e coopera\u00e7\u00e3o unindo esses dois polos sociais de nossas cidades.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"850\" height=\"566\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1277_bx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7864\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1277_bx.jpg 850w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1277_bx-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1277_bx-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1277_bx-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1277_bx-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1277_bx-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"850\" height=\"566\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1526_bx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7866\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1526_bx.jpg 850w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1526_bx-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1526_bx-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1526_bx-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1526_bx-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1526_bx-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"850\" height=\"566\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1281_bx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7865\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1281_bx.jpg 850w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1281_bx-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1281_bx-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1281_bx-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1281_bx-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fl\u00e1vio-Dutra-1281_bx-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><figcaption>A pandemia do novo coronav\u00edrus seguiu uma geografia l\u00f3gica, se espalhando das capitais para as cidades do interior e dos bairros centrais para as periferias. Regi\u00f5es como o Morro Santana s\u00e3o mais vulner\u00e1veis e por isso t\u00eam mais dificuldades para se adequar \u00e0s exig\u00eancias de distanciamento social (Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conclu\u00edmos nos posicionando ao lado da ci\u00eancia e contra aqueles que, \u201cnegando apar\u00eancias\u201d, procuram \u201cdisfar\u00e7ar as evid\u00eancias\u201d da gravidade da dissemina\u00e7\u00e3o e do cont\u00e1gio do coronav\u00edrus sobre a popula\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os mesmos que, preferindo interpreta\u00e7\u00f5es subjetivas de um senso comum quase esot\u00e9rico, ignoram que em sociedades desiguais como a nossa os seus impactos sociais tamb\u00e9m ser\u00e3o (como j\u00e1 est\u00e3o sendo) desiguais, atingindo os mais pobres e vulner\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui observamos todo potencial necropol\u00edtico do casamento entre reacionarismo e obscurantismo, que nega o conhecimento e a ci\u00eancia. Na universidade, as ci\u00eancias humanas t\u00eam sido as mais perseguidas por esse tipo de pensamento disseminado como um v\u00edrus na sociedade. Mas tamb\u00e9m s\u00e3o elas as que possuem pot\u00eancia e criatividade para a busca de solu\u00e7\u00f5es para os dilemas que estamos vivendo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph\"><strong>Paulo Roberto Rodrigues Soares<\/strong> \u00e9 Doutor em Geografia Humana. Professor do Departamento de Geografia, Instituto de Geoci\u00eancias, UFRGS. Pesquisador do Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles. N\u00facleo Porto Alegre.<br><br><strong>Pedro Azeredo de Ugalde <\/strong>\u00e9 estudante de bacharelado em Geografia na UFRGS. Bolsista de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica FAPERGS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fen\u00f4meno global multifacetado, a pandemia do covid-19 afeta a humanidade em variadas dimens\u00f5es da vida contempor\u00e2nea: desde a sa\u00fade e a economia at\u00e9 quest\u00f5es sociais, pol\u00edticas, culturais, psicol\u00f3gicas e, tamb\u00e9m, ambientais, territoriais e socioespaciais. 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