{"id":80185,"date":"2024-04-11T08:00:00","date_gmt":"2024-04-11T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=80185"},"modified":"2024-04-11T09:26:24","modified_gmt":"2024-04-11T12:26:24","slug":"a-raca-na-amamentacao-e-alimentacao-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/a-raca-na-amamentacao-e-alimentacao-infantil\/","title":{"rendered":"A ra\u00e7a na amamenta\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o infantil"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Francielle Marques Valente,&nbsp;Paula Ruffoni Moreira e Juliana Rombaldi Bernardi, da Nutri\u00e7\u00e3o, discutem achados de pesquisa que apontou que crian\u00e7as de m\u00e3es negras em Porto Alegre s\u00e3o mais expostas a alimentos ultraprocessados<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Por Francielle Marques Valente,\u00a0Paula Ruffoni Moreira e Juliana Rombaldi Bernardi<br>*Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tonnksthecat\/\">Marina Brand\u00e3o<\/a>\/\u00a0Programa de Extens\u00e3o Hist\u00f3rias e Pr\u00e1ticas Art\u00edsticas, DAV-IA\/UFRGS<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quest\u00f5es sociais e ambientais relacionadas \u00e0 ra\u00e7a materna, como o racismo estrutural e discriminat\u00f3rio, podem exercer uma forte influ\u00eancia no padr\u00e3o de vida, renda e, consequentemente, nas escolhas alimentares de m\u00e3es pretas e pardas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recomenda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) \u00e9 que a amamenta\u00e7\u00e3o ocorra pelo menos at\u00e9 os 6 meses de vida da crian\u00e7a, para garantir os benef\u00edcios que o aleitamento materno proporciona, como o fortalecimento do sistema imunol\u00f3gico do beb\u00ea e seu desenvolvimento cognitivo. Al\u00e9m disso, o Guia Alimentar para Crian\u00e7as Menores de 2 Anos orienta os pais e respons\u00e1veis a oferecerem uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e equilibrada durante a introdu\u00e7\u00e3o alimentar, com alimentos regionais e caseiros que a fam\u00edlia j\u00e1 consome, incluindo varia\u00e7\u00f5es de cereais, legumes, hortali\u00e7as, frutas, carnes, ovos e tub\u00e9rculos, evitando o consumo de alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, macarr\u00e3o instant\u00e2neo e refrigerantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados do Estudo Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o e Nutri\u00e7\u00e3o Infantil (ENANI) realizado em 2019 mostram que a pr\u00e1tica do aleitamento materno exclusivo em crian\u00e7as brasileiras menores de 6 meses \u00e9 mais prevalente em crian\u00e7as pretas e pardas em compara\u00e7\u00e3o com as crian\u00e7as brancas (52,6%, 47,1% e 43,8%, respectivamente). Embora a preval\u00eancia de aleitamento materno exclusivo tenha sido maior nas crian\u00e7as negras, o mesmo estudo demonstrou que a oferta precoce de alimentos ultraprocessados foi maior em crian\u00e7as pretas e pardas em compara\u00e7\u00e3o com as crian\u00e7as brancas (85,9%, 88,0% e 83,8%, respectivamente).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho intitulado &#8220;Impacto da Ra\u00e7a no Tempo de Aleitamento Materno Exclusivo e Introdu\u00e7\u00e3o de Alimentos Ultraprocessados em Crian\u00e7as Nascidas em Dois Hospitais P\u00fablicos de Porto Alegre&#8221; analisou uma amostra de 224 m\u00e3es autodeclaradas brancas, pretas e pardas (as mulheres pretas e pardas foram agrupadas em um \u00fanico grupo: &#8220;negras&#8221;), utilizando diferentes vari\u00e1veis como renda familiar, profiss\u00e3o, estado civil, n\u00edvel de escolaridade, desemprego, amamenta\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o de alimentos complementares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados demonstraram que a propor\u00e7\u00e3o de mulheres negras solteiras, separadas ou sem companheiro foi maior do que as mulheres brancas. Al\u00e9m disso, a propor\u00e7\u00e3o de mulheres negras sem ensino m\u00e9dio tamb\u00e9m foi maior em compara\u00e7\u00e3o com as mulheres brancas. A renda familiar das mulheres negras tamb\u00e9m foi significativamente menor do que a renda de mulheres brancas, bem como o trabalho de carteira assinada, que foi menos frequente entre as m\u00e3es negras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foram observadas diferen\u00e7as significativas entre as preval\u00eancias de aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida. No entanto, em n\u00fameros absolutos foi poss\u00edvel observar uma preval\u00eancia maior entre as mulheres negras (36,7% vs. 24,7%). <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, a preval\u00eancia de oferta de alimentos ultraprocessados foi maior entre as crian\u00e7as filhas de mulheres negras em compara\u00e7\u00e3o com as filhas de mulheres brancas, corroborando com os resultados do ENANI, que tamb\u00e9m demonstraram que, apesar de a amamenta\u00e7\u00e3o ser maior em crian\u00e7as negras, essas s\u00e3o expostas mais precocemente a alimentos inadequados.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora n\u00e3o haja pesquisas que relacionem a situa\u00e7\u00e3o conjugal das mulheres negras com a alimenta\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, \u00e9 prov\u00e1vel que a solid\u00e3o e o abandono vivenciados por essas mulheres impactem negativamente a alimenta\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. A falta de apoio e responsabilidade paterna pode estar associada a piores condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres e, consequentemente, das crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A desigualdade na escolaridade entre mulheres negras e brancas j\u00e1 foi demonstrada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNADC), realizada em 2019, que apontou altas taxas de analfabetismo entre as mulheres negras em compara\u00e7\u00e3o com as mulheres brancas. O resultado sobre a renda familiar encontrado no estudo tamb\u00e9m reflete os dados do PNADC, indicando que as mulheres negras recebem menos do que as mulheres brancas e ocupam uma parcela maior das profiss\u00f5es de trabalho dom\u00e9stico sem carteira assinada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maior escolaridade e preval\u00eancia de trabalho formal das mulheres brancas podem ser fatores desfavor\u00e1veis para a continuidade da amamenta\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 falta de condi\u00e7\u00f5es no ambiente de trabalho, como local para ordenha e armazenamento do leite, e \u00e0 aus\u00eancia de ber\u00e7\u00e1rios no local de trabalho. J\u00e1 o perfil econ\u00f4mico e de trabalho das m\u00e3es negras pode contribuir para que a amamenta\u00e7\u00e3o seja continuada, j\u00e1 que o desemprego faz com que essas mulheres fiquem mais tempo em casa. O alto custo das f\u00f3rmulas infantis tamb\u00e9m \u00e9 uma barreira para que a m\u00e3e desmame a crian\u00e7a no tempo desejado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por \u00faltimo, a maior oferta de alimentos ultraprocessados pelas m\u00e3es negras pode ser atribu\u00edda ao acesso facilitado a essa categoria de alimentos, seja pelo ambiente alimentar em que est\u00e3o inseridas, pelo seu baixo custo ou ainda pela falta de acesso a orienta\u00e7\u00f5es adequadas quanto \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o infantil. A falta de acesso aos alimentos in natura e minimamente processados (frutas, hortali\u00e7as, carnes e cereais), seja pelo pre\u00e7o ou pela falta de disponibilidade, tamb\u00e9m pode incentivar o maior consumo de alimentos ultraprocessados. Uma pesquisa recente da nutricionista Daniely Casagrande demonstrou que as pessoas negras apresentam maior risco de viverem em desertos alimentares, locais que apresentam menor presen\u00e7a de estabelecimentos que comercializam alimentos saud\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O racismo estrutural parece impactar a alimenta\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as nascidas em Porto Alegre, favorecendo a oferta de alimentos ultraprocessados precocemente, assim como tamb\u00e9m parece impactar na condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica das mulheres negras. Os resultados da pesquisa apontam para a necessidade de cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que atentem para o impacto da desigualdade racial na alimenta\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as filhas de m\u00e3es negras.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-background-color has-background wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/lattes.cnpq.br\/8589441221498371\">Francielle M Valente<\/a> \u00e9 graduanda do curso de Nutri\u00e7\u00e3o.<br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3982377031970210\">Paula Ruffoni Moreira<\/a> \u00e9 nutricionista e mestra em Alimentos Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade.&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9282528583140456\">Juliana Rombaldi Bernardi<\/a> \u00e9 nutricionista e professora do Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina da UFRGS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\"><em>&#8220;As manifesta\u00e7\u00f5es expressas neste ve\u00edculo n\u00e3o representam obrigatoriamente o posicionamento da UFRGS como um todo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo | Francielle Marques Valente,\u00a0Paula Ruffoni Moreira e Juliana Rombaldi Bernardi, da Nutri\u00e7\u00e3o, discutem achados de pesquisa que apontou que crian\u00e7as de m\u00e3es negras em Porto Alegre s\u00e3o mais expostas a alimentos ultraprocessados<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/a-raca-na-amamentacao-e-alimentacao-infantil\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":80692,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[53,382],"tags":[5536,3830,5537,5542,4360,5540,5539,5538],"ppma_author":[2938],"class_list":["entry","author-gerente","has-excerpt","post-80185","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-artigo","category-uncategorized","tag-aleitamento-materno-exclusivo","tag-alimentacao-complementar","tag-alimentos-ultraprocessados","tag-departamento-de-nutricao","tag-faculdade-de-medicina","tag-nutricao-infantil","tag-nutricao-materno-infantil","tag-raca-materna"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - 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