{"id":8498,"date":"2020-06-10T08:35:00","date_gmt":"2020-06-10T11:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=8498"},"modified":"2020-06-10T16:49:48","modified_gmt":"2020-06-10T19:49:48","slug":"o-caso-george-floyd-e-o-racismo-estrutural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/o-caso-george-floyd-e-o-racismo-estrutural\/","title":{"rendered":"O caso George Floyd e o racismo estrutural"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto de capa: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um elemento essencial que precisa ser compreendido quando se discute o racismo \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com um processo hist\u00f3rico de desvaloriza\u00e7\u00e3o das pessoas negras. Como argumenta o fil\u00f3sofo pol\u00edtico camaron\u00eas Achille Mbembe em <a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/critica-da-razao-negra-achille-mbembe\/\"><em>Cr\u00edtica da raz\u00e3o negra<\/em><\/a>, o nome negro foi inventado para significar exclus\u00e3o, embrutecimento e degrada\u00e7\u00e3o, sendo, portanto, um limite sempre conjurado e abominado. Para Mbembe, humilhado e profundamente desonrado, o negro \u00e9 na ordem da modernidade o \u00fanico de todos os humanos que tem a sua carne transformada em coisa, e o esp\u00edrito, em mercadoria. Esse processo de desumaniza\u00e7\u00e3o do negro tem origem na coloniza\u00e7\u00e3o e na escravid\u00e3o, mas tamb\u00e9m perdurar\u00e1 no p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o, trazendo s\u00e9rias consequ\u00eancias para o modo como essa popula\u00e7\u00e3o ir\u00e1 se inserir e participar da sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O negro foi constru\u00eddo como o \u201coutro\u201d, como o lado negativo, e com ele n\u00e3o foram estabelecidas rela\u00e7\u00f5es de reciprocidade, fazendo com que houvesse um bloqueio para que fosse reconhecido como um parceiro igual de intera\u00e7\u00e3o social. Por outro lado, ao negar-lhe a humanidade, o branco construiu a sua pr\u00f3pria imagem como a refer\u00eancia absoluta de humanidade e civilidade.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m disso, como j\u00e1 explicitado por Alberto Guerreiro Ramos, que publicou o artigo <a href=\"https:\/\/www.passeidireto.com\/arquivo\/76424425\/patologia-social-do-branco-brasileiro-guerreiro-ramos\"><em>A patologia social do branco<\/em><\/a>, em raz\u00e3o do racismo e do ideal de beleza e est\u00e9tica branca, a popula\u00e7\u00e3o brasileira produziu significados positivos ao ser branco e, em sentido oposto, significados negativos est\u00e9ticos e culturais ao ser negro. Esse mecanismo de distin\u00e7\u00e3o social que coloca em rela\u00e7\u00e3o negros e brancos est\u00e1 na origem do privil\u00e9gio branco, que pode ser entendido como a vantagem que os indiv\u00edduos brancos possuem em rela\u00e7\u00e3o aos negros no acesso aos bens e oportunidades sociais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sociedade moderna \u00e9 racista e fortemente hierarquizada, havendo uma ordem racial na qual os negros ocupam majoritariamente as piores posi\u00e7\u00f5es. <a href=\"https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/livros\/liv101681_informativo.pdf\">Pesquisa<\/a> publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), em 2019, demonstra um expressivo quadro de desigualdades entre negros e brancos. Assim, por exemplo, entre as pessoas que estavam abaixo da linha de pobreza em 2018, 32,9% eram pretas ou pardas, enquanto o percentual de pessoas brancas era de 15,4%. No mercado de trabalho, espa\u00e7o fundamental para se ganhar a vida e garantir a sobreviv\u00eancia, os negros encontram tamb\u00e9m obst\u00e1culos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os ocupados em cargos gerenciais, 29,9% eram pretos e pardos, e 68,6%, brancos, ou seja, a cada dez pessoas ocupadas em cargos gerenciais, sete s\u00e3o brancas, de acordo com a mesma pesquisa. As diferen\u00e7as tamb\u00e9m se mostram nos rendimentos: considerando o rendimento m\u00e9dio real do trabalho principal das pessoas ocupadas, os indiv\u00edduos brancos que estavam no mercado formal recebiam 3.282,00 reais, j\u00e1 os pretos e pardos, 2.082,00 reais. Assim, o rendimento dos pretos e pardos corresponde a pouco mais de 60% do rendimento dos indiv\u00edduos brancos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os negros tamb\u00e9m est\u00e3o ausentes dos espa\u00e7os de poder pol\u00edtico, revela ainda a pesquisa. Entre os deputados federais eleitos na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o, 75,6% s\u00e3o brancos ou se identificam com outra cor\/ra\u00e7a, e apenas 24,4% se autodeclararam pretos e pardos. Esses dados revelam n\u00e3o apenas o abismo entre brancos e negros na sociedade brasileira, mas demonstram de modo inequ\u00edvoco que os negros est\u00e3o fora dos espa\u00e7os de poder, n\u00e3o tendo representa\u00e7\u00e3o em importantes esferas sociais, tal como a pol\u00edtica. Esses n\u00fameros tornam-se ainda mais alarmantes se levarmos em considera\u00e7\u00e3o que a popula\u00e7\u00e3o preta e parda corresponde a 55,8% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, tamb\u00e9m segundo dados do IBGE.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>As pesquisas sobre desigualdade racial nos permitem falar da exist\u00eancia de um apartheid social no Brasil. Foi atribu\u00eddo um lugar aos negros, e esse lugar \u00e9 subalterno, fazendo com que essa parcela da popula\u00e7\u00e3o se constitua de subcidad\u00e3os.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande quest\u00e3o \u00e9 que h\u00e1 uma forte rela\u00e7\u00e3o entre esse lugar social e determinadas formas de tratamento, isto \u00e9, a posi\u00e7\u00e3o subalterna serve como par\u00e2metro para a forma como esses indiv\u00edduos v\u00e3o ser tratados: o negro \u00e9 v\u00edtima de in\u00fameras formas de preconceito e pr\u00e1ticas de discrimina\u00e7\u00e3o. As manifesta\u00e7\u00f5es do racismo v\u00e3o desde olhares desconfiados de pessoas nas ruas, que mudam de cal\u00e7ada quando se deparam com um homem negro, passando por ofensas e xingamentos a trabalhadores que est\u00e3o no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es, tais como vigiais e empregadas dom\u00e9sticas, chegando at\u00e9 casos de viol\u00eancia f\u00edsica e mesmo letais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 justamente esse car\u00e1ter letal do racismo que vem \u00e0 tona com o caso <a href=\"https:\/\/internacional.estadao.com.br\/noticias\/geral,entenda-o-caso-george-floyd,70003323879\">George Floyd<\/a>. Em primeiro lugar, deve se ter em mente que esse caso explicita a exist\u00eancia de um conflito racial, isto \u00e9, de um forte antagonismo entre brancos e negros. Pode-se falar mesmo de um desejo de domina\u00e7\u00e3o e de supremacia racial. O branco busca n\u00e3o apenas se distinguir, mas tamb\u00e9m dominar e subjugar. Derek Chauvin, policial que ajoelhou no pesco\u00e7o de George Floy, levou esse desejo ao extremo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3330.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8570\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3330.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3330-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3330-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3330-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3330-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3330-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3756.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8571\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3756.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3756-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3756-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3756-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3756-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3756-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3813.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8572\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3813.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3813-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3813-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3813-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3813-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3813-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><figcaption>Manifestantes sa\u00edram \u00e0s ruas no domingo, 7\/06, para protestar contra o racismo e pela democracia. No Centro Hist\u00f3rico de Porto Alegre, milhares de pessoas caminharam com gritos e frases pedindo justi\u00e7a contra casos de viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o racial como o de George Floyd, nos EUA, ou do menino Miguel Otavio Santana, em Recife (Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se pode imaginar que a exist\u00eancia de conflito racial esteja presente apenas na sociedade estadunidense. Aqui no Brasil tamb\u00e9m podemos identific\u00e1-lo, pois onde h\u00e1 racismo h\u00e1 tamb\u00e9m disputa e rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7a. Se quisermos entender esse conflito, podemos olhar, por exemplo, para os dados sobre o homic\u00eddio de jovens negros. O <a href=\"http:\/\/flacso.org.br\/files\/2020\/03\/Mapa2014_AtualizacaoHomicidios.pdf\">Mapa da Viol\u00eancia<\/a>, publicado por Jacobo Waiselfisz em 2014, revela que h\u00e1 uma sobrevitimiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra: entre 2002 e 2012, houve uma diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de homic\u00eddios da popula\u00e7\u00e3o branca e um aumento entre esse grupo populacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 verdade que o homic\u00eddio dos jovens negros tem m\u00faltiplas causas, mas <a href=\"https:\/\/anistia.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Voce-matou-meu-filho_Anistia-Internacional-2015.pdf\">dados<\/a> da Anistia Internacional revelam o envolvimento da pol\u00edcia na produ\u00e7\u00e3o dessas mortes. Assim, em 2014, ano da Copa do Mundo, os homic\u00eddios decorrentes de interven\u00e7\u00e3o policial aumentaram 40% no estado do Rio de Janeiro; em 2015, um em cada cinco homic\u00eddios na cidade foi cometido pela pol\u00edcia. Por fim, pesquisa recente realizada pelo <a href=\"http:\/\/www.isp.rj.gov.br\/\">Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio de Janeiro<\/a> revela que 80% das pessoas mortas em confronto com a pol\u00edcia s\u00e3o pretos e pardos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trazer para discuss\u00e3o o car\u00e1ter letal do racismo \u00e9 algo de suma import\u00e2ncia. H\u00e1 um grande problema na sociedade brasileira que \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do racismo. Nos anos 1930, quando se constru\u00edram a identidade nacional e o nosso imagin\u00e1rio de na\u00e7\u00e3o, apelou-se para o mito da democracia racial, o qual defendia a ideia de indistin\u00e7\u00e3o das ra\u00e7as e apelava para a import\u00e2ncia do car\u00e1ter mesti\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A incorpora\u00e7\u00e3o do negro \u00e0 sociedade brasileira se deu apenas no plano simb\u00f3lico; nunca houve repara\u00e7\u00e3o pelos mais de tr\u00eas s\u00e9culos de escravid\u00e3o e pelo seu abandono quando ocorreu a aboli\u00e7\u00e3o. Esses elementos criaram um enorme bloqueio para a luta antirracista no Brasil.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o caso George Floyd tivesse ocorrido no Brasil, ser\u00e1 que n\u00f3s o interpretar\u00edamos como racismo? Muito provavelmente essa den\u00fancia seria feita por uma parcela muito pequena da popula\u00e7\u00e3o, formada, sobretudo, por militantes e ativistas dos movimentos negros. A interpreta\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria apelaria para outras explica\u00e7\u00f5es, tais como aquelas que confundem racismo com quest\u00f5es puramente de classe social ou os cru\u00e9is discursos que acabam por acusar a v\u00edtima. A verdade \u00e9 que se os Estados Unidos t\u00eam George Floyd, n\u00f3s aqui temos <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/rio-de-janeiro\/noticia\/2016\/02\/caso-amarildo-entenda-o-que-cada-pm-condenado-fez-segundo-justica.html\">Amarildos<\/a>, <a href=\"https:\/\/theintercept.com\/series\/caso-marielle-franco\/\">Marielles<\/a> e um sem-n\u00famero de v\u00edtimas da viol\u00eancia racista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3472.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8573\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3472.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3472-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3472-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3472-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3472-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3472-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3541.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8574\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3541.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3541-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3541-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3541-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3541-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Fl\u00e1vio-Dutra-3541-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><figcaption>&nbsp;fam\u00edlia de Gustavo Amaral fez uma manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica pedindo para que o caso n\u00e3o seja esquecido. Engenheiro rec\u00e9m formado pela Universidade Federal de Santa Maria, Gustavo foi morto pela Brigada Militar que o confundiu com assaltantes de autom\u00f3vel (Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro elemento importante e que precisa ser discutido quando se fala do car\u00e1ter letal do racismo e dos limites do antirracismo \u00e9 a sua dimens\u00e3o estrutural. Dizer que o racismo \u00e9 estrutural significa n\u00e3o apenas dizer que ele \u00e9 constitutivo do processo de moderniza\u00e7\u00e3o capitalista, mas que tamb\u00e9m \u00e9 intr\u00ednseco a todas as esferas sociais. Consequentemente, vivemos em uma sociedade que tem o seu funcionamento alterado devido a quest\u00f5es raciais. Dito em outras palavras, a ra\u00e7a \u00e9 um elemento que tem forte influ\u00eancia sobre processos econ\u00f4micos, pol\u00edticos, sociais e culturais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Ainda que, no sentido biol\u00f3gico do termo, ra\u00e7as n\u00e3o existam, \u00e9 ineg\u00e1vel que esse (pre)conceito se materializa na vida das pessoas negras, interferindo nas suas trajet\u00f3rias e modos de exist\u00eancia. A vida das pessoas negras, assim, \u00e9 atravessada por m\u00faltiplas formas de racismo.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso George Floyd provocou manifesta\u00e7\u00f5es antirracistas nos mais diversos pa\u00edses. Pessoas foram \u00e0s ruas nos Estados Unidos, na Fran\u00e7a, no Reino Unido, na B\u00e9lgica, na Austr\u00e1lia. Em muitas dessas manifesta\u00e7\u00f5es, liam-se cartazes com a frase \u201cVidas negras importam\u201d. Esse slogan \u00e9 um lembrete de que precisamos de uma urgente higiene moral para combater o racismo. O problema, contudo, n\u00e3o se resume a isso. O racismo est\u00e1 fortemente atrelado a rela\u00e7\u00f5es de poder e, enquanto n\u00e3o tivermos uma participa\u00e7\u00e3o parit\u00e1ria na sociedade, ele n\u00e3o ser\u00e1 adequadamente combatido.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph\"><strong>Luciana Garcia de Mello<\/strong> \u00e9 professora do Departamento de Sociologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um elemento essencial que precisa ser compreendido quando se discute o racismo \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com um processo hist\u00f3rico de desvaloriza\u00e7\u00e3o das pessoas negras. 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