{"id":85580,"date":"2024-05-20T12:04:00","date_gmt":"2024-05-20T15:04:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=85580"},"modified":"2024-05-22T14:24:27","modified_gmt":"2024-05-22T17:24:27","slug":"um-ciclone-colonial-se-forma-ao-sul-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/um-ciclone-colonial-se-forma-ao-sul-do-brasil\/","title":{"rendered":"Um ciclone colonial se forma ao sul do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Bruno Correia de Oliveira e Tatiana Souza de Camargo, da Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias, tra\u00e7am uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o de Porto Alegre e prop\u00f5em uma nova perspectiva para a quest\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Foto: Fl\u00e1vio Dutra<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor Malcom Ferdinand, no livro <em>Ecologia Decolonial<\/em>, argumenta que a dupla fratura da modernidade, que \u00e9 colonial e ambiental, abala a maneira como a crise ecol\u00f3gica \u00e9 pensada e as suas tradu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Ainda, o pesquisador explora o conceito de Plantationoceno, como uma cr\u00edtica ao termo Antropoceno, ao destacar que a estrutura de planta\u00e7\u00f5es coloniais e a explora\u00e7\u00e3o intensiva dos recursos naturais e humanos s\u00e3o os principais motores das mudan\u00e7as ambientais globais. Essa estrutura de explora\u00e7\u00e3o continua a influenciar as pr\u00e1ticas modernas, promovendo injusti\u00e7as espaciais e rela\u00e7\u00f5es de poder desiguais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante da tempestade ecol\u00f3gica que exp\u00f5e os danos e problemas associados a determinadas maneiras de habitar a Terra pr\u00f3prias da modernidade, esses conceitos oferecem um quadro cr\u00edtico para entender como as din\u00e2micas hist\u00f3ricas de explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o continuam a moldar a resposta a desastres e a gest\u00e3o urbana contempor\u00e2nea. Essas a\u00e7\u00f5es ocorrem atrav\u00e9s das chamadas pol\u00edticas do ciclone colonial, um conjunto de estrat\u00e9gias que transformam as cat\u00e1strofes, em parte naturais, nos eventos lucrativos que refor\u00e7am os fundamentos coloniais do mundo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o esses os conceitos que parecem dar contorno aos eventos anteriores, contempor\u00e2neos e possivelmente futuros ao desastre ambiental que assolou o estado mais ao sul do Brasil neste triste maio do ano de 2024. O m\u00eas foi marcado por um volume anormal de chuvas, tr\u00eas vezes maior que a m\u00e9dia hist\u00f3rica do per\u00edodo, fazendo com o que o n\u00edvel do Gua\u00edba atingisse mais de 5m, o maior de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s as enchentes devastadoras de 1941 e 1967 que ocorreram em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, foi instalado na d\u00e9cada de 1970 um sistema de conten\u00e7\u00e3o para proteger a cidade das inunda\u00e7\u00f5es dos rios Gua\u00edba e Gravata\u00ed. Contudo, a falta de manuten\u00e7\u00e3o e investimentos nas d\u00e9cadas subsequentes resultou na degrada\u00e7\u00e3o do sistema, evidenciando uma indiferen\u00e7a sistem\u00e1tica por parte das autoridades. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inicialmente projetado para suportar a eleva\u00e7\u00e3o das \u00e1guas at\u00e9 6m, o sistema come\u00e7ou a falhar com a cota de 4,5m. Al\u00e9m das comportas, apenas 4 das 23 unidades de bombeamento projetadas para drenar a \u00e1gua para fora da \u00e1rea protegida funcionaram. Essa combina\u00e7\u00e3o de falhas levou ao colapso durante as chuvas de maio, com a \u00e1gua driblando o sistema de tr\u00eas maneiras: vazamento nas comportas, falhas nas bombas e extravasamento dos diques. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse primeiro momento do ciclone colonial \u00e9 conhecido como a &#8220;rota da indiferen\u00e7a discriminat\u00f3ria&#8221;, neglig\u00eancia deliberada e a falta de a\u00e7\u00e3o por parte das autoridades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades das popula\u00e7\u00f5es marginalizadas antes da chegada do furac\u00e3o, manifestada atrav\u00e9s da aus\u00eancia de investimentos adequados em infraestrutura e medidas de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um segundo momento, o ciclone colonial exp\u00f5e o calv\u00e1rio, o extremo sofrimento, perda e desespero vividos pelas pessoas. A cidade de Porto Alegre depara-se com a destrui\u00e7\u00e3o de moradias e o deslocamento de milhares, exacerbados pela falta de uma resposta adequada e de recursos imediatos para enfrentar a cat\u00e1strofe. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A enchente que recentemente assolou a cidade afetou diretamente 46 dos 96 bairros, impactando cerca de 157 mil pessoas e 39 mil edifica\u00e7\u00f5es. Aproximadamente 14 mil pessoas est\u00e3o abrigadas em locais instalados pela Defesa Civil. A infraestrutura urbana tamb\u00e9m sofreu danos significativos, com cerca de 46 mil empresas afetadas, 186 pra\u00e7as, 12 parques e 1.081 quil\u00f4metros de vias p\u00fablicas. Este cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o ilustra o calv\u00e1rio das comunidades afetadas, enfrentando desafios extremos em suas vidas di\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cat\u00e1strofe foi prevista h\u00e1 muito tempo, desde as enchentes que ocorreram no estado e atingiram tamb\u00e9m a capital ga\u00facha no ano de 2023 e no in\u00edcio de 2024, at\u00e9 o alerta emitido em abril pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres (Cemaden) e pelo MetSul Meteorologia, sobre um cen\u00e1rio de grave risco hidrol\u00f3gico e meteorol\u00f3gico no Rio Grande do Sul com chuva excessiva a extrema e uma muito alta probabilidade de cheias de rios e enchentes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta inadequada e lenta das autoridades frente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o reflete uma indiferen\u00e7a sustentada, o terceiro momento do ciclone colonial, em que a falta de manuten\u00e7\u00e3o e investimentos adequados resultou em uma infraestrutura inadequada para proteger a popula\u00e7\u00e3o, evidenciando a perpetua\u00e7\u00e3o de desigualdades estruturais, tendo em vista que existe uma correla\u00e7\u00e3o entre as \u00e1reas alagadas e a renda das popula\u00e7\u00f5es afetadas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o N\u00facleo de Porto Alegre do <a href=\"https:\/\/www.observatoriodasmetropoles.net.br\/\">Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles<\/a>, a cidade de Porto Alegre tem \u00e1reas alagadas principalmente nas regi\u00f5es com renda m\u00e9dia de at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos.&nbsp; As popula\u00e7\u00f5es mais pobres est\u00e3o mais expostas a riscos ambientais, possivelmente devido \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o de suas moradias em \u00e1reas mais vulner\u00e1veis e menos protegidas por infraestrutura adequada. A rota da indiferen\u00e7a discriminat\u00f3ria, portanto, se manifesta atrav\u00e9s da neglig\u00eancia cont\u00ednua que deixou a popula\u00e7\u00e3o da cidade sujeita \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es, demonstrando uma falta de compromisso com a seguran\u00e7a e bem-estar das comunidades mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo esse cen\u00e1rio desemboca em um verdadeiro &#8220;caos infernal&#8221;, o quarto momento. Esse conceito encapsula o estado de desordem e viol\u00eancia que se instaura diante do ciclone colonial. Desde 2 de maio, a Pol\u00edcia Civil e a Brigada Militar realizaram 78 pris\u00f5es, a maioria por assaltos e saques. A viol\u00eancia nos abrigos, com 30 pris\u00f5es ocorrendo nesses locais, e crimes sexuais resultaram na cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os exclusivos para mulheres e crian\u00e7as, demonstrando as condi\u00e7\u00f5es insalubres e superlota\u00e7\u00e3o que caracterizam esses abrigos improvisados. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escassez de suprimentos b\u00e1sicos, como alimentos e \u00e1gua, aliada \u00e0 falta de energia, exacerba a desordem. Moradores enfrentam prateleiras vazias em mercados e falta de itens essenciais, refletindo o colapso do abastecimento. A paralisa\u00e7\u00e3o de cinco esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua deixou 85% da popula\u00e7\u00e3o sem acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel, obrigando muitos a abandonar suas casas, evidenciando a superlota\u00e7\u00e3o dos abrigos e a debandada populacional. Esse caos \u00e9 ampliado pela falta de coordena\u00e7\u00e3o e recursos, depend\u00eancia de volunt\u00e1rios e a aus\u00eancia de um plano eficaz para lidar com desastres dessa magnitude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ciclone colonial se resolve\/consolida em uma redistribui\u00e7\u00e3o discriminat\u00f3ria, com recursos e oportunidades reorganizados de forma que aprofundam as desigualdades sociais e econ\u00f4micas. No contexto de Porto Alegre, a contrata\u00e7\u00e3o da Alvarez &amp; Marsal para gerir a recupera\u00e7\u00e3o da cidade sem licita\u00e7\u00e3o, sob o decreto de calamidade p\u00fablica, exemplifica esse conceito. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa abordagem permite que a empresa implemente mudan\u00e7as significativas na gest\u00e3o da cidade, potencialmente favorecendo solu\u00e7\u00f5es privatizadas e de mercado em detrimento de investimentos p\u00fablicos diretos. O hist\u00f3rico da Alvarez &amp; Marsal \u00e9 particularmente ilustrativo nesse sentido. A empresa j\u00e1 atuou na recupera\u00e7\u00e3o de New Orleans ap\u00f3s o furac\u00e3o Katrina, onde suas recomenda\u00e7\u00f5es inclu\u00edram a privatiza\u00e7\u00e3o do sistema de ensino p\u00fablico e a demiss\u00e3o massiva de funcion\u00e1rios. Essas a\u00e7\u00f5es, documentadas por Kenneth J. Saltman, no livro \u201cCapitalizando os desastres: tomar e destruir escolas p\u00fablicas\u201d, s\u00e3o um exemplo claro de capitalismo de desastre, no qual empresas privadas aproveitam crises para introduzir reformas neoliberais que aumentam seu lucro, enquanto diminuem o papel do Estado na provis\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conceito de justi\u00e7a clim\u00e1tica evolui do paradigma da Justi\u00e7a Ambiental, reconhecendo que os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetam de maneira desigual diferentes grupos sociais. A persistente indiferen\u00e7a das autoridades quanto \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das infraestruturas de conten\u00e7\u00e3o de enchentes evidencia como as pol\u00edticas ambientais e urbanas podem exacerbar desigualdades raciais e socioecon\u00f4micas. A situa\u00e7\u00e3o em Porto Alegre, onde a resposta insuficiente \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica intensificou a crise humanit\u00e1ria, exemplifica claramente a injusti\u00e7a ambiental. As comunidades mais afetadas s\u00e3o frequentemente aquelas j\u00e1 sujeitas \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica e racial, sofrendo com a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes e equitativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olhar a enchente da cidade de Porto Alegre sob a \u00f3tica do ciclone colonial nos permite entender como as pr\u00e1ticas coloniais de explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o apenas quest\u00f5es hist\u00f3ricas, mas continuam a influenciar e moldar as crises ambientais e sociais contempor\u00e2neas. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao trazer \u00e0 tona a rela\u00e7\u00e3o indissoci\u00e1vel entre colonialismo e ecologia, Ferdinand nos desafia a repensar as solu\u00e7\u00f5es para crises ambientais de maneira que tamb\u00e9m abordem as injusti\u00e7as sociais e hist\u00f3ricas. Aqui, emerge a necessidade de apropria\u00e7\u00e3o do conceito de justi\u00e7a clim\u00e1tica &#8211; um desdobramento do paradigma da justi\u00e7a ambiental -, trazendo a percep\u00e7\u00e3o de que os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atingem de forma e intensidade diferentes grupos sociais distintos.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A falha em proteger adequadamente as \u00e1reas mais vulner\u00e1veis da capital do RS reflete essa cr\u00edtica, mostrando que a simples exist\u00eancia de leis n\u00e3o \u00e9 suficiente se n\u00e3o forem acompanhadas por uma implementa\u00e7\u00e3o justa e equitativa. Al\u00e9m disso, a resposta da administra\u00e7\u00e3o municipal \u00e0 crise das enchentes, conforme descrito anteriormente, ilustra a indiferen\u00e7a sustentada. Suas declara\u00e7\u00f5es sobre a falta de recursos e o crescimento desordenado das cidades ignoram as ra\u00edzes estruturais das desigualdades e a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas que abordem diretamente essas quest\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A depend\u00eancia de solu\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias e emergenciais, em vez de um planejamento urbano adequado e cont\u00ednuo, perpetua a vulnerabilidade das popula\u00e7\u00f5es afetadas. Isso revela como, apesar de eventos de injusti\u00e7a clim\u00e1tica j\u00e1 serem percept\u00edveis no Brasil, o discurso da justi\u00e7a clim\u00e1tica ainda n\u00e3o foi incorporado de forma consistente no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante disso tudo, que caminho a cidade de Porto Alegre pretende seguir? Que sa\u00edda constru\u00edremos diante dessa tempestade? Do ciclone colonial se far\u00e1 um pretexto para refor\u00e7ar as domina\u00e7\u00f5es e as opress\u00f5es coloniais ou uma oportunidade para se voltar \u00e0s origens dessa crise e encontrar possibilidades de olhar para a crise clim\u00e1tica com os olhos daqueles que s\u00e3o mais vulner\u00e1veis a ela?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Infelizmente, a apatia dos dirigentes estatais e o investimento em uma guerra ideol\u00f3gica digital baseada em fatos imagin\u00e1rios, t\u00e3o simetricamente opostos \u00e0s necessidades materiais daqueles mais afetados pela trag\u00e9dia, parecem servir de alarme de que o mais nefasto ainda est\u00e1 por vir.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-background-color has-background wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0453695154156147\">Bruno Correia de Oliveira<\/a> \u00e9 bi\u00f3logo, professor de Biologia na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e doutorando no PPG em Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias.<br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4670758511109187\">Tatiana Souza de Camargo<\/a> \u00e9 bi\u00f3loga, professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e Coordenadora do Programa de PPG em Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo | Bruno Correia de Oliveira e Tatiana Souza de Camargo, da Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias, tra\u00e7am uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o de Porto Alegre e prop\u00f5em uma nova perspectiva para a quest\u00e3o<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/um-ciclone-colonial-se-forma-ao-sul-do-brasil\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":85602,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[53],"tags":[5806,5674,5831,2448,452,5373],"ppma_author":[2938],"class_list":["entry","author-gerente","has-excerpt","post-85580","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-artigo","tag-ecologia-decolonial","tag-enchente","tag-extra-enchente","tag-justica-climatica","tag-mudancas-climaticas","tag-racismo-ambiental"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - 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