{"id":86865,"date":"2024-06-06T09:02:00","date_gmt":"2024-06-06T12:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=86865"},"modified":"2024-06-06T11:46:54","modified_gmt":"2024-06-06T14:46:54","slug":"impercepcao-botanica-na-politica-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/impercepcao-botanica-na-politica-ambiental\/","title":{"rendered":"Impercep\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica na pol\u00edtica ambiental"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Edeilson Brito de Souza e Maria Cecilia de Chiara Mo\u00e7o, da Bot\u00e2nica, defendem a necessidade de uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima com a vegeta\u00e7\u00e3o e de uma educa\u00e7\u00e3o que contribua para esse fim<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Por: Edeilson Brito de Souza e Maria Cecilia de Chiara Mo\u00e7o<br>*Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/oldalaska\/\">Katherine Avila<\/a>\/&nbsp;Programa de Extens\u00e3o Hist\u00f3rias e Pr\u00e1ticas Art\u00edsticas, DAV-IA\/UFRGS<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A humanidade aprendeu a cultivar as plantas e utilizar seus diversos recursos, tornando, dessa forma, a explora\u00e7\u00e3o vegetal uma das principais atividades econ\u00f4micas mundiais. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou crescimento de 1,7% em 2023, impulsionado principalmente devido \u00e0 expans\u00e3o do setor agropecu\u00e1rio, conforme o <a href=\"https:\/\/planejamento.rs.gov.br\/produto-interno-bruto-pib-do-rs-em-2023-sera-apresentado-na-terca-26\">Departamento de Economia e Estat\u00edstica<\/a> (DEE) da Secretaria de Planejamento, Governan\u00e7a e Gest\u00e3o (SPGG).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante dos desafios sem precedentes que estamos enfrentando, relacionados a eventos clim\u00e1ticos extremos, compreender o papel das plantas na biosfera torna-se, portanto, crucial. Logo, \u00e9 preciso perceber as plantas para al\u00e9m do imediatismo, valorizando seus m\u00faltiplos benef\u00edcios ecol\u00f3gicos, a fim de promover um relacionamento sustent\u00e1vel e equilibrado com o meio ambiente. Somente dessa forma ser\u00e1 poss\u00edvel garantir a preserva\u00e7\u00e3o e o bem-estar a m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, como o ensino de bot\u00e2nica pode ajudar nesse contexto?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Historicamente, o decl\u00ednio do interesse pelos estudos bot\u00e2nicos tem seu marco no Ocidente, no final do s\u00e9culo XVIII, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, quando houve uma valoriza\u00e7\u00e3o crescente dos produtos processados. Agravou-se ainda mais, na segunda metade do s\u00e9culo XX, com a Revolu\u00e7\u00e3o Verde, que marca o uso de maquin\u00e1rios no campo e o aumento na produ\u00e7\u00e3o de monoculturas com a utiliza\u00e7\u00e3o de adubos qu\u00edmicos, inseticidas, herbicidas e sementes transg\u00eanicas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses eventos causaram impactos negativos significativos nas leis de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, reduziram a diversidade de cultivares e contribu\u00edram, tamb\u00e9m, para a eros\u00e3o do conhecimento dos povos tradicionais. Estes povos, por serem culturalmente distintos e possu\u00edrem condi\u00e7\u00f5es sociais, culturais e econ\u00f4micas pr\u00f3prias, mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es espec\u00edficas com o meio ambiente em que vivem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A valoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de um pequeno grupo de plantas cultivadas tem sido a justificativa para o desmatamento de \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa e redu\u00e7\u00e3o da biodiversidade natural. Nota-se que a falta de conhecimento sobre as plantas segue um ciclo vicioso, pois o desinteresse pol\u00edtico sobre a biodiversidade vegetal impacta tamb\u00e9m nas diretrizes curriculares nacionais, que estruturam os conte\u00fados de bot\u00e2nica na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, resultando em cidad\u00e3os cada vez mais desinformados e menos cr\u00edticos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podemos constatar que, particularmente no <a href=\"https:\/\/educacao.rs.gov.br\/upload\/arquivos\/202111\/24135335-referencial-curricular-gaucho-em.pdf\">Referencial Curricular Ga\u00facho do Ensino M\u00e9dio<\/a>, por exemplo, o ensino sobre as plantas n\u00e3o \u00e9 citado no Componente Curricular Biologia, da Forma\u00e7\u00e3o Geral B\u00e1sica. Esse cen\u00e1rio educacional cria uma sociedade com maior dificuldade em perceber, valorizar e preservar as plantas no ambiente natural, causando o fen\u00f4meno denominado de \u201c<a href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/bolbot\">impercep\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica<\/a>\u201d. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A impercep\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica na pol\u00edtica leva os governantes a tomarem decis\u00f5es inconscientes, visando, na maioria das vezes, apenas benef\u00edcios econ\u00f4micos, deixando a quest\u00e3o ambiental de lado. Esse fen\u00f4meno p\u00f4de ser constatado na inst\u00e2ncia estadual em 2020, quando cerca de 480 pontos do <a href=\"https:\/\/www.legisweb.com.br\/legislacao\/?id=388665\">C\u00f3digo Florestal do Estado do Rio Grande do Sul<\/a> foram alterados.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Especialmente sobre as enchentes que assolaram o estado, \u00e9 importante ressaltar que a degrada\u00e7\u00e3o de \u00e1reas nas margens dos rios \u00e9 apontada como um dos principais causadores dessa trag\u00e9dia. O curso de um rio \u00e9 acompanhado por uma \u00e1rea inund\u00e1vel, correspondente \u00e0 linha limite de extravasamento da \u00e1gua do seu leito em eventos extremos de cheia. Naturalmente, essa \u00e1rea \u00e9 ocupada por uma vegeta\u00e7\u00e3o nativa espec\u00edfica, que apresenta tr\u00eas pap\u00e9is essenciais durante os eventos de cheias: 1) o emaranhado de ra\u00edzes garante a fixa\u00e7\u00e3o das part\u00edculas do solo, evitando o assoreamento; 2) a permeabilidade do solo org\u00e2nico garante a absor\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, diminuindo a \u00e1rea de extravasamento; e 3) a vegeta\u00e7\u00e3o rip\u00e1ria serve de barreira, reduzindo a velocidade de fluxo da \u00e1gua. \u00c9 com esse embasamento cient\u00edfico que as matas ciliares s\u00e3o consideradas <a href=\"https:\/\/www.tjdft.jus.br\/institucional\/imprensa\/campanhas-e-produtos\/direito-facil\/edicao-semanal\/area-de-preservacao-permanente#:~:text=%C3%81rea%20de%20Preserva%C3%A7%C3%A3o%20Permanente%2C%20tamb%C3%A9m,estar%20das%20popula%C3%A7%C3%B5es%20humanas...\">\u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente<\/a> (APP).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um estado cuja base econ\u00f4mica \u00e9 a agropecu\u00e1ria, a instala\u00e7\u00e3o de latif\u00fandios e o empobrecimento da popula\u00e7\u00e3o rural s\u00e3o facilitados, configurando-se como as principais causas do \u00eaxodo rural e da superpopula\u00e7\u00e3o das cidades. Portanto, a jun\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o de monoculturas com o crescimento desordenado dos centros urbanos e as desigualdades sociais, impulsionam a degrada\u00e7\u00e3o das \u00e1reas verdes e a ocupa\u00e7\u00e3o de locais inadequados para moradia. Como consequ\u00eancia, ambientes que deveriam ser ocupados por matas ciliares, florestas e vegeta\u00e7\u00e3o nativa d\u00e3o lugar a monoculturas, casas, pr\u00e9dios e avenidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ter conhecimento sobre o desenvolvimento das plantas e seu papel ecol\u00f3gico promove a consci\u00eancia ambiental, a conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies nativas, a restaura\u00e7\u00e3o de ambientes degradados, o uso de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis de cultivo e o fomento \u00e0s pesquisas cient\u00edficas sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A educa\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica ensina que todas as esp\u00e9cies de plantas apresentam igual import\u00e2ncia. A valoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de culturas como milho, feij\u00e3o, soja e arroz \u00e9 t\u00e3o essencial quanto a valoriza\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, das plantas espont\u00e2neas que crescem nas lavouras e das \u00e1rvores das pra\u00e7as. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Principalmente nos grandes centros urbanos, \u00e9 essencial adotar estrat\u00e9gias para aumentar a presen\u00e7a de plantas no ambiente, n\u00e3o somente em pra\u00e7as p\u00fablicas, mas tamb\u00e9m em locais estrat\u00e9gicos, como em \u00e1reas inund\u00e1veis, com a recupera\u00e7\u00e3o de matas ciliares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investir no ensino de bot\u00e2nica, tanto no ambiente escolar como fora dele, possibilita um maior entendimento sobre as plantas e promove pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis. Isso \u00e9 fundamental para encontrar solu\u00e7\u00f5es que mitiguem os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-background-color has-background wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8004014185682519\">Edeilson Brito de Souza<\/a> \u00e9 mestrando no PPG em Bot\u00e2nica.<br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8433358795808593\">Maria Cecilia de Chiara Mo\u00e7o<\/a> \u00e9 docente do Departamento de Bot\u00e2nica e do PPG em Bot\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color wp-block-paragraph\" style=\"font-size:12px\"><em>&#8220;As manifesta\u00e7\u00f5es expressas neste ve\u00edculo n\u00e3o representam obrigatoriamente o posicionamento da UFRGS como um todo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo | Edeilson Brito de Souza e Maria Cecilia de Chiara Mo\u00e7o, da Bot\u00e2nica, defendem a necessidade de uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima com a vegeta\u00e7\u00e3o e de uma educa\u00e7\u00e3o que contribua para esse fim<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/impercepcao-botanica-na-politica-ambiental\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":87549,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[53],"tags":[3810,5921,827,1554,5918,5917,5919,5922,5920],"ppma_author":[2938],"class_list":["entry","author-gerente","has-excerpt","post-86865","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-artigo","tag-agropecuaria","tag-area-inundavel","tag-desmatamento","tag-educacao-ambiental","tag-ensino-de-botanica","tag-mata-ciliar","tag-monocultura","tag-ppg-botanica","tag-vegetacao-nativa"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - 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