{"id":87880,"date":"2024-06-13T08:00:00","date_gmt":"2024-06-13T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=87880"},"modified":"2024-06-13T12:06:03","modified_gmt":"2024-06-13T15:06:03","slug":"conhecimento-do-portugues-proporciona-acolhimento-para-imigrantes-que-vivem-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/conhecimento-do-portugues-proporciona-acolhimento-para-imigrantes-que-vivem-no-brasil\/","title":{"rendered":"Conhecimento do portugu\u00eas proporciona acolhimento para imigrantes que vivem no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Inclus\u00e3o | Atrav\u00e9s da l\u00edngua portuguesa, migrantes podem ter acesso a direitos, cultura e educa\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto: H\u00e1 5 anos no Brasil, a colombiana Alejandra Gomez trabalha no Centro \u00cdtalo-Brasileiro de Assist\u00eancia e Instru\u00e7\u00f5es \u00e0s Migra\u00e7\u00f5es (CIBAI Migra\u00e7\u00f5es), projeto ligado \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica que promove integra\u00e7\u00e3o sociolaboral, capacita\u00e7\u00f5es e assist\u00eancia aos migrantes em Porto Alegre (Marcelo Pires\/JU)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a colombiana Alejandra Gomez, de 22 anos, chegou ao Brasil, em 2019, n\u00e3o sabia falar portugu\u00eas. Pela proximidade fon\u00e9tica com o espanhol, sua l\u00edngua materna, Alejandra passou a entender parcialmente conversas em portugu\u00eas ap\u00f3s cerca de 3 meses morando no novo pa\u00eds, mas a sensa\u00e7\u00e3o de inadequa\u00e7\u00e3o permaneceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudante de arquitetura e marketing em Porto Alegre, a colombiana conta que precisou \u201cse for\u00e7ar\u201d a aprender a l\u00edngua oficial brasileira rapidamente para ter um melhor desempenho na faculdade e no trabalho. Ap\u00f3s um ano estudando a l\u00edngua por conta pr\u00f3pria e convivendo diariamente com falantes nativos, Alejandra j\u00e1 era fluente em portugu\u00eas. Para ela, ter o dom\u00ednio da l\u00edngua enquanto imigrante vivendo no Brasil significa a possibilidade de acolhimento e a sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento ao pa\u00eds que virou sua casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA l\u00edngua \u00e9 a ponte. Sem comunica\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m consegue expressar o que quer, precisa ou sente\u201d<\/p>\n<cite>Alejandra Gomez<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Ensino individualizado \u00e9 a chave<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa tarde ensolarada de abril, em uma das salas de aula da Escola de Administra\u00e7\u00e3o da UFRGS, cerca de 20 estudantes se re\u00fanem para assistir a uma aula de portugu\u00eas e cultura. Nenhum deles \u00e9 brasileiro ou fala portugu\u00eas fluentemente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a ajuda do professor Nathan Barcellos, do Programa de Portugu\u00eas para Estrangeiros da UFRGS (PPE), esses estudantes de diferentes nacionalidades aprendem a l\u00edngua, suas nuances e especificidades atrav\u00e9s de m\u00fasicas, textos liter\u00e1rios, eventos hist\u00f3ricos e obras de arte brasileiras. A m\u00fasica Asa Branca, de Luiz Gonzaga, \u00e9 um dos artefatos utilizados durante a aula n\u00e3o s\u00f3 para estimular a aprendizagem da l\u00edngua em toda sua variedade e pluralidade, mas tamb\u00e9m para a compreens\u00e3o de um pa\u00eds, seu povo e sua hist\u00f3ria, tudo com o portugu\u00eas como pano de fundo. \u201cO foco dessa aula \u00e9 justamente expandir o repert\u00f3rio deles em refer\u00eancias brasileiras\u201d, explica Nathan.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atuante no PPE h\u00e1 dois anos, o professor conta que as aulas de portugu\u00eas com estudantes estrangeiros s\u00e3o sempre uma troca m\u00fatua de conhecimentos e uma imers\u00e3o cultural. \u201cA gente ganha outra perspectiva sobre tudo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a coordenadora do PPE, Let\u00edcia Grubert dos Santos, o mais importante no ensino de portugu\u00eas para estrangeiros \u00e9 considerar e acolher as diferentes realidades que convivem numa mesma sala de aula. \u201c\u00c9 muito importante que nossos professores tenham uma boa base te\u00f3rica, mas que tamb\u00e9m conhe\u00e7am as turmas dos estudantes, as realidades diferentes que se apresentam\u201d, aponta. Nesse sentido, Nathan exemplifica uma particularidade: \u201cOs estudantes refugiados geralmente falam portugu\u00eas bem, porque costumam trabalhar, mas ent\u00e3o eles precisam refor\u00e7ar a escrita, porque eles n\u00e3o est\u00e3o acostumados a escrever.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de acolher e englobar os gostos, necessidades e particularidades de cada um dos estudantes no ensino da l\u00edngua \u00e9 o que define o Portugu\u00eas como L\u00edngua de Acolhimento (PLAc), que visa que a aprendizagem da l\u00edngua portuguesa se d\u00ea atrav\u00e9s de um contexto de inser\u00e7\u00e3o social, indo al\u00e9m do ensino da gram\u00e1tica. Segundo a professora do Instituto de Letras da UFRGS Gabriela Bulla, o PLAc atende \u00e0s demandas espec\u00edficas de cada estudante durante o aprendizado, levando em considera\u00e7\u00e3o os fins para os quais a l\u00edngua vai ser utilizada por cada um. \u201cAlgumas pessoas querem aprender a escrever um e-mail, outras querem participar de um grupo de leitura de literatura\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPara al\u00e9m do letramento, \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o pessoal e ideol\u00f3gica na l\u00edngua adicional\u201d<\/p>\n<cite>Gabriela Bulla<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ensino de portugu\u00eas para estrangeiros, no entanto, ainda esbarra na literatura incipiente sobre o tema e nas altas taxas de evas\u00e3o. \u201cSe um aluno est\u00e1 fazendo o curso, mas \u00e9 aprovado em um teste de profici\u00eancia em portugu\u00eas, talvez ele n\u00e3o tenha tanta motiva\u00e7\u00e3o para continuar\u201d, exemplifica Let\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">O que o portugu\u00eas proporciona<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para se naturalizar brasileiro, \u00e9 preciso, primeiro, comprovar a profici\u00eancia no portugu\u00eas. Uma das maneiras de fazer isso \u00e9 atrav\u00e9s do Certificado de Profici\u00eancia em L\u00edngua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras), que \u00e9 o exame brasileiro oficial para certificar profici\u00eancia em portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m desse, outros benef\u00edcios para imigrantes s\u00f3 podem ser obtidos atrav\u00e9s do conhecimento da l\u00edngua oficial do pa\u00eds. A palestina Maysar Hassan, de 63 anos, vive no Brasil desde os oito, e sempre trabalhou junto a iniciativas de amparo e acolhimento de fam\u00edlias imigrantes e refugiadas que se estabelecem no Rio Grande do Sul. Apesar de ter aprendido a l\u00edngua logo quando chegou ao pa\u00eds, ainda crian\u00e7a, ela conhece de perto a realidade e as oportunidades das quais s\u00e3o privados os imigrantes que n\u00e3o puderam aprender portugu\u00eas. \u201c\u00c9 complicado arrumar emprego, se comunicar e se mobilizar\u201d, observa. \u201cA primeira dificuldade \u00e9 sempre a l\u00edngua.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alejandra, que ingressou na universidade no Brasil antes de ter o pleno dom\u00ednio da l\u00edngua, lembra dos obst\u00e1culos que precisou enfrentar para se manter na gradua\u00e7\u00e3o. \u201cEu precisava ler textos, ouvir e apresentar trabalhos, ent\u00e3o acabei me for\u00e7ando a aprender mais r\u00e1pido\u201d, conta. Ela ainda ressalta a dificuldade no acesso a direitos por parte de imigrantes que n\u00e3o conhecem a l\u00edngua do novo pa\u00eds. \u201cNormalmente, o migrante desconhece muitos benef\u00edcios, documentos e at\u00e9 processos trabalhistas, j\u00e1 que n\u00e3o est\u00e1 familiarizado com a cultura e as leis do pa\u00eds que o acolhe.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"88008\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4709.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-88008\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4709.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4709-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4709-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4709-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4709-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4709-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4709-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4709-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"88007\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4751.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-88007\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4751.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4751-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4751-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4751-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4751-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4751-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4751-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4751-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"88009\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4724.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-88009\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4724.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4724-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4724-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4724-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4724-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4724-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4724-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMG_4724-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\"><em>Contando com laborat\u00f3rio de inform\u00e1tica, cozinha, biblioteca, sala de reuni\u00f5es e brinquedoteca, espa\u00e7o do CIBAI Migra\u00e7\u00f5es oferece apoio a migrantes (Fotos: Marcelo Pires\/JU)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Contato com o pa\u00eds de origem<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na fam\u00edlia de Alejandra, existe uma regra: em casa, s\u00f3 se fala espanhol. Apesar da import\u00e2ncia que o portugu\u00eas representa na vida de imigrantes estabelecidos no Brasil, o contato com as ra\u00edzes tamb\u00e9m \u00e9 essencial para muitos deles. Muitas vezes, isso significa se manter falante ativo da l\u00edngua materna sempre que poss\u00edvel. No caso da fam\u00edlia de Alejandra, a decis\u00e3o de manter o espanhol como l\u00edngua principal do lar foi tomada para que as irm\u00e3s mais novas da estudante n\u00e3o perdessem o dom\u00ednio da l\u00edngua. \u201cPara n\u00f3s, \u00e9 importante que elas saibam espanhol, pois isso abre mais portas, al\u00e9m de permitir que elas se comuniquem com a nossa fam\u00edlia na Col\u00f4mbia\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Nathan afirma que sua filosofia pessoal enquanto docente de l\u00edngua portuguesa para estrangeiros \u00e9 de nunca impedir que seus alunos falem em suas l\u00ednguas maternas. \u201c\u00c9 inevit\u00e1vel eles terem que usar o portugu\u00eas, porque na aula est\u00e1 tudo em portugu\u00eas, ent\u00e3o deixo eles falarem na l\u00edngua deles quando quiserem\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maysar, que tem o \u00e1rabe como l\u00edngua materna, tamb\u00e9m procura manter o idioma vivo entre sua fam\u00edlia. Apesar de os pais, com quem conversava em \u00e1rabe, j\u00e1 serem falecidos, ela se esfor\u00e7a para que os filhos ajudem a manter a cultura palestina viva dentro de casa, seja atrav\u00e9s da l\u00edngua ou da manuten\u00e7\u00e3o de costumes, mesmo a 10 mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia de casa. \u201cSomos refugiados e o nosso pa\u00eds est\u00e1 sob ocupa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, para n\u00f3s \u00e9 muito importante manter nossa cultura, nossa tradi\u00e7\u00e3o e, principalmente, a nossa l\u00edngua.\u201d<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inclus\u00e3o | Atrav\u00e9s da l\u00edngua portuguesa, migrantes podem ter acesso a direitos, cultura e educa\u00e7\u00e3o<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/conhecimento-do-portugues-proporciona-acolhimento-para-imigrantes-que-vivem-no-brasil\/\">Leia 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