{"id":8849,"date":"2020-06-25T08:57:35","date_gmt":"2020-06-25T11:57:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=8849"},"modified":"2020-06-26T09:37:16","modified_gmt":"2020-06-26T12:37:16","slug":"quando-a-pesquisadora-ganha-colo-afroperspectiva-em-pesquisas-com-criancas-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/quando-a-pesquisadora-ganha-colo-afroperspectiva-em-pesquisas-com-criancas-negras\/","title":{"rendered":"Quando a pesquisadora ganha colo:  afroperspectiva em pesquisas com crian\u00e7as negras"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a quarentena iniciou em preven\u00e7\u00e3o ao novo coronav\u00edrus (covid-19), senti a metodologia de minha pesquisa de mestrado \u2013 <em>Inf\u00e2ncias negras: modos de subjetiva\u00e7\u00e3o afroperspectivistas<\/em> \u2013 ir por \u00e1gua abaixo. Era poss\u00edvel fazer uma pesquisa com crian\u00e7as, mesmo distante delas e do campo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s algumas semanas e orienta\u00e7\u00f5es, novos caminhos metodol\u00f3gicos \u2013 como as entrevistas online e escritas com as crian\u00e7as \u2013 puderam ser elaborados. Papear e gargalhar com as crian\u00e7as nas entrevistas tem me oferecido colo. As entrevistas realizadas com as crian\u00e7as de 8 a 13 anos, meninas e meninos negros, que participam do Sopapinho Po\u00e9tico \u2013 espa\u00e7o vinculado ao <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/SopapoPoetico\/\">Sarau Sopapo Po\u00e9tico \u2013 Ponto Negro da Poesia<\/a> \u2013, me conectam com a potencialidade de suas inf\u00e2ncias e me levam a um reencontro com a pesquisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quais as narrativas das crian\u00e7as negras a respeito de suas viv\u00eancias\/ trajet\u00f3rias em um projeto antirracista, sobre inf\u00e2ncias e rela\u00e7\u00f5es raciais? Esse problema de pesquisa <em>suleia<\/em> meu estudo \u2013 \u201csulear\u201d \u00e9 um termo afroperspectivista e significa buscar a pr\u00f3pria centralidade na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, em qualquer dire\u00e7\u00e3o. Sem pretens\u00e3o de respond\u00ea-lo, queremos fazer pensar, em um di\u00e1logo pluriversal com a psicologia social, a psicologia preta e a filosofia afroperspectivista. Sobretudo, desde as palavras das crian\u00e7as, ao m\u00e1ximo poss\u00edvel, em um estudo escrito por uma mulher negra adulta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"571\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm4_bx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8926\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm4_bx.jpg 450w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm4_bx-236x300.jpg 236w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm4_bx-92x117.jpg 92w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm4_bx-433x550.jpg 433w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm4_bx-394x500.jpg 394w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"621\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm9_bx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8927\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm9_bx.jpg 450w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm9_bx-217x300.jpg 217w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm9_bx-85x117.jpg 85w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm9_bx-399x550.jpg 399w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm9_bx-362x500.jpg 362w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"548\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm27_bx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8928\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm27_bx.jpg 450w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm27_bx-246x300.jpg 246w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm27_bx-96x117.jpg 96w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm27_bx-411x500.jpg 411w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><figcaption>A po\u00e9tica do artista visual Wagner Mello, segundo suas pr\u00f3prias palavras, constr\u00f3i narrativas a partir de experimentos gr\u00e1ficos com linguagens como o desenho, a gravura, a colagem e, mais recentemente, imagens audiovisuais (Ilustra\u00e7\u00f5es: Wagner Mello)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Renato Noguera, a <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/resafe\/article\/view\/28256\">filosofia afroperspectivista<\/a> \u00e9: \u201cuma cosmossensa\u00e7\u00e3o polic\u00eantrica, uma abordagem polirracional que se orienta com pretens\u00e3o \u00e0 pluriversalidade, uma abordagem te\u00f3rica e metodol\u00f3gica que surge no contexto das ci\u00eancias humanas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua postura instiga o encontro de \u201cprodu\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas africanas, afrodiasp\u00f3ricas e comprometidas com o combate ao racismo epist\u00eamico\u201d, enriquecendo os <a href=\"https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/index.php\/riae\/article\/view\/18346\">saberes<\/a>, apostando na pot\u00eancia do estado de inf\u00e2ncia, enquanto \u201c<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2175-62362019000200409\">conceito<\/a> ontol\u00f3gico \u2013 como uma condi\u00e7\u00e3o existencial, uma forma de experi\u00eancia, um modo de rela\u00e7\u00e3o\u201d consigo e com o mundo que permite interrogar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 passa da hora de inserir compreens\u00f5es pluralistas no campo da psicologia, principalmente sobre as crian\u00e7as negras, que costumam ser acessadas pela perspectiva do racismo, quando n\u00e3o invisibilizadas, como discutem <a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=LyqsDwAAQBAJ&amp;printsec=frontcover&amp;dq=ALMEIDA,+S%C3%ADlvio+Luiz+de.+Racismo+estrutural&amp;hl=pt-BR&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjq5YalspjqAhXlGbkGHcRdCxYQ6AEwAHoECAYQAg#v=onepage&amp;q=ALMEIDA%2C%20S%C3%ADlvio%20Luiz%20de.%20Racismo%20estrutural&amp;f=false\">Silvio Almeida<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.seer.ufal.br\/index.php\/latitude\/article\/view\/2616\">M\u00edghian Danae Ferreira Nunes<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S0102-46982015000200129&amp;script=sci_abstract&amp;tlng=pt\">Fl\u00e1vio Santiago<\/a>. Os efeitos de viver e crescer (e ser morto\/a com drogas, proj\u00e9teis, estere\u00f3tipos e quedas de janelas) em uma sociedade racista certamente s\u00e3o temas essenciais para qualquer debate. Ainda mais para crian\u00e7as negras, m\u00e3es, pais etc., a fim de que se compreenda a produ\u00e7\u00e3o de subjetividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apostamos, entretanto, que olhares pluriversais enriquecem qualquer debate e compreens\u00e3o de mundo; com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as negras n\u00e3o seria diferente. Nesse caso, os estudos sobre elas precisam tomar o racismo como dado importante. Mas estudos que encerrem a compreens\u00e3o sobre as crian\u00e7as negras apenas no \u00e2mbito do racismo s\u00e3o t\u00e3o perversos quanto o pr\u00f3prio racismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Assim, engrossamos o coro com pesquisadoras\/es da \u00e1rea como Renato Noguera e Mighian Nunes, ao afirmar a exist\u00eancia das crian\u00e7as negras para al\u00e9m do racismo, pois \u201c&#8217;As crian\u00e7as negras est\u00e3o vivas&#8217; e, assim, seguem a despeito do racismo presente na sociedade brasileira&#8221;, escreve Nunes.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m nos aliamos \u00e0 pot\u00eancia de projetos infantis antirracistas no campo da educa\u00e7\u00e3o que demonstram que \u00e9 poss\u00edvel realizar um trabalho s\u00e9rio e implicado com as crian\u00e7as negras a respeito de suas vidas e amores (e n\u00e3o apenas de suas mortes e dores). Tais projetos t\u00eam realizado, ao longo da quarentena, em p\u00e1ginas do facebook, uma s\u00e9rie de lives intituladas \u201cPr\u00e1ticas de Educa\u00e7\u00e3o Antirracista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"601\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm32_bx-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8930\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm32_bx-1.jpg 450w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm32_bx-1-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm32_bx-1-88x117.jpg 88w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm32_bx-1-412x550.jpg 412w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm32_bx-1-374x500.jpg 374w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"609\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm19_bx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8931\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm19_bx.jpg 450w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm19_bx-222x300.jpg 222w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm19_bx-86x117.jpg 86w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm19_bx-406x550.jpg 406w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ilustra-wm19_bx-369x500.jpg 369w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><figcaption>O artista Wagner Mello trabalha com diversas linguagens e suportes e atua no circuito de difus\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o independente e no circuito de feiras de artes gr\u00e1ficas (Ilustra\u00e7\u00f5es: Wagner Mello)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na experi\u00eancia afro-ga\u00facha, para al\u00e9m do Sopapinho Po\u00e9tico, que ocorre fora da escola, os projetos <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/afroativos\/\">Afroativos<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/poderdocrespoig\/\">Empoderadas IG<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/quilombonja\/\">Quilombonja<\/a>, para as\/os alunas\/os, e <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/coletivoquilombelas\/\">Quilombelas<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Coletivo-de-Profes-Pretas-107506827602547\/\">Profes Pretas<\/a>, para as professoras, t\u00eam produzido, em alguns anos, o que a escola tradicional n\u00e3o foi capaz de realizar em s\u00e9culos: oferecer lugar para todas as corporeidades, numa l\u00f3gica que se assemelha \u00e0 da Filosofia Ubuntu, segundo a qual uma pessoa s\u00f3 \u00e9 uma pessoa a partir de outras pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ara n\u00f3s, pesquisadoras\/es, escutar as viv\u00eancias das crian\u00e7as negras desde vozes polif\u00f4nicas \u00e9 importante para percebermos as pluralidades que comp\u00f5em todas as crian\u00e7as: negras, brancas, ind\u00edgenas, viadas, trans, intersex (como mostram <a href=\"https:\/\/portalseer.ufba.br\/index.php\/revistaperiodicus\/article\/view\/25646\">Rodrigues et al.<\/a> e <a href=\"https:\/\/pdfs.semanticscholar.org\/0e94\/e5ae704dcaf0dacd3678366365a73a177cd7.pdf\">Favero e Machado<\/a>). Tais pluralidades, se postas em di\u00e1logo, podem criar meios que permitam acessar os mundos das crian\u00e7as de forma mais implicada e coerente com o que elas vivem e sentem no cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O \u201cracismo tem apagado a presen\u00e7a das crian\u00e7as negras brasileiras mesmo nos espa\u00e7os em que elas est\u00e3o presentes\u201d, como aponta Nunes. Para que elas possam viver suas inf\u00e2ncias com a humanidade e cidadania que qualquer crian\u00e7a tem direito, \u00e9 imprescind\u00edvel que possamos enxerg\u00e1-las como elas s\u00e3o, e n\u00e3o como c\u00f3pias de inf\u00e2ncias brancas.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apostar na pluriversalidade, enquanto \u201cum modelo aberto que inclui a universalidade\u201d e n\u00e3o exclui formas diversas de ser e estar no mundo, \u00e9 um caminho mais que necess\u00e1rio, segundo Noguera. N\u00e3o apenas pelo bem-estar das crian\u00e7as e pessoas negras adultas, mas para que toda a sociedade possa viver e ser como \u00e9. Sem ser aprisionada em corporeidades normativas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph\"><strong>Liziane Guedes da Silva<\/strong> \u00e9<sup> <\/sup>psic\u00f3loga cl\u00ednica e mestranda em Psicologia Social (NUPSEX\/UFRGS).&nbsp;<br><br><strong>Wagner Mello<\/strong> \u00e9 artista visual e educador. \u00c9 produtor no selo Trilhas Pretas e co-criador no Est\u00fadio Mar.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a quarentena iniciou em preven\u00e7\u00e3o ao novo coronav\u00edrus (covid-19), senti a metodologia de minha pesquisa de mestrado \u2013 Inf\u00e2ncias negras: modos de subjetiva\u00e7\u00e3o afroperspectivistas \u2013 ir por \u00e1gua abaixo. Era poss\u00edvel fazer uma pesquisa com crian\u00e7as, mesmo distante delas e do campo? 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