{"id":96320,"date":"2024-10-31T07:35:00","date_gmt":"2024-10-31T10:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=96320"},"modified":"2024-10-30T09:34:47","modified_gmt":"2024-10-30T12:34:47","slug":"o-caminho-ate-uma-comunidade-ribeirinha-em-manaus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/o-caminho-ate-uma-comunidade-ribeirinha-em-manaus\/","title":{"rendered":"O caminho at\u00e9 uma comunidade ribeirinha em Manaus"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Para Bianca da Silva Doza e Nestor Andr\u00e9 Kaercher, da Geografia, os percursos que realizamos revelam muito sobre nossa forma de viver e se relacionar com o mundo<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Por Bianca da Silva Doza e Nestor Andr\u00e9 Kaercher<br>*Ilustra\u00e7\u00e3o:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/erikanunes_f\">Erika Nunes<\/a>\/&nbsp;Programa de Extens\u00e3o Hist\u00f3rias e Pr\u00e1ticas Art\u00edsticas, DAV-IA\/UFRGS<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste artigo, convido o leitor a viajar comigo at\u00e9 a Comunidade Nossa Senhora de F\u00e1tima, onde estou desenvolvendo uma pesquisa de mestrado em Geografia. Meu ponto de partida \u00e9 o Porto Flutuante Marina do Davi, localizado no bairro Ponto Negra, zona oeste de Manaus.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"923\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240718_105714-2000x923.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-97776\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240718_105714-2000x923.jpg 2000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240718_105714-300x138.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240718_105714-175x81.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240718_105714-768x354.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240718_105714-1536x709.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240718_105714-2048x945.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240718_105714-465x215.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240718_105714-695x321.jpg 695w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240718_105714-920x425.jpg 920w\" sizes=\"(max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Porto Fluvial Marina do Davi, administrado pela Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da Marina do Davi (ACAMDAF). Ao redor, tamb\u00e9m moram fam\u00edlias que trabalham consertando e protegendo embarca\u00e7\u00f5es t\u00e3o luxuosas quanto os condom\u00ednios do bairro Ponta Negra (Foto: Bianca Doza\/Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez no local, aguardo a lancha. Seu ritmo \u00e9 influenciado pela din\u00e2mica de cheia-vazante do rio, bem como o fluxo de turista. O primeiro se refere \u00e0 subida do rio entre outubro e mar\u00e7o, contrastando com a redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis das \u00e1guas entre abril e setembro.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na cheia, a navega\u00e7\u00e3o da lancha \u00e9 mais r\u00e1pida. Al\u00e9m do curso principal, \u00e9 poss\u00edvel pegar atalhos pelos furos sem temer os bancos de areia. O ritmo das viagens, contudo, n\u00e3o \u00e9 conduzido somente pela natureza, mas tamb\u00e9m pelos grupos de turistas que buscam contempl\u00e1-las.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No segundo caso, um maior fluxo de turistas garante viagens mais frequentes. Essa rapidez diante da demanda do turismo beneficiou-me entre junho e julho. No final de julho e in\u00edcio de agosto, com o rio secando, dei-me conta da demora.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 25 de julho, por exemplo, cheguei ao porto 11h50min com a tranquilidade de quem pegaria a lancha de 12h. Olho para o pequeno quadro branco que informa o hor\u00e1rio seguinte: 12:42. Assusto-me com tamanha demora aparentemente misteriosa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta, no entanto, apareceu aos poucos. Cinco minutos depois de chegar, um grupo de turistas se aproxima e pergunta: \u201ca de meio-dia j\u00e1 saiu?\u201d. Internamente respondo \u201cn\u00e3o!\u201d, mas o autom\u00e1tico informa que sim.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como pode a lancha de 12h sair antes das 11h50min? Um dos passageiros, possivelmente tamb\u00e9m um turista, explicou o jogo: a lancha sai de 1h em 1h hora, mas, se atingir o limite (entre 49 e 51 passageiros, a depender do modelo), sai antes. Ou seja: a das 12h encheu antes (por volta das 11h40min), e est\u00e1vamos esperando a das 13h. Como havia entre 15 e 20 pessoas, n\u00e3o seria poss\u00edvel antecipar a partida.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s 12h32min come\u00e7amos a embarcar. Dentre os passageiros, \u00e9 poss\u00edvel observar as diferen\u00e7as entre turistas e moradores. Os primeiros geralmente mostram parte do traje de banho, levam consigo grandes bolsas de lado, caixa t\u00e9rmica e at\u00e9 aparelhos de som.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os moradores, por sua vez, carregam diversas sacolas estampadas com as grandes redes de hipermercados da cidade, sacos de juta e caixas de madeira e papel\u00e3o. Nessas bagagens, levam os mais diversos produtos: flocos de milho (para fazer cuscuz), abacaxi, maxixe, maracuj\u00e1, cenoura, pepino, tomate, feij\u00e3o, \u00f3leo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos alimentos, alguns arriscam transportar eletrodom\u00e9sticos. No dia 30 de julho, um dos passageiros transportou uma televis\u00e3o de LED cuja dimens\u00e3o ocupou duas cadeiras da lancha.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s nos acomodarmos, o barulho do motor e o cheiro de diesel anunciam a partida. O cobrador tamb\u00e9m inicia seu trabalho, passando nas cadeiras com dinheiro trocado ou o QR Code. Ao fundo, algu\u00e9m reclamava que a internet estava indo e voltando, uma situa\u00e7\u00e3o tensa aos que pagam no pix.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pagamento foi ainda mais confuso para um casal que estava a caminho do Museu do Seringal. Ao serem informados do valor (21 reais), o homem perguntava \u201c\u00e9 11 por pessoa? Quanto d\u00e1 3?\u201d. \u201c\u00c9 21\u201d, anunciava uma voz abafada pelo som do motor. \u201cUma \u00e9 11, mas e tr\u00eas saem quanto?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim ficaram at\u00e9 o passageiro entender que o valor de 21 reais n\u00e3o \u00e9 para tr\u00eas ou duas pessoas, mas apenas uma, e apenas para ida. Ou seja, para um morador da cidade de Manaus, s\u00f3 o trajeto de lancha para o museu, se feito sozinho, custa 42 reais. Levar a fam\u00edlia nem pensar, a menos que o familiar seja um rec\u00e9m-nascido. Isso porque crian\u00e7as, idosos e estudantes pagam o mesmo valor, conforme as instru\u00e7\u00f5es abaixo:<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"797\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Regras-rec-797x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-97778\" style=\"width:450px\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Regras-rec-797x1024.jpg 797w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Regras-rec-233x300.jpg 233w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Regras-rec-91x117.jpg 91w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Regras-rec-768x987.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Regras-rec-1195x1536.jpg 1195w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Regras-rec-428x550.jpg 428w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Regras-rec-389x500.jpg 389w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Regras-rec.jpg 1403w\" sizes=\"(max-width: 797px) 100vw, 797px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Instru\u00e7\u00f5es de embarque. Dessas regras, n\u00e3o presenciei at\u00e9 hoje a pesagem das bagagens nem a averigua\u00e7\u00e3o da idade das crian\u00e7as (Foto: Bianca Doza\/Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Feito o pagamento, a primeira parada \u00e9 a Praia da Lua:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"923\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240808_112133-2000x923.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-97779\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240808_112133-2000x923.jpg 2000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240808_112133-300x138.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240808_112133-175x81.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240808_112133-768x354.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240808_112133-1536x709.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240808_112133-2048x945.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240808_112133-465x215.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240808_112133-695x321.jpg 695w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20240808_112133-920x425.jpg 920w\" sizes=\"(max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Praia da Lua, em Manaus (AM), onde a maioria dos turistas desembarca (Foto: Bianca Doza\/Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-accent-font-color\">Nos primeiros campos, adentr\u00e1vamos um furo. A<\/mark> partir de julho, por\u00e9m, esse caminho tornou-se estreito. Devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel da \u00e1gua, a lancha navega apenas pelo curso principal. Cerca de 10-15 minutos depois, chegamos \u00e0 Comunidade Nossa Senhora de F\u00e1tima.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"923\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Comunidade-2000x923.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-97781\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Comunidade-2000x923.jpg 2000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Comunidade-300x138.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Comunidade-175x81.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Comunidade-768x354.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Comunidade-1536x709.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Comunidade-2048x945.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Comunidade-465x215.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Comunidade-695x321.jpg 695w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Comunidade-920x425.jpg 920w\" sizes=\"(max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Comunidade Nossa Senhora da F\u00e1tima, em Manaus (AM), criada na d\u00e9cada de 60. &nbsp;Al\u00e9m do rio, possui como via de circula\u00e7\u00e3o alguns ramais que a ligam \u00e0 BR-174&nbsp;(Foto: Bianca Doza\/Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa paisagem, quero destacar o Porto Flutuante da Comunidade Nossa Senhora de F\u00e1tima:<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"590\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-19.47.43-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-97783\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-19.47.43-1.jpeg 1280w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-19.47.43-1-300x138.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-19.47.43-1-175x81.jpeg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-19.47.43-1-768x354.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-19.47.43-1-465x214.jpeg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-19.47.43-1-695x320.jpeg 695w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-19.47.43-1-920x425.jpeg 920w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Porto Flutuante da Comunidade Nossa Senhora de F\u00e1tima, tamb\u00e9m administrado pela ACAMDAF. A \u00e1rvore \u00e0 direita anuncia a chegada da seca, pois na cheia n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ver suas ra\u00edzes. Mais \u00e0 frente, os moradores descarregam tijolos que, ap\u00f3s serem transportados de rabeta (canoa motorizada), ser\u00e3o levados ao destino de carro (Foto: Bianca Doza\/Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse local, no dia 25 de julho, estava voltando para casa ap\u00f3s uma atividade com os estudantes. Em cerca de 30 minutos de espera, as conversas navegaram por temas diversos, a come\u00e7ar pelo gado.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na comunidade, afirmaram n\u00e3o dar certo, pois a seca destr\u00f3i o pasto, e o boi morre de fome. \u201cTem que plantar cana\u201d, afirmava um idoso com a blusa do David Almeida, naquele momento candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o para a prefeitura de Manaus pelo partido Avante.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seguida, a conversa se direcionou ao rio. A senhora ao meu lado anunciava sua tristeza devido \u00e0 seca, relembrando com temor o epis\u00f3dio do ano passado. \u201cEu achei foi bom, dona Justina\u201d, disse um dos moradores.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu olhei para ele incr\u00e9dula e curiosa. Entretanto, logo me tranquilizei com sua fala seguinte, de uma ironia machadiana que arrancou risos de todos enquanto falava com seriedade e convic\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cIsso ficou na minha hist\u00f3ria. Agora, quando eu for velho, eu vou poder falar dessa seca, que aqui [disse ele apontando para o rio] dava para andar de moto. Essas rabetinhas [disse apontando para a canoa motorizada], tinha que descer e empurrar. Foi bom para quem n\u00e3o sabia nadar. N\u00e3o dava para morrer afogado; atolado dava, mas afogado n\u00e3o.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanta hist\u00f3ria h\u00e1 nessa geografia do caminho!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-background-color has-background wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2654373868901574\">Bianca da Silva Doza<\/a> \u00e9 mestranda no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia (POSGea) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). \u00c9 bolsista pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e est\u00e1 desenvolvendo uma pesquisa de mestrado sobre as escolas ribeirinhas de Manaus. Alguns de seus textos podem ser encontrados em: <a href=\"https:\/\/medium.com\/@bdoza\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/medium.com\/@bdoza<\/a>.<br><br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4218425276153727\">Nestor Andr\u00e9 Kaercher<\/a> \u00e9 professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde \u00e9 professor do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Geografia, atuando principalmente no ensino, na forma\u00e7\u00e3o de professores e na pr\u00e1tica docente. Seus textos podem ser encontrados no blog: <a href=\"http:\/\/geografiadonestor.weebly.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/geografiadonestor.weebly.com<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo | Para Bianca da Silva Doza e Nestor Andr\u00e9 Kaercher, da Geografia, os percursos que realizamos revelam muito sobre nossa forma de viver e se relacionar com o mundo<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/o-caminho-ate-uma-comunidade-ribeirinha-em-manaus\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":97744,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[53],"tags":[73,5725,1231,842,6561,5845,6562],"ppma_author":[2938],"class_list":["entry","author-gerente","has-excerpt","post-96320","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-artigo","tag-amazonia","tag-cheia","tag-cotidiano","tag-geografia","tag-rio","tag-transporte","tag-vazante"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - 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