{"id":98027,"date":"2024-11-14T07:36:00","date_gmt":"2024-11-14T10:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=98027"},"modified":"2025-01-02T12:02:10","modified_gmt":"2025-01-02T15:02:10","slug":"movimento-social-negro-unido-aos-quilombolas-gauchos-resiste-ao-racismo-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/movimento-social-negro-unido-aos-quilombolas-gauchos-resiste-ao-racismo-ambiental\/","title":{"rendered":"Movimento social negro, unido aos quilombolas ga\u00fachos, resiste ao racismo ambiental"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Iosvaldyr Bittencourt Junior, Cau\u00ea Machado, Jos\u00e9 Carlos Rodrigues e Paulo da Silva relatam a constru\u00e7\u00e3o do apoio de diferentes entidades a comunidades quilombolas afetadas pelas enchentes no estado<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Por Iosvaldyr Bittencourt Junior, Cau\u00ea Machado, Jos\u00e9 Carlos Rodrigues e Paulo da Silva <br>*Arte: Paulo Corr\u00eaa. <\/em>Recorte da obra Dandara<em>. T\u00e9cnica mista.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Grande parte das comunidades quilombolas do Rio Grande do Sul, estimada num total de 145, sofreram muito com os graves eventos clim\u00e1ticos ocorridos a partir de maio deste ano, no sul do pa\u00eds, tanto na capital, Porto Alegre, quanto no interior do estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os quilombolas, de um modo geral, enfrentaram com muita resist\u00eancia e improviso de socorros as duras consequ\u00eancias desses eventos produzidos por chuvas intensas e enchentes, com a devasta\u00e7\u00e3o de hortas, a perda de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, de casas, os riscos de deslizamento e soterramento. Com a agricultara afetada, muitos quilombolas perderam seus postos de emprego, trabalhos informais, com a consequente perda de renda. Nos territ\u00f3rios rurais, ocorreram dificuldades de acesso vi\u00e1rio que causaram in\u00fameros obst\u00e1culos para acessar servi\u00e7os, como&nbsp;de fornecimento de energia el\u00e9trica, de sa\u00fade (consultas m\u00e9dicas, exames laboratoriais, medicamentos e cirurgias), de \u00e1gua e alimentos, de internet, com escolas fechadas, etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o foi diferente com os quilombos urbanos, que j\u00e1 enfrentam dificuldades com a precariza\u00e7\u00e3o f\u00edsica e socioecon\u00f4mica. As pessoas foram expulsas de suas casas pelas \u00e1guas. Al\u00e9m da perda de m\u00f3veis, roupas, eletrodom\u00e9sticos e objetos de mem\u00f3rias afetivas, alguns perderam o pr\u00f3prio im\u00f3vel, afetado estruturalmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante esse per\u00edodo cr\u00edtico, os quilombos urbanos transformaram-se em centros de solidariedade e acolhimento, o que n\u00e3o foi diferente no interior. Ambos contextos tiveram problemas, j\u00e1 que sofreram com o racismo institucional, o racismo ambiental, a neglig\u00eancia administrativa dos gestores p\u00fablicos estaduais e municipais, ao ponto de o governo estadual, de modo desumano, declarar que n\u00e3o tinha pernas nem recursos para chegar a essas regi\u00f5es que clamavam por socorro e aux\u00edlios, assim caracterizando um outro Rio Grande do Sul, o \u201cRio Grande Profundo\u201d dos povos e comunidades ind\u00edgenas, ribeirinhos, ciganos, pescadores e&nbsp;quilombolas, que n\u00e3o merecem nem recebem a aten\u00e7\u00e3o do estado. Ademais, s\u00e3o comunidades desassistidas quanto aos protocolos de aviso preventivo de iminentes trag\u00e9dias clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No transcurso desse per\u00edodo, as comunidades quilombolas \u2013 com territ\u00f3rios predominantemente de uso comum, que j\u00e1 sofrem secularmente diversos tipos de vulnerabilidades sociais \u2013, n\u00e3o somente tiveram muitas dificuldades de acesso a eles, como algumas permaneceram um bom tempo relativamente isoladas, com seus ecossistemas afetados, com dificuldades para acessar as pol\u00edticas p\u00fablicas, sobretudo provenientes do governo federal, j\u00e1 que os recursos estaduais e municipais eram p\u00edfios.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O momento caracteriza-se como de uma verdadeira cat\u00e1strofe ambiental, clim\u00e1tica e humana. Foram geradas campanhas de contribui\u00e7\u00f5es financeiras, com lives promovidas por artistas e comunicadores parceiros, parlamentares dispostos a auxiliar, doa\u00e7\u00f5es individuais e, tamb\u00e9m, a demanda dos \u00f3rg\u00e3os governamentais municipais, estaduais e federais para comporem aux\u00edlios necess\u00e1rios e fundamentais \u2013 financeiros, materiais, sociais, pedag\u00f3gicos e psicol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ocorre que, num primeiro momento, as comunidades quilombolas foram socorridas e auxiliadas por entidades negras, tais como o Iacoreq-RS (Instituto de Assessoria \u00e0s Comunidades de Remanescentes de Quilombos), a Frente Quilombola do Rio Grande do Sul, a Conaq, a Cufa, a Frente Negra Brasileira e, posteriormente, por institui\u00e7\u00f5es governamentais, como o Incra, a Conab e a Codene, al\u00e9m de gabinetes de parlamentares municipais e estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As prioridades materiais foram de \u00e1gua pot\u00e1vel, cestas b\u00e1sicas para subsidiar fam\u00edlias quilombolas ou cozinhas coletivas que disponibilizavam marmitas &#8211; que muitas vezes eram a \u00fanica alimenta\u00e7\u00e3o garantida para o dia -, por\u00e7\u00f5es de ra\u00e7\u00e3o para animais, botas de chuva, guarda-chuvas e luvas, a fim de suportar as chuvas e frios intensos e proteger da leptospirose.&nbsp;O Iacoreq-RS, uma institui\u00e7\u00e3o que atua h\u00e1 mais de vinte anos com assessoria, aux\u00edlios sociais e pol\u00edticos \u00e0s comunidades quilombolas tanto no interior do estado quanto na capital n\u00e3o perdeu tempo no socorro a essas fam\u00edlias flageladas.&nbsp;Em Porto Alegre, as a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias alcan\u00e7aram o Quilombo dos Machado, localizado no bairro Sarandi, zona norte da cidade, tendo como presidente Jamaica Machado, e o Quilombo do Areal da Baronesa, localizado na Cidade Baixa, considerado o ber\u00e7o do samba em Porto Alegre, sob a presid\u00eancia da Fabiana Xavier.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi necess\u00e1rio, tamb\u00e9m, muito apoio psicol\u00f3gico e espiritual a essas comunidades, uma vez que o sofrimento ps\u00edquico e quadros depressivos acometeram muitos de seus habitantes ou de seus vizinhos, moradores de bairros perif\u00e9ricos com popula\u00e7\u00e3o negra prevalente. Nesse sentido, a presen\u00e7a constante de profissionais ou acad\u00eamicos das ci\u00eancias sociais, direito, psicologia e assist\u00eancia social foi fundamental, tamb\u00e9m, no apoio \u00e0s comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das importantes a\u00e7\u00f5es do Iacoreq-RS foi realizada pelo programa de extens\u00e3o \u201cProtagonismo Quilombola: Fortalecer a Luta Antirracista em Territ\u00f3rios de Conflito para Semear Justi\u00e7a\u201d, desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul por meio de parceria entre o Grupo de Pesquisa e Extens\u00e3o Territ\u00f3rio, Estado e Ra\u00e7a (TERRA) e o Instituto, a fim de elaborar um diagn\u00f3stico acerca dos problemas enfrentados e apontados pelas comunidades quilombolas ga\u00fachas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, durante as a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias promovidas pelo Iacoreq-RS, foi poss\u00edvel elaborar o diagn\u00f3stico das comunidades junto com o TERRA por meio de contatos diretos com os representantes das comunidades quilombolas.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o Instituto acompanhou os problemas surgidos ap\u00f3s os primeiros dias, com a necessidade de \u00e1gua, comida e roupas. Dentre as comunidades quilombolas afetadas, tivemos, no interior, as seguintes: S\u00e3o Roque (Arroio do Meio), Vila Sabugueiro (General C\u00e2mara), Rinc\u00e3o dos Caix\u00f5es (Jacuizinho), V\u00f4 Ernestina (Morro Redondo), Brasa Moura (Piratini), Rinc\u00e3o dos Negros (Rio Pardo), Arnesto Penna Carneiro (Santa Maria), Cap\u00e3o dos Lopes (Fortaleza dos Valos), Rinc\u00e3o do Couro (Piratini),&nbsp;Anast\u00e1cia (Viam\u00e3o), Peixoto do Botinhas (Viam\u00e3o), Rinc\u00e3o da Faxina (Viam\u00e3o), Manoel Barbosa (Gravata\u00ed), Corredor dos Munh\u00f3s (Lavras do Sul), J\u00falio Borges (Salto do Jacu\u00ed), Raulino Lessa (Piratini), Vila Milorca (Lago\u00e3o), Cant\u00e3o das Lombas (Viam\u00e3o), Costa da Lagoa (Capivari do Sul), Madeira (Palmares do Sul), Casca (Mostardas), Rinc\u00e3o do Quilombo (Piratini), Unidos de Lajeado (Lajeado), Santos Rocha (Vale Verde), Maria Luiza Ireno (Canoas), Picada Vassouras (Cachoeira do Sul), Rinc\u00e3o&nbsp;do Irapuazinho (Cachoeira do Sul) e Rinc\u00e3o dos Martimianos (Restinga Seca).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em geral, ocorreram problemas de diversas ordens e naturezas, tais como estradas vicinais intrafeg\u00e1veis, alagamentos, desmoronamentos de encostas, falta de energia el\u00e9trica &#8211; causando isolamentos compuls\u00f3rios e tornando dif\u00edcil o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e a cestas b\u00e1sicas, o que fere o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e produz inseguran\u00e7a nutricional e fome. Algumas comunidades permaneceram quase trinta dias sem acesso a luz ou \u00e1gua.&nbsp;Muitas casas foram atingidas por deslizamentos, outras ficaram alagadas e outras, ainda, est\u00e3o sob o risco total diante da imin\u00eancia de chuvas intensas, com novas possibilidades de desabamentos. Outras comunidades tiveram parte de seus territ\u00f3rios declarada inabit\u00e1vel pela Defesa Civil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros problemas foram relacionados \u00e0s planta\u00e7\u00f5es em fazendas do entorno dos territ\u00f3rios quilombolas, acarretando a perda de empregos ou de fontes de renda, j\u00e1 que grande parte da popula\u00e7\u00e3o quilombola trabalha para fazendeiros em lavouras diversas. Nesse cen\u00e1rio, os agricultores quilombolas perceberam a perda da fertilidade dos solos em seus territ\u00f3rios, uma vez que j\u00e1 n\u00e3o vinham produzindo muito bem tub\u00e9rculos e hortali\u00e7as. De um modo geral, as culturas em territ\u00f3rios quilombolas foram afetadas, tanto as destinadas \u00e0 subsist\u00eancia, como as planta\u00e7\u00f5es de feij\u00e3o, aipim, milho e batata, como tamb\u00e9m as cuja finalidade era a gera\u00e7\u00e3o de renda, como a cria\u00e7\u00e3o de animais (gado, porco, pato, ovelha e galinha).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os quilombolas sofreram muito com as insufici\u00eancias nos sistemas de sa\u00fade municipais, de tal forma que os usu\u00e1rios da sa\u00fade p\u00fablica permaneceram desassistidos, sem atendimentos m\u00e9dicos e acesso a rem\u00e9dios oferecidos pelo sistema p\u00fablico. Em muitas dessas comunidades, as linhas de transporte municipal foram suspensas ou as vans de sa\u00fade n\u00e3o tiveram acesso aos seus territ\u00f3rios. Se, entretanto, muitos gestores municipais n\u00e3o disponibilizaram alimentos, outros, sim, fizeram chegar cestas b\u00e1sicas, agasalhos, produtos de higiene pessoal e de limpeza e atenderam \u00e0s demandas de reconstru\u00e7\u00e3o de casas perdidas ou de envio telhas e outros materiais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do mesmo modo, em algumas comunidades os quilombolas organizaram estruturas de atendimento em sa\u00fade que contaram com um intenso trabalho de voluntariado e milit\u00e2ncia em defesa da sa\u00fade p\u00fablica e comunit\u00e1ria de qualidade.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante dos graves acontecimentos decorrentes da maior trag\u00e9dia ambiental no estado do Rio Grande do Sul, uma das primeiras constata\u00e7\u00f5es foi, com elevada gravidade, a inexist\u00eancia de assist\u00eancia imediata por parte das autoridades estaduais e municipais ga\u00fachas, o que agrava ainda mais as consequ\u00eancias do recorrente racismo ambiental contra os quilombolas e a persistente invisibilidade hist\u00f3rica. Em geral, s\u00e3o os primeiros a serem vitimados por enchentes, alagamentos, rompimentos de barragens, invas\u00e3o de seus territ\u00f3rios, acesso escasso \u00e0 \u00e1gua, esgoto tratado e coleta de lixo, al\u00e9m da inseguran\u00e7a nutricional e da falta de acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um do meios digitais bastante utilizado para a obten\u00e7\u00e3o imediata de recursos financeiros foi o emprego do Pix Solid\u00e1rio, cujas verbas obtidas foram utilizadas para adquirir materiais diversos (alimentos, gasolina, medicamentos, log\u00edstica em transportes, telhas, materiais de higiene e limpeza, ra\u00e7\u00e3o para animais, etc.), conforme as demandas de cada associa\u00e7\u00e3o quilombola. Foram realizadas lives e espet\u00e1culos art\u00edsticos promovidos por artistas ga\u00fachos radicados em outros estados e solid\u00e1rios \u00e0s causas quilombolas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As campanhas efetuadas por meio de recursos tecnol\u00f3gicos digitais revelaram-se eficazes nesses momentos agudos de crise clim\u00e1tica devido \u00e0 imediatez, \u00e0 quebra de barreiras espaciais e ao aprimoramento das diversas log\u00edsticas.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, os recursos financeiros eram acessados pelas lideran\u00e7as quilombolas nos seus territ\u00f3rios, quando poss\u00edvel, ou eram acessados pelos comerciantes locais que, por sua vez, encaminhavam as compras \u00e0s comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No interior, muitas comunidades quilombolas, que j\u00e1 sofriam de inseguran\u00e7a alimentar e eram negligenciadas pelo racismo socialmente excludente, receberam aportes financeiros por meio dessa rede solid\u00e1ria, com a media\u00e7\u00e3o de representantes e lideran\u00e7as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo que as enchentes apresentaram um cen\u00e1rio arrasador em quase todas as regi\u00f5es do Rio Grande do Sul, uma onda de solidariedade e mobiliza\u00e7\u00e3o se fez sentir em todo o Brasil com a inten\u00e7\u00e3o de mobilizar esfor\u00e7os para auxiliar no reerguimento das regi\u00f5es e das popula\u00e7\u00f5es afetadas por esse evento considerado a maior trag\u00e9dia ambiental do pa\u00eds. Assim, os resultados da trag\u00e9dia puderam ser minimizados. Com a popula\u00e7\u00e3o negra e quilombola, especificamente, a situa\u00e7\u00e3o foi bem mais complexa e n\u00e3o representa o que se faz sentir no senso comum com rela\u00e7\u00e3o aos efeitos da crise. O racismo se apresentou como elemento catalizador das diverg\u00eancias hist\u00f3ricas presentes tanto no campo quanto na cidade e colocou a descoberto as formas como as popula\u00e7\u00f5es negras e quilombolas s\u00e3o tratadas pelo Estado brasileiro em suas diferentes vertentes e esferas institucionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para resistir, dentro desse cen\u00e1rio, foi importante a articula\u00e7\u00e3o entre as comunidades quilombolas e as distintas organiza\u00e7\u00f5es do movimento social negro que abra\u00e7aram a causa em defesa dos territ\u00f3rios quilombolas e ombrearam com lutas por dignidade e justi\u00e7a secularmente travadas pela popula\u00e7\u00e3o negra e quilombola. Entre eles, o Iacoreq.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-background-color has-background wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1862283779358490\">Iosvaldyr C. Bittencourt Junior<\/a> \u00e9 jornalista, antrop\u00f3logo, integrante do Iacoreq-RS, Ma\u00e7ambique de Os\u00f3rio-RS.<br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9431515371806353\">Cau\u00ea Fraga Machado<\/a> \u00e9 antrop\u00f3logo, realiza est\u00e1gio p\u00f3s-doutoral no PPGS\/UFRGS, \u00e9 professor convidado no PPGAS e no PGDR\/UFRGS, integrante do Iacoreq-RS.<br>Jos\u00e9 Carlos Silva Rodrigues \u00e9 arquiteto e urbanista especialista em projeto Social pela UFRGS, membro e fundador do Iacoreq-RS.<br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7887991035182161\">Paulo S\u00e9rgio da Silva<\/a> \u00e9 p\u00f3s-doutorando e doutor em Educa\u00e7\u00e3o, professor de Hist\u00f3ria da RME de Porto Alegre e integrante do Iacoreq-RS.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div id=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-columns-a2946a77\" class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-columns alignfull has-2-columns has-desktop-oneTwo-layout has-tablet-collapsedRows-layout has-mobile-collapsedRows-layout has-vertical-center ticss-a2946a77 animated fadeIn delay-100ms slower\"><div class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-columns-overlay\"><\/div><div class=\"innerblocks-wrap\">\n<div id=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-column-bbddf55b\" class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-column\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"848\" height=\"1600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Dandara-POR-Paulo-Correa.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-99030\" style=\"width:248px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Dandara-POR-Paulo-Correa.jpeg 848w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Dandara-POR-Paulo-Correa-159x300.jpeg 159w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Dandara-POR-Paulo-Correa-543x1024.jpeg 543w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Dandara-POR-Paulo-Correa-62x117.jpeg 62w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Dandara-POR-Paulo-Correa-768x1449.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Dandara-POR-Paulo-Correa-814x1536.jpeg 814w\" sizes=\"(max-width: 848px) 100vw, 848px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div id=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-column-92b2db05\" class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-column\">\n<p id=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-heading-82f63cc5\" class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-heading wp-block-themeisle-blocks-advanced-heading-82f63cc5\"><strong>Especial novembro negro 2024<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-heading-8f1f2647\" class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-heading wp-block-themeisle-blocks-advanced-heading-8f1f2647\">Ensaio | Paulo Corr\u00eaa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-white-color has-text-color wp-block-paragraph\">Todo ano o JU convida artistas negros para comporem visualmente a edi\u00e7\u00e3o alusiva ao Dia da Consci\u00eancia Negra. Cada texto \u00e9 acompanhado por uma obra do artista e o conjunto pode ser acessado na p\u00e1gina especial do Ensaio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button has-custom-font-size is-style-primary is-style-fill\" style=\"font-size:13px\"><a class=\"wp-block-button__link has-white-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/ensaio-paulo-correa\/\" style=\"border-radius:100px;background-color:#5e3612\">Confira<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-1 wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\">Paulo Corr\u00eaa. <em>Dandara.<\/em> T\u00e9cnica mista.<br><\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" 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