Alanina transaminase (ALT)

A ALT, anteriormente chamada de transaminase glutâmico-pirúvica (GPT) catalisa a transaminação reversível de alanina e 2-cetoglutarato em piruvato e glutamato. Tem como cofator o piridoxal-fosfato. É encontrada em grande concentração no fígado e, em menor grau, no rim e nos músculos, tendo localização citoplasmática. A ALT é um boa indicadora de hepatopatias agudas em cães, gatos, coelhos, ratos e primatas, principalmente em doenças hepatocelulares, necrose hepática, obstrução biliar, intoxicações e infecções parasitárias. Seu uso em suínos, cavalos e ruminantes é de pouco valor diagnóstico devido aos baixos teores da enzima nos tecidos dessas espécies. Em processos crônicos, seu valor está diminuído. Também pode estar aumentada em casos severos de dano muscular. Gestação, nutrição inadequada e falha renal podem levar a uma atividade da ALT diminuída pela deficiência de piridoxina. Cães e ratos tratados com cefalosporina também podem apresentar diminuição da atividade desta enzima. Embora presente no coração, nos rins, músculos e eritrócitos, a enzima oriunda destes órgãos não é capaz de fazer a ALT aumentar muito mais do que três vezes seu valor de referência. O aumento da ALT está relacionado com o número de células envolvidas, ou seja, com a extensão, e não com a gravidade da lesão. Na realidade, mesmo uma lesão que não cause morte celular pode ser suficiente para que ocorra a liberação de ALT na corrente sanguínea. Diversas drogas podem induzir um incremento da atividade da ALT. Em pequenos animais são relevantes para o clínico os seguintes princípios ativos: acetaminofeno, barbitúricos, glicocorticoides, cetoconazol, mebendazol, fenobarbital, fenilbutazona, primidona e tetraciclina. Substâncias químicas (fenóis, alcatrão e outros), plantas hepatotóxicas e aflatoxina podem causar o mesmo efeito.
ALT tem um pico de liberação no sangue cerca de 3 ou 4 dias após a lesão, mas retorna aos valores basais cerca de duas semanas após. A persistência de valores elevados por um período maior pode indicar o estabelecimento de uma patologia crônica como neoplasia ou hepatite. Outras causas possíveis de aumento da ALT são shunt portossistêmico, lipidose hepática, pancreatite aguda (aumento moderado), hepatites tóxicas ou infecciosas (leptospirose, peritonite infecciosa felina, e outras), hipóxia e febre (pequena variação).