Avaliação de desempenho no exercício

No exercício, o organismo sofre uma série de respostas metabólicas:

(1)  Aumento da capacidade de oxigenação do sangue mediante aumento da frequência respiratória e contração esplênica, que leva a aumentar o número de eritrócitos no sangue (aumento de hematócrito e de hemoglobina).

(2) Aumento da produção de ácido láctico, quando o metabolismo passa de aeróbico a anaeróbico; o ácido láctico, por sua vez, pode afetar a permeabilidade das membranas celulares, especialmente das células musculares e algumas enzimas podem vazar para o sangue, principalmente creatina quinase.

(3) Desidratação, devido à perda de água no suor e na respiração.

(4) Mudanças no equilíbrio ácido-básico, processo no qual intervêm dois fatores: hiperventilação que causa uma queda da concentração de CO2 e tendência à alcalose e aumento de ácido láctico com tendência à acidose. As mudanças no equilíbrio vão depender da duração e intensidade do exercício e da adaptação do animal. Um animal melhor treinado tem menor aumento de ácido láctico e maior capacidade de oxigenação.

O uso do perfil metabólico para avaliar a adaptação ao exercício deve incluir a padronização de valores referenciais para a raça, o sexo e a idade dos animais. Os melhores indicadores de adaptação ao exercício são o ácido láctico e as enzimas CK, AST e LDH. Em geral, animais mais bem adaptados têm menores aumentos de ácido láctico e de enzimas e retorno mais rápido aos valores basais após corridas ou exercícios fortes. Em exercícios de longa duração acentua-se o risco de desidratação, a qual é mais bem indicada pela concentração de proteínas totais (preferivelmente albumina) do que pelo hematócrito, o qual pode aumentar pela contração esplênica, além da desidratação. Também em corridas longas pode ocorrer aumento do potássio por danos nas células musculares, diminuição do cloro por perda no suor, aumento de ácidos graxos livres e diminuição da glicose por gasto energético e aumento do fósforo por defosforilação de compostos energéticos. Além disso, como o exercício aumenta a peroxidação das membranas celulares, a demanda de vitamina E/selênio aumenta, tornando-se metabólitos que podem limitar o performance do exercício. O transporte prolongado causa as mesmas mudanças metabólicas que o exercício exagerado.