Função / lesão hepática

O fígado tem um papel centralizador do metabolismo, sintetizando e distribuindo nutrientes aos órgãos periféricos pela circulação sanguínea e processando compostos destinados a excreção, tornando-os solúveis no plasma (conjugação). A importância do fígado como órgão centralizador fica claramente expressada no fato de os outros órgãos e tecidos serem chamados de extra-hepáticos ou periféricos. São múltiplas as situações patológicas que podem repercutir sobre a integridade do fígado, tanto no parênquima como nos canalículos biliares, entre as quais se contam situações de hipóxia, de doenças metabólicas, de intoxicações, de condições inflamatórias, de neoplasias ou de traumas mecânicos. Estes eventos causam lesão ao tecido hepático e ao sistema canalicular, a qual pode ser evidenciada mediante a dosagem de enzimas hepáticas. Porém, lesão não significa necessariamente que haja perda de função e a dosagem enzimática não é fiel indicadora de que o função hepática esteja comprometida. Assim, os testes hepáticos devem diferenciar os indicadores de função, que são basicamente aqueles metabólitos sintetizados pelo fígado (albumina, colesterol, ureia, fibrinogênio, glicose, bilirrubina) e os indicadores de lesão, que são as enzimas específicas de localização hepática (AST, ALT, FA, GGT, GDH).