Indicadores de transtornos metabólicos em ruminantes

Os transtornos metabólicos, ou doenças da produção, são observados em animais durante a fase produtiva, em geral associados à pressão de seleção genética e a práticas de manejo alimentar inadequadas. Os transtornos metabólicos são mais frequentes durante as fases de grande demanda de nutrientes, como são o início da lactação em vacas leiteiras e o final da gestação em pequenos ruminantes. No caso de uma demanda súbita de nutrientes, como ocorre no início da lactação, as reservas podem esgotar-se rapidamente, sendo necessário um imediato processo de adaptação que envolve hormônios relacionados ao metabolismo (insulina, glucagon, somatotropina, IGF, PTH) para evitar o desencadeamento de doenças como a cetose, a hipocalcemia puerperal (febre do leite) ou a hipomagnesemia, nas suas formas clínica ou subclínica, que repercutem em falhas da fertilidade, baixa da produção ou pobre crescimento. Em torno de 75% dos transtornos do pós-parto acontecem nas primeiras três semanas de lactação. É neste momento em que os metabólitos sanguíneos podem contribuir como indicadores da adaptação metabólica dos animais e como preditores de transtornos. Por exemplo, aumentos sanguíneos de NEFA são considerados como um fator de risco para deslocamento de abomaso, aumentos de BHB são fator de risco para cetose, metrite e mastite, baixas concentrações de cálcio sanguíneo são fator de risco para sofrer de metrite, mastite e retenção de placenta, bem como para baixa imunidade. Alterações na função hepática estão relacionadas com menores concentrações de albumina e colesterol. A pesar de todas estas relações entre doenças e indicadores bioquímicos do sangue, o perfil bioquímico deve ser sempre entendido como uma ferramenta diagnóstica, da qual fazem parte também o exame clínico dos animais, o histórico sanitário-produtivo do rebanho, e a análise e a adequação da dieta.