Insulina

A insulina é uma proteína globular relativamente pequena (5,7 kDa), ccom duas cadeias polipeptídicas, A e B. Estas cadeias estão unidas mediante pontes dissulfeto. Existem diferenças entre as insulinas de diferentes espécies, geralmente nos aminoácidos 8, 9 e 10 da cadeia A e no aminoácido 30 da cadeia B. As insulinas canina e suína têm a mesma estrutura. A meia-vida da insulina é de 5 a 10 minutos sendo degradada por proteases específicas depois de sua união com os receptores nas células-alvo.

Os alvos primários da insulina são o fígado, o músculo e as células adiposas. Atua, também, de forma sinérgica com a prolactina sobre a glândula mamária. A insulina tem ações anabólicas, isto é, favorece a síntese de proteínas, de glicogênio e de triglicerídeos. Seu efeito é oposto ao dos hormônios catabólicos (glucagon, catecolaminas, glicocorticoides, GH). Também tem efeito sobre o transporte através de membranas, facilitando o ingresso e a utilização intracelular da glicose, dos aminoácidos e do íon potássio. A administração de insulina com fins terapêuticos pode causar, além de hipoglicemia, uma hipocalemia. Este efeito é causado pela estimulação da bomba Na-K-ATPase, aumentando o ingresso de potássio nas células, podendo causar transtornos cardiovasculares.

Algumas células não requerem a presença de insulina para a entrada de glicose. Entre elas, as células do cérebro, do trato gastrointestinal, os eritrócitos, os leucócitos, as células das ilhotas pancreáticas, dos túbulos renais e os hepatócitos. A insulina aumenta a atividade das enzimas envolvidas na glicólise, especialmente a glicoquinase, a fosfofructoquinase e a piruvato quinase. Efeito oposto, ou seja, diminuição de atividade, é exercido sobre as enzimas da gliconeogênese, como a glicose-6-fosfatase, a frutose-1,6-difosfatase, a fosfoenolpiruvato carboxiquinase e a piruvato carboxilase. Algumas enzimas têm sua atividade modificada pela insulina, através de processos que envolvem defosforilação. Assim, a glicogênio sintetase, enzima encarregada de sintetizar o glicogênio, passa da sua forma inativa, fosforilada, para a forma ativa, defosforilada. O efeito final da ação da insulina sobre o metabolismo dos glicídeos é aumentar a síntese de glicogênio na presença de glicose-6-fosfato e inibir a glicogenólise. A combinação das ações anteriores faz com que a insulina tenha efeito hipoglicemiante. Outra enzima ativada mediante defosforilação mediada pela insulina é a piruvato desidrogenase, a qual oxida o piruvato a acetil-CoA. Este metabólito pode, depois, servir de precursor para a síntese de ácidos graxos ou servir de fonte energética mediante sua oxidação no ciclo de Krebs. Portanto, a insulina promove a lipogênese e inibe a lipólise. A insulina também promove a defosforilação da enzima acetil-CoA carboxilase, a qual converte o acetil-CoA em malonil-CoA, ativando sua ação e estimulando a síntese de ácidos graxos. Simultaneamente, a defosforilação da lipase, mediada pela insulina, inibe a degradação dos triglicerídeos. A insulina também estimula a síntese de lipoproteínas LDL e da lipoproteína lipase de membrana para facilitar a disponibilidade de ácidos graxos no tecido adiposo para a lipogênese. A síntese de proteínas no fígado é estimulada pela insulina ao aumentar a captação de aminoácidos e a capacidade ribossomal para traduzir mRNA, também acelerando a transcrição e a replicação do DNA, levando à proliferação celular, atividade importante na promoção do crescimento e da diferenciação celular.

Insulinoma

O insulinoma é um tumor secretor de insulina de forma autônoma e independente da concentração de glicose plasmática, principal regulador da secreção de insulina. A localização destes tumores é pancreática, a partir de células beta, apesar de tumores extrapancreáticos raramente apresentarem secreção autônoma de insulina. Pode ocorrer hipoglicemia secundária a síndromes paraneoplásicas associadas a tumores como carcinoma hepatocelular, hepatomas, leiomiossarcoma, leiomioma, hemangiossarcoma, melanoma ou leucemia. A grande maioria dos insulinomas é maligna, ocorrendo uma elevada taxa de metástases. Cerca de 50% dos casos apresentam metástases no momento do diagnóstico inicial e os locais mais comuns de metástases são o fígado, linfonodos regionais e omento.

O diagnóstico de um insulinoma é relativamente simples. Basta demonstrar-se a existência de hiperinsulinemia concomitante com uma hipoglicemia. Fisiologicamente a secreção de insulina é abolida frente a glicemias menores que 30 mg/dL. Desta forma, para um adequado diagnóstico, coleta-se uma amostra de sangue para determinação de insulina (referência: 5 a 20 µU/mL) com o paciente apresentando glicemia inferior a 50 mg/dL. Quanto mais baixa a glicemia, maior a probabilidade do diagnóstico pela determinação de uma hiperinsulinemia.