Lipidose hepática

Este transtorno é característico de vacas leiteiras de alta produção nas primeiras semanas após o parto, em função de um balanço energético altamente negativo, que causa maciça mobilização das reservas lipídicas do organismo. Os ácidos graxos livres colocados na circulação pela resposta a hormônios (glucagon, somatotropina) entram no fígado para serem reesterificados e incluídos nas lipoproteínas (VLDL, HDL). Quando existem problemas no fígado, que comprometem a síntese da apolipoproteína correspondente, ocorre deposição de lipídeos nos hepatócitos. A infiltração gordurosa pode ultrapassar os 12% aceitáveis. A partir de 25% de infiltração lipídica são observados sinais da doença, correspondentes a uma hepatopatia. São observados aumentos de ácidos graxos livres, bilirrubina e enzimas hepáticas (AST, GGT, FA). Também, por conta do balanço negativo de energia, podem ser encontrados aumentos de corpos cetônicos. O comprometimento da função hepática causa diminuição sanguínea de colesterol, albumina e glicose. Pode estar também diminuído o magnésio, em função de sua fixação no tecido adiposo para permitir a ação das enzimas lipolíticas. A avaliação do problema pode incluir outros indicadores auxiliares. O conteúdo de proteína e ureia no leite revela a adequação do aporte energético-proteico da dieta. Consideram-se valores de referência no leite 30 g/L de proteína e 4,3 a 5,7 mmol/L de ureia. Os corpos cetônicos podem ser também detectados no leite, mediante tiras reagentes.