Aspartato aminotransferase (AST)

A AST, anteriormente chamada de transaminase glutâmico-oxalacética (GOT) catalisa a transaminação reversível de aspartato e 2-cetoglutarato em oxalacetato e glutamato. Tem como cofator o piridoxal fosfato. Existe em muitos tecidos como duas isoformas, no citosol e na mitocôndria, sendo mais abundante no fígado, nos eritrócitos e nos músculos esquelético e cardíaco. Seu uso é como indicador de danos nesses tecidos. Aumentos de AST são observados em hepatite infecciosa e tóxica, cirrose, obstrução biliar e fígado gorduroso. Seu nível também está aumentado quando ocorre hemólise, deficiência de selênio/vitamina E e no exercício físico intenso. Em lesões musculares, convêm conferir também a atividade de CK. A AST é usada para avaliar condicionamento físico em animais de esportes. Também, em suínos, pode ser indicador da capacidade de suportar estresse por transporte (teste de halotano). Em ruminantes, a AST é boa indicadora do funcionamento hepático. Assim, seus níveis sanguíneos são utilizados em vacas no pré-parto para prevenir doenças metabólicas durante o pós-parto, especialmente em vacas de alta produção leiteira. Vacas com altos valores de AST antes do parto têm mais tendência a sofrer problemas de infertilidade, paresia de parto e retenção de placenta do que vacas com baixos valores. Valores altos de AST e baixos de colesterol e de albumina revelam, com razoável certeza, transtornos na função hepática. Em aves e outros animais, a AST pode indicar toxicidade por ionóforos usados como drogas anticoccidiais. AST pode estar elevada na intoxicação crônica pelo cobre nos ovinos. Plantas hepatotóxicas que causem necrose hepática, como Cestrum parqui e Xanthium cavalinesii, são causas possíveis de aumento da AST. Senna ocidentalis e outras que causam extensa necrose muscular podem ter o mesmo efeito. A deficiência de vitamina E e selênio pode causar necrose segmentar dos músculos esqueléticos (doença do músculo branco), incrementando a atividade de AST no plasma. Nesses casos, pode ser interessante avaliar conjuntamente a CK, que é mais específica para lesão muscular, e a glutation peroxidase, para avaliar a carência de selênio.

AST pode ser usada para avaliar lesão hepática em pequenos animais da mesma forma que a ALT, porém com uma especificidade muito menor. Na avaliação de lesão muscular, ela produz aumentos menores do que a CK, mas que se estendem por um período de tempo maior. AST, por ser uma enzima mitocondrial e citossólica, necessita uma lesão maior para ser liberada na corrente sanguínea. Por outro lado, CK e LDH, por serem citossólicas e de tamanho pequeno, conseguem ultrapassar a membrana celular, mesmo que não exista um dano tecidual muito grande. Na realidade, um simples aumento de permeabilidade de membrana é suficiente para que ocorra o extravasamento da enzima.

Lesões no músculo cardíaco também são demonstradas pelo aumento da AST. Cardiomiopatias diversas podem causar este efeito, assim como endocardites bacterianas, dirofilariase, trombose aórtica e infarto do miocárdio. Quando estiver presente congestão hepática por problema cardíaco, a enzima provavelmente estará elevada devido ao fígado congesto. O aumento da AST sérica pode ocorrer em patologias de localização no sistema nervoso central; quando isso ocorrer, sugere uma grande lesão do parênquima e um mau prognóstico.

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