Creatina quinase (CK)

A enzima CK, também conhecida como creatina fosfoquinase (CPK), existe na forma de dímeros, cujas subunidades pesam 40 kDa. As subunidades correspondem às formas M (muscular) ou B (cerebral), havendo 3 isoenzimas (MM, MB e BB). Em medicina veterinária, a determinação das isoenzimas de CK ainda não tem utilidade prática, embora seja comum na medicina humana. A principal atividade da CK está no tecido muscular (esquelético e cardíaco), tendo como função fosforilar de forma reversível a creatina a expensas do ATP, como uma forma adicional de armazenamento de energia em ligações fosfatadas. Além do tecido muscular, a CK pode estar localizada, em menor quantidade, no rim, cérebro, diafragma, trato gastrointestinal, útero e bexiga.

A CK é amplamente usada para diagnosticar transtornos musculares. A enzima é citosólica ou associada às estruturas das miofibrilas. Requer magnésio como cofator e, portanto, sua atividade pode estar inibida em presença de compostos quelantes (EDTA, citrato, oxalato). Seu nível está aumentado no infarto cardíaco e em danos musculares, como na isquemia muscular por decúbito prolongado, em convulsões, nos tremores, nos traumas, no excesso de exercício, na necrose, em cirurgias, em injeções intramusculares, no choque e em miopatias nutricionais que envolvam deficiência de vitamina E e/ou selênio.

Em problemas musculares, é conveniente dosar também a AST. Ocorre elevação da CK antes da AST, desaparecendo primeiro também. Assim, o padrão de alteração dessas enzimas pode indicar o estágio do transtorno: a CK aumentada, com baixa AST, indica lesão recente; níveis persistentemente altos das duas indicam lesão continuada, enquanto que níveis baixos de CK e altos de AST indicam processo em fase de recuperação.

Cães com leptospirose apresentam a atividade sérica da CK aumentada, o que sugere uma extensa degeneração muscular, explicando as dores observadas na clínica veterinária. Incremento de CK ocorre em bovinos transportados por longos períodos. Este aumento ocorre pelo esforço físico a que são submetidos os animais. O esforço do parto também é um fator de aumento da CK, assim como o exercício de cavalos de corrida. O uso da isoenzima CK-MB não é um indicador confiável de lesão cardíaca em cães, diferente do que ocorre com humanos. Isso acontece porque a meia-vida da CK-MB canina é muito curta e, dessa forma, raramente a isoenzima pode ser avaliada a tempo.

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