Fósforo

O fósforo existe em combinações orgânicas dentro das células, mas o interesse principal no perfil metabólico reside no fósforo inorgânico presente no plasma. A manutenção do nível de fósforo do sangue é governada pelos mesmos fatores que promovem a assimilação do cálcio. Porém, na interpretação do perfil os dois minerais indicam diferentes problemas. Por outro lado, o controle da concentração de cálcio via endócrina é mais rigoroso, e o nível de fósforo inorgânico no plasma sanguíneo dos bovinos geralmente oscila bem mais que o nível de cálcio. Os níveis de fósforo são particularmente variáveis no ruminante em função da grande quantidade que se recicla via saliva, e sua absorção no rúmen e intestino. A interrupção do ciclo leva à hipofosfatemia. Normalmente, a perda de fósforo nas secreções digestivas no bovino chega a 10 g/dia. Por outro lado, o fósforo no rúmen é necessário para a atividade normal da microflora e, portanto, para a digestão normal.

A disponibilidade de fósforo alimentar diminui com a idade (90% em bezerros, 55% em vacas adultas), por isso os níveis sanguíneos de fósforo são menores em animais mais velhos. Deficiências no fósforo não têm efeitos imediatos, como é o caso do cálcio, porém, em longo prazo, podem causar crescimento retardado, osteoporose progressiva, infertilidade e baixa produção. A deficiência severa de fósforo, manifestada por níveis sanguíneos de menos de 3,0 mg/dL, leva à depravação do apetite. A hipofosfatemia é observada em dietas deficientes em fósforo, mais comumente em solos deficientes em fósforo, principalmente durante o outono/inverno e em vacas de alta produção leiteira. Existem muitas áreas deficientes em fósforo na África (Senegal, Quênia), na Europa (Irlanda, Escócia), na Austrália e na América Latina (Brasil, Costa Rica, entre outros).

No leite, a relação Ca/P é de quase 1:1. Entretanto, a relação Ca/P ótima nos alimentos para absorção é de 2:1, a mesma que existe nos ossos. Assim, a excreção de fósforo pelo leite é maior, especialmente em vacas em produção. Nesses animais, uma alimentação com concentrados (rica em fósforo) pode evitar problemas de deficiência. Geralmente, as pastagens são abundantes em cálcio e deficientes em fósforo, acontecendo uma relativa deficiência de fósforo e um excesso de cálcio; porém, os ruminantes estão bem adaptados para compensar altas relações Ca/P (até mais de 3:1). Por outro lado, o excesso de suplementação com cálcio e fósforo podem causar diminuição da absorção intestinal de outros minerais, tais como magnésio, zinco, manganês e cobre. Dietas com excesso de cereais, especialmente trigo, que contém alto teor de fósforo, podem causar hiperfosfatemia em ovelhas, cabras e equinos, em decorrência da qual pode ocorrer urolitíase. O mesmo pode acontecer em gado sobrealimentado com concentrados e em cães e gatos com dietas únicas de carne.

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