Sódio

O sódio está presente principalmente no líquido extracelular e determina, em grande parte, o volume deste líquido e a osmolaridade do plasma. O nível de sódio dentro das células é mantido baixo, graças a uma membrana celular relativamente impermeável à entrada de sódio e a uma bomba de sódio que retorna o sódio da célula para o líquido extracelular. Os rins regulam a quantidade de sódio do organismo, controlando também a de água, mantendo assim a concentração plasmática de sódio dentro de limites estreitos, apesar das flutuações devido à ingesta diária. O valor de referência do sódio plasmático é de 132-155 mmol/L.

Hipernatremia

A hipernatremia (sódio sanguíneo > 160 mmol/L) está quase sempre associada à elevação da osmolaridade no plasma. Ocorre em animais desidratados quando as perdas de água excedem as perdas de eletrólitos, como nos seguintes casos: (a) estágios iniciais de vômito, diarreia e doença renal; (b) queimaduras cutâneas, (c) causas iatrogênicas: uso exagerado de diuréticos, nutrição parenteral, administração de solução salina hipertônica ou bicarbonato de sódio, com restrição de água de beber, intoxicação com sal combinada com falta de água de bebida; (d) respiração ofegante por calor ou exercício físico intenso; (e) diabetes insípida, se ocorrer restrição de água; (f) falta de água de beber; (g) diabetes mellitus; (h) excesso de mineralocorticoides (hiperaldosteronismo por tumor adrenal).

O excesso de sódio no plasma vem acompanhado de aumento na água corporal, provocando uma sobreidratação isotônica que causa hipertensão e edema generalizado. O problema primário, nesses casos, é a retenção de sódio. Secundariamente, o excesso de água, retida ou ingerida para diluir o sódio, resultará em problemas, tais como insuficiência cardíaca congestiva, hipoalbuminemia e fibrose hepática. A intoxicação com sal pode acontecer em animais que pastam perto de pântanos de água salobra ou em alimentos contaminados, sempre que não for fornecida água doce. Na intoxicação com sódio aparecem sintomas neurológicos devido ao edema do córtex cerebral por aumento do fluido cérebro-espinhal: fraqueza, letargia, sede, irritabilidade, depressão, ataxia, mioclonia e coma. Esses sinais aparecem quando a concentração plasmática de sódio atinge níveis superiores a 170 mmol/L e são devidos à desidratação neuronal (água se desloca para o espaço extracelular).

A dosagem de sódio plasmático ajuda no diagnóstico. A urina também dá informação valiosa: a densidade urinária pode estar aumentada (acima de 1,035) porque a hipernatremia causa liberação de ADH, que aumenta a reabsorção tubular de água, concentrando a urina.

Hiponatremia

Uma falsa hiponatremia pode ocorrer em quadros de hiperlipidemia e hiperproteinemia. Lipídeos e proteínas, quando em altas quantidades, ocupam um espaço significativo no plasma. Uma vez que a medição dos eletrólitos é feita na fração aquosa do plasma, nesses casos, apesar de a quantidade total de sódio estar normal relativamente ao volume de plasma, sua concentração estará diminuída. Da mesma forma, observa-se falsa hiponatremia na hiperglicemia, pois a glicose em excesso provoca aumento na osmolaridade do plasma e induz o deslocamento de água do espaço intracelular para o plasmático, diluindo-o. O sódio plasmático diminui 1,6 mmol/L para cada aumento da concentração de glicose de 100 mg/dL.

A hiponatremia (sódio sanguíneo menor de 140 mmol/L) pode ser considerada como um excesso relativo de água. Entre as causas de hiponatremia estão: (a) perdas no volume efetivo circulante: neste caso, inicialmente ocorre hipernatremia quando há perda significativa de água devido a vômito, diarreia, sudorese excessiva (equinos), dermatite esfoliativa, queimaduras, terapia diurética ou insuficiência adrenal (baixa aldosterona). Porém, a desidratação induz respostas neuro-hormonais que resultam em aumento do consumo de água, via aumento da sede e a conservação renal de água, resultando em hiponatremia compensatória; (b) hemorragias, compensadas por aumento no consumo de água; (c) sequestro de fluidos que contenham sódio em cavidades como resultado de ascite, peritonite, obstrução intestinal, efusão pleural ou ruptura da bexiga; (d) consumo excessivo de água devido a problemas psicogênicos (polidipsia primária); (e) doença renal com deficiente reabsorção de sódio; (f) deficiente secreção de vasopressina (ADH), não ocorrendo reabsorção de água e de sódio.

Em alterações do sódio pode resultar útil medira a osmolaridade do plasma utilizando a seguinte fórmula (valores em mmol/L):

Osmolaridade plasma (mOsm/kg) = (2 x [Na]) + [glicose] + [ureia]

Valor de referência= 290-310 mOsm/kg

A relação Na/K também resulta de utilidade. O valor de referência é 27:1 a 401:1. Valores menores de 27:1 revelam aumento de K, diminuição de Na ou a combinação dos dois. A maior probabilidade é por hipoadrenocorticismo (falta de aldosterona), mas também pode acontecer em casos de doença renal, gastrointestinal, em parasitismos e em efusões cavitarias.

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